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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

"O País Dos Outros" e "Vejam Como Dançamos" de Leila Slimani



A vinda da autora para a apresentação do segundo volume desta trilogia foi o ponto de arranque para começar a ler estes dois livros, um a seguir ao outro. Como tal, na minha cabeça não faz sentido separá-los. Sinceramente, nem saberia como, visto já terem passado bastantes dias desde que os terminei e é num bolo que os vejo. Pena tenho de precisar de aguardar pelo último!

Já tinha lido o Canção Doce (ler aqui a review) e O Perfume das Flores à Noite (ler aqui)  e, por isso, a escrita de Leila Slimani não me era estranha. A fluidez com que a lemos é uma constante nestes seus livros muito embora as temáticas sejam muito diversas. 

Mathilde, de uma pequena aldeia francesa, apaixona-se por um oficial marroquino que combate no exército francês na Segunda Guerra.  Finda a mesma partem para Marrocos e Amine tudo faz para recuperar a quinta de seu pai. Tarefa dura porque o solo é pedregoso. Enquanto Amine trabalha incansavelmente, Mathilde sofre as primeiras desilusões porque a aculturação é difícil. Os costumes conservadores sufocam-na e ela é recebida como uma estrangeira, mas para "casa" as notícias são inversas à realidade vivida: está bem, feliz com o tratamento que recebe.

A maternidade prende-a e traz-lhe sentimentos contraditórios. Os conflitos familiares surgem a par do ambiente violento que Marrocos vive aquando da luta pela sua independência. 

Seguir, Mathilde, Amine, seus filhos Aïcha e Selim e também, a História e cultura de Marrocos, durante vários anos, resultou  num aprendizado muito interessante já que pouco sabia desse país e envolvi-me muito facilmente com os problemas desta família.

Como disse, leitura que se faz sem esforço, de estonteante rapidez! Para quando o último livro?

Tradução da querida Tânia Ganho. Irrepreensível "comme d'habitude"!

Terminado  em 12 e 16 de Outubro  respectivamente.

Estrelas: 5*

Sinopse (O País dos Outros)

Da aclamada autora franco marroquina Leïla Slimani, uma atmosférica e inquietante saga familiar que põe em relevo uma mulher enredada entre duas culturas, dividida entre a dedicação à família e o amor à liberdade com que cresceu.

Em 1944, Mathilde, uma jovem alsaciana, apaixona-se por Amine, um oficial marroquino que combate no exército francês durante a Segunda Guerra Mundial. Terminada a guerra, o casal muda-se para Marrocos e instala-se perto de Meknés. Amine dedica-se a recuperar a quinta herdada do pai, tentando arrancar frutos de uma terra pedregosa e estéril.

Enquanto isso, Mathilde começa a sentir o jugo dos costumes conservadores do novo país, tão sufocante quanto o seu clima. Nem a maternidade apaga a solidão que sente no campo, longe de tudo, num lugar que não é o seu e a verá sempre como estrangeira.

Sinopse (Vejam Como Dançamos)

1968, Marrocos: Mathilde, alsaciana, e Amine, oficial do Exército marroquino, são um casal com uma longa história atrás de si e um incerto futuro pela frente, à imagem do país onde vivem. Esta é a história de uma família hesitante entre a tradição e a modernidade, protagonizada por uma mulher enredada entre duas culturas, sufocada pelo conservadorismo do país onde escolheu viver e dividida entre a dedicação à família e o amor à liberdade. É também a história de um país que acabou de conquistar a independência e que procura o seu lugar, entre o espartilho religioso e o fascínio pelo Ocidente, entre a repressão e o hedonismo.

Leïla Slimani, uma das vozes mais importantes da literatura francesa, regressa à história da própria família para construir um romance cheio de personagens inesquecíveis e imagens fortes. Retratando um tempo e um lugar em que ressoam os ecos do Maio de 68 e as mulheres encetam o pedregoso caminho da emancipação, a escritora reafirma a sua impressionante destreza narrativa e o olhar clínico sobre a intimidade.

Cris

terça-feira, 2 de maio de 2017

"Canção Doce" de Leila Slimani

      Um romance aterrador magistralmente escrito. Uma tragédia contada logo nos primeiros parágrafos e que, pela mestria da escrita, nos prende de imediato mas sempre com o coração apertado e procurando descortinar o motivo pelo qual essa tragédia aconteceu. Embora saibamos como acaba esse terrível momento descrito no início do livro, esperamos chios de esperança a existência de um volte face que altere o seu final. Sem sucesso, aliás!
      Uma escrita seca, simples e directa. Sem compaixão pelo leitor. Brilhante e inquietante ao mesmo tempo!
      Estou sem palavras! Um livro com uma história terrível, assustadora, macabra que deve ser lido por todos. Uma capa doce, um título suave, quase de embalar, que é o oposto do seu conteúdo. Por isso preparem o vosso estômago. Talvez um comprimidozito para acalmar a sensação de repulsa que vos vai acompanhar toda esta leitura?

Muito bom! Nota máxima!

Terminado em 28 de Abril de 2017

Estrelas: 6*

Sinopse
      Mãe de duas crianças pequenas, Myriam decide retomar a actividade profissional num escritório de advogados, apesar das reticências do marido. Depois de um minucioso processo de selecção de uma ama, o casal escolhe Louise. A ama rapidamente conquista o coração dos pequenos Adam e Mila e a admiração dos pais, tornando-se uma figura imprescindível na casa da jovem família.
      O que Myriam e Paul não suspeitam - ou não querem ver - é que a sua pequena família é o único vínculo de Louise à normalidade. Pouco a pouco, o afecto e a atenção vão dando lugar a uma interdependência sufocante, com o cerco a apertar a cada dia, até desembocar num drama irremediável.
      Com um olhar incisivo sobre esta pequena família, Leila Slimani aponta o foco para um palco maior: a sociedade moderna, com as suas concepções de amor, educação e família, das relações de poder e dos preconceitos de classe. Com uma escrita cirúrgica e tensa, eivada de um lirismo enigmático, o mistério instala-se desde a primeira página, um mistério que é tanto sobre as razões do drama como o das profundezas insondáveis da alma humana.

Cris