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sexta-feira, 17 de maio de 2019

A Escolha do Jorge: “Os Deuses Têm Sede”


“Sinto-me hoje com apetite para trincar fígado de aristocrata, acompanhado de vinho branco…” 
(p. 165)
“Reina a paz em todo o território da República. Terror salutar, terror santo! Generosa guilhotina!” 
(p. 211)

Assombrado pelas ideias de Bem e Mal e do sentido de Justiça, Anatole France (1844-1924) é tido como um dos grandes vultos da literatura contemporânea, tendo sido galardoado com o Prémio Nobel de Literatura, em 1921, pelo conjunto da sua obra.

Romances como “Os Deuses Têm Sede” (1912) e “A Revolta dos Anjos” (1914) são reveladoras do conhecimento de Anatole France no que respeita aos grandes nomes da literatura greco-latina, renascentista e iluminista atendendo às inúmeras referências no decurso das narrativas.

“Os Deuses Têm Sede” é uma obra de grande fôlego e que remonta aos primeiros anos após a Revolução Francesa (1789), sobretudo entre 1793 e 1794, numa época em que a França, e Paris em particular, vivia uma espécie de guerra civil, conhecido por Terror, que opunha os defensores dos ideais da Revolução – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – aos defensores do Antigo Regime, com um Rei Absoluto e o Clero e a Nobreza como ordens sociais privilegiadas.

Este período conturbado – o Terror – teve a guilhotina como símbolo associado como forma de impor os ideias da Revolução como defesa da República, sendo, em certa medida, comparado aos autos-de-fé e as fogueiras implementados pela Inquisição.

Marat e Robbespierre são dois nomes que ficaram associados a este período negro da História da França, o primeiro, nascido na Suiça e com uma educação protestante, é o autor da expressão “inimigos do povo”, cujas listas surgiam no seu jornal, convocando-os para a execução.
Robbespierre, apelidado por “Incorruptível” assumiu o curso da Revolução com a instauração do Terror, considerado o auge da ditadura.

Marat foi assassinado em 1793 e Robbespierre teve o seu fim na guilhotina, em 1794.

Em anos de loucura e medo, percebemos que a passagem do regime absolutista para a República criou fissuras nas leis e na Justiça que tentava dar os primeiros passos de modo a seguir o seu curso assente no espírito da Revolução e na Razão.

A mínima referência ao período anterior constituía o motivo para terminar na guilhotina numa praça pública aos olhos de todos.

Este desejo de sangue e de aplicar a justiça de forma cega e arbitrária acompanham todo o romance que tem Evaristo Gamelin como personagem principal. Um jovem pintor e profundamente defensor dos ideais da Revolução Francesa foi convidado para ser jurado no Tribunal Revolucionário. Consciente dos seus ideais assentes na Razão, Gamelin não vê obstáculos para o cumprimento da Lei como forma de acabar com os “inimigos do povo” na guilhotina.

Face ao histerismo de Gamelin, a sua mãe, viúva, chamava-o à razão, solicitando ao filho calma e discernimento perante tempos de fome e miséria sentidas por todo o país. “Deixa lá, Evaristo. O teu Marat é um homem como os outros; não vale mais do que eles. És novo, tens ilusões.” (p. 19) “Mas não me venhas dizer que a Revolução há-de estabelecer a igualdade, pois os homens nunca serão iguais; não é possível, nem que virem o país de fundo para o ar: existirão sempre grandes e pequenos, gordos e magros.” (p. 22)

Mas Gamelin insiste ao contrapor a mãe e todos aqueles que se opõem à República ou que não acreditam nos ideais da Revolução que devem assumir-se como uma nova religião, concreta e real, em oposição às ideias cristãs. “Que importam as nossas privações, os nossos sofrimentos de um instante! A Revolução fará pelos séculos dos séculos, a felicidade do género humano.” (p. 20)

Os meses passam e as prisões enchem-se à conta de indivíduos de denunciam terceiros por questões cívicas, mas também por situações mesquinhas e até no seio das famílias com vista a receberem as heranças dos progenitores.

O leitor é levado a reflectir sobre o sentido da Justiça e a aplicação da mesma. Recordando Platão, ao questionar os seus interlocutores sobre o que era a Justiça, respondiam-lhe sempre sobre coisas justas, o que era e não justo, porém a essência da Justiça perdia-se na linguagem. Na prática, todos temos um sentido daquilo que é a Justiça, mas saberemos com rigor aquilo que é verdadeiramente a Justiça, a Ideia Inteligível de Justiça segundo o platonismo?

Daí que este romance tendo sido publicado há mais de um século permaneça actual atendendo à complexidade do tema da Justiça como pano de fundo. De acordo com os ideais da Revolução Francesa, poderíamos aludir que uma sociedade assente na Liberdade, Igualdade e Fraternidade é uma sociedade tendencialmente justa. Será mesmo assim? Como era a sociedade francesa um século depois da Revolução Francesa quando Anatole France escreveu este romance? Por que nos continuamos a interrogar um século depois sobre o sentido da Justiça?

Ainda que defensor e consciente destes valores que sustentam e República, Gamelin percebe que a aplicação da justiça começa a seguir caminhos tortuosos, podendo os mesmos desvirtuar a essência da própria Justiça e da República, no fundo.

Como forma de esvaziar as prisões, o Tribunal Revolucionário passou a fazer julgamentos em massa na sequência da aplicação da Lei de Pradial, livrando-se a República dos pretensos conspiradores.
“Acabam-se as instruções, os interrogatórios, as testemunhas, os defensores: o amor da pátria vale tudo isso. O acusado, que traz dentro de si o crime ou a inocência, passa mudo perante o jurado patriota. E é durante esse tempo que se tem de discernir uma causa, às vezes difícil e não raramente sobrecarregada e obscurecida. Como julgar agora? Como distinguir num instante o homem sério do criminoso, o patriota do inimigo da pátria?” (p. 198)

O importante era julgar fomentando, dessa forma, o medo junto da população perante a guilhotina que fazia rolar as cabeças dos “inimigos do povo”. O espectáculo perante a morte e o sangue derramado deixou Paris em estado de sítio na tentativa de se aplicar a pretensa Justiça. “Reina a paz em todo o território da República. Terror salutar, terror santo! Generosa guilhotina!” (p. 211)

Perante esta loucura que tomou conta de Paris durante o Terror, podemos aludir a uma passagem que caracteriza o Tribunal Revolucionário deste período: “O Tribunal Revolucionário assemelha-se a uma peça de William Shakespeare, que mistura com as cenas mais sanguinolentas as chocarrices mais triviais.” (p. 204)

Mas a História segue o seu curso e no meio de ideais e de sangue quente, mesmo quem é aparentemente bom, quem é genuíno face às ideias que defende pode ser apanhado na curva e ser surpreendido com a Justiça que aplicava a milhares de indivíduos considerados conspiradores que receberam o prémio da guilhotina. “É a tua vez, vampiro! Assassino a dezoito francos por dia! Agora já não ri: vejam como está pálido. Cobarde!” (p. 229)

Complexo e actual, “Os Deuses têm Sede” mostra-nos como o homem, sedento pela ideia de, é capaz de se transformar em algo semelhante ao Deus do Velho Testamento, cego, vingativo e cruel, capaz de perpetrar as maiores atrocidades contra os seus semelhantes, perdendo a lucidez, a Razão que o distingue dos animais e que, em tempo de guerra, tenta sobreviver como eles, olho por olho, dente por dente.

Dois anos após a publicação de “Os Deuses Têm Sede” iniciava a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) que fez mais de vinte milhões de vítimas mortais.

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 15 de maio de 2019

"A Piscina" de Libby Page

O primeiro adjectivo que surgiu no meu pensamento mal terminei este livro foi "bonito". Este é um livro que nos fala da ternura da amizade, de como esse sentimento pode aproximar as pessoas mais diferentes e unir quem aparentemente nada tem a ver uma com a outra. De como sabermos que há alguém que se preocupa connosco pode mehorar as nossas inseguranças, os nossos medos e ajudar-nos a superá-los.

É uma história terna onde intuímos automaticamente o final do enredo mas isso não é o que realmente importa nesta leitura. Saboreamos devagar as palavras deste livro e apreciamos os pormenores: a luta por um objectivo une as pessoas que se conhecem de toda uma vida passada num bairro londrino. 

Foi uma delícia ler este livro. Recomendo!

Terminado em 14 de Maio de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse 
A amizade pode mudar a vida.

Kate tem 26 anos e trabalha num pequeno jornal local no qual publica notícias insignificantes. Um dia é escolhida para escrever sobre o encerramento do Brockwll Lido, uma piscina local, ao ar livre e integrada num centro de lazer e desporto.

No lido, Kate conhece Rosemary, uma viúva de 86 anos que sempre frequentou o lugar desde a sua inauguração, altura em que ainda era criança. Foi aqui que Rosemary se apaixonou pelo marido e foi aqui que sempre nadaram juntos.

Quando surge um projeto para transformar o lido num complexo de apartamentos, as memórias de Rosemary e o seu mundo ficam subitamente ameaçados. Enquanto Kate mergulha na história do lido, vai-se envolvendo simultaneamente na história de uma piscina e na vida de Rosemary, uma mulher singular.

O que começa por ser uma simples reportagem, apenas com interesse local, acaba por desaguar numa surpreendente relação de amizade entre duas mulheres empenhadas no combate contra o encerramento do lido.

A Piscina é um romance encantador que capta a essência e o espírito de uma comunidade através de gerações — um conto irresistível de amor, perda e amizade.

Cris

segunda-feira, 13 de maio de 2019

A Escolha do Jorge: “Cuidar dos Vivos”


“Entre o instante em que o coração pára no corpo do dador e o momento em que ele volta a bater no do receptor, o órgão conserva-se durante quatro horas.” 
(p. 123)

O meu primeiro contacto com “Cuidar dos Vivos” de Maylis de Kerangal (n. 1967) foi com a sua adaptação ao cinema através da realizadora Katell Quillévéré. Trata-se de uma história comovente e intensa, passada em vinte e quatro horas, sobre a morte inesperada de Simon Limbres, um jovem de 19 anos, e o transplante de alguns dos seus órgãos, em tempo útil, para outros pacientes.

A ideia apresentada deste modo parece fria e até cruel, no entanto, para quem viu o filme e depois durante a leitura, percebemos, com esse mesmo impacto, que perante situações de acidente que culminam com vítimas mortais, é necessário articular e dosear a informação sobre um dado falecimento aos familiares directos, neste caso, os pais do jovem, a par da abordagem sobre a possibilidade de doação de órgãos, numa altura em que a família ainda não digeriu sequer a ideia imediata que é a morte inesperada.

O filme foi marcante e tendo-o visto mais do que uma vez foi a razão por não ter lido de imediato o livro na medida em que se trata de um filme que ainda o tenho presente, pelas imagens esteticamente belas, os diálogos, as circunstâncias, os personagens.

Terminada a leitura do livro, constato que a adaptação ao cinema é notável, não necessitando de criar mentalmente os personagens porque recorro aos do filme, assim como aos demais cenários, e lendo os diálogos que, no fundo, me são familiares, seguem a par e passo a adaptação feita para filme.

Mesmo conhecendo a história e sabendo de antemão ao que ia encontrar, sou confrontado com uma forma de escrita muito diferente daquilo a que estou habituado, daí que seja importante e meritório reconhecer o trabalho dificílimo da tradutora de “Cuidar dos Vivos” de Maylis de Kerangal, por razões várias.

Somos confrontados com frases excessivamente longas e até de frases-parágrafo do tamanho de uma página ou mais, o que pode gerar alguma perda de concentração na fluidez do texto, não esquecendo que a autora mistura de modo exímio a narração com as falas dos personagens, o que pode trazer alguma confusão ao leitor, reconheço. Talvez pelo facto de estar familiarizado com a história e de a ter bem presente, reconhecendo as falas dos personagens, não senti dificuldade na leitura. A par destas particularidades da forma, há ainda a referir o trabalho hercúleo da tradutora no que concerne aos termos técnicos, quer aqueles relacionados com o surf e ainda todos os procedimentos técnicos relacionados com o transplante de órgãos, de modo a promover uma tradução objectiva, coerente e, correcta do ponto de vista científico, não esquecendo a necessidade da cadência e fluidez das frases, num discurso que poderá, numa primeira abordagem, conduzir a algum desalento na tentativa de chegar aos leitores.

O resultado, contudo, é excelente e, mesmo perante as particularidades acima descritas, o leitor é levado a compreender passo a passo, cada fase do processo relacionado com o transplante de órgãos.
“Cuidar dos Vivos” é uma obra que funde literatura com ciência e técnica e parece-me importante aludir a este aspecto, sobretudo porque poderíamos articular três pontos fundamentais nesta obra, a saber: o discurso científico em que são explicados os pontos fundamentais naquilo que é essencial, desde a morte cerebral (do jovem) até ao transplante de órgãos, toda a questão técnica, sempre clara, muito objectiva, e num tom deveras pragmático, mesmo quando se fala da morte e sobretudo porque através desta morte em particular pode vir a ser o veículo de vida para outros pacientes, e tudo isto gerindo toda a questão emocional perante a perda de um filho cujo cenário, ainda que doloroso seja promovido com humanidade e dignidade, salvaguardando também a sacralização do corpo depois de ter sido esventrado, para depois ser devolvido à família para serem realizadas as cerimónias fúnebres.

Chego a este momento e a cabeça explode de imagens e de ideias que se baralham entre a perda de um filho e que continuará vivo noutros corpos, em urgência da vida, por um rim, um pulmão, o fígado ou o coração (órgãos de Simon transplantados). Creio que será essa a ideia de conforto, ainda que jamais substitua a perda, a de uma certa redenção face à ideia de a morte do filho possibilitar a vida de terceiros.

São vários os momentos marcantes neste livro, muitas vezes até frases que surgem sob a forma de pensamento e que nos levam a reflectir sobre a vida e a morte e que a civilização ocidental pode ter atingido um grau de desenvolvimento tal, mas é necessário não esquecermos que, no essencial, somos seres humanos e podem passar milénios que as dúvidas e os medos do Homem continuam a ser os mesmos de há milénios e a questão do corpo perante a vida e a morte são sagrados (não necessariamente numa perspectiva religiosa).

O desenvolvimento científico e técnico que tem facilitado a muitas pessoas receberem um órgão transplantado obriga a um discurso humanista, mas também à reflexão sobre questões de ordem ético-moral e também religiosa, e esse ponto surge também salvaguardado numa breve passagem do livro, contudo, uma das mais importantes e também mais belas. “Esta fase da colheita, o restauro do corpo do dador, não pode ser banalizada, é uma reparação; é preciso agora reparar, consertar os estragos. Devolver o que foi dado tal como foi dado. Senão, é barbárie.” (p. 183)

A meu ver, esta frase, este pensamento, encerra a ideia de civilização e dos seus limites nunca desviando a atenção daquilo que é mais importante: o homem.

Excertos:
"(...) É o medo da morte e o medo da dor, o medo da operação, dos tratamentos pós-operatórios, o medo da rejeição e de que tudo recomece, o medo da intrusão de um corpo estranho no seu, é de se tornar uma quimera, e de deixar de ser ela mesma." (p. 145)

"O coração de Simon migrava para um outro lugar do país, os rins, o fígado e os pulmões chegavam a outras províncias, fugiam para outros corpos. O que subsistiria, nesta explosão, da unidade do seu filho? Como ligar a sua memória singular a este corpo difractado? O que seria feito da sua presença, do seu reflexo na Terra, do seu fantasma?" (p. 176)

Texto da autoria de Jorge Navarro

domingo, 12 de maio de 2019

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

 


À excepção do livro de Paco Roca "Arrugas" (edição espanhola, comprado numa livraria em Alicante, oferta do meu marido) e do Assassino da Lua das Flores que foi comprado em segunda mão, todos os restantes foram ofertas das editoras respectivas. O meu obrigada!

sexta-feira, 10 de maio de 2019

"O Livro do Amor" de Fionnuala Kearney

Juro que as capas floridas cada vez me baralham mais!!! Esta é uma delas! Quando peguei neste livro já ia avisada que era muito mais do que um romance leve. Aliás, foi por confiar na opinião dessa amiga que me garantiu que este livro não era o que parecia à primeira vista, que senti vontade de o ler.

No meu entender, o título traduz significativamente um facto que ocorre durante toda a leitura e que é bastante importante: um pequeno livro  foi oferecido ao jovem casal, protagonista do enredo, Erin e Dominic Carter, e que serve para colocarem no papel algumas das questões que os preocupam mas que não conseguem verbalizar pessoalmente um com o outro. É o livro do amor.

Mas a capa não tem nada a ver com o conteúdo. Remete para um romance cor-de-rosa e esta obra não é, de todo, um romance leve. A autora leva-nos, através do caminhar entre passado e presente, a mergulhar na vida dos dois protagonistas, com os altos e baixos que um casamento de muitos anos pode trazer.

A autora recorre a uma escrita perspicaz, observadora. Certeira. É engraçado ver como os episódios do passado, todos datados para que o leitor não se perca, se vão aproximando, ano a ano, da época presente. E gostei especialmente do twist que se verifica já bem depois do meio do livro, que me fez voltar atrás e reler algumas partes do "presente" para ver se tudo batia certo! 

Recomendo para quem gosta de romances onde é retratada a perda, a falta que alguém pode sentir por outrém que se amou a vida inteira! 

Terminado em 5 de Maio de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Ele chama-se Dominic Carter. Acredita no amor, vive a vida ao máximo e gosta de correr riscos. Assim que a conhece, sabe que encontrou o seu grande amor.

Ela chama-se Erin Fitzgerald. Acredita no amor, é cautelosa, eternamente preocupada com tudo e todos. Quando encontra Dom, sabe de imediato que é o homem com quem deseja partilhar a sua vida.

O Livro do Amor é um presente de casamento.
É o livro onde põem por escrito aquilo que não conseguem dizer um ao outro de viva voz. É onde vive o amor de ambos.
Mas há uma página em falta. Uma página que Dom escreveu e arrancou…
Essa página contém uma confissão avassaladora.
Um segredo que vai mudar as suas vidas.

Para sempre.

Até que a morte os separe.

Cris

quinta-feira, 9 de maio de 2019

"A Avó Que Percorreu o Mundo de Bicicleta" de Gabri Ródenas

Acho que foi o título desta obra que, primeiramente, chamou a minha atenção. 

Penso que este livro não é para ser lido com o foco em pormenores técnicos que nos possam parecer irreais ( que "avó" de noventa anos poderia andar 30 km diários?) porque se trata de uma fábula deliciosa! É com o olhar de quem está a ler pura magia que conseguimos apreciar os detalhes que nos são contados pelo autor.

Em muitas coisas fez-me recordar O Principezinho. Uma delas foi o de termos de escutar o nosso coração, de ter esperança, de observar os pequenos detalhes que a vida nos oferece e dar-lhes a devida atenção. Afinal, nada é por acaso, pois não? E não foi por acaso que este livro me veio parar às mãos.

Doña Maru, vive no México numa pequena vila. As horas dos seus dias são passadas a fazer pequenos bolos, os alfajores, que vai oferecendo a quem encontra e, sobretudo, aos meninos de um orfanato a quem visita diáriamente. A sua vida não foi fácil porque ela própria foi criada num. Até que um dia uma notícia inesperada fá-la percorrer alguns km na sua bicicleta à procura de...

E mais não conto! Disponham-se a fazer alguns km com Doña Maru, com a sua idade e com a sabedoria que ela lhe trouxe. Digo-vos já que este é um livro classificado de auto-ajuda. Como tal têm de se preparar para entrar nesta fácula deliciosa e deixar o vosso coração ouvir.

Terminado em 2 de Maio de 2018

Estrelas: 4*

Sinopse
Doña Maru tem noventa anos e uma vida pacata em Oaxaca, México. Percorre diariamente de bicicleta uma longa distância para levar doces, alegria e o seu sorriso às crianças do orfanato. Criada, ela própria, num orfanato, no Chile, de onde fugiu com treze anos, sabe bem o que é estar só no mundo. A vida não foi fácil para ela, mas a velha senhora sempre manteve o caráter rebelde e ouviu os murmúrios do seu coração.

Quando descobre que tem um neto, em Veracruz, decide partir a galope no cavalo de vento a sua velha bicicleta em busca do rapaz numa viagem reveladora do poder dos sonhos.

Com esta fábula cheia de magia, humor e espírito positivo, Gabri Ródenas convida-nos a abrir a caixa dos tesouros que a vida nos oferece - a esquecer o que nos entristece ou o que nos aborrece para abraçarmos uma existência mais emocionante, mesmo que de início isso nos possa parecer desconcertante e insólito. É um convite para vermos a realidade tal como a víamos nos longos verões da nossa juventude, em que tudo resplandecia e o mundo se revelava pleno de aventuras e oportunidades.

Cris

quarta-feira, 8 de maio de 2019

"Uma Gaiola de Ouro" de Camilla Läckberg

Nunca tinha lido Camilla Läckberg. Já ouvi dizer que este livro foge ao estilo dela. Quero verificar isso em breve pois pretendo ler mais livros desta autora, sobretudo de algumas séries policiais.

Que dizer deste livro? Fiquei um pouco sem palavras, tive de me sentar, depois da última folha para pôr em ordem os meus tumultuosos pensamentos! 

O enredo, em certas partes, é um pouco previsível. Sentimos que as coisas vão correr de determinada forma. Não que o facto de alguns acontecimentos serem expectáveis faça esmorecer o apetite do leitor em continuar a leitura, não, de todo! É uma leitura que se faz rápida e sente-se uma empatia imediata com a personagem principal. Esse, em parte, foi um problema para mim. Faye tem um aspecto muito sombrio na sua personalidade que a faz agir de determinadas formas para conseguir os seus fins e não acredito que todos os meios justifiquem os fins... Sentimos empatia pelo seu lado de vítima mas ao mesmo tempo questionamos os seus valores morais. Será que a vingança é o motivo certo que deve impulsionar alguém para avançar com a sua vida e tentar vencer?

Faye é uma personagem que está muito bem caracterizada pois a autora soube, com mestria, desenvolver-lhe um carácter ambíguo, propício a discussão por parte dos leitores dado que as suas acções são extremas e passa de vítima a castigadora num abrir e fechar de olhos! Creio que esse aspecto dá uma boa discussão entre leitores...

Fiquei curiosa com os outros livros da autora. Ainda bem que a Feira do Livro de Lisboa se aproxima...

Terminado em 30 de Abril de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Uma história dramática sobre fraude, redenção e vingança.

Aparentemente, Faye parece ter tudo. Um marido perfeito, uma filha que muito ama e um apartamento de luxo na melhor zona de Estocolmo. No entanto, algumas memórias sombrias da sua infância em Fjällbacka assombram-na e ela sente-se cada vez mais como se estivesse presa numa gaiola de ouro.

Antes de desistir de tudo pelo marido, Jack, era uma mulher forte e ambiciosa. Quando ele a engana, o mundo de Faye desmorona-se e ela tudo perde, ficando completamente devastada. É então que decide retaliar e levar a cabo uma cruel vingança…

Uma Gaiola de Ouro é um romance destemido sobre uma mulher que foi usada e traída, até tomar conta do próprio destino.

Cris

terça-feira, 7 de maio de 2019

"As Longas Noites de Caxias" de Ana Cristina Silva

Li este livro durante o feriado do 25 de Abril. Fez todo o sentido celebrar a liberdade lendo sobre ela. E este livro é isso mesmo: uma ode à liberdade! Àquilo por que passaram algumas pessoas para que nós, hoje, possamos falar e pensar livremente. Não faço ideia como seria viver nesse ambiente, sem poder expressar as minhas opiniões, viver situações em que o medo impere.

Gostei de sentir e aperceber-me de como seria viver assim, sem a liberdade que vivemos hoje. Ana Cristina soube reproduzir lindamente a época salazarista. As prisões, os movimentos estudantis, a PIDE. As ameaças, o medo, a tortura.

Em relação ao enredo esperava um pouco mais. A história de duas mulheres que se cruzam e que pertencem a polos opostos quanto às suas ideologias políticas. Considero a caracterização destas duas personagens um pouco simplista: uma é essencialmente boa, a outra essencialmente má. Recuso-me a acreditar que o ser humano se reduza a esses extremos. Mas, será que tenho razão? Depois de terminada a leitura fiquei a pensar sobre este assunto.

No entanto, gostei de ler. Gosto dos livros desta autora. Recomendo-os todos.

Terminado em 25 de Abril de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Um romance poderoso e emocionante sobre duas mulheres que viveram intensamente a ditadura. Leninha, a mais temida e poderosa figura feminina da polícia política portuguesa: a PIDE; e Laura, uma das vítimas que mais sofreu às mãos da terrível agente. Baseado na vida de uma figura tão terrível como fascinante: a mulher que chegou mais alto na hierarquia da PIDE, ainda hoje uma grande desconhecida para a maioria dos portugueses.

Cris

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Resultado do passatempo Gradiva "Um Elevador Chamado Desejo"

Embora mais tarde do que o prometido, venho anunciar o nome do vencedor deste passatempo, tão simpaticamente patrocinado pela editora Gradiva.

Com 137 participações válidas foi seleccionado através do Random.Org o nº 124 que pertence a:

- Ana Vieira de Santiago do Cacém

Parabéns! Espero que gostes desta leitura. Eu vou ler de seguida... O livro segue terça, dia 7 de Maio!!!!

Cris

sábado, 4 de maio de 2019

Na minha caixa de correio

  

  
Ofertados pelas editoras parceiras:
- Pedra de Afiar Livros..., Oficina dos Livros
- O Mundo à Beira de Um Ataque de Nervos, Porto Editora
- Um Ateliê de Sonhos, TopSeller

Comprados num alfarrabista:
- A Única História 
- O Médico de Estalinegrado

Oferta do marido:
- Filho da Mãe

sexta-feira, 3 de maio de 2019

"Lealdades" de Delphine de Vigan

Tinham-me avisado que esta leitura era forte, pesada. Tendo adorado o livro anteiror desta autora, estava preparada para algumas reviravoltas. Achei este um pouco diferente do anterior e ainda bem que a autora não se fica pelo mesmo registo. Gosto de ser surpreendida! 
Mas achei-o pequeno. Queria mais e sei que quem escreve o poderia ter feito. Acabou rápido demais. Não que isso o prejudique pois considero-o uma grande leitura. Os vários capítulos alternam entre alguns narradores diferentes e, assim, o leitor vai-se integrando nas várias vidas que pululam em torno de um menino de 8/9 anos, que habita à semana ora com o pai, ora com a mãe.
O final é abrupto! Sem esperarmos, a última palavra é lida. Fiquei sem chão, a pensar se gostava ou não de tal facto. Embora saiba que isso não vai agradar a muitas pessoas, depois de o ter assimilado por uns momentos, consigo dar a mão à palmatória: gostei muito do final em aberto. O meu lado positivo pôs-se logo a sussurrar finais cheios de esperança mas, infelizmente, todo o enredo sugere algo de muito mau. 
Um livro pequeno, lido em 24 horas! Pequeno mas carregado de sentido, verosímil, que traduz a realidade de muitas crianças espalhadas pelo mundo fora. A violência, os abusos podem não ser físicos mas não são menos intensos e marcantes por isso. Um livro que nos deixa sem chão, a pensar como as vítimas podem viver sem serem reconhecidas e, mesmo desde muito pequenas, tendem a esconder as suas vivências. Pior, tendem a proteger quem lhes faz mal!
Super recomendo! Esta é a prova em como um livro de poucas páginas pode ser fabuloso!
Terminado a 22 de Abril de 2019
Estrelas: 6*
Sinopse
Este é um livro que, com profunda sensibilidade, explora mundos distantes que, afinal, têm muitos pontos em comum: a infância e a vida adulta, a autodestruição e a salvação abnegada, o sofrimento e a busca pela felicidade. Através de uma narração caleidoscópica, Delphine de Vigan apresenta-nos o drama das relações humanas, com tudo o que estas têm de mais negro e de mais belo. Lealdades, assente no equilíbrio de contrapontos, é um verdadeiro romance psicológico dos nossos tempos.
Cris

quinta-feira, 2 de maio de 2019

A Escolha do Jorge: “Os Irmãos Tanner”



Amar o que nos é mais próximo é uma vantagem que faz avançar os séculos tempestuosamente, que nos faz rolar pelo mundo pensativamente, que nos faz sentir a vida a alta velocidade e com alma, e por isso temos de saber agarrá-la e aproveitá-la a cada segundo, mil vezes, mas eu que sei!” 
(pp. 34-35)

Reconhecido por Kafka, Robert Musil, Hermann Broch, entre outros, Robert Walser (1878-1956) é um dos grandes nomes da literatura do século passado, muito embora o seu reconhecimento só tenha acontecido após a sua morte.
Robert Walser soube analisar a realidade do seu tempo, a par do comportamento humano atendendo às transformações que ocorreram na passagem do século XIX para o século XX. O escritor suíço de língua alemã passou a escrito com grande mestria um retrato psicológico e sociológico bastante acurado, passando aos leitores um grito de insatisfação face ao rumo que o homem moderno estava a tomar, na medida em que a sua liberdade ficou fortemente condicionada face às exigências do novo estilo de vida das cidades.
As suas obras reflectem muito da vida do escritor, assim como da sua família e obras como “Os Irmãos Tanner” (1907) não é excepção, além de mergulharmos numa escrita que também nos leva a questionar a vida contemporânea em que as pessoas ficaram presas a rotinas sem, contudo, viverem a vida em pleno. As rotinas, o trabalho, a imposição do capitalismo através da sedução consumista transformou o homem contemporâneo num ser alienado e virado para si mesmo, passando a isolar-se das outras pessoas.
Passado mais de um século após a publicação de “Os Irmãos Tanner”, Robert Walser leva-nos a questionar sobre o que andamos de facto a fazer com a nossa liberdade. O escritor encarna Simon Tanner, o personagem principal da narrativa, através de pelo menos um dos dados importantes que rapidamente nos apercebemos no início da obra e que somos iludidos com a ideia de que Robert Walser/Simon Tanner eram pessoas erráticas, sem discernimento, inconsequentes, na medida em que saltavam de trabalho em trabalho porque não se conseguiam ver presos a uma única actividade ou a partir do momento em que esse trabalho deixava de os satisfazer ou porque condicionavam a sua liberdade.
Quanto ao privilégio de auferir um salário mensal fixo, a minha indiferença não podia ser maior. Aqui esmoreço, perco inteligência e coragem, torno-me burocrata.” (p. 30)
À medida que a narrativa avança, percebemos o modo de pensar de Simon Tanner na medida em que o homem moderno se iludiu com uma estranha felicidade nas prisões que cria com as rotinas laborais e burocráticas, através de tarefas que, vistas as coisas, não enaltecem o ser humano, não promovem a sua criatividade, além de que o deixam enclausurado durante uma boa parte do dia em edifícios que, tantas vezes, são comparadas a prisões.
Prefiro ser pobre mas saudável, renuncio a uma vivenda em favor de um quarto barato, mesmo que ele dê para um beco escuro, prefiro ter embaraços financeiros a cair no embaraço de decidir aonde hei-de viajar no Verão para restabelecer a minha saúde arruinada, é certo que sou respeitado por uma pessoa apenas, a saber, eu próprio, mas é este o respeito que mais me importa, sou livre e, sempre que a necessidade o exige, posso vender a minha liberdade por certo tempo, para depois ser livre outra vez. Vale a pena ser pobre em nome da liberdade. Não me falta o que comer, porque tenho o talento de me saciar com pouco. Perco as estribeiras quando alguém me fala em “ter estatuto” e tenta assim incutir-me juízo. Quero continuar a ser uma pessoa. Numa palavra: gosto do perigo, do abismo, do incerto, do incontrolável!” (p. 166)
A serenidade de Simon Tanner atrai o leitor e os desconhecidos que com ele se cruzam chegando a entabular conversa por sentirem nele algo de diferente em relação aos demais transeuntes. Sempre com um sorriso no rosto e de bem com a vida, Simon Tanner irradia algo que pareceu perder-se no tempo da era industrial e na expansão urbana em que as fábricas contribuíram para a descaracterização do trabalho manual, deixando, por isso, de os objectos serem apreciados com o merecido respeito dado tratar-se da produção em massa em oposição ao trabalho executado pelos artífices. Do mesmo modo que a vida tranquila do campo e a cadência das estações do ano conferem calma e tranquilidade ao homem por este ser também um elemento integrante da natureza, fazendo parte de um tecido social do qual faz parte e no qual é respeitado, em oposição à expansão das cidades em que cada um existe por si mesmo numa amálgama de gente opaca e sem vínculos entre si.
Se eu fosse sapateiro, pelo menos faria sapatos para crianças, homens e senhoras, que num dia de Primavera iriam passear para a rua com os meus sapatos calçados. E quando eu visse os meus sapatos em pés estranhos, sentiria a Primavera. Aqui não consigo sentir a Primavera, aqui a Primavera incomoda-me.” (p. 27)
É esta ideia de o Homem ser parte integrante da natureza que o conduz à sua preservação. Preservando a natureza, será também uma forma de preservar a espécie humana e esta preservação traz consigo a ideia de conservação cultural que é transmitida de geração em geração ao longo dos séculos. Quando o Homem se dá aos outros, recebe na mesma medida, mas sobretudo através do respeito e amor pelo que a Humanidade cultivou ao longo dos tempos.
A cultura, por mais refinada, permanece natureza, porque afinal não é mais do que uma invenção lenta que se estende ao longo dos tempos e que é criada por seres que dependerão sempre da natureza. Se você pintar um quadro, Kasper, esse quadro será natureza, porque você pinta com os seus sentidos e com os seus dedos, e estes foram-lhe dados pela natureza. Não, fazemos bem em amar a natureza, em pensar sempre nela com seriedade, diria mesmo em adorá-la, pois mais tarde ou mais cedo nós temos de rezar, senão envilecemos. Amar o que nos é mais próximo é uma vantagem que faz avançar os séculos tempestuosamente, que nos faz rolar pelo mundo pensativamente, que nos faz sentir a vida a alta velocidade e com alma, e por isso temos de saber agarrá-la e aproveitá-la a cada segundo, mil vezes, mas eu que sei!” (pp. 34-35) “Compreendo tão bem a arte e o ímpeto que ela transmite aos homens e a vontade de conquistar deste modo o amor e a mercê da natureza.” (p. 75)
Simon Tanner apresenta-se assim, serenamente, em contraciclo, num contexto social e económico que se, por um lado, representa o homem moderno, por outro, ilustra bem a forma como o homem e a sociedade em geral desenvolveram as cidades, mas descaracterizando o ser humano na sua essência, condicionando a sua liberdade e não se tornando necessariamente mais feliz.
Robert Walser oferece-nos, deste modo, um romance soberbo tanto quanto luminoso, repleto de humanidade que nos faz reflectir sobre a nossa passagem pelo mundo, os valores e a bondade entre os homens. Robert Walser através do seu interlocutor Simon Tanner idealizou a religião perfeita, na sequência dos pontos expostos, conforme descrita na seguinte passagem:
A religião é, na minha experiência, o amor à vida, um apego íntimo à terra, a alegria do momento, a confiança no belo, a crença nos homens, a ausência de preocupações no convívio com amigos, a vontade de meditar e um sentimento de irresponsabilidade em caso de desgraça, é sorrir diante da morte e mostrar coragem em todos os desafios que a vida oferece. Nos últimos tempos, a nossa religião passou a ser um sentido profundo e humano de decência. Se os homens forem decentes entre si, também o serão aos olhos de Deus. Que mais pode Deus querer?” (p. 171)
Texto da autoria de Jorge Navarro




segunda-feira, 29 de abril de 2019

"Em Queda Livre" de Jennifer Weiner

Adoro quando um livro supera as minhas expectativas! É certo que peguei nesta obra pensando que seria uma leitura leve e fresca para contrabançar as leituras pesadas que tenho feito ultimamente... Por isso achei que ela não me traria mais do que umas boas horas de descontração! 

Digo-vos já que a capa engana, tanto mais que, com as flores que ela tem, não reparei nos comprimidos cor de rosa, um pouco escondidos. Agora que o acabei de ler, consigo achá-la mais apropriada do que quando peguei nele. Teria escolhido algo diferente, isso é ponto assente! Mas creio que os comprimidos simbolizam a adição de que fala o livro e a fina chávena, o ambiente onde ela se difundiu. Mas passo a explicar:

Allison tem uma vida ocupada. A filha, a casa enorme, o blogue de sucesso crescente... A sua vida é um corropio para conseguir chegar a todo o lado. As dificuldades económicas e profissionais pelas quais o marido está a passar acrescentam mais peso nos seus ombros. Até que um comprimido para os seus problemas das costas a deixa mais leve e com mais capacidade de trabalho...

Daí à adição foi um caminho de que ela só tomou consciência muito tempo depois quando o seu foco principal era arranjar formas de comprar mais comprimidos. No entanto, ela era diferente, certo? Conseguia fazer a sua vida sem que ninguém desconfiasse e sem grandes paragens! Conseguia, certo?

A autora, com a sua escrita simples, sincera e descomplicada, fez com que me sentisse perto e, ao mesmo tempo, longe da personagem principal. Que sentisse empatia e compaixão e, por outro lado, que me apetecesse abaná-la. Senti-me no meio daquela família, no meio das suas desculpas e, posteriormente, da sua luta. 

O enredo passa-se na América. Com as devidas diferenças posso afirmar que poderia passar-se aqui ao nosso lado. Achei-o verosímil. Os meus parabéns!

Queria parabenizar a autora, também e sobretudo, por ter conseguido expressar tão bem através de Allison o que devem sentir todos os que sofrem de alguma adição. Expressões como "Estava a planear reduzir o consumo... Mas não agora!", "Eu consigo parar mas não tenho de o fazer neste momento", devem estar presente nos pensamentos de qualquer adito. Creio que a autora soube, com mestria, traduzir por palavras a negação sentida por todos. "Eu sou diferente daqueles que me rodeiam, não sou assim, não desci tão baixo, nunca poria a vida de ninguém em perigo, muito menos a da minha filha."

Um livro que recomendo sem dúvida nenhuma! 

Terminado em 21 de Abril de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Allison Weiss, a protagonista de «Em Queda Livre», poderia ser a nossa mãe, uma amiga, uma mulher que conhecemos ou até nós mesmas (caso seja uma mulher que esteja a ler este texto, neste preciso momento). Allison Weiss tem um marido bem parecido, uma filha adorável, um emprego que adora e uma casa grande nos subúrbios. É a típica mãe trabalhadora que tenta conciliar a família com o trabalho. Tudo parece estar no sítio certo. Mas será que está? O que se esconde por trás daquela vida aparentemente perfeita?

Cris

sábado, 27 de abril de 2019

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

  


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- Tubarões Voadores (Bertrand)
- Contador de Histórias (Bertrand)
- Picos (Arte Plural)
- Livro das Horas (Temas e Debates / Círculo Leitores)
- Receitas para um Superintestino (Nascente)
- A Avó que percorreu o mundo de bicicleta (Presença)
- Magalhães (Presença)
- O Céu é para quem não desiste de voar (Manuscrito)

Comprados num alfarrabista:
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- Três Desejos
- 28 Livros para te encontrar
- A Mulher que Correu Atrás do Vento
- As Regras da Cortesia
- Tráz-me de Volta
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Comprado numa livraria:
- Frida Kahlo