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segunda-feira, 2 de julho de 2018

"Os Távoras" de Maria João Fialho Gouveia

De vez em quando gosto de mudar de registo e ler um romance histórico. Admiro quem, pegando em acontecimentos da História dos homens, traz de novo à vida aqueles que viveram no tempo dos reis com as suas regras tão pouco usuais nos nossos dias no que concerne aos casamentos, aos laços familiares que se misturam e se juntam em moldes considerados hoje quase incestuosos. Admiro quem consegue dar vida a esses personagens da História, inventando diálogos e situações, sem fugir aos acontecimentos verídicos que tiveram lugar.

A protagonista desta história, Teresa, pertencia a uma família nobre, prestigiada e rica. Está-se no tempo de D José I. Teresa era bonita, sedutora e tornou-se amante do rei. Não fosse ele casado, nem tampouco ela, e tudo teria corrido às mil maravilhas. Mas a riqueza e a beleza não eram sinónimos de poder permanente e as intrigas palacianas, sobretudo instigadas por Sebastião José de Carvalho e Melo (para quem não sabe, o Marquês de Pombal) fizeram ruir uma das famílias nobres mais poderosas, os Távoras. Os actos bárbaros que se cometeram e a morte pavorosa a que muitos foram sujeitos, lembra bem como a História teve momentos tágicos e de puro horror.

Este não é um livro de leitura rápida, tão pouco fácil, porque está carregado de particularidades históricas que a autora, para situar o leitor, não pôde descurar. Mas, embora lentamente, o enredo vai-se entranhando em quem lê. Confesso que pouco sabia deste periodo da História que nos envergonha bastante, ou pelo menos, as minhas lembranças já eram bastante longínquas pelo que gostei de relembrar de que forma se conseguiu (quase) dizimar uma família através da intriga e da injustiça. Muitos anos volveriam sem que a justiça tivesse lugar...

Um livro para quem gosta de História, para quem, lendo, gosta de viajar pelo tempo. Recomendo!

Terminado 25 de Junho de 2018

Estrelas: 4*+

Sinopse
Entre a Virtude e o Pecado
Esta é a história da nobre família Távora, aqui contada na voz de Dona Mariana Bernarda e Dona Teresa Tomásia, duas senhoras desta ilustre Casa, que viveram em fausto e glória até o futuro marquês de Pombal tentar apagar a sua semente da face da Terra.
Apesar de unidas pelo sangue e pela vaidade da sua estirpe, as duas fidalgas não podiam ser mais diferentes uma da outra. A primeira era uma mulher religiosa e recta; já a segunda - sua tia e cunhada - entregava-se sem pruridos a uma vida de luxúria, vivendo um romance pecaminoso com El-rei de Portugal.

A altivez e o poder dos grandes Távoras muito incomodavam a Sebastião José de Carvalho e Melo, Secretário de Estado. Tanto que, quando D. José I é vítima de um intrigante atentado, Sebastião José, futuro marquês de Pombal, tratou de os inculpar, prendendo-os em masmorras e conventos, sem poupar mulheres nem crianças. O Tribunal da Inconfidência, a que presidiu, torturou os réus e condenou-os a mortes cruéis. Por fim, baniu-lhes o nome, picou-lhes as armas de família, julgou tê-los calado para sempre. Mas tê-lo-á conseguido?

Cris

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

"Maria da Fonte" de Maria João Fialho Gouveia

Mais uma autora portuguesa que estava com muita vontade de "conhecer". Tendo já nas minhas estantes alguns dos seus livros, mas ainda não lhes tendo pegado, a saída deste "Maria da Fonte" foi o pretexto ideal para conhecer tanto a escrita da autora como esta história da História que não conhecia em profundidade.

Gostei muito de conhecer ambas. Confesso que fiquei muito apaixonada pela personagem, por essa mulher de armas que foi Maria da Fonte, o que me levou a não dar importãncia a algumas partes da história contada que não me fizeram sentir no seu interior, como tanto gosto. Creio que esse facto deveu-se, sobretudo, a alguns diálogos com bastantes referências políticas que achei mais cansativos, embora necessários, reconheço. 

A escrita da autora é bastante clara, povoada de discursos que nos remetem para o contexto socio-cultural da época, onde os estatutos das diferentes classes sociais estavam bem definidos e que eram difíceis de transpôr e, também, para as diferenças marcantes entre o Homem e a Mulher, ditadas pelos costumes machistas de então.

Contudo, Maria da Fonte soube liderar as hostes numa sublevação popular contra o governo presidido por Costa Cabral e que teve início na Póvoa de Lanhoso (ver Wikipédia), vencendo alguns preconceitos no que concerne ao papel da mulher na sociedade, trazendo à sua vida momentos de verdadeiro reboliço e fazendo com que ficasse a ser conhecida pela sua bravura.

Como referi, gostei muito de conhecer a vida desta personagem e com ela, a autora, Maria João Fialho Gouveia. Porque sim, acredito que, ao conhecer esta heroína portuguesa, fiquei a conhecer um pouco de quem lhe deu vida neste romance.

Terminado em 12 de Dezembro de 2017

Estrelas: 4*

Sinopse
Até quando pode uma mulher aguentar a injustiça sem erguer a voz? Após as Guerras Liberais que assolaram Portugal durante o século XIX, as decisões do governo de Costa Cabral não são bem recebidas. Os impostos aumentam, as liberdades do povo são atacadas e a Igreja é o próximo alvo. Atenta aos gritos de revolta do seu povo, que também são os seus, e às ideias miguelistas dos seus senhores, está a jovem Maria Angelina. Despedida por se ter deixado apaixonar, Maria regressa à sua aldeia da freguesia de Fontarcada, na Póvoa de Lanhoso, jurando viver por si, sem ninguém a cortar-lhe as asas. Os ideais, no entanto, não desaparecem, e, quando o governo proíbe o povo de enterrar os mortos nas igrejas, Maria decide tomar medidas. Lideradas por ela e munidas das armas possíveis, como as ferramentas de trabalhar a terra, as mulheres do Minho fazem justiça pelas próprias mãos. Maria de Fontarcada torna-se Maria da Fonte e ganha os contornos de uma líder popular. Conforme a revolta vai grassando pelo país, forçando o governo a ser demitido e o exército a entrar em cena, Maria da Fonte transforma-se num mito, surpreendendo até aqueles que com ela privavam. Esta é a história desse mito. E da mulher que está na sua origem.

Cris