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terça-feira, 30 de outubro de 2018

"Ao Sol de Tânger" de Christine Mangan

Vou-vos confessar uma coisa. Tenho assistido a alguns videos no youtube de algumas meninas que sigo, algumas sāo até amigas que prezo muito, mas quando sāo videos de opiniāo fico, quase sempre, sem paciência para ver até ao fim. Nāo gosto que contem a história, nem sequer que a contem até ao meio. Prefiro que seja surpresa, gosto de saber praticamente nada do conteúdo da leitura que vou começar...

Para mim basta, por exemplo, algo assim (aproveito para falar deste livro): trata-se de uma história maioritariamente passada em África, em Tânger, num dos dois periodos temporais distintos que sāo referidos. O outro periodo é passado em Bennington/Estados Unidos, local onde as duas amigas se conheceram, pois foram colegas de quarto na faculdade. O enredo centra-se na história destas duas amigas ao longo do tempo. O leitor apercebe-se, logo de início, de uma acidente que as afastou e o mistério é sustentado durante boa parte do livro. 

Nada na capa ou no título denuncia o conteúdo desta obra, facto que me maravilhou. Tampouco li a sinopse quando comprei este livro e comecei a lê-lo sem o ter feito. Nada esperava, ou melbor, esperava um romance leve, saiu-me um livro que merece as minhas 6 estrelas! Misterioso, ousado, muito visual, revelador do ambiente tumultuoso passado em Marrocos/Tânger por volta de 1960.

Contado a duas vozes, a das duas amigas, Lucy e Alice, este livro é possuidor de um suspense sempre crescente chegando a um final imprevisível e inacreditável. Apeteceu-me abanar a autora, fazê-la reescrever as últimas páginas, restabelecendo, por fim, ordem no meu coração acelerado. 

E façam um favor a vocês mesmos: voltem ao princípio e leiam de novo o prólogo. Ou leiam-no no princípio com redobrada atençāo...

Puro suspense. Um livro brilhante! Com um final inesperado e inquietante. Acredito que daria um filme espectacular!

Terminado em 26 de Novembro de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
A última pessoa que Alice espera ver quando chegou a Tânger, com o seu novo marido, é Lucy Mason. Depois de um acidente em Bennington, as duas jovens - outrora colegas de quarto inseparáveis - não se viam há mais de um ano.

Mas ali está Lucy, a tentar reparar as coisas e recuperar a cumplicidade de antigamente. Alice talvez devesse sentir algum alívio por ter ali uma amiga, ela ainda não conseguiu adaptar-se à sua vida em Marrocos; tem medo de se aventurar na confusão das medinas e o calor opressivo apavora-a. Lucy, independente e destemida como sempre, ajuda Alice a sair do apartamento e a explorar o país.

Porém, Alice depressa dá por si dominada por um sentimento que já conhece: o controlo constante de Lucy. Para agravar a situação, John, o marido de Alice, desaparece e ela começa a questionar tudo à sua volta: a relação com a sua enigmática amiga, a decisão de se mudar para Tânger e até a sua própria sanidade mental.

Uma história afiada como um punhal, numa estreia literária cheia de peripécias, exotismo e charme, escrita com tal mestria, que deixará o leitor arrebatado.

[Para mais informações sobre este livro, consulte a Editorial Presença aqui.]

Cris

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

A Convidada Escolhe: "As Três Vidas"

As Três Vidas, João Tordo, 2008

Um jovem escritor português ainda não lido, com uma obra já numerosa e a vontade de o conhecer.

Por onde começar? Pelas obras iniciais? Pela última? São sempre as perguntas que se nos colocam e quando abordamos amigos/as para que nos ajudem a escolher, muitas vezes as respostas ainda nos deixam mais confusos/as. Assim, segui o critério de uma obra que foi escolhida por um júri para receber um prémio literário. Neste caso, o prémio atribuído a um/a autor/a em língua portuguesa com idade inferior a 35 anos. João Tordo com apenas 33 anos recebeu, em 2009, pelo romance “As Três Vidas” o prémio literário José Saramago, aquele que foi o último em vida do Nobel português.

Depois de ler o grande romance “As Luzes de Leonor” de Maria Teresa Horta cuja leitura foi lenta porque não podia deixar de ser, “As Três Vidas” foi um verdadeiro antídoto. Leitura vertiginosa, viciante, o autor tem uma mestria narrativa que prende o/a leitor/a desde o início. Cria um narrador jovem à procura de um emprego que ajude a sua sobrevivência, da irmã e da mãe acabada de enviuvar, mesmo que isso seja um salto no escuro, como, aliás, ele logo dá a entender no seu diálogo com quem o lê. Deixando Lisboa a caminho do Alentejo, “parecera-me que entrara num mundo à parte, menos do que real, que por enquanto escapava à possibilidade de descrição”. Essa tensão e ambiente de mistério difícil de descrever, mas que se sente, não só pela reclusão e falta de comunicação com o exterior, mas pelas personagens que durante a semana habitam a Quinta do Tempo e pelos acontecimentos misteriosos que ali se passam, “havia alguma coisa naquele lugar que me obrigava a permanecer alerta, um silêncio demasiado silencioso, uma nuvem demasiado negra no céu.” Ao longo de “As Três Vidas” o narrador – cujo nome nunca saberemos – vai-nos prevenindo, pondo-nos de sobreaviso para problemas futuros. Há um adensar da expectativa que nos prende e não nos deixa ficar indiferentes.

Entretanto, mesmo com este pano de fundo que o assusta e que poderia tê-lo levado a fugir, a verdade é que à medida que o tempo passa, o narrador fica como que apanhado numa teia de que não se consegue libertar. O patrão vai-lhe dando livros, como que guiando-o num roteiro de leituras que ele escolhe; os netos do patrão que passam os fins de semana na quinta do avô, mas sobretudo Camila, atraída pela arte do funambulismo, vai exercer sobre ele um fascínio a que não consegue resistir; o confronto com acontecimentos funestos na Quinta que o vão envolver directamente, tudo isso se por um lado o prende à Quinta do Tempo e ao que lá se passa, por outro, afasta-o cada vez mais do contacto com a irmã e a mãe doente em Lisboa.

Fruto da arbitrariedade do destino ou da pressão dos acontecimentos a que não consegue fugir, o narrador vai nos anos seguintes viver um equilíbrio instável, como se estivesse continuamente na corda bamba em risco de se estatelar no abismo, perseguido pelos seus fantasmas, tentando esquecer o passado, mas sempre acossado por ele. A Quinta do Tempo está sempre lá, mesmo quando já lá não mora, quando vive sete anos em Nova York ou quando regressa a Lisboa e consegue trabalhar na Biblioteca Nacional ou na Torre do Tombo. A solidão, a fuga do passado, o receio dos fantasmas, a incerteza, o tentar esquecer. Mas será possível esquecer? Será possível que o crime não tenha castigo?

Quando vinte e cinco anos depois de deixar a Quinta do Tempo o narrador decide empreender a tarefa de relatar por escrito as memórias e a experiência traumática que foi a sua vida, ele encontra finalmente a forma de fazer a expiação desse passado. A literatura e a escrita surgem assim como formas de redenção, de expiação, de salvação. “Esta é também a minha história, a de alguém que, do fundo do anonimato, deseja deixar um testemunho e uma expiação…”

Ele deposita nos leitores esse testemunho para que finalmente possa iniciar uma outra etapa, a terceira vida.

25 de Outubro de 2018

Almerinda Bento 

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A Convidada Escolhe: "Fica Comigo"

Surpreendentemente bom. Mesmo muito. De quando em quando, surge um romance, de que nada sabia e que me consegue arrebatar com uma personagem feminina tão forte e marcante, nada ofuscada pelo marido, igualmente impactante, numa história que nada tem de banal ou simples quando se trata da Nigéria na década de 80 e que vai até dias mais próximos.

A pressão da maternidade numa sociedade que aceita a poligamia. Uma visão sábia e intima do drama do casal sem sentimentalismo e muita emoção. Perda. Traição. E redenção. E que história!!!

Bem pensada e bem contada. Daquelas que não se esquecem. Uma jovem escritora que se lançou com o seu primeiro romance. Uau! Merece divulgação.

Vera Sopa

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

"O Rapaz à Porta" de Alex Dahl

Realmente nem sei porque não dei 6* a este livro. Tem tudo o que gosto num livro. A leitura é muito rápida, sem momentos mortos e o enredo não pára de nos surpreender. É viciante, até! 

As duas personagens femininas centrais possuem desvios de comportamento diferentes e que considero graves mas, mesmo assim, como leitora não pude deixar de sentir empatia com ambas. O que achei estranho e só consegui explicar através da escrita absorvente da autora e do ritmo acelerado que ela consegue manter ao longo de toda a história. 

Cecília parece perfeita em tudo o que faz. Parece, mas não é! E quando fui confrontada com pequenas confissões da sua parte, em que nos apercebemos das suas (grandes) mentiras, senti alguma estranheza e sim, emiti juízos de valor em relação a ela.

Já por Annika senti alguma compaixão devido à sua infância repleta de abusos mas, partes houve, em que me revoltei contra esta menina/mulher que nunca conseguiu dizer "basta!" e que repetia invariavelmente um ciclo do qual não se conseguia livrar. No entanto, a sua conduta piora consideravelmente e nem os abusos sofridos "desculpam" o seu comportamento em relação a Tobias, um menino de oito anos que ninguem deseja verdadeiramente. 

Numa época em que surgem desalmadamente thrillers onde crianças desaparecem, este livro trouxe algo que me encantou logo desde o início: o aparecimento de um menino vindo do nada. E começa, assim, uma história que nos prende logo nas primeiras páginas. Contada a três vozes, a dos personagens referidos anteriormente, pareceu-me uma história em tudo plausível, sem falhas. Verdadeiramente viciante e com viragens muito rápidas de direcção em relação ao enredo, embora algumas vezes, facilmente detectáveis. Esse pormenor não me fez de todo perder o interesse porque as personagens são muito ricas psicologicamente. Estando "dentro" das suas cabeças o horror em relação aos seus pensamentos é maior.

Um livro para pegar e não largar! Aconselho vivamente!

Tive o prazer de conhecer e conversar um pouco com a autora, Alex Dahl. Foi um encontro que a editora porporcionou a alguns bloguers que aceitaram encontrar-se para uma conversa muito agradável, onde os livros e o processo criativo foram o mote. Simpática e conversadora, a autora desvendou alguns pormenores que estiveram por detrás da sua escrita, das suas escolhas para o enredo. Gostei muito!

Terminado em 17 de Outubro de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse 
Cecilia Wilborg tem a vida perfeita: um marido atraente, duas bonitas filhas e uma grande casa em Sandefjord, uma cidade que parece tirada de um bilhete-postal. Ela esforça-se para manter tudo como está, pois um erro do passado pode destruir-lhe o presente.

Annika Lucasson vive uma vida sombria com o namorado abusivo e traficante de drogas. Já perdeu tudo muitas vezes e agora tem uma última oportunidade de se salvar, graças a Cecilia. Mas, Annika conhece o seu segredo e o que Cecilia está disposta a fazer para que tudo acabe.

Então aparece Tobias, um rapaz de oito anos, sozinho e sem amigos. Mas que ameaça fazer desmoronar o mundo de Cecilia.

O quer ele de Cecília?

Cris

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

"Truz-Truz" por Natalina Cóias e Pedro Galindro


Confesso que o que me chamou a atenção neste livro foi o nome do ilustrador, Pedro Galindro. Adoro as suas ilustrações. Fico maravilhada com elas e creio que a criançada ficará também. Com elas dá-se asas ao sonho e à imaginação. Pode-se acrescentar a história ao nosso gosto porque as imagens acompanham toda a construção que se pode fazer à volta da história, acrescentando-a, porque, se bem me lembro, os miúdos quando embicam com um livro querem "lê-lo" vários dias seguidos...

Aqui ficam algumas imagens:







Cris

sábado, 20 de outubro de 2018

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

 

Oferecido por uma amiga livrólica: A Vida Imortal de Henrietta larks.

Ofertado pelas editoras parceiras:
. A Sombra da Noite, Alma dos Livros,
-Passagem para o Ocidente, Saída de Emergência,
-As Flores Perdidas, Porto Editora
- Próximo Destino, Porto Editora,
-Regras para a Descolagem, Coolbooks
-Truz Truz, Minotauro,
- D. Maria I, Manuscrito
-Cuidar do Intestino das Crianças, Matéria Prima

Os restantes livros foram comprados num alfarrabista.








quarta-feira, 17 de outubro de 2018

"O Mapa de Sal e Estrelas" de Jennifer Zeynab Joukhadar

Uma história com duas histórias contadas em paralelo separadas por oitocentos anos de diferença. Em comum os lugares em que as duas jovens personagens viveram as suas vidas. Em comum também as características psicológicas dessas jovens: corajosas e destemidas. 

Não sei qual das duas me prendeu mais, com qual das duas a empatia foi maior. Creio que o empate aqui se justifica. Ambas possuem personalidades muito fortes e passaram por acontecimentos traumáticos que poderiam ter enfraquecido o seu carácter mas que, em vez disso, o fortificaram. 

Saber que uma das histórias (aquela que pensei ser mais irreal) teve por base alguns factos verídicos, a saber um erudito e cartógrafo, nascido em Ceuta em 1099, que colaborou com o rei Norberto II em Palermo para criar a Tábua Rogeriana, o mapa mais preciso criado até então e um Planisfério de prata, foi uma surpresa para mim e também uma aprendizagem que me agradou muito.

A história mais actual não poderia estar mais em consonância com um problema que aflige actualmente o mundo inteiro, os refugiados sírios. Uma história impressionante que marca quem lê pela dureza e pela indiferença de quem assiste do outro lado...

Terminado em 9 de Outubro de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
Duas raparigas separadas por oito séculos. A mesma história de dor, triunfo e coragem.

Primeiro Nour perdeu o pai. Depois, a casa onde sempre viveu. Reside agora na cidade de Homs, na Síria, para onde a mãe se mudou para ficar mais perto da família. Mas quando um ataque quase as mata, elas são obrigadas a escolher: ficar e arriscar a vida todos os dias, ou fugir novamente. Infelizmente, até a fuga tem os seus perigos e apenas as memórias de sua casa dão esperança a Nour para continuar a caminhar.

Oitocentos anos antes, a jovem Rawiya sabe que tem de fazer alguma coisa para ajudar a sua mãe viúva. Ansiosa por ver o mundo, disfarça se de rapaz e torna-se aprendiz de um cartógrafo a quem foi atribuída a tarefa de criar um mapa do mundo. Rawiya embarca numa viagem épica onde encontra monstros míticos e figuras históricas reais.

Abraçando as ricas culturas do Médio Oriente e do Norte de África, O Mapa de Sal e Estrelas segue a jornada de Nour e Rawiya à medida que percorrem caminhos idênticos, enfrentando o desconhecido e apenas guiadas pelo desejo de finalmente chegarem a casa.


Cris

terça-feira, 16 de outubro de 2018

"Isto vai doer" de Adam Kay

Não fora o tema subjacente a estas memórias e teria dado mais estrelas. Sei que o pretendido era fazer uma crítica do sistema de saúde do Reino Unido através de relatos autênticos vividos pelo autor e isso foi realmente feito com muito humor, algum sarcasmo e uma crítica acutilante. No entanto, foi o tema subjacente - a saúde - que me afligiu durante esta leitura. Não consegui deixar de pensar o quão triste são as situações apresentadas, fruto de alguma ignorância da parte dos doentes, de um sistema implacável que não tem em consideração o ser humano - médico e paciente e na exaustão dos prestadores de cuidados de saúde que mal possuem tempo para respirar. Embora tenha sorrido amiúde, não consegui rir. As situações descritas são deveras impressionantes. 

O autor possui, repito, um humor peculiar e experiências de vida muito sui generis que me fazem recomendar este livro. O abandono dessa profissão que tantas coisas boas lhe trouxe, foi demonstrativo de como não teve apoios quando necessitou de gerir o sofrimento e as frustações. Uma tristeza a juntar-se às muitas que assistiu durante a sua carreira no campo da medicina. 

Não sei, sinceramente, se este livro é para rir ou para chorar. Um facto que considero importante: é uma leitura para se fazer, isso é verdade. 

Terminado em 30 Setembro de 2018

Estrelas: 4*+

Sinopse
Isto Vai Doer é um relato emocionante, cómico, e assustador de quem esteve na linha da frente no Serviço Nacional de Saúde britânico, numa profissão na qual as horas semanais de trabalho podem chegar a noventa e sete, em que diariamente é necessário tomar decisões de vida ou morte e a vida pessoal é relegada para segundo plano, não existindo tempo para os amigos e para relações duradouras.

Esta é a história pessoal de Adam Kay, que utilizou o seu extraordinário sentido de humor para contar a sua experiência enquanto médico interno no Serviço Nacional de Saúde britânico. Em 2010, após seis anos de formação e outros seis como médico, abdicou da profissão por sentir que as condições impostas pelo sistema eram extremas e irracionais, nomeadamente remuneração mal ajustada em relação ao nível de responsabilidade exigido, que tiveram um forte impacto na sua vida profissional e pessoal.

Cris

domingo, 14 de outubro de 2018

Passatempo "A Rapariga no Gelo" de Robert Bryndza

E que tal um passatempo? Com o apoio da editora Alma dos Livros temos para oferecer, aos seguidores do blogue, um exemplar do livro "A Rapariga no Gelo" de Robert Bryndza, um livro que não precisa de apresentações!

Para concorrer necessitam de:

1) Enviar um e-mail com o vosso nome e morada para otempoentreosmeuslivros@gmail.com

2) Caso comentem o post no FB, tagando três amigos, a vossa participação conta a dobrar.

O passatempo decorre até ao dia 31 de Outubro. Só são válidas as participações de residentes em território português.

Cris

sábado, 13 de outubro de 2018

Na minha caixa de correio

  

  

Esta semana foi assim:
- Equinócio comprei mum leilão no FB,
- O Talismã, trouxe da Biblioteca. Estava numa mesa juntamente com outros e foi oferta. Não foi esta edição mas não encontrei foto. A que trouxe é de capa dura e é linda.
- Alexandra, a Última Czarina foi comprado no site da editora.
- Mortina, ofertado pela Bertrand,
- Sozinho em Casa e Histórias com História, foram oferta da Porto Editora

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A Escolha do Jorge: “Rua Katalin”


“O amor com que nos amam é sempre um estado de graça.” (p. 143)
“Na vida de cada um de nós, só há uma pessoa cujo nome podemos gritar no momento da morte.” (p. 190)

Magda Szabó (1917-2007) é um dos nomes incontornáveis da literatura húngara do século passado. Apesar de ter vários romances e obras de poesia publicados ao longo da sua carreira literária, é com “A Porta” (1987) que adquire uma maior projecção e notoriedade a nível mundial, tendo a obra sido adaptada ao grande ecrã (2012) com Helen Mirren vestindo a pele da empregada Emmerence. O filme, ainda que bem conseguido nos principais momentos da obra, escapa ao poder esmagador e intenso da escrita de Magda Szabó.

“Rua Katalin” é a mais recente aposta da Cavalo de Ferro que no ano passado reeditou “A Porta”, dando, desta forma, continuidade à publicação das obras desta escritora húngara. “Rua Katalin” foi editado em 1969, na sequência de dois outros romances após um período em que Magda Szabó esteve proibida de publicar na Hungria por ser identificada pelo regime comunista como inimiga do Estado, por esta não se conformar com o realismo socialista imposto pelo regime.

Magda Szabó viveu na Hungria durante a ocupação nazi e soviética, daí esta obra reflectir de forma bem explícita as diferenças entre os dois modelos de ocupação e as consequências que isso teve na população e na forma como esta passou a lidar com o Estado e as instituições, na passagem da extrema direita à extrema esquerda no país, à semelhança do que veio a acontecer naquela região da Europa em termos de cenário político, desde antes da 2ª Guerra Mundial até à queda do Muro de Berlim.

O arco cronológico de “Rua Katalin” abrange o período de 1934, já com Hitler no poder, na Alemanha, a ocupação nazi, passando pela 2ª Guerra Mundial, a transição para o regime comunista, até 1968, com a consolidação do mesmo, após a tentativa falhada da Revolução Húngara de 1956 que tentou pôr fim ao regime comunista e ocupação soviética.

“Rua Katalin” é um romance intenso, soberbo e inquietante. Fala-nos da vida e da morte e daqueles acontecimentos ou episódios que nos marca a vida de forma estrutural. Ao longo da vida, vamos coleccionando memórias de pessoas, coisas, acontecimentos e, embora vivenciados num determinado momento e lugar, nem sempre a acurada reflexão acompanha a ideia de memória porque pode ainda estar muito presente ou não haver a maturidade necessária que conduz à reflexão. Por vezes, só mesmo anos mais tarde, no decurso da vida, é que as memórias, ainda que se apresentem sob a forma de puzzle e já tantas vezes com espaços vazios entre si, é que tomamos verdadeiramente consciência da forma como um dado acontecimento político terá influenciado as nossas vidas e a vida de todo um país. Do mesmo modo que, ao nível do foro privado e familiar, com um dado episódio ou até mesmo uma certa conversa poderão ganhar, anos mais tarde, a real dimensão das suas consequências, directas e indirectas, na nossa vida e nas vidas daqueles que nos são próximos.

No início da obra, em jeito de introdução, a autora prepara o leitor para esta jornada em que vai embarcar que, no fundo, também é a sua, afinal de contas, ao afirmar “Nenhuma obra literária, nenhum médico, havia preparado os habitantes da Rua Katalin” para a luz ofuscante que a velhice lançaria sobre o túnel sombrio que haviam percorrido quase inconscientemente durante as primeiras décadas das suas vidas; nem tão-pouco para o modo como ela reorganizaria as recordações e os medos, alterando os seus julgamentos e o seu sistema de valores.” (p. 9) E resumindo o que é a vida e a complexa relação do homem com o tempo, Magda Szabó refere “Tudo aquilo que lhes acontecera até ao momento estava lá, no passado, mas de forma diferente. O espaço ficou dividido em lugares, o tempo em momentos, os acontecimentos em episódios, e os habitantes da Rua Katalin compreenderam finalmente que, na realidade, os acontecimentos que constituíam as suas vidas só em poucas situações, nalguns momentos e episódios, foram importantes; o resto servia apenas para encher os poros da fragilidade da existência, tal como as aparas de madeira impedem que se quebre o conteúdo de uma caixa destinada a uma longa viagem.” (pp. 9-10)

Se Magda Szabó criou em “A Porta” uma Emmerence inesquecível tanto quanto tortuosa e inquebrável, na sua vida e na dos demais à sua volta, em “Rua Katalin”, a autora apresenta personagens fortes, verosímeis que nos marcarão igualmente ao longo da obra e que dificilmente as esqueceremos depois de concluída a leitura.

“Rua Katalin” é daqueles livros que nos colocam perante o sentido da vida e da sua relação com a morte. É um livro intenso que mexe com a nossa estrutura emocional, deixando-nos vulneráveis, à mercê das nossas fragilidades. “Rua Katalin” é um livro que nos faz questionar o sentido prático da literatura. Se a literatura constitui um veículo para compreender o ser humano e na sua relação com a História e a Filosofia, contribui para a compreensão da vida e do real, é lícito questionarmos, por que razão há livros que nos fazem sofrer.

Este livro, narrado a várias vozes, dá-nos conta da forma como três famílias, moradoras na Rua Katilin, no centro de Budapeste, se tornaram ligadas através de laços que estão para lá dos conceitos de espaço e tempo. As crianças que brincaram juntas foram ganhando consciência que faziam parte de um todo, de uma família alargada, para além do seu núcleo familiar, relativamente ao qual se tornaram dependentes, para o bem e para o mal, para o resto da vida e até para lá da própria morte.

O leitor é confrontado a cada nova voz, em cada capítulo, com um conjunto de episódios que só mais tarde terão lugar na vida dos personagens e, funcionando como uma peça de puzzle, as peças vão-se encaixando até se nos apresentar a tela composta de inúmeros fragmentos de memórias, com perspectivas diferentes, mediante a visão e o entender de cada interlocutor. “Mas também é importante perceberem que atrás dos meus pensamentos havia outros, profundamente ancorados dentro de mim, de tal maneira que não podia chegar até eles, pensamentos que sabiam que deviam permanecer ali, sem se tornarem verbalizados e consciencializados. Mas eles estavam lá, atentos, à espera.” (pp. 102-103)

“Rua Katalin” é uma obra em que somos confrontados com sucessivos opostos ou ideias aparentemente contraditórias, na medida em que perante um momento de alegria se vislumbra em simultâneo algo tenebroso que vai acontecer ou ao contrário. As metáforas são muitas ao longo da narrativa e o recurso aos acontecimentos históricos que constituem a base da explicação para situações concretas da vida privada é algo frequente no romance. Por exemplo, a Noite da Revolução Húngara, que teve lugar a 23 de Outubro de 1956, corresponde à tentativa de a Hungria se opor ao regime comunista vigente no país desde o final da 2ª Guerra Mundial. Mas este acontecimento simboliza também a necessidade de Irén pôr fim ao seu casamento com Pali em virtude de ter sempre amado Bálint. Revolução e divórcio são, pois, sinónimos, tendo como base a prisão e a opressão, num caso os russos, em sentido alargado, e a violência da solidão e o amor não correspondido em termos familiares, na esfera privada.

“Mais tarde, pensei muitas vezes nele com sentimento de culpa, perguntando-me, como podia ter casado com ele só para endireitar a minha vida e para ter uma vida sexual normal e o amor de alguém que me podia recompensar pela perda de Bálint. Ele não deveria ter esperado até que eu o abandonasse e, numa noite, ao jantar, lhe dissesse, em tom alegre, de forma espontânea e natural, que iria divorciar-me dele, porque Bálint e eu tínhamos decidido casar. Ele deveria ter-me abandonado antes, mas não conseguiu fazê-lo. Muitas vezes penso nele com gratidão e nostalgia por ter sido um marido e uma pessoa cem vezes melhor do que Bálint, tinha muito mais qualidades do que ele. Se existe algo depois da morte, certamente terei de responder pelo casamento com Pali, não por não lhe ter dado tudo o que podia antes de o abandonar à primeira chamada de Bálint, mas porque foi muito pouco o que pude oferecer-lhe. Quase nada.” (p. 160)

Estas três famílias ficaram marcadas para todo o sempre com a tragédia ligada à família Held. Não havendo uma única referência ao facto de se tratar de uma família judia, percebemos as movimentações e os jogos de poder com a ocupação nazi no país. O casal Held é deportado supostamente para um campo de concentração e a filha Henriett é assassinada ainda adolescente. Os amores e amizades fortes da adolescência que nunca ficaram resolvidos tornaram este episódio trágico na forma como estas famílias passaram a encarar a vida, o mundo e o próprio sentido de justiça universal. “Quando os Held encaravam as hipóteses de fuga ou da sobrevivência, Henriett, sentada ao lado deles, retornava às suas memórias, vendo-se a si própria a morrer num jardim, no jardim dos Elekes, onde a morte a apanhou de pé, como acontece aos soldados, sem qualquer tipo de expressão visível no rosto. Assim costumam ser os corajosos.” (p. 88) “Esquecendo-se de que devia sempre ficar atrás da sebe, desatou a correr, atravessando o jardim, em direcção às paliçadas dos Elekes, por onde tinha entrado. De repente, apercebeu-se de que se tinha enganado. Não morreu, nem à primeira, nem à segunda, nem à terceira vez, sabia que estava viva e que queria continuar a viver. Mas quando conseguiu consciencializar-se disso, já se encontrava morta. Foi baleada duas vezes à luz da Lua. O soldado disparou nervoso, sem precisão, contudo conseguiu atingi-la com a primeira bala.” (pp. 95-96)

A morte inesperada de Henriett, por ser contranatura, gerou duas posições distintas no decurso da narrativa. No primeiro caso, entre os demais personagens continuavam a agir como se Henriett, de certa forma, estivesse viva e as suas vidas estivessem condicionadas e em suspenso por por essa mesma razão. Por outro lado, Henriett continuou a deambular como um fantasma entre os vivos, nas ruas e avenidas de Budapeste, visitando os lugares onde viveu e onde foi feliz com a sua família alargada, dando-nos também uma ideia das mudanças que ocorreram na cidade nos anos que se seguiram à 2ª Guerra Mundial. A própria Henriett, presa ao mundo dos vivos, quiçá porque estes não a deixam seguir o seu curso enquanto ente da natureza, faz questão de se misturar entre aqueles que deambulam na cidade, fazendo-se cruzar com Blanka e Irén e os seus pais, provocando nestes a ideia de um certo dejà vu. “Sabia que encontrar-se com os vivos era complicado, mas o seu mundo atraía-a tanto que regressava sempre.” (p. 168) “A senhora e o senhor Elekes, a senhora Temes, Blanka e Irén viram Henriett inúmeras vezes na rua, sem acreditarem por um segundo que era ela.” (p. 170)

Henriett tem, desta forma, um papel importante no contexto da “Rua Katilin” na medida em que, estando morta, não se consegue livrar desta ligação ao mundo dos vivos, do mesmo modo que a sua família alargada vê a sua liberdade condicionada face à imposição do comunismo. “Apesar de ser a única que possuía passaporte para todos os países do mundo, parecia ser uma prisioneira, tal como os outros membros da sua família.” (p. 168)

“Rua Katalin” pode ser interpretado como um permanente grito à ocupação soviética, na tentativa de libertar a Hungria da vontade alheia, mas trata-se de um grito silencioso que demoraria ainda vinte anos até se concretizar a derrocada do Comunismo.

Extrapolando as questões literárias, o que terá acontecido ao fantasma de Henriett ao perceber que o seu país decidiu, por vontade popular, regressar à extrema-direita há praticamente uma década? O que acontecerá ao país, à Europa e ao Mundo? Parafraseando Magda Szabó “só Deus sabia para onde tinha sido levado pela voragem da História.” (p. 128)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A Convidada escolhe: "O Castigo dos Ignorantes"

Uma história bem contada quando chega ao fim é um climax ansiado. Para mais, esta dupla de autores não deixa a intensidade narrativa quebrar em qualquer um dos volumosos livros e o final é sempre tremendo. Como leitores, ansiamos por mais, porque o próximo já foi iniciado com o desfecho deste livro, completamente inesperado.

A equipa de Riksmord continua eficaz e emocionalmente caótica. Qualquer um deles lida com dificuldades ou problemas que atenuam com o trabalho. Esta faceta humana torna-os mais realistas, enquanto a dinâmica do grupo é volátil e gera empatia.

Sebastian Bergman, um mentiroso viciado em sexo para esquecer a dor e a culpa encontra um criminoso à sua altura, motivado para acabar com a idolatria da estupidez, punindo primeiro os ignorantes que reprovam nos testes e depois os que os promovem. Uma chamada de atenção ao que  singra hoje em dia, enquanto os crimes continuam e a equipa busca o culpado, no que terá sucesso graças à temeridade de Sebastian.

Mais uma vez, muito bom.

Vera Sopa

sábado, 6 de outubro de 2018

Na minha caixa de correio

  

  


O carteiro já perguntou várias vezes se aqui morava alguém importante ou um jornalista ou um professor ou... Pois é! Mas não. Mora só quem gosta de ler e quem tem o privilégio de ter umas parcerias fantásticas!
Ora vejam que escritores/livros entraram esta semana cá em casa:
-  Também Tive Um Pega Monstro e As Ondas do Destino, editora Marcador (já posso começar a ler o primeiro livro desta saga, A Ilha das Mil Fontes).
-  Da Bizâncio chegou-me Inofensivas Como Tu (fiquei curiosa ao ler a sinopse)
-  O Meu Coração Entre Dois Mundos, da Porto Editora (Jojo Moyes, que há a dizer?)
- O Rapaz à Porta, uma aposta da Planeta. A capa fez-me viajar. Onde se passará o enredo?
- Com a chancela do grupo 2020, pela Fábula, os dois primeiros livros de uma nova colecção: O Fantasma de Canterville e As Viagens de Gulliver.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

"A Sereia de Brighton" de Dorothy Koomson

A leitura deste livro constituiu uma dupla surpresa para mim. 

Já li alguns livros desta autora e tenho na estante outros por ler (como já vai sendo habitual!), e gosto mais quando ela opta por um registo maioritariamente marcado por um enredo onde a acção é célere, com mistérios, intrigas e mortes, um thriller portanto. 

Mas achei este livro excepcionalmente bem conseguido. Para verem como este mistério conseguiu baralhar o meu tico e teco, digo-vos que, alturas houve, duvidei de alguns personagens ao mesmo tempo, achando-os capazes de serem os culpados das várias mortes e desaparecimentos que o livro revela... Uma caracterização esplêndida dos comportamentos humanos, de como um acontecimento marcante pode alterar profundamente uma pessoa deixando-a com transtornos psíquicos para a vida toda (é abordado aqui os transtornos obsessivo-compulsivos)! Várias personagens com características que fazem deles suspeitos dos crimes cometidos. E esse aspecto, o de conseguir incutir a dúvida no leitor, faz devorar as páginas rapidamente. Isso juntamente com a escrita atrativa, mas simples, da autora. 

O enredo é alucinante e a personagem principal, inteligente, perspicaz e dedicada. E não, não consegui adivinhar quem era o autor dos crimes e desaparecimentos!

A segunda surpresa com que a Porto Editora me presenteou, foi ter sido colocada na badana do livro uma frase minha que escrevi no blogue aquando da minha leitura de "Os Muitos Nomes do Amor", um dos livros desta autora que li. Podem ver a minha opinião aqui! Não posso negar que foi uma agradabilíssima surpresa, tendo ficado muito contente com o facto. Aliás, esta foi a segunda vez que a Porto me presenteou com uma surpresa destas: a primeira foi no livro "A Montanha entre nós" de Charles Martin.

Um livro para ser lido em pouquíssimos dias tal é o ritmo acelerado que o leitor se impõe a si próprio ao tentar descobrir os mistérios que compõem o enredo e que recomendo sem reservas! A imaginação da autora não tem limites!

Terminado em 29 de Setembro de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
As adolescentes Nell e Jude descobrem o corpo de uma jovem na praia e, quando ninguém o reclama, a vítima passa a ser conhecida como A Sereia de Brighton. Três semanas mais tarde, Jude desaparece e Nell, ainda chocada com os acontecimentos na praia, fica completamente desamparada.

Passados 25 anos, Nell vive atormentada pelo passado, abandonando o emprego para descobrir a verdadeira identidade da jovem assassinada – e o que aconteceu à amiga naquele verão inesquecível.

Quanto mais perto fica da verdade, maior é o perigo. Alguém parece estar a seguir cada passo de Nell, que já não sabe em quem confiar.

Cris

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Para os Mais Pequeninos: "Está Uma Cobra na Minha Escola"


Já deu para perceber que gosto de livros infantis. Embora não seja tarefa fácil escrever para um público infantil, seria para esta faixa etária que hipoteticamente poderia atrever-me a criar alguma coisa. Gosto das histórias, das ilustrações, da cor, do que se pode inventar para além da história narrada.

Este livro tem isso tudo! É colorido q.b., os desenhos são divertidos e a história também! E se nas escolas existisse um dia para levarem os animais de estimação? Até aqui tudo bem, mas se houvesse uma aluna (um pouco excêntrica é verdade!) que tivesse um animal diferente do habitual e o levasse com ela? Pois foi isso que a Miranda fez! Trouxe com ela a Penélope que é, nada mais nada menos, que uma cobra, ou melhor uma senhora cobra porque se trata de uma enoooorme jiboia!

Cheio de peripécias divertidas, este livro vai fazer as delícias da pequenada! Ora vejam algumas fotos:





Cris

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

"Se Esta Rua Falasse" de James Baldwin

Se à primeira página um livro me agarra, se a sua escrita me apaixona verdadeiramente ao ponto de me maravilhar logo nas primeiras palavras, sei que esse livro terá um lugar certo e seguro na lista dos meus preferidos.

Este livro pertence a essa categoria, essencialmente por duas razões que passo a enumerar:

1) A sua escrita é simplesmente maravilhosa. Simples, tão simples, mas contudo tão apaixonante! É através das palavras de Tish, uma jovem negra de 19 anos, que somos invadidos por sentimentos contraditórios que passam pelo amor e pela raiva; pela dor que a injustiça provoca e pelo puro prazer de sentir e saborear o amor que uma jovem possui pela sua família e pelo seu namorado; pela tristeza e amargura que o racismo provoca e pela alegria que é sentir que a solidariedade não é uma palavra vã e se traduz em acções concretas. 

Tish e Fonny vivem em Harlem, um bairro de NY. Não consegui situar no tempo esta história mas tendo em conta que o autor viveu entre 1924 e 1987, eu diria que o enredo passa-se por volta de 1950, altura em que James Baldwin partiu para França, fugindo do que considerava indigno na sua terra natal: o racismo, que serviu de mote para este romance! Fonny é acusado de ter violado uma mulher e é preso. Um complot foi urdido para que o acusassem injustamente. O enredo anda à volta dos acontecimentos que o levaram à prisão e das tentativas de o tirarem de lá. Tish e Fonny terão direito ao amor numa sociedade e época onde o racismo fala mais forte?

2) A segunda razão prende-se com o final abrupto que tive de reler mais de duas vezes. Tão simples e, no entanto, tanto para imaginar! Dois parágrafos apenas e tantas palavras por dizer, que foram ditas escondidas, que deixam espaço para o sonho!

Uma certeza fica depois de ter lido esta obra: é imperativo ler mais James Baldwin! 

Terminado a 19 de Setembro de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
Se esta rua falasse, esta seria a história que contaria: Tish, 19 anos, apaixona-se por Fonny, que conhece desde criança. Fazem juras de amor e conjuram sonhos para a vida a dois. Sensual, violento e profundamente comovente, este romance é uma bela canção de blues, de toada doce-amarga, com notas de raiva e ainda assim cheia de esperança. Publicado pela primeira vez em 1974, Se esta rua falasse é o quinto romance de James Baldwin, um dos nomes maiores da literatura americana do século XX e uma das vozes mais influentes do activismo pelos direitos civis.

Um romance manifesto contra a injustiça da justiça e uma história de amor intemporal, é hoje tão pertinente e tão comovente quanto no dia da sua publicação.

Cris