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sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

"Carta à Minha Filha" de Maya Angelou

O título deste livro remete-nos para uma filha que Maya Angelou nunca teve. É, no fundo, dirigido a todas nós, mulheres. Para as que foram vítimas de abusos de qualquer espécie, para as que sofrem com injustiças, para as que lutam por alcançar os seus objectivos de igualdade. Para todas!

A lição maior que nos transmite: "Podes não controlar todos os acontecimentos da tua vida, mas podes decidir não deixar que eles te debilitem."

São pequenos textos onde recorda a sua vida, momentos ora divertidos ora impressionantes, lições que aprendeu com a vida (Maya foi uma mulher de sete ofícios), vida essa onde a lamentação não teve lugar mas onde o preconceito racial esteve sempre presente. Activista, lutou sempre pelos direitos das mulheres e esse foi um dos seus campos de batalha.

"Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola", foi o único livro que tinha lido dela (opinião aqui) e é uma leitura muito forte, sobretudo pela descrição de factos passados na sua vida. Um livro duro mas que demonstra uma força que a fez superar as dificuldades que se lhe atravessaram no caminho. E não foram poucas...

Gostei muito deste testemunho!

Terminado em 25 de Dezembro de 2023

Estrelas: 5*

Sinopse

Maya Angelou tinha 17 anos quando, de uma relação fortuita e infeliz, nasceu o seu primeiro e único filho. Foi a maior dádiva de uma relação sem amor, mas teria muitas outras ao longo de uma vida extraordinária. E teria muitas “filhas” também: as milhares de mulheres de todo o mundo que nela encontraram uma referência, uma permanente fonte de inspiração.
Uma delas chamava-se Oprah Winfrey. E foi a pensar nela, nos recados e mensagens que lhe enviou ao longo de décadas, que Maya Angelou decidiu fazer este livro. Reuniu aqui, em 28 textos, que sintetizam décadas de experiência – e a sabedoria acumulada ao longo delas.
Numa voz sempre poética, terna e calorosa, a autora fala de si, da sua infância e adolescência, e de um caminho onde todos os obstáculos foram sendo superados. Nesta pequena obra, onde cada palavra conta, devolve-nos as suas memórias, a sua relação com o mundo, discute o papel da raça e do racismo, do medo, do amor, do papel da mulher.
Carta à Minha Filha é um livro que não se explica, que não se resume. É uma voz vertida no papel, que nos envolve, aquece e guia.

Cris

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

"Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola" de Maya Angelou

Sei porque li este livro. :) Já tinha algumas, boas, referências tanto deste como de outro (Carta à Minha Filha) que também quero ler! O pretexto para pegar nele e não noutro (tantos!), foi o tema de um clube de leitura a que. recentemente, passei a pertencer.

Já esperava uma leitura que mexesse comigo. Este livro é autobiográfico (1828/2014) e a autora refere um período da sua vida que se estende desde criança até aos seus 16 anos. Filha de uma família disfuncional o seu laço mais forte era o seu irmão que possuía apenas um ano de diferença. Uma vida pautada pela mudança de casas, de terra e também mudança de amor parental. As avós, sobretudo a paterna, tivera muita influência no seu carácter; a mãe, mais ou menos distante, durante esse periodo relatado, também. 

A consciência das desigualdades sociais vividas então e que eram fruto de um marcado racismo, foi algo que Maya desde cedo se apercebeu. A escrita sendo bastante visual deixa muito presente no leitor acontecimentos relatados onde o racismo extremo se encontra tão presente que não é fácil esquecer. Relembro uma frase dita por um dentista que devia favores à avó de Maya e que se recusou a ajudá-las: "Antes preferia meter a mão na boca de um cão do que na de um preto"!

Mas o que mais me marcou foi a sua narrativa de um acontecimento traumático que ocorreu quando tinha, julgo, sete anos e que a deixou sem falar nos anos que se seguiram. A sua inocência que a impediu de saber o que se estava a passar, levou-a a ganhar um complexo de culpa que a marcou muitíssimo.

A fuga de um caminho que se julgava traçado, a sua determinação em conseguir o que queria, o seu amor aos livros, o seu sentido de justiça muito marcado desde cedo numa sociedade racista e sexista, a sua escrita dura, crua mas muito simples fizeram desta autora uma da minhas preferidas.

Os meus parabéns à editora - Antígona - pela beleza física de todo o livro e pelo belíssimo posfácio escrito por Diana Almeida onde podemos esclarecer alguns factos e acontecimentos ocorridos durante o período descrito e sobre a vida da autora.

Terminado em 29 de Janeiro de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

Grandioso livro de memórias, Sei porque Canta o Pássaro na Gaiola (1969) é uma poética viagem de libertação e um glorioso bater de asas num mundo opressivo. Este relato inspirador da infância e da juventude da autora, nos anos 30 e 40, devolve-nos o olhar de uma extraordinária criança sobre a violência inexplicável do mundo dos adultos e a crueldade do racismo, na procura da dignidade em tempos adversos. Do Arkansas rural às cidades da Califórnia, Maya Angelou traça neste livro um tocante retrato da comunidade negra dos Estados Unidos, durante a segregação, e de uma consciência que, incapaz de se resignar, desperta rumo à emancipação. Um clássico americano que marcou gerações e que conserva toda a sua actualidade.

Cris