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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

"Mataram a Cotovia" de Harper Lee (Novela Gráfica)

Ainda sou uma bébé nestas leituras de novelas gráficas. Comecei o ano passado e gostei. Para mim são boas leituras para intercalar com outras mais pesadas talvez porque as ilustrações sirvam para poder descansar. Não será a causa mais nobre este meu interesse pelas GN, admito, mas considero-as leituras mais leves, que propiciam leituras descansadas. Isso não quer dizer que os temas sejam tratados de forma leviana.

Já tinha lido este livro mas quando soube que a Relógio D'Água o tinha publicado em GN fiquei com vontade de recordar a história.

São muitas páginas, o que faz com que o livro seja um peso pesado, difícil de transportar, mas apreciei muitíssimo as ilustrações. A história tem de ser recontada de forma diferente de modo a que a imagem seja a protagonista e considero que Fred Fordham soube apanhar com precisão o que de mais importante a história de Harper Lee nos quis transmitir. O preconceito racial numa América de "brancos" onde os "pretos" eram culpados de todo o crime ainda antes de qualquer julgamento. O olhar inocente e puro de algumas crianças numa sociedade de vícios, fechada e racista.

Gostei muito!

Terminado em 16 de Janeiro de 2020

Estrelas: 5*

Sinopse
Um retrato assombroso de raça e classes sociais, inocência e injustiça, hipocrisia e heroísmo, tradição e transformação no Sul Profundo dos EUA dos anos trinta. Mataram a Cotovia, de Harper Lee, mantém a mesma atualidade que tinha em 1960, quando foi escrito, durante os turbulentos anos do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos. Agora, este aclamado romance renasce como romance gráfico. Scott, Jem, Boo Radley, Atticus Finch e a pequena cidade de Maycomb, no Alabama, são representados de forma nítida e comovente pelas ilustrações de Fred Fordham.

Cris

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A convidada Escolhe: Mataram a Cotovia

"Mataram a Cotovia", Harper Lee, 1960
"To kill a Mockingbird" era um livro que já me tinha sido recomendado e que foi recentemente reeditado na sequência da morte da autora, em Fevereiro deste ano, aos 89 anos.
É um livro admirável, poético, denso, sobre o qual há muito a dizer e reflectir, mas que encerra uma lição essencial: a luta contra a intolerância, o racismo e o preconceito é um caminho difícil, mas inevitável. É um livro sobre a infância, sobre o crescimento, sobre a aprendizagem do mundo dos adultos feita pela jovem Scout, pelo irmão Jem e pelo amigo Dill, colega de aventuras e brincadeiras. O facto de Scout Finch, a narradora, ser uma menina entre os seis e os nove anos permite-nos ver o mundo com os olhos límpidos que só uma criança consegue ter.
A história passa-se nos Estados Unidos, em meados dos anos 30 do século passado, num pequeno condado preconceituoso e fechado sobre si mesmo. Com uma população estratificada, sem grandes motivos de interesse para além da coscuvilhice das senhoras que se encontram para beber chá, fazer obras de caridade e frequentar a igreja, as famílias de gente pobre, ignorante e desempregada que vive paredes meias com a lixeira e a comunidade negra segregada e apenas tolerada porque é mão-de-obra indispensável nos trabalhos domésticos ou nas plantações de algodão, Scout, Jem e o pai Atticus Finch são as personagens principais de onde irradia toda a narrativa.
Scout é uma miúda demasiado avançada que aprendeu a ler sozinha e para quem a escola é um tédio, aliás como para os meninos mais pobres para quem a escola não diz nada, limitando-se a aparecer todos os anos apenas para o primeiro dia de aulas. Scout não se enquadra no padrão estereotipado da menina, nem pela maneira de vestir, nem pelas brincadeiras, nem pelas respostas que dá à professora. Educada pelo pai, um advogado da terra que vive sozinho com os filhos e com a cozinheira Calpurnia, desde sempre o relacionamento entre pai e filhos foi no sentido de desenvolver neles a autonomia, o sentido de justiça e de liberdade, não lhes dando respostas acabadas ou formatadas, antes dando-lhes a possibilidade de aprenderem com os erros e fazendo o seu próprio caminho.
Nas férias de Verão, quando têm a possibilidade de ter o amigo Dill para brincarem, é todo um mundo que se abre de imaginação, de criatividade, de descobertas, de testar limites e vencer os medos, criando o seu próprio espaço de liberdade e de novas aprendizagens. Scout não se livra, porque brinca com dois rapazes ligeiramente mais velhos do que ela, de ser chamada de "menina" sempre que se nega nalguma brincadeira ou tem alguma atitude de medo. Como antes referi é muito interessante o facto de a narradora ser uma criança, porque nos permite ter a percepção que as crianças têm dos pais e dos adultos. Para Scout, o pai que tinha 50 anos era um velho e achava que ele não fazia nada, pois passava o tempo a ler e a escrever no seu escritório e não ia à caça nem fazia nada do que os outros pais dos seus amigos faziam!
A segunda parte do livro corresponde a um período mais avançado na idade dos jovens e na entrada num período menos despreocupado da vida de Scout e de Jem. O irmão deixa de olhar para ela da mesma maneira, as brincadeiras já não são as mesmas, Jem nem sempre tem vontade de alinhar com ela, prefere estar só e nem sempre tem paciência para ela. Por outro lado, por vezes assume um papel mais protector, "resguardando-a" relativamente a certas conversas ou assuntos, o que irrita sobremaneira Scout que detesta sempre que o irmão diz "Isso, ela não percebe." E uma vez, quando o irmão a adverte para que não mate um bicho-de-conta, ela considera que o irmão está cada vez a parecer-se mais com uma rapariga.
É nesta segunda parte do livro, que Scout e Jem pela primeira vez entram no mundo da comunidade negra, que só conheciam pela sua ligação a Calpurnia, a cozinheira. A primeira vez que vão com Calpurnia à Igreja da Alforria descobrem que aquele é um mundo diferente do seu. Uma igreja despojada de adornos ou riquezas, sem livros de hinos, porque praticamente todos são analfabetos, em que se recolhe dinheiro para ajudar os membros da comunidade que estão em situação aflitiva. Mas onde, à semelhança das outras igrejas, a mulher é vista como um ser inferior e impuro, o que não passa despercebido aos sentidos atentos de Scout.
Atticus Finch é um homem só na sua luta contra a segregação e a injustiça e o ter aceitado ser advogado de defesa de um negro acusado de ter violado uma branca, incita sobre ele os ódios, a maledicência e a incompreensão de praticamente toda a comunidade branca, independentemente do estrato social. São admiráveis os capítulos que correspondem ao julgamento de Tom Robinson, o desfilar das testemunhas, os interrogatórios dos advogados de defesa e de acusação, o comportamento do juíz, do público e a enorme lição que para Scout, Jem e Dill também presentes, constitui o veredicto do júri que condena um inocente, fruto do preconceito, do racismo e da ignorância.
Esta é uma história de coragem, de integridade, optimista relativamente ao que há de bom nos seres humanos. O advogado Atticus Finch era um homem genuinamente bom, justo e íntegro, que praticava a igualdade e que acreditava intrinsecamente na bondade dos seres humanos. A única vez que Scout ouviu um dia o pai falar em pecado foi para lhe dizer que podia matar todos os gaios-azuis que encontrasse, caso conseguisse acertar-lhes, mas que era pecado matar uma cotovia. A explicação foi-lhe dada por uma vizinha: "As cotovias não fazem nada a não ser cantar belas melodias para nós. Não estragam os jardins das pessoas, não fazem ninhos nos espigueiros, só sabem cantar com todo o sentimento para nós. É por isso que é pecado matar uma cotovia."
É uma satisfação que esta obra esteja incluída na lista de livros do Plano Nacional de Leitura. Oxalá seja usufruída por muitos/as e muitos/as jovens. Uma lição admirável de cidadania.


Almerinda Bento

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

"Vai e Põe Uma Sentinela" de Harper Lee

Tal como muitos leitores, gostei muito de "Por Favor Não Matem a Cotovia". Estava, por essa razão, muito curiosa com esta obra. Curiosa e apreensiva, sobretudo porque um livro que ficou escrito e guardado tantos anos poderia não ter a mesma força narrativa que o primeiro. O primeiro que foi publicado, entenda-se, mas que na realidade foi escrito depois deste, "Vai e Põe Uma Sentinela". Assim, em termos de escrita, este livro como primeira tentativa da autora poderia não possuir a força que tem "Por favor, não Matem...". Não foi o caso, felizmente.

Não fiz esta leitura ao sabor de comparações entre os dois livros. Já não o conseguiria fazer, mesmo se quisesse, porque não me recordo da história com todos os pormenores. São histórias que a meu ver se completam. O "Por favor..." é-nos contado por uma criança, Scout, e aos olhos de uma criança, o pai, Atticus, é um herói. Na realidade, ele comporta-se como tal e defende contra tudo e todos um indivíduo negro numa época em que brancos e negros se confrontam e onde o racismo tem uma alta manifestação de violência.

Em "Vai e Põe Uma Sentinela", Scout é já uma jovem adulta e, numa vinda a casa para passar férias, descobre que o pai não é o tal modelo que imagina. Reage com violência e toda ela entra em convulção. Defende o que lhe foi incutido em criança. Os seus sonhos caem por terra mas crescer é isso mesmo. Saber dar a volta, verificar que as pessoas não possuem só duas cores, preto e branco, e que por vezes mudam. Quem não se lembra de, em criança, achar que os pais sabem sempre tudo e nunca erram? Crescer é admitir que as pessoas são isso mesmo. Pessoas! Que erram e que alteram as suas crenças, para o melhor e para o pior. Scout cresce interiormente com essa descoberta...

Esta personagem, com todo o seu fulgor, contestação e pureza, mantém-se, nos seus traços gerais, idêntica à descrita no Por Favor Não Matem A Cotovia. Sendo a personagem central é a que está mais desenvolvida e à qual o leitor sente uma empatia directa, instantânea, quase física. No entanto, Harper Lee revela-se uma contadora de histórias em todos os sentidos já que é com paixão que os restantes personagens são apresentados por Scout, no desenrolar da história.

A narrativa prende, apaixona o leitor.

Gostei muito deste livro e recomendo-o por isso.

Terminado em 23 de Outubro de 2015

Estrelas 5*

Sinopse

Jean Louise Finch - Scout - a inesquecível heroína de Matar a Cotovia, regressa de Nova Iorque a Maycomb, a sua cidade natal no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Decorre o turbulento período de meados de 1950, numa nação dividida em torno das dramáticas questões raciais. É com este pano de fundo que Jean Louise descobre verdades perturbadoras acerca da sua família, da cidade e das pessoas de quem mais gosta, o que a leva a interrogar-se sobre os seus valores e princípios, e a confrontar-se com complexos problemas de ordem pessoal e política.

Vai E Põe Uma Sentinela, romance inédito de Harper Lee, cujo manuscrito se havia perdido mas descoberto em 2014, foi escrito antes de Matar A Cotovia e apresenta-nos muitos dos personagens dessa mítica obra, agora vinte anos mais velhos. Um livro magnífico, comovente e de grande fascínio de um dos maiores vultos da ficção contemporânea.

Harper Lee nasceu em 1926 em Monroeville, no Alabama. Frequentou o Huntingdon College e estudou Direito na Universidade do Alabama. É a autora de Matar a Cotovia, eleito o Melhor Romance do Século pelo Library Journal, em 1999, do qual já foram vendidos mais de 30 milhões de exemplares em todo o mundo. Harper Lee foi distinguida com inúmeros galardões, incluindo o Prémio Pulitzer, em 1961, e a Medalha Presidencial para a Liberdade, em 1999, pelo seu contributo prestado à literatura.

Trailer: https://youtu.be/4vNSVI9sc-g
Para mais informações ver Editorial Presença aqui.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Soltas... Por favor não matem a cotovia.


"... queria que visses o que é a verdadeira coragem, em vez de pensares que coragem é um homem com uma arma nas mãos. Coragem é sabermos que estamos vencidos à partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até ao fim."

"Se só existe um tipo de pessoas, por que é que não se dão bem? E se todos somos iguais por que é que se esforçam tanto por se odiarem mutuamente?"

Jem, como é possível odiar tanto o Hitler e, assim que se voltam as costas, ser-se tão mau para as pessoas da nossa terra..."

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Por favor não matem a cotovia de Harper Lee


Edição/reimpressão: 2004
Páginas: 400
Editor: Difel
ISBN: 9789722906838

Depois de vários comentários muito bons nalguns blogues, peguei neste livro para poder confirmar se a sua excelência era, de facto, verdadeira, pelo menos para mim. É sempre com alguma apreensão que pego num livro com muitas "estrelas" porque me sinto quase obrigada a gostar dele... e eu sou um pouco do contra! Mas este livro é, realmente, um doce cheio de inocência e frescura.

Pelos olhos de uma menina vamos desfolhando a sua infância, passada com seu pai, seu irmão e uma empregada negra que a criou depois de sua mãe ter falecido. Infância essa, passada numa pequena cidade dos EUA onde o racismo e o preconceito são uma constante. 

Com a inocência dos seus 8 anos vai descobrindo que as pessoas não são iguais nos seus direitos e que os membros da raça negra não são tratados de igual forma que os da raça branca. O pai, advogado, é uma figura importante no seu crescimento, um homem com um sentido de justiça muito apurado e que faz de tudo para conseguir salvar um homem negro, acusado injustamente. É o despertar por parte de uma criança, o começar a olhar e ver as injustiças que participam algumas pessoas da sua comunidade, pessoas que ela conhece e que vivem perto. Mas é também um olhar de esperança, de luta por parte de gente que acredita da igualdade entre todos os seres humanos.


Comove esta leitura porque a sabemos real em muitos aspectos. Ainda hoje! A cotovia, é-nos explicado a meio do livro, é um pássaro que não deve ser morto porque nos encanta com o seu canto e não faz mal a ninguém, representa a esperança num mundo mais justo e a inocência e frescura das crianças que, como tal, não se deve aniquilar... Um livro de leitura fácil e simples para um tema pesado e actual: o racismo. Gostei muito!


Queria fazer um reparo. O livro que li foi-me emprestado pelas BLX e é de uma edição de Abril de 2004. Encontrei dois erros de tal maneira ?!?!?!? que não posso passar sem os mencionar. Creio que a revisão deveria ser mais cuidada pois não se admite a sua existência. Aqui vão eles:
Pág. 57 - "ouvis-te" em vez de "ouviste"
Pág.180 - "ensinas-te" em vez de "ensinaste"
Que tal conjugarem os verbos? Eu ouvi, tu ouviste... Eu ensinei, tu ensinaste... O "te" só se separa quando se trata de um pronome.


Terminado em 15 de Fevereiro de 2011 

Estrelas: 5*

Sinopse

Durante os anos da Depressão, Atticus Finch, um advogado viúvo de Maycomb, uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, recebe a dura tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de violar uma jovem branca. Através do olhar curioso e rebelde de uma criança, Harper Lee descreve-nos o dia-a-dia de uma comunidade conservadora onde o preconceito e o racismo caracterizam as relações humanas, revelando-nos, ao mesmo tempo, o processo de crescimento, aprendizagem e descoberta do mundo típicos da infância. Recentemente, alguns dos mais importantes livreiros norte-americanos atribuíram grande destaque ao livro, ao elegerem-no como o melhor romance do século XX.