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quinta-feira, 25 de abril de 2019

25 de Abril


Quando me pedem que fale sobre essa data e sobre as impressões que essa data me sugere, invariavelmente trago o poema de Sophia de Mello Breyner Andresen e o quadro «A Poesia está na Rua» de Vieira da Silva. São as sínteses perfeitas, em palavras e em imagens , daquilo que vivemos nessa altura.

Era uma jovem de 23 anos, trabalhando num escritório de uma fábrica metalomecânica como tradutora, quando ocorreu o 25 de Abril.

As imagens mais fortes que tenho desses dias têm a ver com a rua, as vozes das pessoas que falavam umas com as outras mesmo não se conhecendo, nos transportes públicos, nos cafés, em qualquer sítio. Era a explosão da liberdade, dos sentidos, da alegria. Era o rio a transbordar.

A música e os poemas ligados às músicas são as marcas mais fortes que tenho. O Sérgio Godinho, o José Mário Branco, as músicas que ouvíamos e cantávamos até à exaustão. Mais tarde os poemas do GAC, canções revolucionárias que nos diziam tanto. Foi um tempo pouco dado à leitura, à literatura, era difícil estar muito tempo sentada a ler.

Mas lembro-me que houve um tempo em que devorei os três volumes de "Os Subterrâneos da Liberdade" de Jorge Amado. As viagens de comboio ajudavam a encontrar o tempo para a leitura e para apreender a vivência dura da militância em tempos de ditadura.

Foi um tempo memorável. Foi uma felicidade única poder viver esse tempo.

Viva o 25 de Abril.

Almerinda Bento
25 de Abril de 2019

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