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quinta-feira, 3 de maio de 2018

"Pátria" de Fernando Aramburu

Já há bastante tempo que nāo lia um "calhamaço". Acabei de distribuir este por dois fins de semana porque é-me completamente impossível transportá-los durante a semana porque tento fazer uma caminhada diária do meu emprego para casa e os quilos a mais de livros "gordos" nāo ajudam em nada... Embora com muita pena tive de intercalar outros livros durante a semana pois leio algumas vezes à hora do almoço e logo pela manhā, antes de entrar.

Um amigo avisou-me que este autor é um dos grandes mestres da literatura espanhola, um basco de māo cheia. Tirando isso nāo sabia bem ao que ia. A sinopse refere muito ao de leve a história retratada nestas 700 páginas e ainda bem que assim é. A surpresa foi magnífica!

Sem me dar conta vi-me envolvida na história de duas famílias bascas e nos conflitos existentes numa época em que a ETA imperava pelo medo, com subornos, extorsōes e luta armada. E assassinatos. Nāo consigo descrever como me envolvi e me transportei para essa época... A escrita de Fernando Aramburu é realmente de mestre. Simples e concisa mas apaixonante, directa. A narrativa flui perante os nossos olhos e em cada capítulo, dedicado a cada personagem, sabemos um pouco mais da história dos elementos das duas famílias envolvidas; caminhamos entre passado e presente sem que a nossa atençāo esmoreça de todo. 

Os personagens, pertencentes a duas famílias, entranham-se na pele facilmente e, nem a mudança de capítulos onde a história de cada um é retratada, nem o caminhar alternado pelo presente e passado, faz com que o leitor perca o rumo à trama! Muito fácil de associar, nestas mudanças de capítulos, a quem o autor se refere e a que tempo elas ocorrem. Achei que esse pormenor refletia bem a mestria desta escrita e deste saber como ninguém contar uma história com sabedoria. Esta subtil passagem entre o passado e o presente, o sabermos antecipadamente (algumas coisas, nāo todas!) o que vai acontecer, a sensibilidade extrema com que sāo retratados as vítimas dos atentados da ETA, a fragmentaçāo de uma comunidade, de famílias e de amigos por discordâncias políticas, tudo está tāo bem descrito que, nāo fora a dor de braços com que este calhamaço me deixou, me apraz dizer que tāo cedo estes personagens nāo me vāo abandonar.

E sabem que mais? Já ia a mais de meio quando "senti" que independentemente do fim escolhido pelo autor eu o ia aprovar porque, em livros como este, o importante nāo é o final mas a história no seu todo, o seu conteúdo na sua totalidade. 

Recomendadíssimo!  A meio do livro soube logo que estrelas daria a esta preciosidade!

Terminado em 1 de Maio de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
O retábulo definitivo sobre mais de 30 anos da vida no País Basco sob o terrorismo.
      No dia em que a ETA anuncia o abandono das armas, Bittori dirige-se ao cemitério para, na sepultura do marido, Txato, assassinado pelos terroristas, lhe contar que decidira voltar à casa onde tinham vivido os dois. Mas poderá ela conviver com aqueles que a perseguiram antes e depois do atentado que transtornou a sua vida e a da família? Poderá saber quem foi o encapuzado que num dia chuvoso matou o marido, quando este regressava da sua empresa de transportes?
      Por mais que chegue às escondidas, a presença de Bittori alterará a falsa tranquilidade da terra, sobretudo a da vizinha Miren, amiga íntima noutros tempos, e mãe de Joxe Mari, um terrorista encarcerado e suspeito dos piores receios de Bittori. O que aconteceu entre essas duas mulheres? O que envenenou a vida dos filhos e dos respetivos maridos, tão unidos no passado? Com lágrimas escondidas e convicções inabaláveis, com feridas e coragem, a história arrebatadora das suas vidas, antes e depois da tormenta que foi a morte de Txato, fala-nos da impossibilidade de esquecer e da necessidade de perdoar numa comunidade fragmentada pelo fanatismo político.

Cris

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