O vencedor deste livro é
Ana Paula Magalhães
de
Lisboa
Este livro fez-me sentir numa montanha russa... de emoções contraditórias! A protagonista, também! Sobretudo esta última.
Quando soube da existência deste livro, pensei que seria, provavelmente, uma leitura de que iria gostar. Mais uma sobre este tema pelo qual tenho particular interesse: o Holocausto. Assim parecia. Fiquei presa logo no primeiro parágrafo: Marijke e seu marido, Théo, vivem em Amesterdão, ano de 1943. São holandeses e não são judeus. Pertencem à Resistência. A história continua como seria de esperar. Apanhados, são detidos e levados para um campo de concentração.
Não é hábito meu ler livros de desenvolvimento pessoal. Não é que não goste mas simplesmente o tempo não chega para todas as leituras... Este livro morava já há algum tempo na minha mesa de cabeceira e, ia pegando nele no intervalo das outras leituras ou quando tinha um pouquinho de tempo para ler mais um parágrafo.
O que dizer quando um livro nos apresenta uma realidade desconhecida, difícil de entender, tão real que nos sentimos num espaço diferente do nosso, projectados para um país que só ouvimos falar nos noticiários e pelas piores razões? O que dizer quando a guerra nos entra pelo corpo, quando a guerra sem sentido feita "lá longe" nos é apresentada como estando ao nosso lado? O que dizer quando nos sentimos inseguros, com medo, aterrorizados com o que possa acontecer com o protagonista, que é "nosso" e que queremos proteger?
Quando uma amiga me perguntou o que estava a ler, falei-lhe neste livro e ao contar-lhe do que se tratava dei-me conta que, se resumisse o enredo, quase parecia um livro cómico. Um homem de 49 anos, recentemente divorciado mas sentindo-se já há muito um homem solitário e sozinho, descobre que a sua única filha não é filha biológica. Não é que isso faça muita diferença no que concerne aos seus sentimentos em relação a ela, mas começa a pensar que nada mais tem a fazer e pensa em suicidar-se. Já viu tudo, já viveu tudo. Isso seria até trágico se não fossem os seus planos darem sempre errados...
Embora tenha alguns livros deste autor, como ainda não tinha lido nada dele, foi com agrado e surpresa que entrei na sua escrita. Tem um ritmo que caminha lentamente, onde as palavras tornam-se quase vagarosas. Parece até que a acção adormeceu e, no entanto, acho que o seu encanto está precisamente aí. Só quem domina por completo a linguagem, possuindo o dom da palavra, consegue tal proeza! O leitor não se sente enfadado e, também ele, busca segredos por desvendar nestas páginas onde o enredo centra-se num casal recém casado e na sua noite de núpcias.
Com a simpática colaboração da Saída de Emergência, "O tempo entre os meus livros" festeja o seu 9º aniversário oferecendo o livro "Seca" de Neal Shusterman e Jarrod Shusterman.
Com a simpática colaboração da Editorial Presença, "O tempo entre os meus livros" festeja o seu 9º aniversário oferecendo o livro "Há algo estranho na água" de Catherine Steadman.
Com a simpática colaboração da Pergaminho, "O tempo entre os meus livros" festeja o seu 9º aniversário oferecendo o livro "Gestão da Mente" de Andy Gibson.
Com a simpática colaboração da Matéria-Prima, "O tempo entre os meus livros" festeja o seu 9º aniversário oferecendo o livro "Estava Tudo Ótimo" de Teresa Rebelo.
Com a simpática colaboração do Clube do Autor, "O tempo entre os meus livros" festeja o seu 9º aniversário oferecendo o livro "A Prova" de Stéphane Allix.
Com a simpática colaboração da Alfaguara, "O tempo entre os meus livros" festeja o seu 9º aniversário oferecendo o livro "A mulher mais bonita da cidade" de Charles Bukowski.