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segunda-feira, 15 de junho de 2015

"Um Anjo Impuro" de Henning Mankell

Uma história que decorre maioritariamente na antiga Lourenço Marques mas que tem a sua origem na Suécia. Estamos por volta de mil novecentos e pouco. Henning Mankell conta-nos a história de Anna, uma rapariga que por circunstâncias várias na sua vida se põe a caminho em busca de trabalho e chega a África. Um retrato fiel do que poderia ser a vida nesse continente, com duas culturas tão diferentes, uma dominadora e muitas vezes cruel, a outra, oprimida e mesmo assim cheia de vida e alegre.

Hanna procura trabalho mas, sobretudo, um sentido para a sua vida. Qual é o seu lugar? Onde pertence? Que laços a unem aos que a rodeiam? E, o mais importante, como agir?

Habilmente, Henning Mankel transporta-nos para outra época onde culturas diferentes se confrontam e, paralelamente, nos confrontam com uma realidade que não é a nossa. O ódio está lá, em cada olhar, em cada silêncio, esperando uma oportunidade para agir. De ambas as partes, de ambas as culturas. Hanna aprende, apreende e faz escolhas. Será Hanna Branca ou Hanna Preta?

Saber que nessa época existiu esta mulher, mas que pouco se sabe dela em concreto, fez-me admirar a imaginação deste autor pois com tão pouco, muito fez.

Um final imprevisível. Gostei muito.


Terminado em 13 de Junho de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

Para fugir à miséria que avassalou os campos da Suécia em 1904, Hanna Lundmark, arranja um trabalho de cozinheira num navio com destino à Austrália. Após uma paragem no porto de Lourenço Marques, Hanna toma a ousada decisão de abandonar o barco e começar uma vida nova na cidade.
Após uma série de acontecimentos que fazem dela a mais bem-sucedida proprietária do bordel mais famoso de Lourenço Marques, Hanna está determinada a tentar alterar as mentalidades que caracterizavam a sociedade branca moçambicana nos princípios do século XX. Porém, a sombra do racismo que paira sobre brancos e negros é de tal forma densa que só pode conduzir à tragédia e à morte.


Para mais informações sobre o livro ver Editorial Presença aqui!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

"Tea Bag, o Sorriso da Esperança" de Henning Mankell

Não gosto de reconhecer mas foi a capa que primeiro me atraiu neste livro. Com a sinopse visualisei o conteúdo... Estava enganada, porém.

Esta obra começa por nos contar a história de um escritor/poeta que, numa crise de inspiração e, também, de vendas do seu último livro procura um novo tema para uma nova história. Confesso que a sua personalidade me surpreendeu pela negativa e o achei irritantemente inseguro, demonstrando ser algo amorfo. Com a introdução de três personagens femininas, todas elas refugiadas imigrantes ilegais, a história ganha um novo fôlego e o personagem principal cresce e desenvolve-se em redor das suas histórias. Talvez o autor quisesse precisamente dar o enfoque maior a essas histórias que no final descobrimos terem um fundo de verdade que nos desconcerta...

Muitas vezes é com um humor muito próprio que nos inteiramos de histórias pessoais de um horror surpreendente. Um grito e um desejo de liberdade face a uma sociedade que muitas vezes prefere não ouvir falar. Histórias de imigrantes de várias partes do mundo que ferem e magoam de tão tristes que são e do seu desejo profundo de liberdade. Liberdade que, mesmo depois de chegados ao país de sonho, é difícil de alcançar. Saber em que condições vivem alguns imigrantes ilegais foi, decerto, o intuito de Henning Mankell.


Foi amplamente conseguido.


Terminado em 5 de Maio de 2014

Estrelas: 4*+

Sinopse


Jesper Humlin é um conceituado poeta sueco que está a passar por uma fase algo caótica da sua vida pessoal e, para cúmulo, o seu editor, intima-o a escrever um policial, género que o poeta despreza. Um dia, Jesper vai dar uma série de palestras na zona de Gotemburgo e entra em contacto com uma comunidade de imigrantes ilegais. Mas são três jovens, em particular, que o irão marcar profundamente e inspirá-lo para uma nova aventura literária - Tea-Bag, uma refugiada nigeriana, Leila, oriunda do Irão, e Tania, uma jovem da Europa de Leste. Cada uma delas traz consigo uma história de vida, a fuga à opressão e o anseio pela liberdade, uma voz que deseja ser ouvida e que faz nascer em Jesper a vontade de a dar a conhecer ao mundo. Um romance inspirador, iluminado pela esperança, a comédia e o humor e ensombrado pela realidade trágica das vidas que sofrem a marca indelével do preconceito e do racismo.

sábado, 26 de maio de 2012

Soltas... Sapatos Italianos


"Põe-te em pé assim que caíres.
Era essa a mensagem que se aprendia nos ringues de hóquei da minha juventude. Uma lição a aplicar ao longo da vida que nos esperava. Levanta-te sempre que caíres. Nunca te deixes ficar no chão."


"Há pessoas notáveis em toda a parte mas ninguém dá por elas porque são velhas. Vivemos numa época em que se pretende que os velhos sejam tão transparentes como uma vidraça. É melhor se nem sequer notarmos que existem. Tu também estás a ficar cada vez mais transparente."


"-A melhor maneira de se conhecer outra pessoa é passo a passo. Se se avançar demasiado depressa, pode-se colidir ou naufragar.
-Como acontece no mar?
-O que não se vê é aquilo em que se repara demasiado tarde. Isto não se aplica apenas a canais de navegação sem marcas, no mar, aplica-se também às pessoas."

Sapatos Italianos de Henning Mankell


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 288
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722348324

Desconcertante este livro! Por várias razões. De leitura que se faz rápida e muito fluída, fala-nos, no entanto, de temas que não são fáceis, incómodos até! 

O personagem principal tem 66 anos. Os últimos anos repletos de solidão, isolamento a que ele próprio se impôs. Fuga de si próprio, dos seus medos, dos seus erros do passado. Isolado de si numa ilha que serve os seus propósitos. O encontro com esse passado torna-se inevitável quando surge (reaparece melhor dizendo), na sua vida um antigo amor. 

Esta personagem, caracterizada espectacularmente, torna-se para nós, leitores, alguém com quem sentimos empatia mas, ao mesmo tempo, uma certa repugnância pelos actos que pratica, pelos sentimentos que deixa transparecer e com os quais não gostaríamos de conviver... E foi este amor/ódio que involuntariamente sentimos por este personagem que me cativou. Só um escritor no seu melhor pode criar em nós esta ambiguidade de sentimentos acerca de um personagem!

Esta obra fala-nos, também da morte e do sofrimento, dos desencontros que a vida nos trás e naqueles que criamos, às vezes, desnecessariamente. De como, mesmo após muito tempo, se pode atapetar a vida com outras cores que não o cinzento e corrigir o passado... O final desta história, tão em aberto, agradou-me bastante.

Recomendo este livro, de capa e conteúdo belíssimos! 

Terminado em 25 de Maio de 2012

Estrelas: 5*

Sinopse:


Henning Mankell afasta-se do género policial a que já nos habituou para refletir neste romance sobre temas como o amor, a perda, a redenção e a autodescoberta. 


Fredrik Welin passou os últimos doze anos da sua vida numa ilha do Báltico rodeada de gelo, tendo como única companhia o seu cão e a sua gata, e como única visita o carteiro. Um dia, vê uma figura aproximar-se e percebe que nada voltará a ser o mesmo. A pessoa que vem perturbar o seu exílio autoimposto é Harriet, a mulher que ele abandonou sem qualquer explicação há quase quarenta anos. Harriet diz vir obrigá-lo a honrar uma promessa que ele lhe fizera, mas Fredrik está prestes a descobrir que o seu reaparecimento esconde outra surpresa...