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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A Convidada Escolhe: "À Procura da Manhã Clara"

À Procura da Manhã Clara”, Ana Cristina Silva, 2022

Desde que li pela primeira vez o livro “O Rei do Monte Brasil” de Ana Cristina Silva, nunca mais deixei de acompanhar a sua produção literária. Fascina-me a sua capacidade de caracterização das personagens e o modo como organiza as suas narrativas, conseguindo criar uma empatia perfeita com o leitor.

Em “À Procura da Manhã Clara”, a narrativa é entremeada por cartas de Annie Silva pais, filha do último director da PIDE, dirigidas a diferentes pessoas. Logo no Prólogo, Annie estabelece a diferença entre a mãe que anotava na sua pequena agenda “coisas verdadeiramente ridículas” (pág. 11), e ela que desde sempre escreveu cartas “para exorcizar os sofrimentos de infância” (pág. 12). Amarfanhava-as, deitava-as fora e depois disso era capaz de sorrir. Mais tarde, já adulta, escreveu várias cartas aos pais, aos amores, aos amigos, mas nunca as enviou: “Nessas cartas jogava mais audaciosamente com a verdade e por isso mesmo nunca as enviei.” (pág. 13). Guardou-as numa caixa de sapatos e, ao relê-las, perto da morte, descobriu “quem tinha sido verdadeiramente” (pág. 13). Na última carta, dirigida a Che, Annie escreve “Estas cartas nunca enviadas retratam-me melhor do que todos os discursos por mim proferidos.” (pág. 273).

Annie é uma mulher idealista, apaixonada, com uma profunda ânsia de liberdade que sufoca numa relação de absoluto antagonismo com a mãe e com o regime retrógrado, conservador e opressivo da ditadura. Se o antagonismo entre filha e mãe não lhes dá azo a qualquer laivo de amor filial e maternal, tal não acontece na sua relação com o pai, cheia de sentimentos ambíguos, por estarem ideologicamente em lados opostos. Se a antipatia pela mãe tem a ver com um ideal de vida baseado nas aparências e na futilidade, saber que o pai, que sempre fora o seu herói, é o responsável pelo aparelho repressivo que persegue, tortura e mata, causa-lhe um imenso desgosto.

Portugal é um país triste e pobre, de mulheres sofridas, vestidas de negro, de olhos baixos, subjugadas e submissas. D. Nita, a mãe de Annie, é o símbolo da mulher da elite ligada ao poder, fútil e inclemente, minuciosamente caracterizada na sua vacuidade ao longo do livro, quer nos momentos em que está em alta, quer em situações como quando vai para a prisão ou quando é confrontada com a necessidade de apoiar a filha gravemente doente.

Os sentimentos altruístas e de apego à revolução cubana por parte de Annie, materializados na sua paixão por Che e pelos heróis da Sierra Maestra, no espírito de sacrifício em prol do colectivo e no seu empenhamento profissional nas missões em que participa como tradutora e intérprete, permanecem vivos até ao fim. Os desencontros amorosos, a degradação do rumo político a que aspirava em Portugal e no mundo, a morte do pai, as traições no país que escolheu para viver e a sua doença tornam Annie uma figura trágica e solitária, que a autora tão bem retrata.


Nota: Quando terminei a leitura das quase trezentas páginas do livro, voltei ao princípio e reli todas as cartas que Annie nunca enviou e que guardou na caixa de sapatos.


30 de Setembro de 2022

Almerinda Bento

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

"O Colibri" de Sandro Veronesi

Foi uma peripécia ler este livro. Já vos conto... 

Comecei a ler com o meu e-reader, o Kobo, mas não foi um começo fácil. Apercebi-me que a narrativa saltava no tempo quando mudava de capítulo mas não era um simples "antes e depois". Quase que afirmo que cada capítulo se refere a um ano, umas vezes recuando 10, 4, 2 anos outras avançando 8, 5, 3... Um pouco confuso para quem se quer situar na trama e, muito difícil para quem está a ler no Kobo onde, para mim, o folhear para trás ainda é difícil.

Depois, ao fim de algumas páginas, passei para o livro físico que uma amiga me tinha emprestado. E coloquei para o lado essa tentativa de perceber com clareza em que ano se passava o enredo do momento. Foi o que fiz de melhor! A história começou a entrar, os personagens também, o espaço físico e temporal a ser mais claro. A história passou a fazer sentido!

Marco é oftalmologista. De alguma forma, como lembrou uma amiga, faz recordar o personagem do Stoner. Nada se passa na sua vida e, no entanto, a sua vida possuiu momentos de extrema dureza. A morte acompanha-o sempre e está presente durante a sua vida toda. Quando pretende desistir, alguém depende dele e não o pode fazer. 

É um pilar de força e perseverança, mesmo sem querer. Conhece o amor profundo, de vários tipos até, mas ou não o vive activamente ou o amor é efémero. O final é arrebatador. Comove e aperta o coração. Se na vida real a morte pudesse ser assim...

O título tem tudo a ver com a comparação que fazem deste personagem com esta ave aparentemente frágil. A capa, com o pássaro em relevo, é linda.

Se gostei? Sim, muito. Mas só tive consciência disso a meio do livro quando me desliguei do pormenor das datas e deixei fluir a leitura. Discurso direto que nos aproxima dos personagens e faz-nos sentir em maior grau as suas dores; discurso indireto que nos distancia e permite-nos analisar os acontecimentos com o afastamento necessário para não nos envolvermos demasiado. A passagem de um para outro é feita suavemente, sem que se note. Perfeito. Partes da narrativa são-nos contadas através de cartas, correspondência trocada com o seu irmão e, também, com a mulher que amou a vida inteira sem a ter. Segredos que descortinamos aos poucos porque o autor é comedido a revelar.

Foi uma peripécia ler este livro. Mas, boa. Tão boa! É livro para comprar, ler e voltar a ler um dia. Fiquei de olho no livro anterior deste autor, que mora cá em casa há muito e que creio estar esgotado, "Caos Calmo".

Terminado em: 23 de Setembro de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

«Quando as paixões humanas colidem com as forças para além do controlo humano.»

Marco Carrera é um oftalmologista com uma vida boa e organizada - até que lhe entra pelo consultório um desconhecido, que sabe tudo sobre o seu passado e o avisa de que corre perigo. Além disso, diz-lhe que a sua mulher está a ter um caso extraconjugal e vai ter um filho que não é dele.

Estas revelações desencadeiam um longo fluxo de recordações: da infância e juventude, da família, da primeira mulher na vida dele, de um certo amigo, da irmã mais velha que morreu afogada. A narrativa constrói-se de forma empolgante e original, avançando e retrocedendo entre várias décadas dos séculos XX e XXI. E, em lugar da sequência habitual nas sagas familiares - «trauma, dor, recuperação» - tudo aqui parece acontecer ao mesmo tempo. E está sempre a acontecer. 

Cris

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Para os Mais Pequeninos: "A Ágata Tem Ciúmes"


Muitas vezes as histórias bem simples são aquelas que nos fazem pensar mais e com as quais sentimos empatia. Foi o caso desta! 

A Ágata recebeu a prima em sua casa. Vem para passar uns dias com ela. Vai partilhar a sua escola, os seus amigos, os seus brinquedos e até as atenções dos seus pais. Tudo parece fácil tanto mais que Ágata adora a prima e acha-a o máximo! Mas, então, que coisa estranha é essa que sente no estômago quando vê que Melanie atrai todas as atenções?

Com umas ilustrações atraentes e muito representativas dos sentimentos opostos que abundam nesta história, este livro fala-nos de ciúme e de como através da verdade se pode percebê-lo e aniquilá-lo. Um texto fundamental para que os pequeninos possam perceber que sentimento é esse que muitas vezes possuem quando se sentem preteridos por algo ou alguém.

Gostei muito!


Cris

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

"Boneca de Luxo" de Truman Capote

Nunca tinha lido Truman Capote embora o seu livro mais conhecido, A Sangue Frio, morasse na minha estante há muito. A escolha deu-se porque, este Boneca de Luxo, foi recomendado e escolhido num grupo de leitura a que fui recentemente. Ainda pretendo ler o A Sangue Frio,para poder opinar com mais justiça sobre este autor.

Boneca de Luxo é bastante pequeno, não chegando a ter 100 páginas. Prende rapidamente como se quer num livro destas dimensões. Centra-se na história de uma rapariga, Holly Golightly, que, no tempo em que a história está a ser contada pelo narrador e seu amigo, se encontra em parte incerta. As memórias inundam Fred e ele relata como a conheceu, se tornou seu amigo e se apaixonou por essa rapariga irreverente e mundana de 21 anos, que fugia de todas as convenções da moral burguesa da época. Uma verdadeira corte de apaixonados segue-lhe os passos, abandonando-a quando ela mais precisa.

Holly é uma força da natureza e o seu inconformismo fá-la não desistir nunca. Gostei muito. Não esperem um final. A vida é assim mesmo. Composta por partes, por pessoas que entram e saem.

1958, Nova Iorque. Já na época da Guerra Fria.

Terminado em 11 de Setembro de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

De nariz arrebitado e cabelo despenteado, óculos escuros e acompanhada pelo seu inseparável gato cor de fogo, ela é uma mulher arrebatadora e impulsiva. Com um comportamento nem sempre adequado, as suas festas nocturnas causam o desespero de alguns e o fascínio de outros, mas Holly Golightly é, antes de mais, uma mulher jovem e romântica cujo maior sonho é encontrar um local onde se sinta em casa, um local em que se sinta real, um local em que possa ser ela própria e em que a sua vida possa ser comparada a um pequeno-almoço no Tiffany’s.

Retrato de uma época, esta obra capta o clima inquieto e exuberante da Nova Iorque dos anos 40, quando a incerteza dos tempos de guerra e o fim da Depressão libertaram mentalidades e radicalizaram modos de vida. Obra transposta para o cinema em 1961 Boneca de Luxo (Breakfast at Tiffany’s), com a participação de Audrey Hepburn (a qual foi nomeada para o Óscar de Melhor Actriz) e George Peppard, venceu nesse ano dois Óscares, para Melhor Canção Original e Melhor Banda Sonora, com a inesquecível música de Henri Mancini Moonriver, e é já considerada um clássico do cinema. 

Cris

 

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

"Quarto de Despejo, Diário de uma Favelada" de Carolina Maria de Jesus

Ouvi falar bem neste livro e li-o em ebook na versão brasileira. Creio que há já uma editora que o publicou cá em Portugal. É um diário escrito por uma mulher que viveu numa favela em S. Paulo, Brasil. Foi começado a escrever em 15 Julho de 1955 passando depois para 1958.

São pequenas entradas contando alguns apontamentos diários de sua vida. Carolina vive com os seus três filhos em condições de pobreza extrema. O seu barraco tem chão de terra batida e não tem água. O seu objetivo diário é a sobrevivência dos seus e por isso "cata" papel, ferro e o que consegue aproveitar para vender nas ruas da cidade. A ida para buscar água é diária. Sabe que o seu aspecto é, a maior parte das vezes, imundo e que, fora da favela, a olham com nojo. 

A fome é uma constante. A delinquência, os maus tratos, a violência, os roubos são os seus vizinhos de bairro. A bebida é um paliativo para a maior parte dos seus vizinhos. Bebem para festejar e bebem porque estão tristes. Carolina não bebe e, a maior parte das vezes, é uma mulher alegre, determinada em conseguir um futuro melhor para si e os seus mas as condições em que vive são de tal ordem que se deixa abater em muitas situações para logo se recompor...

Gosta de ler e escreve o que sente e o que vê. Os vizinhos sabem disso e é marginalizada em muitas situações por ser "diferente". Tem uma consciência política da situação vivida no país de então, verdadeiramente fora do que o leitor poderia esperar e escreve porque quer que fiquem a conhecer como vive um favelado e como é difícil prosperar naquelas condições.

Um relato impressionante, algo repetitivo, porque a vida para Carolina são dias e dias de uma luta sem resultados positivos visíveis. E a fome sempre lá.

Terminado a 5 de Setembro de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

«O texto de Carolina é acima de tudo um texto que interroga. Não só a sociedade e a política, mas também a literatura, os processos de tornar-se autor e de manter-se autor, em todo e qualquer lugar no qual o lugar de autor é ainda primordialmente tomado como sinonímia de um tipo muito específico de sujeito - homem, branco. Por essa razão, Quarto de despejo provocou um abalo sísmico no sistema literário; porque foi capaz de traduzir em ato um principio da autora: "na minha opinião escreve quem quer". Em consequência, Carolina abriu os caminhos para que possamos hoje pensar sensibilidade estética e elaboração narrativa como um dever aberto, e não como um a priori restrito a determinadas conjugações sociais, que tornam alguns sujeitos "legítimos" para serem autores e outros não.»

Cris

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

A Convidada Escolhe: Entre Pássaro e Anjo

Entre Pássaro e Anjo”, João de Melo, 1987


Gosto de ler livros que vão saindo, mas não deixo de ir à descoberta de tantos que se foram acumulando numa altura da minha vida em que o tempo de leitura era muitas vezes reduzido e, sobretudo, limitado aos períodos de férias. Faço agora aquilo que me prometi, quando a aposentação parecia uma coisa longínqua. Àqueles que se foram acumulando, juntei os muitos que herdei da minha irmã, leitora compulsiva e muito atenta aos escritores portugueses. Este “Entre Pássaro e Anjo” é um deles.

Quando outro dia na Feira do Livro, enquanto João de Melo me autografava o seu “Livro de Vozes e Sombras”, lhe dizia que estava a terminar “Entre Pássaro e Anjo”, ele fez uma expressão admirada, tanto mais que desde 1987 quando o livro saiu, já produziu mais catorze títulos… “Já está um pouco datado…” disse-me ele. Mas estará mesmo?

Entre Pássaro e Anjo” é um livro de contos. Com a força da presença das mulheres, podem ser “… tão numerosas como todas as mulheres que existem só para nos proteger e salvar” (p. 21), apaixonadas como a adolescente pelo seu professor, ou “viúvas-de-sangue”/ “viúvas-de-padre”/”fêmeas tristes do seu celibato” (p. 148) entre muitas outras designações escolhidas pelo autor para falar das carpideiras no funeral do padre Governo. Da sinopse na contracapa do livro retiro o seguinte: “É bem provável que a figura dominante de “Entre Pássaro e Anjo” seja de facto a mulher, ave pousada na manhã, como de uma delas chega a dizer o autor. E contudo, raras vezes como neste livro se terá ido tão longe na crueldade com que se descreve a ruína do corpo feminino e o velho adormecimento da paixão, o amargo refúgio do homem dentro da realidade autista dos seus sonhos. Voar, diz ainda João de Melo, é a principal vocação de pássaros e anjos. Mas a humanidade está infelizmente sempre pronta a ignorar esse apelo, incluindo as mulheres que não raras vezes se transformam em «mães masculinas» com largo uso de repreensão do próximo…” Ilustro esta ideia com uma citação extraída do conto “A Divina Miséria”: “A gente habitua-se à noite, tanto quanto os pássaros acabam por habituar-se a viver nas gaiolas suspensas das empenas. Se acontece de alguém erradamente os soltar, conhecem apenas a tristeza de umas asas sem préstimo. Perderam o sentido da orientação. Não sabem que as árvores servem para nelas pousarem. Remam no ar, contra o vento, embatem em obstáculos súbitos e inevitáveis. Desconhecem um mundo e recusam-se a aprendê-lo de novo. Cheios do tédio do infinito, permanecem atónitos e dificilmente escapam às doenças que existem só nos desertos. Se os não voltam a fechar nas gaiolas, morrem facilmente, perdidos da alegria. E já não têm idade. E nada sabem a respeito dos outros pássaros de voo largo e horizontal que, sendo livres, pousam tão devagar na alegria. Até medo lhes ganham. Afigura-se-lhes que os objectos que eles se tinham habituado a olhar à distância, por detrás da sua prisão de canas fictícias, estão agora para os devorar.” (p. 157)

Um livro muito político, com mensagens fortes, gritos contra a opressão, os opressores, sejam eles a Igreja, o poder instituído, a ditadura, a guerra, uma relação de casal que morreu e que não é mais que uma rotina. Podia ser qualquer país a viver sob ditadura, mas sente-se Portugal naquelas linhas, seja pela referência ao horror da guerra em África no conto “As Manhãs Rosadas”, ou nas alusões a um país entorpecido pelo sol e pela preguiça, que vive das glórias passadas, subjugado pelos americanos e esmagado pela dívida externa à espera de um homem providencial para as finanças como antes esperara por um ditador, um país sem futuro eternamente à espera de D. Sebastião em “Postumografia de Pedro-o-Homem”. “A Divina Miséria”, que decorre numa Ilha açoriana, parte da morte e do funeral do padre Governo para fazer uma crítica arrasadora à Igreja e ao seu poder. ”A dinastia dos padres era uma sucessão infame cujo único objectivo era perpetuar a mudez e a pobreza dos pobres. Sabe como? Dividiam o poder entre compadres, um braço armado na rua, outro braço na sacristia, e eles sempre na sombra, a fingirem-se, a darem-se ares de boas pessoas. Depois, vinham os ideólogos eclesiásticos, escreviam, propagandeavam que a pacificação do Rozário e do mundo era obra da Igreja e só dela.” (ps. 145 e 146) No entanto, a oposição e a hipótese de uma revolução é abortada com o desembarque dos marines americanos…

João de Melo não deixou de reflectir neste seu livro de contos também a sua experiência enquanto professor e escritor. A sala de professores num primeiro dia de aulas de Outubro, por onde desfilam “os animais docentes” descritos de uma forma tão divertida e real, na sua imensa diversidade, no conto com o mesmo nome. O professor, que partilha a viagem de autocarro para a escola com os seus alunos, que “pensara ao princípio que a sua presença salvaria o ensino do seu país” até que descobriu que “os autores vivos e os mais novos deles não estavam nos programas, quis pôr-se a berrar. Estava no país dos mortos, no país dos génios absolutos e indiscutíveis, só porque tinham morrido. Não valia a pena berrar. O país recusara-se a chegar ao século vinte!” (p. 117). “O Solar dos Mágicos”, último conto do livro, é uma sessão de lançamento e homenagem a um livro que ganhou um prémio literário; um logro, afinal. Não passa de um livro em branco. Mais uma sessão mundana, de gente que quer ser vista, que aproveita para comer e beber, que se quer abeirar de ministros e deputados. Um país com um ministro da Cultura, mas que não tem cultura.

Acho que é um livro cheio de ironia. Sem papas na língua. Muito crítico e, direi eu, actual e intemporal.

12 de Setembro de 2022

Almerinda Bento

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

"Os Vampiros" de Filipe Melo e Juan Cavia

Depois de ter lido A Balada Para Sophie (opinião aqui) fiquei fã da dupla, Filipe Melo e Juan Cavia. Gostei mesmo muito da história e das ilustrações. Achei que havia um casamento perfeito e, espero não me enganar, estou a vê-los bem velhinhos ainda a oferecerem-nos história deliciosas, que encantam sobremaneira o leitor.

Foi uma amiga livrólica que me emprestou este "Os Vampiros" e, tanto pela opinião dela como pelo que já referi sobre os autores, confiei. Sabia que ia gostar. 

Suponho que para fazer jus ao título, a mancha lateral de cada página é preta. As ilustrações, maravilhosas. Apetece parar para melhor apreciar mas, ao mesmo tempo, somos impelidos a avançar pela trama em si. Castanhos, verdes e pretos imperam numa belíssima mancha que tem tudo menos de aborrecido!

Fui para esta leitura às cegas, sem saber do que tratava. O tema é pesado e as explicações que surgem nas ultimas páginas podem ser lidas no início, se preferirem saber ao que vão. O livro conta-nos uma história ficcionada de um grupo de forças especiais do exercito português que se encontra no palco da guerra colonial, mais propriamente na província ultramarina da Guiné, cuja luta armada só teve início em 1963. Note-se que em 1961 começaram as revoltas em Angola que se estenderam para Moçambique e Guiné. Muitas missões especiais ficaram por contar porque eram efetuadas no maior sigilo.

Uma explicação socio-geográfica ajuda a perceber melhor este palco que foi a guerra na Guiné. As condições difíceis do terreno - florestas pantanosas, savana densa, marés que as inundam por completo- e o facto do Exército não estar preparado para suportar esse clima, tornava qualquer missão arriscada e perigosa.

Esta história retrata uma possível missão ao Senegal, território vizinho, onde estariam aquartelados os rebeldes (PAIGC). Qualquer incursão ao país vizinho poderia causar um incidente diplomático pelo que estas missões eram mantidas em profundo segredo.

Uma graphic novel para reler. Uma compra a efetuar na Feira do Livro do próximo ano! 

Terminado em 3 de Setembro de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

Guiné, Dezembro de 1972.
Em plena guerra colonial, um grupo de soldados portugueses é destacado para uma operação secreta no Senegal. Porém, à medida que vão sendo consumidos pela paranóia e pelo cansaço, esta missão aparentemente simples vai transformar‑se num verdadeiro pesadelo.
Embrenhados na selva, estes homens terão de confrontar sucessivos demónios – os da guerra e os que trouxeram consigo.

Cris

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Resultado do Passatempo Mensal "Toca a Comentar"

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Agosto.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionado uma vencedora! Foi ela:

"Os Olhares da Gracinha"

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 25, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros: 


Cris

domingo, 11 de setembro de 2022

Para os Mais Pequeninos: "Carta aos Líderes do Mundo"


Este livro é obrigatório! Quando se tem muito a dizer e se quer fazê-lo correctamente, as palavras parecem poucas e pequeninas...

A Sofia tem 12 anos. E já vê perfeitamente o quão de errado estamos a tratar o planeta e o quão urgente é preciso mudar. Infelizmente parece-lhe que o que se está a fazer não chega! O planeta tem uma doença pulmonar e até cardíaca!!!

Os pulmões da terra estão doentes com gravidade. Já todos ouvimos falar disso. Que fazemos individualmente ou em pequenos e grandes grupos? E o coração? Onde estão os valores da solidariedade, da justiça e do amor entre todos?

Afinal, ainda há gente que pensa que é dono do planeta Terra?

Começando pelas ilustrações: são tão, mas tão bonitas! E muito representativas da mensagem que se quer passar! As cores foram escolhidas na perfeição. A primeira imagem é impactante e temos logo uma visão de como as seguintes serão bonitas! Os líderes estão representados pelas cores escuras,  em preto e cinzentos. O restante livro é cheio de cores alegres e fortes.

Quanto à mensagem... que dizer mais? Transmitir estes ensinamentos às nossas crianças é muito importante. Mas, e nós, adultos? Que fazemos? Já começámos por algum lado, individualmente, a fazer alguma coisa para poupar os recursos desta nossa casa que é a TERRA?






Cris