Acho que não me vou esquecer deste livro tão depressa! É uma novela que me causou estranheza pela sua história que, como o seu título deixa adivinhar, se traduz numa metamorfose. A estranheza decorre do facto de ser uma tranformação de um homem num insecto gigante.
A reação dos seus familiares (pai, mãe e irmã) que vivem na mesma casa que Gregor passa mais pelo modo como vão esconder a situação e como vão sobreviver sem os rendimentos que ele auferia do seu trabalho. À medida que Gregor deixa de poder comunicar, a família vai-se distanciando dele, levando apenas comida e trancando-o no quarto. A compaixão dá lugar ao desconforto, ao incómodo, à rejeição.
Um livro que nos faz pensar na "utilidade" que atribuímos às pessoas à nossa volta. O que acontece quando alguém deixa de corresponder ao papel que é suposto possuir!
Gosto, maioritariamente, de histórias que sejam verosímeis pelo que li este livro de uma assentada sempre com uma sensação de desconforto. Admito até que tenha sido isso que o autor pretendia!
Terminado em 16 de Junho de 2026
Estrelas: 4*
Sinopse
«MERGULHAR NO MUNDO DE KAFKA É COMO ENTRAR NUM PESADELO PERFEITAMENTE LÚCIDO.» VIRGINIA WOOLF
Numa manhã banal, Gregor Samsa desperta para o impensável: o seu corpo já não lhe pertence. Transformado numa criatura grotesca, vê-se subitamente excluído do mundo que até então sustentava – um mundo regido pela utilida de, pelo dever e pelas expectativas familiares. Confinado ao silêncio e ao isolamento, Gregor assiste à lenta erosão dos la ços familiares que o definiam. O amor dá lugar ao desconforto, a dedicação à indiferença, e a identidade dissolve-se perante o olhar dos outros. À medida que o tempo avança, torna-se claro que a verdadeira metamorfose não reside apenas no corpo que habita, mas na forma como é visto – e esquecido. Com uma escrita de precisão implacável e uma atmosfera inquietante, Franz Kafka constrói uma das mais poderosas alegorias da condição humana.
A Metamorfose é uma obra-prima intemporal sobre alienação, dignidade e a fragilidade do lugar que ocupamos no mundo.
Cris

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