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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

"D. Teresa de Távora, a Amante do Rei" de Sara Rodi

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 304
Editor: A Esfera dos Livros
ISBN: 9789896264826


É na voz de D.Teresa que Sara Rodi nos remete para o séc. XVIII, mais propriamente para os anos de 1738 e seguintes, passando pelos sangrentos 1755 (Terramoto de Lisboa) e 1759 (todo o processo dos Távora que culminou com a execução daquela família).

Quem nos fala não é uma mulher perfeita e tem consciência disso. Questiona as suas atitudes, interroga-se sobre aquilo que quer, comete erros e reflete sobre eles. D.Teresa, em jeito de confidência, conta-nos os seus segredos e as suas preocupações, sentindo-se um mero peão em jogos de poder que a ultrapassam completamente. Ama livremente numa época em que isso não é bem visto: as mulheres vêem-na como uma rameira e sentem medo dela; os homens, cobiçam-na.

Mas Teresa questiona também o papel da mulher na sociedade, prometida que estava, desde que nasceu, a seu sobrinho Luís Bernardo. Questiona a fé e o papel da Igreja, as profecias que justificavam os grandes desastres da natureza, como foi o terramoto, através dos pecados cometidos pelos homens.

Este tom intimista, que a autora soube tão bem reproduzir, revela uma imaginação surpreendente tanto mais que só se conhecem os traços gerais da vida de D. Teresa. O que achei espectacular ao fazer esta leitura foi o conseguir aperceber-me quais os factos verídicos que estão por detrás desta história e quais os que saíram da imaginação de Sara Rodi, sem que isso viesse a desfavorecer esta estória. Bem pelo contrário!

Retratar D.Teresa foi, sem dúvida um desafio superado com mestria. As suas ideias revolucionárias e complexas para a época mas também algo ingénuas foram soberbamente postas no papel e levam-nos a criar uma certa empatia com o seu sentir, o seu viver e o seu sofrer!

A capa traduz na perfeição o interior deste livro. Bela, sensual e algo indomável, Teresa de Távora foi alguém que pensava para mais além do que era permitido às mulheres... A autora soube introduzir neste carácter rebelde algumas questões filosóficas como o livre-arbítrio e a predestinação, enriquecendo o romance e tornando-o mais interessante para o leitor.

Recomendo esta leitura, sobretudo para aqueles que gostam de um bom romance histórico!

Terminado em 26 de Agosto de 2013

Estrelas: 5*+

Sinopse

Quando Lisboa tremeu por debaixo dos seus pés, D. Teresa de Távora recordou cada uma das palavras premonitórias que o padre Malagrida lhe escrevera. Cada grito desesperado que ouvia nas ruas destruídas da cidade eram a prova de que era ela a causadora de toda aquela desgraça. Os seus atos pecaminosos. A sua beleza, a sua sensualidade, o adultério vergonhoso que envolvia a sua relação amorosa com o rei de Portugal… Depois do sucesso de D. Estefânia, Um trágico amor, Sara Rodi regressa à escrita para nos contar a extraordinária história de D. Teresa de Távora a amante do rei D. José I. Narrado na primeira pessoa e baseado numa minuciosa pesquisa, somos levados a conhecer a vida desta mulher que viveu no século XVIII. Um século marcado pelo trágico terramoto de Lisboa, a ascensão ao poder de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, e o sangrento processo dos Távora. Nesse fatídico dia de 13 de janeiro de 1759, D. Teresa viu morrer no cadafalso o seu marido Luís Bernardo, o irmão, o sogro, a sogra D. Leonor, cunhados e sobrinhos. Perdeu o nome Távora, arrancado da toponímia e dos brasões, manchado pela vergonha para todo o sempre, e perdeu a liberdade por que tanto havia lutado. D. Teresa de Távora não foi casta. Não praticou grandes obras. Não foi uma esposa fiel. Foi apenas mulher. E esta é a sua história.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

D.Estefânia, um trágico amor de Sara Rodi


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 208
Editor: A Esfera dos Livros
ISBN: 9789896263867

Gosto de romances históricos. Gosto especialmente quando eles me fazem sentir na pele as emoções e sentimentos de alguém, sobretudo mulher, que viveu numa época diferente da minha.

E este romance, escrito na primeira pessoa, conseguiu transportar-me para 1858, viver com um nó apertado a vida e morte da rainha D. Estefânia, esposa de D. Pedro V, que só "reinou" em Portugal durante 14 meses. E sentir-me no leito de morte desta princesa que tanto fez e tanto mais queria fazer pelos desfavorecidos, fez-me engolir uma lagrimazita pois Sara Rodi soube aproveitar muito bem os acontecimentos históricos verídicos e mesclá-los com a elaboração de uma personagem muito humana  e cheia de paixão pela vida e por D. Pedro.

O amor entre o rei e a sua rainha, D. Estefânia, a comunhão de ideias que partilharam numa época em que isso não era tido como natural e usual, despertou o meu carinho e empatia por esses dois seres que se completavam tão profundamente.  

Os factos verídicos, muitos deles desconhecidos para mim, fizeram com que a minha atenção se fixasse nesta leitura, que devorei.

Terminado em 21 de Agosto de 2012

Estrelas: 4*+

Sinopse

Quando D. Estefânia saiu da igreja de São Domingos, pela mão do seu marido D. Pedro V, rei de Portugal, as vozes dos portugueses ditaram-lhe o destino: a rainha vai morta! Vai de capela! Três gotas de sangue haviam-lhe manchado o vestido branco imaculado. A jovem princesa alemã não teve forças para aguentar o peso do magnífico diadema que D. Pedro lhe oferecera como prova do seu amor. Um amor cúmplice, puro e apaixonado, entre duas almas gémeas unidas em propósito, durante 14 meses. Apenas 14 meses8. Escrito na primeira pessoa, num tom confessional e recheado de emoção, a autora Sara Rodi revela-nos a apaixonante história de D. Estefânia Hohenzollern- Sigmaringen. Uma rainha que muitos portugueses viram como um anjo que lhes trouxe a esperança que tanto lhes faltava, sempre disposta a ajudar os mais pobres e desfavorecidos. Não fez mais porque morreu jovem aos 22 anos. Sem ter deixado um herdeiro para o trono de Portugal. Mas deixando um último pedido: a construção de um novo e moderno hospital que prestasse assistências às crianças pobres e desvalidas. O Hospital D. Estefânia. D. Pedro cumpriu o último desejo da sua mulher, mas o rei Muito Amado de Portugal não resistiu à morte de Estefânia e dois anos depois partiu para junto dela.