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segunda-feira, 13 de junho de 2022

"Uma Noite Não São Dias" de Mário Zambujal

Já perdi a conta aos livros que li de Mário Zambujal. De quando em vez lá estou eu a pegar numa obra sua. Espero sempre encontrar um personagem tipo, muito comum nos seus livros, aquele "tuga" espertalhão que pensa que sabe mais do que os outros, às vezes reguila, com trejeitos próprios. Aqui, não encontrei esse personagem tão característico e tive pena, é certo.

Muito própria é, sem dúvida alguma, a escrita deste autor. Peculiar, diria. Adoro quando escreve aportuguesando palavras estrangeiras! Assim, palavras como, "fait divers", "zapping", "T2", "Kitchenet" passam a "fédiver", "zépingue", "tê-dois", "quitechenete". Palavras essas que o nosso cérebro não reconhece à primeira mas que depois merecem o nosso sorriso.

Uma sociedade num futuro não muito longe, 2044, muito acéptica, organizada mas saudosista, é o que vamos encontrar nestas páginas. Um trio que se envolve, um desfecho inesperado. E muito humor, sempre o humor fino que já reconheço tão bem nesta escrita de Mário Zambujal.

Pergunto-me: ele será assim "cá fora"?

Terminado em 3 de Junho de 2022

Estrelas: 4*

Sinopse

Em linha com os livros Cafuné e Crónica dos Bons Malandros ambos assentes na ironia e em histórias cheias de pormenores imensamente cómicos.

"Uma Noite Não São Dias" é um romance pleno de humor e criatividade a que se junta a prosa escorreita tão característica do autor mais querido de Portugal. 

Cris

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

"O Diário Oculto de Nora Rute" de Mário Zambujal

Não me canso de elogiar a escrita deste autor. Brejeira, atrevida, marota. E também bem disposta, que nos faz sorrir amiúde, que caracteriza pormenorizadamente os personagens sem, contudo, enjoar através de excesso de detalhes.

São livros pequenos, adequados para leituras de um dia só. Mas considero-os um relato fidedigno quer da época que pretende retratar quer de um estilo de personagem marcadamente citadino, malandreco.

Gosto mais de alguns livros do que outros, como seria de esperar, mas este encheu-me as medidas. O autor coloca-se, desta feita, na voz de uma jovem de 21/22 anos que escreve pela primeira vez num diário que lhe ofereceram. Estamos em Dezembro de 1968 e a acção decorre durante um ano num Portugal com um ambiente fechado mas em que os jovens teimam em alargar horizontes. Torna-se muito engraçado recordar aspectos dessa época! Para quem é mais novo é uma leitura importante. A comparação entre o Portugal de ontem com o de hoje torna-se inevitável.

E depois os nomes que Zambujal arranja para os seus personagens!!! Nora Rute, quem se lembraria de tal? Mas não ficamos por aqui: Sesinanda, Pedro Camilo, Sílvia Natália sāo outros tantos...

Admiro muito a imaginação fértil de Mário Zambujal. O seu estilo de escrita é inconfundível. Recomendo. Este foi um dos seus livros que mais gozo me deu ler.

Terminado em 18 de Outubro de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Nora Rute é uma personagem de romance e, ao escrever o seu diário, vai escrevendo, no desconhecimento do que virá a seguir, o seu próprio romance. Ao mesmo tempo, acrescenta-lhe o registo de acontecimentos e usos que marcaram um ano (1969) desde a chegada do Homem à Lua à moda da minissaia, das manifestações estudantis a guerras em África, aos bares e cafés de Lisboa.

Narrativa de marcada originalidade, O Diário Oculto de Nora Rute coloca os leitores no caminho irrequieto de uma jovem que desafia as regras, as de uma sociedade machista de um pai austero.

Predominam as personagens que são membros da família, não só uma misteriosa tia Nanda, a prima Mé mas um quase desconhecido que parece ter conquistado, em definitivo, o amor de Nora Rute. E um primo ribatejano que lhe revelará o reverso das luzes e sombras da cidade.

Ao colocar-se na sua mente de uma forma travessa, Mário Zambujal, sem abandonar o seu estilo próprio de escrita, incorpora-o no espírito e na conduta de uma jovem que descreve no seu diário a agitação dos seus dias.

Cris

quarta-feira, 3 de maio de 2017

"Primeiro as Senhoras" de Mário Zambujal

      Sou uma antiga fã de Mário Zambujal. A sua escrita é contangiante, alegre, reguila. Os personagens a que dá vida possuem um carisma próprio, são boémios e marialvas que me encantam e tornam a leitura dos seus livros um verdadeiro prazer.
       São histórias com um componente imaginativo muito forte, fazendo com que o sorriso nos nossos lábios seja uma constante. Expressões típicas, traços característicos fazem com que todos personagens tenham um estílo vivo, matreiro e bem definido. Reconhecem-se como sendo "filhos" do mesmo pai. Em todos os livros que já li de Mário Zambujal eles lá estão! 
      Este livro não foge à regra. Lê-se com um sorriso e o tempo passa rapidamente. As situações encadeiam-se umas nas outras a um ritmo vertiginoso e isto deve-se ao "paleio" do personagem principal, Edgar, vítima de rapto, e dos seus depoimentos dirigidos ao Inspector da polícia. 
      Gostei muito, claro, mas não sei dizer se este livro, de entre todos os que li, foi o meu preferido. Recomendo para umas horas de muito prazer e deleite.

Terminado a 29 de Abril de 2017

Estrelas: 4*+

Sinopse
"Primeiro as Senhoras" não é uma continuação da "Crónica dos Bons Malandros", o best-seller que revelou Mário Zambujal como um autor de surpreendente originalidade e humor. Mas neste livro voltamos a encontrar um bom malandro com as suas aventuras, fantasias e emoções. A história conta-se num depoimento do protagonista a um silencioso inspector da Polícia que, tal como os leitores, página a página vai conhecendo o currículo da personagem e os passos de um golpe que o levou a passar nove dias sequestrado. Sem perder de vista o destino da viagem, o passageiro é convidado a ir-se demorando em sucessivos apeadeiros, onde não faltam motivos para uma boa gargalhada ou para um gostoso sorriso de cumplicidade.

Cris

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

"Romão e Juliana" de Mário Zambujal

Os livros que Mário Zambujal escreveu (ou vai escrever) possuem um lugar cativo nas minhas estantes! Quem já leu algum sabe do que falo. A sua escrita é única, sui generis. A ironia e o sentido de humor banham-se nestas águas como se nelas tivessem nascido, naturalmente. A escrita do autor reconhece-se facilmente, querendo com isto dizer que ela é especial, musical mesmo! 
A história é simples e uma questāo impōe-se no decorrer deste pequeno romance que se lê em poucas horas: um amor que encontra barreiras, dura, mesmo depois delas terminarem? Ou é precisamente esses impedimentos que levam a que os dois apaixonados se mantenham juntos? Romão e Juliana, sāo dois jovens cujas famílias nāo se podem ver. Qualquer analogia que o leitor faça com a história de "Romeu e Julieta" fica, a dada altura, pelo caminho visto que o desenlace é bem diferente, sendo fruto de uma imaginaçāo fértil e algo que, creio, foi bem pensado para que o leitor nāo achasse que mais uma vez se repetiria o fim trágico dos apaixonados. E, no entanto, nem tudo é um mar de rosas...
Para os fâs de Mário Zambujal nāo preciso de recomendar este livro. Para quem nunca leu nada deste autor, (eu adoro a sua escrita! Sou por isso suspeita) podem começar com este ou talvez o Serpentina. Foi dos últimos que li e gostei tanto ou mais que este. Fica a sugestāo.
Terminado em 18 de Janeiro de 2017
Estrelas: 5*
Sinopse
Com "Romão e Juliana" vamos ao reinado de D. João V, ele próprio protagonista de aventuras galantes, ficou célebre a que manteve com Soror Madre Paula Teresa de Almeida, Madre do Convento de Odivelas. De igual liberdade não gozam Romão e Juliana pelo que tentam vencer as barreiras em peripécias sucessivas. Fiel ao seu consagrado estilo narrativo, pleno de imaginação e humor, Mário Zambujal traz-nos uma nova e apaixonante história.

Cris

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

"Talismã" de Mário Zambujal

Como são divertidos os livros de Mário Zambujal! E como é alegre a sua escrita!

Sou fã deste autor português. O seu discurso difere em muito daquele que habitualmente leio nos livros que escolho, mas é talvez por isso mesmo que me divirto tanto a ler o que escreve. As suas histórias estão cheias de personagens rocambolescos, com carisma. Com uma escrita cheia de humor, que predispõe muito bem e que faz rir, Mário Zambujal inventou, desta vez, uma história com peripécias sem fim vividas por Pablo Silva, um galego-português, que nos poucos dias em que a história se passa, consegue colocar-nos num verdadeiro sufoco tal é a intensidade da narrativa e tais são os acontecimentos por ele vividos!

Entre bordéis, empresas falidas e por falir, mauzões e gorilas guarda-costas, menina que, tal Cinderela, perde o sapato nos Santos Populares, tiros e roubos, talismãs que dão sorte (ou azar?), somos confrontados com uma sucessão de acontecimentos que não nos dão descanso mas que ao mesmo tempo são extremamente divertidos.

Um livro que se lê num ápice, num bocado de uma tarde e que aconselho vivamente caso não conheçam a escrita deste autor! Estou pronta para o próximo, Mário! Espero que esteja já a caminho...

Terminado em 28 de Dezembro de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

A vida de Pablo Luís Martinez da Silva teve início turbulento. Por pouco não chegava atrasado ao parto na Galiza, vontade de sua mãe, dona Maria Xosé. Foi o prenúncio de uma cadeia de acontecimentos que ele definia como "a desordem natural das coisas". Entre desencontros e encontros sentimentais, enreda-se em trabalhos de alto risco. Corre em busca de uma jovem loura que perdeu um sapato e foge de facínoras de calibre internacional.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

"Serpentina" de Mário Zambujal

Quando leio um livro de Mário Zambujal sei o que espero e tenho-o como garantido! Um livro com uma história divertida, cheio de humor e pequenos detalhes que me fazer sorrir amiúde!

Foi assim com "Histórias do Fim da Rua" e "Cafuné".
Foi assim com "Serpentina" também! Bruno D. L. Bracelim é o personagem principal e narrador desta divertida história. Criança enferma e débil, foi criada com a madrinha, senhora rica e de posses. Os pais emigraram para um tal de estrangeiro com o irmão. As peripécias por que passa posteriormente e o discurso muito sui generis adotado pelo autor fazem-nos encarar esta divertida história de uma forma leve mas, ao mesmo tempo, surpreendente, transformando uma história simples em algo especial.

Creio que fica demonstrado, mais uma vez, que as palavras possuem um poder inaudito. É a forma de as colocar no papel que estabelece a diferença entre um romance banal e um especial. Mário Zambujal escolhe-as com mestria, revelando um humor subtil que me encantou verdadeiramente.

Escrevendo estrangeirismos em português, como é o caso de "pê-jota", "imeile", "tualete", "pê-esse-pê", faz-nos sorrir frequentemente. A boa disposição é uma constante neste livro! Era  essa a intenção do autor? Objectivo amplamente atingido!

Terminado em 4 de Outubro de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

Para Mário Zambujal, o mais importante é saber que os leitores se divertem com os seus livros. É nisso que se concentra quando agarra na caneta e se põe a imaginar peripécias, enredos e personagens. Serpentina não fugiu à regra e arrisca-se a ser o romance mais divertido do ano.
Nele acompanhamos as reviravoltas na vida de Bruno Bracelim - primeiro a partida da família para o Canadá, quando ainda menino, e depois um acidente de trânsito, já em adulto - e divertimo-nos com as situações armadilhadas de um destino tão imprevisível quanto animado.
Num estilo inconfundível, eis um supremo divertimento em que a imaginação e o humor se entrelaçam com a reflexão e a emoção.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cafuné de Mário Zambujal


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 244
Editor: Clube do Autor
ISBN: 9789897240355

Às vezes ao visualizarmos um escritor atribuímos-lhe características que não correspondem à realidade! Se "olhar" para Mário Zambujal penso em alguém que tem tudo para ser uma pessoa "séria", pouco dada a risos... Não o conheço pessoalmente mas do que sei da sua escrita isso não podia estar mais longe da realidade. Mais uma vez, se comprova que não de devem fazer juízos de valor.

Gostei muitíssimo deste pequeno livro que se lê rapidamente e sempre, SEMPRE, com um sorriso nos lábios. Voltei a trás bastantes vezes para reler passagens porque me apercebi que continuava a ler mas o meu pensamento tinha ficado retido numa pequena frase caracterizada por um humor subtil, por vezes, súbito, inesperado e isso obrigava-me a relê-la e voltar para apreciá-la melhor.

Preparem-se para revisitar os anos de 1800, D. João VI, sua esposa, D. Carlota Joaquina, a sua fuga para o Brasil aquando das invasões francesas e da entrada de Junot. Mas, a escrita de Mário zambujal não é maçadora nem cansativa. Através das peripécias de um rapaz atrevido e com um "dedo" para as mulheres da época, e também através de um narrador bastante incisivo, vamo-nos apercebendo do contexto histórico vivido então. 

Surpreendente e muito divertido este livro. Aconselho vivamente! 

Terminado em 16 de Fevereiro de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse


Cafuné centra-se na figura de Rodrigo Favinhas Mendes, um bom malandro que não resiste aos encantos femininos e que se torna amigo de um ex-frade, Frei Urbino de Santiago, que acaba por ser o seu conselheiro e zelador espiritual. É que Rodrigo tem um coração gigante onde cabem muitas mulheres bonitas, dispostas a um carinho que ele é incapaz de recusar…


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Histórias do fim da rua de Mário Zambujal


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 150
Editor: Clube do Autor
ISBN: 9789897240263

Quem não conhece Mário Zambujal? Porém confesso que nada tinha lido deste escritor até agora, muito embora tivesse cá em casa As crónicas dos bons malandros!

Possuidor de uma escrita muito peculiar, irónica e cheia de figuras de estilo ( deliciaram-me sobretudo as personificações!), este livro lê-se com verdadeiro prazer! Fiz questão em voltar a trás para saborear algumas frases que, de tão bonitas e/ou cómicas, conseguiram com que risse com gosto!

Com narradores múltiplos este livro relata-nos a história de gente bem portuguesa que vive numa típica rua portuguesa - A Rua de Trás - de um Portugal muito característico e que já não se encontra facilmente.

Alice Vieira, no posfácio, diz-lhe e diz-nos: "Foste capaz de inventar malandros de quem gostamos mais  do que se fossem poços de virtudes sem fim; pinga-amores de risco ao meio e brilhantina com quem desejaríamos muitas vezes (inconfessadamente) trocar algumas palavras e, digamos, não só... E foste capaz de inventar uma cidade que todos nós gostaríamos que existisse ainda - e que, por tua causa, ainda às vezes acreditamos que é aquela em que vivemos."

Creio que ao ler este livro vão sentir as palavras de Alice como verdadeiras e ficarão curiosos, tal como eu, em ler a restante obra de Mário Zambujal!  

Divertido e perspicaz este romance! Pequenas histórias do dia-a-dia cheias de humor!


Nota: Agradavelmente surpreendida por ler um romance que não está conforme o acordo ortográfico! 


Terminado em 8 de Julho de 2012

Estrelas: 4*

Sinopse


O regresso de Histórias do Fim da Rua, uma novela que decorre numa velha rua de Lisboa, condenada a desaparecer devido aos planos urbanísticos. O mesmo destino parece aguardar o casamento de Sérgio e Nídia, moradores recentes na casa nobre da artéria humilde. Os passos do romance ameaçado cruzam-se com os alvoroços e memórias dos habitantes de sempre, numa narrativa plena de sensibilidade e humor. Mais uma obra onde Mário Zambujal conduz o leitor ao riso, ao sorriso e à reflexão.