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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

"Todo o Ar Que Nos Rodeia" de Tom Malmquist

Este é o segundo livro do autor publicado em Portugal e o segundo que leio. Embora possa ser lido em separado, para mim, fez todo o sentido ter começado pelo anterior "Em Todos Os Momentos Estamos Vivos"(opinião aqui). O tom que o autor imprimiu em ambos é semelhante. São livros de auto-ficção e muito do que lá consta sucedeu. Pelo menos é a sua visão dos acontecimentos que Tom relata. Nas entrelinhas descortinamos o seu sentir, a sua dor, as suas perdas e angústias.

Neste, tal como no anterior, está espelhado quer o seu passado quer os momentos vividos no presente. A sua busca por encontrar as causas da morte de Mikael K. (alguém que morreu tragicamente assassinado, sobre quem ele tem uma vaga lembrança e por quem vai descobrindo muitos aspectos semelhantes) mais não é do que uma tentativa de esclarecer partes do seu passado que se encontram nubladas, esquecidas e pouco esclarecidas.

Tom revê-se em muito no que vai descobrindo na sua investigação sobre o passado de Mikael e encontra muitas semelhanças naquilo que sente e sobre aquilo que pensa que Mikael sentiu também. Aqui, o mais importante não é o resultado da investigação que faz mas aquilo que descobre sobre si próprio, creio. E se esperam que no final exista uma descoberta espectacular sobre o assassinato que o vai catapultar para a fama como investigador, vão ficar desiludidos.

Este livro não é um thriller. São as palavras de alguém que continua a catarse que começou no primeiro livro. Achei o primeiro mais ao meu gosto e aconselho a que o leiam primeiro.  É um relato cru, muito real e sem embelezamento algum sobre um acontecimento da sua vida. Aliás, o autor começou a escrever este de que agora falo mas parou para escrever o "Em todos os momentos...", tendo-o acabado depois.

Terminado em Outubro de 2021

Estrelas: 4*

Sinopse

«No sábado, foi encontrado um homem morto numa gruta na floresta de Sörskogen. Apresentava cortes graves no rosto e no peito, e a polícia acredita que foi assassinado com um machado.» A notícia tem duas décadas e está esquecida numa folha de jornal utilizada para embrulhar as delicadas peças do serviço de loiça da mãe de Tom. Quando, por ocasião do aniversário de Karin, ele vai ao sótão dos pais para as levar consigo, encontra-a e a curiosidade nasce. Partindo da pouca informação que tem, Tom Malmquist iniciará a sua própria investigação para descobrir tudo o que puder sobre Mikael K, o homem brutalmente assassinado duas décadas antes. Quem o matou? E porquê? Mas, enquanto procura respostas para essas e outras perguntas, encontra perturbantes paralelos entre a história investigada e a sua própria vida. Em Todo o Ar Que Nos Rodeia – uma intrigante história sobre morte, solidão e laços desfeitos – Tom Malmquist regressa ao passado e às personagens que apaixonaram os leitores do seu grande sucesso anterior, o romance Em Todos os Momentos Estamos Vivos.

Cris

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

"Em Todos os Momentos Estamos Vivos" de Tom Malmquist

Soube que leria este livro mal li a sinopse e vi a sua belíssima capa. O tema é duríssimo, real e muito vivido. O autor fala na primeira pessoa sobre a perda de sua mulher grávida de quase final do tempo. 

Podia parar por aqui. Creio que chega o que escrevi para se aperceberem do conteúdo realista do livro. Ficaria a faltar, no entanto, todo o peso que as palavras de Tom deixam transparecer sem no entanto cair em excessos. A sua sinceridade, a sua dor, marcam as palavras e deixam-nos de coração contrito.

Em poucos dias Tom perde a sua companheira de há mais de 10 anos, Karin, vítima de uma leucemia mieloide aguda. A filha de ambos nasce prematura. A morte e a vida juntas e inesperadas deixam Tom perdido. O passado é intercalado com o presente durante a narrativa e vamos tendo consciência do quanto eles passaram nos dez anos em que estiveram juntos.

Tudo o que possa dizer é pouco. Gostei muito desta obra que, considero, constituiu uma catarse para Tom. Sei que haverá leitores que fugirão a este duro tema. Eu não consegui. Nem queria, tampouco! A vida é isto. É preciso não esquecer que em todos os momentos estamos vivos!

Terminado em 4 de Outubro de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Tom está a poucas semanas de ser pai, mas o momento que se espera ser de felicidade transforma-se num pesadelo. Karin Lagerlöf, a namorada, entra nas urgências com o que parece ser uma gripe. No entanto, o diagnóstico é muito mais assustador: leucemia aguda. Para poder iniciar os tratamentos, Karin tem de ser submetida a uma cesariana.
É assim que Tom Malmquist, personagem que partilha o nome com o autor, se vê dividido entre a felicidade de ter uma filha e a profunda dor de perder a mulher que ama. Poucos meses depois, ainda não refeito do choque que foi a morte de Karin, Tom assiste aos últimos momentos de vida do pai, vítima de cancro.

Embrulhado em diagnósticos herméticos, desentendimentos familiares, burocracias kafkianas e num profundo estado de cansaço, Tom tem, ainda assim, de aprender a cuidar da pequena Livia. Neste comovente romance autobiográfico, Tom Malmquist partilha com o leitor a história de um homem cujo mundo parece colapsar de um dia para o outro. Dor, raiva, luto, mas também amor e uma enorme resiliência fazem parte desta narrativa, lembrando o leitor que mesmo no meio do caos é sempre preciso continuar a viver.

Cris