Antes de comentar algo sobre esta obra, quero referir que o seu título está muito bem escolhido; todo o livro possui uma mensagem que perdurará para as gerações que aí vêm e é muito importante que seja lido pelo maior número de pessoas, jovens e não só.
É constituido por vários textos reflexivos, baseados numa conferência que Simone Veil deu em 2005 a estudantes de uma escola superior francesa. Publicado postumamente, parece ser dirigido aos jovens de todo o mundo. Como disse anteriormente, aos jovens e não só. Lições a reter!
Livro pequeno, mas tão impactante! As páginas do meu livro ficaram repletas de post-it. Começa por contar os momentos que antecederam a sua deportação para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau com 17 anos, com a sua mãe e irmã; os momentos lá passados e a sua libertação. Perdeu nos campos o pai e o irmão e também a sua mãe, que muito lhes deu, a ela e à irmã, muita força naqueles momentos.
Explica, também, porque os sobreviventes não se referiram durante muitos anos aos martírios passados nos campos de concentração. Não era a dor que os impedia de falar mas o facto de não acreditarem no que contavam. Só anos mais tarde, ficou claro para muitos deles que testemunhar era importantíssimo para que não se voltem a repetir os horrores perpetrados a milhares de pessoas.
Refere também que muitas crianças que foram salvas, porque estavam escondidas, sofreram traumas que não são referidos nem falados. "Falou-se dos deportados, do que vivemos, mas não nos apercebemos de que a dor das crianças escondidas era, na verdade, muito mais forte do que julgávamos." pág 17
Simone relata, sem dramatizar e sem ódios que seriam legítimos. Mas impressiona observar neste seu relato que a "sorte" ou o "azar" ditavam a morte ou a vida de alguém. Simone teve "sorte" e amadureceu com os acontecimentos vividos. Não deixou que o ódio e a raiva a dominassem. Confia nas gerações futuras para preservar a memória e defender a democracia, democracia que de um momento para o outro pode perigar.
Precisam mesmo de ler este livro!
"Tal como em Drancy, éramos incapazes de imaginar naquele momento que aquilo fosse possível. Qua aquelas pessoas que tinham vivido connosco, que ainda poucas horas antes se encontravam ao nosso lado, já estivessem mortas. Não só estavam mortas como ja não existiam. Assim era. (...) Extreminar de forma planeada, cientificamente, uma parte de uma população, porque não serve para anada, sejam bebés, pessoas mais velhas, e muitas vezes, até pessoas que poderiam trabalharmas das quais apenas querem manter vivas algumas. Sabemos que elas vão morrer, aliás. Como estamos tatuados, estamos destinados a nunca sair do campo de concentração. Mas é preciso fingir. Fazer com que alguns entrem no campo, mas arranjando as coias de modo a que nunca de lá saiam." Pág 23
Terminado em 17 de Maio de 2026
Estrelas: 6*
Sinopse
A última grande e importante lição de Veil nunca antes publicada em Portugal.
Para as Gerações Futuras é uma comovente carta deixada aos jovens por Simone Veil, uma das fi guras mais importantes da política europeia e uma das suas grandes consciências. Um texto, até agora inédito, criado com base numa palestra que deu aos seus alunos da Rua d’Ulm, em abril de , e que condensa a lucidez e coragem da sua autora, enquanto mulher e sobrevivente do Holocausto, entre tantos outros aspetos que definiram esta que é uma das personalidades mais relevantes do século xx .
Nas suas páginas são evocadas a deportação da sua família, a memória do Holocausto e a urgência da sua transmissão às gerações futuras. A autora reflete sobre o destino das crianças escondidas, a importância da reconciliação e construção europeia e o papel da educação, da juventude e até da ficção na preservação viva das tragédias do passado.
Mais do que um testemunho ou manifesto, este livro é um apelo à responsabilidade, à vigilância democrática e à esperança. Uma mensagem clara e humanista que apela às gerações futuras a enorme importância das memórias na construção de um mundo mais justo e unido.
«Tudo é dito em poucas palavras neste texto profético, ao mesmo tempo íntimo e político.» LE POINT «Essencial.» LIREMAGAZINE LITTÉRAIRE
Cris

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