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quarta-feira, 13 de maio de 2026

"As Recordações" de David Foenkinos

Gostei muito deste livro. Às vezes os livros esperam pacientemente por nós nas estantes e, subitamente, algum motivo nos leva a pegar neles... A razão, neste caso, foi a escolha de um livro que tivesse sido objecto de filme. 

A temática agarrou-me logo de início. Escrito na primeira pessoa (prefiro tanto que assim seja!), o narrador é um jovem cujo nome, se bem me lembro, fica no anonimato. É alguém que sonha tornar-se escritor, que trabalha num hotel e o foco do livro centra-se, sobretudo, na sua relação com a avó mas também nas suas recordações, nem sempre felizes.

A entrada da sua avó num lar leva o autor e o leitor a uma reflexão conjunta sobre a velhice e o abandono a que muitas vezes está associada, a importãcia da memória, o conflito de gerações, o luto.

Escrito com delicadeza mas com muito foco, apontando questões tão actuais, ainda. Comove porque são temas tratados com muita sensibilidade.

O que fica de nós nos outros? O que deixamos por dizer àqueles que partem sem retorno? Como se sente aquele que tem de deixar a sua casa para ir para um lar com regras diferentes daquelas que possui?

"Sobreveio, então, uma mudança. Não foi um gesto importante, não foi sequer uma decisão, apenas um ínfimo sinal que a minha avó detectou no olhar dos seus filhos. Ela cedeu ao descobriro pânicono olhar deles.Viu, de súbito, a que ponto deixara de ser uma mãe para se transformar num peso. Será essa a verdadeira fronteira da velhice? Quando nos tornamos um problema?Isto era insuportável para ela, que vivera livremente, sem depender de ninguém. Portanto, para simplificar as coisas, sussurrara; está bem!" pág 24

Gostei muito desta obra e queria ver se o filme é tão bom quanto...

Terminado em 14 de Fevereiro de 2026

Estrelas: 6*

Sinopse
Quando a avó do narrador foge do lar onde vive, ele sabe que não pode ficar de braços cruzados à espera de que as autoridades a encontrem. Afinal, se se arrependera de não ter passado mais tempo com o avô antes de ele morrer, não quer agora desistir de uma pessoa que ainda pode ter tanto para lhe dar Numa narrativa que conjuga matizes de humor e poesia, David Foenkinos oferece-nos uma reflexão plena de sensibilidade sobre o tempo, a memória, a velhice, os conflitos de gerações, o amor conjugal, o desejo de criar e a beleza do acaso.

Cris