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domingo, 23 de janeiro de 2011

Muitas vidas, muitos sonhos



Edição/reimpressão: 2005
Páginas: 512
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789724141459

Esta leitura fez-me viajar, mesmo como gosto. Se quisesse contar esta história não o poderia fazer melhor que a sinopse, pois ela é tão rica, tão cheia de pormenores, cheiros e cores que se torna muito difícil falar sobre o livro no seu todo. Lembramo-nos, isso sim, de pequenas pérolas... e são tantas! 

É uma leitura que não nos deixa descansar com tantos acontecimentos, tanta imaginação, tantos presentes, tanto conhecimento novo sobre hábitos e costumes que nos são desconhecidos! Esta saga familiar, conta-nos a história de quatro gerações e ouvimo-la sob diferentes pontos de vista, pois os narradores são os membros dessa numerosa família.

Gostei muitíssimo deste livro e aconselho a leitura da sinopse, que nos dá uma abordagem geral do que encontramos nele. Para uma visão completa só mesmo pegando nele: entramos nesse mundo maravilhoso, ficamos a conhecer cheiros, sabores exóticos, costumes e superstições da Malásia numa época ainda anterior à II Guerra Mundial, passando depois pela ocupação Japonesa e seus horrores durante a II Guerra e posterior retirada.


Terminado em 22 de Janeiro de 2011

Estrelas: 5*

Sinopse

Os sons, os cheiros e os sabores da Malásia. A vida atribulada de quatro gerações de mulheres.
Os sons, os cheiros e os sabores da Malásia do século XX – um mundo sensual e exótico, povoado de mitos e magia, de deuses e fantasmas – unem-se numa sábia combinação de tradição e realismo mágico para contar uma história de riso, perda, amor e traição, que é, no fundo, o relato da vida atribulada de quatro gerações de mulheres.
Lakshmi é uma jovem de apenas catorze anos quando é obrigada a deixar o Ceilão, onde nasceu e viveu até então, para se casar com um homem bastante mais velho. Cinco anos depois, Lakshmi tem já cinco filhos e, não obstante a sua idade, apercebe-se de que terá de ser ela própria a construir o seu futuro. Implacável na sua determinação, tornar-se-á na admirável matriarca da família. Os seus filhos e filhas, com as suas distintas personalidades e percepções da história, vão configurando a saga familiar, que alterna momentos de alegria e dor, como os vividos aquando da cruel invasão japonesa, que deixará indeléveis cicatrizes em todos eles. Nisha, a neta, será quem finalmente irá reconstruir o mosaico da história familiar e o legado de Lakshmi, a Guardiã dos Sonhos, para nos oferecer uma complexa e sensual trama de sentimentos e vivências que atravessa a vida de quatro gerações.

Um pouco de História

A Malásia é uma sociedade multicultural, com malaios, chineses e indianos a compartilhar o país.
Desde 1824 foi uma colônia do Reino Unido, e, entre 1942 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, foi ocupada pelo Japão. Em 1948 os britânicos formaram a Federação Malaia, que conseguiu a sua independência em 1957. A Malásia foi formada em 1963 quando as colônias britânicas de Sabah, Sarawak e Singapura entraram para a federação. Os primeiros anos do país foram marcados por esforços da Indonésia controlar a Malásia, reivindicações de Sabah pelas Filipinas e pela secessão de Singapura da federação em 1965. Nove dos 13 estados da Malásia têm um sultão ou um chefe de Estado hereditário; os restantes quatro têm governadores nomeados pelo rei. Em 1969 os conflitos raciais entre chineses e malaios levaram a tumultos e os partidos malaios perderam votos nas eleições que se seguiram. Continuam a existir restrições às liberdades individuais como a proibição de discussão em público. Apesar das consideráveis diferenças étnicas, a Malásia tem progredido com a criação da unidade nacional.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Soltas...


"Edifiquei um muro entre nós as duas. Não era um muro muito alto, porém sempre que a pobre rapariga se queria aproximar de mim, tinha de o escalar. Hoje lamento ter levantado esse muro. (...)Por isso digo aos meus netos que nunca ergam muros, porque a partir do momento em que se começa a construir um, torna-se intransponível."

"Lembro-me de ter pensado que a Mamã era como um oceano, tão profunda e cheia de coisas desconhecidas que temia nunca poder ver-lhe o fundo. Desejei ser uma corrente que viesse a transformar-se num rio para um dia desaguar nela."

"Nunca houve um problema capaz de vencer a Mamã. Ela toma conta deles rapidamente, sem medo, como se se tratasse de dobrar simples lenços. Às vezes, há lágrimas vertidas, mas também estas têm de ser limpas."

"Noutros tempos, talvez tivessem acorrido todas para as ajudar como quando os soldados japoneses levaram o marido de Minah e o fuzilaram. Mas agora o bairro estava cheio de gente nova. Uma geração que sorria e acenava de longe. Gente que acreditava num estranho conceito ocidental chamado "privacidade"."