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quinta-feira, 1 de abril de 2021

"A Dança das Estrelas" de Emma Donoghue

Não li "O Quarto de Jack". Ainda. Agora que terminei este livro sinto que preciso de colmatar essa falha porque adorei a escrita de Emma Donoghue. Feita de expressões simples mas que imprimem à leitura um carácter de urgência, este livro é para ser devorado.  É precisamente isso que me faz atribuir 6*. Essa urgência que nos faz virar as páginas sofregamente, esse olhar para as palavras escritas e ver-me arrancada do meu sofá e catapultada para a situação descrita, com os odores ao rubro... A ânsia de acabar que me tira o sono! 

Como explica a autora, esta história de ficção baseada num facto que aconteceu há 100 anos (a Gripe Espanhola), foi terminada pouco tempo antes de estarmos a viver alguns momentos semelhantes com o Covid. Uma das personagens existiu realmente (a Dra Lynn -1874/1955) e algumas práticas médicas, bem como alguns procedimentos descritos em casas que abrigavam crianças órfãs, foram baseados em factos verídicos também. Estes aspectos conjugados com a escrita vivida e muito gráfica da autora, fazem com que o leitor fique literalmente preso à história narrada.

Então, temos como pano de fundo a Gripe Espanhola,  que surgiu após a Primeira Guerra e que matou mais pessoas que esta última. Em Dublin, numa pequena sala de um hospital que foi transformada numa enfermaria para grávidas infectadas, Julia Power, enfermeira, dá o seu melhor, juntamente com uma auxiliar muito peculiar, Bridie Sweeney. E é neste ambiente claustrofóbico, porque mesmo com as janelas abertas se sente o curto espaço existente e o ar pesado que aí se vive, que decorre quase toda a acção desta história.

Ma-ra-vi-lho-so! Sentimos tudo, desde as dores daquelas mulheres à impossibilidade de ajuda por parte dos cuidadores face ao poder daquele vírus destrutivo, mas também nos regozijamos com as vitórias e o amor. O nascimento e a morte, de mãos dadas. 

Uma leitura empolgante a não perder! Estrelas máximas!

Terminado em 26 de Março de 2021

Estrelas: 6*

Sinopse

Dublin, 1918.

Numa Irlanda duplamente devastada pela guerra e doenças, a enfermeira Julia Power trabalha num hospital sobrelotado e com falta de pessoal, onde grávidas que contraíram uma gripe desconhecida são colocadas em quarentena. Neste contexto já bastante difícil de gerir, Julia terá ainda de lidar com duas mulheres enigmáticas: a Dra. Kathleen Lynn, procurada pela polícia por ser uma líder revolucionária do Sinn Féin, e uma jovem ajudante voluntária sem experiência de enfermagem, Bridie Sweeney.

É numa enfermaria minúscula, escura e sem condições, que estas mulheres vão lutar contra uma pandemia desconhecida, perder pacientes, mas também trazer novas vidas ao mundo. No meio da devastação, histórias de amor e humanidade no dia a dia de mães e cuidadoras que, de várias formas, acabam por cumprir missões quase impossíveis.

Cris

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

"O Prodígio" de Emma Donoghue

Um livro onde a acção decorre devagar, como suponho que devam passar as horas de quem se propõe vigiar alguém, dia e noite. E quando esse alguém é uma menina de onze anos, que teima em nāo ingerir alimento algum, a vigia torna-se algo dolorosa. Se a personagem principal, a enfermeira Lib, desespera com a teimosia da jovem Anna (ingénua ou mentirosa?) ao mesmo tempo que vai tentando decifrar o mistério que a envolve, o leitor segue o mesmo caminho e torna-se ele próprio vigilante e investigador. Trata-se de um prodígio da fé ou um embuste para ludibriar o mundo exterior? 

É verdade que a certa altura desta leitura parece que nada se passa a nāo ser o lento decorrer do tempo e o definhar intenso e rápido da menina, mas as últimas páginas devolvem à leitura o ritmo apressado, que tanto gosto, e o leitor fica com um interesse renovado. Gostei do final que, mesmo sendo um pouco inverosímel, tem o condāo de satisfazer e apaziguar o leitor. A espera vale a pena e nas últimas páginas sabe-nos bem poder, finalmente, descansar e sacudir a ansiedade que nos vai consumindo aos poucos ao vermos que ninguém age de forma a que Anne ingira algum alimento e sobretudo pela passividade dos pais e entidades religiosas dessa aldeia perdida em solo Irlandês.

Mistério e intriga misturados com algum fundamentalismo religioso que se torna dificil de explicar e de aceitar. Um retrato bem conseguido duma Irlanda do séc. XIX (por volta de 1845), onde a fome e a pobreza imperam e baseado em factos reais, as chamadas Virgens Jejuadoras, crianças que faziam jejum para imitar Jesus Cristo e colocarem-se mais perto Dele.

Embora tivesse considerado este livro um pouco lento no avançar da acçāo, gostei da temática tratada e da forma como nos colocamos ao mesmo nível de Lib ao tentarmos solucionar o mistério.

Espero ler em breve (e porque nāo ver o filme também?) o livro desta autora publicado anteriormente, O Quarto de Jack. 

Terminado em 28 de Julho de 2017

Estrelas: 4*+

Sinopse
A jovem Anna recusa-se a comer e, apesar disso, sobrevive mês após mês, aparentemente sem graves consequências físicas. Um milagre, dizem.

Mas quando Lib, uma jovem e cética enfermeira, é contratada para vigiar a menina noite e dia, os acontecimentos seguem um diferente rumo: Anna começa a definhar perante a passividade de todos e a impotência de Lib. E assim se adensa o mistério à volta daquela pobre família de agricultores que parece envolta num cenário de mentiras, promessas e segredos.

Prisioneira da linguagem da fé, será Anna, afinal, vítima daqueles que mais ama?

Um drama intenso sobre os perversos caminhos do fundamentalismo, mas também sobre como o amor pode vencer o mal nas suas mais diversas formas.

Cris