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domingo, 29 de dezembro de 2024

"O Outro Eu" de Daphne du Maurier

As sensações que esta leitura me trouxeram não as vou esquecer tão cedo. Esta história vai ficar durante muito tempo no meu coração. Digo coração porque a memória de galinha que possuo não me vai permitir narrá-la com pormenores durante muito mais tempo mas, isso não é o motor que me leva a pegar num livro. Nunca costumo narrá-lo a alguém pois os spoilers estragam o prazer que outros podem beneficiar com as leituras que recomendo.

Depois de muito o recomendar, houve quem me dissesse que o tema abordado nesta obra não é inédito e que outros livros também se serviram dele como base para as suas histórias, inclusive o nosso Nobel Saramago! Fiquei curiosa em ler mais sobre o assunto para ver se é tratado com a mesma mestria que Daphne o fez.

Então, como o título deixa antever, trata-se de uma história em que dois homens desconhecidos se encontram. A especificidade aqui é que eles são "duplicados", iguais sem serem irmãos nem tampouco gémeos. Até o nome próprio se assemelha embora sejam de nacionalidades diferentes: um é francês (Jean) e o outro britânico (John).

O narrador é Jean, professor solitário, sem família, triste com o emprego que possui. Jean, pertence a uma família com linhagem, é rico. Cruzam-se numa estação de comboio, pormenor que creio ainda lembrar-me. Algo se passa que não vou revelar e trocam de vidas. É o ponto de partida para uma história muito bem contada, pela qual fiquei presa de imediato tanto pela forma como é contada (o leitor consegue colocar-se dentro do narrador) como porque me senti muito próxima de Jean. Personagem principal muito bem caracterizado!

Os capítulos finais são muito intensos, a ansiedade devorou-me, e o final não é previsível nem aquele que, um lado de mim, gostaria de ter lido. O outro eu, a outra metade adorou! Achei sublime (confesso que fiquei muito irritada também! Não achei "justo"!). a mestria da autora a revelar-se...

Recomendo muitíssimo!

Terminado em 23 de Outubro de 2024

Estrelas: 6*

Sinopse
Quando dois homens iguais se cruzam numa estação de comboios, a realidade parece dar lugar ao que, hoje, podíamos chamar metaverso. Mas quanta daquela estranha ilusão pode, afinal, ser real? Numa estação de comboios, na província, John, o inglês, e Jean, o francês, veem-se e parecem estar, ambos, em frente ao espelho. A verdade, como percebem em poucos segundos, é que são idênticos, iguais - nem rasto de diferenças. As horas passam, e os dois sósias conversam e bebem animadamente, até John cair num absoluto e anestesiante torpor alcoólico. Porém, quando desperta, o inglês percebe que aquele pode bem ter sido o seu último momento de sossego: Jean roubou-lhe a identidade e desapareceu. E é então que John resolve tomar também o lugar do francês. Na nova vida de John, isto é, a de Jean, o inglês terá de desempenhar vários e estranhos papéis: vê-se dono de um château, dá por si a gerir um negócio à beira da falência e, pior, é a personagem principal de uma família pouco recomendável. Resumindo: John, perdão, o novo Jean é o grande senhor de nada. Hitchcockiano, imersivo e surpreendente, O Outro Eu é um livro que parte da ideia de duplo para questionar os conceitos de identidade e verdade, enquanto joga com o anguloso e menos solar lado da palavra «Eu». 

Cris

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

"A Minha Prima Rachel" de Daphne du Maurier

Depois de ter lido A Casa da Praia e de lhe ter dado 6 estrelas, dei comigo a pensar, a meio desta leitura, que muito provavelmente, esta obra, A Minha Prima Rachel, era merecedora de mais. Prestes a chegar ao final, obriguei-me a ler lentamente, palavra por palavra, impedindo o desejo louco de saltar parågrafos de modo a chegar mais rápido ao final... As minhas suspeitas nāo eram infundadas! Esta obra merece as minhas 6 estrelas ou mais ainda.

A escrita de Daphne du Maurier pautou-se por um aprofundamento psicológico das personagens que me encantou deveras. A história é-nos contada, na primeira pessoa, por Philip, um jovem prestes a fazer os 25 anos, que se vê envolvido no desaparecimento de um primo que o criara desde pequeno e a quem ele amava. Um casamento surpresa, uma doença suspeita, uma carta que mais nāo é do que um SOS, e está lançado o mote para um romance arrebatador que leva o leitor a suspeitar, junto com Philip, das mais intrincadas teias e intrigas elaboradas pela prima Rachel, recentemente casada com o primo deste.

Se umas vezes apetece abanar Philip, outras caímos, também nós, nas teias desta prima de carácter tāo dúbio e tāo díspar. Senti-me completamente à mercê da escrita de Daphne, que me levou para onde quis, odiando ou concordando com Philip, criticando-o ou aplaudindo-o as suas acçōes

Um livro que vāo devorar! Leiam para ver!

Terminado a 25 de Janeiro de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Sem sequer nunca se terem encontrado, Philip odeia Rachel, com quem Ambrose, seu primo, casou durante uma estadia em Itália. E quando este lhe escreve e lhe transmite a suspeita de que a mulher o quer envenenar, Philip não sente quaisquer dúvidas. Ambrose morre em circunstâncias pouco claras e Philip jura vingar a sua morte. Semanas depois, Rachel visita-o na sua propriedade da Cornualha, e a animosidade que Philip sentia por ela vai dando lugar a um fascínio incontrolável. Quem é Rachel afinal? Uma mulher realmente apaixonada? Ou movida por interesses pessoais? Daphne du Maurier confirma com esta obra o seu enorme talento para escrever histórias com uma grande riqueza narrativa, suspense e intriga permanentes e uma apurada caracterização das personagens. A Minha Prima Rachel é um romance clássico, cativante, com uma escrita belíssima.

Cris

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

"A Casa na Praia" de Daphne du Maurier

Fa-bu-lo-so! É o meu veredicto final sobre esta obra de uma autora que praticamente desconhecia pois nada tinha lido dela. Tenho o Rebecca mas nāo me recordo de o ter lido.

Nāo foi fácil ler com ritmo continuado as primeiras páginas deste livro talvez porque a premissa nāo fosse para mim algo fácil de aceitar... Nāo sou grande fā de ficçāo científica (que mais lhe poderia chamar?). Sem querer fazer spoiler, pois é informaçāo que consta na sinopse, digo-vos que o enredo central deste livro baseia-se nalgumas viagens no tempo que Dick, o personagem principal, faz ao experimentar uma droga que Magnus, o seu amigo cientista, lhe dá a provar... Dick recua no tempo seiscentos anos, viajando para a primeira metade do séc. XIV, precisamente para o mesmo local onde se encontra, na Cornualha, com as diferenças físicas inerentes à época. No início, e precisamente porque nāo sou dada e estas histórias, achei a premissa estranha, diferente do que leio habitualmente é certo, mas acreditei que nāo me iria convencer. Adoro quando uma história me parece verídica mesmo quando o nāo é. O nome da autora fez com que insistisse. Opçāo que se viria a confirmar ser a certa.

Abro agora um parêntesis em relaçāo à sinopse. Se pegarem no livro nāo leiam mais do que aqui refiro, sendo que o último parágrafo da sinopse nāo deveria existir. Há informaçāo que é desnecessária e avança com dados que, acredito, esmorecem o factor surpresa quando lidos!

Mas voltando ao enredo e à escrita, sobretudo à escrita... Ela é realmente fabulosa de tāo simples que é e, ao mesmo tempo, tāo envolvente. Eu, que nāo morro de amores por este tipo de "viagens" fiquei fascinada e enredada nas duas histórias que decorrem nos dois momentos temporais diferentes! Fiquei deveras presa a Dick e ao seu alter ego, Roger, que teria vivido noutra época.

Pouco tenho a acrescentar. Refiro apenas e para terminar que o final achei estrondoso. A dúvida com que se nos depara a nossa mente após o último parágrafo é perfeita para um final. Adorei! Super recomendo! Fui agradavelmente surpreendida porque as minhas espectativas, ao ler a sinopse, eram baixinhas mesmo.

Comecei esta leitura o ano passado. Teria sido um excelente livro para acabar o ano mas foi certamente um óptimo começo de leituras para 2019! 

Terminado em 4 de Janeiro de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
Dick Young vive na Cornualha, em casa do seu amigo Magnus Lane, um cientista que faz investigação química na Universidade de Londres. Dick sente-se intrigado quando Magnus lhe pede que sirva de cobaia de uma nova droga que este descobriu, mas aceita participar na experiência. A droga fá-lo viajar no tempo, transportando-o para o século XIV, no local exato onde vive: Kilmarth.

A cada viagem proporcionada pela misteriosa droga, Dick vai-se envolvendo mais profundamente nos assuntos de pessoas que morreram há seiscentos anos, enredadas numa teia de amor, ciúme e intrigas. Progressivamente, vai perdendo o controlo da sua vida o do seu próprio tempo. Quando surge a chocante notícia de que Magnus fora assassinado quando se dirigia a Kilmarth, apenas Dick se apercebe da causa aparentemente inexplicável da morte do amigo. Mas tendo Magnus desaparecido, o que acontecerá à experiência em curso? E a Dick?

Um romance clássico notável, de um dos maiores nomes da literatura britânica.

Cris

domingo, 12 de setembro de 2010

Rebeca


Edição/reimpressão: 2001
Páginas: 352
Editor: Livros do Brasil
ISBN: 9789723808889
Colecção: Dois Mundos

Romance bem escrito, muito envolvente, com mistério suficiente para nos manter interessadas e agarradas ao livro durante um fim-de-semana inteiro e não nos fazer desistir, se bem que não é o meu género preferido. Li boas críticas em diferentes blogs.

Só. Queria mais. Esperava mais. Queria ter aprendido alguma coisa...

Terminado em 12 de Setembro de 2010

Estrelas: 3+

Sinopse

A consagração de Daphne du Maurier e da sua obra não é apenas a do êxito, mas, de justiça, a de uma escritora ilustre e de um romance perfeito no seu género, que ficará como um exemplo típico, e da maior categoria literária, da ficção que alia ao "suspense" um fino gosto estilístico e uma apurada penetração psicológica. Rebeca é, de facto, esse livro - aliciante, absorvente, vibrante de humanidade e de mistério.