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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Um Comércio Respeitável" de Philippa Gregory

Embora tenha já lido outros livros desta autora, não foi a opinião favorável que tenho dela que me fez pegar nesta obra. Li, sim, vários comentários positivos acerca deste livro e gostei da sinopse. Apeteceu-me andar para trás no tempo. Esse desejo foi totalmente conseguido!

Rapidamente deixei Lisboa e fui para Bristol, Inglaterra, mas para o ano de 1787. Um tempo de viagens de comércio tanto de açúcar como de escravos, "mercadorias" muito procuradas nessa época. A par da vida de Frances Scott, a personagem principal (uma senhora pertencente a uma família de bem, mas que a súbita orfandade deixou sem recursos financeiros) e do seu casamento com um comerciante, ficamos com uma ideia de como foi feita a exploração de homens, o tratamento sub-humano a que eram sujeitos os escravos nessa época, as péssimas condições da viagem que os trazia de África, as mortes, as doenças, os suicídios dos que desistiam de ter esperança. Impressiona a brutalidade com que é aqui descrita a forma como os escravos são tratados mas apercebemo-nos, também, da formação de movimentos contra a abolição da escravatura.

Não é um romance triste e, embora o amor que Frances sente por Mehuru seja um amor condenado, impossível de se concretizar, tanto pela pouca saúde dela como pelas condições adversas que os separam, ele revela o início de uma reviravolta na História que, imagino, ter-se-á dado de uma forma muito idêntica: a tomada de consciência por parte de alguns Homens que os escravos eram seres humanos e não uma mercadoria!

Gostei muito desta história. Passam depressa as 500 páginas deste livro. Talvez depressa demais!

Terminado em 1 de Fevereiro de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse


1787. Bristol é uma cidade em franco crescimento, uma cidade onde o poder atrai os que estão dispostos a correr riscos. Josiah Cole, um homem de negócios que se dedica ao comércio de escravos, decide arriscar tudo para fazer parte da comunidade que detém o poder na cidade. No entanto, para isso, Cole vai precisar de capital e de uma esposa bem relacionada que lhe abra as portas necessárias.

Casar com Frances Scott é uma solução conveniente para ambas as partes. Ao trocar as suas relações sociais pela proteção de Cole, Frances descobre que a sua vida e riqueza dependem do comércio respeitável do açúcar, rum e escravos.
Entretanto, Mehuru, um conselheiro do rei de Ioruba, em África, é capturado, vendido e enviado para Bristol, onde será educado nos padrões ocidentais por Frances, por quem, inexoravelmente, se irá apaixonar.

Em Um Comércio Respeitável
, Philippa Gregory oferece-nos um retrato vívido e impressionante de uma época complexa onde impera a ganância e a crueldade que devastaram todo um continente.


segunda-feira, 19 de março de 2012

A senhora dos rios de Philippa Gregory


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 568
Editor: Livraria Civilização Editora
ISBN: 9789722630115

Há realmente quem tenha o dom da escrita! Philippa Gregory possui-o, indiscutivelmente.

Enquanto lia este romance histórico não pude deixar de pensar que talvez seja mais difícil escrever um livro neste género literário pois conseguir prender o leitor com uma imaginação espectacular e, ao mesmo tempo, seguir determinadas linhas e fontes da História não deve ser tarefa fácil.

E é encantador, para nós leitores, quando descobrimos que durante a maior parte da leitura não nos encontrávamos cá, aqui em 2012, mas que fomos catapultados para 1430, para a França e a Inglaterra de então! Foi o que me aconteceu. E vi-me rodeada de personagens incríveis - Joana D'Arc, por ex. - por lendas e bruxarias, por caças à bruxa e guerras de poder, por julgamentos e condenações à morte por traição, por lutas entre nobres, por destinos conduzidos ao sabor de caprichos de um rei e senhores, por mulheres fortes e sábias mas que se tinham de submeter aos seus maridos... A religião e a magia caminhando de mãos dadas!

Este livro é, todo ele, uma riqueza e se gostei dos anteriores - Rainha branca e Rainha vermelha - este superou as minhas expectativas. É completamente fantástica a forma como esta escritora consegue envolver-nos nesta trama histórica e o facto de ela nos ser relatada, na primeira pessoa, pela protagonista principal - Jacquetta - torna a história ainda mais plausível e real. 

Uma personagem determinada, possuidora de um carácter forte a que as adversidades não enfraqueceram, uma mulher corajosa que luta pelo seu amor e pelo seu destino como as mulheres da época não o faziam.


Uma escrita rica, cheia de ritmo, sem momentos entediantes e uma leitura que superou as minhas expectativas!

Terminado a 19 de Março de 2012

Estrelas: 6*

Sinopse

Jacquetta é casada com o Duque de Bedford, regente inglês da França, que lhe dá a conhecer um mundo misterioso de conhecimento e de alquimia. O único amigo de Jacquetta é o escudeiro do duque, Ricardo Woodville, que está a seu lado quando a morte do duque faz dela uma viúva jovem e rica. Os dois tornam-se amantes e casam em segredo, regressando à Inglaterra para servir na corte do jovem monarca Henrique VI, onde Jacquetta vem a ser uma amiga próxima e leal da sua nova rainha. 
Depressa os Woodville conquistam uma posição no núcleo da corte de Lencastre, apesar de Jacquetta pressentir a crescente ameaça vinda do povo da Inglaterra e o perigo de rivais pretendentes ao trono. Mas nem a coragem e a lealdade dos Woodville bastam para manter no trono a Casa de Lencastre. Jacquetta luta pelo seu rei, pela sua rainha e pela sua filha Isabel, para quem prevê um futuro extraordinário e surpreendente: uma mudança de destino, o trono da Inglaterra e a rosa branca de Iorque.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Soltas... A rainha vermelha.

"Reparo que ele não me promete nada, no caso de eu ter uma rapariga.Suspiro e aperto as mãos em volta das dele, como ele parece querer que eu faça. Realmente, se não fosse Joana D'Arc, pensaria que as rapariga não servem para nada."

"Uma encomenda é tudo o que sou. Um recipiente para gerar filhos, para um nobre ou para outro: quase não importa quem.Ninguém me vê como aquilo que sou..."

"Cerro os lábios para me impedir de responder. Ele é meu marido. O que ele diz tem de ser a regra da nossa casa. Ele é o meu senhor, abaixo de Deus."

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A rainha vermelha de Philippa Gregory


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 408
Editor: Livraria Civilização Editora
ISBN: 9789722630139

Quem gosta e lê romances históricos sabe, em termos gerais, o que vai encontrar: as guerras pelo poder, as conspirações, os casamentos marcados muito cedo para servirem alguns interesses, as infidelidades, as traições, etc, etc... O difícil, neste tipo de leitura como em todas as outras, é descobrir algo na escrita que a diferencie, a distinga e nos transporte para um mundo de traições e intrigas palacianas, e consigamos sentir e sofrer com as personagens, amando-as e odiando-as.

Philippa Gregory fá-lo primorosamente! A sua escrita apaixona. As personagens vivem lado a lado connosco.
Margarida de Beauford,  mãe do herdeiro da casa de Lencastre, ambiciona o trono para seu filho e, com ela, vivemos uma personagem extremamente beata e algo ingénua, que luta conforme pode contra os seus rivais, os herdeiros Iorque pelo direito ao trono. Simpatizamos com esta menina que foi obrigada a casar muito cedo e que teve o seu primeiro e único filho aos 13 anos. Sofremos com ela o tratamento que lhe dão; as dores provocadas pelo parto e pelo afastamento do seu filho, pois consideravam que não "podia" criar uma criança, pretendente ao trono... Mas, de igual modo, começamos a antipatizar com ela quando se torna ambiciosa, excessivamente beata, interpretando a sua vontade como sendo a vontade de Deus e lutando, a todo o custo, para colocar o seu filho no trono! 

Este livro é o segundo desta trilogia e é, de novo, pela voz de uma mulher que vamos tomando conhecimento de um outro lado da mesma História - Inglaterra, 1453 a 1485 - época conhecida pela "Guerra das Rosas". No princípio da minha leitura, procurando uma continuação do primeiro volume, fiquei um pouco baralhada já que tive de voltar atrás no tempo, mas depressa me situei. A "rainha branca" e a "rainha vermelha" situam-se no mesmo plano histórico mas são duas visões - femininas - de uma mesma época. Vamos ver o que nos traz o terceiro e último volume... Recomendo!

Terminado em 1 Maio de 2011

Estrelas: 5*

Sinopse

Herdeira da rosa vermelha de Lancaster, Margarida vê as suas ambições frustradas quando descobre que a mãe a quer enviar para um casamento sem amor no País de Gales. Casada com um homem que tem o dobro da sua idade, depressa enviúva, sendo mãe aos catorze anos. Margarida está determinada em fazer com que o seu filho suba ao trono da Inglaterra, sem olhar aos problemas que isso lhe possa trazer, a si, à Inglaterra e ao jovem rapaz. Ignorando herdeiros rivais e o poder desmedido da dinastia de York, dá ao filho o nome Henrique, como o rei, envia-o para o exílio, e propõe o seu casamento com a filha da sua inimiga, Isabel de York. 
Acompanhando as alterações das correntes políticas, Margarida traça o seu próprio caminho com outro casamento sem amor, com alianças traiçoeiras e planos secretos. Viúva pela segunda vez, Margarida casa com o impiedoso e desleal Lorde Stanley. Acreditando que ele a vai apoiar, torna-se o cérebro de uma das maiores revoltas da época, sabendo sempre que o filho, já crescido, recrutou um exército e espera agora pela oportunidade de conquistar o prémio maior.

sábado, 30 de abril de 2011

Quem postou... A rainha branca.


http://planetamarcia.blogs.sapo.pt

http://asleiturasdocorvo.blogspot.com

http://entrepaginas-entrepaginas.blogspot.com

http://viveraleitura.blogspot.com

Soltas... A rainha branca.


"Ouvi baladas acerca de grandes baladas, e poemas sobre a beleza de um ataque e a graciosidade do líder. Mas não sabia que a guerra não era mais do que uma carnificina, tão selvagem e desajeitada como enfiar um espeto na garganta de um porco e deixá-lo sangrar, para que a carne fique mais tenra."

"Teria sido bom que me tivesse recordado, como ela me ensinou, que é mais fácil soltar o mal do que voltar a prendê-lo. Qualquer louco pode criar um vendaval, mas quem é que sabe para onde é que ele se vai dirigir ou quando irá parar?"

"A vida dos meus filhos pode depender de quem eu detectar como inimigo e em quem eu confiar como amigo, mas não consigo ter a certeza."

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A rainha branca de Philippa Gregory


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 448
Editor: Livraria Civilização Editora
ISBN: 9789722630122

De Philippa Gregory li "Duas irmãs, um rei" e gostei muitíssimo! Esta escritora possui uma escrita que nos prende logo do início e é com mestria que os factos reais são mesclados com lendas e ficção, tornando o enredo rico e permitindo-nos entrar na época, visualizando até os trajes, sentindo e odiando tal qual as próprias personagens! Para mim isso faz toda a diferença e distingue um bom livro de um livro óptimo!

E assim, com este livro, viajamos para Inglaterra, de 1464 a meados de 1485, pela mão de Isabel Woodville, da casa de Iorque e futura rainha. As guerras intermináveis pelo poder, entre primos, e pela linha de sucessão que levam a assassínios e a combates sem fim; o(s) rei(s), suas amantes e traições; o papel das mulheres, muito limitado por um lado mas determinante por outro no que concerne às intrigas na corte; o mundo da magia e da bruxaria; tudo nos é contado com um toque de realismo e, ao mesmo tempo, de ficção que me encantou de sobremaneira! 


Depois de ler o livro gosto especialmente de saber quais os pormenores que são ficção e os que não o são e a autora, através de algumas notas, explica-nos um pouco do seu processo criativo. Recomendo vivamente para quem gosta deste género de romances, como eu!



Terminado em 27 de Abril de 2011

Estrelas: 5*

Sinopse

A história do primeiro volume de uma nova trilogia notável desenrola-se em plena Guerra das Rosas, agitada por tumultos e intrigas. A Rainha Branca é a história de uma plebeia que ascende à realeza servindo-se da sua beleza, uma mulher que revela estar à altura das exigências da sua posição social e que luta tenazmente pelo sucesso da sua família, uma mulher cujos dois filhos estarão no centro de um mistério que há séculos intriga os historiadores: o desaparecimento dos dois príncipes, filhos de Eduardo IV, na Torre.