Gosta deste blog? Então siga-me...

Também estamos no Facebook e Twitter

Mostrar mensagens com a etiqueta Sandor Márai. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sandor Márai. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A Convidada Escolhe: "As Velas Ardem Até ao Fim"

Depois de "A Mulher Certa" este é o segundo livro que leio deste autor húngaro, exilado nos EUA, esquecido durante muitos anos e apagado pelo poder político e pelas autoridades húngaras durante o período que antecedeu o colapso dos países dominados pela ex-URSS com a queda do Muro de Berlim.
Em "As Velas ardem até ao Fim" considerado por muitos, o melhor livro deste autor, persiste o mesmo estilo, a semelhança dos temas, a misantropia e o pessimismo que dominam as personagens que retrata de forma tão profunda e completa.
Dois jovens – Henrik e Konrád – de estratos sociais diferentes frequentam o mesmo colégio militar em Viena para seguirem a rígida vida militar cheia de regras, de códigos e disciplina férrea e em que a honra é um valor supremo, acima de todos. A sua relação desde o início estabelece um vínculo de grande cumplicidade, como se de irmãos se tratasse, apesar das diferenças sociais e também de temperamento e de interesses do ponto de vista dos relacionamentos sociais, o que não impede essa profunda amizade. Mas, abruptamente, ao fim de mais de vinte anos de relacionamento e convívio diários, um deles – Konrád – afasta-se e vai viver para muito longe.
Quarenta e um anos depois, Konrád regressa ao palácio do general, exactamente à mesma sala onde tinham estado a conversar e a jantar antes do afastamento inesperado como se, entretanto os anos não tivessem passado. Há algo de teatral em todo o texto, no cuidado posto nos mais pequenos detalhes neste reencontro: a refeição que é servida, as flores nas jarras, a lareira acesa, a posição dos cadeirões, os retratos nas paredes, as velas acesas em cima da mesa.
Passados quarenta e um anos de ausência, da fuga do amigo, para o general aquela era a noite há muito esperada, a noite para se saber a verdade e o essencial. Era a noite do ajuste de contas entre os dois amigos de infância. A noite para colocar perguntas, mas da maneira certa, agora que é preciso esclarecer e compreender o verdadeiro sentido da amizade. Mas será que é possível, mesmo com as perguntas certas, descobrir-se o que move os nossos semelhantes, as suas intenções, os seus desejos? É a grande pergunta que fica a pairar no nosso espírito chegada que é a última página de "As Velas ardem até ao Fim".
A estrutura deste romance leva-nos a "entrar" na cabeça do velho general, através do longo monólogo que constitui a maior parte dos capítulos do livro e das raras e curtas respostas do amigo. Uma conversa que vai durar o tempo que as velas que mal alumiam a sala o permitem e que vão arder até se extinguirem.
É uma longa reflexão sobre a amizade, o amor, a traição, o ciúme, a cobardia, a solidão. Um retrato daquilo a que se costuma chamar da condição humana com as suas fragilidades e grandezas. Extremamente bem construído, com um vocabulário riquíssimo que nos permite acompanhar os ambientes, os sentimentos e o pensamento de quem fala, este romance é, de facto, um livro exemplar e que prende o/a leitor/a desde que se inicia a sua leitura.

Almerinda Bento

domingo, 29 de agosto de 2010

Até ao fim da vida e de nós próprios


Edição/reimpressão: 2001
Páginas: 160
Editor: Dom Quixote
ISBN: 9789722020626




As minhas expectativas em relação a este livro eram elevadas. A ideia com que fiquei, dos comentários que li, era muito positiva, o que me levou a acreditar que este era "um dos livros"...Talvez por isso ficou um pouco aquém do que esperava!

Fazendo quase um monólogo, o protagonista, que tem já 75 anos, "conversa" com um velho amigo que não vê há 40 anos. Fala-nos do valor da amizade, da traição que os envolveu nessa altura, das dúvidas e das certezas que sente em relação a isso, do amor e do ódio, da infidelidade que marcou a sua vida, a da sua esposa e a do seu melhor amigo.

Gostei. É um livro que parece simples mas que se vai tornando mais complexo com o passar das folhas, pois as "verdades" que o protagonista apregoa não são confirmadas pelo seu amigo, mas sentimos que realmente aconteceram... mas às vezes torna-se um pouco monótono.

Terminado em 18 de Agosto de 2010

Estrelas: 3*

Sinopse

Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...




sábado, 28 de agosto de 2010

Soltas...


"Uma pessoa sabe sempre a verdade, essa outra verdade que é oculta pelas representações, pelas máscaras e pelas circunstâncias da vida."

"Mas no fundo da tua alma escondia-se uma emoção convulsiva - o desejo de ser diferente daquilo que eras. É a maior tragédia, com que o destino pode castigar o homem,. O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: não pode arder um desejo mais doloroso no coração humano."

"Mas não pode ser de outra maneira: só através dos pormenores podemos perceber o essencial, aprendi assim nos livros e na vida."

"Não é verdade que o destino entre cego na nossa vida, não. O destino entra pela porta que nós mesmo abrimos, convidando-o a passar."

"Podes alcançar tudo na vida, podes vencer tudo à tua volta e no mundo, a vida pode oferecer-te tudo e podes tirar tudo da vida: mas nunca podes mudar os gosta, as inclinações, o ritmo da vida de uma pessoa, aquela diferença que caracteriza por completo uma pessoa, a pessoa que é importante para ti, que te interessa."