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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

“O Papel de Parede Amarelo” de Charlotte Perkins Gilman

Fiz a releitura deste conto para uma conversa informal com a escritora e tradutora Tânia Ganho na Livraria Buchholz. E há tanto para esmiuçar nas poucas páginas! 

O meu exemplar foi emprestado pela rede de bibliotecas aqui da zona e trata-se de uma edição bem velhinha da editora Húmus, com um posfácio de Rita Santana dos Santos e um texto da autora explicando porque escreveu este livro, o que a motivou a fazê-lo.

Diz a autora que durante muitos anos passou por uma depressão muito grave em que o estado de melancolia era uma constante. A receita do médico era muito descanso sem nada fazer, tendo uma vida “o mais doméstica possível”, sem leituras ou escritas. Melhorou quando deixou de fazer o que o médico dizia!

Então, o intuito deste conto seria alertar mulheres que se encontrassem em situações semelhantes.

O texto é riquíssimo em pormenores, mas é necessário estar atento porque algumas coisas estão subentendidas. Uma mulher escreve na primeira pessoa e logo nas primeiras linhas refere: “O John é médico e talvez – (não me atreveria a dizê-lo a ninguém, claro, mas isto fica na gaveta e é um grande alívio para o meu espirito), talvez essa seja a razão por que eu não melhore mais depressa.” pág. 8. Fica o aviso ao leitor que passa a olhar para estes rabiscos da narradora com outros olhos.

Onde se encontra ela? Que casa/mansão é essa onde se encontra que mais parece uma prisão e onde nada pode fazer? Como é o estado de espírito desta mulher que parece desequilibrada? Que esconde ela do marido? Sabe-se que teve uma criança há pouco, a parte psicológica parece desestabilizada o que faz o leitor pensar de imediato em depressão pós-parto…

E esse marido quem é e o que pretende dela? Com palavras amistosas impede-a de escrever, que é algo que lhe dá prazer. "Ele detesta que eu escreva uma palavra sequer". pág 12

Páginas intensas, com alguns momentos que parecem de loucura, muitas interrogações se colocam. Gostei muito e aconselho! 

Terminado em 25 de Janeiro de 2025

Estrelas: 6*

Sinopse

Conto publicado no final do século XIX, O Papel de Parede Amarelo retrata a história semiautobiográfica de uma jovem mulher deprimida, recentemente mãe.

O marido, John, por sinal médico, demonstra grande incapacidade para entender o que se passa com ela, em larga medida ele próprio preso nos perímetros culturais da época.

Na esperança de poder ajudá-la, John muda-se temporariamente com a mulher para uma outra casa, bonita, campestre, onde tentará recuperar a paciente com ar puro e repouso de qualquer tipo de trabalho.

A mulher, sentindo-se presa, sem opções para a sua imaginação e criatividade — ademais num quarto com uma decoração que a incomoda — vai ficando cada vez mais longe da cura, cada vez mais perto da loucura.

Narrado na primeira pessoa, O Papel de Parede Amarelo é um dos mais importantes textos da literatura feminista americana, e global, entrando aprofundadamente nos sinuosos caminhos das perturbações mentais provocadas a mulheres que, afinal, são apenas impedidas de ser o que são.

Cris



quinta-feira, 2 de março de 2023

"O Papel de Parede Amarelo" de Charlotte Perkins Gilman

Pequeno conto publicado no final do século XIX, em 1892, a que se juntam algumas sugestivas imagens, representativo de uma época em que algumas doenças sobejamente conhecidas nos dias de hoje, mais não eram que "loucura"!

A narradora é uma mulher que teve um parto há pouco e que luta com o que me parece evidente pelos estados descritos: uma depressão pós-parto. O marido é médico e não parece compreender o seu estado de espírito. "O John não sabe o quanto sofro realmente. Sabe que não há razão para sofrer e isso satisfá-lo".

Os sentimentos de culpa acumulam-se: "Custa-me tanto não cumprir o meu dever". 

Tenta expressar os seus sentimentos num caderno mas fá-lo às escondidas porque mais uma vez se sente pressionada pelas opiniões do marido e "ele detesta que escreva uma palavra que seja".

Mudam-se, temporariamente, para uma mansão no campo, juntamente com Jennie, a irmã do marido, com o intuito da protagonista apanhar bons ares, benéficos para a sua diagnosticada histeria mas, em vez de melhorar, como o seu marido esperava, a sua situação vai-se agravando.  O papel de parede amarelo do seu quarto, onde ela julga ver imagens em movimento, vai tomando uma proporção cada vez maior na percepção da realidade que a rodeia.

Presa, reduzida quase a quatro paredes, sem conviver com quase ninguém, ela piora!

Esta é uma leitura muito perturbadora e chocante. Tão pequeno este livro, como tão forte! Com uma escrita simples mas inteligente, a narradora prende o leitor com o decorrer das vivências da mulher/mãe/esposa e o explanar dos seus pensamentos. 

Muito forte. Muito bom! Traduz bem como seria ser mulher e possuir uma doença do foro psicológico no séc. XIX.

Terminado em 14 de Fevereiro de 2023

Estrelas: 5*

Sinopse

"Conto publicado no final do século XIX, O Papel de Parede Amarelo retrata a história semiautobiográfica de uma jovem mulher deprimida, recentemente mãe.

O marido, John, por sinal médico, demonstra grande incapacidade para entender o que se passa com ela, em larga medida ele próprio preso nos perímetros culturais da época.

Na esperança de poder ajudá-la, John muda-se temporariamente com a mulher para uma outra casa, bonita, campestre, onde tentará recuperar a paciente com ar puro e repouso de qualquer tipo de trabalho.

A mulher, sentindo-se presa, sem opções para a sua imaginação e criatividade — ademais num quarto com uma decoração que a incomoda — vai ficando cada vez mais longe da cura, cada vez mais perto da loucura.

Narrado na primeira pessoa, O Papel de Parede Amarelo é um dos mais importantes textos da literatura feminista americana, e global, entrando aprofundadamente nos sinuosos caminhos das perturbações mentais provocadas a mulheres que, afinal, são apenas impedidas de ser o que são."

Cris