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sexta-feira, 22 de setembro de 2023

"O Castelo do Barba-Azul" de Javier Cercas

Terceiro e último livro da trilogia "Terra Alta" onde Melchor Marín é o protagonista principal. É um justiceiro, sendo que o seu objetivo é fazer justiça independentemente do que se mostrar necessário para a atingir. Bibliotecário, ex-polícia, pai de uma adolescente que educou sozinho, lutou toda a vida com a falta pela perda da sua mulher, assassinada por meliantes e traficantes. E o que faz se a sua filha, o seu bem mais precioso, se encontrar em apuros?

Uma jornada pelo caminho do bem, onde se juntam a Melchor alguns amigos corajosos e que nos leva a uma cruzada onde David luta contra Golias e em que queremos que vença. É com traficantes, gente sem escrúpulos, violadores, onde o dinheiro serve para silenciar e chantagear que o ex-polícia vai ao encontro para fazer justiça. 

Leitura viciante, rápida e que considero "leve" porque o leitor consegue separar bem o que está a ler com a sua vivência pessoal, pese embora existam cenas de grande violência. "Aquele mundo não é o meu", pensei.

Embora possa ser lido separadamente, pois no decorrer da trama são-nos explicados vários pormenores de algumas características e vivências das personagens, o melhor mesmo é começarem pelo Terra Alta, seguido do Independência.

Terminado em 23 de Agosto de 2023

Estrelas: 5*

Sinopse

Anos depois dos acontecimentos relatados em Independência, Melchor Marín deixou a polícia: trabalha como bibliotecário e vive com a filha, Cosette, agora adolescente. Certo dia, a jovem descobre que o pai lhe ocultou as circunstâncias da morte da mãe, o que a deixa revoltada. Passado pouco tempo, parte de férias para Maiorca, mas não regressa. Também não responde às mensagens do pai, nem atende as suas chamadas. Convencido de que algo grave aconteceu a Cosette, Melchor decide ir procurá-la. É então que o romance se transforma num labirinto absorvente, ao mesmo tempo sinistro e luminoso, que leva Melchor a perceber que os seres humanos são tão capazes do pior como do melhor, que vivemos rodeados de violência, mentiras, abusos de poder e cobardias, embora também ainda exista quem seja capaz de arriscar tudo em nome do que é justo. Astuto e disfarçado de romance de aventuras, O Castelo do Barba Azul confirma os livros de Terra Alta como o projeto literário mais ambicioso de Javier Cercas.  

Cris

terça-feira, 10 de maio de 2022

"Independência - Terra Alta II" de Javier Cercas

Este é a sequela do livro de Javier Cercas, "Terra Alta", um policial que foge aos estereótipos habituais e que, por essa razão, gostei muito de ler. A minha opinião aqui.

Melchor, como referi, não é como os outros polícias que estou habituada a ver caracterizados nos (poucos) policiais que leio. Tem duas facetas que, nele, coabitam admiravelmente. O leitor não estranha que seja um pai carinhoso, que goste de ler para si e para a filha, amigo do seu amigo, que cumpre a lei e a ordem. E depois há todo um lado de "vingador", movido pelo seu passado muito pouco ortodoxo, que nos desconcerta como leitores mas que nos dá, simultaneamente, um intimo prazer descobrir. Os métodos usados por este polícia não são os politicamente corretos mas são sim os que nos dão mais gozo ler!

Fiquei com vontade de ler "Os Miseráveis" de Vitor Hugo, tais são as vezes referidas nesta obra. Júlio Verne e Eça de Queiróz também aparecem referidos como autores preferidos deste polícia tão singular.

Terminado a 7 de Maio de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

Como enfrentar quem na sombra maneja o poder? Como vingar-se de quem tanto mal lhe fez? Volta Melchor Marín. E volta a Barcelona, aonde foi chamado para investigar um caso delicado: a presidente da Câmara está a ser chantageada com um vídeo sexual. Com um sentido inflexível de justiça e uma integridade moral inabalável, Melchor deverá desmontar uma extorsão cujas intenções não são claras. Para tal, terá de penetrar no mais fundo dos círculos do poder, onde reinam o cinismo, a ambição sem escrúpulos e a brutalidade da corrupção. E é nesse palco que este romance absorvente e selvagem, povoado de personagens memoráveis, se converte num retrato demolidor da elite político-económica de Barcelona, mas, sobretudo, num poderoso grito contra a tirania dos detentores do dinheiro e os amos do mundo.

Cris

sexta-feira, 12 de março de 2021

"Soldados de Salamina" - Graphic Novel de Javier Cercas

A leitura desta GN foi realmente feita no momento próprio. Tinha acabado de ler "Os Doentes do Dr Garcia" e estava ainda muito presente em mim a História de Espanha, a Guerra Civil, os conflitos entre republicanos e falangistas. 

Gosto da escrita de Javier Cercas se bem que aqui, numa GN, ela não se torna tão marcante e sobressaia mais a história em si e as imagens que dão cor a essa história.

Por falar em cor, aqui, sendo uma história dentro da história, ela é usada para diferenciar as duas narrativas. Em tons cinza, preto e branco é-nos relatada a historia de um dos fundadores da Falange; em tons mais vivos a historia do próprio Javier e as suas peripécias quando resolveu contar essa parte da História espanhola.

Uma leitura que prende a atenção do leitor, divertindo-o e  transmite ensinamentos ao mesmo tempo. 

Com um mistério a decorrer, surpreende o leitor até ao último momento. Gostei muito.

Terminado em 25 de Fevereiro de 2021

Estrelas: 5*

Sinopse

Nos dias finais da guerra civil, perto da fronteira franco-espanhola, deu-se um fuzilamento de prisioneiros franquistas. Um destes escapou com vida, graças a um jovem soldado republicano, e conseguiu refugiar-se no bosque. Era Rafael Sánchez Mazas, poeta, fundador da Falange e futuro ministro de Franco. Sessenta anos mais tarde, um romancista em crise desenterra este episódio bélico e, fascinado por ele, propõe-se investigar e esclarecer as suas circunstâncias.

Soldados de Salamina, romance de Javier Cercas publicado originalmente em 2001, foi aclamado como um clássico moderno da literatura por, entre outros, Kenzaburo Oé, Susan Sontag, George Steiner ou Mario Vargas Llosa. Apresentamos agora uma minuciosa adaptação gráfica pela mão de José Pablo García, um dos autores de banda desenhada espanhóis com maior projeção internacional.

Cris

terça-feira, 10 de novembro de 2020

"Terra Alta" de Javier Cercas

Já há muito que não lia um policial. Um policial tão bom. Este autor espanhol é sobejamente conhecido no país vizinho pela quantidade de prémios que ganhou, mas ainda não tinha lido nada dele muito embora tenha nas estantes três dos seus livros. Estava a perder, sem dúvida!

 Creio que o que capta a atenção do leitor não é o crime (horripilante!) que é cometido e descrito ao pormenor logo nas primeiras páginas (como convém!) mas a natureza e personalidade do investigador principal, Melchor. E não, não é gordo, nem bêbado, nem tarado por mulheres e (pasmem!) tem uma inteligência normal como os comuns mortais. Traumas? Sim, claro. Quem os não tem? Mas tem um carisma muito próprio, marcado tanto pela vida passada repleta de "incidentes que povoaram a sua infãncia pobre como pela forma como conseguiu lidar com eles. Santo? Não, de todo. 

E depois tem um amor pelos livros que me encantou. Romances. "Os Miseráveis", sobretudo, mas também outros que anotei para depois pesquisar (não li nenhum!). Identifica-se com um dos personagens desta obra, Jean Valjean, e lê o livro várias vezes ao longo da sua curta vida. Porque Melchor, embora já tivesse vivido muito, é bastante novo. Este destaque dado à personagem principal é o motor desta obra e foi com verdadeira mestria que o autor desenvolveu as suas características psicológicas. A luta que trava no seu interior entre a justiça e a vingança, o amor e o ódio tocam o leitor e aproximam-no dele. Bingo!

Deixo-vos uma frase, que retirei desta obra, que me fez pensar de tão verdadeira que é: "Odiar alguém é como beber um copo de veneno achando que assim vamos matar quem odiamos". Forte, cru mas autêntico. Uma pérola. 

Recomendo muitíssimo e espero, como disse no meu Instagram, que a "vida" de Melchor não acabe aqui...

Terminado em 8 de novembro de 2020

Estrelas: 6*

Sinopse

Um crime terrível abala a pacata comarca da Terra Alta: os donos da sua maior empresa, as Gráficas Adell, aparecem mortos, barbaramente assassinados. Quem toma conta do caso é Melchor Marín, jovem polícia e leitor voraz que chegou de Barcelona quatro anos antes. Sobre os ombros carrega um passado obscuro que o converteu numa lenda junto das forças policiais, mas que ele acredita ter enterrado sob uma vida feliz como marido da bibliotecária da povoação e pai de uma menina chamada Cosette, tal como a filha de Jean Valjean, o protagonista d'Os Miseráveis, o seu livro preferido. Com uma narrativa intensa e repleta de personagens memoráveis, este romance é uma reflexão lúcida sobre o valor da lei, a possibilidade de se fazer justiça e a legitimidade da vingança. Mas, mais do que tudo, é a epopeia de um homem em busca do seu lugar no mundo.

Cris