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terça-feira, 19 de novembro de 2013

A Convidada Escolhe... "O Menino de Cabul"

“O menino de Cabul” é a história de uma família e de dois rapazinhos em particular, da sua infância e dos acontecimentos que vão marcar as suas vidas indelevelmente.

Comovente e inesquecível!

O passado persegue-nos, seja bom ou seja mau, condiciona-nos, altera a nossa forma de estar no mundo a nossa percepção a nossa relação com o que nos rodeia, a nossa relação com os outros, com a vida…
Para além das notícias de guerra que durante anos nos entraram casa dentro através dos meios de comunicação Khaled Hosseini é o autor, que me deu a conhecer o Afeganistão.

Li até agora três dos seus livros, todos muito bons: “Mil Sois Resplandecentes”, “E as Montanhas Ecoaram” e “O Menino de Cabul” (o melhor, na minha opinião).

Com uma escrita clara e envolvente ficamos completamente absorvidos pelas suas histórias. Em cada um destes livros a realidade afegã atinge-nos, transporta-nos para um mundo completamente diferente do ocidental e dá-nos uma visão abrangente da vida e história daquele país.

Ao ler os seus livros percebemos até que ponto o povo afegão foi quase destruído pela ocupação selvagem da Rússia, por guerras internas e por fim pela subjugação do país á nova ordem, imposta pelos Talibans.

Recomendo!

Marília Gonçalves

segunda-feira, 10 de junho de 2013

"E as Montanhas Ecoaram" de Khaled Hosseini

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 392
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722350587

Quem já leu os livros anteriores deste escritor sabe que a sua escrita aliada aos assuntos que escolhe nos prendem e cativam de imediato.

Este é um livro com várias longas histórias, vividas por várias personagens mas centradas, todas elas, numa só. Dois irmãos, Abdullah e Pari, com uma ligação muito forte entre si são separados em meninos.

A acção passa-se no Afeganistão, numa aldeia como tantas outras, desta feita fictícia, Shadbagh e na capital, Cabul.

Lembrei-me de um puzzle enquanto lia mas aqui, as peças encaixam automaticamente por longas partes. Primeiro o rebordo, tal como deve ser, constituído pela história central, depois as que se vão cruzando com as vidas destes dois irmãos. Todas elas espelham como o autor é um bom contador e inventor de histórias, de vidas. No final, as últimas peças são colocadas mas a vida trás desencontros que nem a história de um livro pode e deve colmatar. Os anos decorrem implacáveis e os encontros nem sempre são possíveis, pelo menos da forma como os desejaríamos. A esperança, essa sim, permanece!

Composto por múltiplos narradores, as várias histórias poderiam constituir vários livros em separado e todas elas nos prenderiam. Porém, um ligeiro fio condutor relembra-nos a história dos dois irmãos que a vida (ou a vontade dos homens) separou. No fim, o encontro possível...

Recomendo!

Terminado em 4 de Junho de 2013

Estrelas: 4*+

Sinopse

1952. Em Shadbagh, uma pequena aldeia no Afeganistão, Saboor é um pai que um dia se vê obrigado a tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida: vender a filha mais nova, Pari, a um casal abastado em Cabul e assim poder continuar a sustentar a restante família. A separação é particularmente devastadora para Abdullah, o irmão mais velho que cuidou de Pari desde a morte da mãe de ambos. Nenhum dos dois imaginava que aquela viagem até à capital iria instalar um vazio nas suas vidas que seria capaz de atravessar décadas e quilómetros e condicionar os seus destinos... Neste seu terceiro romance, Khaled Hosseini traz-nos uma belíssima e comovente saga familiar que reflete sobre como os laços que nos unem sobrevivem aos obstáculos que a vida nos impõe.


Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

domingo, 17 de outubro de 2010

Mil sóis resplandescentes de Khaled Hosseini


Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 324
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722339087
Colecção: Grandes Narrativas

já sabia... Que ia gostar, claro! Li em Janeiro deste ano, deste mesmo autor, "O menino de Cabul" e gostei muito. É o género de livros que eu prefiro porque, embora sejam romances, há situações verídicas que nos despertam para factos que, por vezes, desconhecemos ou simplesmente "decidimos" ignorar.

Afeganistão. Duas vidas. Duas histórias. Duas histórias de vida que se entrelaçam e se unem, que partilham dores e sofrimentos num país onde o ser mulher é sinónimo de ser inferior.
Regras rigorosas baseadas nas leis islamicas, onde as mulheres têm de andar nas ruas cobertas por burcas e acompanhadas por um homem, que pune o adultério com apedrejamento...


Mariam e Laila. Vidas cruzadas, vividas com dor mas também com uma amizade forte nascida dos infortúnios que partilham. Onde a morte está presente ao lado do amor.

Terminado em 17 de Outubro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse

Há livros que se enquadram na categoria de verdadeiros fenómenos literários, livros que caem na preferência do público e que são votados ao sucesso ainda antes da sua publicação. Há já algum tempo que se ouvia falar de Mil Sóis Resplandecentes, do afegão Khaled Hosseini, depois da sua fulgurante estreia com O Menino de Cabul, traduzido em trinta países e agora com adaptação cinematográfica em Portugal. A verdade é que assim que as primeiras cópias de Mil Sóis Resplandecentes foram colocadas à venda, o romance liderou o primeiro lugar nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Holanda, Itália, Noruega, Nova-Zelândia e África do Sul, estando igualmente muito bem classificado no Brasil e em França. A própria Amazon americana afirmou que há muito tempo não tinha visto um entusiasmo tão grande a propósito de um livro. Devido ao elevado número de encomendas, nos Estados Unidos, foram realizadas cinco reedições ainda antes do livro chegar às livrarias e na primeira semana após a publicação, já tinham sido registadas um milhão de cópias em circulação. É pois um caso verdadeiramente arrebatador que combina preferências populares potenciadas pelo efeito de passa-palavra às melhores críticas internacionais. Confirmando o talento de um grande narrador, Mil Sóis Resplandecentes passa em revista os últimos trinta anos no Afeganistão através da comovente história de duas mulheres afegãs casadas com o mesmo homem, unidas pela amizade e pela dor proveniente dos abusos que lhes são infligidos, dentro e fora de casa, em nome do machismo e da violência política vigente durante o regime taliban, mas separadas pela idade e pelas aspirações de vida. Um livro revelador, que aborda as relações humanas e as reforça perante reacções de poder excessivo e impunidade.

Um pouco de História

O Afeganistão, oficialmente, República Islâmica do Afeganistão, é um país sem saída para o mar no centro da Ásia. É comumente designado como um país da Ásia central, da Ásia meridional e do Oriente Médio. Possui vínculos religiosos, etno-lingüísticos e geográficos com a maioria dos países vizinhos. Limita com o Paquistão ao sul e ao leste, com o Irão a oeste, com o Turcomenistão, o Uzbequistão e o Tadjiquistão ao norte, e com a China a nordeste. O nome do país significa "terra dos afegãos.

Desde a Antiguidade, a guerra é uma constante na região onde hoje fica o Afeganistão, local já ocupado no século VI a.C. pela civilização bactriana, formada por um povo que incorporava elementos das culturas hindu, grega e persa. Depois disso, o território foi atacado por sucessivos invasores.
O Afeganistão foi invadido e ocupado pela União Soviética em 1979. Mas, apesar da destruição maciça provocada na sustentação logística, lutas subseqüentes entre as várias facções dos Mujahidin permitiram que os fundamentalistas do Talibã se apropriassem da maior parte do país. Em 1997, as forças talibãs mudaram o nome do país de Estado Islâmico do Afeganistão para Emirado Islâmico do Afeganistão.
Nos últimos dois anos o país sofre com a seca. Estas circunstâncias conduziram três a quatro milhões de afegãos a sofrerem de inanição.
Em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 nas Torres Gêmeas (World Trade Center) em Nova Iorque, e no Pentágono, cuja autoria foi reivindicada por Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, reconhecido como herói pelos Talibãs, no dia 7 de Outubro de 2001, os Estados Unidos e forças aliadas lançaram uma campanha militar, como parte de sua política antiterrorismo, caçando e prendendo suspeitos de atividades terroristas no Afeganistão e mandando-os para a base de Guantánamo, em Cuba.

A cultura do Afeganistão é milenar. É bastante influenciada pelo Islão, porém recebeu, ao longo dos séculos, influências do hinduísmo e do budismo. Os monumentos históricos do país foram muito danificados por anos de guerra, e um exemplo disso foram as duas gigantescas estátuas de Buda existentes na província de Bamiyan, que foram destruídas pelos taliban por serem consideradas idólatras.

A partir de 2006 mais de quatro milhões de estudantes do sexo masculino e feminino estavam matriculados em escolas por todo o país. No entanto, ainda existem obstáculos significativos à educação no Afeganistão, decorrentes da falta de financiamento, edifícios escolares inseguros e normas culturais. A falta de professoras é uma questão que diz respeito a alguns pais afegãos, especialmente em áreas mais conservadoras. Alguns pais não vão permitir que as suas filhas passem a ser ensinadas por homens.
Alfabetização de toda a população está estimada (em 1999) em 36%, a taxa de alfabetização do sexo masculino é de 51% e do feminino 21%. (retirado de www.wikipedia.org)


sábado, 16 de outubro de 2010

Soltas...

"Mariam nunca tinha usado uma burca e Rashid teve de a ajudar a vesti-la.Sentia o capuz acolchoado pesar-lhe na cabeça r apertá-la e era estranho ver o mundo através de uma rede. Exercitou-se no quarto a andar com ela, mas tropeçava constantemente na bainha. A perda de visão periférica era enervante, e desagradava-lhe a forma como o tecido enrugado se lhe colava à boca sufocando-a."

"Sabem, há coisas que eu posso ensinar-vos. Outras vocês aprendem em livros. Mas há coisas que, bem, têm de ser vistas e sentidas."

"Nesse instante, toda aquela conversa da Mamã acerca de reputações lhe pareceu irrelevante. Absurda até. No meio de toda aquela matança e saque, de todo aquele horror era uma coisa inofensiva estar ali sentada debaixo de uma árvore e beijar Tariq."

"Era a primeira vez que morria alguém seu conhecido, de quem ela fora íntima, de quem amara. Não conseguia assimilar a inescrutável realidade de que Giti já não estava viva. Giti estava morta. Morta. Feita em pedaços. Laila começou finalmente a chorar pela amiga."

"Permaneceu ali até ele se cansar, até ele desistir, e depois escutou-lhe os passos incertos até se extinguirem, até tudo ficar silencioso, exceptuando o crepitar das armas nas montanhas e o seu próprio coração a martelar-lhe no ventre, nos olhos , nos ossos."

As liberdades e oportunidades que as mulheres haviam gozado entre 1978 e 1992 pertenciam ao passado; Laila ainda se recordava do comentário do Babi a propósito desses anos de domínio comunista, são bons tempos para se ser mulher no Afeganistão, Laila."

"Como todas essas coisas deixaram de ter importância para mim após todas as perdas, todas as coisas terríveis a que assisti nesta maldita guerra. Mas agora, evidentemente, é demasiado tarde. Talvez compreender apenas quando as coisas já não têm remédio seja o castigo justo para os que não tiveram coração."