Gosta deste blog? Então siga-me...

Também estamos no Facebook e Twitter

terça-feira, 5 de julho de 2022

Para os Mais Pequeninos: "A Minha Voz É Linda"


Linda mesmo é a mensagem que este livro quer transmitir! Apanhou-me de surpresa o que nestes livros infantis é sempre uma mais valia porque, mal o livro começa  nós, adultos, sabemos geralmente para onde ele nos quer levar...

Primeiro, quero sublinhar o papel dos professores que está subjacente nesta história para detectar diferenças e fazer com que todos os alunos as aceitem com normalidade. Depois, o facto de terem um papel primordial na confiança e na auto-estima dos miúdos, que se quer sempre num crescente.

A timidez de quem não fala porque o medo é maior, a descoberta da sua força interior porque alguém confia nele e a força que as palavras e a poesia podem ter.

A minha voz é linda, um belo título, como bela pode ser a descoberta de todo um mundo que a timidez não deixa viver. Adorei esta história!

 

Cris


segunda-feira, 4 de julho de 2022

"Não Ponhas Um Ponto Final Onde Deus Pôs uma Vírgula" de Shiva Ryu

Todos sabemos (excepto quem lê) que os livros nos marcam de formas diferentes.
Este foi-me oferecido num encontro organizado pela Bertrand onde falaram um pouco dos livros mais recentes das diferentes chancelas dessa editora. Não teria pegado nele se não fosse isso e, depois, reparei logo no título. A curiosidade levou a melhor. Li-o e ofereci-o a uma amiga de quem gosto muito.

Podem substituir a palavra "Deus" por "Vida" ou o que preferirem. O que é certo é que todos nós já vivemos ou passámos por um obstáculo que nos parece intransponível e que nos deita abaixo. A forma como o enfrentamos vai definir o que sentimos em relação a ele. Mais tarde, reparamos que esse obstáculo, muitas vezes, passou a ser o trampolim para outras experiências mais ricas e melhores. 

Já sabemos isso. No fundo de nós, reconhecemos a verdade nessas palavras porque já as vivenciámos. Se não em tudo, para muitas coisas que nos acontecem. Se aprendi alguma coisa com este livro? Não. Se valeu a pena? Sim!  Muitas vezes esquecemo-nos das coisas simples, creio. Faz-nos bem repensarmos o que temos como certo. Se este livro me fez bem e me fez pensar? SIM.

Terminado em 4 de Junho de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

Com a sua linguagem maravilhosamente poética, Shiva Ryu, poeta e viajante espiritual, leva-nos a um mundo povoado de beleza e sabedoria. Não Ponhas Um Ponto Final Onde Deus Pôs Uma Vírgula nasce das respostas que o autor obteve a uma pergunta fundamental: o que é que a vida me está a tentar dizer?

Por vezes, a vida pode levar-nos por um caminho que não faz parte dos nossos planos, mas que é precisamente o caminho pelo qual o nosso coração anseia - mesmo que o nosso cérebro não o veja assim.
Recorrendo a parábolas das mais diversas tradições espirituais, a alegorias filosóficas e a histórias da literatura mundial, Shiva Ryu leva-nos a deambular pela demanda do sentido e da beleza da existência, num desafio a reconhecer a riqueza sem limites do momento presente a da dimensão do espírito. 

Cris

sexta-feira, 17 de junho de 2022

A Convidada escolhe: "Volta ao Mundo em Vinte Dias e Meio"

 Volta ao Mundo em Vinte Dias e Meio, Julieta Monginho, 2021

O terceiro livro que leio da autora e sempre a surpreender-me. O Rijksmuseum em Amsterdão que nunca visitei é central neste romance. Aliás, desta cidade, apenas conheci o aeroporto e o seu parque exterior com milhares de bicicletas estacionadas. Para me/nos orientar neste museu e nos seus quadros, em apêndice no final do livro, a autora faz-lhes uma referência. Tal como fiz em “O Nervo Ótico” de Maria Gaínza, procurei-os no Google e assim fiz uma “viagem” à distância, com toda a diferença que é estar na presença das obras.

Este livro é também uma viagem no espaço e no tempo em torno de várias personagens que ora vivem juntas, ora se afastam, que brigam, se reconciliam, que estão permanentemente em fuga, ou querem empreender uma fuga que lhes permita viver em harmonia. Este livro é um puzzle, uma construção de um lego que nos permite seguir pistas, para não nos perdermos. E se de vez em quando precisarmos de voltar atrás para encontrar os detalhes, as pedras, as chaves para abrir as portas deste dilúvio, o importante é que no fim compreendamos que, quaisquer que sejam as dificuldades da vida e do mundo que nos rodeia, o nosso movimento é sempre para nos salvarmos, para alcançarmos a felicidade.

A capa não podia ser mais apropriada. Um jovem louro, de mochila às costas, observa atentamente “A Ronda da Noite” de Rembrandt. A sinopse, na contracapa, que geralmente dispenso, é sintética e perfeita. Leo, que está sempre a desabafar connosco, leitores, tem uma relação muito forte com alguns dos quadros do museu, que visita assiduamente. Mário, o pai de Leo é segurança no museu e Leo encontra nesses quadros e nas suas figuras “a família” que não tem em casa. Primeiro as discussões, os gritos e depois as cenas são-lhe insuportáveis. “As Figuras dentro dos quadros, acolhiam-no como uma grande família, unida para sempre” (pág. 14), algo que nem Mário, nem Nina a mãe, nem Mart, o escritor companheiro do pai lhe conseguiam dar. A saída seria a fuga em que criasse uma máscara que fosse a síntese de detalhes de cada um dos quadros, mas “sem sorriso algum” (pág. 95). O grande problema era não poder levar o Cão Puck. Leo estabelece um pacto de silêncio com o leitor/a, a quem pede ideias, sugestões e a quem confia o seu plano de fuga.

Anos antes, Mário vira-se forçado a abandonar o Alentejo, quando o pai e os companheiros da venda, “o peso de uma voz em fúria e o peso das vozes masculinas, unidas pelo escárnio, enfim reconciliadas” (pág. 78) o tinham expulsado “repelindo essa nódoa de virilidade” (pág.66). Agora, depois de expulso do museu, por não ter conseguido reprimir a sua fúria, reencontra-se com a velha mãe perdida no seu mundo, mas com lampejos de memórias, para a salvar do dilúvio. Quem resgatar? O que resgatar? “Depois de enrouquecer, sem resposta do filho, Mário abandonou-se a um canto do barco. As lágrimas da vida inteira corriam de uma só vez, rendidas à inutilidade da coragem, à ineficácia das fugas sucessivas. Não existem regressos nem reencontros, pensava ele. Todos os passos vãos, menos os que se encaminham para o fim.” (pág. 131).

Quando cheguei ao fim deste livro, percebi que numa segunda, terceira leitura iria certamente descobrir outros sentidos, mas foram o sentido da fuga e da luta pela felicidade as marcas que senti mais fortes, neste mais recente livro de Julieta Monginho, autora com diversos prémios ao longo duma carreira literária com mais de vinte e cinco anos.

Maio 2022

Almerinda Bento

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Para os Mais Pequeninos: " Se Quiseres Voar" de Julie Fogliano


Se quiseres voar, do que precisas? Sabes que estamos aqui? Que te damos tudo?

São estas as palavras de incentivo que estão subjacentes a este livro com um texto simples e imagens apelativas para que a criança ao lê-las se sinta segura para explorar novos mundos e desejar tudo. Deixar o ninho com segurança, sabendo que podem regressar sempre que quiserem. 

Esta é a mensagem que todas as crianças deviam receber para que, quando fossem adultas, soubessem sempre que o "ninho" continua lá sempre que preciso for.

Atentem nas imagens simples mas tão cheias de significado:

 
 

Cris


segunda-feira, 13 de junho de 2022

"Uma Noite Não São Dias" de Mário Zambujal

Já perdi a conta aos livros que li de Mário Zambujal. De quando em vez lá estou eu a pegar numa obra sua. Espero sempre encontrar um personagem tipo, muito comum nos seus livros, aquele "tuga" espertalhão que pensa que sabe mais do que os outros, às vezes reguila, com trejeitos próprios. Aqui, não encontrei esse personagem tão característico e tive pena, é certo.

Muito própria é, sem dúvida alguma, a escrita deste autor. Peculiar, diria. Adoro quando escreve aportuguesando palavras estrangeiras! Assim, palavras como, "fait divers", "zapping", "T2", "Kitchenet" passam a "fédiver", "zépingue", "tê-dois", "quitechenete". Palavras essas que o nosso cérebro não reconhece à primeira mas que depois merecem o nosso sorriso.

Uma sociedade num futuro não muito longe, 2044, muito acéptica, organizada mas saudosista, é o que vamos encontrar nestas páginas. Um trio que se envolve, um desfecho inesperado. E muito humor, sempre o humor fino que já reconheço tão bem nesta escrita de Mário Zambujal.

Pergunto-me: ele será assim "cá fora"?

Terminado em 3 de Junho de 2022

Estrelas: 4*

Sinopse

Em linha com os livros Cafuné e Crónica dos Bons Malandros ambos assentes na ironia e em histórias cheias de pormenores imensamente cómicos.

"Uma Noite Não São Dias" é um romance pleno de humor e criatividade a que se junta a prosa escorreita tão característica do autor mais querido de Portugal. 

Cris

sexta-feira, 10 de junho de 2022

"O Neto do Homem Mais Sábio" de Tomás Guerrero (GN)

Este ano vou ler mais algumas obras de Saramago. Só li "O Ensaio Sobre a Cegueira", que adorei, mas as minhas tentativas de ler mais alguma coisa dele não surtiram efeito. Aconselharam-me o Claraboia e queria ainda este mês começá-lo.

Fiquei maravilhada com esta graphic novel.  Com prefácio de Valter Hugo Mãe, esta obra merece todo o reconhecimento que lhe puderem dar. Introduz-nos à vida e obra de Saramago de uma forma cheia de imaginação e bom gosto. Pouco sabia da vida deste Nobel e, desta forma tão original, fiquei a par dos aspectos mais relevantes da vida de Saramago.

É numa conversa entre José Meirinho, avô do escritor, com um heterónimo de Fernando Pessoa, Ricardo Reis (também personagem do seu livro "O Ano da Morte de Ricardo Reis") que somos postos ao corrente dos aspectos da vida do escritor. 

As ilustrações são quase todas monocromáticas excepto nalguns apontamentos, como por exemplo, nas capas das obras de Saramago em que uma cor forte foi escolhida. E são belas porque nos obrigam a olhar para os múltiplos detalhes que contêm.

Uma obra para reler pois o olhar será outro certamente. Mais completo, mais atento. Mais pormenores apanharei de certeza porque os traços de Tomás Guerrero contêm múltiplos detalhes, enchendo as páginas muitas vezes por completo, deixando para segundo plano a palavra/escrita/conversa entre o avô de Saramago e Ricardo Reis. Avô esse que, para o escritor, era tão somente um sábio que não sabia ler nem escrever! Daí o título.

Terminado em 2 de Junho de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

“O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever”. Assim iniciava José Saramago o seu discurso diante da Academia Sueca, por ocasião da atribuição do Prémio Nobel da Literatura, em 1998, referindo-se ao seu avô, Jerónimo Melrinho.

E é precisamente o avô Jerónimo quem, em conversa com Ricardo Reis, o heterónimo do poeta Fernando Pessoa que Saramago converteu em personagem no romance “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, guia o leitor pela vida e a obra de Saramago, desde a infância na Azinhaga do Ribatejo até aos seus últimos dias na ilha de Lanzarote.

Uma viagem tão bem documentada como fascinante, que é também uma bela homenagem à literatura portuguesa, através de dois dos seus maiores nomes: Pessoa e Saramago.

“Soube sempre que me comoveria uma e outra vez com Saramago para o resto da vida. Assim, agora. De modo surpreendente, através de um livro que, não sendo imediatamente dele, mo traz numa lisura admirável. (...)

Tomás Guerrero expõe-no porque o entendeu. Este livro é brilhante. É íntimo, delicado, brilhante. Com ele, Saramago continua a nascer.” 

Cris

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Resultado do Passatempo Mensal "Toca a Comentar"

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Maio.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionado uma vencedora! Foi ela:

Ana Machado

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 25, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros:



Cris

quarta-feira, 8 de junho de 2022

"A Colónia de Férias" de Manuela Piemonte

Mais um livro baseado numa história verídica da História que envergonha o
Homem. Certamente uma história conhecida por poucos.

Benito Mussolini, o Duce como era conhecido, tornou-se primeiro-ministro de Itália em 1922 e manteve-se aí até 1943. O Partido Nacional Fachista foi exímio em retirar quaisquer liberdades existentes e estabeleceu uma ditadura totalitária. É conhecido como tendo sido o fundador do fachismo. Em 1940, entra na II Guerra ao lado dos alemães a quem considerava os futuros vencedores de uma guerra que, segundo ele, terminaria em breve. 

E é neste espaço temporal que esta história nasce. Por ordem de Mussulini, treze mil crianças da Líbia, que era então uma colónia de Itália, são levadas para colónias de férias em Itália. Essas férias prolongam-se por mais tempo que o estipulado e ficam cativas da guerra. O regime imposto, cheio de regras e trabalhos a realizar, e mais tarde a fome que esses tempos trouxeram, fazem com que essas férias se tornassem um pesadelo. O pós-guerra não trouxe o lar que muitas esperavam. Muitas, quando a guerra acabou foram levadas para campos de refugiados e nem sabiam sequer quais os seus apelidos, nomes da terra natal, nomes dos pais, o que tornava difícil o reencontro. 

As irmãs desta história ficcionada a partir desse facto verídico possuem 5, 7 e 9 anos. Margherita, Ângela e Sara, respectivamente. Só Sara deseja ir de férias. Uma história muito fácil de prender a atenção e fragilizar o coração. As "organizadas", como eram chamadas, viviam num terror de regras e trabalhos. A guerra passar-lhes-ia muito ao lado, não fosse a fome e algumas notícias que apanhavam aqui e ali, muitas vezes perguntavam-se se a sua mãe ainda se lembraria delas e, mais  tarde, a mais pequena poucas lembranças tinha dela. 

Gostei muito de ler pela escrita despretensiosa mas emotiva e, sobretudo, pelo fundo verídico em que se baseia a história.

Terminado em 30 de Maio de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

Três irmãs reféns da guerra, unidas pelo desejo de regressarem a casa: Sara, Angela e Margherita crescem numa família feliz na Líbia, então uma possessão italiana.
No início de 1940, por ordem de Mussolini, as três irmãs, juntamente com outras treze mil crianças da Líbia, são levadas a conhecer a Itália durante as férias de verão e embarcam cheias de expectativas. Mas com o início da guerra, as férias de três meses transformam-se num interminável cativeiro: as irmãs acabam num campo para jovens fascistas, obrigadas a crescer num mundo sem pais, onde reinam a disciplina de ferro e o terror, obedecendo aos ditames da propaganda de Mussolini. Quando o desejo de regressar a casa se torna insuportável, as três irmãs só veem uma saída: fugirem juntas, pondo em risco a própria vida...

Cris

quarta-feira, 1 de junho de 2022

"As Pessoas Invisíveis" de José Carlos Barros

A nota do autor, logo no início das primeiras páginas, faz referência a um massacre em S. Tomé e Príncipe, em Fevereiro de 1953, do qual  nunca tinha ouvido falar. Se calhar nem vocês... O massacre de Batepá. Pela conversa boa a que tive o privilégio de assistir num grupo de leitura da Leya, o autor estava também entre aqueles que não tinham conhecimento de tal barbárie.

Se quiserem saber um pouco mais pesquisem aqui (wikipedia/link). Os mortos, estimados entre 200 a 1000 pessoas, foram sujeitos a torturas elétricas e afogamentos cometidos pelas tropas coloniais portuguesas. Na tentativa de reprimir o povo africano de uma suposta conspiração contra os portugueses, o Governador Geral de então desencadeou uma repressão que teve lugar nesse massacre. Na base e como principal motivo, estava o desejo de angariar mão de obra barata por parte do Governador e latifundiários. Este massacre pode ter sido o ponto de partida desta história mas não pretendeu relatá-lo amiúde. 

A escrita do autor é deliciosa. Apetece ler em voz alta para a podermos saborear melhor. Os sons e os cheiros da trama, os trejeitos da linguagem, a originalidade.

Dois espaços temporais diferentes habitam neste romance. Um,  numa aldeia portuguesa, outro, em S. Tomé. Xavier Sarmiento pertence aos dois. Com um comportamento antagónico, Xavier parece possuir em si duas personalidades diferentes que se  apoderam dele consoante os diferentes espaços. O bom e o mau. Em ambos, um sentimento de pertença mesclado de incerteza. Em Portugal ele cura, em África, mata. 

O final deste livro é polémico para quem já o leu. Confesso que queria mais. Mas, nao dou de todo o tempo perdido, antes pelo contrário! Já há muito que não lia nada assim tão espantosamente bem escrito. Com uma cadência única. Prémio Leya bem atribuído.

Terminado em 28 de Maio de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

Em 1980, é encontrado em Berlim um caderno que relata a descoberta, em terras portuguesas, de uma jazida de ouro, segredo que levará o leitor aos anos da Segunda Guerra Mundial, à exploração de volfrâmio e à improvável amizade de um engenheiro alemão com o jovem Xavier Sarmiento, que descobre ter o dom de curar e se fascina com a ideia de Poder. É a sua história, de curandeiro e mágico a temido chefe das milícias, que acompanharemos ao longo do romance, assistindo às suas curas e milagres, bem como aos amores clandestinos e à fuga intempestiva para África.
Percorrendo episódios da vida portuguesa ao longo de cinco décadas – das movimentações na raia transmontana durante a Guerra Civil de Espanha à morte de Francisco Sá Carneiro –, As Pessoas Invisíveis é também a revisitação de um dos eventos mais trágicos e menos conhecidos da nossa História colonial: o massacre de um grande número de nativos forros, mostrando como o fim legal da escravatura precedeu, em muitas dezenas de anos, a sua efectiva abolição.
Entre realismo e magia, Poder e invisibilidade, ignomínia e sobressalto, o presente romance, de uma maturidade literária exemplar, foi o vencedor do Prémio LeYa em 2021. 

Cris

segunda-feira, 30 de maio de 2022

"A Ilha Das Árvores Desaparecidas" de Elif Shafak

Não posso dizer que fiquei presa a este livro logo nas primeiras páginas. Primeiro tive de entender quais as personagens que nele habitavam. Mas vindo desta autora, de que gosto muito, sabia que a trama seria, no mínimo, inesperada! Adoro isso nela. Nada é previsível pois ela é de uma imaginação surpreendente. E garanto-vos que esse aspecto vai até ao final!

Findas umas... quê? 10, 20 páginas, entrei verdadeiramente na história, ou melhor, a história foi entrando em mim. Há uma personagem que mais não é que uma testemunha silenciosa de tudo o que acontece na ilha de Chipre, lugar onde se situa a trama, e que me fascinou pela sua originalidade. Testemunha dos aspectos da História de Chipre, que desconhecia na sua maior parte, mas também testemunha da história de amor que é descrita. Para além de ser através dessa personagem tão peculiar, uma figueira, que vamos ficando a conhecer aspectos da natureza específicos dessa ilha, enriquecedores e muito interessantes, que denotam um profundo respeito pela mãe natureza. Essa personagem tão sui generis, com os seus sentimentos humanos, não pára de nos surpreender. Até ao final.

As tensões entre cipriotas turcos e gregos estão bem retratadas e o amor e o ódio andam a par, como muitas vezes acontece, infelizmente, entre povos irmãos. Uma realidade que conhecia ao de leve e que consegui, se não aceitar, pelos menos compreender as suas origens.

Terminei com vontade de reler o último capítulo e foi o que fiz antes de vos deixar aqui a minha opinião. E voltei ao princípio também, às primeiras páginas. Porque eu, quando começo a ler um livro fico algo dispersa até ele me conquistar por completo. Então, as primeiras e as últimas páginas tiveram um gostinho e um entendimento muito especial. Se vos apetecer façam o mesmo! Reler, por vezes, enriquece. 

Se vos recomendo esta leitura? Evidentemente! E já agora leiam também o último livro que li dela, "10 Minutos e 38 Segundos Neste Mundo Estranho". A minha opinião aqui. Para além da originalidade fabulosa de que é detentora, Elif Shafak aborda temas muito pertinentes e, garanto-vos, vão aprender e apreender costumes, lugares diferentes dos vossos.

Terminado em 20 de Maio de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

Estamos na ilha de Chipre e corre o ano de 1974. Dois adolescentes, de dois lados opostos de uma terra dividida, encontram-se numa taverna. Aquele lugar, na cidade a que chamam casa, é o único em que Kostas, grego e cristão, e Defne, turca e muçulmana, se podem encontrar secretamente e esquecer, por breves instantes, os problemas do mundo lá fora. 

Naquele refúgio, bem ao centro, despontando por entre as telhas, cresce uma figueira. É ela que testemunha tudo: os silêncios e as confissões; a felicidade dos encontros e a melancolia das partidas; o início da guerra civil e a destruição da cidade - e a separação de Kostas e Defne.

Passam vários anos. Estamos agora em Londres. Ada nunca conheceu a ilha onde nasceram os seus pais e tem muitas perguntas sem resposta. A história da família está envolta em segredos, palavras proibidas e ruturas. A única coisa que a liga à terra da mãe e do pai é a Ficus carica que cresce no jardim de sua casa.

Esta é a história de um amor proibido, num cenário de raiva e violência que tudo quer destruir à sua volta, mas é também a história que dá voz às gerações passadas, tantas vezes silenciadas pelos conflitos. Profundamente humanas, plenas de falhas, dúvidas, generosidade e contradições, as personagens de Elif Shafak emergem de uma escrita arrebatadora, numa mistura de sonho, dor, imaginação e amor.

Cris

segunda-feira, 23 de maio de 2022

"Uma Vida Entre Marés" de José Rodrigues

Não me lembro de ter lido nenhum dos anteriores livros deste autor muito embora conheça bem as suas capas porque gostei muito do facto de serem a preto e branco, característica que lhes deu um toque muito especial, a meu ver. Daí que, sou sincera, esta capa não me encheu as medidas. Gostaria que tivesse seguido a orientação das outras mas a editora lá terá as suas razões... provavelmente o público a quem é dirigido este romance ficará mais atraído por uma capa mais colorida. Confesso que achei as outras mais sóbrias.

Mas voltando ao que interessa que é precisamente o conteúdo, não é? 

Sofia criou a filha sózinha. Um passado duro liga-a ao pai dessa menina que ama mais que a sua vida. Quando esse pai reaparece e tenta reaproximar-se, Sofia luta para que a filha, sem a desilusão que teme acontecer, se aproxime e se ligue a um pai que desconhece. Só o amor verdadeiro a um filho consegue fazer ultrapassar o ciúme que sente ao ver a menina a aproximar-se e a gostar cada vez mais dele! Perguntei-me muitas vezes, durante esta leitura, se teria sido a atitude mais acertada o facto da mãe ter escondido sempre o passado tumultuoso e grave por que passou. Não creio! Conforme as idades, as crianças estão prontas a receber a informação necessária e a processá-la. 

Romance com uma escrita escorreita e que se lê muito rapidamente. Embora a temática possa parecer dura é um romance leve, algo previsível no seu final. Sentimos que vai dar tudo certo depois da tempestade. Considero-o um livro perfeito para uma ida à praia numa tarde de calor.

Terminado em 8 de Maio de 2022

Estrelas: 4 -

Sinopse

Num quotidiano sem sobressaltos, Sofia divide o seu tempo entre a vida profissional e a dedicação a Leonor, a filha adolescente. Quando Edgar, ex-marido de Sofia e pai de Leonor, reaparece determinado a reconquistar o coração da filha, regressam também os fantasmas do passado, marcados pelo vício do jogo e pela consequente perda de tudo o que Sofia herdara dos pais. Entre o passado feliz vivido à beira-mar e o presente que ameaça a paz entretanto reencontrada, Sofia depara-se com uma nova e dolorosa luta pela felicidade. No momento em que as forças ameaçam faltar, o mar parece querer devolver-lhe o mundo perfeito da sua juventude, quando a amizade e o amor se uniam de forma intensa, muito antes da chegada de Edgar à sua vida…

Um romance comovente, ilustrado pela inspiração fotográfica de Sara Augusto.

Cris