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sexta-feira, 13 de julho de 2018

A Convidada Escolhe: "Todos devemos ser Feministas e o conto Casamenteiros"


Todos devemos ser Feministas e o conto Casamenteiros
Chimamanda Ngozi Adichie
2012, 2014
À medida que ia lendo este livrinho da escritora nigeriana, mais forte se tornou a minha convicção de que são estes livros simples, mas tremendamente eficazes que podem ser o clique que vai ajudar os/as jovens a questionarem e a questionar-se acerca de muitas ideias preconcebidas que lhes são inculcadas desde o berço. Um livrinho magnífico, uma excelente prenda, um magnífico ponto de partida para uma conversa sobre o que é ser feminista, ou sobre o patriarcado, ou como os estereótipos condicionam a nossa forma de ver o mundo!

E o livro é eficaz porque com uma linguagem simples e partindo de exemplos da sua vida enquanto mulher, Chimamanda nos convida a ter uma perspectiva crítica sobre o que nos é “servido” como natural e normal. Não apenas na sociedade nigeriana ou nas culturas africanas, mas a nível global. Quando para alguns, feminista pode vagamente ser o mesmo que apoiante do terrorismo, a verdade é que para muitos/as a palavra está ainda dentro da categoria das palavras malditas, percepcionada como atributo de mulheres infelizes, que odeiam homens, que não gostam de se arranjar e estão sempre zangadas e sem sentido de humor! Ao longo de umas poucas páginas, a autora desmonta o mito de que hoje as mulheres já têm tudo o que querem. Porque elas continuam a ganhar menos do que eles, mesmo quando têm as mesmas habilitações; elas não podem aceder a certos espaços sem serem acompanhadas por um homem sob pena de serem molestadas ou humilhadas; elas são educadas a serem submissas, não serem demasiado ambiciosas, não serem duras, controlarem os seus impulsos, ao contrário dos rapazes que a sociedade quer afirmativos, ambiciosos, duros, impulsivos. Ela questiona exactamente essa educação que é nociva para elas e também para eles, porque lhes rouba, a todos e todas, a capacidade de ver e agir no mundo de forma plena e inclusiva. E Chimamanda não deixa também de mencionar quem se posiciona contra o feminismo e as feministas, invocando os argumentos da biologia, da cultura, ou da classe. E é clara relativamente aos/às que consideram não ser necessário usar a palavra feminista, quando se é a favor dos direitos humanos! “Porque seria desonesto. O feminismo faz, obviamente, parte dos direitos humanos de uma forma geral – mas escolher uma expressão vaga como direitos humanos é negar a especificidade e particularidade do problema de género. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. Seria negar que a questão de género tem como alvo as mulheres”.

“Casamenteiros” é um conto extraído da colectânea “A Coisa à volta do teu Pescoço”. É um pequeno conto que questiona a aculturação a que é forçada a jovem Chinaza, vinda de Lagos depois do casamento que os tios lhe arranjaram com um conterrâneo, médico interno em Nova Iorque. A ideia de ir viver num paraíso – a América, uma casa, um marido médico com uma boa situação, um casamento feliz – tudo isso se vai desmoronar no contacto com a realidade. Afinal o que lhe é apresentado é que se apague como africana, como mulher, como estrangeira, como diferente e passe a tornar-se igual aos outros da grande metrópole civilizada, para se tornar parte dessa massa homogénea e sem alma. E para isso, a metamorfose terá de ser total, mudando o nome, os hábitos, a cultura, os modos de falar e de estar, a comida, a língua!

Nia, a vizinha com quem ela se abre, a única pessoa que afinal ela tem naquele mundo estranho pergunta-lhe:
“ – Tu nunca dizes o nome dele, nunca dizes Dave. É uma questão cultural?
– Não – disse eu. Olhei para baixo, para o individual de tecido impermeável. Apetecia-me dizer que era porque não sabia o seu nome, porque não o conhecia.”

Julho de 2018
Almerinda Bento

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Para os mais pequeninos: O Pavão Yoyô e o Tigre Gagá Juntos Fazem Yoga


Que livro lindo, este! Quem pratica Yoga, como eu, vai adorá-lo. Este vai ficar na minha estante mas hei-de comprar alguns para oferta, isso é certo. 

Uma sábia junção entre animais e posiçôes de yoga com um texto lindo e ilustrações maravilhosas de Patrícia Furtado. Fiquei maravilhada ao reconhecer as posições que habitualmente faço e a sua associação às posições de alguns animais como por exemplo a borboleta, o pavão, o tigre, a avestruz, o flamingo, a girafa, o elefante e tantos outros...

Um livro lindo de morrer! Amei de verdade! Ora vejam:









Cris

quarta-feira, 11 de julho de 2018

"Guerra - e se fosse aqui?" de Janne Teller

Sei que fica bonito dizer-vos que não escolho livros pela capa! Mas não seria verdade e por isso fica essa frase para outra vida porque nesta isso acontece-me com alguma frequência. A minha atracção primeira é, muitas das vezes, pelo exterior e só depois sigo para a sinopse... Neste livro tive uma paixão imediata pela capa, facto que me fez pedi-lo à editora! Pela capa e pelo título fortíssimo e actual.

Quando abri o envelope a surpresa foi total: o seu tamanho era tão reduzido! Como se de um passaporte se tratasse! Faz todo o sentido e começa precisamente pela capa a mensagem que a autora quer transmitir e que o título é prova disso.

Janne Teller para além de ser uma activista dos direitos humanos, trabalhou na resolução de conflitos nas Nações Unidas, na União Europeia, em Moçambique, na Tanzânia e no Bangladesh. Verificou de perto os problemas que os refugiados passam e a sua vontade última de voltar às sua terras, de retomar as vidas deixadas para trás...

O texto do livro é adaptado ao país onde é editado. Simples, directo, atingindo e tocando o leitor. Começa assim: "E se Portugal estivesse em guerra. Para onde ias tu?" Faz pensar. Isso é o pretendido, claro está. Fará mudar também as mentalidades?

A minha experiência pessoal foi marcada também por algo semelhante, não igual. O horror que hoje assistimos na TV parece ainda pior. E no entanto, uma guerra é sempre isso mesmo, uma guerra. Será que o Homem nunca aprende?

Quando era ainda miúda, 11 anos, deixei a minha terra, as minhas amigas, as minhas bonecas e os meus livros. Foi a coisa mais difícil da minha infância. Vim para um país onde se falava a mesma língua mas onde a linguagem era diferente. Fui considerada uma retornada sem o ser. Não estava a retornar. A minha terra não era aqui, nem nunca tinha sido. No entando, depressa me adaptei. Era miúda. Os meus pais ficaram sempre com vontade de voltar para a terra "deles". Esta nunca foi a sua terra. Nunca mais voltámos. Agora aquela terra já não é a minha. Quando me perguntam onde nasci não sei bem o que responder. O sítio onde nasci já não existe como nos meus sonhos. Lá, nos meus sonhos, ele continua intacto.

Terminado a 3 de Julho de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
Janne Teller faz uma experiência provocadora: vira do avesso a atual crise de migrantes e faz de nós os refugiados. Faz-nos ver como se sente alguém que é obrigado a fugir do seu país, a ser exilado e a lutar pela sobrevivência num país estrangeiro.

Neste conto, a Europa desintegrou-se devido à guerra e o único ponto do globo que está em paz e é acessível é o Médio Oriente. Seguimos a fuga de uma família comum e vemos a sua vida de refugiados através do seu filho de 14 anos.

Cris

terça-feira, 10 de julho de 2018

"Confia" de Sofia Ribeiro

Um relato que, apesar de se ler num dia, é de dificil digestão porque duro e muito cru. Honesto. Pouco tenho a acrescentar... É difícil ler este livro com o distanciamento necessário para poder classificá-lo quando à escrita, por exemplo, e por isso não o irei fazer. Não que a escrita da Sofia seja má, não! Mas porque a história de vida dela é tão absorvente que cheguei ao fim sem conseguir analisar esse ou outros pormenores.

Não se trata apenas de um periodo da sua vida conturbado onde a "doença maldita" teve lugar, mas sim, de como perante as adversidades que lhe couberam em sorte desde criança foram superadas com determinação, coragem e força. Sofia abriu partes da sua vida. Quem lê o seu livro fica, no mínimo, convencido que é preciso ter garra para superar alguns dos obstáculos que lhe surgiram. 

Eu gostei desta leitura. Fiquei a admirar a pessoa por detrás da atriz, mais ainda. Pelas vezes que se foi abaixo e se levantou.

Há quem possa criticar por existirem livros assim, onde é exposta a vida de uma figura conhecida pela sua profissão. Para essas pessoas é muito fácil a resolução desse "assunto" que as incomoda ao ponto de perderem tempo com críticas desnecessárias: não leiam o que a Sofia escreveu! Para as outras, o meu conselho: peguem neste livro, devorem-no e apreciem-no como merece!

Terminado em 1 de Julho de 2018

Estrelas: não quantificável

Sinopse
Sofia Ribeiro revela, pela primeira vez, pormenores inéditos sobre a vida, desde a infância à atualidade, num livro emocionante e intimista.
Habituada desde cedo a lutar pela sua independência, Sofia cresceu a saber ser forte e determinada. Porém, nada a tinha preparado para um diagnóstico inesperado.
Ao mesmo tempo que tentava preservar-se dos olhares da comunicação social, Sofia combateu o cancro com toda a sua força e fé, rodeada pelos amigos, determinantes nesta batalha.
Ao longo deste processo, a atriz descobriu muito sobre si mesma e sobre os outros. É essa descoberta que partilha neste livro, sem medos ou subterfúgios. É com esta verdade que espera poder ajudar todos os que precisam de esperança, seja qual for a sua batalha.

Cris

segunda-feira, 9 de julho de 2018

A Convidada Escolhe: "Rumo ao Farol"


Rumo ao Farol, Virginia Woolf, 1927
É um desafio escrever sobre a escrita de Virginia Woolf pela sua característica surpreendente, desconcertante e fora de esquemas ou ideias preconcebidas. Inovadora sem dúvida, a forma como escreve e nos leva a seguir o seu fio de pensamento. O título “Rumo ao Farol” e a perspectiva aberta logo nas primeiras linhas do romance por Mrs. Ramsay de que, se o tempo estivesse bom, se concretizaria no dia seguinte a viagem ao Farol tão ansiada por James, não passa afinal de uma miragem. Mr. Ramsay logo levanta entraves e vaticina que o tempo não o vai permitir!

O romance dividido em três capítulos decorre na ilha de Skye, nas Hébridas. A primeira parte intitulada “A Janela” decorre num Setembro onde o casal Ramsay e os oito filhos – quatro rapazes e quatro raparigas – passam férias, juntamente com diversos convidados. São os convidados de Mrs. Ramsay, uma figura maternal, protectora, sempre atenta e ocupada, senão com os filhos, especialmente com James, o mais novo, com o marido, com os convidados e com os mais frágeis a quem deseja que nada falte. Ela é quanto a mim a personagem central do livro. Dela vamos seguindo os pensamentos, o que pensa sobre os outros, como se questiona a si própria por atitudes que toma e de cuja justeza tem dúvidas, a forma de lidar com Mr. Ramsay, um eterno desmancha-prazeres, egocêntrico, emocionalmente frágil, sempre desejoso de ser adulado e elogiado pelos outros, receoso dos seus fracassos profissionais, incapaz de olhar para os outros e para as coisas, ou olhando-os com sobranceria como seres inferiores e com o pensamento sempre noutro sítio. Sendo protectora e aparentemente votada aos outros, no entanto, Mrs. Ramsay também ela gostava que a valorizassem e que gostassem dela e se referissem a ela como alguém especial. Para alguns, ela era considerada dominadora e autoritária, mas ela não se importava que pensassem isso. Adorava os filhos e lamentava a perspectiva de vê-los crescer e de eles deixarem de ser os seus bebés – “Era mais feliz do que nunca quando trazia um bebé nos braços”. Por outro lado, considerava que uma mulher solteira perdia o melhor da vida e daí o seu pendor casamenteiro, nomeadamente com Lily Briscoe, uma jovem pintora independente, metódica e feliz com o seu estado de solteira!
Considero muito interessantes algumas considerações sobre a condição feminina e sobre as diferenças sociais que a autora reflecte ao longo da obra:
“… na esperança de assim deixar de ser a doméstica cuja caridade era uma espécia de bónus para a sua indignação… e se convertesse… numa investigadora que estudasse o problema social”
Cobrava ânimo. Insinuando também, como fazia, a grandeza do intelecto dos homens, mesmo na decadência, a submissão das mulheres – não que censurasse a rapariga, e o casamento fora bastante feliz, segundo pensava – ao trabalho dos maridos.”
O quadro de Lily! Mrs. Ramsay sorria. Com os olhinhos chineses e o rosto enrugado, jamais se casaria; não poderia levar-se muito a sério a sua pintura; mas era uma criaturinha independente. Mrs. Ramsay gostava dela por isso mesmo e, assim, lembrando-se da promessa que fizera, inclinou a cabeça.”
À medida que se vai avançando no livro, onde não há praticamente diálogos nem uma história a decorrer, mas o fluxo dos pensamentos das personagens, o ruído do mar, a baía, a luz do Farol distante, os gestos e as atitudes das pessoas, percebe-se que é um livro sobre as relações humanas, as suas ambiguidades, as suas complexidades, as nuances que fazem delas uma teia que se vai construindo. Cada um(a) na sua complexidade vive dentro da sua solidão e da sua intimidade. Apenas nesta primeira parte há um momento de reunião de todos – adultos e crianças – em volta de um jantar de carne assada no tacho, preparado com todo o esmero por Mrs. Ramsay: o famoso Boeuf en Daube.
“O Tempo passa” é o título do segundo capítulo. É o tempo da guerra. O tempo da destruição, do caos, em que as viagens se tornam perigosas e deixam de se fazer e por isso, a casa de Verão na Escócia deixa de ser utilizada pelos Ramsay. “ A casa tinha caído no caos e na ruína. Apenas o facho do Farol por um momento entrava nos quartos…” Só Mrs McNab lá entra para limpar o pó da casa vazia, sem alma. Dos Ramsay apenas se sabe da morte súbita de Mrs. Ramsay, do casamento e morte por parto de Prue, a filha mais velha e de Andrew que morre numa explosão. O tempo passou e a guerra trouxe consigo a morte, a destruição, o caos.
Dez anos depois, James tem agora 16 anos e o pai Mr. Ramsay 71. Contrariados, obrigados pelo pai, James e Cam vão finalmente ao Farol. “O Farol” assim se chama o terceiro e último capítulo do livro. Todo ele se passa entre o exterior da casa onde Lily Briscoe vai terminar a tela que ficou por fazer e que ela irá compor a partir das imagens de Mrs. Ramsay e James que lhe ficaram gravadas na memória e o barco onde seguem Cam, James ao leme a manobrar as velas e Mr. Ramsay que lê alheado de tudo. Mr. Carmichael, deitado sobre a relva perto de Lily e Macalister e o filho no barco a caminho do farol são as restantes personagens que aqui nos surgem.
O tempo passou e a casa já não é a mesma, nem o Farol. Lily Briscoe, agora com 44 anos, não consegue deixar de sentir um sentimento de perda, de impotência. “Tudo estava seco; tudo murcho; tudo gasto. Não deveriam tê-la convidado, não deveria ter vindo.” Mesmo realizada e independente, não consegue fugir a um sentimento em que a sua auto-estima é abalada: “Não sou uma mulher mas uma solteirona, ressequida, segundo parece, de mau feitio e de mau humor.” À medida que observa o barco que lentamente se vai afastando na baía, a caminho do Farol, Lily vai fazendo o caminho que a levará à composição do quadro que quer pintar, recordando as pessoas, imaginando acerca delas e usando as cores que melhor se coadunam com essa memória longínqua e desfocada. Afinal ela provava o contrário do que Tansley uma vez lhe segredara ao ouvido “as mulheres não sabem pintar, as mulheres não sabem escrever.”
No barco, o ambiente é tenso e o rancor na relação entre os filhos e o pai é evidente. A viagem é demorada porque o vento não ajuda ao avanço do barco, mas as referências às águas profundas, a naufrágios e afogamentos ocorridos ali em tempos idos, trazem um tom de tragédia que só termina quando James leva finalmente o barco a bom porto e Mr. James, pela primeira vez na vida, elogia o filho por isso.
Para terminar, a sensação de que ficou muito por escrever nesta minha apreciação. Muito mesmo. James, dez anos depois daquele Verão em que desejara tanto ir ao Farol, olhando-o da janela, pensava:
Era isso então o Farol, era isso?
Não, também o outro era o Farol. Porque nada era, simplesmente, uma coisa só. Também o outro era o Farol. Às vezes, era difícil vê-lo através da baía. Ao cair da noite, olhavam e viam aquele olho a abrir e a fechar, e a luz parecia alcançá-los no jardim aéreo e ensolarado onde estavam sentados.”
Julho de 2018
Almerinda Bento

sábado, 7 de julho de 2018

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

  

 



Esta semana foi muitíssimo recheada! Já vão saber porquê...
Ofertados pelas editoras parceiras (muito obrigada!):
- A Mulher Inocente e O Homem Nas Sombras - Planeta;
- Organize a sua Casa - Arte Plural; 
- A Leste do Paraíso - Livros do Brasil;
- Marco Polo, Viagens e O Pecado da Gueixa - Clube do Autor
- Lol - Matéria Prima
- Grandes Clássicos para Jovens Leitores - Minotauro
e um livro infantil muito doce, O Pavão Yoyô e o Tigre Gagá Juntos Fazem Yoga da Oficina do Livro
OS RESTANTES...
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sexta-feira, 6 de julho de 2018

A Escolha do Jorge: "Minha Ántonia"

Pairava na página diante de mim, qual fotografia, e por baixo lia-se a melancólica frase: 'Optima dies... prima fugit' [Os melhores dias são os primeiros a fugir]." (p. 179)
A edição de “Minha Ántonia” da escritora estadunidense Willa Cather (1873-1947) coincide precisamente com os cem anos em que a mais emblemática das suas obras foi publicada, numa altura em que a Relógio d’Água decidiu retomar a edição das suas obras, primeiro com “O Meu Inimigo Mortal” após uma interrupção de mais de uma década com a edição de “Uma Mulher Perdida”.
Lemos as primeiras páginas desta obra e rapidamente damos conta que mergulhamos no universo da grande literatura e do melhor que o século XX produziu nesta matéria.
A narrativa não nos dá conta com rigor do período em que decorre, sendo que podemos concluir que abrangerá desde o final do século XIX, coincidindo com a imigração em massa de europeus que procuram a sua sorte no país da abundância e dos sonhos, até às vésperas da 1ª Guerra Mundial, ainda que a narrativa, no final, se perceba que passou dos anos 20. Não é que seja um dado importante, contudo, permite-nos o enquadramento histórico até para compreender o desenvolvimento socioeconómico da região onde se desenrola a maior parte da narrativa, em especial, o estado do Nebrasca.
Curiosamente, “Minha Ántonia”, no que concerne a aspectos de natureza socioeconómica tem ecos de “Os Frutos da Terra” do norueguês Knut Hamsun, publicado em 1917, valendo-lhe o Nobel de literatura três anos mais tarde. A ideia de colonizar uma região vazia em que os primeiros colonos se dedicam ao que a terra e os animais lhes dão é o ponto em comum nestas duas obras.
A narrativa inicia com a chegada de uma grande família oriunda da Boémia, os Shimerda, que tentam a sua sorte junto da grande colónia de norugueses já instalada na região, e também de suecos, embora menos expressivo. Os primeiros capítulos dão-nos conta das dificuldades e desafios que esta família de boémios tem na América. São igualmente descritos a ligação da comunidade entre si e o seu empenho no que concerne ao espírito de entreajuda a esta nova família que vive miseravelmente, havendo, pois, o desejo, de que todos possam beneficiar da terra dos sonhos para que todos possam ser felizes.
É curioso que neste romance de Willa Cather não podemos dizer que existem os oponentes, aqueles personagens que dificultam a vida a terceiros, é, pois, um romance que ao lermos os primeiros capítulos nos questionamos qual é o sentido, ou simplesmente que caminho será este. E a resposta é precisamente a vida, a vida que corre ao sabor das estações do ano, as rotinas domésticas e o trabalho do campo, mas também a ligação ou dependência à cidade.
Jim Burden é o narrador deste fulguroso romance de Willa Cather e é o próprio que nos dá conta de todas as alterações que têm lugar em Black Hawk, no Nebrasca, o pequeno lugar onde decorre a narrativa. Jim Burden é uma criança e vive com os avós na sequência de ter perdido os pais.
Jim faz-nos o relato das brincadeiras, das rotinas, das histórias desta nova família de estrangeiros, e claro, de Ántonia, uma menina um pouco mais velha que ele, mas que ambos passam a desenvolver uma enorme amizade que se confunde com amor, prolongando-se pela vida fora.
É através de Jim que percebemos que o pai de Ántonia é o elo de ligação à terra natal através das histórias que conta e da importância da música. A língua checa que nunca deixam de falar entre si ligam-nos fervorosamente como se fosse o único ponto de contacto com a distante Europa e os seus costumes.
A trágica morte do sr. Shimerda aproxima ainda mais Jim e Ántonia e a angústia face à perda referencial leva Ántonia a questionar se alguma vez o espírito do pai alguma vez voltará a encontrar paz e sentir-se feliz.
"- Isto faz-me sentir saudades, Jimmy, esta flor, este cheiro — disse ela calmamente. — Temos muitas flores destas na minha terra. Cresciam imenso no nosso jardim e o meu papá tinha um banco e uma mesa verdes por baixo das copas. No verão, quando estavam em flor, costumava sentar-se com o amigo que tocava trombone. Quando era pequena, ia até lá para os ouvir conversar; conversas bonitas, como nunca ouvi neste país.
- E conversavam sobre o quê? – indaguei.
- Ela suspirou e abanou a cabeça.
- Oh, sei lá! Sobre música, sobre a floresta, e sobre Deus, e também sobre quando eram novos. – Virou-se subitamente para mim e olhou-me nos olhos. – Achas que o espírito do meu pai consegue regressar a esses lugares, Jimmy?” (p. 158)
Os anos da adolescência vão passando e com ela surge o despertar para a sexualidade e tudo o que é diferente face ao que é tido como comum ou paradigma é bastante apelativo. Neste caso, os rapazes da aldeia sentiam-se profundamente enfeitiçados com as raparigas estrangeiras que exercitavam o corpo graças às tarefas domésticas, nos campos e com os animais, em oposição às raparigas locais que não tinham de trabalhar para ajudar as famílias.
Os bailes na cidade começam a ser o ponto de encontro dos jovens das imediações e Ántonia desperta paixões graças à sua rara beleza, mas também pela sua personalidade forte, marcante.
Sempre próximos e numa relação sempre imaculada, Jim Burden e Ántonia Shimerda acabaram por nunca concretizar o afecto que nutriam um pelo outro ainda que reconhecessem que tenham tido a melhor das infâncias e a melhor das amizades ao sabor do vento como parte integrante da natureza.
Anos mais tarde, quando se reencontram, e cada um com uma vida diferente, há um dos mais belos diálogos do romance, que denotam a ideia de amor para sempre e que há pessoas que passaram pela nossa vida que nos marcaram e marcarão até ao fim dos tempos. Aqui poderíamos apelar à ideia de homem e mulher ideais, ou até mesmo de um casamento perfeito e que o leitor vê-se a desejar a cada momento que se concretize e depois a questionar por que razão não se concretiza esta união. É como na vida. Acontece quando tem de acontecer e não acontece porque também não sabemos explicar os mistérios insondáveis da vida ou do destino. Talvez seja isso.
“- Sabes, Ántonia, desde que me fui embora que penso mais em ti do que em qualquer outra pessoa daqui. Tenho pena que não tenhas sido minha namorada, ou esposa, ou mesmo mãe ou irmã; qualquer coisa que uma mulher possa ser para um homem. A ideia de ti faz parte da minha mente; influencias as minhas tendências e aversões, todos os meus gostos, centenas de vezes sem que eu me aperceba disso. És realmente uma parte de mim.
Ela virou os seus olhos luminosos e crédulos na minha direção e estes encheram-se lentamente de lágrimas.
- Como é isso possível, quando conheces tanta gente e fui uma desilusão tão grande para ti? Não é maravilhoso, Jim, o quanto as pessoas podem significar umas para as outras? Fico tão contente por nos termos tido um ao outro durante a infância.” (p. 211)
Doces e ternas são as palavras de Willa Cather transpostas pelos seus personagens, numa contínua reflexão sobre a vida e as relações que travamos, seja de amizade ou de amor, ou até mesmo quando ambos se confundem dando a ideia de amor ideal.
“Minha Ántonia” é um romance marcante e é tido como a obra icónica de Willa Cather ainda que tenha sido com “One of Ours” (1922) a obra que lhe valeu o Prémio Pulitzer, em 1923.
Excerto:
a ouvi neste país.
— E conversavam sobre o quê? — indaguei.
— Oh, sei lá! Sobre música, sobre a floresta, e sobre Deus, e também sobre quando eram novos. — Virou-se subitamente para mim e olhou-me nos olhos. — Achas que o espírito do meu pai consegue regressar a esses lugares, Jimmy?"
Tive o bom senso de regressar ao meu eu e de ter descoberto o pequeno círculo que é a experiência de um homem. Para mim e para a Ántonia, aquela fora a estrada do Destino; conduzira-nos a esses pequenos incidentes do acaso que premeditam tudo o que alguma vez poderemos ser. Agora compreendia que a mesma estrada voltaria a juntar-nos. Não obstante o que perdêramos, ambos possuíamos o passado precioso e incomunicável!” (p. 242)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Para os mais pequeninos: "100 Contas" e "100 Palavras"


Não sei qual destes dois livros gosto mais! Aliás, por se complementarem tão bem é que os acho fantásticos para se oferecer em conjunto...

Talvez a ideia não seja original, o facto de possuirem uma caneta para as crianças poderem escrever e apagar, mas gostei mesmo dessa diferença que os torna mais apelativos e mais didáticos também! Os desenhos são bonitos, alegres e ajudam a corroborar nessa missão que é ensinar os mais pequeninos, com alegria!

Ficam algumas fotos:






Cris

"O Lutador de Sumo Que Não Conseguia Engordar" Eric-Emmanuel Schmitt

Todos os livros que li deste autor são praticamente devorados. São pequenos, é certo, mas são profundos e os ensinamentos perduram muito após a sua leitura.

Um rapaz que vive na rua, sobrevivendo de pequenos biscates e vendas de artigos que, como o próprio diz, "teria vergonha de os comprar", encontra um mestre de Sumo que o incentiva a praticar essa modalidade. Peripécias várias depois, há lições de vida que aprende e que, subtilmente, nos são ensinadas também.

Como aprendeu a vencer os outros mas, sobretudo, como aprendeu a superar-se a si mesmo através da força da sua mente. Como aprendeu a aceitar a sua mãe e a sua doença, doença que a tornava tão peculiar. Como aprendeu a gerir as recordações da sua infância e a aceitá-las. Pequenos nadas que fizeram a diferença na sua vida.

Se não conhecem este autor nem a sua obra está na altura de pegarem num livro seu. Qualquer um. A mensagem vai chegar-vos através da simplicidade das suas palavras.

Terminado a 30 de Junho de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
Selvagem e furioso, Jun vagueia com os seus quinze anos pelas ruas de Tóquio, longe de uma família da qual se recusa a falar. O seu encontro com um mestre de sumo que o vê como «gordo» apesar do seu corpo emaciado, envolve-o na prática da mais misteriosa das artes marciais.

Com ele, Jun descobre o desconhecido mundo da força, inteligência e aceitação de si próprio.

Mas como alcançar o zen quando não há nada além de dor e violência? Como tornar-se um lutador de sumo se não se consegue engordar?

Na populosa metrópole japonesa, o ancião Shomintsu guiará o jovem por um caminho iniciático que, misturando infância e espiritualidade, também acompanha o leitor à fonte do budismo.

Do mesmo autor de Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa, neste livro O Lutador de Sumo que Não Conseguia Engordar, Eric-Emmanuel Schimtt, acompanha-nos numa viagem pela cultura budista, sempre de forma simples com humor e humanidade.

Para saber mais sobre este livro, aceda ao site da Editorial Presença aqui.

Cris

quarta-feira, 4 de julho de 2018

"Uma Herança De Amor" de Cristina Campos


Só depois de ter lido opiniões muito positivas sobre este livro é que a minha curiosidade se acendeu. A capa e o título fizeram-me acreditar, erradamente digo-vos já, que seria um chick-lit, um romance levezinho, que não estava com vontade de ler.

As primeiras páginas são duras, pesadas até, e esse facto fez prender a minha atenção num ápice. Marina é uma médica que trabalha para os MSF (Médicos Sem Fronteiras) e tem passado quase toda a sua vida profissional a ajudar onde a fome e as catástrofes têm lugar. Encontra-se na Etiópia, numa região desértica, onde a pobreza, aliada ao clima, faz perigar a vida dos seus habitantes. Juntamente com o seu companheiro, médico também, ajuda a dar à luz uma menina cuja mãe não resiste e morre no parto. A dureza desta situação é aumentada pela descrição de alguns costumes tribais como a infibulação, mutilação dos orgãos genitais das meninas, ainda pequenas.

Mas a acção não decorre somente aqui. Maioritariamente decorre em Maiorca, numa pequena vila denominada Valldemassa. Marina e sua irmã, Maria, herdam uma habitação, um moinho e uma pequena padaria. Não conhecem a sua benemérita. Tal situação é o ponto de partida para um romance onde o mistério e o amor caminham em paralelo. 

Este belíssimo livro consegue fazer-nos visualizar todo o contexto retratado tanto na Etiópia como na pequena vila de Maiorca e até sentir o cheirinho de algumas receitas que a autora incorporou sabiamente nestas páginas. A morte, a perca, a frustação mas também o amor, a cumplicidade e as decisões que a vida nos obriga a tomar, são sentimentos muito bem descritos nestas páginas, que adorei ler. Personagens carismáticos com os quais o leitor sente empatia imediata.

Recomendadíssimo! Para devorar!

Terminado em 30 de Junho de 2018

Estrelas: 6*


Para saber mais sobre este livro, consulte o site da Editorial Presença aqui.

Sinopse
Anna e Marina não se veem há muitos, muitos anos. Inseparáveis durante a infância nas praias ensolaradas de Maiorca, afastaram-se cada vez mais.

Anna, a irmã mais velha, loira e delicada, permaneceu na ilha, presa num casamento infeliz; Marina, a maria-rapaz da família, fez do mundo a sua casa e vive onde a leva o seu trabalho na Médicos sem Fronteiras.

Quando descobrem que herdaram um moinho com uma padaria, as duas irmãs mal podem esperar para se livrar dele e continuar com as suas vidas. Mas, no momento da assinatura do contrato de venda do imóvel, Marina volta atrás. As circunstâncias e motivações por detrás da doação são demasiado misteriosas para serem ignoradas: quem era María Dolores? Que tipo de ligação tinha com elas essa mulher?

Graças à padaria e às antigas receitas familiares, Marina, Anna e a sua filha Anita encontrarão força para perdoar os erros do passado e enfrentar o difícil futuro que as aguarda.

Uma Herança de Amor é um romance sobre a amizade feminina, segredos e coragem, na paisagem encantada de Maiorca.

Cris

terça-feira, 3 de julho de 2018

A convidada escolhe: "A Mulher entre Nós"

"A Mulher entre Nós"  é mais um thriller tão em voga hoje em dia.
Ainda assim gosto de um bom thriller no feminino. E este pareceu-me promissor, como alguns que entretanto me ocorreram como "A rapariga no comboio" e "Ao Fechar a Porta". A mesma leitura fácil, com intriga e suspense que nos deixa expectantes.

Duas personagens femininas dramaticamente ligadas ao mesmo homem. A preterida, perturbada e frequentemente alcoolizada e a atual encantada e subjugada. O ponto de viragem dá-se no final do capítulo 16 e aí sim, desmarcou-se dos demais. Mas... mais à frente voltei a recordar outras leituras, como "Pequenas grandes mentiras" e "A Conspiração da Sra Parrish".

Em suma, não tão original como eu pretendia, mas a trama foi bem engrendrada e conseguida, uma vez que me surpreendeu com algumas personagens a que dei menor atenção e não ficaram pontas soltas, mesmo aquelas que eu não tinha registado. Não deixa de ser um bom livro para levar nas férias. No final, A mulher entre nós não é quem poderíamos pensar. A sinopse e a capa sugestionam e convencem.

Bem, gostei menos do esperava mas mais do que pensava. Confuso? Nem tanto, se o lerem.

Vera Sopa

segunda-feira, 2 de julho de 2018

"Os Távoras" de Maria João Fialho Gouveia

De vez em quando gosto de mudar de registo e ler um romance histórico. Admiro quem, pegando em acontecimentos da História dos homens, traz de novo à vida aqueles que viveram no tempo dos reis com as suas regras tão pouco usuais nos nossos dias no que concerne aos casamentos, aos laços familiares que se misturam e se juntam em moldes considerados hoje quase incestuosos. Admiro quem consegue dar vida a esses personagens da História, inventando diálogos e situações, sem fugir aos acontecimentos verídicos que tiveram lugar.

A protagonista desta história, Teresa, pertencia a uma família nobre, prestigiada e rica. Está-se no tempo de D José I. Teresa era bonita, sedutora e tornou-se amante do rei. Não fosse ele casado, nem tampouco ela, e tudo teria corrido às mil maravilhas. Mas a riqueza e a beleza não eram sinónimos de poder permanente e as intrigas palacianas, sobretudo instigadas por Sebastião José de Carvalho e Melo (para quem não sabe, o Marquês de Pombal) fizeram ruir uma das famílias nobres mais poderosas, os Távoras. Os actos bárbaros que se cometeram e a morte pavorosa a que muitos foram sujeitos, lembra bem como a História teve momentos tágicos e de puro horror.

Este não é um livro de leitura rápida, tão pouco fácil, porque está carregado de particularidades históricas que a autora, para situar o leitor, não pôde descurar. Mas, embora lentamente, o enredo vai-se entranhando em quem lê. Confesso que pouco sabia deste periodo da História que nos envergonha bastante, ou pelo menos, as minhas lembranças já eram bastante longínquas pelo que gostei de relembrar de que forma se conseguiu (quase) dizimar uma família através da intriga e da injustiça. Muitos anos volveriam sem que a justiça tivesse lugar...

Um livro para quem gosta de História, para quem, lendo, gosta de viajar pelo tempo. Recomendo!

Terminado 25 de Junho de 2018

Estrelas: 4*+

Sinopse
Entre a Virtude e o Pecado
Esta é a história da nobre família Távora, aqui contada na voz de Dona Mariana Bernarda e Dona Teresa Tomásia, duas senhoras desta ilustre Casa, que viveram em fausto e glória até o futuro marquês de Pombal tentar apagar a sua semente da face da Terra.
Apesar de unidas pelo sangue e pela vaidade da sua estirpe, as duas fidalgas não podiam ser mais diferentes uma da outra. A primeira era uma mulher religiosa e recta; já a segunda - sua tia e cunhada - entregava-se sem pruridos a uma vida de luxúria, vivendo um romance pecaminoso com El-rei de Portugal.

A altivez e o poder dos grandes Távoras muito incomodavam a Sebastião José de Carvalho e Melo, Secretário de Estado. Tanto que, quando D. José I é vítima de um intrigante atentado, Sebastião José, futuro marquês de Pombal, tratou de os inculpar, prendendo-os em masmorras e conventos, sem poupar mulheres nem crianças. O Tribunal da Inconfidência, a que presidiu, torturou os réus e condenou-os a mortes cruéis. Por fim, baniu-lhes o nome, picou-lhes as armas de família, julgou tê-los calado para sempre. Mas tê-lo-á conseguido?

Cris

domingo, 1 de julho de 2018

Passatempo 8º Aniversário / Alma dos Livros

Eis mais uma surpresa para vocês, seguidores do blogue! Em colaboração coma a editora Alma dos Livros temos para sortear o livro A Biblioteca dos Livros Proibidos.



As regras estão aqui por isso corram e vão lá espreitar!

Para mais informações sobre este livro, clique aqui.

Para mais informações sobre o passatempo, clique aqui.

Os que li em Junho, os que quero ler em Julho

Cada vez mais me espalho ao comprido quando programo as minhas leituras! Mas ler é mesmo assim e isso não me stressa nem um pouco... O que quero fazer mesmo é ler o mais possível

Então este mês foi assim:



Destes livros acabei por ler somente A Carruagem dos Orfãos, que gostei muito, e Os Távoras, cuja opinião sairá amanhã, segunda feira. Os restantes mantêm-se para Julho, embora já haja mais alguns que gostava de ler, sobretudo para participar num desafio que corre por aí e que podem seguir no meu instagram, o #bookbingoleiturasaosol2.

Para além desses dois também li em Junho:

 


 



Os que penso ler também são estes:




Com estes livros as categorias que pretendo "preencher" são:

- "Confia" - livro escrito por uma celebridade (já estou a meio)

- "A Musica da Fome" - livro que tenha sido publicado há mais de 10 anos;

- "Um Cântico de Natal" - livro de um autor que tenha as tuas iniciais (Charles Dickens/ Cristina Delgado);

- "A Longa Noite de Um Povo" - livro não ficção;

- "72 Horas", Livro com um número no título;

- "Beloved", Prémio literário estrangeiro;

- "A Campânula de Vidro" - livro que tenha sido lançado no ano em que nascente;

As outras categorias que faltam ficam para depois...

Cris

sábado, 30 de junho de 2018

Na minha caixa de correio

  
  

Comprados em segunda mão:
Quando o Céu Caiu e A cidade dos Aflitos
Oferecido por uma amiga, Antes de Adormeceres.
Oferta da Editorial Presença:
O Lutador de Sumo Que Não Conseguia Engordar e Beloved
ATENÇÂO!Há passatempos no blogue e estes dois livros estão a ser sorteados também!