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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Soltas... Dei o meu coração a África


"Procurar a mensagem no negativo. O que há para aprender nesta situação? Quando se fez tudo o que se podia fazer numa situação negativa, é tempo de a largar. Há muitas pessoas maravilhosas que querem dar e receber amor. O amor existe no nosso espírito. Impomos limites a nós próprios apenas por causa dos nossos escudos de medo, dos nossos escudos contra o amor."

"Ela estava bastante calma. Era uma rapariga do Quénia, nada atreita a entrar em pânico. Seria de crer que tivesse medo, sendo uma mulher de alguma idade a viver sozinha. Mas ela passara a vida no mato, a lidar com a África e as coisas inesperadas com que a África nos atira para cima."

"Estou bem e de boa saúde, mas sinto-me bastante esgotada por ter de lidar com os desafios que a vida no Quénia hoje em dia. Tenho a sensação de estar a viver num planeta diferente do dos Estados Unidos. Um planeta onde a governação corrupta e a população humana em expansão estão a aumentar a pobreza, o crime e a destruição das florestas, savanas e terras húmidas desta país lindo. A minha propriedade no lago Naivasha continua a ser um refúgio de paz para as aves e diversos animais, apesar das pressões circundantes"

O amor a África!


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 280
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722345644
Coleção: Vidas D'escritas

Fiquei indecisa em relação às estrelas a dar a este livro! Mas, pelo que representa em relação à natureza, pela vida extraordinária, quase inacreditável, vivida por Joan Root, quatro seria uma classificação injusta para um livro que retrata fielmente uma vida de amor.
Amor por África, pelos animais, pela terra e por um homem.

Não se trata de um romance, desiluda-se quem pretende tal coisa desta leitura! Através de diários e de entrevistas que leu e fez, o autor tenta relatar, o mais fielmente, a vida desta mulher-coragem que amou os outros em primeiro lugar, em detrimento de si própria. 


Só depois de morta conseguiram travar a sua coragem, a sua força, o seu desejo de lutar e defender a vida animal. Venceu uma doença terrível (miastenia), tal era a sua vontade de viver e realizar os seus sonhos! A sua vida, que nada teve de monótona, foi pautada pela entrega e ajuda aos animais, tendo-se mantido fiel aos seus princípios mesmo quando as adversidades lhe batiam à porta. Estou a falar tanto nas doenças como na morte, na separação, no divórcio, nos assaltos e roubos,  nas traições, nos caçadores e pescadores furtivos...


Foi uma vida marcada pela paciência, pela calma, pelo trabalho de retaguarda na ajuda ao seu marido (que amava apaixonadamente), quando observavam os animais e os filmavam, desabrochando aquando do seu divórcio.


Este livro parece, à primeira vista, ser de leitura rápida, mas, a letra pequena, o conteúdo intenso fazem-nos demorar para melhor apreciarmos todos os pormenores.
Mesmo sabendo que muito se perderia, acho que em termos visuais seria um filme a não deixar escapar. Nota 5, sobretudo pela vida de Joan Root!



Terminado em 7 de Julho de 2011

Estrelas: 5*

Sinopse

Dei o Meu Coração a África é uma narrativa biográfica de extraordinária beleza sobre Joan Root. Ambientalista e produtora de documentários sobre a vida selvagem, dedicou-se à defesa da diversidade natural do seu país, o Quénia, com uma coragem rara, a que só o seu brutal assassínio pôs fim em 2006. Mas o fascínio desta obra extravasa os limites biográficos, ela é também a história do próprio Quénia, um país em risco de perder, às mãos dos interesses económicos, a sua beleza natural ímpar.