Gosta deste blog? Então siga-me...

Também estamos no Facebook e Twitter

Mostrar mensagens com a etiqueta Simone Veil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Simone Veil. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de julho de 2026

"Para as Gerações Futuras" de Simone Veil

Antes de comentar algo sobre esta obra, quero referir que o seu título está muito bem escolhido; todo o livro possui uma mensagem que perdurará para as gerações que aí vêm e é muito importante que seja lido pelo maior número de pessoas, jovens e não só. 

É constituido por vários textos reflexivos, baseados numa conferência que Simone Veil deu em 2005 a estudantes de uma escola superior francesa. Publicado postumamente, parece ser dirigido aos jovens de todo o mundo. Como disse anteriormente, aos jovens e não só. Lições a reter!

Livro pequeno, mas tão impactante! As páginas do meu livro ficaram repletas de post-it. Começa por contar os momentos que antecederam a sua deportação para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau com 17 anos, com a sua mãe e irmã; os momentos lá passados e a sua libertação. Perdeu nos campos o pai e o irmão e também a sua mãe, que muito lhes deu, a ela e à irmã, muita força naqueles momentos.

Explica, também, porque os sobreviventes não se referiram durante muitos anos aos martírios passados nos campos de concentração. Não era a dor que os impedia de falar mas o facto de não acreditarem no que contavam. Só anos mais tarde, ficou claro para muitos deles que testemunhar era importantíssimo para que não se voltem a repetir os horrores perpetrados a milhares de pessoas. 

Refere também que muitas crianças que foram salvas, porque estavam escondidas, sofreram traumas que não são referidos nem falados. "Falou-se dos deportados, do que vivemos, mas não nos apercebemos de que a dor das crianças escondidas era, na verdade, muito mais forte do que julgávamos." pág 17

Simone relata, sem dramatizar e sem ódios que seriam legítimos. Mas impressiona observar neste seu relato que a "sorte" ou o "azar" ditavam a morte ou a vida de alguém. Simone teve "sorte" e amadureceu com os acontecimentos vividos. Não deixou que o ódio e a raiva a dominassem. Confia nas gerações futuras para preservar a memória e defender a democracia, democracia que de um momento para o outro pode perigar.

Precisam mesmo de ler este livro!

"Tal como em Drancy, éramos incapazes de imaginar naquele momento que aquilo fosse possível. Qua aquelas pessoas que tinham vivido connosco, que ainda poucas horas antes se encontravam ao nosso lado, já estivessem mortas. Não só estavam mortas como ja não existiam. Assim era. (...) Extreminar de forma planeada, cientificamente, uma parte de uma população, porque não serve para anada, sejam bebés, pessoas mais velhas, e muitas vezes, até pessoas que poderiam trabalharmas das quais apenas querem manter vivas algumas. Sabemos que elas vão morrer, aliás. Como estamos tatuados, estamos destinados a nunca sair do campo de concentração. Mas é preciso fingir. Fazer com que alguns entrem no campo, mas arranjando as coias de modo a que nunca de lá saiam." Pág 23

Terminado em 17 de Maio de 2026

Estrelas: 6*

Sinopse

A última grande e importante lição de Veil nunca antes publicada em Portugal.

Para as Gerações Futuras é uma comovente carta deixada aos jovens por Simone Veil, uma das fi guras mais importantes da política europeia e uma das suas grandes consciências. Um texto, até agora inédito, criado com base numa palestra que deu aos seus alunos da Rua d’Ulm, em abril de , e que condensa a lucidez e coragem da sua autora, enquanto mulher e sobrevivente do Holocausto, entre tantos outros aspetos que definiram esta que é uma das personalidades mais relevantes do século xx .

Nas suas páginas são evocadas a deportação da sua família, a memória do Holocausto e a urgência da sua transmissão às gerações futuras. A autora reflete sobre o destino das crianças escondidas, a importância da reconciliação e construção europeia e o papel da educação, da juventude e até da ficção na preservação viva das tragédias do passado.

Mais do que um testemunho ou manifesto, este livro é um apelo à responsabilidade, à vigilância democrática e à esperança. Uma mensagem clara e humanista que apela às gerações futuras a enorme importância das memórias na construção de um mundo mais justo e unido.

«Tudo é dito em poucas palavras neste texto profético, ao mesmo tempo íntimo e político.» LE POINT «Essencial.» LIREMAGAZINE LITTÉRAIRE

Cris

sexta-feira, 22 de março de 2024

"A Madrugada em Birkenau" de Simone Veil

Gosto muito de ler literatura de testemunho, sobretudo de épocas e sobre acontecimentos em que os Homens se esqueceram que a Paz é um dos bens mais preciosos. A falta de humanidade, de empatia para com o outro ser humano que se encontra ao nosso lado e que nessas alturas está ao rubro, dever-nos-ia NÂO ESQUECER. E no entanto...

Simone Veil nasceu em França em 1927 e tinha 16 anos quando foi deportada juntamente com a mãe e uma das suas irmãs. Morreu em 2017 com 90 anos. O seu testemunho (e bem como os restantes que surgem neste livro) foi recolhido por David Teboul, fotógrafo e cineasta, que acabou por ficar seu amigo.

É muito pouco o que posso dizer sobre esta leitura porque ficaria sempre aquém do seu conteúdo. Do seu testemunho enquanto prisioneira em vários campos de concentração, ficou-me sempre a impressão de alguns factores que, à semelhança de outras leituras, ficaram-me gravados na memória: 

1- O facto de muito poucas pessoas adivinharem o horror que estava para vir e, assim permanecerem no local onde residiam, não tentando fugir atempadamente. Quando quiseram fugir era já tarde demais.

2- O factor sorte. Impressionante como a sorte ou o azar ditavam a vida ou a morte!

3- A luta por um objectivo (alguém "lá fora" que queriam muito ver ou o facto de existirem familiares próximos no campo que se ajudavam uns aos outros). Neste caso, Simone tinha a mãe e uma irmã. A mãe, embora fraca e doente, foi sempre o pilar de força e coragem de que necessitava.

De resto, pouco mais direi. É para ler, gente, é para ler! Foi uma mais valia muito grande poder acompanhar Simone nestes dias de muita dor mas ficar a conhecer, também, todas as dificuldades por que passaram, ela e sua irmã, depois do "fim" da guerra. Porque o desconhecimento, a indiferença dos outros podem matar. O seu percurso profissional foi notável vindo a destacar-se como magistrada no seu país natal. Posteriormente foi ministra da saúde e a primeira mulher Presidente do Parlamento Europeu.

Uma força, um exemplo.

"Quando se foi tratada como carne, é muito difícil convencer-se de que se permaneceu um ser humano. Esse era o combate que travávamos. O combate mais difícil. Nós tínhamos fome, tínhamos sede, tínhamos sono. Quando se fica dias sem dormir, não se sabe mais onde se está, perde-se o sentido de orientação, O sentimento dominante é o de um corpo e de um espírito humilhados. Mas éramos três, isso preservava-nos. Apoiávamo-nos constantemente. À nossa volta, constituíam-se pequenos grupos, mas a família era o que havia de mais forte." (pág 85). 

Obrigatório ler!

Terminado em 19 de Fevereiro de 2024

Estrelas: 6*

Sinopse

"Um testemunho do holocausto, uma narrativa pessoal (inédita) por uma das mais destacadas figuras da política europeia da segunda metade do século xx.

Numa primeira parte do livro, Simone Veil fala da sua infância, da família, recorda o início das perseguições raciais em França, e relata a deportação, a vida nos campos de Drancy, Auschwitz-Birkenau, Bergen-Belsen, e o impacto destes acontecimentos na vida que se lhes seguiu.

Na segunda parte, dialoga com antigos companheiros sobreviventes do holocausto, e com a irmã, membro da Resistência, e que reencontrou no fim da guerra.

Um extraordinário documento histórico, enriquecido por muitas fotografias (dos anos trinta e de anos recentes): deportada aos 16 anos, Simone Veil veio a tornar-se a francesa mais popular e uma das mulheres mais importantes da política europeia do século xx. Simone Veil habita literalmente este livro.

O leitor ouve a sua voz e sente a sua liberdade interior." 

Cris