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segunda-feira, 9 de março de 2026

"Hamnet" de Maggie O'Farrell

Tenho livros muito bons, creio eu, por ler e às vezes é só necessário um pequeno impulso para pegar neles. Foi o caso deste livro! Recebi um convite para ver a ante-estreia e, como prefiro ler primeiro o livro e ver depois o filme nele baseado, peguei de imediato e comecei a ler.

Que boa que foi esta leitura! Baseando-se na morte do filho de Shakespeare aos 11 anos (provavelmente vítima da peste bubónica) e da qual pouco se sabe, a autora elaborou um romance tendo como foco, sobretudo, uma personagem feminina forte, determinada, com um quê de rebeldia, não muito compreendida pelos habitantes de Stratford-upon-Avon dado a sua ligação à natureza e a um certo misticismo: a mãe do filho falecido, Agnes. Note-se que Shakespeare nunca é mencionado como tal, é sempre referido como o pai, o marido, o filho... 

 Passado e presente intercalados nos finais do sec XVI, o luto, a perda e a memória e as suas repercussões no seio de uma família, personagens fortes, escrita rica, um romance que custa a largar.

Sei de opiniões diametralmente opostas a esta por isso experimentem e deixem-se conquistar. Digam alguma coisa se o lerem ou tiverem já lido. 

O filme está, a meu ver, muito bem "esgalhado". Bons actores, bons cenários. Quem tiver lido o livro antes, mais facilmente consegue identificar as situações e as personagens. 

Uma maravilha. Adorei!

Terminado em 14 de Janeiro de 2026

Estrelas: 6*

Sinopse 
Hamnet é um romance sobre o filho de Shakespeare. Mas esse é apenas o ponto de partida para Maggie O’Farrell construir uma obra actual, que interroga a origem da dor e envereda por caminhos menos conhecidos do amor e da maternidade. Numa narrativa que mistura realidade e ficção, a autora irlandesa cria uma das mais importantes obras literárias deste início do século XXI.

Cris


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

"Estou Viva, Estou Viva, Estou Viva" de Maggie O'Farrell

Foi-me emprestado este livro pela Isa do canal Jardim de Mil Histórias mas vou ter de o comprar! Às vezes pergunto-me porque razāo tenho de comprar um livro que já li se, acho, nāo vou ter tempo para o reler... Coisas que só um amante de livros consegue perceber!!!! Mas sim, o livro é muito bom. Mas mesmo tendo lido opiniōes muito positivas, senti uma certa relutância ao pegar nele. Nāo me parecia que um livro que tratasse de questōes de "quase morte" seria para mim... E afinal li com prazer, porque a escrita é cuidada mas simples, as situaçōes descritas tocam-nos porque se parecem com momentos vividos por nós, nas nossas vidas (e que deixamos passar sem reparar neles!), se bem que, por razōes de doença, a autora tivesse estado bem mais perto da morte que eu algum dia estive. 

Pouco mais há a dizer. O final surpreende e vale o livro todo. 

Esperei mais uns dias para escrever a minha opiniāo, para que ela fosse mais pensada e já vi que nāo resultou. O que gosto mesmo de fazer é escrever ainda a quente, com o coraçāo nas māos. Liçāo aprendida. Mas recomendo esta leitura, sim.

Terminado em 26 de Janeiro de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
«Quando és criança, ninguém te diz: "vais morrer". Tens de descobrir isso por ti. Algumas pistas são: a tua mãe a chorar e, depois, a fingir que não estava a chorar; não deixarem os teus irmãos virem visitar-te; a expressão de preocupação, gravidade e um certo fascínio com que os médicos olham para ti; a maneira como as enfermeiras se esforçam por não te olharem nos olhos; familiares que vêm de muito longe para te verem. Quartos de hospital isolados, procedimentos médicos invasivos e grupos de estudantes de Medicina também são sinais claros. Ver ainda: presentes muito bons.»

Uma doença na infância que deveria ter sido fatal, uma fuga em adolescente que quase termina em desastre, um encontro assustador num caminho isolado, um parto arriscado num hospital com falta de pessoal - estes são apenas quatro dos dezassete encontros com a morte que Maggie O'Farrell, autora multipremiada e uma das vozes mais interessantes da literatura atual, relata na primeira pessoa. São histórias verdadeiras e fascinantes que impressionam, comovem, arrepiam e, sobretudo, nos fazem recordar que devemos parar, «respirar fundo e ouvir o bater do coração».

Cris

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

E o melhor do mês de Agosto é...


Desta vez o "prémio" coube a Maggie O'Farrell, pela sua escrita fantasticamente bem conseguida e pela maneira profunda como retrata os sentimentos de alguém que viveu numa época em que o ser "diferente" era ser "doente".
Duas opiniões no blog aqui e aqui.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A convidada escolhe: O estranho desaparecimento de E. Lennox

Lembrei-me de pedir a algumas amigas - reais e virtuais - que me contemplassem com algumas opiniões sobre livros que as marcaram por razões diversas. Assim sendo, sempre que possível, talvez uma vez por semana, terei aqui outras opiniões, sobre livros, que não as minhas. São de pessoas que, tal como eu, gostam de ler e em quem confio, tendo já baseado algumas das minhas escolhas e leituras nas suas opiniões.


Muito bem-vindas e, desde já, os meus agradecimentos! 




"Um livro pode tocar-nos por muitos motivos que, para outros, nada significarão. Este tocou-me profundamente.

Não vou contar a história, terão que lê-lo, até porque o mais bonito no livro é a qualidade da descrição dos sentimentos dos personagens, ao longo das suas vidas. É o que nos fica desses sentimentos onde nos revemos (ou não), que nos pode, afectar num livro.

A historia é contada por duas das personagens já idosas, cada uma delas com as suas fragilidades bem presentes. Os sentimentos e as percepções da sua história pessoal tornam-se numa viagem feita por cada uma delas ao relembrarem o passado, uma viagem onde somos completamente emersos, só vindo à tona quando uma terceira pessoa nos traz para o momento actual. Ela própria, sem saber, será afectada por aquelas vidas.

O que mais me comoveu 
mesmo foram os sentimentos, o conflito amor-ódio que está patente na relação da família, em particular das irmãs. O abandono, a solidão, a impotência para alterar o rumo da suas vidas.

O que mais me revoltou foi o preço que uma delas teve que pagar por ser "diferente" do convencinal para a época. Como era fácil descartar uma pessoa, como um trapo que já não se quer, que já não nos convém.

Li este livro em algumas horas! Terminado ficou-me a vontade imediata de o recomeçar a ler para não perder o contacto com aquelas pessoas, de me prender novamente nas suas vidas.

Maravilhosamente escrito!" 



Marília G.


A minha opinião sobre o livro aqui.

domingo, 14 de agosto de 2011

Desaparecida!


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 184
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722345675
Coleção: Grandes Narrativas

E com este livro fica provado - não que eu tivesse dúvidas disso! - que uma boa história não tem de passar necessariamente por muitas páginas, nem sequer por uma capa bonita ou título apelativo!


Imaginem uma história de fundo - belíssima por sinal - contada por vários personagens, como se cada um estivesse a falar interiormente consigo próprio. E vamo-nos apercebendo, aos poucos, das ligações entre eles, da história em si, da complexidade da mesma e das ligações familiares existentes. 


Mas, frequentemente, de parágrafo em parágrafo vamos mudando de interlocutor e de época, o que pode parecer confuso... Mas não é! De todo! E nisso está a mestria desta escritora: conseguimos entrar dentro de cada personagem, conforme se trate de um ou de outro, sem nos baralharmos. E a história começa a interligar-se e a fazer sentido, como um puzzle que vai sendo construído aos poucos. E vamos ficando cada vez mais aflitas com a história em si, de como ela pode ser tão cruel para uma das personagens...


Ao ler este livro lembrei-me de outro que tenho na lista para ler e que foca o mesmo tema, verídico ("Doida, não e não") e que nos faz pensar numa época em que as pessoas eram "despachadas" para os hospitais psiquiátricos, se não se enquadrassem nos padrões ditos "normais" para a altura.


Recomendadíssimo este livro. A originalidade com que a autora nos conta esta história transforma um bonito romance num romance espectacular!

Terminado em 12 de Agosto de 2011

Estrelas: 5*

Sinopse

Este romance conta a história de Esme Lennox, uma mulher que, nos anos de 1930, chega da Índia onde nascera, com os pais e a irmã mais velha Kitty. Sessenta anos mais tarde, Iris Lockart é surpreendida por um telefonema a anunciar-lhe que a sua tia-avó terá de deixar o hospital onde viveu durante três décadas, e o nome que consta no seu processo, como responsável por ela, é justamente o seu. Iris sempre acreditou que Kitty, a sua avó, era filha única. E esse é um facto misterioso e inexplicável. Um romance intenso e complexo, escrito com extrema delicadeza, que combina diferentes vozes narrativas num magnífico thriller psicológico.