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quinta-feira, 3 de novembro de 2022

"Todos os Lugares Desfeitos" de John Boyne

Sei que é possível ler este livro sem ter lido O Rapaz do Pijama às Riscas (opinião aqui) mas não sabem o que perdem se considerarem essa hipótese! É um livro que fica na memória e o final não é esquecido. Nunca! E eu que sou a esquecida mor e que passado um tempo fico só com a sensação positiva ou negativa que um livro me fez sentir, não esqueço esse livro. Tampouco esse final.

Lógico que queria ler, um pouco receosa acreditem, esta sequela. Parabenizo, desde já, o autor porque soube pegar na história de uma forma muito especial e faz com que o leitor se coloque empaticamente ao lado de Gretel e as analepses constantes fazem-nos caminhar para o seu passado e para esse primeiro livro tão especial. Ao longo de toda a narrativa são desvendados pequenos mistérios que fazem com que o puzzle final faça todo o sentido.

Gretel tem 91 anos, é alemã, e vive em Londres há muitos anos, num apartamento que não quer vender por razões que, ainda, desconhecemos. O seu corpo dá sinais de fraqueza mas a sua mente está activa. Não fala do seu verdadeiro passado. Criou uma história que repete quando a questionam sobre a Segunda Guerra e sobre o que lá se passou. Não conta nunca quem foi o seu pai, como ultrapassou junto com a mãe os anos do pós guerra. Nem eu aqui vou contar, e, se conseguirem, caso não tenham lido O Rapaz do Pijama às Riscas, não leiam a sinopse. 

Contada em discurso directo, esta história tem tudo para vos envolver completamente como me aconteceu a mim. Às vezes, o passado volta para nos obrigar a repensar o presente, as nossas atitudes e resoluções e, para nos lembrar que podemos sempre alterar e mudar para melhor.

Só houve um pequeno detalhe no desenlace desta história ficcionada que me pareceu excessivo mas, na realidade, não saberia dar outra alternativa. Porque para quem já leu posso afirmar: "assim ficou tudo resolvido e houve um ponto final como a vida real às vezes não dá".

Adorei e recomendo.

Terminado em 18 de Outubro de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

Gretel Fernsby tem 91 anos e vive em Londres há décadas, sempre no mesmo quarteirão de luxo. Leva uma vida confortável e tranquila, apesar do seu passado sombrio. Nunca fala da sua fuga da Alemanha, mais de setenta anos antes. Nunca fala dos anos do pós-guerra, passados em França com a mãe. Sobretudo, nunca fala do pai, o comandante de um dos mais infames campos de concentração nazis.

É então que uma jovem família se muda para o apartamento por baixo do seu, e Gretel acaba por fazer amizade com Henry, o filho do casal, apesar de o seu rosto lhe trazer memórias que ela prefere esquecer. Quando Gretel é confrontada com a escolha entre a sua própria segurança e a de Henry, sabe que está perante a oportunidade de expiar a sua culpa, mesmo que isso a obrigue a revelar os segredos que passou a vida a proteger.

Todos os lugares desfeitos é uma história devastadora e imensamente bela sobre uma mulher marcada por um terrível passado e por um presente onde nunca é tarde para a coragem e para a redenção.

Cris

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

"O Rapaz no Cimo da Montanha" de John Boyne

Neste ano que está quase a findar, li alguns livros destinados a um público mais jovem. Este é um deles. O tema interessa-me claro, mas não tive dúvidas em pegar neste livro porque o seu autor é-me bastante querido por ter escrito um livro que todos vocês deviam ler, independentemente da idade que possam ter: O Rapaz do Pijama às Riscas (a minha opinião aqui!). 
Um pouco na sequência desse livro, o autor aborda de novo o tema do Holocausto entendio e visto na perspectiva de uma criança, com toda a inocência que ela possui. Desta vez, é pela voz de um menino filho de mãe francesa e pai alemão, Pierrot, o narrador desta história, que nos vamos apercebendo vagamente dos horrores da guerra. Pierrot, mais tarde chamado Pieter, cresce na inocência mas também com perdas importantes (o pai e a mãe). E esta inocência que o acompanha no seu crescimento passa depois a um estado de "cegueira", que o impele a admirar Hitler e o impede de ver como se transforma num rapaz prepotente e mau, onde a ambição do poder o mina e destroi.
Envolvi-me rapidamente nesta história que creio ser uma leitura ideal para os nossos jovens a partir dos oito, nove anos. Pois se até um adulto a lê com prazer... Mistura-se aqui, sabiamente, alguns factos reais com ficção e tenho, por isso, de parabenizar o autor por mais este livro. Uma boa oferta para quem muitas vezes não sabe o que oferecer aos leitores mais novos. Os horrores passados nessa época não são descritos com pormenores que possam ferir alguma susceptibilidade ao jovem leitor mas dependem um pouco da sua intuição e das perguntas que possa fazer a quem o acompanhar nesta leitura, facto que gostei bastante.
Recomendo para um público mais jovem (ou para um adulto que, como eu, goste de se aventurar por mais de um género diferente de leituras)!
Terminado em 5 de Novembro de 2016
Estrelas: 5* (juvenil)


Sinopse
Pierrot é filho de mãe francesa e pai alemão. Quando fica órfão, com apenas sete anos de idade, tem de abandonar Paris para ir viver com uma tia, a única familiar que lhe resta, numa casa nos Alpes Bávaros.
Mas não estamos numa época qualquer: decorre o ano de 1936 e a Segunda Guerra Mundial está na iminência de eclodir; nem tão-pouco estamos numa casa qualquer: a casa no cimo da montanha, onde a tia trabalha e para onde Pierrot se muda, é nada mais nada menos que a Berghof, a casa-refúgio de Adolf  Hitler.
Facilmente Pierrot se torna menos francês e mais alemão, deixando-se seduzir pelo poder da farda e pela força da mensagem nazi. mas… a que custo? E se aconteceu a Pierrot, não poderia também acontecer a cada um de nós?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sobre o holocausto



Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 176
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789724153575




Colecção: Romance Jovem
Faixa etária: a partir dos 13 anos

Gostei. É um livro escrito de uma forma muito simples, para uma faixa etária a partir dos 13 anos, partindo do princípio que os "nossos" jovens com essa idade já sabem o que foi o holocausto e as palavras "Auschwitz" e "fuhrer" não lhes são estranhas.

O narrador é Bruno, um menino alemão de 9 anos, cheio de inocência e de ironia que, mesmo tratando-se deste tema, nos faz sorrir...

Lê-se num ápice e o desenrolar desta história não nos previne para o desfecho final, desconcertante mas, ao mesmo tempo, sublime, acho eu.

Como crítica posso apontar duas gafes que, para um livro didáctico como este, creio não serem admissíveis... São palavras que, estando incorrectas, mudam o sentido à história! No livro que possuo fiz as devidas correcções, para que os meus dois filhos mais novos possam ler e perceber esta história que, certamente, lhes vou recomendar! Cinco estrelas, definitivamente!

Terminado em 10 de Setembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse

Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…

Soltas...



"Ah, essas pessoas - disse o pai, meneando a cabeça e sorrindo ligeiramente.- Essas pessoas...Bem nem sequer são pessoas, Bruno.
-Não são?
-Bem, pelo menos, no modo como nós entendemos o termo."

"Heil Hittler!- disse Bruno, o que, pensava ele, era outra maneira de dizer"Bem então adeus e tem uma boa tarde."

"Nem sequer tinha a certeza de alguma vez a ter visto com outra coisa vestido que não fosse a farda de criada.(...)tinha de admitir que devia haver mais alguma coisa na vida dela para além de servir a sua família. Ela devia ter pensamentos próprios."

"Mas afinal qual era exactamente a diferença? E quem decidia quais as pessoas que usavam pijamas às riscas e as que usavam uniforme?"