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domingo, 22 de setembro de 2019

Ao Domingo com... Ana Pinto


Sempre estive ligada ao voluntariado e principalmente com crianças. Sou licenciada em Ciências da Comunicação e como tal, a criação de conteúdo foi sempre uma grande paixão. Num momento de maior reflexão pessoal, define que a intenção que iria guiar a minha vida seria ser a diferença que quero ver no mundo.

Porém, não queria apenas brincar e contar-lhes histórias. Queria dar-lhes a possibilidade de poderem contar a sua história. Afinal, quem melhor do que uma criança para escrever histórias infantis? Ela sente, vê e pensa como só uma criança sabe. Para além disso seria criado também um momento de partilha de aprendizagens e valores importante para o desenvolvimento deles e, em última instância, poderia ajuda-los a ultrapassar uma momento desafiante e inspirar outras crianças na mesma situação.

Foi uma experiência muito enriquecedora e 'desafiantemente' mágica.

Havia vários factores influentes, tais como a dimensão do grupo, idade e género. Havia sempre uma timidez e insegurança inicial. Era fundamental da minha parte quebrar o gelo, acolher cada um individualmente e incentivar à partilha sem medo, pois afinal ninguém estava ali para ser avaliado. Depois de definido o tema em grupo, as ideias fluíam e por vezes até era dificil conseguir acompanhar tantas ideias.

Foi curioso ver que sempre que existia um grupo misto (rapazes e raparigas) a participação e imaginação era muito maior. Houve um dia em que tive apenas um grupo de raparigas que teve uma enorme dificuldade em desligar-se das histórias já existentes. Acabavam por contar histórias de princesas que já conheciam e mostraram uma enorme dificuldade em ir para além disso. Os rapazes eram muito mais destemidos, sem medo de julgamentos.

Esta foi uma experiência que me marcou porque diz muito acerca da educação e padrões que ainda persistem na educação das nossas crianças.

A introdução dos valores foi um trabalho feito por mim ao longo do processo da criação para garantir que houvesse essa parte pedagógica, não só para as histórias finais como também para cada atividade em grupo.

Não foi algo forçado mas sim uma sugestão que os incentivou a reflectir e dar outro rumo à história que estavam a criar. Por exemplo, uma situação que seria resolvida com violência, acabou com um perdão.

Acredito que o envolvimento das crianças neste projeto possa ter contribuído para o seu bem estar. Porque criou uma atividade em grupo que assim permitiu eles se conhecerem, falarem, brincarem e criarem amizades. Esses laços foram para além da criação das histórias. As salas, os corredores e os quartos ficaram mais recheados de amizade, união, imaginação e alegria.

Para mim, este livro é muito mais do que uma compilação de histórias. É uma prova daquilo que as crianças são capazes de fazer quando criamos condições para tal. É a prova do que em conjunto podemos fazer quando unidos pela mesma causa (campanha crowdfunding) e a prova de que afinal uma pessoa apenas pode fazer a diferença.

É uma prova de amor e esperança. Assim seja!

Ana Pinto
(Organizadora de"As Histórias do Joãozinho")

2 comentários:

  1. Já tinha lido sobre este livro, o Crowdfunding e a forma como foi elaborado. E, se não estou em erro, o produto da venda reverte para uma instituição. Muito mérito neste projecto.

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