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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Experiências na Cozinha: "Desafio - Vegan em 15 Dias"


Hoje trazemo-vos um prato que para além de muito vistoso é muito saboroso! A abóbora deve ser consumida preferencialmente no outono e no inverno e, segundo a alimentação macrobiótica, ajuda a reduzir a vontade de comer doces porque ela própria é um legume doce!

Podemos ambas comprovar isso!

Esta abóbora, sendo biológica, pode ser comida na sua totalidade porque a sua casca é bastante fina.

Experimentem porque não se vão arrepender...







Palmira e Cris

Novidades Saída de Emergência

Uma Vida Adiada

de Dita Krauss

Nascida em Praga em 1929 no seio de uma família judaica, Dita Kraus viveu durante um dos períodos mais turbulentos do século xx. Neste livro ela relata com impressionante clareza os horrores e as alegrias de uma vida adiada pelo Holocausto: das suas primeiras memórias e amigos de infância em Praga antes da guerra, à ocupação nazi que a enviou a ela e à sua família para o gueto judaico de Terezín, ao medo inimaginável da sua detenção em Auschwitz e Bergen-Belsen, e à vida depois da libertação. Dita escreve com rigor sobre as difíceis condições dos campos, sobre o seu papel como guardiã da mais pequena biblioteca do mundo e sobre o papel fundamental que os livros tiveram como escape da realidade. E vai além do Holocausto, apresentando a vida que reconstruiu depois da guerra: o seu casamento com o sobrevivente Otto B. Kraus, a nova vida em Israel e a maternidade.

Esta é a verdadeira história da bibliotecária de Auschwitz contada pela sua protagonista.


Uma Viagem Difícil

de Jenni Hendriks e Ted Caplan

Veronica tem 17 anos e é uma aluna excelente com um futuro promissor… até ter nas suas mãos um teste de gravidez com duas linhas cor‑de‑rosa. Com todos os seus planos a desmoronarem, equaciona algo impensável: fazer um aborto. Mas há um problema: a clínica mais próxima fica a 1500 quilómetros e Veronica não tem carro. Desesperada, recorre à única pessoa que sabe que não a vai julgar: Bailey Butler, a rebelde da escola e a sua ex‑melhor amiga. O plano é simples: catorze horas de viagem até à clínica, três horas para a intervenção e catorze horas de regresso. O que poderá correr mal? Tudo, se pensarmos em três dias de carros roubados, caçadeiras e ex‑namorados histéricos. Pior: a dor de uma amizade desfeita está demasiado presente e quando uma discussão leva a um brutal momento de verdade entre elas, Bailey abandona Veronica.

E então a jovem terá de arriscar tudo — a sua hipótese de fazer o aborto, as suas esperanças e sonhos para o futuro — para reparar a dor que causou. É que ela já percebeu que o caminho para a vida adulta é duro… mas bem mais fácil quando se tem uma amiga ao lado.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

"Terra Alta" de Javier Cercas

Já há muito que não lia um policial. Um policial tão bom. Este autor espanhol é sobejamente conhecido no país vizinho pela quantidade de prémios que ganhou, mas ainda não tinha lido nada dele muito embora tenha nas estantes três dos seus livros. Estava a perder, sem dúvida!

 Creio que o que capta a atenção do leitor não é o crime (horripilante!) que é cometido e descrito ao pormenor logo nas primeiras páginas (como convém!) mas a natureza e personalidade do investigador principal, Melchor. E não, não é gordo, nem bêbado, nem tarado por mulheres e (pasmem!) tem uma inteligência normal como os comuns mortais. Traumas? Sim, claro. Quem os não tem? Mas tem um carisma muito próprio, marcado tanto pela vida passada repleta de "incidentes que povoaram a sua infãncia pobre como pela forma como conseguiu lidar com eles. Santo? Não, de todo. 

E depois tem um amor pelos livros que me encantou. Romances. "Os Miseráveis", sobretudo, mas também outros que anotei para depois pesquisar (não li nenhum!). Identifica-se com um dos personagens desta obra, Jean Valjean, e lê o livro várias vezes ao longo da sua curta vida. Porque Melchor, embora já tivesse vivido muito, é bastante novo. Este destaque dado à personagem principal é o motor desta obra e foi com verdadeira mestria que o autor desenvolveu as suas características psicológicas. A luta que trava no seu interior entre a justiça e a vingança, o amor e o ódio tocam o leitor e aproximam-no dele. Bingo!

Deixo-vos uma frase, que retirei desta obra, que me fez pensar de tão verdadeira que é: "Odiar alguém é como beber um copo de veneno achando que assim vamos matar quem odiamos". Forte, cru mas autêntico. Uma pérola. 

Recomendo muitíssimo e espero, como disse no meu Instagram, que a "vida" de Melchor não acabe aqui...

Terminado em 8 de novembro de 2020

Estrelas: 6*

Sinopse

Um crime terrível abala a pacata comarca da Terra Alta: os donos da sua maior empresa, as Gráficas Adell, aparecem mortos, barbaramente assassinados. Quem toma conta do caso é Melchor Marín, jovem polícia e leitor voraz que chegou de Barcelona quatro anos antes. Sobre os ombros carrega um passado obscuro que o converteu numa lenda junto das forças policiais, mas que ele acredita ter enterrado sob uma vida feliz como marido da bibliotecária da povoação e pai de uma menina chamada Cosette, tal como a filha de Jean Valjean, o protagonista d'Os Miseráveis, o seu livro preferido. Com uma narrativa intensa e repleta de personagens memoráveis, este romance é uma reflexão lúcida sobre o valor da lei, a possibilidade de se fazer justiça e a legitimidade da vingança. Mas, mais do que tudo, é a epopeia de um homem em busca do seu lugar no mundo.

Cris

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

"Encontrar o Amor em Auschwitz" de Francesca Paci

Não costumo ler dois livros sobre o Holocausto de seguida. O tema não se propicia a isso.   Mas este chamou a minha atenção porque a palavra Amor não se coaduna com Auschwitz. Bastou depois que uma "bolacha" na capa do livro referisse que se tratava de uma história real para me decidir a lê-lo logo após uma leitura sobre o mesmo tema...

A escrita é muito direta, apresentando vários factos, jornalística até, ou não tivesse sido a autora em tempos jornalista. Ainda pensei que poderia tornar-se lenta e maçuda, mas felizmente estava enganada. Francesca Paci soube recolher informação, oral e escrita, sobre os dois personagens principais e dar-nos a conhecer as suas histórias de vida e o amor nascido num campo de horror, sem especular, colocando, quando necessário, as hipóteses possíveis. Porque, passados anos e com a morte de muitos sobreviventes, existem algumas discrepâncias nos relatos. 

Esta é uma história esquecida que merecia mais relevo. É a história de uma judia, Mala Zimetbaum, e um preso político polaco, Edeck Galiński. Ambos lutaram para sobreviver e embora tivessem lugares privilegiados dentro do campo, sobretudo devido às suas competências intelectuais, usaram esse poder também para salvar várias vidas. Muitas! Ficaram os testemunhos já que nenhum dos dois sobreviveu. 

Nesse lugar de horrores Mala e Edeck descobriram o seu amor um pelo outro. Pelas pessoas que salvaram mereciam ter um lugar de destaque na memória de todos. Por vários motivos isso não aconteceu. Francesca Paci está de parabéns porque soube muito bem relembrar esta historia verídica, relatando testemunhos mas sem cair numa descrição sistemática e sem interesse.

Gostei muito pela forma como foi narrada e também por conhecer a história de dois heróis desconhecidos, como tantos outros que nunca vieram à luz do dia e ficaram para sempre nas trevas de Auschwitz. Fiquei curiosa em ler um dos livros de Primo Levi, Os Que Sucumbem Os Que Se Salvam, para conhecer a referência que ele faz a Mala Zimetbaum. 

Seis estrelas, sem dúvida!

Terminado em 1 de Jovembro de 2020

Estrelas: 6*

Sinopse

O relato dramático e comovente da união de Mala e Edek

Uma história de coragem e de esperança

A história real, mas injustamente esquecida, de um prisioneiro polaco e de uma judia que se apaixonaram no campo de extermínio de Auschwitz é aqui reconstruída pela jornalista Francesca Paci, tendo por base os arquivos do Museu de Auschwitz, bem como documentos da época e relatos das já poucas testemunhas deste amor. 

Mala Zimetbaum é carismática, culta e altruísta, dando provas disso ao ajudar as suas companheiras de infortúnio. Edek Galinski é um indivíduo extraordinário: um dos primeiros deportados para Auschwitz-Birkenau, preso menos de dois meses após a abertura do campo de concentração, vê a máquina de genocídio nascer e crescer, mas nunca se deixa vergar. 

Um dia, os seus caminhos cruzam-se no campo e o amor nasce, assim como a esperança de uma vida em comum. É então que, a 24 de Junho de 1944, Mala e Edek conseguem fugir ao inferno e viver alguns dias de preciosa liberdade. 

Este relato de um conto de fadas, «sem final feliz, como às vezes acontece com os verdadeiros contos de fadas», dá a conhecer uma comovente história inexplicavelmente perdida no tempo. 

Cris

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

A Convidada escolhe: "O Dia dos Prodígios"

O Dia dos Prodígios, Lídia Jorge, 1980

Já li vários livros de Lídia Jorge mas, embora tivesse adquirido “O Dia dos Prodígios” em 1984 (!), estranhamente ainda não tinha lido este seu primeiro livro. O facto de ter sido este ano nomeado várias vezes, por comemorar 40 anos da sua primeira edição e por ter lido no prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins a “Os Memoráveis” “Lídia Jorge tem, por outro lado, razão quando coloca Os Memoráveis ao lado do seu primeiro romance – O Dia dos Prodígios – tendo a sensação correta de o estar a atualizar”, levou-me a decidir ler “O Dia dos Prodígios” logo a seguir a “Os Memoráveis”.

Não posso deixar de dizer que me causou alguma estranheza, mal iniciei a leitura. Nem foi fácil entrar no espírito da narrativa. A utilização da pontuação muito sincopada com pontos finais constante no meio de frases cuja utilização não corresponde ao que é habitual e gramaticalmente correcto, os diálogos encadeados das personagens pondo o/a leitor/a como testemunha no meio daquelas conversas sobrepostas num registo de oralidade pura, a linguagem que faz sobressair o vocabulário da região algarvia, tudo isso foram traços da escrita que não identificava com a obra de Lídia Jorge já lida. 

“O Dia dos Prodígios” decorre em Vilamaninhos, uma aldeia fechada sobre si mesma, atrasada, rural, cujos habitantes mais não têm para além do seu próprio mundo que o mundo dos vizinhos. O progresso para eles está lá longe, em Lisboa. Para além da camioneta da empresa EVA que os leva a Faro, pouco usada porque os deixava amarelos e enjoados preferindo as deslocações em mulas, a telefonia que um dia José Pássaro Volante trouxe para casa são os raros sinais de alguma abertura ao mundo exterior. 

E quem são as personagens deste romance? José Jorge Júnior e a mulher Esperancinha são os primeiros habitantes de Vilamaninhos. Já são velhos e estão sozinhos. Dos doze filhos, para além do que morreu, todos partiram para terras distantes. 

Carminha, filha de pai incógnito, embora todos soubessem que era filha do padre, sonha que um dia irá casar com um forasteiro, vive com a mãe, longe da maledicência e da coscuvilhice dos vizinhos que espiam os movimentos das duas. 

Jesuína Palha é a coscuviheira-mor, alvoroça toda a aldeia com a ficção da cobra que depois de morta cria asas e voa e que é preciso que se descubra onde se escondeu.

José Pássaro Volante e Branca são talvez as personagens mais perturbadoras. Branca teve a noção clara de que aquele homem com quem iria casar lhe iria dar má vida, tal como dava às mulas e às bestas. A brutalidade da relação para quem a mulher e os animais são seres que Pássaro Volante quer amestrar, amesquinhar, domar, quer através da vara, dos estalos, dos pontapés, ou através de uma colcha onde Branca borda um dragão alado com escamas feitas de missangas. A colcha era a prisão de Branca; aquilo de que não era capaz de se libertar. Como dizia o cantoneiro, o único homem que sabia ser amável para com ela, “Ninguém se liberta se não quiser libertar-se.”

Manuel Gertrudes e Macário são outras das personagens que quero nomear. O primeiro, sempre a recordar a sua experiência na guerra de 14-18 e Macário, uma personagem estranha, talvez bipolar, que fala em verso e que tem uma paixão não escondida por Carminha. 

Até que um dia, aqueles homens e mulheres ouvem a notícia de que houve uma revolução sem sangue em Lisboa. E com ela a esperança da mudança, da chegada da electricidade, da água canalizada, do saneamento a todo o país e também a Vilamaninhos. De concreto, um dia a chegada de “um carro celestial” nas palavras de Jesuína Palha carregado de soldados, daqueles que se dizia iriam correr o país de norte a sul para ouvir as queixas das pessoas. Só que falaram e mal ouviram os problemas dos Vilamaninhenses, logo de partida para outras terras. No ar, a dúvida, a dificuldade de acreditar na mudança. 

“O Dia dos Prodígios” é, quanto a mim o retrato de um Portugal esquecido, analfabeto, um Portugal que o 25 de Abril encontrou e que quis libertar. 

Outubro 2020 

Almerinda Bento








quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Experiências na Cozinha: "Cozinha das Emoções"


Descobri a beterraba há pouco tempo. Já me tinha sido apresentada mas, vá-se lá saber porquê, não tinha sinpatizado com a sua cara... e ela tem tantas propriedades que vale a pena experimentarem porque é bem provável que passem a ser seus fãs! Costumamos comê-la cozida, cortada em cubos e temperada com azeite, vinagre, alho picado e muitos coentros. Uma maravilha!

Esta forma que trazemos aqui é diferente mas igualmente maravilhosa, com um sabor "tãooo" bom!

Este livro é um verdadeiro tratado sobre a cozinha macrobiótica que privilegia os alimentos de cada estação, Onde aprendemos a escolher o que comemos e quais os principios básicos da cozinha macrobiotica.

Comer local e sazonal e sempre que possível biológico.





Palmira e Cris

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Resultado do Passatempo "Toca a comentar!" - Mês de Outubro

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Setembro.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionado uma vencedora! Foi ela:

Alexandra Guimarães

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 10, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros:


Edição de bolso


Cris

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

"A Bailarina de Auschwitz" de Edith Eger

Confesso que gosto mais do título e da capa da edição original. The Choice. Parece-me a escolha acertada para o que, suponho eu, a autora pretendeu com este livro, que traduz muito bem o que foi a sua vida. Edith Egar esteve em Auschwitz, sim, e sobreviveu mas A Bailarina de Auschwitz parece ser, no meu entender, muito redutor. 

Porque, se as primeiras 80 páginas contam a sua infância e os anos que passou em Auschwitz (Birknau, para ser mais exacta), o resto desta obra é sobre a sua vida depois de ser libertada. E, tudo o que eu possa contar ficará muito, mas muito, aquém do que vocês ficarão a saber se tiverem curiosidade e pegarem neste livro. 

Foi uma vida inteira a tentar ultrapassar as sequelas psicológicas que a guerra lhe deixou. Mas, ultrapassou-as quando percebeu que ajudando os outros a ultrapassar os traumas, ajudava-se a si mesma. Formou-se já depois de casada e encontrou na Psicologia espaço para se libertar do seu passado e ajudar quem precisava. 

É um livro muito duro que não se cinge ao tempo que foi prisioneira  nos campos de concentração. É uma lição de coragem, de superação e de resiliência. De referir que Edith teve oportunidade de conhecer Viktor Frankl, autor de O Homem em Busca de um Sentido (livro que já li e podem ver a minha opinião aqui). A sua amizade foi decisiva para entender o que se passava na sua mente e qual a razão dos seus ataques de pânico. Nesta altura ainda não se falava em stress pós traumático nem se tinham conhecimentos suficientes para entender que as experiências vividas seriam somatizadas em doenças físicas.

Como habitual não vos vou contar a história da vida de Edith Eger neste pequeno comentário. Digo-vos apenas que este é um livro impressionante, um dos melhores que já li sobre esta temática. A força e resiliência desta senhora é, de facto, uma coisa do outro mundo. Mais do que isso, a sua vida é exemplo de uma vontade de ferro que a levou a superar todos os dissabores que a vida lhe trouxe. Não foi só nos campos de extremínio que teve de lutar para viver. 

Um testemunho na primeira pessoa que devem ler e conhecer. 

Terminado em 29 de Outubro de 2020

Estrelas: 6*

Sinopse

Um livro poderoso e comovente que nos leva numa viagem universal de redenção e cura.

Edith Eger tinha 16 anos quando foi enviada para Auschwitz. Naquele campo de concentração suportou experiências inimagináveis, incluindo ser forçada a dançar para o infame Joseph Mengele. Durante os meses seguintes, a resiliência da jovem ajudou muitos a sobreviver. Quando o campo foi finalmente libertado pelas tropas americanas, Edith foi retirada de uma pilha de corpos moribundos.

Em A Bailarina de Auschwitz, Edith Eger partilha a sua experiência do Holocausto e as histórias extraordinárias das pessoas que ajudou desde essa altura. Atualmente, ela é uma psicóloga reconhecida internacionalmente e os seus pacientes incluem mulheres vítimas de abusos e soldados com síndrome de stresse pós-traumático. Edith Eger explica como a mente de muitos de nós se tornou numa prisão e mostra como a liberdade é possível quando nos confrontamos com o nosso sofrimento.

A Bailarina de Auschwitz é um livro transformador, um exame profundo do espírito humano e da nossa capacidade de cura.

Cris

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

"Dias de Outono" de José Rodrigues

Capa bonita, sóbria. Título sugestivo, condizente. Autor português que não conhecia. Amigas que gostaram desta leitura. Que mais precisava eu para pegar neste livro?

Parti com as expectativas altas. Gostei da escrita simples, directa, sem grandes floreados. Gostei da história, contada por um narrador, de conhecer o seu ponto de vista sobre aspectos familiares em convulsão, ausências parentais, remorsos de uma vida dedicada ao trabalho em detrimento de horas passadas com os filhos. Apenas achei que se notou, no início da leitura, uma visão dicotómica das personagens que formam o casal: um é "bom", mostra-se arrependido; o outro é "mau", não quer saber... Se bem que nos é mostrado apenas um dos lados.

Até meio da leitura, embora estando a gostar, pensei que o ritmo não se alteraria o que poderia fazer com que este romance fosse morno. Mas não. Uma reviravolta, daquelas que a vida nos oferece sem querermos, faz mudar o rumo do que o leitor prevê e isso é bom.

Um aspecto que achei brilhante foi o acompanhamento através de fotografias, em cada início dos capítulos, de pequenos apontamentos que, uns mais do que outros, tornam perceptível ao leitor, do que o capítulo seguinte poderá trazer. Captar as palavras através das imagens. Muito bom. Parabéns Sara Augusto, por isto que referi e pela capa lindíssima! 

Terminado em 25 de Outubro de 2020

Estrelas: 4*+

Sinopse

«O sentimento de felicidade pode dar medo. Medo de que, de repente, tudo se desmorone. Que o coração gele, depois de aquecer. Que a pele esfrie, depois de recolher os melhores pedaços do Sol.»

Os dias de Miguel são divididos entre a intensa atividade profissional e o apoio a Teresa, a sua tia, institucionalizada com uma doença irreversível. Na família encontra o conforto dos seus dias agitados, com Catarina e os filhos André e Tiago. As alterações recentes na administração do banco onde trabalha, a degradação do casamento e os problemas vividos pelo filho adolescente levam Miguel a questionar as opções de vida. Ao mesmo tempo, retoma as memórias mais antigas, incluindo a sua vila no interior e a casa onde nasceu e viveu, criado por Teresa, num ambiente de permanente felicidade. Quando o mundo de Miguel parece desabar, passado e presente unem-se numa longa jornada de salvação e de mudança de prioridades, onde o amor se transforma no principal caminho para a reconstrução da felicidade, mesmo quando a perda e a saudade pareciam não querer dar tréguas…

Cris

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Para os Mais Pequeninos: O Regresso de Telma, o Unicórnio


A Telma já é nossa conhecida. um pequeno pónei que queria muito ser um unicórnio, de tal forma que o conseguiu. Mas será que ficou contente? Essa é a história do primeiro livro de Telma, que podem ver comentada aqui, e que é o ponto de partida da história que se segue!

Neste, Telma, o pónei, está um pouco triste porque vê que os fãs da Telma, o unicórnio, queriam muito que ela voltasse. E Telma não sabe o que fazer! Será que deveria fazer de conta, outra vez, e transformar-se num unicórnio? E, mais uma vez, pediu ajuda ao seu amigo Óscar... porque ela tinha medo daquela gente maldosa que só sabe dizer mal e que tem inveja das pessoas que são felizes!

O que vai Telma decidir?  O que lhe aconselha Óscar? Será que vai transformar-se de novo naquele unicórnio cheio de brilho e luz que fazia as delícias de todos?

Luz, cor e brilho, um livro que conta o regresso de Telma. Por detrás, a mensagem: devemos ignorar quem não nos quer bem e tem inveja de nós. Eles não merecem o nosso sofrimento! E qual é o mal de sonharmos, afinal?






Cris

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Experiências na Cozinha: Cozinha Vegetariana Rápida e Prática


Trazemo-vos hoje uma comidinha que já não será tão apropriada para este tempo frio e chuvoso mas, mesmo assim, quisemos experimentar porque tem um ingrediente não muito usual no nosso prato: os tremoços. Claro que todos os comemos mas não é frequente comer sem ser ao natural...

Os wraps de guacamole e tremoços fizeram sucesso!  Basta descascar 1 1/2 chávena de tremoços e juntar com 1 abacate, 1 dente de alho, coentros, azeite, manjericão ou salsa. Triturar tudo e juntar agua se necessário. Colocar numa taça. Juntar uma cebola e um tomate previamente picados e temperar.

Depois é só rechear os wraps e colocar também palitos cortados finamente de pepino, cenoura, curgete ou algo mais que se lembrem... Vejam que bonitos (e bons!) ficaram! São óptimos para levar na marmita!





Palmira e Cris

terça-feira, 27 de outubro de 2020

"Consentimento" de Vanessa Springora

Estou literalmente sem palavras após esta leitura! E, no entanto, a minha cabeça está repleta, num turbilhão de ideias e interrogações! Esta leitura foi, sem dúvida alguma, uma das que mais me impressionou. De todo o sempre. Não me vou esquecer deste livro e de como me senti revoltada com as páginas e páginas de uma violência que não sei qualificar nem quantificar. E, sobretudo, da impunidade com que um indivíduo que considero um violador reiterado gozou a vida inteira. 

Não sei se estão a par do conteúdo desta história! Era bom que se tratasse apenas de ficção e mesmo assim seria de uma dureza imensa! Quero dar os parabéns à autora pela coragem que precisou ter para colocar no papel a sua história, a sua vida. Nua e crua.

V. apaixona-se por G.! Isso não seria de espantar mas V. tem apenas 13 anos e G. é trinta e seis anos mais velho. Que mais há para dizer? Que G. utilizou a sua experiência para a conquistar de modo a que ela se entregasse de livre vontade? Não sei se, legalmente, o podemos chamar de violador visto que há o chamado consentimento da menor mas  podemos chamar, entre outras coisas!, de abusador sexual. 

Como é possível que um homem assim tivesse passado impune à Justiça durante a sua vida toda? Um escritor, com toda uma obra cujo foco é precisamente as (suas) relações sexuais com menores de dezasseis anos.  

V. demora muito até descobrir o verdadeiro carácter de G. Demora muito tempo a aceitar-se como vítima. Afinal, como refere, como "admitir que fomos abusados quando não podemos negar que consentimos?" Demorará muitos mais anos a conseguir afastar-se das garras de V. 

Uma das coisas que mais me chocou foi a aceitação/colaboração da parte dos adultos que a rodeavam! Que amor lhe tinham? 

Um livro duríssimo que deve ser lido. Continuo sem palavras e com a cabeça num turbilhão!

Terminado em 23 de Outubro de 2020

Estrelas: 6*

Sinopse

O livro-testemunho que incendiou a sociedade francesa. Uma história de amor e perversão, de vítimas e predadores. Paris, meados da década de 80: a jovem V. procura nas páginas dos livros algo que preencha o vazio de afecto deixado pelo divórcio dos pais. Com treze anos, num jantar, conhece G., escritor, figura da elite intelectual parisiense, semblante de monge budista e «olhos de um azul sobrenatural». Desconhece a reputação sulfurosa de que o escritor de cinquenta anos goza e desde o primeiro olhar é conquistada pelo magnetismo daquele homem, pelos olhares que lhe dedica. Depois de um meticuloso cortejo de algumas semanas, V.entrega-se a G. de corpo e alma.

Cris

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

"A Corrente" de Adrian McKinty

Já tinha ouvido falar neste thriller e andava muito curiosa, esperando arranjar tempo para o ler. Quando chegou a sua vez, fiquei um pouco desconsertada com a sua premissa! A ideia de uma corrente que se estabelece para perpetuar uma série de raptos, onde os raptores por terem um familiar raptado, tornam-se, eles próprios, raptores, era demasiado horripilante para ser verdade! É pois uma história bem macabra mas não posso deixar de felicitar o autor pela originalidade da sua ideia, que aliás, foi retirada de uma série de raptos por troca que tiveram lugar no México e na ideia de cartas enviadas que têm por base uma corrente, uma cadeia de pedidos.

Mas, mesmo assim, comecei a ler e ... fiquei presa nesta malha humana de pais aflitos, que se recriminam por não se considerarem bons pais (que pai não se culparia se acontecesse algo semelhante ao seu filho?) mas que tudo fazem para salvarem as suas crias! Tudo é tudo mesmo! E isso deixa-nos a pensar... 

Viciante, perturbador, este livro é electrizante. Quem está por detrás desta corrente do mal que obriga os pais, para que os seus filhos regressem sãos e salvos, a agir de forma a ficarem presos nas suas malhas? Que farias se, para teres o teu filho de volta, tivesses de raptar alguém e obrigasses a que esses pais, por sua vez, raptassem o filho de outrem, porque só assim terias a tua cria de volta? Que motivação teria alguém para criar esta corrente, perguntam-se vocês?  Para além desta corrente que torna os pais/vítimas em pais/agressores está como pano de fundo o resgate que todos têm de pagar...

Às vezes é preciso ler um livro assim!

Terminado em 21 de Outubro de 2020

Estrelas: 5*

Sinopse

A manhã começa normalmente. Rachel Klein deixa a filha, Kylie, na paragem de autocarro e segue a sua rotina diária. Mas um telefonema a partir de um número desconhecido para o seu telemóvel muda tudo. Do outro lado da linha, está uma mulher a avisá-la de que tem Kylie em seu poder, no banco de trás do seu carro, e que Rachel só voltará a ver a filha se pagar um resgate... e raptar outra criança. A mulher diz -lhe que é mãe de um rapazinho que foi também raptado e que, se Rachel não fizer exatamente o que ela lhe diz, o menino morrerá e Kylie também. Rachel faz agora parte da Corrente, um esquema aterrorizador que transforma os pais das vítimas em criminosos - e que, ao mesmo tempo, deixa alguém muito rico. Rachel é uma mulher comum mas , nos dias que se seguem, vai ultrapassar limites até aí inimagináveis. Terá de fazer escolhas morais impossíveis e praticar coisas terríveis. A Corrente é implacável e totalmente anónima. As suas regras são simples: entregar o dinheiro exigido, encontrar uma vítima e, a seguir, cometer um ato abominável que nunca passaria pela mente de uma pessoa comum. Os cérebros por trás da Corrente sabem que os pais farão qualquer coisa pelos seus filhos. Mas o que eles não sabem é que podem finalmente deparar -se com alguém à sua altura. Rachel é inteligente, determinada e uma sobrevivente. Será ela a pessoa capaz de quebrar A CORRENTE?

Cris

domingo, 25 de outubro de 2020

Ao Domingo com... Iris Bravo


Ser médica e trabalhar em Infertilidade é muito bom. Já o faço exclusivamente há dez anos e continuo a deleitar-me com a sensação maravilhosa de fazer uma ecografia, espreitar para dentro do útero da paciente que teve um teste de gravidez positivo e encontrar o tão desejado embrião. Um pequeno ser com um coração minúsculo a bater, que aparece como um ponto preto e branco a piscar no ecrã.
Durante alguns segundos, os estritamente necessários para confirmar que está tudo bem antes de o anunciar ao casal, estamos só os dois, eu e aquele embrião tão especial. Sou a única que sei que ele está ali, uma nova vida, a crescer e a prosperar. Uma vida para a qual eu também contribuí, ao longo de consultas e ecografias, ao retirar óvulos e quando o coloquei dentro daquele útero. Saber que aquele embrião também é um bocadinho meu, faz-me regozijar, sentir-me orgulhosa e muito grata pela minha profissão.

Como o casal está sempre ansioso por saber notícias boas e não os quero fazer sofrer, sou muito rápida a dar-lhes os parabéns e a virar o ecrã na sua direção, para que eles também apreciem toda a extraordinária beleza que existe na forma de feijãozinho de um embrião com dez milímetros.

É nesse momento que eles se libertam e se descompõem, um descompor bom, de alívio, abraços e felicidade, com risos e lágrimas que nos contagiam. É um momento muito emocionante e que calculo que nunca vá perder a magia.

Lembro-me perfeitamente da reação do meu primeiro diretor, na altura com mais de quarenta anos de carreira em procriação medicamente assistida, quando estava ao meu lado no momento em que se ouviam as batidas rápidas de um coração, de olhos brilhantes e um sorriso rasgado na direção dos futuros pais.

- Ena! Que espetáculo! Este vosso embrião quer apanhar o comboio!

Se o meu diretor se emocionava assim ao fim de quarenta anos, eu também tenho o direito de me sentir de coração cheio e ficar com os olhos húmidos ao fim de dez...

Trabalhar em Infertilidade também é mau. Porque apesar de conseguirmos ajudar muitas mulheres e muitos casais, não conseguimos ajudar todos, nem o iremos conseguir num futuro próximo. E isso é extremamente frustrante.

Custa muito acompanhar um casal, ao longo de vários anos e dos três tratamentos de fertilização in vitro a que têm direito no sistema nacional de saúde, e depois do último teste de gravidez negativo, dizer-lhes que a sua luta connosco chegou ao fim.

É injusto que as outras tenham engravidado e aquela mulher não, que também fez as mesmas inúmeras injeções, ecografias, anestesias, cirurgias, análises ao sangue e outros procedimentos que considerámos necessários, que lhe propusemos e ela aceitou, cheia de esperança e confiança em nós.

Chegámos ao fim da linha, mas ela continua ali à minha frente, a querer um bebé para dar colo exatamente como no dia da primeira consulta, só que eu não tenho mais nada para lhe oferecer.

Foi a pensar que gostaria de fazer algo mais por estas mulheres que comecei a escrever A Terceira Índia. Fiz do insucesso o ponto de partida e tentei que a Sofia fosse uma heroína que as representasse. Uma espécie de homenagem a todas as pacientes a quem dei alta, pela sua coragem numa batalha em que não conseguiram o tão desejada prémio, depois de uma luta que é dura, na maioria das vezes anónima e sobre a qual as pessoas não envolvidas pouco sabem.

“A Verdade é que me doía. ” A Terceira Índia começa com o sofrimento da Sofia e a sua luta por uma gravidez, algo natural e simples de alcançar para a maioria das mulheres, mas não para si. Como muitas das minhas doentes, ela deseja intensamente ter uma família e está disposta a tudo para a conseguir, mas a sua quinta Fertilização in Vitro é cancelada porque o seu ovário não respondeu, uma situação em que se deve assumir que o melhor é desistir.

Ela tinha um casamento de sonho, que se desgastou com a sua infertilidade, um aborto e múltiplos tratamentos que não resultaram. Estes revezes transformam-na numa mulher obcecada em engravidar, que acabou por se afastar do marido, não só pela sua atitude melancólica, mas também porque ele não aceita que façam tratamentos com óvulos de outra mulher e ela não o perdoa por isso.

Depois de descobrir que o marido a traiu, a história ganhou asas e vida própria. Talvez para redimir a “minha” Medicina que ainda não tem resposta para tudo, imaginei que todas essas tragédias precisavam de acontecer, porque de outra forma ela continuaria a sua vida quase perfeita e não alteraria a sua trajetória, e ela estava destinada a ir para outros lugares, conhecer outras pessoas e realizar ações que não aconteceriam se tivesse engravidado.

Rendi-me ao sincrodestino, essa ideia romântica de que os destinos dos seres humanos estão todos ligados e a acontecer ao mesmo tempo. Num determinado momento e com determinados personagens pode parecer que está tudo a correr mal, mas é apenas porque vemos um pedaço que faz parte de um plano maior, só visível à posteriori e quando todos os intervenientes se tiverem cruzado, para que um bem maior seja alcançado.

Se por um lado procurei chamar à atenção para o sofrimento das mulheres com infertilidade, uma causa muito querida para mim, por outro, de uma forma um pouco egoísta, também perdoei as limitações da Procriação Medicamente Assistida, que na minha história, acabaram por contribuir para que o mundo se tornasse num lugar um pouco melhor.

E como diz a Sofia e eu também acredito, “é nas pequenas coisas que se muda o mundo".

Iris Bravo