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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A Convidada Escolhe: "Coração sem Medo"

“Coração sem Medo”, Itamar Vieira Junior, 2025

Que difícil é escrever sobre um livro e uma trilogia tão fortes, tão profundos, tão universais. Impossível não ficar com a sensação de que qualquer coisa que se escreva como reflexão depois desta leitura ficará sempre muito aquém e será muito pobre face a um trabalho de grande fôlego como é esta Trilogia da Terra.  

Neste “Coração sem Medo” vamos descobrir a ligação de Rita a Donana e a Carmelita que nos tinham aparecido em “Torto Arado”, tal como em “Salvar o Fogo” descobrimos Maria Cabocla (Mariinha) irmã de Luzia. As histórias entrelaçam-se, os anos passam e os lugares são diferentes, mas há um continuum que vem dum passado remoto, da escravização, da luta pela terra e pela dignidade, numa resistência contra as opressões sem fim que teimam em permanecer.

Em todos os três livros, partimos duma situação inicial dramática, em torno da qual se vai desenvolver a narrativa. Aqui Rita, que podia ser Ritinha, mas que ficou sendo Rita Preta, para o nome não ser confundido com o da patroa, confronta-se com uma situação limite: o desaparecimento de um filho. Numa sociedade profundamente injusta e desigual, violenta, marcada pelo atropelo de direitos, pela precariedade e pelo racismo, Rita Preta mora numa comunidade pobre em que os moradores são, à partida, tratados como bandidos. O pressuposto é que, se Cid, jovem adolescente filho de Rita Preta desapareceu, alguma coisa deve ter feito. Alguém a medo confessa que assistiu à cena da sua captura pela polícia. A aflição, o desespero inicial, o sentimento de culpa, o lutar, o não ficar parada, o resistir às ameaças, o vencer o medo, o cair e levantar-se, por tudo isto passa Rita Preta que tem de gerir o cuidar dos outros filhos e sobreviver com o pouco que tem, sem desistir de descobrir o paradeiro do filho desaparecido. Face às ameaças explícitas “Isso é o que fazemos com mulheres fortes” (pág. 141) só há duas hipóteses: calar ou expor-se.  

Neste mover o mundo para localizar o filho, Rita Preta também descobre solidariedades e outras mulheres a viver o mesmo drama, que se entreajudam, que partilham as suas histórias e fazem disso a sua força. “Quando alguém desaparece, é como se a vida não terminasse. Está faltando alguma coisa. É uma história sem ponto-final.” (pág. 261) E mesmo num mundo desumanizado e corrompido pela desesperança ainda há funcionários dos serviços com coração e humanidade, prisões onde há um espaço para a leitura e para a conversa, associações que dão o seu tempo para lutar contra a arbitrariedade. Sendo este um livro muito duro, ele consegue, no entanto, ser um raio de esperança para um futuro mais justo.

Um dia, no meio dos muitos afazeres, Rita Preta - trabalhadora precária, mãe sozinha com três filhos a cargo - desabafa: “Minha vida daria um livro.” (pág. 272). Mal ela sabia que um dia, Cainho, o filho do meio iria registar a história da mãe, da avó, da bisavó, das e dos que as antecederam, ligando a história da família à história do Brasil, da escravização, como forma de resistência, lutando contra o esquecimento, pelo direito à preservação da memória.

Esta Trilogia da Terra que agora chega ao fim é um registo vivo, não linear, com incursões em múltiplos tempos, espaços e personagens e trazendo diferentes vozes e narradores que irão permanecer vivos na memória por muito tempo. 

29 de Julho de 2026 

Almerinda Bento






sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A Convidada Escolhe: "Salvar o Fogo"

“Salvar o Fogo”, Itamar Vieira Junior, 2023

Antes de me lançar neste “Salvar o Fogo” e a seguir no “Coração sem Medo”, voltei à leitura de “Torto Arado” que tinha lido há quatro anos. Queria recordar um livro que tinha amado, para melhor me preparar para a abordagem da trilogia de Itamar Vieira Junior. “Salvar o Fogo” é soberbo, uma escrita mágica que nos leva ao Brasil sofrido da Tapera do Paraguaçu. 

O centro da narrativa é a história de uma mulher que rejeita a sua maternidade, que decide entregar o fruto da violação às águas do Paraguaçu.  Um parto em noite de lua cheia, assim começa “Salvar o Fogo”. 

A Tapera, onde Mundinho e Alzira criaram os seus filhos – Raimundo, Humberto, Joaquim, Zazau, Mariinha e Luzia – é um lugar marcado pela pobreza, sem futuro, de onde os rapazes partem para a cidade em busca do futuro, ou as meninas partem para casar. “O destino das meninas era o de serem levadas de suas famílias para cuidarem de homem e de casa, antes mesmo de se tornarem mulheres.” (pág. 201) Muitas vezes para nunca mais voltarem, ou apenas para a despedida do pai ou da mãe moribundos. Luzia é a única que não parte, a que está marcada com o anátema de ter poderes mágicos, de ser feiticeira e de transportar consigo o Mal. 

O povo pobre que trabalha a terra recebida dos seus antepassados é espoliado e desapossado das suas roças por gente sem escrúpulos a mando dos que querem constituir grandes propriedades. “Os pobres não tinham direito sequer à própria cova. A terra jamais seria dos pobres, nem mesmo depois de mortos.” (pág. 230) Para além dos senhores da terra, é a Igreja que manda na Tapera. O símbolo material do seu poder é o Mosteiro, a escola do Mosteiro, o abade Tomás e os cobradores a mando da Igreja, implacáveis a cobrar ao povo um imposto indevido. Além disso, é todo um sistema de opressão, de violação de direitos, de abuso, de apagamento das crenças e da cultura ancestral - “tudo coisa de gente índia e preta” (pág.142) - que faz com que a Igreja tenha as mãos manchadas de sangue, servindo-se da ignorância e do temor do povo para o virar contra si próprio, em vez de se rebelar contra quem o oprime. 

As vidas dos “despossuídos” (pág. 239) da Tapera são vidas marcadas pela violência, sofrimento e resistência. Na Tapera há mulheres que morrem de melancolia, mulheres que engolem a raiva e se submetem para dar um futuro melhor aos filhos, mulheres que só têm possibilidade de viajar quando se tornem viúvas, mulheres que tapam a boca porque não têm dinheiro para pôr os dentes que lhes faltam, mulheres que são apedrejadas porque são apontadas como o símbolo do Mal, mulheres que enfrentam os homens que lhes roubam as terras, mulheres solidárias, mulheres que perdem o medo e se libertam. São sobreviventes e guerreiras. 

A última parte do romance – A alma selvagem – entrelaça de forma magistral a história do Brasil, a colonização, a escravização, o passado e o presente, o antes e o agora, as narrativas dos diferentes narradores e protagonistas e em tempos diferentes. Ao ler as histórias destas mulheres e destes homens não consegui deixar de recordar a fantástica exposição Complexo Brasil acolhida na Fundação Calouste Gulbenkian neste ano e de recordar o manto de penas com que Luzia se cobre no final do romance, quando se dirige ao local da terra que era do pai: “Seu nome é coragem, e já não teme a morte.” (pág. 334)

17 de Julho de 2026 

Almerinda Bento





quarta-feira, 12 de agosto de 2026

"O verão em que a minha mãe teve os olhos verdes" de Tatiana Tîbuleac

Este livro esteve aí nos tops mas já li comentários menos favoráveis em que referiam que não valeria o hype todo. E eu? Para ser sincera, de todas as vezes que penso nele, acho que vou gostando cada vez mais da forma tão diferente, que a autora encontrou, de narrar esta história. Sabem aqueles puzzles de 1001 peças? 

A narrativa é feita na primeira pessoa, sendo o narrador um homem. Quem é ele? Jovem? Adulto? Com quem vive, o que faz profissionalmente? O que aconteceu na sua vida para que odeie tanto a mãe? São aspectos que o leitor só se vai apercebendo muito lentamente com o decorrer da leitura e que vão fazer a diferença para se perceber a história no seu todo. A história é contada com frequentes analepses mas sem que com isso se perca o fio à meada. Pelo contrário, são pequenas peças do puzzle que vão sendo colocadas. Porém, só depois de lida a última página ficamos com a história no seu todo. 

Preparem-se para o final. A última página contém um só parágrafo constituído por pequenas frases. Vão lê-las, aposto, mais do que uma vez. Que maravilha! Achei espectacular a forma como a autora conseguiu narrar as pontas que faltavam para acabar com as nossas dúvidas de leitor que quer ver tudo explicado!

Os capítulos são pequenos fazendo com que a leitura decorra num ápice. 

Eu gostei muito e arriscaria a dar um 6*. Deixem-me absorver a totalidade do enredo e de como ele é contado. :)

Terminado em 15 de Julho de 2026

Estrelas: 5*/6*

Sinopse
Aleksy recorda o último verão que passou com a mãe, numa pequena vila costeira no Norte de França. Passaram-se muitos anos, mas o seu psiquiatra acredita que a única solução para curar o bloqueio criativo que enfrenta como pintor é reviver as emoções que o dominaram nesse tempo longínquo: ressentimento, tristeza, raiva, saudade, abandono.

Como superar o desaparecimento da pequena irmã Mika? Como perdoar a mãe, que sempre o afastou? Como encarar a doença que o consome? Esta é a história de um irrepetível verão, três meses em que mãe e filho, empurrados pela iminência da morte, finalmente depõem armas e procuram a paz, entre si e dentro de si.

Uma narrativa de uma intensidade inesquecível, tingida pela luz de um verão à beira-mar e pelas brumas da derradeira despedida. Nestas páginas, o sol aquece-nos a pele, respiramos o perfume das flores, mergulhamos no mar e emergimos reconfortados pelo amor que sempre existe entre mãe e filho.

Cris

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

"A Mais Bela Maldição" de Rui Couceiro

Relato de pessoas normais que, para quem é leitor, possuem vidas extraordinárias porque estão fortemente ligadas aos livros e ao acto de ler. E foi assim que Rui Couceiro reuniu no papel vidas marcadas por esse amor aos livros, vidas que foram transformadas e que transformaram outras. 

É uma delícia mergulhar nestas histórias de não ficção mas devem fazê-lo devagar, uma história em cada dia. Até podem intercalar com outras leituras. Creio que deste modo apreciarão melhor cada acto de amor que os livros trouxeram a estas pessoas de nacionalidades e costumes diferentes. De Marrocos à Alemanha, passando pelo nosso Portugal (Açores, Póvoa do Varzim), Itália, França, Brasil, Colômbia e EUA. 

Enquanto lia pensei no gozo que o autor deve ter tido ao conhecer pessoalmente estas vidas tão recheadas de acontecimentos. Claro que algumas histórias pareceram-me "melhores" que outras no sentido em que me marcaram mais: Estou a lembrar-me, de momento, da última história, sobre um cidadão americano que foi preso quando era adolescente e que, após um desacato na prisão, e estando na "solitária"  teve acesso a um livro... Não foi o livro em si que o fez querer alterar o seu destino mas a leitura do mesmo e dos que se lhe seguiram! Outra que me impactou foi a história do pescador da Póvoa do Varzim, do advogado brasileiro e... Tantas outras!

"Quando de seguida lhe pergunto como chegou à poesia, não me sabe responder. A minha vida é ler e escrever, começa por dizer. Dei o salto dos escritores de supermercado para os grandes autores, porque os primeiros já não me levavam ao diçionário." (pág 161) Este extrato lembrou-me como é importante numa leitura a análise, a procura e a aprendizagem daquilo que nos aparece nos livros.

Se ficaram curiosos vão espreitar!

Terminado em 14 de Julho de 2026

Estrelas: 5*

Sinopse
O que podem ter em comum uma baronesa quase centenária da Toscana, um antigo pescador da Póvoa de Varzim, um ex-ministro brasileiro, um gasolineiro dos Açores, um socioeconomista francês a viver em São Tomé, um condutor de camiões do lixo de Bogotá, uma poetisa italiana, um alfarrabista de Rabat, um antigo recluso nova-iorquino e um padre alemão?

Uma profunda e incontrariável ligação aos livros, que os levou a dedicarem-lhes toda ou boa parte das suas vidas. São eles e o seu amor por um objeto milenar os protagonistas do novo livro de Rui Couceiro. Depois de publicar os romances Baiôa sem Data para Morrer e Morro da Pena Ventosa, o autor viajou pelo mundo para conhecer e contar histórias que apaixonarão todos os que, como ele e os protagonistas de A Mais Bela Maldição, adoram os livros e a leitura.

Cris

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

" Vinte e Quatro Horas Da Vida De Uma Mulher" de Stefan Zweig

Este livro jazia na minha estante há séculos! Sempre ouvi falar bem dele e agora chegou a sua vez. Mais uma vez foi o Bingo de Verão de um dos clubes de leitura a que pertenço que me fez pegar nele...

Novela que se lê rapidamente. A trama decorre numa pensão da Riviera Francesa, num grupo de hóspedes que se estão a conhecer lentamente. Subitamente, uma das mulheres foge com um hospede recente, bem mais novo que ela e, esse facto, despoleta uma série de comentários, debates morais sobre esse acontecimento e, claro, a condenação fácil e rápida da parte dos restantes hóspedes. A força dessa paixao súbita leva a que confissões sejam feitas ao recordar o passado. 

Esta história é narrada na primeira pessoa, por um dos hóspedes que mantem uma posição sem condenações no que concerne às criticas efetuadas pelos outros e do qual não sabemos o nome. Mrs C, viúva, perante essa opiniao mais equilibrada sente-se à vontade para lhe narrar uma situação, passada num só dia, que aconteceu na sua vida e a marcou profundamente. As confidências sucedem-se. Daí o título...

Como um único dia pode marcar uma vida inteira.

Terminado em 11 de Julhor de 2026

Estrelas: 4*

Sinopse
Numa respeitável pensão familiar na Côte d’Azur, no início do século xx, ocorre um escândalo.

Madame Henriette, esposa de um dos hóspedes, foge com um jovem que ali passara apenas um dia. Todos se unem na condenação da imoralidade de Madame Henriette.

Só o narrador, com a ajuda de uma idosa dama inglesa, procura compreender o que se passou. Será ela a explicar-lhe, numa longa conversa, as apaixonadas recordações que este episódio lhe suscitou.

Cris

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A Convidada escolhe: "Perdeu-se Relógio de Senhora"

“Perdeu-se Relógio de Senhora”, Alice Brito, 2026

Este é o mais recente livro de Alice Brito e, para quem já leu os outros livros desta autora, vai reconhecer em pleno o seu estilo, a linguagem, os temas, a personalidade da escrita e também a frescura e novidade que os seus livros sempre trazem. Frases curtas, incisivas, certeiras. Como não podiam faltar, a cidade de Setúbal e José Afonso fazem parte integrante deste quarto romance de Alice Brito. E a voz da narradora, sem papas na língua, a pôr o dedo na ferida num tempo de retrocesso, de negação, de saudosismo é, certamente, uma marca de água da escrita de Alice Brito. 
“Perdeu-se Relógio de Senhora” começa assim: “Tinha-se muita sede por esses tempos” (pág. 11). O romance traz-nos as vidas de três mulheres nascidas em tempos diferentes do século passado e em terras diferentes, as quais, por mero acaso, vão partilhar um apartamento na Duque d’Ávila em Lisboa. As múltiplas referências ligadas às suas vivências e percursos ao longo dos anos ajudam-nos a contextualizar aquele(s) tempo(s) e reflectem um cuidadoso trabalho de investigação que nos permite recordar o Portugal da segunda metade do século passado, como também as importantes lutas operárias e as transformações sociais anteriores. Um Portugal com “muita sede” que subalternizou as mulheres, sujeitou o povo a uma feroz repressão, onde o medo e a hipocrisia medraram - “um país trágico” (pág. 132) - mas em que a luta de classes nunca deixou de existir e que acabou por desembocar na “década de espanto” (pág. 221) quando finalmente Beatriz, Benvinda e Bia, tão diferentes, se encontraram e partilharam uma casa em comum. 
Finalmente o 25 de Abril. “Há dias e dias. E aquele dia, um dia líquido em que se matou a sede, por muita tropelia e análise variada e avariada que se lhe faça, resgatou do pesadelo todo um povo que só queria ser gente. Gente a sério.” (pág. 315)
Este livro é uma necessidade num tempo em que comemoramos os 50 anos da liberdade e nos confrontamos com a falta de vergonha, com o desaforo da mentira e todos os tiques da subserviência à extrema direita saudosa do fascismo. Mas é também um grito de esperança e de amor a esse “dia de ouro na memória de quem penou o viver antes.” (…) “Falar de Abril, sem lhe juntar a palavra liberdade, ou alegria, ou coragem é o mesmo que trair um amigo pelo esquecimento, pela omissão ou pelo desprezo.” (pág. 316)
Ler este livro é continuar a dialogar com a acutilância e clareza da escrita de Alice Brito. Para quem ainda não conhece a obra desta autora defensora da causa feminista, é o incentivo para a descobrir, começando por “As Mulheres da Fonte Nova”, “Um romance histórico arrebatador sobre a dor e a sobrevivência das mulheres de todos os tempos”, transcrevendo as palavras de Cristina Carvalho num artigo no Jornal de Letras.

27 de Junho de 2026
Almerinda Bento




quarta-feira, 5 de agosto de 2026

"Estranhos" de Belle Burden

Li este livro num ápice! Nova Iorque e Martha's Vineyard durante a pandemia. Um livro de memórias, autobiografia da autora que, num dado momento, precisou de forças novas para dar outro sentido à sua vida. Escreve sem rancores ou vinganças num relato que achei muito honesto e verdadeiro. Confesso que se me tivessem dito que iria adorar conhecer aspectos do casamento/divórcio da autora, não acreditaria mas tendo ouvido uma amiga que já tinha feito a sua leitura na língua original, peguei logo nele, curiosa como estava.

Inesperadamente, de um dia para o outro, o casamento de Belle colapsou, sem avisos nem explicações por parte do marido. Casamento que considerava feliz e estável. Não sabendo os motivos que o levaram a abandonar a família, incluindo os três filhos menores, Belle reflete sobre os anos que partilharam procurando explicações. Se primeiramente essa busca lhe fez sentido, depois começou a analisar a pessoa que ela era nessa relação.

A perda, a identidade e o recomeço. 

Embora haja quem diga que é de ritmo lento, foi uma leitura muito fluida para mim e acabei-o em apenas alguns dias. Sempre lido com muito gosto, talvez pela escrita da autora, e mantendo sempre o interesse. Por isso vos recomendo muito.

Terminado em 5 de Julho de 2026

Estrelas: 6*

Sinopse
Foi uma grande história de amor, para a vida toda. A rapidez com que começámos e a rapidez com que acabámos pareceram feitas uma para a outra. Surgiram do nada. Ele queria-o, desejava-me. E, depois, deixou de querer.

Assim começa a queda e a reconstrução de Belle Burden. Quando o marido a abandona sem explicação, tudo o que parecia seguro revela-se frágil. Ao revisitar o casamento, Burden descobre padrões, silêncios e concessões que nunca questionara. E, nesse processo, encontra algo mais raro do que respostas: a própria voz. Com lucidez e elegância, Estranhos é um retrato comovente de um fim e do início de uma nova vida mais verdadeira.

Com honestidade inabalável e profunda graça, Burden traça um caminho através do desgosto para mostrar o poder de uma mulher que se recusa a desistir do amor. Um relato de vida deslumbrante, profundamente comovente e de leitura compulsiva.

Cris

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

"Gilead" de Marilynne Robinson

Comprado na Feira do Livro de Lisboa este ano por influência de um amigo livrólico, combinei fazer com ele esta leitura conjunta para a incluir no Bingo de Verão do nosso clube de leitura. 

Foi uma leitura que levámos até ao fim mas que foi custosa para ambos. Parecia que não avançava... A premissa achei interessante mas o conteúdo foi mais lento do que esperava.

O Reverendo John Ames, o narrador, escreve uma carta ao seu filho de sete anos para que ele a leia depois da sua morte. O reverendo já é idoso e sofre de problemas cardíacos pelo acha que lhe resta pouco tempo de vida. Relata memórias de infância, reflete sobre a sua fé, narra acontecimentos da pequena cidade onde vive, e, sobretudo, fala da relação estranha de amizade que tem com o filho do seu melhor amigo, que reaparece depois de uma longa ausência. Expôe os seus sentimentos e aprofunda-os enquanto escreve. Não há, no entanto, nenhuma revelação durante o romance que traga alguma acção para o mesmo.

É um romance introspectivo, lento, filosófico mas não sendo o meu género não o posso recomendar de coração. Leiam se vos aprouver.

Terminado em 30 de Junho de 2026

Estrelas: 3*

Sinopse
Gilead é uma povoação do Iowa com casas dispostas ao longo de algumas ruas, lojas, um depósito de água e uma estação de comboios. As gerações sucedem-se numa vida aparentemente tranquila, organizada em torno das comunidades religiosas. Através de uma carta que o reverendo John Ames escreve ao seu filho de sete anos, para que este a leia depois da sua morte, Marilynne Robinson (Vencedora do Prémio Pulitzer) conta-nos a história desta comunidade, descobrindo as limitações, as grandezas e também as misérias que a povoam.

Gilead é o retrato da América profunda, dominada pela religiosidade e a ignorância de tudo o que acontece para lá do seu limitado horizonte.

Cris