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segunda-feira, 21 de junho de 2021

"A Bibliotecária de Saint-Malo" de Mário Escobar


Foi com muita pena que fechei esta leitura com a sensação de que faltou qualquer coisa para
que este livro fosse para o meu top de leituras sobre este tema que tanto gosto de ler, o Holocausto. Senti que a história foi contada de uma forma jornalística, talvez, e que com isso a empatia para com a personagem principal não se deu!

Tirando esse aspecto, que é deveras importante sem dúvida alguma, esta leitura fez-se rápida e focando temas, por vezes, não tratados com frequência. É através de uma bibliotecária na pequena povoação portuária de Saint-Malo, que adora os seus livros e adora ler, que nos vamos apercebendo de como uma população ocupada e subjugada pode agir de formas tão diferentes, ora resistindo, ora acatando as ordens sub-humanas que recebe. 

Para além disso, este livro mostrou-nos que, em ambos os lados, existiam pessoas de bem e de... mal. E pessoas que estão em lados opostos, por vezes, conseguiram encontrar um ponto comum: o amor. 

Poderia ter sido um 5* não fora o "se" falado anteriormente. Porque em tempo algum quis desistir desta leitura. 

Terminado a 14 de Junho de 2021

Estrelas: 4*

Sinopse

Jocelyn é a guardiã da Biblioteca de Saint-Malo, uma mulher órfã que se agarra à literatura e ao seu marido, Antoine. Mas ambos correm perigo:

A chegada das tropas alemãs à cidade, em especial a do comandante Adolf Bauman que, empenhado em roubar alguns dos incunábulos que a bibliotecária guarda tão zelosamente, quer acabar com a sua felicidade.

Destinados a ser inimigos e obrigados a viver num mundo em que a loucura prevalece, os protagonistas inesquecíveis deste lindo romance transformar-se-ão em heróis cujo amor será capaz de vencer a guerra.

Mario Escobar é um dos autores de romances históricos mais vendido em Espanha e publicou com grande sucesso na HarperCollins: A canção de embalar de Auschwitz e Os meninos da estrela amarela.

Cris

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Para os mais pequeninos: "A Raposa"


É através de uma história aparentemente triste - de uma raposa que, ao ensinar às suas três crias como sobreviver, é atropelada por um condutor - que o autor aborda o tema da morte e da preservação das espécies.

Pela observação os filhotes da raposa aprendem como  caçar, como sobreviver na floresta. É também pela ajuda na observação das imagens que esta história fala aos mais pequeninos como a vida na Terra possui milhões de espécies, como a cadeia alimentar mantém uns animais vivos à custa de outros, acabando por falar nesse tema por vezes tabu que é a morte, a decomposição que daí advém e como essas partículas são aproveitadas por outros animais e plantas. Fala no ciclo da vida e de como a morte no reino animal não é só um fim mas sim o início de outras vidas.

Imagens lindíssimas como podem ver!





Cris 

quinta-feira, 17 de junho de 2021

"Os Sete Maridos de Evelyn Hugo" de Taylor Jenkins Reid

 

A primeira vez que ouvi falar deste livro foi no canal do YouTube  "Books and Movies". A Dora leu quando ainda não estava traduzido em Portugal e adorou. Depois algumas meninas seguiram o seu exemplo e todas gostaram muito. As expectativas eram, por isso, muito elevadas! O que acaba por ser mau porque não sei o que podemos esperar mais de um livro, em termos de entretenimento,  do que aquilo que este me trouxe...

A escrita faz-se num ápice, é muito realista e poderá traduzir aquilo que esperamos que a vida de uma estrela de cinema de Hollywood poderia ter vivido por volta dos anos 60. Sabia de antemão que Evelyn Hugo não existiu na realidade porque ouvi comentar precisamente isso de algumas leitoras que, após a leitura do livro, foram "googlar" procurando a autenticidade de algumas situações.

Possui uma situação de algum mistério criado pela narradora que faz um papel de uma jornalista que é convidada por Evelyn para escrever as suas memórias. Porque terá ela sido escolhida? Confesso que estava atenta aos pormenores mas não consegui descortinar a razão que unia uma famosa estrela de cinema e uma jornalista desconhecida. Isso foi um ponto a favor desta trama que muito me agradou!

Cada capítulo é sobre um dos sete maridos de Evelyn e é através destas relações que vamos conhecendo a vida desta estrela e, também, da jornalista escolhida, Monique Grant, que escreverá a sua biografia. 

A empatia gerada pelo leitor face a Monique é imediata.  Em relação a Evelyn a "coisa" não se dá assim tão rápidamente. Evelyn é uma mulher com uma personalidade forte, com objectivos traçados mas que não olha a meios para conseguir os seus fins. Por outro lado, ao despir-se para contar a história da sua vida, esta estrela de cinema já perto dos 80 anos, conquista o leitor com a sua determinação e foco, mostrando os seus aspectos mais humanos, tornando-se muito carismática aos olhos do leitor. Ambas revelam fragilidades iguais às nossas, revelando-se pessoas reais e esse aspecto torna-as parecidas senão de nós pelo menos de alguém por nós conhecido. As inseguranças, os medos, os traumas de infância, os caminhos erradamente escolhidos que trazem consequências nefastas, a aprendizagem que esses erros trazem, a violência de género, a infidelidade e as traições, o amor entre duas mulheres numa sociedade nos anos 50/60 que ainda não estava preparada para o receber.

Não é, mas podia ser. Não aconteceu, mas podia ter acontecido! Sentir isso durante uma leitura é um facto que me agrada muito. Mas da próxima vez não leio tanta opinião acerca de um livro antes de o ler porque faz-me esperar impossíveis!

Um livro que diverte, entretém mas faz pensar também! 

Terminado em 12 de Junho de 2021

Estrelas: 5*

Sinopse

Evelyn Hugo, uma das maiores estrelas de Hollywood, agora a aproximar-se dos 80 anos, decide finalmente contar tudo sobre a sua vida recheada de glamour e de uma boa dose de escândalos. Quando escolhe a desconhecida Monique Grant para escrever a sua história, todos ficam surpreendidos, incluindo a própria jornalista. Porquê ela? Porquê agora? Determinada a aproveitar a oportunidade para impulsionar a sua carreira, Monique regista o relato de Evelyn com fascínio e admiração. Da chegada a Hollywood no início da década de 1950 à decisão de abandonar o mundo do espetáculo 30 anos depois, incluindo, claro está, os seus sete casamentos, a vida de Evelyn é repleta de ambição desmedida, amizades improváveis e um grande amor proibido.

À medida que a história de Evelyn se aproxima do final, torna-se claroque a sua vida está ligada à de Monique de uma forma trágica e irreversível.

Cris

quarta-feira, 16 de junho de 2021

A Convidada Escolhe: "Mulheres da Minha Alma"

Mulheres da Minha Alma, Isabel Allende, 2020

Depois de um livro que demorei quase um mês a ler, soube-me muito bem agarrar neste “Mulheres da minha Alma” de Isabel Allende. Li-o num ápice. Textos, a que não vou chamar capítulos, curtos, soltos, sem uma ordem definida, mas todos com um fio condutor: trazer à memória as mulheres que contribuíram para Isabel Allende ser feminista e lutar pelo feminismo. Ao ler estes textos senti-me positiva e com vontade que este livro chegasse às mãos de muitas mulheres que não são feministas e que acham que o feminismo é uma coisa do outro século, a mulheres que precisam de ler alguma coisa que lhes levante a auto-estima e já agora, também às feministas e aos feministas.

É uma reflexão e uma memória pessoal da escritora. Tem partes muito divertidas, outras mais sérias que fazem parte também da minha história de feminista não académica que viveu as lutas e as causas dos movimentos de mulheres em Portugal e também a nível internacional. A certa altura, Isabel Allende escreve “isto não é, de todo, uma dissertação elevada, é só uma conversa informal.” Aliás, ao lê-lo, lembrei-me daquele livrinho precioso de Chimamanda Ngozie Adichie “Todos devemos ser Feministas”.

Panchita, a mãe e Paula, a filha são as pessoas mais referidas ao longo do livro. E ela, a viver um terceiro casamento, falando constantemente dos seus 70 e muitos anos que lhe dão uma serenidade e um apaziguamento que lhe permitem olhar para trás, para os anos que se passaram e o que fez nos vários países onde viveu e por onde passou. E de todas as personagens dos seus muitos romances, Eliza Sommers de “Filha da Fortuna” com quem gostaria de jantar. Isabel Allende considera que o feminismo foi a revolução mais importante do século XX e percebe por que razão a mãe não conseguiu apanhar a onda do feminismo. A experiência pessoal de Isabel Allende, aliada aos contactos que teve com escritoras feministas e com os seus escritos, em finais dos anos 60, quando era colaboradora da revista “Paula” permitiram-lhe aprofundar a sua consciência feminista. 

A paleta de temas abordados ao longo do livro é extensa: os padrões de beleza e juventude impostos que destroem a auto-estima das mulheres; o sentimento de culpa que persegue as mulheres; o envelhecimento, a sexualidade ao longo da vida; a sexualidade não binária; o poder da linguagem e das palavras e a sua não neutralidade; o prazer e o risco que o prazer feminino é para as religiões e para as tradições, não esquecendo o flagelo da mutilação genital feminina ainda em tantos países e regiões do planeta, assim como os casamentos forçados de crianças e de meninas; a educação das meninas e dos meninos distribuindo papéis precisos e estereotipados a cada um dos géneros eterniza as discriminações de género; os femicídios, o expoente máximo da violência de género em todo o mundo, com destaque para o México (Ciudad Juarez) e República Democrática do Congo; os crimes de honra; o assédio; a não valorização das mulheres nas artes e mesmo actualmente em sectores de ponta e de grandes avanços tecnológicos (Silicon Valley, por exemplo) onde as mulheres são uma escassa minoria; a violação como arma de guerra e o medo como instrumento de controlo; as tarefas do cuidar não pagas e não reconhecidas, mas que, sendo imprescindíveis, continuam maioritariamente sobre os ombros das mulheres; a luta pela despenalização do aborto e o acesso aos direitos reprodutivos; a necessidade de as mulheres se juntarem e serem barreira ao machismo. Neste último ponto, Isabel Allende fala da importância do movimento global #MeToo que vem desocultar o grande tabu que é o assédio e nomeia a canção “Um violador no teu caminho” composta em 2019 por quatro jovens chilenas, um rastilho que juntou milhares de jovens em centenas de praças em todo o mundo. Para além da fundação que ela própria criou, dá outros exemplos de luta em contra corrente ao patriarcado, como por exemplo Olga Murray que criou uma instituição de resgate de meninas nepalesas vendidas como escravas. Como ela diz, estes exemplos podem ser considerados uma gota no oceano do muito que há a fazer no globo, mas as novas gerações estão mais equipadas do que a sua mãe Panchita, que nos anos 40 do século passado se viu sozinha, abandonada pelo marido no Peru e com três crianças para criar. 

Há muitas referências importantes neste livro de Isabel Allende, mas não posso deixar de aqui referir o destaque que dá a Michelle Bachelet “heroína digna de romance”, a primeira mulher presidente do Chile, que desempenhou um papel determinante não só nas prioridades que definiu visando a melhoria da situação da mulheres chilenas (combate à violência doméstica e distribuição da pílula do dia seguinte) como os esforços que desenvolveu para a reconciliação entre os militares e as vítimas da ditadura.  

A parte final do livro foi escrita em Março de 2020 e Isabel Allende, talvez por ser ainda no início da pandemia, tem uma visão optimista relativamente ao período pós-pandemia. Ela divide os humanos face à pandemia em pessimistas, realistas e optimistas. Diz ela: “Não podemos continuar numa civilização que se baseia no materialismo desenfreado, na cobiça e na violência. 

Este é um momento de reflexão. Que mundo queremos? Julgo que é essa a pergunta mais importante do nosso tempo, a pergunta que todas as mulheres e homens conscientes devem fazer-se…”

(…) “Queremos uma civilização inclusiva e igualitária, sem discriminação de género, raça, classe, idade ou qualquer outra classificação que nos separe. Queremos um mundo amável, onde imperem a paz, a empatia, a decência, a verdade e a compaixão. E, acima de tudo, queremos um mundo alegre. A isso aspiram as bruxas boas. O que desejamos não é uma fantasia, é um projecto; entre todas, podemos conseguir.

Quando o coronavírus passar, sairemos das nossas tocas e entraremos cautelosamente numa nova normalidade; então, a primeira coisa que faremos será abraçarmo-nos nas ruas. Que falta nos fez o contacto com as pessoas! Vamos celebrar cada encontro e cuidar amavelmente dos assuntos do coração.”

14 de Junho de 2021

Almerinda Bento



terça-feira, 15 de junho de 2021

A Convidada Escolhe: "Filhos e Amantes"

Filhos e Amantes, D. H. Lawrence, 1913

Sem deixar de ir lendo as “novidades”, foi uma das intenções que formulei no início deste ano, ir descobrir livros há muito comprados e “esquecidos” na estante e ler e devolver alguns livros emprestados. Desta vez fui descobrir D. H. Lawrence e “Filhos e Amantes”. Confesso que foi uma leitura demorada e, ao longo das suas mais de quinhentas páginas, por vezes achei que algumas partes e passagens podiam ter sido mais encurtadas, que por vezes as descrições não precisavam de ser tão frequentes e minuciosas… mas, no final, a característica deste livro também tem esses aspectos, quer se goste, quer não.

Entrei no ambiente da época, com este livro. Inglaterra vitoriana, região mineira das Midlands, famílias numerosas, pobres, em que as mulheres são o coração e suportam sozinhas não só a maternidade como o equilíbrio numa conjugalidade feita de desencanto, de frustração, de ausência. Maridos rudes e ausentes, numa vida de trabalho difícil e precária, encontram na taberna, ao fim do dia, com os outros homens, o suporte para aguentar a dureza da mina. Mulheres sofridas, que encontram refúgio no amor aos filhos, na espiritualidade, na leitura, na paixão pela natureza e também mulheres que iniciam um caminho de abertura e independência, aderindo aos ideais sufragistas ou frequentado associações como a “Women’s Gild”. O romance não deixa também de abordar a dureza e a perigosidade das longas jornadas de doze horas de trabalho nas fábricas e nas minas e a resistência dos mineiros através de greves prolongadas e da solidariedade de classe, sempre que há um desastre que vitima um dos companheiros. Foram todos estes aspectos que achei muito interessantes, para além das descrições das paisagens e o tratamento dos sentimentos das personagens ao longo do livro. 

A família Morel – Walter, o pai, Gertrud, a mãe e Paul, um dos filhos – Miriam e Clara são as personagens centrais do romance. Gertrud canaliza todo o seu afecto para os filhos, sobretudo para Paul, que é o seu confidente e companheiro. A trabalhar numa fábrica em Nottingham e dedicado à pintura nos tempos livres, Paul devota de tal modo à mãe, todo o seu amor, que não consegue libertar-se de modo a corresponder a um relacionamento e a um casamento com alguém da sua idade. Miriam e Clara são em tudo opostas. Se a primeira é tímida e tem dificuldade em sair do amor casto e místico que dedica a Paul, Clara, uma mulher separada e a trabalhar na mesma fábrica de Paul, tem uma visão crítica sobre os homens e sobre o que os move, é uma mulher mais liberta e independente. Mas a dedicação de Gertrud bloqueou no filho a sua capacidade de poder amar outras mulheres e retirou-lhe a autonomia e a possibilidade de ser feliz sem ela. O amor maternal exclusivo e egoísta que não permite que o filho cresça emocionalmente torna-o incapaz de se dedicar a outra mulher que não seja a mãe. 

Independentemente de uma caracterização psicológica e física bastante detalhada de todas as personagens, podemos dizer que, na generalidade, os homens são aqui tratados como uns brutamontes, incapazes de demonstrar sentimentos. Paul, tímido e sensível, sai fora desse padrão mas, no entanto, tal como os outros homens, é imaturo, inconstante e trata o amor como um brinquedo que rapidamente se desgosta e que descarta. Miriam, uma jovem tímida e pouco sociável, dominada pelo peso da religião e dos preconceitos religiosos e disposta a todos os sacrifícios, mantém no entanto a chama da revolta contra a condição de inferioridade das mulheres e deseja aprender coisas novas e sair da rotina que a enfastia. As mulheres deste livro não são figuras apagadas, antes assumem um papel forte e destacado.

Depois dos dilemas e das escolhas que as personagens vão fazendo ao longo do romance, a morte de Gertrud deixa Paul só e sem perspectiva de futuro. Cabe a cada leitor/a decidir. 

9 de Junho de 2021 

Almerinda Bento

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Novidade Saída de Emergência: "Segredos Femininos"

Segredos Femininos 

de Izabel de Paula

Segredos Femininos é um livro que conduz a mulher numa viagem ao longo da vida, da primeira à última menstruação, sem esquecer a maternidade e a influência das emoções nas diferentes fases da vida. Neste guia sobre a vida feminina, que se divide em quatro como as estações do ano, a mulher aprende a compreender as várias fases por que passa ao longo dos anos e encontra mais de 200 soluções práticas para os dilemas femininos mais comuns: acne, celulite, cabelo enfraquecido, desidratação da pele, dores menstruais, envelhecimento, flacidez, gordura localizada, higiene íntima, manchas no rosto, olheiras, recuperação pós-parto, retenção de líquidos, rugas, varizes… e muito mais.

Fruto de mais de vinte anos de experiência na área da estética, Izabel de Paula revela ainda massagens de tratamento para fazer em casa, uma cura detox que promete eliminar quilos do corpo e da alma, botox caseiros, receitas de chás e sumos com mil e uma propriedades, segredos anti-idade e de longevidade, passatempos divertidos e elucidativos e pistas para uma vida sexual sem tabus. Completo, elucidativo e abrangente, este livro é dedicado a todas as mulheres que querem ganhar autoestima e envelhecer sem ficar velhas. Em cada página deste livro a mulher encontrará um espelho onde verá refletido o melhor ângulo do seu património feminino.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

"A investigação" de Philipe Claudel

Já aqui referi que, após ter lido O Relatório de Brodeck e ter tido tamanha surpresa, Phillipe Claudel passou a ser, para mim, um escritor de referência. Gostei muito da escrita, da trama, da elaboração dos personagens e do final. De tudo, enfim!

Depois desse li outros. Sempre boas escolhas, boas leituras. Este foi talvez o que menos simpatizei. Somente pelo final que não percebi (?) / achei que poderia ser outro(?). 

Mas este mundo que Phillipe neste livro nos presenteia é algo surreal. Um investigador dirige-se a uma cidade e pretende investigar a morte de vinte e tal pessoas que trabalhavam para uma empresa. A partir daqui nada do que lhe acontece é comum neste mundo, tanto que parece que estamos numa outra dimensão, noutro mundo inventado. aka

Confesso que a meio pareceu-me que tinha "descoberto a pólvora", , tinha arranjado uma explicação para tanta coisa estranha em que ele se vê embrenhado. Mas não! Não sucedeu nada do que estava à espera mas o twist que ambicionava também não se deu. 

Que fim foi aquele Phillipe?

Terminado em 3 de Junho de 2021

Estrelas: 5*-

Sinopse

«Não é olhando que descobrirás.» Como pôde o Investigador adivinhar? Como pôde saber que esta investigação de rotina seria a última da sua vida?

Encarregado de descobrir as causas de uma onda de suicídios numa grande empresa, o Investigador sucumbe gradualmente à ansiedade. O hotel onde se instala é abrigo não só de turistas, como de gente deslocada e estranha. Na empresa onde investiga, ninguém o apoia e o clima é hostil. Terá caído numa armadilha, será vítima de um pesadelo demasiado real? Não consegue comer, beber ou dormir, e as suas perguntas só dão origem a mais perguntas. À medida que faz algumas descobertas, interroga-se se não se tornará ele na nova presa a ser esmagada por aquela máquina infernal. E começa a compreender a nossa impotência face a um mundo que nós próprios construímos e que conduz à nossa destruição.

Cris

quinta-feira, 10 de junho de 2021

"Luto" de Eduardo Halfon

Livro pequenino, lido, talvez erradamente, num dia. São 106 pág. apenas mas devem ser lidas devagar para lentamente as apreciar. 

Recordações de infância que não correspondem bem ao sucedido, uma busca pelo passado, pelas memórias de uma morte que sempre foi assunto tabu para a família, leva o protagonista à procura do que realmente aconteceu ao irmão do seu avô. Segredos desenterrados.

Escrita consistente, elegante e prazerosa. 

Terminado em 31 de Maio de 2021

Estrelas: 4

Sinopse

Halfon viaja até à velha casa dos avós, nas margens do lago de Amatitlán, onde em criança costumava passar os fins de semana antes de a família se transferir para a Florida, devido à violenta situação política vivida na Guatemala em princípios da década de 1980. A partir do momento em que pisa o Amatitlán, tudo aquilo que o cerca desencadeia um turbilhão de memórias de infância - algumas ligadas à sua infância na Guatemala, outras dos primeiros anos passados nos Estados Unidos. Em subtis mas magistrais pinceladas, as recordações de Halfon vão-se conjugando aos poucos para desvendar segredos familiares profundos: a história de Salomón ou, talvez mais rigorosamente, a ausência dessa história, uma vez que ninguém na família falava abertamente dele. E aos poucos começamos a ver as informações dispersas que Halfon conseguiu reunir em criança.

Com Luto, traduzido por José Teixeira de Aguilar, Eduardo Halfon regressa ao universo que tem vindo a construir há anos em torno da personagem chamada Eduardo Halfon - que pode ou não ser o autor - e da história da sua família. Desta feita, centra-se no lado paterno da família: emigrantes judeus libaneses que se radicaram nos Estados Unidos e na Guatemala. 

Cris

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Novidade "Saída de Emergência"



A Melodia do Pássaro Amarelo

de Jennifer Rosner

Um romance extraordinário e comovente sobre a música, o silêncio e a esperança perante escolhas impossíveis

Polónia, 1941. Róża e a sua filha de cinco anos, Shira, têm de se refugiar num celeiro quando os nazis iniciam a perseguição aos judeus. Escondida dia e noite, Shira tem dificuldade em permanecer quieta e em silêncio, com a música a percorrer-lhe o corpo e a quinta convidativa lá fora. Para a acalmar, Róża conta-lhe a história de uma menina num jardim encantado, onde um pássaro amarelo canta as melodias com que ela sonha.

Neste mundo de fantasia, Róża consegue proteger Shira dos horrores que as cercam. Até ao dia em que o abrigo deixa de ser seguro e Róża tem de tomar uma decisão impossível: manter Shira ao seu lado ou afastar-se para lhe dar uma hipótese de sobreviver.

Inspirado nas histórias reais das crianças judias escondidas durante a Segunda Guerra Mundial, este romance é um relato impressionante do elo inquebrável entre mãe e filha. Deslumbrante e arrebatador, A Melodia do Pássaro Amarelo é uma prova do triunfo da esperança mesmo nos piores momentos.


Experiências na Cozinha: "Eu Decido Cozinhar Para Toda a Semana"




Já andava a namorar este livro há alguns dias porque ele tem todo um  conceito subjacente diferente do habitual livro de culinária. A ideia é prepararmos as refeições (quase) todas num dia do fim de semana para, durante a semana, estarmos mais livres.

A isto chama-se organização (coisa que eu não possuo assim tanto!).  Requere alguma planificação e evita o desperdício porque compramos somente o que necessitamos. Este método é conhecido por "batch cooking". Temos aqui no livro, então, vários menus semanais para escolha e podemos ver e adaptar para refeições que habitualmente fazemos e que não constam deste livro.

Assim, tanto se pode preparar totalmente a refeição como adiantar algumas outras para, quando a formos comer, dias depois, ser mais facilmente elaborada.

Resolvi fazer duas coisas simples que me faziam falta de momento e aqui vos deixo as fotos e as receitas: Granola Doce e Puré de Amêndoas (ou outro fruto seco). Fiz Puré de Avelãs, ou o que eu chamo Manteiga de Avelãs.

Mesmo que não consigamos seguir este método (pelo menos logo de início) podemos tirar daqui várias dicas que facilitam quem "perde" tempo na cozinha. Para mim será uma etapa a atingir, a de planificar as minhas refeições.

Ora vejam: 









Palmira e Cris

terça-feira, 8 de junho de 2021

"Instinto" de Ashley Audrain

Uau! É o que me apetece dizer sobre este livro. E repeti-lo vezes sem conta! Tanto para dizer, tanto que este livro faz sentir!

É verdadeiramente aterradora a premissa deste livro! Se nunca ouviram falar nele, não leiam a sinopse para que não venham a saber mais do que o necessário. É maravilhoso entrar num livro e podermos ser surpreendidos pela trama, pelos personagens e, sobretudo, pela forma como o título se mescla na perfeição com o sentimento perturbador que a personagem principal, também narradora, sente em relação a si e em relação à sua filha pela qual nutre sentimentos tão contraditórios.

É um thriller psicológico narrado, maioritariamente, por uma mãe que tenta a todo o custo não perceber até que ponto a sua intuição em relação à sua filha está correcta. Com uma escrita envolvente, vemos confirmados os nossos maiores medos.

Bisavó (Etta), avó (Cecília), mãe (Blyte) e filha (Violet). Até que ponto estão ligadas por esse sentimento que é suposto uni-las, o amor? Ser mãe significa querer sê-lo? Numa família disfuncional onde começa e acaba o amor? 

Muitas questões se colocam, sobretudo do foro psicológico, outras tantas se explicam. No fim, um final que pode não agradar a todos porque deixa uma porta aberta para o... terror?

Perturbador, envolvente e misterioso! Terrivelmente bom! Amei de verdade! Não aconselho a estômagos fracos. Afinal, o que é verdade ou mentira?

Terminado em 29 de Maio de 2021

Estrelas: 6*

Sinopse

Blythe Connor está determinada a ser a mãe afectuosa e solidária que nunca teve. No entanto, no auge dos esgotantes primeiros dias de maternidade, Blythe convence-se de que alguma coisa não está bem com Violet. Com o passar do tempo, a sensação agrava-se: a filha é distante, rejeita o afecto e revela-se cada vez mais perturbadora.

Ou estará tudo apenas na cabeça de Blythe? O marido diz que ela está a imaginar coisas. Quanto mais Fox ignora os seus receios, mais ela se questiona sobre a sua própria sanidade mental.

Quando nasce o filho mais novo, tudo parece melhorar: Blythe sente com Sam a ligação que sempre imaginou; Violet acalma e parece adorar o irmão mais novo. Mas, de repente, tudo muda e Blythe não poderá mais ignorar a verdade sobre o seu passado e sobre a sua filha. Onde está a verdade quando tudo tem duas caras?

Cris

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Resultado do Passatempo Mensal "Toca a Comentar"

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Maio.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionada uma vencedora! Foi ela:

Kassie

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 20, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros:


 


Cris

sexta-feira, 4 de junho de 2021

"A Cadela" de Pilar Quintana

Damaris, uma mulher de mais ou menos 40 anos, vive junto à costa da Colômbia virada para o Pacífico onde o olhar se perde em paisagens verdes belíssimas que contrastam com a pobreza dos seus habitantes. Nas primeiras páginas, o leitor fica preso a uma estória de amor que une esta mulher a uma cadelinha recém nascida que adoptou. Damaris transfere para esse ser todo o amor acumulado por anos e anos de tentativas falhadas para engravidar.

Mas tal como os filhos não são o que os pais pretendem que sejam, esta cadelita não cumpre os desejos de Damaris. E nesta, uma explosão de sentimentos que vão da raiva ao amor e que são o produto de acontecimentos passados e vividos por esta mulher que a marcaram profundamente.

Uma história, aparentemente simples, para onde o leitor tem de olhar atentamente. 

Terminado a 15 de Maio de 2021

Estrelas: 4*

Sinopse

Na costa da Colômbia virada ao Pacífico - num lugar onde a paisagem luxuriante contrasta com uma pobreza extrema e o homem é uma migalha diante da força dos elementos - vive Damaris, uma negra com cerca de 40 anos que toda a vida quis ser mãe. A sua relação com o marido tornou-se, aliás, fria e turbulenta à medida que o casal foi sacrificando tudo o que tinha à obsessão de Damaris e, apesar disso, ela nunca conseguiu engravidar.

Mas a vida desta mulher frustrada parece encontrar uma réstia de esperança no dia em que adopta a última cadelinha de uma ninhada. Só que, tal como os filhos nem sempre correspondem às ambições que os pais têm para eles, Chirli também não será a cadela com que Damaris sonhou.

Esta é uma novela brilhante sobre a maternidade, a traição, a lealdade, a culpa, e também sobre a relação enigmática e por vezes excessiva entre os donos e os seus animais. Uma história narrada pela voz confiante e madura de uma escritora que viu o seu livro ser traduzido em mais de uma dezena de línguas e chegar à final do National Book Award nos EUA.

Cris

quinta-feira, 3 de junho de 2021

A Convidada Escolhe: Da meia-noite às seis

Da meia-noite às seis, Patrícia Reis, 2021 

Patrícia Reis uma revelação e este já é o seu décimo livro. Já tinha lido apreciações sobre “Crianças Invisíveis” e recentemente li no JL, não só a entrevista que lhe foi feita, mas também os textos de Miguel Real e de Valter Hugo Mãe sobre este livro que decidi comprar, aproveitando para fazer uma troca de livro repetido entre os muitos que recebi nos anos. Excelente escolha.

A dedicatória a Maria Teresa Horta, a quem há tempos faleceu o marido, não podia ser mais ajustada. Susana Ribeiro de Andrade, uma das personagens principais deste livro, é confrontada com o fim inexorável e irreversível do amor da sua vida, na sequência de ter sido contaminado com o vírus. Está-se em 2022 e a pandemia continua implacável, a fazer o seu caminho. O choque brutal desta morte deixa-a sem chão, apenas com as memórias do homem que amava, o seu companheiro com quem continuava a conversar de mão dada! A viagem a Roma, as preferências literárias dele por Camus, Agustina ou o “Adriano” de Marguerite Yourcenar que ela não lera (e que ele dizia que era um daqueles livros que não podem deixar de ser lidos), todas essas memórias são aquilo a que se agarra num tempo de luto, em que interrompe momentaneamente a sua actividade profissional numa estação de rádio. 

No regresso, aceita o horário das “horas mortas”, aquele que é desvalorizado (“seria aquilo trabalho” pensam até alguns colegas), por ser rotineiro, por ter uma audiência menos interessante, aquele que afinal ninguém quer. Rui Vieira também voltara à rádio na noite de Natal de 2019. Quem quer trabalhar nesses dias? Quando se pensa que já não servimos porque temos uma incapacidade, quando se é descartável, valha-nos uma vaga porque há que cumprir a quota das pessoas com deficiência… De tudo isto nos fala Patrícia Reis: das discriminações, da homofobia, do racismo, da solidão, da precariedade que ficou mais exposta com a pandemia, mas também do verso da medalha: da solidariedade, da revolução que é dar voz às pessoas, de que há que descobrir o lado positivo da vida, de que a felicidade é possível e que muitas vezes está ali mesmo ao nosso lado. 

Este livro é também um elogio aos trabalhadores da cultura, ao extraordinário poder da rádio, da voz, do sentido e da força das palavras. Li este livro rapidamente, com uma profunda empatia, não conseguindo deixar de fazer muitos sublinhados, o que não é habitual em mim. O “aquário” de onde Susana Ribeiro de Andrade faz as suas emissões da meia-noite às seis, os emails de Rui Vieira com as notícias que Susana irá ler a cada hora e as conversas que ambos trocam a partir do computador de Rui, os gestos automatizados de higienização por causa da pandemia, em suma, este mundo confinado coloca-nos a eles e a nós, num cenário que não é de ficção, mas da real fragilidade humana para a qual nunca estamos preparados. 

Mesmo quando as canções são de uma play list que o computador escolheu, é sempre possível pôr um pauzinho na engrenagem do sistema e introduzir Caetano Veloso a perguntar em “Cajuína” : “Existirmos: a que será que se destina?”

9 de Maio de 2021

Almerinda Bento


terça-feira, 1 de junho de 2021

A Convidada escolhe: "E a Noite Roda"

E a noite Roda.

Alexandra Lucas Coelho leva-nos a viajar mundo fora, de Barcelona à Palestina e Isreal, de Paris a Roma, de Madrid a Castela-Mancha , ao Libano e a tantos outros locais. 

A autora aborda a realidade política do Médio Oriente com a sua violência latente e ao mesmo tempo conta-nos uma história de amor agridoce mas também ela em tudo actual e verosímil!

A autora jornalista de formação, foi correspondente do jornal Público no Médio Oriente e Ásia Central que lhe deram o conhecimento de causa e a inspiração para esta sua belíssima obra!

Uma escrita delicada que me encantou!

Marília Gonçalves

segunda-feira, 31 de maio de 2021

"Os Velhos" de Vítor Serpa

De há uns tempos para cá tenho escolhido os livros pelo título, autor ou capa (algumas vezes, também porque mos aconselham). Sim, eu sei o que vão dizer, mas é o que me tem apetecido... Que fazer?

À vezes a leitura é uma boa surpresa, outras nem tanto. Quando peguei neste livro pensei que era um romance. Não é. Mas o tom intimista, o facto de ser contado na primeira pessoa e relatar uma situação passada com o autor nestes dias de pandemia, fez com que tivesse lido com gosto.

Vítor Serpa é jornalista, um homem da informação e comunicação. Quem gosta da bola, deve lembrar-se dele... da Bola. Escreve bem, direto e conciso. Um episódio de doença crónica em que foi protagonista e esteve internado no Hospital Santa Maria, serviu de mote para todas as considerações que faz ao narrar o mesmo. Sobre os "velhos" sim, essa faixa etária que abrange vários anos e que se vai distanciando cada vez mais conforme vamos caminhando na idade. Os velhos são sempre os outros... É um comboio que ninguém quer apanhar e, no qual, ninguém se sente bem. A consciência do estorvo é algo muito bem relatado aqui, um pouco também pelos exemplos que observou no hospital.

Mas o autor não tece considerações apenas sobre isso. A pandemia, o confinamento e o isolamento que isso nos trouxe. 

Se gostam de ser surpreendidos e de ler sobre estes temas, eis o livro. Mas não pensem que é romance, não é. Embora a vida nos traga sempre algum.

Terminado em 20 de Maio de 2021

Estrelas: 4*

Sinopse

VELHO NUNCA SERÁ SER, MAS ESTAR

Deveria ter sido, apenas, uma simples consulta de rotina. Foi o começo de um inesperado internamento.

Uma dura experiência de vida, contada na primeira pessoa, onde também se revela o desconhecido mundo dos doentes em isolamento hospitalar e se alerta para o drama escondido do sofrimento dos velhos que nem têm quem os queira de volta.

Cris

sexta-feira, 28 de maio de 2021

"Heather, Absolutamente" de Matthew Weiner

Às vezes um livro pequeno não é sinónimo de rapidez  na leitura e pode arrastar-me para algo que parece não ter fim! Poderá até ser bom,  mas o tipo de escrita lenta, detalhada e/ou lírica faz com que a fluidez não se faça.

Este livro é pequeno. Mas tem TUDO o que gosto num livro: lê-se com gosto porque prende a atenção, as personagens têm carácter e estão bem exploradas nos seus traços psicológicos e a trama, sempre num crescendo de expectativa, termina num twist final que me surpreendeu. 

Duas histórias contadas em paralelo, tão diferentes entre si como muitas há na cidade que nunca dorme, Nova York. Quem tem tudo e quem nada tem. A riqueza e a pobreza extremas, a lucidez e a demência, dois caminhos que poderiam nunca se cruzar mas que o destino quis que assim não fosse. Heather é uma adolescente rica e inteligente que não suporta ser mimada pelos pais, Bobby, um ex-presidiário, com tendências homicidas, criado por uma mãe prostituta e alcoólatra. 

O leitor teme e pressente a desgraça. A surpresa final, diferente do espectável, faz deste livro algo de muito especial. Um livro que me deu muito prazer ler.

Terminado em 18 de Maio de 2021

Estrelas: 6*

Sinopse

A família Breakstone vive num idílio de riqueza e status à volta da filha Heather, e tudo parece correr bem: bonita, compassiva e fascinante, ela é a maior bênção da vida de luxo que têm em Manhattan. Mas à medida que Heather cresce – e que o seu brilho atrai cada vez mais um interesse sombrio – a existência perfeita da família começa a fragmentar-se. Quando os novos vizinhos do andar de cima começam as obras de remodelação da penthouse, um estranho instável, criado na pobreza e na violência, invade a segurança das suas vidas confortáveis, ameaçando destruir tudo o que criaram.

Heather, Absolutamente é um romance deslumbrante e tenso que revela na perfeição o olho clínico de Matthew Weiner para as qualidades humanas que unem e separam a sociedade moderna.

Cris

quinta-feira, 27 de maio de 2021

A Convidada escolhe: "Com Preguiça - crónicas"

Com Preguiça  crónicas, Adelino Correia-Pires, (2014-2015)

Acabei de ler as crónicas do meu amigo alfarrabista (não alfarrobista) Adelino Pires. Se ele ler este meu pequeno texto, poderá achar abusivo que o trate por amigo. Afinal, só estive com ele uma vez, no passado Agosto, quando a Helena me convidou a conhecer um sítio e uma pessoa, dizendo à partida, que eu ia gostar muito. E acertou. Fui conhecer o alfarrabista mesmo no coração de Torres Novas e descobrir os tesouros que só um espaço com história e com coração conseguem ter. Fora os livros, os quadros, as colagens, a pessoa que dá vida a todo aquele espaço, sai-se dali com vontade de lá voltar, percebendo-se que há ali tanto para descobrir.

Folheio as crónicas e logo fico presa ao prefácio de Fernando Alves, um dos membros do Clube das Pessoas Raras. Na badana, o autor das crónicas elucida-nos que o conteúdo deste seu primeiro livro surgiu no Jornal Torrejano ao longo de 2014 e 2015 e, sem rodeios, sugere uma leitura pausada e com a possibilidade de se ficar a meio ou de se chegar ao fim. Cheguei ao fim e com muito gosto. À medida que lia uma crónica, tinha vontade de passar à seguinte. 

O livro tem uma apresentação simples e muito cuidada, direi mesmo muito elegante. Embora as crónicas estejam divididas por três grandes grupos, cada qual iniciado por um poema e por uma ilustração de Alexandra Sirgado, há uma unidade e uma coerência que fazem das crónicas um painel de reflexões e de opiniões de alguém que, com extrema sensibilidade e acutilância não receia ser politicamente incorrecto e definitivamente nada neutro. O abandono dos centros históricos e do pequeno comércio local, o privilegiar do comércio em série nos mega espaços comerciais, a preguiça e a incúria dos governantes ávidos de responder às suas clientelas desbaratando o lado genuíno e específico de cada região, o desprezo pelo potencial que há em cada pessoa… surgem ao longo das crónicas com ironia, com grande domínio da linguagem, com trocadilhos, com jogos de palavras que a nossa língua permite a quem a conhece bem e que com ela sabe lidar. Adelino Pires não esquece os seus escritores e pintores de referência, os meninos e jovens que têm passado pela Livraria d’Outro Tempo e nos quais deposita a esperança dum futuro mais justo. Estou com o amigo alfarrabista quando ele diz “que não há futuro nem sustentabilidade sem o paradigma dos afectos.”

Este é um primeiro livro de Adelino Pires, mas percebe-se que ele tem material para muito mais, deixando-nos na esperança, ao falar do seu avô Adelino que nos anos 30 do século passado foi para Moçambique e lá casou, que isso talvez desse um livro… A última crónica passa-se na maternidade no dia em que a neta Maria Benedita nasceu, mas prolonga-se no capítulo dos Testemunhos, todos eles escritos pelos familiares mais próximos. Um livro que respira amor por todos os poros.

Por fim, a capa é linda ou não tivesse sido escolhido um belíssimo prato ratinho tão comum no Ribatejo e na região de Portalegre de onde Adelino Pires é natural. Para quem já visitou a casa-museu de José Régio, teve a possibilidade de aí encontrar uma colecção incrível daqueles pratos usados pelos trabalhadores beirões que sazonalmente asseguravam a ceifa dos cereais. Também na Livraria d’Outro Tempo, para além de preciosidades livrescas, é possível encontrar pratos ratinhos e outras belíssimas peças de artistas anónimos e de pintores de Torres Novas.

2 de Abril de 2021 

Almerinda Bento

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Experiências na Cozinha: "O Livro das Emoções"


Gostamos muito, eu e a Palmira, deste livro da Daniela. Há um exemplar em cada casa porque não é livro para se emprestar por muito tempo... De vez em quando precisamos dele. As receitas não são nada difíceis e há cá todos os ingredientes.

Sabia que havia uma receita com batata doce aos palitos mas que tinha qualquer pozinho de perlim pim pim que fazia a diferença e fui procurá-la. As fotos são belíssimas e, para a encontrar, bastou folhear um pouco. O cor de laranja saltou logo à vista!

Calhou ter aqui batata doce laranja que por acaso não é a minha preferida porque é bastante doce. Com o tempero que elas levam, ficou perfeita e o doce excessivo desapareceu. Foi-se num instante. Éramos dois apenas. Ficaram muito gulosas!

Ora vejam: 






Palmira e Cris