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domingo, 4 de abril de 2021

Ao Domingo com ... Rosa do Rio (Rosário Carneiro)

Chamo-me Rosário mas assino como Rosa do Rio – o meu nome dividido em dois.

Publiquei recentemente um primeiro livro – DIÁRIOS de 1992 – que é exatamente o que o nome indica, o que anotei durante esse ano numa agenda Redstone, que em 1992 teve como tema, Desenhos de Escritores.

Como para além de escrever também me dedico ao desenho – e à escultura, pintura e gravura – aquela agenda foi bastante inspiradora, acabando por se transformar num objeto muito bonito.

Escrevi com lápis e canetas de diferentes cores, colori os desenhos já existentes e fiz os meus próprios esboços.

O livro agora publicado contém oito imagens das páginas do diário original, sendo uma delas ailustração da capa.

Uma característica curiosa deste livro é quase não referir nomes de pessoas.

E não porque os tenha tirado no processo de edição. Já não existiam à partida.

Isto acontece porque não é um diário narrativo, embora se consiga perceber uma história, ou mesmo várias histórias ao longo do tempo.

São sobretudo fragmentos dispersos que exprimem impressões e emoções sendo muitos deles instantâneos de locais e de situações experienciadas ou observadas.

Apesar de o livro ser apresentado por ordem cronológica não me pareceu importante colocar constantemente datas, até porque, no original, nem sempre estava marcado um dia concreto.

Limitei-me a pontuar o tempo com os meses e um ou outro dia imbuído de especial simbolismo.

Já os locais onde as palavras foram registadas vêm sistematicamente referidos. Considerei ser um elemento relevante pois os diversos lugares com as suas cores e características específicas influenciaram diferentemente a linguagem.

Nessa altura trabalhava como intérprete em Bruxelas e viajava bastante, por razões profissionais e pessoais. A situação geográfica de Bruxelas, tão perto de tantos países proporcionava-o. Por isso o diário foi criado em diversos locais.

O ambiente cosmopolita do mundo da interpretação e de Bruxelas deixou os seus traços e, inesperadamente, aqui e acolá, irrompem pelo texto frases dispersas em línguas estrangeiras.

De resto, tinha já contribuído com alguns textos, em francês, para a revista belga Partis Pris, entretanto extinta.

Porquê então especificamente estes escritos para um primeiro livro?

Por acaso! Se bem que os acasos estejam frequentemente carregados de significâncias profundas.

Guardo os meus cadernos, na sua variedade de formas e feitios, numa belíssima mala antiga de cabedal, forrada a veludo vermelho cardeal.


Quando, no fim do Verão de 2017, mergulhei no conteúdo dessa mala acabei por ir parar a esta Redstone de 1992. Comecei a folheá-la e dei por mim a pensar que valeria a pena publicá-la.

Depois foi todo o trabalho de transpor o manuscrito para o computador e estudar todos os pormenores do livro, desde o tamanho à paginação, passando pela escolha das imagens e da capa. Foi uma tarefa minuciosa e morosa que me deu uma grande satisfação.

Questionam-me como é que, sendo eu uma pessoa habitualmente tão reservada, fui capaz de trazer a público algo tão intimista.

Não tenho resposta categórica mas, talvez por ser algo passado há tanto tempo, não tive qualquer problema em mostrar estas folhas onde o meu eu aparece totalmente escarrapachado.

Perguntam-me também o que significa para mim escrever.

Vejo a escrita como uma prática enriquecedora e multifacetada.

A minha é primordialmente diarística – o que sinto, penso, vejo – e traduz-se muitas vezes em pequenas histórias que a observação dos outros me suscita.

Escrever sobre o meu quotidiano permite-me escoar o que me vai na alma, aliviando-me do peso de problemas, preocupações ou tristezas. Como que um desabafo com o papel, assim transformado num ouvinte dileto.

É também uma forma de arrumar a cabeça e a estruturação de ideias a que a escrita me obriga conduz frequentemente a revelações profundamente esclarecedoras.

E claro há, acima de tudo, o gosto de escrever, o prazer que a atividade me proporciona. Curiosamente o ato da escrita parte, muitas vezes, de uma real necessidade. Daí pensar amiúde se escrevo por gosto ou por necessidade, para logo concluir que os dois aspetos estão intrinsecamente ligados.

Dantes escrevia só em papel e, nos últimos anos sempre com caneta de tinta permanente.

Mas ultimamente modernizei-me e redijo cada vez mais os meus apontamentos nos rascunhos do meu telefone. São as minhas Escritas Quotidianas num Samsung Galaxy.

Poderá ser menos bonito e poético mas tem muitas vantagens: não preciso de andar carregada com cadernos – o telemóvel é leve, cabe em qualquer lado e hoje em dia ando quase sempre com ele – posso escrever em qualquer posição, até deitada, não preciso de transcrever para o computador – se bem que seja um exercício que pelo ritmo vagaroso propicia muitas e boas correções – e, mais importante ainda, percebo sempre o que escrevi.

Contudo, volta e meia, por uma qualquer razão, surge em mim uma enorme vontade de sentir a corporeidade de escrever com uma caneta em papel.

Modernizei-me também noutra área – comecei a fazer um site para o meu trabalho no campo das artes plásticas.

Já está no ar, se bem que ainda não totalmente concluído.

www.rosadorio.com

Nota: Pode encontrar-se mais informação sobre o livro googlando Diários de 1992 de Rosa do Rio. Pode nomeadamente ler-se o prefácio e as primeiras páginas na edição Ebook na Amazon:

https://www.amazon.com/Di%C3%A1rios-1992-Portuguese-Rosa-Rio-ebook/dp/B08L8BYD8Q

Rosa do Rio (Rosário Carneiro)

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