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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

"O Caminho da Cidade" de Natalia Ginzburg

Uma curiosidade sobre o presente livro desta autora que muito aprecio; este foi o seu primeiro romance, publicado sob um pseudónimo devido à censura fascista e leis anti-semíticas em Itália.

O livro gira em torno de uma adolescente e é narrado na primeira pessoa, a Delia. Vive num lugarejo pobre e a cidade constitui uma promessa de sonhos a realizar. Segundo ela a sua independência encontra-se lá. Ao engravidar de um rapaz economicamente mais abastado, as suas expectativas são, dia a dia, goradas. A passagem de uma adolescência cheia de sonhos para uma vida adulta com restrições impostas, familiar e socialmente.

Crítica social intensa, a autora com uma prosa simples, nua e crua, sem julgamentos, mostra bem como as expectativas não conduzem necessariamente à realidade.

Novela que se lê num ápice e que aconselho vivamente.

Terminado em 26 de Novembro de 2025

Estrelas: 5*

Sinopse
O Caminho da Cidade foi o primeiro romance escrito por Natalia Ginzburg e tem já o tom inconfundível que vai caracterizar a sua obra posterior. Foi publicado em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, sob o pseudónimo de Alessandra Tornimparte. 

Cris 

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

"As Pequenas Virtudes" de Natalia Ginzburg

Como já tinha lido dois livros desta autora (opiniões aqui e aqui) e ela foca-se muito em retratos e acontecimentos da sua vida, foi delicioso ler estas "Pequenas Virtudes". Pequenos nadas, aqui e ali, fizeram todo o sentido para mim porque tinha conhecimento de acontecimentos da sua vida, por ter lido sobretudo o "Léxico Familiar" e consegui relacioná-los com estas crónicas tão assertivas e íntimas, que nos falam de si, da perda inevitável que a vida acarreta, mas também do seu crescimento inerente, do ofício da escrita, etc. 

Se em "Léxico Familiar" achei a escrita desprovida do "eu", quando relatava episódios ocorridos durante a sua vida, aqui o tom é mais a meu gosto, um pouco mais pessoal muito embora Annie não tropece nunca num tom lamechas que não lhe cairia bem! Mas os sentimentos e as emoções estão aqui mais  representados, facto que me fez gostar mais que o livro referido anteriormente.

Pequenas crónicas que gostei muitíssimo de ler. E olhem que textos pequenos não são a minha praia! Livro e autora abordados num clube de leitura o que enriquece e nos dá outras visões e outros sentires.

Terminado em 6  de Novembro de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse 

Entre 1944 e 1962, Natalia Ginzburg escreveu um conjunto de onze ensaios de pendor autobiográfico. São textos essenciais, o legado de uma das mais importantes escritoras do século xx, que viveu retirada no campo com o marido durante o governo de Mussolini e nos anos 60 se deslocou para Londres.

Por eles, passam as suas impressões sobre a juventude e a idade adulta, as consequências da guerra, o medo, a pobreza e a solidão, as recordações de Cesare Pavese e a experiência de ser mãe e mulher quando se é escritora.

São páginas de uma perturbadora beleza, lúcidas, plenas de sabedoria, testemunho de uma escrita capaz de transformar objectos e experiências quotidianos em assuntos de grande significado sobre os quais o tempo parece não passar.

Cris

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

"Léxico Familiar" de Natalia Ginzburg

Como tinha lido "A Caminho da Cidade" (opinião aqui) e gostado muito, tinha expectativas muito altas sobre este livro. Estava à espera de um relato mais pessoal sobre a vida da escritora, pese embora ela tenha esclarecido, no princípio do livro, numa Advertência, que não era isso a que se propunha. "E há ainda muitas coisas que, apesar de as recordar, deixei por escrever; e entre elas muitas que me diziam diretamente respeito."

Foi precisamente disso que aqui senti falta. Muitos acontecimentos familiares e ocorridos entre amigos, alguns escritores, e os aspectos de sua vida contados de uma forma rápida, fria, distante. Sei que muitos amigos gostaram muito desta obra mas eu queria um pouco mais de emoção na escrita. Mas depois de termos comentado a vida desta autora num grupo de leitura a que pertenço, fiquei a perceber melhor o quanto esta escrita é trabalhada, no sentido de ser muito vivida, e o quanto é fruto de uma reacção natural a várias vivências muito marcantes. A reacção a traumas, muitas vezes, leva o indivíduo a falar ao de leve nesses assuntos, pondo um ponto final nos mesmos. Esta escrita, que senti fria, creio ter sido a forma encontrada pela autora de seguir em frente com a sua vida. 

Para além deste aspecto gostei muito de conhecer o ambiente vivido em Itália durante o século XX,  através dos elementos da sua numerosa família de descendência judia e antifacista, os anos marcados pelas políticas de Mussolini, da II Guerra.  As torturas, a fome, as prisões mas também a luta pela liberdade. 

Experimentem e digam de vossa justiça. Estou curiosa com outra obra, "Foi Assim", e quero ver se a descubro em segunda mão.

Terminado a 23 de Outubro de 2022

Estrelas: 4*

Sinopse

Léxico Familiar é o principal livro de Natalia Ginzburg e um clássico da literatura italiana contemporânea. A narrativa acompanha a vida dos Levi, que viveram em Turim entre 1930 e 1950, período em que se assiste à ascensão do fascismo, à Segunda Guerra Mundial e aos acontecimentos que se lhe seguiram. Natalia, uma das filhas do professor Levi, foi testemunha dos momentos íntimos da família e dessa conversa entre pais e irmãos que se converteu num idioma secreto. Nesta narrativa de pendor autobiográfico, os acontecimentos quotidianos misturam-se com reflexões que mantêm toda a atualidade.

O livro venceu em 1963 o Prémio Strega.

Cris

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

"O Caminho da Cidade" de Natalia Ginzburg

Tenho ouvido falar tão bem desta escritora italiana, de Palermo, que a queria "provar" rapidamente. Nada melhor do que este livrinho pequeno! 

A sua escrita é de tal forma corrida que nos deixa quase sem fôlego. Por isso li-o em pouco mais de uma hora. A protagonista e narradora é uma rapariga ingénua, cuja ingenuidade é de tal forma extremada que coloca no leitor uma forte vontade de abaná-la e "falar" com ela! 

Foi essa intenção que me manteve presa porque os acontecimentos são narrados num discurso directo intenso e rápido e não auguram nada de bom para essa moça cujo nome não me lembro e tão pouco importa, já que numa passagem rápida pelas páginas desta obra, me apercebi que, se foi mencionado, não há-de ter sido muitas vezes porque não o encontrei...

Então, chamemos-lhe N (narradora). N vive com os quatro irmãos e um primo. Os mais velhos desejam desesperadamente sair de casa. Ela própria também. A mãe é motivo de conflito e quase ódio. Do pai há ausência mas também amor.

N sempre que pode foge para a cidade, para a casa da irmã ou para deambular nas ruas. É uma menina amarga que a vida vai atropelar porque as escolhas que faz não contribuem para a sua felicidade. O primo e o namorado (mais tarde marido) serão sempre, para ela, motivo de angústia porque mais do que as decisões que poderia tomar e nunca o faz, ela deixa que a falta de resoluções se apoderem e comandem a sua vida. Ao não decidir, ela decide.

Um romance pequeno, que prende, ensina e seduz. Gostei muito.

Terminado em 7 de Agosto de 2022

Estrelas: 5*

Cris