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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

"A Vida Sonhada das Boas Esposas" de Possidónio Cachapa

Possidónio não é um autor novo cá no blogue. Lembro-me bem de um livro seu que li há muito, o Materna Doçura.

Gostei muito dessa e desta leitura. Identifiquei, infelizmente (e já explico porquê!), alguns dos personagens do livro com pessoas reais, conhecidos e amigos.
A história contada, embora me parecesse , a certa altura, que pudesse ter algo de irreal é infelizmente a história de muitas pessoas reais: casamentos sem amor, em que um é subjugado pelo outro, agredido verbalmente sem que tenham ambos noção o quão errado isso é. A morte do agressor é, muitas das vezes, a libertação desse jugo, uma porta aberta para um futuro nunca sonhado. Madalena é uma mulher casada. Nunca teve voz. Nunca teve vida. Até um dia em que o marido morre...

Um livro que se lê com fluidez, representativo de muitas realidades que se escondem ao nosso olhar.  Uma vontade de viver, súbita e avassaladora, leva Madalena a embarcar em novas e loucas  aventuras que a fazem viver como até então não julgara possível. Um humor subtil, uma escrita leve mas carregada de sentimento. Gostei.

Terminado a 4 de Dezembro de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
O novo romance de Possidónio Cachapa é um olhar contemporâneo sobre o papel da mulher, a expressão da sua sexualidade e a visão que a família e a sociedade mantêm sobre ela à medida que o tempo passa.

Cris

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

"Viagem ao Coração dos Pássaros" de Possidónio Cachapa

Peguei neste livro e só o larguei quando a última página apareceu! É um livro pequeno, eu sei, mas este autor tem o condão de me enfeitiçar com as suas palavras.

É um livro diferente do Materna Doçura, que adorei, porque a escrita é mais poética, com algo de mágico. Lembrou-me que talvez se enquadrasse um pouco na dita corrente de Realismo Mágico.

Com personagens de carácter muito vincado, este romance centra-se na vida de Evangelina e Kika, mãe e filha respectivamente, ambas marginalizadas pela gente da aldeia onde vivem. A primeira por ser considerada uma "mulher da vida" porque, abandonada pelo marido, apaixona-se perdidamente por outro e a segunda por ter deixado quase de falar quando seu pai partiu e por ser dada a mistérios e adivinhações.

Kika é diferente. O pai ausente, a mãe pouco dada a carinhos e afagos e a sua sensibilidade extrema que a leva a comunicar com aqueles que já morreram mas que ficaram presos num limbo, torna-se uma atracção para o povo que a solicita frequentemente para desvendar os mistérios existentes nas suas vidas, muito embora não abandone as suas superstições. O seu dom, a sua inocência e mais tarde o seu amor pelo Escritor fazem dela uma personagem única.

Um livro com uma escrita poética, possuidor de uma grande harmonia, que me deu prazer ler. Com algo de misterioso, fascinante. Fiquei curiosa com o outro romance de Possidónio, "O Mar por Cima". Conseguirá o autor elevar a fasquia a que nos habituou nestes dois romances? (Sim, porque este é o segundo romance do autor. Foi reeditado agora pela Editora Marcador.)

Terminado em 8 de Fevereiro de 2015

Estrelas: 4*+

Sinopse

Viagem ao Coração dos Pássaros remete-nos para um universo único mas que se repete sempre no tempo dos seres humanos. Fala-nos das contradições e dialéctica do mundo, do amor, da vida, mas também dos seus opostos.
É um livro que se lê num sopro, como se fosse um instante, numa viagem que o leitor faz ao coração, o seu próprio, e o dos protagonistas da história, realista, autêntica e bela.
Possidónio Cachapa conduz-nos através da sua escrita profunda, revelando-nos os dons que todos temos e as nossas virtudes mas também as nossas debilidades e fraquezas, numa simplicidade narrativa que nos prende da primeira à última página.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

"Materna Doçura" de Possidónio Cachapa

Que bom foi terminar o ano com uma surpresa tão maravilhosa! O livro foi-me emprestado por uma amiga, que mo recomendou, mas nada me fez acreditar que me esperaria tão óptima leitura! Convenhamos que a capa e o título não brilham assim tanto, que nos façam pegar nele. E é pena, muita pena, porque o seu interior é brilhante! Tenho aqui outro livro deste escritor mas habita nas estantes dos "não lidos", como tantos outros...

Tendo acabado de ler um livro brilhante (Stoner de John Williams) é a "medo" que pego noutro, receosa que a nova leitura não me satisfaça. E se juntar a isso uma certa impaciência que me consome os dias e que me tem impedido de ler quanto gostaria, o resultado poderia ser um enrolar de uma leitura que nunca mais terminaria... Mas não foi nada disso que me aconteceu! A escrita do autor é cheia de acção, viva, com humor. A história desenrola-se entre o passado e o presente de um personagem muito sui generis, um misto de um "bom menino", de "galã" e "marialva", sem que o leitor perca o fio condutor.

Repito: uma surpresa muito boa e inesperada que a capa e o título não fariam supor!

Terminado em 31 de Dezembro de 2014 ( mais propriamente nas primeiras horas de dia 1/Janeiro)

Estrelas: 6*

Sinopse

Ninguém sai ileso de um grande amor. Ou da falta dele. Esta é uma história de fronteiras. E de reencontros. Os homens têm coração de mulher. Deixam-se amar em silêncio. As mulheres têm força de homens. São elas que mais fazem avançar a acção. A materna doçura não precisa de cédula nem de parto. A grande mãe preta e o irredimível solteirão amam os filhos que não tiveram. Este romance faz-se com um infinito «M» de mãe. Numa escrita viciante e cheia de surpresas, a língua portuguesa funciona como chave de «reconhecimento» entre personagens supostamente estranhas. Ninguém diga que conhece a última geração de ficcionistas portugueses se não tiver lido e relido este livro.