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sexta-feira, 29 de setembro de 2023

"O Inverno do Desenhador" de Paco Roca

Gosto muito das graphic novels de Paco Roca. Gosto das histórias que cria e de como as ilustrações as completam. Já li Rugas, A Casa, O Farol e o Jogo Lúgubre e os dois volumes de Os Trilhos do Acaso. Os dois primeiros foram os meus favoritos e este Inverno do Desenhador foi o que menos me interessou pela história retratada.

Baseou-se numa história verídica sobre uma equipa editorial na Espanha franquista que, muito embora não tenha tido o sucesso esperado, foi significativo pelo esforço e pela luta encetada tendo ficado para a história editorial espanhola. 

Mas como já li mais GN de Paco Roca e posso comparar, posso dizer-vos que as histórias dos meus livros preferidos dele me tocaram mais... De qualquer forma, tenho ouvido maravilhas desta GN e não dou o tempo como perdido.

Terminado em 28 de Agosto de 2023

Estrelas: 4*

Sinopse

Um dos mais premiados autores espanhóis da actualidade, Paco Roca começou a sua carreira na década de 90 nas revistas "El Vibora" e "Kiss Comics", mas a consagração surgiu com o premiado "Rugas", adaptado à animação num filme que mereceu o Prémio Goya e lhe valeu um lugar cimeiro na história da BD espanhola que está na base de "O Inverno do Desenhador".

No Inverno de 1957, cinco dos mais populares desenhadores da editora Bruguera decidem abandonar a editora para criarem a revista "Tío Vivo" e tornarem-se os seus próprios patrões. Uma aventura na edição independente que teria vida curta, mas que lançou as raízes para a actual BD de autor, que Roca relata com grande rigor, nostalgia e sensibilidade.

Cris

quinta-feira, 16 de março de 2023

O Farol e O Jogo Lúgubre de Paco Roca

Esta obra inclui duas graphic novels baseadas em dois contos de Paco Roca diferentes no seu conteúdo mas ambas muito apelativas. O ponto de partida é a Guerra Civil de Espanha, as consequências e marcas que deixou a quem nela participou, sobretudo de quem saiu derrotado.

Em "O Farol", Francisco, jovem que aos 16 anos se alistou nos Carabineiros, desertou e, fugido das tropas falangistas, chegou a um velho farol inoperacional. Encontrou um velho faroleiro “louco” que o convidou a ficar uns dias por lá. Jovem, desiludido com a vida e sem sonhos para o futuro, Francisco, vai aos poucos ganhando esperança. As histórias entre estes dois seres, tão diferentes na idade e, no entanto, tão próximos nos seus valores pessoais, cativam o leitor. Todas as imagens deste conto são em preto e azul. 

Já "O Jogo Lúgubre" pareceu-me uma história bem macabra entre um pintor (baseada na história de Salvador Deseo) que vive isolado juntamente com a sua amante e dois estranhos amigos. Quando um secretário novo se apresenta para substituir o antigo, começam para ele uma miríade de problemas. Desde os maltratos dos habitantes da aldeia mais próxima, quando se apercebem onde é que ele vai trabalhar, até às situações sinistras que vivencia na casa do pintor…

Achei verdadeiramente interessante o Prefácio do autor, as explicações que fornece de como chegou a estas histórias e toda a base que as sustenta.

Terminado em 16 de Fevereiro de 2023

Estrelas: 4*

Sinopse

Este livro contém duas novelas gráficas do início da carreira de Paco Roca.

O Farol publicada em 2004, é uma ode à imaginação, aos sonhos e à liberdade. Um faroleiro e um jovem combatente republicano fugido das tropas falangistas discutem sobre as questões da vida, pelo meio de muitas referências literárias. a bicromia em preto e azul resulta perfeita para o ambiente desta obra optimista e de ritmo lento, em contraponto com a segunda história.

O Jogo Lúgubre (título de uma pintura de Dalí) escrita e desenhada inicialmente a preto e branco, em 2001, é uma bizarra história de horror, que parte de um misterioso livro escrito por Jonás Arquero, secretário pessoal do universal pintor catalão Salvador Dalí (Deseo no livro). Em 2012 esta obra, a mais querida de Paco Roca na altura da sua edição, foi publicada em bicromia, num preto e vermelho mais adequada ao tom de terror do relato. Descubra duas dimensões distintas de Paco Roca neste álbum. 

Cris

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

"Os Trilhos do Acaso", volumes 1 e 2, de Paco Roca (GN)


Voltar a um autor de Graphic Novels que conheço de outros livros e de quem gosto muito é sempre uma aposta certeira. Fui à Biblioteca das Galveias e encontrei lá os dois volumes desta GN da qual já tinha ouvido falar bem e foi a oportunidade perfeita para os ler.

Paco Roca foca-se aqui em vários episódios verídicos ocorridos no fim da Guerra Civil Espanhola e durante a II Guerra Mundial. Como diz Pedro Bouça, na introdução preciosa que faz para um melhor entendimento destes dois volumes, os refugiados republicanos que fugiram de Espanha e tão mal recebidos foram pelos países que os acolheram, "acabaram por se revelar afinal extremamente preciosos para o país que os acolheu". É em torno destes refugiados espanhóis que Paco Roca, uma vez mais, transforma uma história da História numa obra prima das artes.

1939, fim da Guerra Civil Espanhola, fascistas no poder e republicanos em debandada para França. Aqui cabiam-lhes 3 hipóteses: ou eram repatriados para Espanha, ou alistavam-se na Legião Estrangeira ou eram condenados a trabalhos forçados. Aquando da II Guerra, muitos dos condenados a trabalhos forçados, optaram por pegar em armas de novo contra os nazis. Formou-se a 9ª Companhia, conhecida por "La Nueve", e que acabou por ser a primeira unidade a entrar e libertar Paris no fim da guerra. 

Miguel Ruiz terá sido um destes homens. Intercalando passado e presente, Paco Roca surge como um personagem na actualidade, entrevistando Miguel Ruiz, ácerca da sua participação em "La Nueve".

Um dos aspectos que mais gostei nesta obra foram os dois espaços temporais diferenciados pela mancha de cor: o passado surge com cores escuras e o presente é monocromático, o que faz com que o nosso cérebro se habitue rapidamente e distinga na perfeição os dois espaços temporais. 

Gostei muito.

Terminados em 19 de Novembro de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

Nomeação Melhor Álbum de Autor Estrangeiro editado em Portugal no Amadora BD 2018 Através das recordações de Miguel Ruiz, republicano espanhol exilado em França, Paco Roca conta-nos a história de La Nueve, uma unidade militar formada maioritariamente por veteranos espanhóis republicanos da Guerra Civil, que participou em momentos chave da Segunda Guerra Mundial, desde o desembarque na Normandia à libertação de Paris.

Ao longo de alguns dias de conversas com um sobrevivente da Guerra Civil espanhola e da Segunda Guerra Mundial, o autor evoca a história de um grupo de espanhóis republicanos que lutou sob as ordens do General Leclerc contra o nazismo.

Entre a quase monotonia dos dias que Paco Roca passou junto desse veterano, e os momentos de violência e emoção da guerra, o leitor descobrirá o destino de um grupo de homens que os trilhos do acaso lançaram na história contemporânea.

Cris

quarta-feira, 27 de março de 2019

"Rugas" de Paco Roca (Graphic Novel)

Esta é a segunda novela gráfica que leio deste autor. A primeira foi esta aqui. Gostei muito de ambas, mas o "Rugas" tocou-me de uma forma especial. Não consegui encontrar este livro em português porque está esgotado e li-o em espanhol, empréstimo da Isa do canal do Youtube Jardim de Mil Histórias. Quero relê-lo, desta feita na nossa língua. Não que o espanhol fosse difícil mas quero mesmo saboreá-lo em português!

Como disse, foi uma leitura especial. O tema toca-me bastante e está tratado com muito carinho mas com a crueza necessária para que a realidade seja visível aos olhos de todos. A demência, os lares de idosos ou depósitos, como queiram chamar-lhes, a amizade e o companheirismo que se gera, às vezes involuntariamente, entre os mais idosos. Um olhar cru sobre a velhice que magoa, que dói, que toca o coração. Um olhar de quem escreve com os desenhos que pinta. Muito bom! 

Recomendo vivamente.

Terminado em 24 de Março de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Emílio, um bancário reformado, sofre da doença de Alzheimer e é internado num lar de terceira idade. Rodeado de vários outros idosos, cada um com um quadro «clínico» distinto e com uma personalidade bem vincada, vai aprendendo as diversas estratégias para combater o tédio e a erosão da rotina. Ao mesmo tempo, Emílio e os seus companheiros vão tentando introduzir, num quotidiano marcado por medicamentos, refeições, «terapias ocupacionais» e sestas de duração indefinida, alguns vislumbres de encanto e alegria de viver.

Cris

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

"A Casa" de Paco Roca (Graphic Novel)


Lida em pouco tempo, esta graphic novel, soube-me a pouco. Mas fez-me pensar.
Soube-me a pouco porque fui apanhada meio desprevenida com o final abrupto. Nāo reparei que as páginas estavam a esgotar-se e fiquei sem chāo, de repente, com o final. Acabou tāo depressa! 
Mas mesmo assim faz pensar, indiscutivelmente. Três irmāos, depois da morte do pai, vāo-se lembrando de pormenores vividos em que o pai foi protagonista ao mesmo tempo que decidem vender a casa em que ele vivia e que já nāo visitavam há muito. 
É um livro que fala-nos de perdas, de luto, de coisas que ficaram por dizer e por fazer às pessoas que amamos. É normal sentir que se podia ter feito ou dito mais qualquer coisa depois da morte de alguém que nos é próximo. Creio que é um processo que faz parte do luto. Uma parte de nós diz que dissemos e fizemos o que podiamos, outra diz-nos que poderiamos ter feito ou dito muito mais. Saber encontrar o equilíbrio entre estes dois seres que "habitam" em nós é um processo que pode demorar.
Um livro para ler e apreciar. Para pensar, refletir. Olhar em volta e alterar comportamentos, o nosso sobretudo. Porque o mundo muda quando nós mudarmos.
Terminado em 10 de Fevereiro de 2019
Estrelas: 5*
Sinopse
Ao longo dos anos, o dono de uma casa enche-a de recordações, testemunhos silenciosos de uma vida. Uma casa é a imagem fiel do seu dono. Como os casais que vivem longos anos juntos. Assim, quando o seu ocupante desaparece para sempre, o recheio da casa fica intacto, à espera do regresso do seu dono. Os três irmãos que protagonizam esta história, tornam um ano após a morte do seu pai à casa de família onde cresceram. A sua intenção é vendê-la, mas em cada velharia que deitam fora, enfrentam as suas memórias. Temem estar a apagar o passado, a memória do seu pai, e as suas próprias memórias.  

Cris