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terça-feira, 8 de novembro de 2016

"Vitória, de Amor e de Guerra" de Luísa Beltrão

Primeiro, confesso, foi a capa que atraiu o meu olhar. A sinopse confirmou a minha escolha. Não tinha ainda lido nada de Luísa Beltrão. Gostei muito desta leitura e pretendo ir à apresentação do livro, no próximo dia 28 de Novembro pois acredito que será bastante interessante. Estou curiosa e quero ouvir a Rita Ferro falar de uma leitura que tem tantos pedaços da nossa História.
A temática tem como pano de fundo não só a Primeira Guerra Mundial mas um pouco a História de Portugal e dos conflitos que abalaram o mundo e este nosso país, às vezes tão fechado nos seus costumes e valores, desde 1858 até 1923. Uma lição de História muito aprazível, nada enfadonha, subtilmente dada pela autora ao contar-nos a história de Vitória que, partindo para França, onde se encontra o seu marido que faz parte do Corpo Expedicionário Português, pretende ajudar no esforço de guerra.
E é com alguns saltos temporais que ficamos a conhecer a história dos seus antepassados mas também de que forma a guerra lhe alterou a forma de pensar, os hábitos adquiridos durante toda a sua vida. Embora impaciente, porque parece nascer um romance logo nas primeiras páginas entre Vitória e um paciente médico, a autora faz-nos esperar durante toda a trama, deixando em aberto essa questão. E não é que gostei disso?
Admito que, no entanto, o que mais gostei foi essa viagem no tempo que me situou historicamente nessa época, porque falar da História com mestria não creio ser tarefa fácil. Fazer uma panorâmica interessante dos acontecimentos quer do que se passava em Portugal quer no mundo em geral, sem cair num desenrolar maçudo dos factos, não é para todos, não! 
Gostaria que a autora tivesse explorado um pouco mais a ligação afetiva que nasceu entre a protagonista e o médico doente, desenvolvendo, talvez, mais o passado deste médico misterioso, tão respeitado. Senti falta disso quando finalmente se chega à história dos dois apaixonados. 
De qualquer forma, li com muito prazer esta leitura que se faz rápida e fluída. 
Terminado em 31 de Outubro de 2016
Estrelas: 4*
Sinopse
Na madrugada de 4 de novembro de 1917, quando faziam exatamente cento e três dias sobre a saída de Vitória de Lisboa, Andrew dava entrada no hospital de Arras. E a vida de Vitória altera-se para sempre. Desde que entrara no cenário de guerra, um cenário onde numa questão de segundos se podia viver ou morrer, ficar louco, cego ou sem braços, Vitória aprendera que a vida nos conduz, de forma sinuosa, para constantes acasos. Chegara a França para acompanhar o marido, soldado do contingente português na Primeira Guerra Mundial, deixando para trás os filhos e a família tradicional que a moldara. Ela era apenas um elo de uma longa cadeia que vem de trás e se continua. Um acaso fá-la ingressar no corpo de enfermagem como voluntária num hospital inglês e, por outro acaso, estava de serviço naquela madrugada em que ficou incumbida de cuidar do soldado da cama sete. Um herói de guerra, médico, celebrizado nas trincheiras por salvar vidas. Luísa Beltrão regressa à escrita com um romance poderoso de amor e de guerra. Pelos olhos de Vitória vemos passar a calamidade do conflito que assolou a Europa, conhecemos a história de uma família dividida pela guerra, através dos diálogos com Andrew questionamos o sentido da vida e das nossas expectativas. E sentimos a solidão, aquele vazio assustador que antecede a esperança.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

"13 Gotas ao Deitar" de várias autoras

Estava realmente curiosa com esta leitura! Conheço a escrita da Rosinha, da Alice Vieira e da Rita Ferro e gosto, mas escrever a seis mãos (para além das três escritoras referidas ainda foi escrito por Luísa Beltrão, Catarina Fonseca e Leonor Xavier) deve ser um exercício algo complicado. Não creio que possa ser uma mera junção de textos escritos em separado pois aí notar-se-ia um corte no estilo literário, creio. E isso não acontece. 

Gostei do que li. Da história rocambolesca. Alguns personagens de tão ridículos que são, tornam-se reais, verosímeis. A sua caracterização é pormenorizada e é com um sorriso na cara que vemos desfilar uma série de acontecimentos um pouco irreverentes, possuidores de um humor muito próprio que nos dispõe bem.

Um misto de policial (com algumas mortes macabras) e romance que me agradou muito. O final é tão inesperado quando belo, se é que podemos adjectivar dessa forma a descoberta do intrigante assassino...

Para ler num ápice e com um sorriso nos lábios!

Terminado em 24 de Janeiro de 2014.

Estrelas: 4*+

Sinopse


Quando seis autoras se juntam para escrever uma história, o resultado é um romance alucinante, onde não faltam mulheres e homens, doenças raras, médicos de índole suspeita, polícias e muito mistério, tudo servido em doses de humor irreverente.
A história, nascida da imaginação de seis mulheres, promete personagens e uma prosa bem viva… apesar das mortes que vão ocorrendo, como é bom de ver. Este romance constitui um divertimento para as seis escritoras que se encontraram (reencontraram, num caso ou noutro) pelo prazer de dar largas à imaginação e escrever, cada uma, dois capítulos do livro.