Quem leu Madre Paula percebe a razão que me levou a ler esta obra. A escrita de Patrícia Müller é de tal forma arrebatadora e a trama desse romance histórico tão intensa que leva o leitor a sentir-se parte integrante dela. Adorei Madre Paula, como podem ver aqui.
Sabendo, deste modo, que a escrita da autora era apaixonante e que merecia um acolhimento especial da minha parte, tenho de vos falar, também, de dois factores que influenciaram positivamente a minha vontade de ler esta obra: o título e a capa. Com este título, que parece inacabado, Patrícia Müller deixa-nos imaginar a sua continuação. Uma Senhora Nunca... Com uma crítica social fortíssima a uma época que vai desde 1910 e se estende até 1982, o título consegue acompanhar constantemente os acontecimentos narrados e o leitor nunca se esquece dele. Escolha perfeita!
A capa, por sua vez, para além de esteticamente muito bela, traduz na perfeição aquilo que uma senhora deveria ser segundo os padrões da época. Recatada, serena mas, imaginamos nós, um poço de mistério. Enigmática! Até que ponto esse padrão não seria somente uma fachada? Que pensamentos e acções esconderiam essas senhoras?
Com uma obra de ficção inspirada na sua bisavó, Patricia Müller vai aos poucos contando-nos a história de Maria Laura, dos seus ancendentes e descendentes. Escrita pautada por um humor subtil que cativa o leitor, este romance de época possui, como já referi, uma forte crítica social e lança-nos num turbilhão de emoções ao acompanharmos os segredos e mistérios, os amores e desamores dos personagens. Reconheço que no início não foi fácil entrar na escrita tão peculiar de Patrícia Müller mas ao fim das primeiras cinquenta páginas comecei a sentir-me em casa e a tratar por tu Maria Laura, Policarpo e Maria da Glória, seus pais que tanto a marcaram pela ausência como pela presença constante, Lucinda, sua filha. A eles juntaram-se os amantes, as histórias de amores impossíveis, os segredos bem escondidos, os futuros incertos, a determinação de mulheres que desejavam viver a sua vida sem imposições e até a loucura e a morte, aquela parte do futuro que não conseguimos alterar.
Um romance que recomendo sem dúvida alguma!
Se quiserem espreitar vejam aqui a participação da autora na rúbrica Ao domingo com... em que fala um pouco sobre este seu livro.
Terminado em 9 de Julho de 2016
Estrelas: 5*
Sinopse
A resistência aos turbilhões sentimentais, a vitória da vida sobre o tempo que nos devora. Maria Laura é senhora desde que nasceu. Oriunda de uma família antiga e latifundiária, nunca trabalhou um dia na vida. Casa-se, tem filhos, gere um país próprio - o apartamento onde mora numa zona rica de Lisboa. Cuida de vivos e mortos com uma devoção cristã. Depois, enlouquece de medo e de rancor perante todas as mudanças que vêm com a Revolução de Abril de 1974. Esta é a vida de Maria Laura, da sua insignificância e das suas memórias familiares, mas também é a história de um amor proibido, filho do marido, a da obsessão em cumprir regras que nunca discutiu, a da demência que é a antecâmara da morte - e a resistência aos turbilhões sentimentais, a vitória da vida sobre o tempo que nos devora. Esta é também uma história romântica, violenta e voluptuosa da vida dos seus pais e filhos, extensões naturais dos braços tentaculares da Senhora. E uma narrativa natural, intimista e sexual do século xx: uma família que vive com o poder e a glória - e que tudo perde com o 25 de Abril.
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segunda-feira, 11 de julho de 2016
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
"Madre Paula" de Patrícia Müller
Amor carregado episódios de raiva por parte de Paula mas também de uma forte entrega física e possuidor de uma inquietação permanente, por ambas as partes, que tinha origem num amor explosivo que só podia ser vivido dentro das portas do Convento de Odivelas.
A autora soube captar muito bem o ambiente da época com uma escrita simples mas intensa, promenorizada q.b. sem ser massuda, transportando-nos facilmente para a época, fazendo-nos visualizar muito bem com as suas descrições, os locais, as personagens e, principalmente, os seus sentimentos.
"Apaixonei-me pelo poder, amei o homem por detrás dele." Num tom intimista ficamos a conhecer, através do relado de Madre Paula, tanto o seu amor desmedido pelo rei e mais tarde por José, filho desse amor, como a sua imensa sede de poder. Filha de um ourives pobre que se viu obrigado a colocar duas das filhas num convento por não ter condições de as sustentar, Madre Paula sentiu-se excluída e maltratada por suas companheiras de convento, muito ricas. Poder vingar-se estava nos seus sonhos, esteve posteriormente nas suas mãos...
Gostei muito deste romance histórico sobretudo porque Patrícia Müller soube com mestria fazer-me recuar no tempo e participar, qual personagem escondido, em todos os episódios deste amor arrojado e proibido! Recomendo!
Terminado em 2 de Outubro de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
Lisboa, início do século XVIII da Graça de El Rei D. João V. Paula, a filha pobre de um ourives, deixa a azáfama das ruas de Lisboa para ingressar no Mosteiro de São Dinis, em Odivelas. Não é Deus quem a chama, mas sim a necessidade de um pai que já não a pode sustentar. Quis o destino, porém, que aquela rapariga de pé descalço se viesse a tornar na mais conhecida freira da nossa história. E numa das mulheres mais poderosas de um reino que vivia no extravagante esplendor pago com os escravos de África, com o ouro do Brasil…
Madre Paula é a história desse amor proibido, entre o Rei-Sol português, D. João V, e a famigerada freira de Odivelas. Um amor intenso, maior que tudo, que levou o rei a ignorar o bom senso e a tomar a freira como amante, confidente e conselheira.
D. João V sempre teve uma predileção por mulheres bonitas, mas Paula foi o seu grande amor. Permaneceram juntos, secretamente, mais de uma década, e chegaram a ter um filho. A história entre um dos homens mais poderosos do mundo e a plebeia que a Deus traiu inscreve-se na categoria de mito, mas é bem real, nas páginas do romance de estreia de Patrícia Müller. Juntos enfrentaram intrigas palacianas, a ameaça do castigo divino, o ciúme e os jogos de poder. E a quase tudo resistiram - pois durante uma década, para D. João V, Madre Paula foi a sua única e verdadeira rainha.
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