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terça-feira, 19 de junho de 2018

A Convidada Escolhe: As Vinhas de La Templanza

Não são muitas as vezes que fico sem palavras com um livro. Um livro que supera todas as minhas mais auspiciosas expectativas numa semana de férias planeada para algumas leituras e dou por mim enredada apenas numa. E completamente envolvida. Rendida a uma personagem que me arrebatou. Um mineiro duro, audaz e temerário. Um aventureiro que procura noutras latitudes recuperar a sua fortuna. "Para o Oriente, as Antípodas, a Terra do Fogo, os mares do Sul." (pag. 483) México, Cuba e Espanha. Locais dispares que deixaram de existir e que foram reconstituidos com precisão e encanto. Uma piscadela de olho ao passado num jogo crucial (de bilhar) de mentiras e verdades, de paixões, derrotas, maquinações e amores frustados, em que intervêm duas mulheres prodigiosas e rivais. Corajosas, arrogantes e descaradas, assim são Carola e Soledad. As personagens ganham vida neste grande romance que lembra os grandes clássicos de outros tempos num tributo aos mineiros e adegueiros.

Muito mais poderia acrescentar sobre os cenários com atmosferas e ambientes que segui ávida ou sobre a movimentada e vigorosa trama que na magistral prosa fluí com graça e sensibilidade, sem quebras, até que no final deixa um vazio na alma. Um romance que me deixa a clamar por mais romances assim, pelo que tenho de procurar ler "O Tempo Entre Costuras".

Posto isto, não deixem de ler!

Vera Sopa

segunda-feira, 18 de junho de 2018

"A Carruagem Dos Orfãos" de Pam Jenoff

Há livros que nos preenchem. A capa, o título e a sinopse deste livro fizeram-me ter a certeza que o leria em breve e com muito gosto, tendo quase a certeza que me encheria o coração, pese embora tenha sentido que o tema não seria fácil. Esta história, mesmo sendo ficcionada, acrescentou algo aos relatos que li anteriormente acerca do Holocausto, o que me muito me apraz sempre. No final da leitura, saber qual ou quais factos inspiraram a autora e os que aconteceram na realidade, constituiu uma surpresa que não quero revelar nem fazer-vos perder, ao contá-la aqui. Foi um factor que me deu a sensação de saciedade ao terminar o livro, o saber que aspectos desta história ficcionada foram, de facto, verdade.

A história aconpanha uma "família" circence na sua luta por caminhar entre a Segunda Guerra, sobreviver e continuar com os espectáculos. Pode parecer que, no meio do caos em que se vivia, o circo não tinha o seu lugar, mas não foi bem assim. O circo servia para distrair, para acreditar que um dia a vida ainda poderia ser possível e também... para esconder pessoas, neste caso judeus.

Um livro que recomendo sem reservas, que me comoveu e preencheu algumas horas com uma leitura absorvente e (não fosse o tema tão pesado) feliz!

Terminado em 13 de Junho de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
A Carruagem dos Órfãos é um romance poderoso sobre a amizade, tendo como pano de fundo um circo durante a Segunda Guerra Mundial.

Duas mulheres extraordinárias e as suas histórias angustiantes, de sacrifício e sobrevivência.

Noa, de 16 anos, fica grávida de um soldado do exército nazi e é forçada a desistir do seu bebé recém-nascido. Vive no piso superior de uma pequena estação ferroviária, a troco de limpezas... Quando descobre dezenas de crianças judias amontoadas num vagão cujo destino é um campo de concentração, ela não consegue deixar de pensar no filho que lhe foi retirado.

E, num momento que mudará a sua vida para sempre, agarra numa das crianças e foge com ela pela noite fora sob um forte nevão.

Acaba por encontrar refúgio num circo alemão, onde tem de aprender números de trapézio para poder passar despercebida, não obstante o azedume de Astrid, a trapezista principal. A princípio rivais, Noa e Astrid em breve criam poderosos laços de afecto entre si. Mas como a fachada que as protege se torna cada vez mais ténue, elas têm de decidir se a amizade entre ambas é suficiente para se salvarem uma à outra - ou se os segredos que guardam deitarão tudo por terra.


Para saber mais sobre este livro, aceda ao site da Editorial Presença aqui.

Cris

sábado, 16 de junho de 2018

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

    


Comprado na Livraria Barata, em saldos: Três Chávenas de Chá;
Comprados na FLL: Na Boca do Lobo, A Denúncia, O Samurai Negro, Stalker, Não te Mexas, A Amante Holandesa e Rakushisha. Livros do Dia e Hora H.
Dos passatempos do JN: Submersos, Guerra Americana,
Oferecidos pelas editoras parceiras:
-Uma Herança de Amor, Marcador Editora,
-A Mulher de Einstein, TopSeller;
-O Anjo da Guarda, Planeta;
-A Seguir, Porto Editora;
- Os Princípios da Medicina Tradicional Chinesa, Arena

quinta-feira, 14 de junho de 2018

A Escolha do Jorge: “A Senhora Koula”


“A Senhora Koula” – Ménis Koumandaréas (Vega)

“Via-se a si mesma como uma vítima da auto-ilusão, tinha-se deixado levar pela sua imaginação, no seu espírito tinha construído uma pura imagem ficcional do jovem.” (p. 61)

A escolha “A Senhora Koulas” do grego Ménis Koumandaréas (1931-2014) surge na sequência da realização da Noite da Literatura Europeia que teve lugar, em Lisboa, no passado Sábado. Trata-se de uma narrativa breve que traz ao leitor o confronto entre uma ordem social cristalizada no tempo sedimentada por anos de ditadura e a nova realidade que então espreitava, com a instauração do regime democrático, na Grécia, em 1975.

A narrativa não faz alusões a questões de ordem política, no entanto, tendo em consideração que foi escrita, em 1975, permite ao leitor perceber as tentativas de libertação da personagem principal, sobretudo, no que concerne à emancipação feminina, mais não seja como forma de viver intensamente uma relação de carácter físico em detrimento de um casamento infeliz, representando, ao mesmo tempo, todo um quadro mental da sociedade ateniense dos anos 70.

Esta novela ou este conto de Ménis Koumandaréas resume-se essencialmente a dois personagens: a senhora Koula, uma mulher casada com cerca de 40 anos, com duas filhas, um estatuto social que permitia ter uma qualidade de vida acima da média, e Mímis, um jovem universitário de 21 anos que aguardava uma bolsa de estudos para ir estudar para Inglaterra.

É no metro que diariamente a senhora Koula e Mímis se conhecem, por mero acaso, sempre no comboio das vinte horas, quando um regressava do trabalho e o outro do curso de inglês. Numa época em que não havia internet, nem smartphones, nem outro género de recursos tecnológicos, são os jogos sedutores com os olhos através do reflexo da janela, os sorrisos, a coragem para dizer olá e adeus que ganham expressão na narrativa. O leitor é rapidamente seduzido pelo jogo linguístico de Ménis Koumandaréas que nos envolve nesta relação entre uma mulher casada e um rapaz muito mais jovem.

A senhora Koula vai gradualmente fazendo o balanço da sua vida, sentindo que nada tem a perder face a um casamento sem sentido, no qual embarcou e do qual acabou por ignorar e reprimir a fonte de desejo e impulso sexual, acabando por manter o casamento e as aparências pelo facto de ter duas filhas menores. No seu entender, esta possível relação “seria como uma conspiração secreta, uma pequena revolução contra os hábitos e as convenções.” (p. 32)

Sempre muito preocupada com Mímis, a senhora Koula estabelece com este uma relação íntima durante vários meses, mas sentindo uma necessidade imensa de o proteger, como se fosse uma das suas filhas. Completamente atraída por Mímis, a senhora Koula embarca numa viagem em que se deixa seduzir pela beleza de Mímis ao ponto de misturar o coração com a racionalidade. “Sou belo, diz-me que me achas belo, suplicou-lhe como uma criança. Muito, disse a senhora Koula, mais do que devias, cada vez que te vejo nem sei onde ponho os pés; perco-me, tudo em meu redor se dissipa…” (p. 56)

E eis que a senhora Koula chega a uma encruzilhada. O que vai acontecer a partir desta relação física avassaladora nunca vivida anteriormente? Que futuro terá? O que poderá esperar?

Mímis aguarda a qualquer momento a bolsa de estudos que o levará para Inglaterra. A simples ideia da sua partida deixa a senhora Koula num premente estado de inquietação, voltando a recordar que, pouco tempo depois de se ter casado solicitou a ajuda de um amigo advogado para que, conjuntamente, tratassem do divórcio, porém, acabou por resistir quando lhe é dito “Ora Koula, estás a portar-te como uma menina de escola, ninguém é suposto estar apaixonado pelo marido ou pela mulher, o casamento é apenas uma questão de hábito, e é melhor que te acostumes à ideia; a felicidade é isso, ainda não percebeste, minha parvinha, ainda não aprendeste?” (p. 48)

Mas a diferença de idade faz a senhora Koula olhar com os olhos da razão, sentir o amor e o prazer de uma forma que os jovens ainda não têm capacidade face à necessidade permanente dos jogos da carne e será aí que a senhora Koula encarará Mímis e esta relação com outros olhos.

“Muitas vezes tinha mais prazer em esperar pelo Mímis do que propriamente o encontrar no comboio. E a visão dele, reclinado de um modo descuidado no assento, com as suas calças familiares de botões de metal, excitava-a mais do que as horas passadas na cama de casal, no quarto da cave. Deste modo, os intervalos entre os seus encontros estavam repletos de um contentamento muito mais intenso do que tudo o que ela sentia durante o tempo que passavam juntos. Expectativa e recordação, o futuro e o passado investidos pela mesma fascinante aura. Já não era capaz de desfrutar do presente. E a sua vida decorria assim, prisioneira deste ritmo quebrado e angustiado.” (pp. 62-63)

“A Senhora Koula” é, pois, uma obra que do ponto de vista político, social e o quadro mental, em tudo se aproxima da Lisboa dos anos 70. Este livro publicado no Portugal de então provocaria um certo desconforto e repúdio face ao forte conservadorismo ainda latente na forma de pensar dos portugueses. Em todo o caso, “A Senhora Koula” constitui um hino à emancipação feminina no que concerne ao amor e à sociedade em geral, tentando gerir com sensatez o coração e a razão e mesmo que o coração fale mais alto, a razão será, na medida do possível, um farol na libertação, como no encontrar-se a si mesmo ainda que o regressar a casa seja sinónimo de não chegar a lado nenhum…
“A viagem para casa parecia-lhe interminável. Uma longa e árdua Odisseia. Seria sempre assim, todas as noites, a partir de agora?” (p. 76)

Texto da autoria de Jorge Navarro

terça-feira, 12 de junho de 2018

"A Trança" de Laetitia Colombani

Esta leitura constituiu para mim, sem sombra de dúvidas, um imenso prazer! Fui atraída primeiro pela capa (uma rapariga indiana?) e depois pela sinopse. Com isso passei este livro para primeiro lugar porque fui convidada para o Meet & Greet com a autora no espaço da Porto Editora, na FLL (sobre o qual já fiz um post)  e queria ir já com a leitura adiantada...

Li-o num ápice, este livro. Aborda a vida de três mulheres que vivem em continentes diferentes, com histórias de vida que de tão diferentes entre si despertam automaticamente o interesse do leitor. Smita, Giulia e Sarah. Índia, Sicília e Canadá, respectivamente.

Creio que a história de Smita foi a que mais me impressionou, pela diferença de costumes, pela discriminação a que as mulheres das castas mais baixas são sujeitas. Não foi por desconhecer tais factos, mas porque ler de novo, doi como se fosse a primeira vez! Como são diferentes as suas histórias e, no entanto, como se tocam na coragem, na força e no amor que sentem por elas próprias e pelos seus filhos/familiares mais próximos!

São histórias que decorrem em paralelo, vidas que não se cruzam. Pelo menos conscientemente elas não dão conta disso. Que ligação existirá entre elas? 

Um livro fabuloso que adorei ler! Recomendo sem reservas!

Terminado em 8 de Junho de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
Smita, Índia. Intocável, Smita vive uma existência miserável, ostracizada por toda a sociedade. Mas Smita sonha com uma vida melhor para a sua filha e, num gesto de coragem e esperança, oferece o que de mais valioso tem em troca de dinheiro e da possibilidade de melhorar a sua vida.

Giulia, Sicília. O pai de Giulia acabou de morrer deixando-a com a terrível decisão de vender ou modernizar a loja de perucas que ele geria. Giulia decide-se pela segunda opção e irá investir em cabelo verdadeiro para as suas perucas.

Sarah, Canadá. Advogada de meia-idade, Sarah descobriu que sofre de cancro da mama e perde o cabelo durante os tratamentos. Finalmente, decide que precisa de uma peruca para reconquistar a autoconfiança.

Cris

segunda-feira, 11 de junho de 2018

A Escolha do Jorge: “O Mar”



“O Mar” – John Banville (Sextante)

"Na realidade, uma pessoa quase podia reviver a sua vida desde que fosse capaz de fazer o esforço necessário para convocar as recordações."

Premiado com o Man Booker, em 2005, “O Mar” do irlandês John Banville (n. 1945) regressa novamente às livrarias através da edição recente da Sextante, cuja linha editorial conhece neste momento um novo fôlego.

“O Mar” é um romance extraordinário, profundo, denso e de uma complexidade que nos abala desde as primeiras páginas. A escrita elegante e intimista de John Banville traduz-se nesta obra singular e de referência da literatura contemporânea.

Logo nas primeiras páginas, o leitor mergulha num mar de vivências e recordações de Max Morden, o personagem principal, e percebe que está perante uma obra à qual não ficará indiferente.

Passado e presente ligam-se de uma forma intensa neste romance que tem o mar como pano de fundo da narrativa. O mar que apreciamos e que nos extasia nas férias de Verão, mas também a tragédia associada ao mar que também está presente no romance. É esta dualidade prazer-dor que é transversal em todo o romance de John Banville.

Após a morte da sua esposa, Max Morden regressa à pequena localidade onde passou férias com a sua mãe quando era criança e aí vão desfiando as memórias de outros tempos, lugares e pessoas que o marcaram. Anne, a sua esposa, definhou ao longo de um ano, sendo agora recordada, desde quando lhe foi diagnosticada a doença até ao seu falecimento, o acompanhamento da doença, o começar a deixar ser, o começar a ir e o derradeiro final.

É a morte que conduz Max Morden à pequena localidade onde passou as férias na sua infância. É a repetição de algo tenebroso, trágico que vivenciou em tenra idade que o marcou para sempre que o faz regressar ao passado como tentativa de encontrar a redenção ou de compreender a complexidade da vida.

Em criança, Max Morden conheceu a família Grace, pertencente a outro estatuto social, tema, na verdade, muito desenvolvido nesta obra, quase transportando a ideia de que cada pessoa sabe exactamente a que universo social pertence, sendo quase impossível a articulação entre esferas sociais diferentes.

Seduzido pela vida desta família, não só pelas posses, mas também pela sua excentricidade, Max Morden, ainda na pré-adolescência, sente-se duplamente seduzido, por Chloe, a menina da família, com idade próxima da sua, mas também pela mãe desta, Connie, uma mulher deslumbrante e sedutora. O despertar da sexualidade torna Max Morden num vouyerista como forma de dominar e controlar o objecto sexual proibido ao contrário dos beijos e carícias inocentes que troca com Chloe no cinema e na praia. "Olhar com lascívia, com inveja ou com ódio é o mesmo que cobiçar, invejar ou odiar. O desejo não concretizado deixa na alma uma mancha igualmente indelével."

São estes jogos sexuais percebidos pelos vários intervenientes que tornam esta obra igualmente sedutora através do recurso a uma linguagem de rara beleza.

É neste universo tão diferente da vida de Max Morden que toda a narrativa se vai desenvolver. Foi um Verão marcante para este jovem, não só porque está associada a descoberta da sexualidade, os seus jogos, a sensualidade, as carícias, para logo a seguir culminar com a tragédia.

É, pois, a morte da sua esposa Anne que traz Max Morden, novamente, para junto do mar, onde recorda o mar que traz alegria, mas que também provoca dor.

Compreendemos neste romance o quanto uma recordação do passado pode condicionar toda a vida presente. É a ideia de perda que nos faz repensar a vida, a relação que tivemos com aqueles que amámos e aqueles que vivem connosco. Ao longo de “O Mar”, Max Morden reflecte sobre a relação que tem com a filha Claire. Nenhum dos dois é uma pessoa muito presente, contudo, ambos compreendem da necessidade e urgência em estreitar os laços.

Mais do que as recordações do passado e a morte, “O Mar” é um romance sobre a vida e os laços que estabelecemos com os outros. A importância e a necessidade de viver, de agarrar a vida estão igualmente presentes nesta obra singular com sabor agridoce que nos acalenta uma certa melancolia.

Excertos:
“Ali parado naquele cubíbulo de luz branca, vejo-me transportado por momentos para uma praia distante, real ou imaginada, não sei bem, embora os detalhes possuam uma definição onírica precisa, estou sentado ao sol num rebordo duro de areia xistosa e seguro nas mãos uma grande pedra azul, lisa e macia. A pedra é seca e quente, pressiono-a contra os lábios, possui um sabor salgado evocativo do fundo do mar, de ilhas distantes, de lugares perdidos sob folhagens imensas, de frágeis esqueletos de peixes, de destroços e de restos em decomposição. A leve ondulação à minha frente junto à linha de água sussurra numa voz animada, segredando impetuosa uma catástrofe antiga, o saque de Tróia, talvez, ou o desaparecimento da Atlântida. As margens são salgadas e brilhantes. Pérolas de água desfazem-se numa corrente prateada na pá de um remo. Vejo ao longe o barco negro a aproximar-se imperceptivelmente a cada instante que passa. Eu estou lá. Ouço o silvo da vossa sirene. Estou lá, estou quase lá.”

"O que me desagradava não era aquilo que eu era, refiro-me ao meu eu singular e essencial — embora conceda que a própria noção de um eu singular e essencial é controversa —, mas a acumulação de afectos, de inclinações, de ideias feitas, de tiques de classe, que o meu nascimento e a minha educação me tinham inculcado em vez de uma personalidade. Em vez de, digo bem. Nunca tive uma personalidade no sentido em que os outros têm ou julgam ter. Sempre fui um evidente zé-ninguém, cujo maior anseio era ser um não tão evidente alguém. Sei o que digo."

Texto da autoria de Jorge Navarro

domingo, 10 de junho de 2018

Os que li em Maio, os que quero ler em Junho

Muito embora goste de fazer este post logo no dia 1 de cada mês, aqui vão os livros que li/não li em Maio e os que pretendo ler em Junho. Alguns ficaram para trás nesta minha escolha para Junho e deixei de lado alguns livros que não consegui ler no mês passado. O tempo não dá para mais...

Assim, este foram os que queria ler em Maio:

 

Destes li somente:

A Mulher à Janela, A Mulher do Oficial Nazi, A Rapariga que Lia no Metro, A Casa da Beleza, O que Perdemos, Elmet, O Menino de Deus, A rapariga Alemã

Esta é a minha escolha para Junho:



Vamos ver se os consigo ler a todos porque há sempre livros que se intrometem nas minhas escolhas...

Já li em Maio "A Trança" de Laetitia Colombani

Cris

Meet & Greet com Laetitia Colombani e Resultado do Passatempo "A Trança"

Com a colaboração da Bertrand Editora estivemos presente no Meet & Greet com a autora de A Trança, Laetitia Colombani, ontem pelas 14 h na Feira do Livro de Lisboa. Algumas bloguers e também as vencedoras dos passatempos, conversámos um pouco com a autora sobre o seu livro.

Um encontro deveras agradável onde Laetitia nos colocou ao corrente de como uma tragédia vivida por uma amiga chegada serviu de mote para esta história que adorei ler. Pesquisando sobre outros assuntos, e tendo como pano de fundo as mulheres, Laetitia construiu um enredo que prende o leitor e que tem por base a vida de três mulheres tão diferentes e no fundo tão iguais na sua força de carácter e no seu desejo de superação das dificuldades.

Parabéns à Fernanda Martinho e à Dália Antunes pelos livros ganhos (sortei também o livro que a editora enviou para mim porque já tinha comprado um exemplar)! Adorei conhecer-vos!

Ficam as fotos do evento:






Cris

sábado, 9 de junho de 2018

Na minha caixa de correio

  
 


Comprado na FLL, "Morreste-me",
Comprado num alfarrabista, "Jogos de Raiva",
Ofertados pelas editoras:
"O que fica somos nós", editora Suma de Letras,
"Ginástica facial", editora Manuscrito,
"Maria e Danilo e o mágico perdido", Porto Editora.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

"Uma Pequena Sorte" de Claudia Piñeiro

Gostei de tudo neste livro: a escrita da autora, sóbria e emotiva ao mesmo tempo; a caracterizaçāo forte da personagem principal, Marilé ou Mary, com os seus dramas e conflitos internos; o tema tratado, a forma como um acaso pode destruir a vida de alguém e como a decisāo que se toma face a esse acontecimento pode condicionar para sempre o futuro.

Gostei da envolvência crescente que nos toma aos poucos o coraçāo e que cresce desmedidamente até à lagrima final, gostei de visualizar na perfeiçāo os personagens e os sítios e de sentir os dramas vividos por Marilé e Frederico. Gostei de ter estado lá! É isso que procuro num livro e que este livro, com suavidade e sempre num crescendo, me fez sentir. 

Marilé abandonou o seu filho quando este tinha apenas seis anos. Por razōes fortes ou foi um acto leviano, egoísta? Que motivo te faria abandonar uma criança? Deveu-se a falta de amor ou, pelo contrário, a um amor maior?

Uma pequena grande sorte ter tido a oportunidade de ler esta obra e ela ter-me escolhido como leitora!

Terminado em 4 de Junho de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
Uma mulher regressa à Argentina vinte anos depois de a ter deixado para fugir de uma tragédia. Mas aquela que regressa é outra: já não tem a mesma aparência e a sua voz é diferente. Nem tem sequer o mesmo nome. Será que aqueles que a conheceram em tempos a vão reconhecer? Será que ele a vai reconhecer?

Mary Lohan, Marilé Lauría ou María Elena Pujol – a mulher que ela é, a mulher que foi e a mulher que terá sido –, volta aos arredores de Buenos Aires, ao subúrbio onde formou uma família e viveu, e onde irá enfrentar os atores do drama que a fez fugir. Ainda não compreende porque aceitou regressar ao passado que se havia proposto esquecer para sempre. Mas à medida que o vai compreendendo, entre encontros esperados e revelações inesperadas, perceberá também que às vezes a vida não é nem destino nem acaso: talvez o seu regresso mais não seja do que um pequeno golpe de sorte… uma pequena sorte.

Cris

quinta-feira, 7 de junho de 2018

"A Rapariga Alemā" de Armando Lucas Correa

Mais um livro lido sobre o Holocausto e mais alguns pormenores que desconhecia e que me fazem gostar cada vez mais desta temática. Aprender e ler, sempre juntos.

Desta feita, o autor conta-nos uma história ficcionada mas baseada num facto real conhecido por muitos como a tragédia do St. Louis, um navio com 937 passageiros, na sua maioria judeus que, fugidos de Berlim, julgavam ter direito a uma nova vida em Cuba, país que estaria disposto a recebê-los. 

Viajamos entre o passado e o presente de algumas geraçōes que mesmo pertencendo a épocas distintas, se tocam no que concerne aos sentimentos e a alguns acontecimentos sofridos que sāo relembrados. Meninas que sāo apanhadas no meio de guerras sem sentido e difíceis de explicar, onde o ódio é a palavra que comanda a acçāo.

Hannah e Anna, duas crianças envolvidas em guerras tāo diferentes e, no entanto, tāo semelhantes! A falta de amor pelo próximo sempre a liderar as acções do Homem e, fazendo com que, muitas vezes, ele nāo seja digno que usar a letra maiúscula no início do seu nome...

Um romance que me surpreendeu pela positiva, com garra suficiente para prender o leitor logo nas primeira páginas numa leitura deveras fantástica.

Terminado em 31 de Maio de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
Com o aproximar da guerra, a vida da jovem alemã Hannah Rosenthal mudou. Em 1939, as ruas de Berlim estão decoradas com bandeiras vermelhas, pretas e brancas. Pelas ruas andam «ogres», vestidos com uniformes castanhos.

O pai de Hannah parece mais diminuído a cada dia. E a sua mãe vive sempre com medo. É quando decidem fugir da Alemanha a bordo do navio St. Louis, com destino a Cuba, que lhes dará asilo.


Cerca de 70 anos depois, em Nova Iorque, Anna Rosen recebe uma encomenda. No dia do seu 12.º aniversário, chegam às mãos de Anna fotografias de família do pai, Louis, um cubano que nunca conheceu. O nome da remetente é Hannah, e o pacote vem de Cuba. Louis morrera nas Torres Gémeas a 11 de setembro de 2001, pouco antes de Anna nascer.

Qual será a relação entre ambas?

Decididas a desvendar os mistérios do homem das suas vidas, Anna e a mãe viajam até Cuba para conhecerem Hannah, que as espera. Conseguirão todas encontrar as respostas que procuram?


De Berlim, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, a Cuba, à beira da Revolução; da Nova Iorque pós-11 de Setembro à Havana da atualidade, esta história real mostra-nos toda a força e determinação de gerações de exilados, ainda e sempre à procura do seu lugar no mundo.

Cris

quarta-feira, 6 de junho de 2018

A Convidada escolhe: "Embalando a Minha Biblioteca"


Embalando a minha Biblioteca, Uma Elegia e dez Divagações, Alberto Manguel, 2018

Este livro de Alberto Manguel, nascido na Argentina e com cidadania canadiana tem a estrutura de uma elegia e dez divagações e é motivado por ter sido obrigado a desmanchar e a embalar os cerca de 35 mil livros que constituíam a sua última biblioteca. Esta situava-se em França, num antigo celeiro anexo a um velho presbitério e a um jardim e ali ficaria não fosse a burocracia que o forçou a partir e a enviar a sua amada biblioteca para o Canadá, onde continua encerrada em caixotes meticulosamente organizados e catalogados por queridos amigos que o ajudaram nessa penosa tarefa. Tratou-se de um enterro prematuro que lhe provocou raiva e luto, porque para o autor “se desembalar uma biblioteca é um acto selvagem de renascimento, embalá-la é sepultá-la ordenadamente antes do julgamento aparentemente final.” (p. 36)
São muitos os temas que desenvolve nessas divagações, desde as suas primeiras memórias ligadas às bibliotecas da infância nas diferentes terras onde viveu, enquanto filho de embaixador, que para ele são “uma espécie de autobiografia com várias camadas”. Revela-nos como os livros da infância e da adolescência que o marcaram para a vida continuam a ter uma força enorme e transportam consigo a presença das pessoas que lhos ofereceram. Jorge Luis Borges é uma referência constante ao longo deste livro, não só pela sua ligação ao escritor como à pessoa com quem trabalhou e a quem leu durante muitas horas quando Borges já perdera a visão. Também D. Quixote de la Mancha, ou seja, Alonso Quijano que se transforma em D. Quixote por via das suas leituras “tendo perdido os seus livros enquanto objectos, D. Quixote reconstrói mentalmente a sua biblioteca e encontra nas páginas recordadas a fonte de uma força renovada”. “A perda ajuda-nos a lembrar e a perda de uma biblioteca ajuda-nos a lembrar quem verdadeiramente somos” (p. 57).
Manguel revela um profundo sentimento de posse relativamente aos livros e a esta sua última biblioteca e daí o forte sentimento de perda, sendo a sua organização tão pessoal que, podendo ser vista por outros como um caos, lhe permitia saber exactamente o lugar de cada livro em cada uma das prateleiras. Escrever sobre este livro não é fácil e é certamente redutor, tantos são os autores referidos e tantas as referências literárias e porque cada divagação é um tema de análise: a necessidade de ligação, de comunicação entre os humanos e a insatisfação permanente; como se inicia o processo criativo e a incapacidade de através de palavras conseguirmos transmitir completamente as nossas ideias ou intenções; as bibliotecas que arderam ou foram destruídas e os autores que foram banidos o que convoca o papel maldito da literatura e da arte para as ditaduras.
Ele que gosta do toque dos livros e que é da geração que dava uma enorme importância aos dicionários questiona-se sobre qual será o papel dos livros não virtuais para as gerações do terceiro milénio que veneram os gameboys ou os iphones e não os livros como objecto físico. O convite que recebeu em finais de 2015 para o cargo de director da Biblioteca Nacional da Argentina colocou-lhe e coloca-lhe problemas decisivos como este numa época em mudança acelerada e constante. Para além duma perspectiva estratégica de ligação às bibliotecas regionais dentro do seu país e de ligação a bibliotecas no estrangeiro ele, enquanto director da Biblioteca Nacional da Argentina, tem a perspectiva de que uma biblioteca nacional seja aberta, inclusiva, que responda aos diversos interesses e necessidades da população, que atraia novos utilizadores e que mantenha os que já tem e isso é uma tarefa imensa e desafiante que lhe coloca muitas questões para as quais trabalha para responder. Para ele o ideal de biblioteca é que ela seja uma “Clínica da Alma” que funcione como “escola de empatia”.(p. 137)
Em minha opinião, esta grande e inesperada tarefa de dirigir uma Biblioteca Nacional que já antes tinha sido dirigida por Jorge Luis Borges, ajudou Manguel a descentrar-se da sua biblioteca pessoal encaixotada, a fazer o luto e a focar-se numa outra biblioteca, uma biblioteca para todos. Uma verdadeira epifania.
A terminar a última divagação, algumas frases reveladoras: “… o esvaziamento de uma biblioteca, por mais desolador que seja, e o embalar dos seus livros, por mais injusto, não têm de ser encarados como uma conclusão. Há novas ordens possíveis nas sombras, secretas mas implícitas, aparentes tão-só quando as velhas são desmanteladas. Nada que importe pode ser verdadeiramente substituído…” “«No meu fim está o meu começo», terá Maria Stuart, rainha da Escócia, bordado na sua roupa durante o cativeiro. Parece-me uma divisa adequada à minha biblioteca.” (p. 141)

1 de Junho de 2018
Almerinda Bento






terça-feira, 5 de junho de 2018

Resultado do Passatempo: Delícias sem Lactose

Como já anunciado no FB do Abacate Verde Blogue, foi seleccionado o vencedor do passatempo que se realizou conjuntamente com esse blogue e onde foi sorteado o livro "Delícias sem Lactose".

E a vencedora foi:

- Dália Antunes de Algueirāo.

Parabéns! Faço votos para que aproveites bem este livrinho!

Cris

sábado, 2 de junho de 2018

Passatempo "A Trança" e Meet & Greet com a autora Laetitia Colombani

Com a especial colaboraçāo da Bertrand Editora, começa agora um passatempo também deveras especial. Temos um exemplar do livro de Laetitia Colombani, A Trança, para oferecer a um seguidor do blogue e o vencedor terá o prazer de conhecer a autora na FLL no Meet & Greet que a Bertand realizará dia 9 às 14h.

As regras sāo as seguintes e antes de concorrer devem prestar muita atençāo:

1) O vencedor terá de levantar o livro dia 9 às 14h no Meet & Greet que a Bertrand realiza na Feira do Livro de Lisboa. Nāo se enviará o livro via CTT pelo que só quem tiver possibilidade de estar presente deverá participar no passatempo!

2) Para concorrer devem enviar um e-mail para otempoentreosmeuslivros@gmail.com, indicando: nome completo e telemóvel.

3) Só é permitida uma participaçāo por pessoa.

O passatempo decorre até dia 7 de Junho e o vencedor será contactado dia 8, via mail e mensagem para telemóvel que indicou. Caso o vencedor nāo possa estar presente perderá o direito ao livro.

Boa sorte!

Cris

Na minha caixa de correio

  

  


Comprados na FLL! Livros do Dia:
Amanhā na Batalha Pensa em Mim, O Meu Nome é Lucy Barton e Nunca é Demais
Ofertados pelas editoras parceiras:
O Farol do Fim do Mundo, Topseller,
Os Távoras, Bertrand,