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domingo, 22 de setembro de 2019

Ao Domingo com... Ana Pinto


Sempre estive ligada ao voluntariado e principalmente com crianças. Sou licenciada em Ciências da Comunicação e como tal, a criação de conteúdo foi sempre uma grande paixão. Num momento de maior reflexão pessoal, define que a intenção que iria guiar a minha vida seria ser a diferença que quero ver no mundo.

Porém, não queria apenas brincar e contar-lhes histórias. Queria dar-lhes a possibilidade de poderem contar a sua história. Afinal, quem melhor do que uma criança para escrever histórias infantis? Ela sente, vê e pensa como só uma criança sabe. Para além disso seria criado também um momento de partilha de aprendizagens e valores importante para o desenvolvimento deles e, em última instância, poderia ajuda-los a ultrapassar uma momento desafiante e inspirar outras crianças na mesma situação.

Foi uma experiência muito enriquecedora e 'desafiantemente' mágica.

Havia vários factores influentes, tais como a dimensão do grupo, idade e género. Havia sempre uma timidez e insegurança inicial. Era fundamental da minha parte quebrar o gelo, acolher cada um individualmente e incentivar à partilha sem medo, pois afinal ninguém estava ali para ser avaliado. Depois de definido o tema em grupo, as ideias fluíam e por vezes até era dificil conseguir acompanhar tantas ideias.

Foi curioso ver que sempre que existia um grupo misto (rapazes e raparigas) a participação e imaginação era muito maior. Houve um dia em que tive apenas um grupo de raparigas que teve uma enorme dificuldade em desligar-se das histórias já existentes. Acabavam por contar histórias de princesas que já conheciam e mostraram uma enorme dificuldade em ir para além disso. Os rapazes eram muito mais destemidos, sem medo de julgamentos.

Esta foi uma experiência que me marcou porque diz muito acerca da educação e padrões que ainda persistem na educação das nossas crianças.

A introdução dos valores foi um trabalho feito por mim ao longo do processo da criação para garantir que houvesse essa parte pedagógica, não só para as histórias finais como também para cada atividade em grupo.

Não foi algo forçado mas sim uma sugestão que os incentivou a reflectir e dar outro rumo à história que estavam a criar. Por exemplo, uma situação que seria resolvida com violência, acabou com um perdão.

Acredito que o envolvimento das crianças neste projeto possa ter contribuído para o seu bem estar. Porque criou uma atividade em grupo que assim permitiu eles se conhecerem, falarem, brincarem e criarem amizades. Esses laços foram para além da criação das histórias. As salas, os corredores e os quartos ficaram mais recheados de amizade, união, imaginação e alegria.

Para mim, este livro é muito mais do que uma compilação de histórias. É uma prova daquilo que as crianças são capazes de fazer quando criamos condições para tal. É a prova do que em conjunto podemos fazer quando unidos pela mesma causa (campanha crowdfunding) e a prova de que afinal uma pessoa apenas pode fazer a diferença.

É uma prova de amor e esperança. Assim seja!

Ana Pinto
(Organizadora de"As Histórias do Joãozinho")

sábado, 21 de setembro de 2019

Na minha caixa de correio

  

  

 

Oferecidos pela Porto Editora:(Qual escolho para começar?)
 - As Filhas do Capitão
- Milkman
- A Agenda Vermelha

Ofericido pela Saída de Emergência:
- Cthulhu - este livro é lindo de morrer e é enorme, com ilustrações belíssimas!

Oferecido pelo Clube do Autor:
- Crime, disse o Livro
- Viriato

Oferecido pela Alma dos Livros, uma das minhas próximas leituras:
- As Gémeas de Auschwitz


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

A Escolha do Jorge: "Regresso a Reims"



“Reims surge-me, não somente como um ancoradouro familiar e social (…), mas também (…) como a cidade do insulto.” (p. 187) 
“Sou um produto da injúria. Um filho da vergonha.” (p. 190)


Num registo autobiográfico, o filósofo e sociólogo Didier Eribon (n. 1953) procura compreender a realidade social onde cresceu, tecendo considerações importantes sobre a evolução do pensamento na França, a partir da década de 50, e de que forma a direita e a extrema-direita têm ganhado expressão desde então.
O autor cresceu em Reims, uma cidade a cerca de 150 km de Paris, que se debatia ainda com a reconstrução e sobrevivência do segundo após-guerra. A baixa escolaridade dos seus habitantes consolidava em certa medida o determinismo social a que estavam sujeitos, na medida em que os rapazes ao abandonarem a escola tornavam-se operários ou dedicavam-se a pequenos ofícios que não requeriam grande especialização tecnológica, ao passo que as raparigas trabalhavam em limpezas e outras tarefas domésticas. Os jovens casavam-se cedo e tinham vários filhos, o que, no seu conjunto, numa época anterior ao Maio de 68, contribuía para a perpetuação de pobreza e miséria nos estratos
sociais mais baixos em França.
Este “Regresso a Reims” após a morte do seu pai com quem, há muitos anos não mantinha qualquer contacto, permitiu a Didier Eribon, na reaproximação com a sua mãe, tentar compreender a história de violência a que esteve sujeito durante os vinte anos em que viveu com a sua família, tentando compreender a génese dessa mesma violência.
Identificando-se como homossexual, é em Reims que o autor constrói a sua identidade, confrontando-se desde tenra idade com o insulto, sofrendo emocional e psicologicamente na sequência de ter sido vítima de perseguição e de gozo tanto no seio da família, como no bairro onde vivia e na escola. “Reims surge-me, não somente como um ancoradouro familiar e social (…), mas também (…) como a cidade do insulto.” (p. 187) “Sou um produto da injúria. Um filho da vergonha.” (p. 190)
Era imperativo sair de Reims. Era preciso romper com aquela vida que teria somente a continuidade do preconceito, do racismo, da xenofobia, de toda e qualquer mudança que se verificasse no ‘ethos’ social. Romper com Reims era sinónimo de cortar ligações com a família e com toda uma realidade social de permanente violência. Ainda que Paris estivesse na mira de Didier Eribon, era por via dos estudos que seria possível esse corte. Mais tarde, o próprio autor viria a compreender que mesmo com estudos, o secundário, uma licenciatura, mestrado e doutoramento, o seu passado social ligado ao meio operário e à esquerda perseguiam-no. “O que hoje sou formou-se pelo entrecruzar desses dois percursos: eu tinha-me mudado para Paris com a dupla esperança de viver livremente a minha vida gay e de tornar-me um «intelectual».” (p. 217)
Refugiando-se desde cedo nos livros, mesmo quando a sua família não tinha hábitos de leitura, o autor tornou-se um acérrimo defensor das ideias de Sartre que num dos seus livros sobre Jean Genet, encontrou aquela que viria a constituir a “mola” para se impor a si mesmo a decisão de agir e de romper com aquele meio social estagnado, conservador, asfixiante, preconceituoso e homofóbico. “O importante não é o que fazem de nós, mas o que nós próprios fazemos daquilo que fizeram de nós.” (p. 212) Ainda sobre este ponto em particular, Didier Eribon afirma “(…) A homossexualidade impõe que se encontre uma solução para não sufocar. Não posso deixar de pensar que a distância que se instaurou – que me esforcei por instaurar – com o meu meio social e a autocriação de mim mesmo como «intelectual» foram a maneira que eu inventei para lidar com aquilo em que estava a tornar-me e que não poderia ser sem me diferenciar daqueles de quem diferia.” (pp. 188-189)
Nas últimas páginas, no epílogo deste seu doloroso e reflexivo “Regresso a Reims”, o autor lamenta não ter procurado o pai durante os anos do silêncio na tentativa de o compreender, compreender as suas motivações tentando compreender o tecido social envolvente. “Lamentei, em suma, ter deixado a violência do mundo social impor-se-me, como também a ele se lhe impusera.” (p. 230)
Por muito que se tente romper com o meio social que nos oprime e agride, Didier Eribon alude que um corte decisivo é impossível dadas as origens, as raízes, o passado. Podemos falar de reinvenção e reformulação, mas nunca ocorrem a partir do nada, daí que “nunca se é totalmente livre, nunca se está libertado.” (p. 211) “(…) A transformação de si não se opera nunca sem integrar as marcas do passado: conserva esse passado, simplesmente porque ele é o mundo em que se foi socializado, mundo esse que permanece em larga medida presente em nós e à nossa volta, no mundo em que doravante vivemos. O nosso passado é ainda o nosso presente. Por consequência, reformulamo-nos, recriamo-nos (como uma tarefa que é preciso retomar indefinidamente), mas não nos formulamos, não nos criamos.” (p. 212)
Mas este “Regresso a Reims” não se traduz somente num reencontro do autor com o seu antigo ambiente familiar e com as diferenças sociais e culturais que opõem as ideias de estagnação e de desenvolvimento, de perpetuação da pobreza quase como um valor defendido pelas classes populares ainda que sem a consciência de que somente se deve a elas mesmas essa mesma condição pelo facto de não terem apostado mais seriamente nos estudos em oposição ao percurso de ruptura concretizado pelo autor.
Didier Eribon apresenta-nos uma linha de pensamento que em muito contribui para a compreensão não só da França actual (mesmo tendo passado uma década após a edição da presente obra), mas também porque, em certa medida, estes são os grandes temas fracturantes na Europa de hoje. Depois do Maio de 1968, os partidos de esquerda eliminaram progressivamente dos seus discursos a expressão “classe operária”, o que veio a beneficiar a direita e a extrema-direita (Frente Nacional) ainda que de modo descontínuo. Ao eliminar do discurso político de esquerda a ideia de conflito de classe e reivindicações dos trabalhadores, as massas populares deixam de se identificar com aquela tendência política na medida em que a esquerda de outrora deixou de representar esta parte do eleitorado, ganhando, desta forma, a direita e a extrema-direita através da nova conjuntura da França na sequência da forte imigração que se faz sentir à época.
Antes da greve, franceses e imigrantes têm um inimigo comum que era o patronato, mas a ideia de que os estrangeiros beneficiem dos mesmos direitos que os franceses, passa a ser o novo mote político, aumentando assim o racismo, a xenofobia e a violência que se fomenta fruto destes conflitos, também eles sociais, quando todos lutam pela sobrevivência. “Quando a esquerda se revela incapaz de organizar-se enquanto espaço e crisol em que se formam os questionamentos e também em que se investem os desejos e as energias, são a direita ou a extrema-direita que conseguem acolhê-los e atraí-los.” (p. 146)
Perante a violência que ganhou terreno ao longo da última década em França e no resto da Europa, na sequência dos movimentos migratórios oriundos maioritariamente de África, Didier Eribon faz um apelo: “A tarefa que incumbe aos movimentos sociais e aos intelectuais críticos é pois: construir quadros teóricos e modos de perceção políticos da realidade que permitam, não apagar – o que seria impossível -, mas neutralizar ao máximo as paixões negativas presentes no corpo social e nomeadamente nas classes populares; oferecer outras perspetivas e esboçar assim um futuro para aquilo que poderia de novo chamar-se a esquerda.” (p. 146)
Texto da autoria de Jorge Navarro

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Apresentação do Livro "Temperos da Argas"

Enquanto esperava que a apresentação começasse fui folheando este livro da Márcia. Tirei os post-it da mala e marquei algumas receitas. Devo escolher umas bolachinhas e trazer-vos cá para a semana. Na rúbrica Experiências na Cozinha. 

Gostei muito da conversa que surgiu espontaneamente entre Marília Pereira, enfermeira especialista em Saúde Materna, a Márcia e a própria editora. Falou-se da importância da alimentação na prevenção de doenças e também, na redução dos sintomas de algumas doenças, da importância de comer alimentos da época e não processados, da educação do paladar nas crianças (a quantidade de doces que elas comem é absurda!) e de muitos mais temas que achei muito interessantes.

Se quiserem espreitar o blogue da Márcia (tem o mesmo título que o livro), façam o favor! Deixo-vos com algumas fotos:






Cris

"Nada Menos Que Um Milagre" de Markus Zusak

Foi uma peripécia a leitura deste livro! Com tantas interrupções que, ainda hoje, temo não ter captado tudo o que ele tem de bom para nos oferecer.

Primeiro, as suas quase 500 páginas levaram-me a, sempre que saía, deixá-lo em casa. O seu peso é considerável, portanto! Depois, o primeiro capítulo não fluíu como estava à espera e comecei a intercalar outros livros. (Mais tarde, foram as férias com bagagem reduzida que me impediram de o terminar rapidamente como então já desejava!)

Algumas opiniões positivas, de amigas que prezo, fizeram-me pegar nele. Passado o primeiro capítulo, a leitura flui de forma diferente. A história da família Dunbar prende. O passado e o presente, que nos são mostrados intercaladamente, fazem-nos entrar, aos poucos, nos segredos de uma família nada convencional. Pai e mãe, com os seus percusos de vida tão únicos e interessantes e os cinco filhos rapazes, com as suas especificidades que os tornam tão diferentes uns dos outros mas, ao mesmo tempo, unidos por uma forte amizade. A morte da mãe, a fuga do pai após esse acontecimento, cria nos cinco irmãos laços que se vão manter para sempre. 

O narrador é Matthew, o irmão mais velho, e a narrativa processa-se lentamente. Os pormenores são-nos revelados devagar, as idas ao passado mostram-nos como são importantes para desvendar os segredos familiares. Como referi, a narrativa faz-se devagar mas prende porque é recheada de detalhes interessantes desta saga familiar, que aconselho.

Terminado em 9 de Setembro de 2019

Estrelas: 4+

Sinopse
Clay olhou para trás uma última vez antes de mergulhar - de emergir e voltar a mergulhar - rumo a uma ponte, a um passado, a um pai. E nadou nas águas douradas pela luz.

Os cinco irmãos Dunbar vivem - lutando, amando e chorando a morte da mãe - no caos perfeito de uma casa sem adultos. O pai, que os abandonara, acaba de regressar. E tem um pedido surpreendente: algum deles aceita ajudá-lo a construir uma ponte? Clay, um rapaz atormentado por um segredo que esconde há muito, aceita. Mas porque está ele tão devastado? O que o leva a aceitar tão extraordinário desafio?

Esta é a história de um rapaz apanhado numa espiral de sentimentos, um rapaz disposto a destruir tudo o que tem para se tornar na pessoa que precisa de ser. Diante dele, ergue-se a ponte, a visão que irá salvar a sua família - e salvá-lo a ele próprio. Será um milagre e nada menos que isso.

Simultaneamente um enigma existencial e uma busca pela redenção, esta história de cinco irmãos em plena juventude, numa casa sem regras, transborda energia, alegria e emoções. Escrita no estilo inimitável de Markus Zusak, é um tour de force de um autor que conta histórias com o coração.

Cris

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Experiencias na cozinha: "Os Básicos da Cozinha Vegana"

Identificámo-nos muito, eu e a Palmira, com as receitas deste livro: são simples, relativamente fáceis de fazer e, para além de deliciosas, são saudáveis. Quando frequentei o curso do Gabriel Mateus ("Fazer da Cozinha Uma Farmácia") tive a oportunidade de assistir às aulas práticas dadas pela Maria Oliveira Dias, autora deste livro. Gentil e muito prática punha-nos a provar as delícias que fazia num instantinho! Tudo delicioso! 

O livro começa por falar-nos (depois de uma apresentação, óbvio!) das três etapas por que pode passar uma pessoa que queira alterar os seus hábitos alimentares e, depois, fala-nos de muitos mitos que povoam por aí sobre o que é ser vegano... Seguidamente põe-nos a comer, ou melhor, fala-nos da importância dos rótulos, da preferência que devemos dar aos alimentos sazonais e locais, o que devemos ter na despensa explicando paralelamente as caractísticas de cada alimento.

A receita escolhida foi "Caril Minuto". Ficam as fotos já que não vos podemos dar a provar...











Palmira e Cristina

terça-feira, 17 de setembro de 2019

A convidada escolhe: "Mentiras Consentidas"

Sebastian Bergman é o protagonista, sobejamente conhecido para quem gosta de thrillers policiais e segue esta série que já vai no sexto livro. Não é o único que se destaca porque toda a equipa em interação sobressai para tornar as investigações verdadeiramente empolgantes e carregadas de suspense.

O interessante é o lado humano de cada um dos membros que carregam a sua própria bagagem emocional e que peso tem. Daí o compromisso de ler por ordem para acompanhar o desenvolvimento das personagens e o estágio em que se encontram. E é tão viciante como uma novela que não conseguimos parar de assistir até conhecer o desfecho.

Quinhentas e tal páginas de adrenalina e no final ficamos a arfar, impacientes para ler o próximo livro, dado o enredo genial que se antecipa.

Desta vez procuram um violador em série e um assassino quando uma das vitimas morre. Poucos crimes afetavam a sociedade daquela maneira em que o assassino aterrorizava metade da população. Desde que se fosse mulher , qualquer uma, podia ser a próxima vitima. Ou não?!

Vera Sopa

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

"Estou na tua casa" de Lucy Clarke

Adoro! Adoro quando um livro me faz vibrar, me deixa inquieta, por momentos quase sem respirar tal a impaciência que sinto ao virar as páginas para engolir de um trago todo o ambiente e saber mais do enredo!

Tinha ouvido já opiniões favoráveis mas limitei-me a olhar para as estrelas dadas porque não gosto de saber muito sobre o livro que vou ler. Prefiro entrar nele e ser surpreendida! Mesmo assim, as muitas
estrelas atribuídas pelas "livrólicas" fez aumentar as expectativas, que não foram de todo, defraudadas. Bem pelo contrário!

A escrita desta autora mantém-nos em estado de alerta, fazendo o leitor suspeitar de tudo e de todos os personagens que gravitam à volta da protagonista, uma jovem escritora de sucesso, com prazos apertados para a entrega do seu segundo livro e sem inspiração para o terminar. Para além do assunto interessar a todos os livrólicos (os processos da escrita, seus avanços e recuos), o mistério começa a adensar-se visto Elle suspeitar que alguém mexeu nas suas coisas e lhe envia mensagens nada simpáticas. No entanto, vai surgindo uma dúvida no leitor: "Até que ponto a saúde mental da escritora não estará comprometida já que há mistérios do passado por resolver e a pressão a que está sujeita é muito grande?"

Surge, assim, o seu passado em episódios intercalados com os acontecimentos presentes e que nos vão dando conta de segredos por revelar relacionados com possíveis abusos. Mais um motivo para o leitor se deleitar com inúmeras dúvidas...

Para além disso, a meio do livro, alguns pequenos capítulos são "escritos" por esse intruso mas não se descortina o motivo das pequenas sabotagens o que ainda cria um suspense acrescido em quem lê.
Elle chega a duvidar do seu estado mental, tal a confusão em que se vê metida!

Um thriller inquietante, cheio de segredos, de reviravoltas que me prendeu como há muito não acontecia, o que me levou a dar 6 estrelas. 
Uma vontade de ler devagar e, ao mesmo tempo, de devorar as últimas páginas e saltar frases!

Recomendadíssimo!

Terminado em 7/09/2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Estou dentro da tua casa…. Elle vive sozinha numa casa isolada e magnífica em frente ao mar. Um dia, decide alugá-la por um curtíssimo período de tempo. Durante as duas semanas em que está fora, corre tudo bem. E quando regressa, continua tudo bem. Não há nada a apontar… exceto a arrepiante sensação de que não está sozinha.

Dentro da tua cabeça....
Será apenas a sua imaginação a pregar-lhe partidas? Afinal de contas, Elle é escritora e tem uma imaginação fértil. Mas então como se explica o estilhaço de vidro que encontra na alcatifa? As dedadas na janela? A mensagem gravada na sua secretária?

E conheço o teu segredo...
Aterrorizada, Elle sente-se uma prisioneira na sua própria casa. Terá alguém desenterrado o segredo que ela sempre guardou tão bem? Como fazer para expulsar um intruso invisível? Alguém que ela própria deixou entrar? Realista, tenso e absolutamente aterrador, Estou na Tua Casa vai fazê-lo pensar duas vezes antes de abrir as portas da sua casa a estranhos.

Cris

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Apresentação do livro de Márcia Balsas, "Voar no Quarto Escuro"


Estávamos lá quase todas, as amigas da Márcia dessa coisa dos livros! E a livraria fez juz às palavras lindas quer do Luís Ricardo Duarte, o apresentador do livro, quer da Sara Lutas, a editora. A Ana Marques da Silva leu (bem!) alguns trechos, sem desvendar mistérios! A Márcia esteve igual a si própria, serena. Se estava nervosa não se notou.

O espaço não podia ter sido melhor escolhido. A livraria Almedina na Rua da Escola Politécnica era a antiga "Oficina de Vidro e Mosaicos de Arte Ricardo Leone" e agora é um espaço acolhedor e típico. CHEIO DE LIVROS! 

Ficam algumas fotos:




 

 

 

Cris

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

"O Homem dos Sussurros" de Alex North

Primeiro desafio de uma amante de livros (físicos) superado! A viagem destas férias obrigou-me a ler o meu primeiro livro num e-book. Custou? Nem por isso. Este formato possui algumas características que apreciei deveras: o seu peso reduzido, o diccionário incluído, o facto de se poder escrever notas. Há um facto, porém, que terei de "trabalhar" em mim: gosto de "ter" os livros comigo. E assim parece que nada possuo. Mas é o primeiro passo para conseguir viver sem acumular (afirmo isso para mim própria, tentando convencer-me!). Porém posso dar-vos mil razões para lerem um livro em papel... mas todas elas vocês já conhecem, não é?

Mas vamos à opinião. Gostei muitíssimo desta leitura. Bem escrito, conseguindo manter o leitor costantemente intrigado com o que parecem ser aspectos sobrenaturais mas, ao mesmo tempo, fazendo com que procuremos soluções mais credíveis para esses acontecimentos "paranormais". Intenso e perturbador q.b.

A nossa atenção prende-se muito facilmente tanto mais que trata-se de desaparecimentos / mortes envolvendo crianças. Tive pena que, no decorrer do enrredo, xxxxx tivesse morrido (não estavam à espera que fizesse um spoiler, pois não?) mas a história fica mais credível assim porque dá-lhe um aspecto mais real. Mais uma vez, confesso, não depreendi nada do final, se bem que nestas coisas não seja de todo uma perita em resolver mistérios! Começo por desconfiar de todos e depois é-me difícil eliminar suspeitos.

O enredo avança caminhando entre passado e presente. Uma investigação policial surge quando uma criança é raptada. Tudo aponta para um serial killer que, há vinte anos, assassinou outras crianças. O modus operandi é idêntico. No entanto, ele encontra-se preso. Como explicar tantas semelhanças? É chamado o investigador que conseguiu desventar o mistério e capturar o assassino nessa altura.

Paralelamente, somos confrontados com os sentimentos de um pai que, tendo ficado viúvo há pouco tempo, sente que não é tão competente como gostaria de ser para criar o filho. O falecimento da esposa veio agravar o afastamento entre os dois. Sentimentos de culpa, medo de fracassar, amor difícil de transmitir, tudo se mistura nesse pai que ama desmedidamente esse filho mas não sabe lidar com a morte da mulher, que era o elo de ligação. Pai e filho, Tom e Jake, têm pela frente muitos desafios e muitos fantasmas a ultrapassar. E que é que esta família tem a ver com o rapaz raptado e com o serial killer?

Com um misto de terror e momentos sinistros, de aspectos ditos sobrenaturais,  thriller e drama, esta obra tem tudo para ser um sucesso. Eu gostei muito e recomendo, especialmente para quem gosta deste pacote onde tantos géneros literários se misturam! Sim, porque não se esqueçam que "Se deixares a porta entreaberta ouvirás os sussurros na certa"

Terminado em 30 de Agosto de 2019

Estrelas: 5* 

Sinopse
Após a morte da mulher, Tom Kennedy muda-se com o seu filho, Jake, de 7 anos, para uma pacata povoação chamada Featherbank em busca de um recomeço de vida. Mas Featherbank tem um passado sombrio.

Há 20 anos, Frank Carter, um perverso assassino em série, raptou e assassinou cinco rapazes. Ficou conhecido como «o Homem dos Sussurros», pois atraía as suas vítimas à noite sussurrando-lhes da janela. Logo após o seu quinto homicídio, Frank acabou por ser detido.

Estando o assassino atrás de grades, Tom e Jake não deveriam ter motivos de preocupação. Só que agora um novo rapaz desapareceu, e as semelhanças entre este acontecimento e os crimes de há 20 anos são desconcertantes. É então que Jake começa a comportar-se de modo estranho?

Diz escutar sussurros vindos do lado de fora da janela do seu quarto...

Cris

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Experiências na Cozinha: "Vegan Para Todos"

Este livro é para terem na vossa cozinha, quer sejam vegans ou não. Ou então podem seguir o André e a Rita nas redes sociais. Possuem o blogue Cocoon Cooks. Passem por lá. Vão encontrar receitas muito boas e são simples de fazer. Eles têm muito para vos ensinar e vocês, desde que tenham a mente aberta a novas experiências, têm muito a provar. Os seus pratos são deliciosos!

Mas falemos um pouco deste livro. A sua introdução dá-nos uma ideia de como podemos desmistificar o que é ser "vegan", como é fácil adaptar e substituir ingredientes desde que conheçamos as opções que temos à nossa volta. Mostra-nos que ingredientes comprar, que utensílios ter, como usar o livro.

Depois passamos à paparoca!  Sumos, leites vegetais, pequenos almoços, pratos e doces docinhos. Há de tudo um pouco...

Escolhemos, eu e a Palmira, uma sopa que nos pareceu deliciosa. A sopa, para quem é português, é das comidas de que mais temos saudades quando estamos longe de casa. A escolha desta receita foi um pouco o "dois em um" porque, na verdade, trata-se de duas receitas. Fizemos o Caldo de Legumes da pág. 232 (podemos congelá-lo para substituir o caldo de legumes de compra e que faz tão mal!) que serviu de base para a Sopa Aromática de Grão e Curgete, pág 110, que fizemos logo de seguida.

Todas as cobaias aprovaram! Estava simplesmente maravilhosa!

Ficam então as fotos das duas receitas: da sopita e do caldo de legumes!







Cris e Palmira

terça-feira, 10 de setembro de 2019

A Convidada escolhe: "As Sombras de Leonardo da Vinci"


As Sombras de Leonardo Da Vinci, Christian Gálvez, 2014

Não é fácil escrever sobre este livro. Identificado como “romance histórico” “fruto de vários anos de investigação exaustiva sobre a vida de Leonardo da Vinci”, não consegui abstrair-me de um certo preconceito relacionado com jornalistas que se tornaram verdadeiras estrelas pop depois de terem começado a escrever livros apoiados em grandes campanhas de marketing que fazem com que os seus livros passem a figurar durante semanas nas montras das livrarias e no top de vendas! Talvez seja mesmo só preconceito. Sobre o autor, Christian Gálvez, na badana do livro pode-se ler que “Desde 2009, divide-se entre o trabalho em televisão e a investigação sobre Leonardo da Vinci, vivendo entre Madrid e a Toscana. É um dos mais conhecidos especialistas internacionais do artista.” Também na capa, o leitor é alertado para o conteúdo do livro que vai fazer sobressair a faceta do homem, mais do que a do génio.
Quem não sabe que Leonardo da Vinci foi genial? Que imaginou máquinas e inventou engenhos que só vários séculos depois da sua morte foram realizados? Que as suas pinturas são obras de arte que atraem milhões de visitantes de todo o mundo? Que utilizou técnicas pioneiras e que, embora tendo vivido num período de grande incentivo e apoio às artes, se distinguiu de todos os seus pares por ser o maior? A sua genialidade foi objecto de estudo de especialistas e de produção de milhares de obras sobre a sua arte e dimensão multidisciplinar.
Mas a sua figura como pessoa e a interpretação de algumas das suas obras têm sido objecto de imensas teorias e controvérsia. Daí, ter sentido a necessidade de, ao ler “As Sombras de Leonardo da Vinci” de Christian Gálvez, confrontar informação com outros livros sobre Leonardo da Vinci. Reconheço que a parte material e visível da obra é bem mais fácil de ser trabalhada do que a personalidade, os sentimentos e atitudes de um homem que viveu 67 anos e cuja vida foi marcada por traições, desafios e vicissitudes, mas uma energia fora do vulgar que fez dele também um sobrevivente.
O início do livro situa-se em 1519 no dia 2 de Maio, data da sua morte, em França, na região do Loire onde viveu os últimos três anos da sua vida, a convite do rei de França, Francisco I. É a cena da morte, onde está acompanhado do rei e das pessoas que lhe são mais queridas, cena essa a que voltaremos no final do livro. Nascido da relação ocasional do pai, um importante notário de Florença, com Caterina uma jovem escrava, esse nascimento não desejado pelo pai marca-o, ao contrário do amor que a mãe lhe devota, mesmo quando o acompanhamento do seu crescimento e educação lhe são impedidos e o afastamento do filho lhe é imposto.
Os diversos capítulos que constituem o livro e que não surgem por ordem cronológica são cenas da vida de Leonardo da Vinci, em criança, na oficina do mestre Andrea Verrocchio, nos calabouços do Palazzo del Podestá em Florença, na sequência duma acusação anónima de homossexualidade, na sua oficina, em Florença, na Abadia de Montserrat, em Milão, Roma ou em França. A desenhar, a projectar, a planear, a dissecar cadáveres, a inventar, a experimentar, a estudar, a “voar”.
As rivalidades entre as oficinas dos artistas, a Europa em mudança, a Península Itálica dividida, as guerras entre os Médici, a Igreja e os papas, o nepotismo reinante, as teorias e os protagonistas que queriam reformar a Igreja de Roma, os encontros e desencontros, amizades e inimizades com outros artistas da época (Sandro Botticcelii, Michelangelo, Rafael, Maquiavel) tudo isto nos dá este livro do escritor madrileno. Um romance histórico documentado no final do livro com uma listagem exaustiva das personagens do romance, dos papas, dos Médici e dos Sforza que reinaram em Roma, Florença e Milão durante o período de vida de Leonardo da Vinci, assim como os reis de Espanha e de França do mesmo período.
Se Leonardo da Vinci conseguiu salvar Lorenzo de Médici do atentado dos Pazzi, lançando-se da cúpula de Santa Maria del Fiore para a Piazza della Signoria e assim usando pela primeira vez a sua máquina voadora; se Leonardo da Vinci conseguiu escapar da fogueira de Girolamo Savonarola lançando-se ao rio Arno e usando o seu escafandro que o impediu de morrer afogado; se Leonardo da Vinci se vingou dos três torcionários que o torturaram quando ele esteve preso acusado de práticas homossexuais; se Leonardo da Vinci viveu em Barcelona (Abadia de Montserrat) antes de ir para Milão; se a explicação que Francesco Melzi deu ao rei de França sobre o quadro de Mona Lisa corresponde ao pensamento e intenção de Leonardo da Vinci ao pintá-lo é a verdadeira…
Tantos “ses”! As minhas dúvidas.
A minha certeza: Leonardo da Vinci foi um homem genial, o símbolo maior do Renascimento, alguém com uma capacidade muito superior ao comum dos mortais, sempre a querer superar-se.
O difícil consegue-se, o impossível tenta-se.”

29 Agosto, 2019
Almerinda Bento




segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Convite Minotauro: Apresentação de "Voar no Quarto Escuro"


"Voar No Quarto Escuro" de Márcia Balsas

Não me pude impedir de fazer uma leitura mais crítica deste livro. Digo já que o resultado de tal exame foi "passado com distinção"! Passo a explicar...

Conheço a Márcia. Nestas coisas dos livros, conhecemos leitores e alguns aspirantes a escritores. A Márcia e eu pertencemos, já há mais de seis anos, ao mesmo grupo de leitura, a um dos que faço parte. A Márcia é uma pessoa calma, directa, que dá a sua opinião sobre o que lê sem pejo nem medos. Lê em voz alta muito bem, escreve ainda melhor. Já escreveu alguns contos que foram publicados. Os contos em geral não me atraem, não sei porquê. Ou melhor, sei. Acabam depressa demais, só isso. 

Sabia que a Márcia andava a escrever. A sua ausência dos encontros de leitura espelhava isso mesmo. Não sabia que era um romance. Pegar nele fez-me medo. Teria de dar a minha opinião sobre ele. Nem a Márcia esperava outra coisa, nem eu poderia ir contra o que acredito. Mas depois de o terminar as palavras rolaram facilmente. A opinião nasce com facilidade. É bom este livro!

Cada capítulo, um personagem. Eduarda, Alice, Celeste, Catarina, Adelaide, Ema, Beatriz, Célia. Peguei num papel e num lápis, como faço sempre quando o risco de me perder é grande. Quem é quem e o que faz. Depressa deixei de anotar. Elas, essas mulheres, estavam lá na minha cabeça, todas distintas, com personalidades diferentes, com acontecimentos passados e presentes que as distinguiam na perfeição. Gostei. 

E que vos dizer da escrita da Márcia? Algumas palavras sabiamente colocadas juntas umas das outras, um toque de poesia, ligeiro, que não farta mas que nos faz voltar atrás para as apreciar, uma beleza! 

A história? São várias, todas tendo a Mulher como protagonista, que se vão entrelaçando devagarinho. Em todas essas mulheres um elo que urge descortinar. É o amor, o desespero, a infelicidade e a solidão que aqui estão retratados e que as acompanham.

O título? Gosto. Sugere uma caminhada pela vida muito embora esta possa ser agri-doce. Um voar sem asas ou com elas partidas. No fundo é sobre histórias de mulheres de hoje que nos fala este livro. Porque as histórias podem ser macabras, duras e feias. Mas retratam a vida.

É um romance, este livro da Márcia, mas creio que a sua paixão pelos contos está aqui bem retratada. São várias histórias, de várias mulheres, que se entrelaçam. Vale a pena degustar as palavras desta minha amiga! (Olha pra mim tão vaidosa: conheci uma escritora antes de ela o ser, lol).

Recomendo!

Terminado em 25 de Julho de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Sou eu a minha prisão, agora. Até acordar cercada por grades, algures.»

Eduarda apenas sonhara em refazer a sua vida após a morte do marido, que a deixou sozinha no mundo com uma filha adolescente. Não desconfiou que essa nova casa, com um novo companheiro, a conduziria a uma vida de violência, destinada ao esquecimento. Anos de submissão encaminham-na para uma noite de tempestade.


Este é o momento em que as paisagens tão dissonantes da vida de seis mulheres se entrelaçam de uma forma inegável, numa demanda pelo significado da vida. Mães, filhas, amigas, amantes, casas devastadas pela dúvida e pela loucura - todas obrigadas a enfrentar o medo de voar no quarto escuro.

Cris