Um livro surpreendente, na minha opinião! É uma obra ficcionada sobre a migração forçada de dois irmãos venezuelanos de ascendência portuguesa, Ruben e Gonzo, que, após o desaparecimento súbito da mãe, jornalista perseguida pelo regime, fogem e tentam sair do país para de alguma forma irem para a casa dos avós em Portugal. É um romance onde a sobrevivência destes irmãos está sempre em causa, sobretudo porque os perigos associados à sua fuga são imensos. A travessia na Selva de Darién, fronteira entre a Colômbia e o Panamá, aproxima os irmãos e mais do que um simples livro de aventuras é um livro onde se mostra que a fraternidade entre as pessoas existe ainda nos dias de hoje e isso faz aproximar o leitor a uma realidade que desconhece. Nada sabia sobre esta migração que ocorre quando os que não possuem posses pretendem sair da Venezuela. Muitos ficam pelo caminho. Que o digam os restos de objetos e corpos que se encontram nessa selva. Ficção baseada numa realidade que foi objecto de muita pesquisa por parte do autor. Esse facto transparece nas páginas do princípio ao fim.
Esta história é contada na primeira pessoa sobretudo por Rúben mas a voz de Gonzo também surge e enriquece muito a narrativa. Física e psicologicamente os irmãos crescem e amadurecem nesse caminho. O que deixam ficar pelo caminho, e não me refiro a objectos, irá marcá-los para a vida toda.
O final é muito realista e gostei disso. Título certeiro, escrita directa, objectiva sem dramatismos mas muito real, este livro foi um page turner para mim. A realidade da migração forçada e a sobrevivência.
Gostei muito e recomendo!
Terminado em 23 de Junho de 2026
Estrelas: 6*
Sinopse
Quando a mãe, jornalista, desaparece, Rúben, de dezasseis anos, e Gonzo, de onze, são forçados a sair do país. Invertendo o percurso dos avós portugueses, a perseguição política arrasta-os para Darién, a selva que devora os que a atravessam. Com companheiros que a travessia lhes impõe como família, terão de crescer anos em dias para sobreviver. Da antifronteira à Montanha da Morte, entre muralhas de lama, rios que se agigantam e predadores armados, a selva arranca-lhes quase tudo até lhes revelar a língua de quem sempre nela habitou.
Narrado alternadamente pelos irmãos, entre o coloquial e o lírico, a crueza e o humor, Na Tua Mão é um retrato migratório contemporâneo. Um romance baseado em relatos reais sobre uma fraternidade reinventada, corpos em movimento e palavras que arvoram.
No labirinto da selva, o «mar sonoro» é o último fio que os liga à esperança.
Cris

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