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terça-feira, 29 de maio de 2018

"O Menino de Deus" de Joāo Carlos da Costa

Esta é uma obra de nāo-ficçāo. É um pouco da história do Joāo e da sua "māe coragem", do seu caminho e sobretudo do que ele tem para nos dizer. O Joāo sofre de transtornos do espectro autista. Tem dificuldades motoras e verbaliza muito pouco. E no entanto, no seu interior, o seu mundo é repleto de palavras e adora os números. 

Confesso que "autismo" era, para mim, uma palavra assustadora. Sobretudo porque pensava que quem sofria dele vivia num mundo completamente à parte e pouco contacto tinha com o "nosso" mundo sendo por isso difícil de atingir, de estabelecer ligaçōes. Ler este livro fez com que deixasse de ter ideias estereotipadas sobre o autismo. Sāo tantas as coisas que o Joāo tem para nos dizer! E que mundo rico possui! E sāo tantas as pessoas que foram tocadas pela sua palavra, pela sua clarividência, que o ajudaram e continuam a ajudar a superar as suas dificuldades...

Saber que essas dificuldades (a quase nāo verbalizaçāo, os seus comportamentos ditos "estranhos") podem ser ultrapassadas e que as mesmas nāo significam que o "interior" do Joāo é um mundo vazio, foi muito esclarecedor e alterou as ideias pré-concebidas que possuía sobre esta doença.

Ler este livro foi um aprender magnífico e por isso as estrelas que atribuí vāo directamente para o Joāo e para a sua māe! 

Terminado em 26 de Maio de 2018

Estrelas: 5* 

Sinopse
Sinto que tenho de dizer ao mundo que, na verdade, os olhos veem, os ouvidos ouvem e o coração sente.

O João Carlos é um menino com autismo que, para surpresa de muitos, incluindo familiares e terapeutas, comunica recorrendo à escrita. Fá-lo sempre com papel e lápis, e com a ajuda da mãe que lhe ampara o braço.

Se a escrita do João em si já é surpreendente, as suas palavras tornam-na ainda mais especial: dão a conhecer na primeira pessoa o que sente quem vive com autismo e transmitem uma mensagem de amor, luz e esperança.

O Menino de Deus, o livro com que o João sempre sonhou, é mais uma vitória no caminho que quer percorrer: dar voz aos que como ele sofrem em silêncio e fazer com que a Humanidade desperte para um mundo melhor.

As palavras de amor que o João quer partilhar não deixarão ninguém indiferente.

Cris

segunda-feira, 28 de maio de 2018

"Elmet, Vidas Desencantadas" de Fiona Mozley

Esta leitura teve um poder estranho em mim. Achei-a intensa e perturbadora ao mesmo tempo. É através dos olhos de Daniel que conhecemos a sua estranha vida e dos seus familiares mais próximos, seu pai e sua irmā.

Vivem à margem da sociedade. Cada vez mais independentes (caçam, pescam, cultivam oa seus alimentos) e sem quererem muitos contactos com os habitantes locais. Mas isso deve-se, sobretudo, ao misterioso passado do pai relacionado com a māe, de que Daniel e Cathy conhecem somente uma pequena parte.

Pequenos sāo também os apontamentos relativos ao presente e que emergem solitários na abundância narrativa que nos descreve o que sucedeu no passado. Quando percorremos esta leitura nāo sabemos se esse passado é tāo distante assim do presente, ou seja, que tempo os distancia um do outro. No final percebemos que eles se tocam, que passado e presente estāo próximos um do outro. 

Houve algumas partes que nāo captei o sentido todo do que lia e o final nāo foi bem do meu agrado (tê-lo-ei percebido inteiramente?) e é por isso que gosto de discutir as leituras com amigos. O que me escapou? Geralmente gosto dos finais em aberto que nos permitem concluir um pouco à nossa maneira a história acabada de ler, mas algo me escapou aqui neste final que preciso esclarecer...

Fora isso, gostei desta leitura, do fantástico ambiente misterioso criado pela autora do qual a capa escura e o título sāo um espelho. Agradou-me também a construção dos personagens, também eles muito sui generis. Uma primeira obra desta autora que me faz estar atenta ao seu nome! 

Terminado a 22 de Maio de 2018

Estrelas: 4*+

Sinopse
Daniel está a ir para Norte e procura alguém. A vida simples que levava com a irmã Cathy e o pai desapareceu; tornou-se ameaçadora e sinistra. Viviam os três à margem da sociedade, numa casa que o pai construíra no bosque, caçando e procurando comida. O pai dissera-lhes que a pequena casa em Elmet era deles, mas afinal isso não era verdade. E alguns homens daquela terra, gananciosos e vorazes, começaram a vigiá-los de perto.

Esta é uma história sobre família, amor e violência; uma análise dura e implacável à sociedade contemporânea, ao indivíduo e à realidade, aos conceitos de classe e às discrepâncias entre quem somos e quem somos capazes de ser.

Cris

sábado, 26 de maio de 2018

Na minha caixa de correio

  

  


 

Tirando o Woderstruck, que adquiri num alfarrabista, todos os outros foram oferecidos pelas editoras parceiras. Assim:
A Mulher Entre Nós - Suma de Leyras,
Uma Pequena Sorte - D. Quixote
As Vinhas de la Templanza - Porto Editora
A Sociedade Literária da Casca de Banana - Suma de Letras
Cozinha Vegetariana à Portuguesa - Arte Plural
Os Inventores do Mundo - Matéria Prima
100 contas e 100 Palavras - Booksmile

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Apresentação do Livro "Cozinha Vegetariana à Portuguesa"

A Gabriela Oliveira nāo precisa de apresentaçōes. Quem já fez as suas receitas, dos muitos livros que tem, sabe que nunca falham. Dāo certo à primeira e, mais do que isso, nāo sāo nada complicadas e podem ser feitas por quem pouco sabe de cozinha ou quer-se estrear nestas lides da cozinha vegetariana.

Ontem foi a apresentaçāo do seu novo livro na Fnac do Chiado e a Gabriela brindou-nos com algumas receitas de saladas de tofu e tempeh com uma maionese vegana deliciosa. Alguns doces também estavam presentes e serviram de repasto aos mais gulosos (eu, por exemplo, comi um pastel de feijāo maravilhoso!).

Ficam aqui algumas fotos:




 


Cris

A Escolha do Jorge: A Ordem do Dia


“A Ordem do Dia” é a mais recente obra do francês Éric Vuillard que lhe valeu o Prémio Goncourt
em 2017. Nesta obra singular, num misto de romance e ensaio, o autor revisita os bastidores da ascensão de Hitler, em 1933, nas vésperas das eleições que tiveram lugar em Março desse ano.

Podemos resumir “A Ordem do Dia” em dois pontos fulcrais: o famoso dia 20 de Fevereiro de 1933 em que os proprietários das grandes empresas da Alemanha foram convocados por Hitler para uma reunião no Reichstag no intuito de financiarem a campanha eleitoral em favor do partido Nazi e os acontecimentos que estiveram por trás da “Anschluss” (Anexação) da Áustria, com os avanços e recuos na tomada de decisão pelo “sim” inevitável.

O apoio financeiro a Hitler, assim como a Anexação da Áustria continuam a ser temas que, de um modo geral, embora se tenha conhecimento, pouco se fala. São temas que, em certa medida, geram um certo desconforto aos países em questão e que se evita a todo o custo investigar e conhecer as várias facetas da História, trazendo mais luz sobre os acontecimentos que marcaram o período mais macabro do século XX na Europa.

Hitler nunca teria levado a termo a grandiosa máquina de guerra assassina sem o apoio financeiro dos principais detentores do capital da Alemanha, antes das eleições realizadas em 1933. Deste modo, a política de guerra, levada a cabo por Hitler, só foi possível com o dinheiro de empresas que, nalguns casos, ainda hoje existem, tais como BASF, Bayer, Agfa, Opel, IG Farben, Siemens, Allianz e a Telefunken. Ainda que intimados por Hitler, o líder do Partido Nazi, ainda em ascensão, e com um apoio cada vez maior junto das massas populares, os donos do capital alemão, ao promoverem a máquina de guerra, também perceberam que iriam retirar dividendos, sobretudo através dos judeus que iriam constituir parte da mão-de-obra nas suas empresas e, neste caso, gratuita.

No caso específico da Anexação da Áustria, já vigorava no país uma ditadura de direita estando o chanceler Dollfuss à frente do país, sendo substituído por Schuschnigg após o seu assassinato. É com Schuschnigg que vão decorrer as “negociações” com Hitler, no sentido de pôr em marcha a Anexação que deveria dar a ideia de algo aceite democraticamente após consulta popular a fim de iludir a comunidade internacional, nomeadamente a França e a Inglaterra. Os nazis austríacos, em número crescente, antes do início da 2ª Guerra Mundial, deveriam tomar conta dos desígnios daquele pequeno país de língua alemã e país natal de Hitler, estando, dessa forma, ao serviço da grande máquina de guerra que era a Alemanha.

Éric Vuillard dá cor aos possíveis diálogos entre as partes envolvidas, dando ao leitor a ideia de como poderiam ter ocorrido estas duas situações em particular. É interessantíssima a forma como o autor recria momentos de tensão face a difíceis tomadas de decisão que tiveram consequências catastróficas, mais tarde, com a eclosão da guerra, em 1939.

Éric Vuillard conduz-nos aos bastidores de momentos cruciais, fazendo uma excelente articulação entre o romance e o ensaio. Há um permanente fio condutor ao longo de toda a obra, a necessidade de fazer História ainda que por via da literatura e sempre acompanhada com um discurso que apela sucessivamente à consciência face aos sucessivos erros que se cometeram no passado recente, mas também o forte pendor moral que atravessa (quase) toda a narrativa.

“A Ordem do Dia” procura repor a verdade histórica, ou pelo menos uma certa parte da História que se tem tentado omitir ou não fazer por conveniência das partes envolvidas. No fundo, Éric Vuillard explica que uma máquina de guerra não se faz com um único responsável e que, neste caso, vêm a escrito todos aqueles que financiaram o grotesco e o impensável.

Numa época em que a insegurança toma conta cada vez mais da vida dos cidadãos europeus, aliada ao avanço gradual a extrema-direita no continente, não deixa de ser pertinente ler esta obra na medida em que vamos nela encontrar muitos pontos em comum com a forma como a sociedade e a economia contemporâneas se desenvolvem e articulam. Mais, “A Ordem do Dia” apresenta-se também como a necessidade de estarmos atentos às movimentações do poder político e às tentações que dali advêm.

Excertos:
"Chamam-se BASF, Bayer, Agfa, Opel, IG Farben, Siemens, Allianz, Telefunken. Por estes nomes, conhecemo-los. Conhecemo-los até muito bem. Estão aí, no meio de nós. São os nossos carros, as nossas máquinas de lavar, os nossos produtos de limpeza, os nossos despertadores, o seguro da casa, a pilha do relógio. Estão aí, em toda a parte, sob a forma de coisas. O nosso quotidiano pertence-lhes. Cuidam de nós, vestem-nos, iluminam-nos, transportam-nos pelas estradas do mundo, embalam-nos. E os vinte e quatro homens presentes no palacete do presidente do Reichstag, nesse 20 de fevereiro, são apenas os seus mandatários, o clero da grande indústria; os sacerdotes de Ptah. Mantêm-se aí impassíveis, como vinte e quatro máquinas de calcular às portas do Inferno." (p. 26)

"Não se cai nunca duas vezes no mesmo abismo. Mas cai-se sempre da mesma forma, com uma mistura de ridículo e de pavor. E deseja-se tanto não voltar a cair, que se resiste, se grita. Partem-nos os dedos aos pontapés, os dentes, com bicadas, roem-nos os olhos. O abismo está rodeado de moradas imponentes. E a História ali está, deusa razoável, estátua imóvel no meio da praça das Festividades, recebendo por tributo, uma vez por ano, ramos secos de peónias e, à laia de espórtula, em cada dia, um pouco de pão para os pássaros." (p. 141)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 23 de maio de 2018

A Convidada Escolhe: Novelas de Stefan Zweig


 

Amok, (O Doido da Malásia), Stefan Zweig, 1922
Carta de uma Desconhecida, 1922
A Colecção Invisível (Um episódio da inflação alemã), 1925
Segredo Ardente, 1911

Os três primeiros contos do autor austríaco Stefan Zweig encontrei-os na Biblioteca Municipal do Seixal – Pólo de Amora, reunidos num volume da Livraria Civilização Editora, uma antiga edição que ainda utiliza a antiga ortografia, enquanto que “Segredo Ardente” é uma edição recente da Relógio d’Água cuja tradução segue o novo acordo ortográfico. A verdade é que esta descoberta, ou revisitação? foi um desafio do clube de leitura da Bertrand do Chiado de partilha da obra deste autor austríaco. A obra de Zweig é vastíssima e multifacetada quanto aos géneros literários, sendo que a leitura seguida destes quatro contos ou novelas tão sui generis motivou-me a, no futuro, ir ler outras obras, nomeadamente algumas biografias.
Em “Amok”, o narrador vem de Calcutá em direcção a Nápoles, ansioso por escrever sobre as sensações experimentadas na sua viagem ao Oriente, mas o ambiente no barco não é propício nem à reflexão nem ao silêncio. Quando à noite tenta na amurada do transatlântico em que viaja encontrar alguma pausa no bulício da viagem, tem um encontro singular com um homem que tinha, durante sete anos, trabalhado como médico numa aldeia isolada da Malásia, entre “animais e indígenas”. Na base da sua necessidade de falar sem parar, de contar o porquê do seu regresso à Europa está o encontro com uma mulher da sociedade que lhe pedira um acto médico que ele recusou e por cuja morte ele se sente responsável. Isso provocou nele um estado de profundo transtorno emocional que costuma ser atribuído a certos povos malaios, designado por amoque. É um conto simples, mas onde são vertidos temas como o dever e o direito, as convenções sociais e a hipocrisia que muitas vezes nelas se esconde, a honra, a relação de poder entre médico e paciente, as barreiras sociais e o racismo quando o branco é “um senhor” e um indígena não passa de “um miserável amarelo” e como uma relação pode tornar-se obsessiva e descontrolada.
“Carta de uma Desconhecida” passa-se em Viena. É um conto pungente, uma confissão, um testamento. Através de uma carta dirigida a um homem que é um romancista muito na moda, uma desconhecida confessa-lhe o seu amor incondicional, o amor que foi alimentando como único desde os treze anos e que ele nunca foi capaz sequer de perceber, mesmo tendo estado tão perto. Ela nunca foi mais do que uma desconhecida, uma entre tantas, alguém invisível, um brinquedo que ele usou. Ele a quem ela trata por “bem-amado” era um homem culto, requintado, a viver na alta sociedade e sem sequer ter olhos para a vizinha pobre, filha de uma viúva de um funcionário das finanças. Ela é sem dúvida uma heroína romântica, que deifica o objecto do seu amor, que não desiste dessa paixão e que de tudo é capaz para, como mãe solteira criar o filho, indiferente a normas sociais como a vergonha ou a honra. Como a certa altura ela escreve na sua carta “amou como uma escrava, como um cão”. De novo aqui, o tema do amor, apaixonado e total em confronto com o amor fugaz e interesseiro, é o cerne do conto. Mas outros temas como as diferenças de classe, a dedicação dos criados aos seus senhores, a violência doméstica, a pobreza logo que se nasce numa maternidade que é lugar para pobres, o estatuto de mãe solteira são alguns aspectos que valorizei nesta minha leitura. Será que as rosas brancas que uma desconhecida lhe enviava no dia do aniversário conseguirão despertar nele, a partir de agora, o amor que ele nunca soube descobrir enquanto ela foi viva?
Também em “A Colecção Invisível”, a história é contada ao narrador por um antiquário de regresso a Berlim, depois de um episódio acabado de viver e que ele sente necessidade de partilhar com alguém, neste caso também um desconhecido que é seu companheiro de viagem. Devido à inflação e à especulação daí resultante, certos produtos são muito cobiçados e o antiquário necessita adquirir estampas e gravuras, pelo que decide contactar um velho coleccionador que fazia parte dos seus contactos, mas com quem há muito não fazia nenhuma transacção e daí empreender uma viagem até sua casa. Tratava-se de um grande coleccionador de estampas e de obras de grandes pintores como Dürer e Rembrandt que, entretanto cegara. O período difícil da 1ª grande guerra obrigara a mulher e a filha a desfazerem-se aos poucos da valiosa colecção para poderem sobreviver sem que ele se tivesse apercebido de que a sua colecção já não existia. Para o velho coleccionador a visita do antiquário foi uma enorme felicidade, pois foi a rara oportunidade para dar a mostrar a um perito a sua colecção preciosa, desconhecendo que em vez das raridades que coleccionara estava afinal a mostrar-lhe simples folhas de papel que a mulher e a filha ali tinham posto em substituição das verdadeiras estampas. Como diria Goethe “os coleccionadores são pessoas felizes” e, embora cego, o coleccionador continuava a ver com toda a clareza as cores, os matizes, a delicadeza e força das estampas que tinha comprado com tanto amor quando ainda tivera a capacidade de as ver e apreciar. No final, reconhecido com a visita de uma pessoa tão conhecedora da matéria, o coleccionador fez prometer ao antiquário que ficasse com a incumbência de leiloar a sua preciosa colecção de estampas para que com o dinheiro do leilão a família pudesse viver desafogadamente após a sua morte! Há um pacto de silêncio entre as mulheres e o antiquário, um acto de misericórdia e de amor pelo pai cego totalmente desconhecedor que a sua preciosa colecção há muito se evaporara para poderem subsistir. Há um respeito, uma sensibilidade nestas personagens que é tocante.
“Segredo Ardente” foi o último livro que li de Stefan Zweig. É um estudo psicológico muito completo de três personagens: um homem frívolo, uma jovem mulher e o seu filho Edgar de 12 anos. Com o objectivo de seduzir a mulher, qual caçador em busca de uma presa, o barão vai ganhar a confiança do rapazinho, tímido, nervoso, emocionalmente carente e ingénuo, para chegar até ela, pois ele sabe que “é incrivelmente fácil enganar uma criança”. Edgar, primeiramente radiante por encontrar naquele estranho alguém que o ouve e lhe dá atenção e amor, passa por diferentes fases quando percebe que afinal aquela amizade era falsa: incompreensão, ciúme, despeito, desconfiança e ódio. E a intensa vontade de deixar de ser criança e passar para a fase de adulto, para perceber os adultos! A mãe é uma mulher emocionalmente carente, facilmente seduzida por alguém que é mestre a manipular sentimentos. Ela vive um período da sua vida de adulta em que sente que precisa fazer escolhas e se confronta com questões como ser mãe ou ser mulher, viver a vida ou sacrificar-se. E para um predador como é o barão, aquela mãe e o filho são afinal presas demasiado fáceis. Mas serão?
As quatro novelas escritas nas primeiras décadas do século passado têm uma unidade e traços que seguem um padrão que as identificam como saídas da escrita de uma mesma pessoa. As personagens são apaixonadas, os sentimentos são intensos e profundos e os narradores são simples instrumentos, meios de comunicação e de transporte da torrente de sensações que chegam assim até nós leitores/as. As personagens são fortes e bem caracterizadas e nem precisamos saber como se chamam. Simplesmente são. As descrições das paisagens e dos ambientes são também elas fortes e detalhadas. A escrita é visual e límpida, sem necessidade de floreados ou rodeios desnecessários. Em poucas folhas, quatro contos, quatro dramas.
Como referi no início, a obra de Zweig é imensa e o autor foi um escritor infatigável. Difícil é conseguir imaginar ter atingido tão elevada capacidade de reflexão e escrita e em géneros tão diferentes. Certamente o detalhe de análise psicológica das suas personagens teve influências na sua ligação e amizade a Freud, assim como a muitas outras figuras da cultura do início do século passado.
Almerinda Bento
Maio 2018







terça-feira, 22 de maio de 2018

"O Que Perdemos" de Zinzi Clemmons

Thandi é uma mulher que desde sempre sentiu pertencer a dois mundos. Ou a nenhum dos dois. Dividida entre a África do Sul/Joanesburgo (lado materno) e a América (lado paterno) nunca soube bem a qual país chamar lar. A sua pele branca e o seu cabelo encarapinhado sempre a fizeram sentir um pouco à parte desses dois mundos. Como se pertencesse metade de si mesma a um e a outra metade a outro.

A māe era o pilar da sua família. Quando adoece e depois morre, o chāo de Thandi cai abruptamente. A doença foi longa mas nunca se está preparado. A busca do amor, as incertezas que surgem e nāo desaparecem, a perda de alguém querido, o anúncio de uma nova vida...

Pareceu-me tratar-se de um livro com um forte cariz auto-biográfico. Vendo a foto da autora e a pequena biografia que está na badana deste livro nāo consegui desligar-me desses dados e pareceu-me que todo o livro possuía muito da autora, do seu percurso de vida, dos seus amores e perdas. Espero que nāo termine aqui o percurso desta autora e que as suas experiências de vida a levem também a (outros) portos seguros e a outras obras escritas.

Terminado em 17 de Maio de 2018

Estrelas: 4*

Sinopse
Criada na Pensilvânia, Thandi vê o mundo da infância da sua mãe em Joanesburgo demasiado longínquo, mas ao mesmo tempo indelevelmente presente. Sente-se diferente onde quer que vá, no intervalo entre ser branca e negra, americana ou estrangeira. Tenta juntar todas estas peças da sua vida e, enquanto a sua mãe sucumbe ao cancro, Thandi procura por uma âncora: alguém, algo, para amar.
Numa prosa perturbadora e fugaz, acompanhamos a vida de Thandi, desde a perda da mãe à habituação de viver num mundo sem a figura que moldou a sua existência, até às suas aventuras românticas e maternidade inesperada. Através de pequenas descrições, Clemmons cria um retrato fabuloso sobre a força de escolher viver depois de enfrentarmos uma grande perda.

Cris

segunda-feira, 21 de maio de 2018

"A Rapariga Que Lia no Metro" de Christine Férret-Fleury

"Se houvera uma coisa que aprendera bem, fora essa: com os livros há sempre surpresas." Tanto pensamento "bom" nestas páginas deste livro que fizeram dele uma grata surpresa! A história é ternurenta para quem gosta de livros, de os ler e cheirar, de sonhar e tremer com eles.

Juliette tem um emprego de que nāo gosta. Nas suas viagens diárias, de ida e volta do trabalho, observa as pessoas que com ela viajam no metro e que vāo a ler. Os títulos, as capas, os sorrisos e expressōes que os seus proprietários deixam escapar. Esta ideia nāo é inédita, eu sei. Mas aqui é tratada com uma ternura especial pelos livros que me surpreendeu. Foram frases sublinhadas, foram anotaçōes de títulos de livros que foram aumentar a minha wishlist... Momentos bons para saborear e recordar!

E tantas aventuras que os livros trouxeram a Juliette! E que nos trazem também a nós, ávidos leitores, nāo é? 

Nota: Achei o mistério da pág. 247 uma delícia! Se quiserem saber mais, espreitem e leiam.

Terminado a 12 de Maio de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
De segunda a sexta-feira, sempre à mesma hora matutina, Juliette apanha o metro em Paris. Nesse caminho diário e rotineiro para um emprego cada vez mais rotineiro, a viagem na linha seis é a única oportunidade de que Juliette dispõe para sonhar.

Aos poucos, essa necessidade espelha-se na observação dos demais passageiros, pelo menos, daqueles que leem: a velha senhora que coleciona edições raras, o ornitólogo amador, a rapariga apaixonada que chora sempre na página 247. Com curiosidade e ternura, Juliette observa-os como se, pelas suas leituras, lhes adivinhasse as paixões, e a diversidade das suas existências pudesse dar cor à sua vida, tão monótona e previsível.

Até ao dia em que, seguindo um impulso invulgar, decide descer duas estações antes da paragem habitual - e esse gesto, aparentemente inocente e aleatório, acabará por se tornar o primeiro passo de uma experiência completamente alucinante e tão perturbadora quanto a de Alice no País das Maravilhas.

Cris

sábado, 19 de maio de 2018

Na minha caixa de correio



  

 

Ofertas das editoras parceiras:
- da Planeta recebi As Janelas do Céu
- da Topseller chegou Mulheres da Noite, O Pântano ds Sacrifícios e A Filha do Mercador de Seda
- da Manuscrito recebi Nāo Respire,
- da Alma dos Livros chegou cá a casa Águas Profundas

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A Escolha do Jorge: “De Volta (aos Contos)”



“E os cravos, também os esquecemos? Ou desistimos deles?” (p. 144)

Este livro de contos de Filomena Marona Beja é uma agradável surpresa editorial da Parsifal neste primeiro semestre de 2018. A autora de “O Eléctrico 16”, “Franceses, Marinheiros e Republicanos”, “Um Rasto de Alfazema”, “A Avenida do Príncipe Perfeito”, entre outras obras, está de regresso com quinze contos originais que, no seu conjunto, consagram a autora como um dos nomes mais significativos das letras portuguesas das duas últimas décadas.

Num estilo muito próprio, contido, mas com espaço para o leitor ser levado a concretizar a ideia, Filomena Marona Beja brinca com as palavras, ao mesmo tempo que consegue ser irónica, divertida, cáustica e crítica face às injustiças sociais que não escapam ao seu olhar.

À semelhança dos romances e novelas publicados anteriormente, este livro de contos apresenta histórias todas elas devidamente contextualizadas num dado tempo e espaço da História de Portugal. É imperativo dar voz à massa anónima, personagens que os leitores tantas vezes se revêem graças às vicissitudes do quotidiano e da vida em geral.

A linguagem precisa é uma das características da escrita de Filomena Marona Beja, o recurso a termos e a expressões já caídas em desuso, quase numa tentativa de recuperar a nostalgia de outros tempos passados e de outras gerações.

A passagem do Estado Novo à instauração da democracia continua a marcar um dos cenários destes contos. As dificuldades económicas, a pobreza, a mesquinhez de décadas de um país fechado sobre si próprio e a passagem à liberdade e às liberdades estão, regra geral, presentes nas obras da escritora.

Nos contos, e porque falamos da narrativa breve, há espaço para abordar várias temáticas que são preocupações da sociedade contemporânea e que, conhecendo a liberdade, vivendo em liberdade, continua ainda agarrada a preconceitos que a condiciona.

Estes contos trazidos por Filomena Marona Beja contribuem, no seu conjunto, para fazermos uma reflexão sobre o que é, afinal, a sociedade moderna. Terminada a leitura, o leitor é levado a concluir que a mentalidade, os hábitos e os costumes não acompanham o desenvolvimento tecnológico. Mas resta-nos a esperança. A esperança de viver uma vida melhor em que não necessitamos de lutar pelo que é essencial e evidente. A esperança de compreender, com o passar dos anos, que a vida melhorou e que todas as lutas valeram a pena. Igualdade de género, racismo ou a crise dos últimos anos e as suas consequências são alguns dos temas presentes nestes contos.

Liberdade e amor são dois dos grandes enfoques na escrita de Filomena Marona Beja. E o leitor termina sempre as obras da autora num estado de melancolia porque é chamado a concluir pensamentos e a reflectir sobre as incertezas da sua vida, bem como nos desafios do país.

Alguns destes contos têm como pano de fundo o arquipélago dos Açores que a autora conhece com propriedade e, percebemos ao ler, que Filomena Marona Beja capta a passagem do tempo ao sabor das ondas do mar do arquipélago expressos numa linguagem quase poética contando histórias semelhantes às grandes lendas da história da literatura.

“De Volta (aos Contos)” apresenta uma lufada de ar fresco no panorama editorial português, além de afirmar a escritora como uma boa contista e romancista que, de resto, já tinha dado inúmeras provas.

Excertos:
“Tirou as sapatilhas e, por momentos, ficou com elas na mão. Desembaraçou-se depois das peúgas. T-shirt, jeans, boxers.
Foi até ela e agarrou-a pelo cabelo. Beijou-a, fazendo-lhe sentir a barba, a língua, os dentes. Toda a dureza do seu corpo.
Depois levou-lhe a cabeça até à água. Fê-la dobrar-se. Megulhar.
Ela debatia-se.
Debateu-se. Ainda conseguiu levantar os braços.
Tony não cedeu.
Quando a sentiu inerte, enlaçou-a contra si. Nadou para o largo.
Levou-os a corrente sul.
A invencível corrente que passa entre as Ilhas. E arrasta para a costa de África os restos de todos os naufrágios.” (pp. 14-15)

“«Mas cheguem-se cá! Eu tenho soluções para tudo…»
VOTEM EM MIM!
Passaria a haver casas para as famílias pobres. Mais médicos. Melhor ensino, incluindo universidades para quem quisesse chegar a doutor. E finalmente: sucesso!
«Se eu ganhar…»
Todos teriam SUCESSO!
VOTEM EM MIM!
«E eu caí na esparrela.»

Logo de seguida, a névoa.
«Uns tipos sinistros que aí vinham mandavam o gajo cortar nos ordenados e nas pensões. Ele cortava. Mandavam subir os impostos. Ele subia…»
Quem comprava deixou de comprar. Quem tinha qualquer coisa para o dia-a-dia deixou de ter.
E para quê os artistas? Para quê os criativos?
Fecharam-se livrarias, teatros, cinemas.
«E o meu patrão? O que haveria no seu empreendimento que ele pudesse cortar?...?
A publicidade.
«Ou seja: eu.»” (pp. 32-33)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Passatempo "Delícias sem Lactose"

Em parceria com a Fernanda do blog Abacate Verde, vamos oferecer-vos o livro, "Delícias sem Lactose", de Lesley Waters, recheado de muitas receitas apetitosas!

Podem concorrer de duas formas. No Facebook e no Blogue. Para isso só precisam de:

NO FACEBOOK:

1) Fazer gosto neste post.
2) Ser seguidor das páginas do Facebook do Abacate Verde (https://www.facebook.com/abacateverdeblog/) e d'O Tempo Entre os Meus Livros, (https://www.facebook.com/O-tempo-entre-os-meus-livros-274678482546397/),  partilhando esta publicação no vosso perfil em modo público.
3) Comentar este post indicando o nome de dois amigos que acham que gostariam de participar no passatempo.

NO BLOGUE:
4) Ser seguidor dos dois blogues:

https://abacateverde.blogs.sapo.pt/

https://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/


5) A seguir enviar um mail dizendo porque gostariam de ganhar o livro, para:

- abacateverdemail@gmail.com
ou
- otempoentreosmeuslivros@gmail.com

Não se esqueçam de colocar no mail o vosso nome, morada e o nick de seguidor dos dois blogs


6) É permitida uma participação por pessoa tanto no Facebook como no blogue. Cada uma conta separadamente.

O passatempo decorre até dia 31 de Maio 2018.

Boa Sorte!

Para os Mais Pequeninos: "Viva a Natureza. As Abelhas."

Uma pequena maravilha este livrinho! 

Creio que este livro irá encantar tanto os mais pequeninos como aqueles que já andam na escolinha. Os bonecos juntam-se à festa, sendo as abelhas os principais personagens destas páginas coloridas. 

Peguem numa tesoura, cola, cartolina e outros materiais que o livro indica e atrevam-se a ensinar aos pequeninos, fazendo o que este livro propōe: uma abelha felpuda, um lar para os abelhōes, dançar como as abelhas, construir uma fonte de néctar. Ao mesmo tempo vāo explicando que tipos de abelhas existem, a importância da polinizaçāo, como é a vida nas colmeias, como é feito o mel, quem sāo os apicultores, e tantas coisas mais... Aprendendo brincando, aprendendo construindo! E até podem ir para a cozinha fazer uma deliciosas barritas de mel! Hum... Já me cheira bem!

Um livro para ler e reler. Nāo é apenas uma história. Sāo páginas e páginas de ciência viva e tempo útil com esses pequeninos seres que alegram os nossos dias: as crianças!




Cris

terça-feira, 15 de maio de 2018

"A Mulher do Oficial Nazi" de Edith Hahn Beer

Livros sobre o Holocausto habitam as minhas estantes dos "lidos" e nas dos "por ler". Nunca me canso deles e, com isso, aprendo sempre algo mais sobre essa época tão ignóbil da nossa História.

Este é mais um… Trata-se de uma história verídica, a vida de Edith Hahn Beer, uma rapariga judia vienense, estudante de Direito, que fez tudo o que pôde para sobreviver. A sorte esteve do seu lado ao colocá-la perto de algumas pessoas amigas que conheceu e que arriscaram as suas vidas em momentos dramáticos da sua.

É muito difícil falar-vos de tudo o que ela passou. Desde campos de trabalho agrícola onde era tratada como escrava; à passagem à clandestinidade, assumindo a identidade de uma amiga, não judia, que salvou a sua vida ao disponibilizar os seus documentos dizendo às autoridades que os tinha perdido no rio; até ao namoro e casamento com um oficial nazi que, mesmo sabendo a verdade, não a denunciou. Passara a ser uma “u-boat” ("submarino"), termo que desconhecia e se refere a todos os sobreviventes que se conseguiram salvar escondidos dentro da nação nazi. Independentemente de tudo, do terror vivido, teve sorte.

A vida no pós-guerra nāo lhe foi fácil também. Com uma criança nos braços teve de fazer escolhas e sobreviver. A sua luta ainda nāo tinha terminado. Muitos anos volvidos ela conta a sua história. Porque não o fez antes? A razão prende-se com a necessidade que os sobreviventes sentiram em esquecer o quanto possível e o mais depressa que conseguiram tudo o que tinham passado e começarem a viver uma nova vida, se possível retomarem a vida que lhes roubaram. “Deixámos o passado flutuar para longe, como destroços no mar, na esperança de que acabasse por se afundar e sair da memória”.

Dois pequenos apontamentos que anotei para pesquisar sobre eles: o primeiro diz respeito a um facto relatado aqui e que me fez querer saber mais sobre a vida de Thomas Mann, Nobel que escreveu o célebre “A Montanha Mágica”, entre outros. Conta Edith que, quando teve coragem de retirar a peça do rádio que impedia de sintonizar outras frequências, nomeadamente a BBC, tal era o terror em que vivia e o medo de ser descoberta quase no final da Guerra, uma das vozes que ouviu foi a do escritor alertando para a existência dos campos de extermínio que muitos consideravam somente campos de trabalho forçado. Caiu-lhe o mundo em cima. A esperança que a sua mãe tivesse sobrevivido ruiu…

O segundo aspecto foi a referência sobre o memorial do Holocausto em Israel, Yad Vashem, que gostaria de visitar, onde foram plantadas árvores e afixadas placas, em nome e com o nome, de algumas pessoas que, contra todo o ambiente anti-semita que se vivia, ajudaram e esconderam judeus (os denominados “Justos entre os justos”).

Que dizer mais? Um livro obrigatório!

Terminado a 10 de Maio de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
Aqueles que não testemunharam do Holocausto, às vezes, têm dificuldade em perceber o quão profundamente isso afetou a vida na Europa durante os decénios de 30 e 40 do século XX. À medida que a Alemanha nazi estendia os tentáculos a todo o continente, populações inteiras foram despojadas, deslocadas e destruídas.

Edith Hahn Beer levava uma vida normal em Viena, no seio de uma família judia. Fora uma adolescente popular e tornara-se uma estudante de Direito extremamente bem-sucedida. Estava envolvida nos grandes debates políticos da época. Estava apaixonada. O seu futuro desenrolava-se à sua frente como uma passadeira vermelha. E, de repente, tudo terminou. Quando Hitler invadiu a Áustria em 1938, Edith ficou sem futuro.

No coração da Alemanha nazi, escondendo a sua identidade em casa e no trabalho, Edith viveu com o medo constante de ser descoberta. Foi ali que conheceu Werner - destacado membro do Partido Nazi -, que se apaixonou por ela e a pediu em casamento, mantendo a sua identidade em segredo. A filha de ambos viria a ser considerada a única judia a nascer num hospital do Reich em 1944.

Alguns anos depois, a Alemanha foi derrotada e Edith continuava viva. Sobreviveu quando milhões de judeus foram exterminados. Este livro conta a história de como esta mulher conseguiu manter o seu disfarce e de como, graças a uma sorte aleatória e à intervenção de algumas pessoas boas, foi diversas vezes resgatada da morte.

A Mulher do Oficial Nazi podia ser outro livro sobre o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial, o que já seria notável. Mas é, além disso, um relato verdadeiro, dramático e emocionante de uma mulher extraordinária que sobreviveu ao maior genocídio da história da Humanidade, sem pretender ser corajosa, famosa ou lembrada. Ela apenas quis sobreviver.

Cris

segunda-feira, 14 de maio de 2018

"A Mulher à Janela" de A.J. Finn

Fiquei completamente estarrecida ao terminar este livro. Tāo, mas tāo bom! Fiquei sem palavras! Precisam de ler este livro, caso ainda nāo o tenham feito!

Pegando numa fobia gravíssima (agorafobia*) que pode impedir os doentes de ter uma vida normal e transpô-la para estas páginas fazendo-a o mote para esta trama fabulosa, o autor foi, decididamente, inteligente, fazendo resultar em pleno esta leitura. Gosto muito quando um autor, a partir de um facto real, neste caso uma doença que afeta milhares de pessoas, desenvolve toda uma trama complexa onde a ficçāo se mistura com a realidade na perfeiçāo.

Anna nāo sai de casa. Há 10 meses que nāo abre sequer uma janela. Tornou-se desleixada com o que a rodeia, inclusive com a sua higiene pessoal. Bebe. Bebe muito. Passa o tempo num chat onde pessoas com a mesma fobia desabafam e ela tenta ajudar. Às vezes consegue, ajudar os outros, nāo a si mesma. É psicóloga clínica. Tudo tem de pedir que lhe seja entregue em casa. As compras, o psiquiatra... Que trauma esconde? O que fez despoletar esta fobia que a impede de fazer a sua vida normal e sair de casa? 

Anna pega frequentemente na sua máquina fotográfica e espreita à janela. Tira fotos e serve-se da objectiva para chegar onde o seu olhar nāo alcança. Um dia assiste a um crime na vivenda à frente. Chama a polícia. Nāo há cadáver. Tudo parece calmo. Quem vai acreditar na sua palavra? Anna nāo é, aos olhos de quem a vê, uma pessoa confiável. Será que sofre de alucinaçōes?

Um thriller de perder o fôlego, com surpresas a todo o instante. Nada é o que parece! Muito bom mesmo. Recomendadíssimo.

* Agorafobia é uma perturbação de ansiedade caracterizada por sintomas de ansiedade em situações que a pessoa percepciona como inseguras ou das quais é difícil sair. Entre estas situações estão espaços abertos, tráfego viário, centros comerciais ou simplesmente qualquer situação em que a pessoa se encontre fora do local de residência. Quando a pessoa se encontra numa destas situações, o sintoma mais comum é um ataque de pânico.(Wikipédia) 

Terminado em 6 de Maio de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
Anna Fox não sai à rua há dez meses, um longo período em que ela vagueou pelos quartos da sua velha casa em Nova Iorque como se fosse um fantasma, perdida nas suas memórias e aterrorizada só de pensar em sair à rua. A ligação de Anna ao mundo real é uma janela, junto à qual passa os dias a observar os vizinhos.

Quando os Russells se mudam para a casa em frente, Anna sente-se desde logo atraída por eles - uma família perfeita de três pessoas que a fazem recordar-se da vida que já teve. Mas um dia, um grito quebra o silêncio e Anna, da sua janela, testemunha algo que ninguém deveria ter visto e terá de fazer tudo para encobrir o que presenciou. Mas mesmo que decida falar, irá alguém acreditar nela? E poderá Anna acreditar em si própria?

Para saber mais sobre este livro, aceda ao site da Editorial Presença aqui.

Cris

sábado, 12 de maio de 2018

Na minha caixa de correio

  

  

  


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A Carruagem dos Orfāos, Editorial Presença;
O Caçador, e Regresso a Casa, Porto Editora;
Simples e Saudável, Manuscrito;
Cuide da Casa, Cuide de Si, Albatroz.