In "Talvez um Anjo" de Filipa Sáragga, pág. 122
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terça-feira, 18 de março de 2014
Um Livro Numa Frase
In "Talvez um Anjo" de Filipa Sáragga, pág. 122
segunda-feira, 17 de março de 2014
Passatempo "Quando a tua ira passar"
Com a amável colaboração da Planeta temos para sortear, a todos os seguidores do blogue, um exemplar do último livro de Asa Larsson, "Quando a tua Ira passar".
Para isso basta preencherem o questionário que se segue e seguirem as regras habituais.
O passatempo decorre até ao dia 30 de Março.
Boa sorte!
Para isso basta preencherem o questionário que se segue e seguirem as regras habituais.
O passatempo decorre até ao dia 30 de Março.
Boa sorte!
"No Harém de Kadhafi" de Annick Cojean
Sei que existem vários livros com capas semelhantes a esta, todos eles retratando uma evidência que elas não deixam esconder e que todos nós conhecemos quase sempre por ouvir falar e por relatos impressionantes. Também esta obra, relatada por uma jornalista, faz-nos chegar momentos de puro horror numa sociedade onde é atribuido à Mulher um papel diferente, redutor e impróprio. Não há adjectivos suficientes para o classificar, e, por isso, não o farei.
A história de vida de Soraya mais parece uma história doutro mundo que não este, dito civilizado! Muammar Kadhafi possuia um discurso preparado sobre o papel das mulheres no futuro da Líbia. Um discurso que muitos entenderam como inovador e ele surge, assim, como libertador. As crianças/mulheres que ele violou e espancou, ao longo da sua longa permanência no poder, vieram a conhecer, na realidade, o quão enganador ele podia ser. Vitimas de um predador que não lhes dava tréguas, elas eram, posteriormente, marginalizadas pela sociedade e pela própria família.
Para além da história de Soraya e de outras mulheres que preferiram o anonimato, Annick, relata-nos as suas dificuldades e todas as obstruções que sentiu ao querer investigar este assunto, ainda hoje, tabu. A lei do silêncio impera e poucas pessoas querem testemunhar: uns porque participaram nesse regime corrupto, ajudando a angariar "presas", outros porque preferem esquecer. Os crimes sexuais não são, por isso, debatidos nem julgados. O que resta às vítimas?
Terminado em 14 de Março de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
A história de vida de Soraya mais parece uma história doutro mundo que não este, dito civilizado! Muammar Kadhafi possuia um discurso preparado sobre o papel das mulheres no futuro da Líbia. Um discurso que muitos entenderam como inovador e ele surge, assim, como libertador. As crianças/mulheres que ele violou e espancou, ao longo da sua longa permanência no poder, vieram a conhecer, na realidade, o quão enganador ele podia ser. Vitimas de um predador que não lhes dava tréguas, elas eram, posteriormente, marginalizadas pela sociedade e pela própria família.
Para além da história de Soraya e de outras mulheres que preferiram o anonimato, Annick, relata-nos as suas dificuldades e todas as obstruções que sentiu ao querer investigar este assunto, ainda hoje, tabu. A lei do silêncio impera e poucas pessoas querem testemunhar: uns porque participaram nesse regime corrupto, ajudando a angariar "presas", outros porque preferem esquecer. Os crimes sexuais não são, por isso, debatidos nem julgados. O que resta às vítimas?
Terminado em 14 de Março de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
Soraya tem apenas 15 anos quando, certa manhã, recebe a notícia da visita do líder da Líbia, Muammar Kadhafi, à sua escola. Como praticamente todos os jovens líbios, também ela cresceu no culto da veneração ao Guia, encarado como um deus, vivendo «num olimpo inatingível». Quando é apresentada ao Coronel, este pousa uma mão sobre a sua cabeça e acaricia-lhe os cabelos.
A vida de Soraya, a sua infância e todas as esperanças de futuro terminam nesse exato momento, pois com esse gesto o Guia acabou de indicar às suas guardas que Soraya passará a ser sua escrava sexual.
Nos anos seguintes, Soraya é torturada, violada, espancada, obrigada a consumir álcool e drogas. Tenta por várias vezes escapar, e consegue mesmo fugir do país, mas o regime de terror em que vive torna-a frágil, incapaz de interagir com os outros de forma saudável. Nem sequer a morte e o desaparecimento dos seus algozes vem apaziguar o medo, a vergonha, a revolta.
A jornalista Annick Cojean foi a fiel depositária desta e de outras histórias, conduzindo uma investigação que traz a lume a utilização das mulheres líbias como armas de guerra no seio de uma sociedade corrompida, cuja população é, ainda hoje, simultaneamente vítima e cúmplice da uma política de silêncio que urge romper, para que se faça finalmente justiça.
domingo, 16 de março de 2014
Ao Domingo com... Teolinda Gersão
Escrevo para entender. A vida, o mundo, a sociedade, são incompreensíveis, e, se formos honestos, cada um de nós encontra dentro de si uma dose razoável de opacidade. Escrever é uma forma de conhecer, um processo de atenção continuada. Um trabalho cerebral e emocional. Como a pintura, a música e as outras formas de arte.
Sim, a vida intriga-nos, magoa-nos e desconcerta-nos. E também nos surpreende e deslumbra. A escrita é um bom caminho para lidar com isso.
Trabalho muito os livros, re-escrevo-os e corrijo-os até me satisfazerem. Antes de começar tiro um monte de notas e trago-os em projecto na cabeça, vou-os construindo mentalmente, durante um tempo indeterminado, que não controlo e pode ser mais ou menos longo. Até que os livros “saltam” para o papel e começam o seu caminho, que nunca obedece ao que eu pensava.
Julgo que não fui influenciada especialmente por nenhum autor,embora pertença à “família” dos escritores do inconsciente. Mas claro que fui influenciada não só por tudo o que li, como também por outras áreas, como o cinema, o teatro, a pintura, a dança, a música. E por tudo o que vivi e vi viver, pelas histórias que me contaram, pela sociedade e pela época que, para bem e para mal, é onde estou.
Escrevo para mim, mas também para os outros.Estamos todos no mesmo barco. No mesmo mundo.
Quando digo coisas destas, em geral perguntam-me se acredito na função social da escrita. A fórmula parece-me antiquada, mas o cerne da questão mantém-se. Claro que a literatura contribui para mudar a mentalidade. E, quando muda a mentalidade, a sociedade muda. Desde logo a nossa, mas a afirmação é válida em relação a todas. Cada vez mais não escrevemos para um país, mas para o mundo.
A nível nacional e internacional estamos fartos de ser mal governados. Já percebemos como o dinheiro é insensível e corrupto e roda num círculo vicioso. É tempo de exigir transparência e justiça. Podemos pagar caro por fazer exigências, mas pagaremos ainda mais caro se não as fizermos. Estamos fartos de sermos sempre os mesmos a pagar sozinhos, porque os donos do dinheiro nunca pagam: São pagos por nós, para nos fazerem pagar-lhes.
Não acredito em celebridades, génios, ícones, lendas, mitos, estrelas e quejandos. Há quem tenha
talento e quem não tenha, mas só o tempo se encarrega de joeirar o trigo e o separar do joio. E em geral mais tarde verifica-se que afinal os mídia nem acertaram assim tanto.
Talvez estas pequenas notas soltas satisfaçam o pedido da nossa amiga Cristina Delgado, e possam ser um contributo para o blog que ela tem corajosa e persistemente mantido, num diálogo virtual connosco. Obrigada, Cristina. E bom domingo!
PS:
Como sou contadora de histórias, não resisto a acrescentar uma pequena história real: Há tempos o arrumador de carros da minha rua correu atrás de mim: Ó senhora! Então passa aqui todos os dias e é escritora?
- É que moro aqui, justifiquei.
Ele riu-se na minha cara :
-Claro que mora aqui, estou sempre a vê-la, com as compras do supermercado. Admirei-me é por ser escritora.
Ri-me também, divertida com o seu ar escandalizado. Mas agora ele já não ria.
-Estava numa revista, no quiosque, rematou num tom de incredulidade, ou de censura.Decididamente, eu não correspondia ao que ele achava que devia ser.
No entanto a partir daí passou a acenar e a dizer “Bom dia” e com o tempo tem vindo a olhar-me com menos desaprovação. Aos poucos talvez até acabe por perdoar-me por trazer sacos do supermercado e vestir uma roupa qualquer.
Teolinda Gersão
sábado, 15 de março de 2014
Na minha caixa de correio
Esta semana foi bem ao meu gosto!
Da Porto Editora recebi o último livro da Jojo Moyes que comecei já a ler. Não faço ideia do que aí vem mas posso-vos garantir que já estou completamente rendida. Não precisei de vinte páginas para
o fazer...
Vida Roubada e O Jogo de Ripper ganhei no Liga e Ganha.
O despertar do Mundo estava a chamar por mim e acabei por comprá-lo.
Da Marcador chegou um livro cujo tema eu tenho verdadeira paixão: A Rapariga De Auschwitz.
Os três últimos livros foram ganhos e escolhidos no passatempo que a Presença fez (A loucura dos livros grátis). Ainda me faltam mais duas encomendas porque coloquei os rapazes cá de casa a concorrer também.
sexta-feira, 14 de março de 2014
quinta-feira, 13 de março de 2014
A Escolha do Jorge: "A Última Noite Em Lisboa"
A recente edição de “A Última Noite em Lisboa” comemora os 25 anos de trabalho literário de Sérgio Luís de Carvalho que iniciou com a publicação de “Anno Domini 1348” publicado em 1989 tendo-lhe valido na altura o Prémio Literário Ferreira de Castro.
Outros títulos seguiram-se, nomeadamente “As Horas de Monsaraz”, O Retábulo de Genebra, O Segredo de Barcarrota e mais recentemente “O Exílio do Último Liberal”, entre outros.
Para os amantes de romances históricos, certamente apreciarão o trabalho desenvolvido por Sérgio Luís de Carvalho que, uma vez mais, no seu novo romance “A Última Noite em Lisboa” permite ao leitor uma viagem no tempo com uma reconstituição soberba da Lisboa do período em que decorreu a 2ª Guerra Mundial.
É precisamente esse o pano de fundo do romance, a Lisboa num período complexo em que Portugal não tendo participado na guerra, o país serviu de palco para muitas jogadas políticas internas e também externas, nomeadamente como forma de escape de muitos milhares de refugiados perseguidos pelos nazis e que encontraram em Portugal não só um porto de abrigo, mas também servindo de catapulta para se dirigirem para os EUA, assim como outros países. Por outro lado, dada a neutralidade de Portugal, face às exigências de ambos os beligerantes da guerra, o país movia-se ardilosamente mediante as pressões externas de modo a não ferir suscetibilidades, embora nem sempre o conseguisse da forma mais isenta, daí que se tenham intensificado o número de espiões do lado dos nazis e dos aliados na capital portuguesa durante esse período.
Durante os anos da guerra, Lisboa apresentava-se como uma capital atrasada e provinciana comparativamente com outras cidades europeias e é precisamente este ambiente de acolhimento de milhares de refugiados que vão de alguma forma influenciar o modo de vestir, de andar, hábitos de quotidiano e nalguns casos até o modo de pensar que Sérgio Luís de Carvalho explora no romance como se tratasse de alguma forma de dois mundos em confronto.
A narrativa move-se essencialmente à volta de três personagens: Henrique que trabalha na revista manifestamente nazi “A Esfera”, a sua noiva Maria Carolina e Charlotte, uma alemã refugiada em Lisboa cujo irmão combateuna Guerra Civil Espanhola. Aquilo que poderia indiciar uma complexa relação amorosa a três torna-se em algo muito mais sério e com contornos políticos sem precedentes obrigando Henrique a tomar uma decisão à medida que toma consciência das questões que estão por trás tanto a nível profissional, como a nível pessoal.
Todo este ambiente político é reconstituído com bastante rigor histórico na medida em que uma parte dos personagens existiram efetivamente, como por exemplo, os jornalistas de alguns dos periódicos que eram publicadosna época, mas também não são esquecidos os trabalhadores portugueses que exercem as mais humildes profissões, tais como, as vendedoras de peixe, os carvoeiros, sendo igualmente feitas inúmeras alusões a muitas ruas típicas de Lisboa, entre a Baixa-Chiado e o Bairro Alto, algumas das lojas que ainda hoje teimam em não encerrar, traços essenciais da cultura portuguesa através da Amália Rodrigues que começava então a dar os primeiros passos na sua memorável carreira, a própria gastronomia como por exemplo as iscas com ou sem elas mediante a bolsa de cada um, a linguagem tão característica dos bairros populares de Lisboa que ainda hoje nos delicia quando ouvimos os mais idosos falar, as estrelas do futebol que brilhavam na época, as privações a que a população estava sujeita tanto em bens alimentares como nos combustíveis, por exemplo, e tantos outros exemplos que deixará o leitor completamente anestesiado com uma Lisboa dos anos 40 à qual agora viajará sentindo quase os seus sons e cheiros.
À medida que “A Última Noite em Lisboa” se aproxima do seu derradeiro final, o leitor fica com a nítida consciência de que ficou a conhecer muitos dos meandros da “neutralidade colaborante” conforme se veio a referirmais tarde, não esquecendo o que esteve na base da Guerra Civil de
Espanha e as repercussões que a mesma teve na sua articulação com Portugal e com os países
envolvidos posteriormente na 2ª Guerra Mundial.
“A Última Noite em Lisboa” vai ter um final semelhante ao filme “Casablanca”, ora não fosse um filme que também realçasse o papel de Lisboa no decurso da guerra e, deste modo, «Nós teremos sempre Lisboa».
Apresentação de “A Última Noite em Lisboa” por Miguel Real:
texto da autoria de Jorge Navarro
quarta-feira, 12 de março de 2014
"Talvez Um Anjo" de Filipa Sáragga
Há muito pouco a acrescentar a este livro. Ou melhor: há muito a acrescentar, mas para quem o leu, poucas são as palavras que pode oferecer a quem ainda não pegou nele. Que dizer quando o livro nos conta a vida de uma menina que já não se encontra entre nós? Uma menina especial que soube fazer da doença e da dor um lugar onde a alegria, a fé, a paz caminhavam juntas.
Tocou de um modo especial quem a conheceu e ninguém ficou indiferente ao seu amor e alegria. Soube, na doença, arrancar sorrisos a todos que a rodeavam, soube trazer paz a quem sentia desespero, soube aproveitar a vida e vivê-la ao máximo.
Terminado em 7 de Março de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
A história de vida de uma criança única, com uma vida curta mas com uma força extraordinária, que tocou todas as pessoas que com ela se cruzaram. O livro contém o prefácio de D. José Policarpo Cardeal-Patriarca de Lisboa e um texto de reflexão de Laurinda Alves.
terça-feira, 11 de março de 2014
Escritores na cozinha com... Anabela Borges
BOLO DE CHOCOLATE DA MÃE E DA INÊS
A Inês adora cozinhar, e gosta sobretudo de fazer bolos, de surpresa, para a irmã, a Beatriz.
O nosso bolo de chocolate é muito simples de fazer: utiliza-se como medida uma chávena almoçadeira e bate-se tudo no liquidificador.
Massa
6 ovos
1 chávena de açúcar
1 chávena de leite morno(a)
1 chávena de chocolate em pó Nesquick
2 chávenas de farinha branca de neve
1 colher (sopa) de óleo
1 colher (café) de fermento em pó
4 quadradinhos de chocolate culinário
1 colher (sopa) de manteiga
Cobertura
4 quadradinhos de chocolate culinário
1 colher (sopa) de manteiga
MODO DE PREPARAÇÃO:
Vão-se juntando, lentamente, os ingredientes no liquidificador e vai-se batendo a uma velocidade média, até ficar uma massa consistente e fofa. Para que o bolo não fique demasiado doce e para que ganhe um tom mais escuro, colocam-se os quatro quadradinhos de chocolate culinário numa chávena com uma colher de manteiga e põe-se a derreter no micro-ondas, por 2 minutos; acrescenta-se à massa e bate-se novamente, para ficar bem misturado.
De seguida, coloca-se numa forma redonda, previamente untada com manteiga e polvilhada com farinha.
Vai ao forno a 180ºC, por cerca de 40 minutos, pré-aquecido.
Depois de deixar arrefecer um pouco, desenforma-se o bolo.
Cobertura
Colocam-se os quatro quadradinhos de chocolate culinário numa chávena com uma colher de manteiga e põe-se a derreter no micro-ondas, por 2 minutos. Deita-se esse líquido por cima do bolo. O bolo vai ficar húmido e muito fofo.
Quando eu e a Inês fizemos este bolo, estava uma tarde invernosa de fevereiro. A Beatriz, que estava a estudar para um teste de Geometria Descritiva, cuidou que estava a ter alucinações, com o cheiro inconfundível do bolo a invadir a casa. Ficou muito feliz e achou que tinha o dia ganho. Estudar já nem lhe pareceu uma empresa assim tão inglória. E como é bom viver estes tempos em família!
Até ser Primavera
Primeiro livro da inteira autoria de Anabela Borges, “Até ser Primavera” surge como uma antologia de dez contos onde impera o desespero da condição humana, a dar lugar à esperança na primavera da vida.
Até que ponto as coisas mais simples podem fazer alguém voltar a agarrar-se à vida, ou os mistérios inexplicáveis levam a desistir dela? Como se faz da intriga um modo de vida, ou se vive na cegueira de não ver o que está mesmo à nossa frente? Como justificar um aborto voluntário, ou viver com alguém que te faz a vida num inferno, como aguentar a perda daqueles que mais amamos, ou entender a saudade arrebatadora no fado do amor, como perdoar, ou gerir arrependimentos? São histórias que, há muito, te acordam o sono, te preenchem as memórias e te povoam os dias inquietos, para ler e refletir. Vale a pena acreditar na primavera da vida.
Este livro surge como o resultado da atribuição do prémio melhor conto da coletânea Ocultos Buracos, da Pastelaria Studios Editora, e inclui o conto vencedor.
Anabela Borges
A Inês adora cozinhar, e gosta sobretudo de fazer bolos, de surpresa, para a irmã, a Beatriz.
O nosso bolo de chocolate é muito simples de fazer: utiliza-se como medida uma chávena almoçadeira e bate-se tudo no liquidificador.
Massa6 ovos
1 chávena de açúcar
1 chávena de leite morno(a)
1 chávena de chocolate em pó Nesquick
2 chávenas de farinha branca de neve
1 colher (sopa) de óleo
1 colher (café) de fermento em pó
4 quadradinhos de chocolate culinário
1 colher (sopa) de manteiga
Cobertura
4 quadradinhos de chocolate culinário
1 colher (sopa) de manteiga
MODO DE PREPARAÇÃO:
Vão-se juntando, lentamente, os ingredientes no liquidificador e vai-se batendo a uma velocidade média, até ficar uma massa consistente e fofa. Para que o bolo não fique demasiado doce e para que ganhe um tom mais escuro, colocam-se os quatro quadradinhos de chocolate culinário numa chávena com uma colher de manteiga e põe-se a derreter no micro-ondas, por 2 minutos; acrescenta-se à massa e bate-se novamente, para ficar bem misturado.
De seguida, coloca-se numa forma redonda, previamente untada com manteiga e polvilhada com farinha.
Vai ao forno a 180ºC, por cerca de 40 minutos, pré-aquecido.
Depois de deixar arrefecer um pouco, desenforma-se o bolo.
Cobertura
Colocam-se os quatro quadradinhos de chocolate culinário numa chávena com uma colher de manteiga e põe-se a derreter no micro-ondas, por 2 minutos. Deita-se esse líquido por cima do bolo. O bolo vai ficar húmido e muito fofo.
Quando eu e a Inês fizemos este bolo, estava uma tarde invernosa de fevereiro. A Beatriz, que estava a estudar para um teste de Geometria Descritiva, cuidou que estava a ter alucinações, com o cheiro inconfundível do bolo a invadir a casa. Ficou muito feliz e achou que tinha o dia ganho. Estudar já nem lhe pareceu uma empresa assim tão inglória. E como é bom viver estes tempos em família!
Até ser Primavera
Primeiro livro da inteira autoria de Anabela Borges, “Até ser Primavera” surge como uma antologia de dez contos onde impera o desespero da condição humana, a dar lugar à esperança na primavera da vida.Até que ponto as coisas mais simples podem fazer alguém voltar a agarrar-se à vida, ou os mistérios inexplicáveis levam a desistir dela? Como se faz da intriga um modo de vida, ou se vive na cegueira de não ver o que está mesmo à nossa frente? Como justificar um aborto voluntário, ou viver com alguém que te faz a vida num inferno, como aguentar a perda daqueles que mais amamos, ou entender a saudade arrebatadora no fado do amor, como perdoar, ou gerir arrependimentos? São histórias que, há muito, te acordam o sono, te preenchem as memórias e te povoam os dias inquietos, para ler e refletir. Vale a pena acreditar na primavera da vida.
Este livro surge como o resultado da atribuição do prémio melhor conto da coletânea Ocultos Buracos, da Pastelaria Studios Editora, e inclui o conto vencedor.
Anabela Borges
segunda-feira, 10 de março de 2014
Novidade Porto Editora
O Olhar de Sophie
de Jojo Moyes
Somme, 1916. Sophie vive numa vila ocupada pelo Exército alemão,
tentando sobreviver às privações e brutalidade impostas pelo invasor,
enquanto aguarda notícias do marido, Édouard Lefèvre, um pintor
impressionista, que se encontra a lutar na Frente. Quando o comandante
alemão vê o retrato de Sophie pintado por Édouard, nasce uma perigosa
obsessão que leva Sophie a arriscar tudo – a família, a reputação e a
vida. Quase um século depois, o retrato de Sophie encontra-se
pendurado numa parede da casa de Liv Halston, em Londres. Entretanto,
Liv conhece o homem que a faz recuperar a vontade de viver, após anos
de profundo luto pela morte prematura do marido. Mas não tardará que
Liv sofra uma nova desilusão - o quadro que possui é agora reclamado
pelos herdeiros e Paul, o homem por quem se apaixonou, está
encarregado de investigar o seu paradeiro… Até onde estará disposta Liv
a ir para salvar este quadro? Será o retrato de Sophie assim tão
importante que justifique perder tudo de novo?
"Os Anjos Morrem das Nossas Feridas" de Yasmina khadra
Desta vez fui viajar pela Argélia e conhecer um pouco da vida de Turambo, um jovem árabe que conseguiu, através do pugilismo, fugir a uma vida de miséria e alcançar sucesso e riqueza. Mas a sua queda, de um mundo que ele não comandava, ditou-lhe, abruptamente, um destino miserável e solitário.
Se a sua ambição fê-lo vencer obstáculos enormes, o seu coração ditou a sua queda. Quis ser dono do seu destino mas, rodeado de gentes a quem a riqueza está acima de tudo, até da amizade de longos anos, Turambo aprende que a ambição dos seus amigos não tem limites.
Esta personagem, por todas as vicissitudes que passa, é, para nós leitores, alguém que nos toca muito rapidamente. A sua infância dura, os costumes do seu povo que tenta aceitar e respeitar, a sua vontade de ultrapassar os obstáculos e viver uma vida melhor, colocam-no de imediato do "nosso" lado. O seu desejo de amar e ser amado percorre a sua vida e dita-lhe os movimentos. E a sua sorte, também!
Gostei da forma simples mas dura como o autor, na voz de Turambo, nos conta esta história. Ao começarmos a ler temos uma visão do final do livro (ou do pensamos ser o final dele) mas isso em nada afecta a nossa vontade de querer saber como se chegou até aí... E somos surpreendidos pelo enredo, que, aliás, achamos de todo verosímil, e também pela conclusão desta história.
Um livro forte, uma história triste, marcada pela esperança mas também pelo preconceito racial, palavras belas e sábias, a fragilidade da condição humana. A ler, sem dúvida!
Terminado em 6 de Março de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
Se a sua ambição fê-lo vencer obstáculos enormes, o seu coração ditou a sua queda. Quis ser dono do seu destino mas, rodeado de gentes a quem a riqueza está acima de tudo, até da amizade de longos anos, Turambo aprende que a ambição dos seus amigos não tem limites.
Esta personagem, por todas as vicissitudes que passa, é, para nós leitores, alguém que nos toca muito rapidamente. A sua infância dura, os costumes do seu povo que tenta aceitar e respeitar, a sua vontade de ultrapassar os obstáculos e viver uma vida melhor, colocam-no de imediato do "nosso" lado. O seu desejo de amar e ser amado percorre a sua vida e dita-lhe os movimentos. E a sua sorte, também!
Gostei da forma simples mas dura como o autor, na voz de Turambo, nos conta esta história. Ao começarmos a ler temos uma visão do final do livro (ou do pensamos ser o final dele) mas isso em nada afecta a nossa vontade de querer saber como se chegou até aí... E somos surpreendidos pelo enredo, que, aliás, achamos de todo verosímil, e também pela conclusão desta história.
Um livro forte, uma história triste, marcada pela esperança mas também pelo preconceito racial, palavras belas e sábias, a fragilidade da condição humana. A ler, sem dúvida!
Terminado em 6 de Março de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
Através de uma extraordinária evocação da Argélia de entre guerras, Yasmina Khadra apresenta, mais do que uma educação sentimental, o percurso obstinado de ascensão e queda de um jovem prodígio, adorado pelas multidões, fiel aos seus princípios, e que apenas queria ser senhor do seu destino.
domingo, 9 de março de 2014
Ao Domingo com... Isabel Machado
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| Foto de Carlos Ramos |
Sempre escrevi para mim e também para os outros, na forma de reportagem na imprensa, mas nada se pode comparar ao dia em que nos atiramos às cegas, para um trabalho de uma dimensão que nem tínhamos avaliado, para um caminho que vai ser feitos de extremos. Pelo menos, é para mim. É tortuoso e sublime, de trabalho árduo e puro devaneio, de muito prazer e dor, de, de suores frios e quentes.
Primeiro, é uma loucura. Como não chamar louca a alguém que escolhe, para primeiro livro, o reinado de Isabel I de Inglaterra, cruzando-o com a atormentada História da perda da independência de Portugal e, depois de jurar que não voltaria a fazer uma pesquisa tão extensa nos anos mais próximos, decide escrever um livro sobre a rainha Vitória, o mais longo reinado de sempre, cruzando-o com 5 – CINCO – dos últimos reis da História de Portugal?...
Só a paixão pode explicar tamanha ausência de racionalidade...
Comecei pelo romance histórico. Gosto de história, de factos e adoro ficção. Este género permite essa troca maravilhosa, trazendo para o quotidiano das pessoas outras eras, humanizando personagens mitificadas pela História que são, em primeiro lugar, pessoas como nós.Às vezes perguntam-me qual é o meu público alvo. Se são os ingleses, se gostaria de publicar em Inglaterra...
Nada disso, o meu público são os portugueses. É para eles que escrevo, sempre e a todo o momento, mesmo que seja através do olhar ficcionado dos outros, porque sou, desde que me conheço, fascinada por este milagre que nos trouxe até aqui, contra todas as previsões da lógica! Isto era para não ter funcionado há 8 séculos! Mas funciona...
Escrevi Vitória de Inglaterra, a Rainha que Amou e Ameaçou Portugal, em plena crise, dizem que das mais graves de sempre em Portugal... E espero trazer aos portugueses a prova, com uma história de amizade entre reis, ambição política, conflitos graves, amor e paixão, onde o contraste, o preconceito e a caricatura são ingredientes fortes, de que este povo consegue tudo. Às vezes de formas bem criativas, pouco lineares, incompreensíveis – até para nós...-, mas sempre, sempre surpreendentes.
Isabel Machado
sábado, 8 de março de 2014
Na minha caixa de correio
Oferta gentil dos autores: "Até ser Primavera" de Anabela Borges e "Rio Equilibrium" de Ricardo Tomáz Alves. O meu obrigada! Ambos os autores já participaram na rubrica Ao domingo com... Podem ler aqui e aqui os seus textos!
Para as minhas leituras, vindo das editoras: No Harém de Kadhafi da Albatroz/Porto Editora e Nunca te Distraias da Vida da Oficina do Livro e A Informadora da Asa, ambas do Grupo Leya.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Novidade Oficina do Livro
10 POR 1010 minutos por menos de 10 euros
de Chakall
Para esta época acelerada e de poupança, tempo é dinheiro mais do que nunca. Com a sua habitual criatividade e humor, o chef Chakall propõe-lhe um conjunto de receitas rápidas e pouco dispendiosas.
É o resultado de um trabalho em que a arte do improviso e a vontade de confeccionar pratos com o que sobra de outras refeições se juntam numa combinação eficaz, económica e surpreendente.
Por menos de 10 euros e em menos de 10 minutos, cozinhe estes pratos deliciosos e imaginativos para a família e para os amigos – e saboreie a vida em boa companhia.
Comece a cozinhar sem gastar muito tempo e dinheiro!
Novidades Planeta
Uma Família Felizde David Safier
A família Von Kieren está à beira do caos. A livraria da mãe, Emma, está na falência; o pai trabalha demasiado; a filha adolescente não consegue passar a uma única disciplina e o filho mais novo é humilhado pela rapariga de quem gosta.
Para cúmulo, depois de uma festa, uma bruxa enfeitiça os Von Kieren e condena-os a converterem-se nas personagens de que estão mascarados: de repente tornam-se uma vampira, um monstro, uma múmia e um lobisomem.
Para quebrar o feitiço, este singular quarteto partirá atrás da bruxa ao longo de meio mundo. E no caminho encontrarão muitos monstros autênticos: vampiros, lagartos gigantes e turistas alemães em excursão.
Mas por muito que procurem, os Von Kieren não poderão deixar de ser monstros enquanto não voltarem a acreditar na felicidade familiar.
A Partir deste Momento
de Bella Andre
Marcus Sullivan é o irmão mais velho responsável, há trinta e seis anos, desde a morte do pai, pelos sete irmãos, mas quando o seu futuro perfeito não passa, afinal, de uma mentira, decide afogar as mágoas numa noite estouvada.
Nicola Harding é conhecida por um único nome – Nico – devido às canções sensuais e arrebatadoras, só que ninguém sabe que a sua imagem de ingénua é falsa. Após a traição de um homem que gostava
mais da fama do que dela, a cantora de vinte e cinco anos decide que nunca mais ninguém a magoará ou descobrirá quem é na realidade, em especial o belo estranho que conhece num nightclub apesar da fome e das promessas pecaminosas que lê nos olhos escuros, que lhe dão vontade de lhe revelar todos os segredos.
Nicola e Marcus decidem partilhar apenas uma noite, mas descobrem que se sentem atraídos e, apesar de não quererem, as emoções cada vez maiores e a atracção escaldante aproxima-os cada vez mais, ao ponto de se perguntarem se lhes basta uns momentos de união.
quinta-feira, 6 de março de 2014
A Escolha do Jorge: Numa Mesma Noite
"Numa Mesma Noite” é o mais recente romance do argentino Leopoldo Brizuela cuja obra foi aclamada com o Prémio Alfaguara Romance 2012.
Leonardo Bazán ao assistir a um assalto à casa dos vizinhos é de imediato confrontado com a recordação de um assalto idêntico à mesma casa trinta e seis anos antes, em 1977, quando tinha apenas 13 anos. O assalto dessa longínqua noite fora perpetrado por forças da autoridade da então ditadura militar vigente na Argentina.
Foi preciso um acontecimento semelhante ter acontecido para Leonardo Bazán tomar verdadeiramente consciência de que algo o houvera marcado psicologicamente durante quase toda a vida para agora, em adulto, sentisse necessidade de perceber exatamente o que aconteceu nesse fatídico dia envolvendo o seu pai e a vizinha da casa em frente, compreendendo de igual modo a sua relação com o regime político de então.
Leonardo Bazán rapidamente compreende que apenas conseguirá compreender o sucedido através da literatura que será a sua redentora neste processo de dissecação penosa da memória e do passado à medida que vai escrevendo um livro.
Mas conseguirá Leonardo Bazán redimir-se através da escrita à medida que desvenda todas as fendas desse passado que obrigou-se a si mesmo a ocultar?
Serão culpados apenas aqueles que provocaram o medo e o terror a terceiros ou também aqueles como Leonardo Bazán terão de assumir a sua quota-parte de culpa por cobardia em não ter trazido à luz em tempo útil a verdade dos factos?
Não se tratando de uma obra autobiográfica, “Numa Mesma Noite”embarca-nos numa viagem à Argentina quando esteve sob o domínio da ditadura militar entre 1976 e 1983 que mergulhou o país num período de duras perseguições e mortes de todos aqueles que de alguma forma constituíssem uma ameaça à ordem estabelecida. Ainda que todos ospersonagens desta obra sejam ficção, todas as entidades e organizações indicadas existem ou existiram.
“Numa Mesma Noite” de Leopoldo Brizuela articula de modo notável a história de um indivíduo e até de uma família com a história de um país fazendo uma dura viagem não só no tempo, mas sobretudo uma dolorosa viagem pela consciência.
Excertos:
"Talvez só a literatura fosse capaz de me perdoar. A literatura, esse futuroleitor. (...)Compreendo que a escrita é um modo único de iluminar a conexão entre o passado e o presente. E isso encoraja-me a começar: não como quem informa, mas antes como quem descobre." (pp. 41, 46)
"Porque me será tão difícil recordar aquela época? Apenas porque nela tinham acontecido coisas monstruosas? Ou porque fora testemunha de que qualquer pessoa é capaz de se transformar num monstro, e isso é intolerável?"
(pp.138-139)
“No autocarro que me trouxe de volta, uma imagem insistia em atormentar-me: tal como eu me dirigia irrevogavelmente a Tolosa, a morte também vinha, irrevogavelmente, em direcção a mim. Irrevogavelmente.
Ou era apenas o meu silêncio? Essa forma de morte que implica não conseguir escrever. Suspeitar uma vez mais de que nunca tinha escrito nada. Que nunca haveria de conseguir escrever nada.
Que a antiga ilusão de escrever sobre o horror, de o mencionar, para poder livrar-me dele, era irrealizável; apenas a ilusão que me permitia continuar a escrever e um dia, quando muito, conseguir encarar, frente a frente, a sua escuridão.
Todos estávamos encurralados numa trama de horror; e, provavelmente, todos éramos necessários para que essa trama subsistisse. Mas quem, de entre nós, deveria ser condenado?
(…)
Eram igualmente culpados, e merecedores de igual castigo, aquele que matou e torturou e aquele que não se atreveu a enfrentar o terror? E, ainda hoje, quem apontava o dedo e se julgava no direito de aplicar o castigo,poderia considerar-se verdadeiramente inocente? Ou só acusamos para não sermos obrigados a ver que o mal que reside no outro também espreita em nós? Oh, só o dom da piedade seria capaz de nos salvar.
Piedade, pedi. Piedade.
Mas já era tarde de mais para isso.”
(pp. 265-266)
Texto da autoria de Jorge Navarro
Leonardo Bazán ao assistir a um assalto à casa dos vizinhos é de imediato confrontado com a recordação de um assalto idêntico à mesma casa trinta e seis anos antes, em 1977, quando tinha apenas 13 anos. O assalto dessa longínqua noite fora perpetrado por forças da autoridade da então ditadura militar vigente na Argentina.
Foi preciso um acontecimento semelhante ter acontecido para Leonardo Bazán tomar verdadeiramente consciência de que algo o houvera marcado psicologicamente durante quase toda a vida para agora, em adulto, sentisse necessidade de perceber exatamente o que aconteceu nesse fatídico dia envolvendo o seu pai e a vizinha da casa em frente, compreendendo de igual modo a sua relação com o regime político de então.
Leonardo Bazán rapidamente compreende que apenas conseguirá compreender o sucedido através da literatura que será a sua redentora neste processo de dissecação penosa da memória e do passado à medida que vai escrevendo um livro.
Mas conseguirá Leonardo Bazán redimir-se através da escrita à medida que desvenda todas as fendas desse passado que obrigou-se a si mesmo a ocultar?
Serão culpados apenas aqueles que provocaram o medo e o terror a terceiros ou também aqueles como Leonardo Bazán terão de assumir a sua quota-parte de culpa por cobardia em não ter trazido à luz em tempo útil a verdade dos factos?
Não se tratando de uma obra autobiográfica, “Numa Mesma Noite”embarca-nos numa viagem à Argentina quando esteve sob o domínio da ditadura militar entre 1976 e 1983 que mergulhou o país num período de duras perseguições e mortes de todos aqueles que de alguma forma constituíssem uma ameaça à ordem estabelecida. Ainda que todos ospersonagens desta obra sejam ficção, todas as entidades e organizações indicadas existem ou existiram.
“Numa Mesma Noite” de Leopoldo Brizuela articula de modo notável a história de um indivíduo e até de uma família com a história de um país fazendo uma dura viagem não só no tempo, mas sobretudo uma dolorosa viagem pela consciência.
Excertos:
"Talvez só a literatura fosse capaz de me perdoar. A literatura, esse futuroleitor. (...)Compreendo que a escrita é um modo único de iluminar a conexão entre o passado e o presente. E isso encoraja-me a começar: não como quem informa, mas antes como quem descobre." (pp. 41, 46)
"Porque me será tão difícil recordar aquela época? Apenas porque nela tinham acontecido coisas monstruosas? Ou porque fora testemunha de que qualquer pessoa é capaz de se transformar num monstro, e isso é intolerável?"
(pp.138-139)
“No autocarro que me trouxe de volta, uma imagem insistia em atormentar-me: tal como eu me dirigia irrevogavelmente a Tolosa, a morte também vinha, irrevogavelmente, em direcção a mim. Irrevogavelmente.
Ou era apenas o meu silêncio? Essa forma de morte que implica não conseguir escrever. Suspeitar uma vez mais de que nunca tinha escrito nada. Que nunca haveria de conseguir escrever nada.
Que a antiga ilusão de escrever sobre o horror, de o mencionar, para poder livrar-me dele, era irrealizável; apenas a ilusão que me permitia continuar a escrever e um dia, quando muito, conseguir encarar, frente a frente, a sua escuridão.
Todos estávamos encurralados numa trama de horror; e, provavelmente, todos éramos necessários para que essa trama subsistisse. Mas quem, de entre nós, deveria ser condenado?
(…)
Eram igualmente culpados, e merecedores de igual castigo, aquele que matou e torturou e aquele que não se atreveu a enfrentar o terror? E, ainda hoje, quem apontava o dedo e se julgava no direito de aplicar o castigo,poderia considerar-se verdadeiramente inocente? Ou só acusamos para não sermos obrigados a ver que o mal que reside no outro também espreita em nós? Oh, só o dom da piedade seria capaz de nos salvar.
Piedade, pedi. Piedade.
Mas já era tarde de mais para isso.”
(pp. 265-266)
Texto da autoria de Jorge Navarro
terça-feira, 4 de março de 2014
A Convidada Escolhe: A Sentinela
Desde “O Último Cabalista de Lisboa”, livro de que gostei imenso, que sou uma leitora de Richard Zimler e nunca fiquei decepcionada.
Desta vez comecei a ler a “Sentinela” com alguma desconfiança, porque sabia ser muito diferente de todos os outros e porque tinha tido uma opinião desfavorável de alguém muito próximo.
No entanto a minha opinião foi diferente e posso dizer que gostei bastante deste livro.
Pensei que ia ler mais um livro policial, mas para mim foi muito mais que isso e foi esse facto que me agradou tanto.
O centro da história não foi, em minha opinião, colocado no caso de polícia mas sim nos aspectos psicológicos do inspector que investiga o crime e que nos é apresentado como uma pessoa complexa, com um passado aterrador que lhe vai provocar um Transtorno Dissociativo de Identidade criando nele um outro “Eu” que assume o comando em ocasiões críticas, (quando tentava proteger o seu irmão dos abusos do pai ou quando em adulto tenta resolver os crimes que lhe são distribuídos).
Se foi, complicado ler algumas partes pelas cenas de violência psicológica e física a que os personagens principais são sujeitos e os relatos de maus tratos que fazem com que o irmão mais velho se sinta o responsável pela sobrevivência do mais novo, foi também gratificante sentir a união indestrutível dos dois irmãos ao logo da história, união que se vai manter para sempre, uma ligação feita da necessidade de se protegerem do perigo, feita de cumplicidade e de amor fraternal.
…não faço um resumo da história, nunca gostei de resumos, apenas dou a minha opinião deixando que sintam vontade de ler o Livro.
Marília Leonardo G.
segunda-feira, 3 de março de 2014
"O Jardim das Torres Invisíveis" de Qais Akbar Omar
Por onde começar? Quando uma história de vida é muito mais e maior do que um mero livro que comentário podemos nós fazer? Uma vida tão cheia de diferenças, movida e orientada por um forte amor à família, em anos de guerra consecutivos, onde a sorte e o azar podem ditar a vida e a morte de alguém, passada maioritariamente em fuga, num país devastado, é sobre isto que nos fala esta obra.
Qais, o autor, reconstitui a sua infância e a sua adolescência no seu país natal, o Afeganistão. É através dos seus olhos enquanto criança que vamos conhecendo um pouco da cultura afegã. E a violência passa por nossos olhos sem que a possamos deter pois não colocamos sequer a hipótese de abandonar as páginas deste livro. Só assim conseguimos satisfazer a nossa curiosidade e a nossa sede de saber mais e mais destas vidas, destes homens que se tornam, aos poucos, nossos amigos e a quem desejamos o maior bem: uma vida em paz e com Paz. Fazem parte de um povo sofrido que vai obedecendo aos dirigentes que tem e tentando sobreviver...
Primeiro são os Russos que invadem o Afeganistão. E a submissão preenche os dias deste povo. E vem, de seguida o domínio Inglês... Depois os Mujahedins e os combates entre várias fações rivais. Guerilhas, mortes, fome. Fugas e desespero. E quando pensamos que já é suficiente para um menino que se fez homem cedo demais, chegam os talibãs com toda a sua ignorância, normas sem sentido e abusos de poder... E a seguir, a invasão americana. Como passar por essas guerras sem que o ódio cresça? Como procurar um futuro, como esperar por um?
A família de Qais tentou manter-se unida, junto com seu avõ, tios e primos, mas a guerra separou-os. As tentativas de fuga que encetam para fugir à guerra e à fome, fizeram-no vivenciar situações de total desespero mas também de novas e grandes amizades que contribuiram para o seu crescimento.
Um livro a não perder. A história de uma vida onde nos é dado a conhecer um outro lado da História. Um povo não é "mau" ou "bom". As pessoas que têm lugares de destaque podem alterar significativamente as vidas de todos os que dependem delas. Para bem ou para mal.
Recomendo!
Para mais informações ver Editorial Presença aqui!
Terminado em 27 de Fevereiro de 2014
Estrelas: 6*
Sinopse
Quando Qais Akbar Omar tinha sete anos, Cabul era uma cidade repleta de jardins onde ele e os primos lançavam papagaios de papel e todas as noites a família se reunia ao jantar em volta de uma toalha estendida sobre o relvado da casa do seu avô. Mas um dia a guerra civil eclodiu. A família de Qais deixou para trás tudo o que tinha e iniciou uma perigosa fuga na tentativa de abandonar o Afeganistão. Para Qais, aquilo que parecia impensável tornou-se a realidade do quotidiano: fome, frio, sofrimento, medo, prisão, tortura... O Jardim das Torres Invisíveis é um testemunho impressionante da capacidade que o ser humano tem para resistir às maiores adversidades e uma obra que não deixará ninguém indiferente.
Qais, o autor, reconstitui a sua infância e a sua adolescência no seu país natal, o Afeganistão. É através dos seus olhos enquanto criança que vamos conhecendo um pouco da cultura afegã. E a violência passa por nossos olhos sem que a possamos deter pois não colocamos sequer a hipótese de abandonar as páginas deste livro. Só assim conseguimos satisfazer a nossa curiosidade e a nossa sede de saber mais e mais destas vidas, destes homens que se tornam, aos poucos, nossos amigos e a quem desejamos o maior bem: uma vida em paz e com Paz. Fazem parte de um povo sofrido que vai obedecendo aos dirigentes que tem e tentando sobreviver...
Primeiro são os Russos que invadem o Afeganistão. E a submissão preenche os dias deste povo. E vem, de seguida o domínio Inglês... Depois os Mujahedins e os combates entre várias fações rivais. Guerilhas, mortes, fome. Fugas e desespero. E quando pensamos que já é suficiente para um menino que se fez homem cedo demais, chegam os talibãs com toda a sua ignorância, normas sem sentido e abusos de poder... E a seguir, a invasão americana. Como passar por essas guerras sem que o ódio cresça? Como procurar um futuro, como esperar por um?
A família de Qais tentou manter-se unida, junto com seu avõ, tios e primos, mas a guerra separou-os. As tentativas de fuga que encetam para fugir à guerra e à fome, fizeram-no vivenciar situações de total desespero mas também de novas e grandes amizades que contribuiram para o seu crescimento.
Um livro a não perder. A história de uma vida onde nos é dado a conhecer um outro lado da História. Um povo não é "mau" ou "bom". As pessoas que têm lugares de destaque podem alterar significativamente as vidas de todos os que dependem delas. Para bem ou para mal.
Recomendo!
Para mais informações ver Editorial Presença aqui!
Terminado em 27 de Fevereiro de 2014
Estrelas: 6*
Sinopse
Quando Qais Akbar Omar tinha sete anos, Cabul era uma cidade repleta de jardins onde ele e os primos lançavam papagaios de papel e todas as noites a família se reunia ao jantar em volta de uma toalha estendida sobre o relvado da casa do seu avô. Mas um dia a guerra civil eclodiu. A família de Qais deixou para trás tudo o que tinha e iniciou uma perigosa fuga na tentativa de abandonar o Afeganistão. Para Qais, aquilo que parecia impensável tornou-se a realidade do quotidiano: fome, frio, sofrimento, medo, prisão, tortura... O Jardim das Torres Invisíveis é um testemunho impressionante da capacidade que o ser humano tem para resistir às maiores adversidades e uma obra que não deixará ninguém indiferente.
domingo, 2 de março de 2014
Ao Domingo com... Julieta Monginho
Magra, olhos castanhos, cantilena. Herberto na adolescência já madura. Triste de casta, o mesmo de leitura, feliz no devaneio, madalena. Incapaz de fingir, sem dura pena. Atenta no amor. Justa loucura, de procurar irmãos na rua escura, de descobrir sinais na voz pequena. Teimosa buscadora de verdades (digo de uma só, somada em cento). Descontente da vida e das cidades. Eis aquela onde a luz apaga o vento que a si mesma cobrira de vaidades, num dia confitado em fogo lento.
Alguns anos depois de ter publicado o meu primeiro livro (Juízo Perfeito – 1996), descobri lá por casa uma espécie de diário adolescente (letra redonda, desenhinhos à margem, aspas, desesperos). Numa das entradas, esse desejo, escrever romances. Estranha descoberta. Não me lembrava de ter sentido o desejo, só de experimentar frases, inícios, exercícios pueris, e de os ter rejeitado.
Quando seguia tão bem na via da leitura compulsiva, deu-me uma vez uma história. Viajava de Lisboa para o Alentejo, a história apareceu de repente, sem que um simples sinal de aviso me tenha prevenido (Perigo! História a pedir para ser escrita).
Depois do primeiro livro, ou aceitas a escrita diária ou te calas para sempre. Com muitos sobressaltos, vieram os dias, vieram palavras, vieram os livros. Dez, contou-me alguém. Romances, alguns contos, um diário.
No último - “Metade Maior” - há uma avenida a escorregar do cimo até ao rio, carregada de gente. Calcorreei essa avenida muitas vezes, metendo a cabeça em sítios onde uma senhora não deve entrar (quartitos de pensão, atravancados de utensílios apanhados por aí, carrinhos de bebé ao lado de fogareiros a gás, quatro, seis metros quadrados). Abre-se uma porta e aparece um buraco. Abre-se buraco e sai uma família. Atrás dessa família, outra família. Às vezes crianças sozinhas, fechadas à chave. Nómada entre nómadas, assisti ao acelerar do movimento: a avenida a virar mundo, o mundo a encolher até à margem de um rio apagado.
No tribunal onde trabalho de dia, a realidade tece histórias inverosímeis. No turno da noite - o trabalho da escrita - as histórias jogam com a realidade às escondidas. Quando as encontro fartaram-se de correr, usaram máscaras sobre máscaras, já só pedem o descanso de uma folha de papel. Vou-lhes fazendo a vontade. Afinal ainda estou para perceber em que é que me distingo delas.
Julieta Monginho
Alguns anos depois de ter publicado o meu primeiro livro (Juízo Perfeito – 1996), descobri lá por casa uma espécie de diário adolescente (letra redonda, desenhinhos à margem, aspas, desesperos). Numa das entradas, esse desejo, escrever romances. Estranha descoberta. Não me lembrava de ter sentido o desejo, só de experimentar frases, inícios, exercícios pueris, e de os ter rejeitado.
Quando seguia tão bem na via da leitura compulsiva, deu-me uma vez uma história. Viajava de Lisboa para o Alentejo, a história apareceu de repente, sem que um simples sinal de aviso me tenha prevenido (Perigo! História a pedir para ser escrita).
Depois do primeiro livro, ou aceitas a escrita diária ou te calas para sempre. Com muitos sobressaltos, vieram os dias, vieram palavras, vieram os livros. Dez, contou-me alguém. Romances, alguns contos, um diário.
No último - “Metade Maior” - há uma avenida a escorregar do cimo até ao rio, carregada de gente. Calcorreei essa avenida muitas vezes, metendo a cabeça em sítios onde uma senhora não deve entrar (quartitos de pensão, atravancados de utensílios apanhados por aí, carrinhos de bebé ao lado de fogareiros a gás, quatro, seis metros quadrados). Abre-se uma porta e aparece um buraco. Abre-se buraco e sai uma família. Atrás dessa família, outra família. Às vezes crianças sozinhas, fechadas à chave. Nómada entre nómadas, assisti ao acelerar do movimento: a avenida a virar mundo, o mundo a encolher até à margem de um rio apagado.
No tribunal onde trabalho de dia, a realidade tece histórias inverosímeis. No turno da noite - o trabalho da escrita - as histórias jogam com a realidade às escondidas. Quando as encontro fartaram-se de correr, usaram máscaras sobre máscaras, já só pedem o descanso de uma folha de papel. Vou-lhes fazendo a vontade. Afinal ainda estou para perceber em que é que me distingo delas.
Julieta Monginho
sábado, 1 de março de 2014
Na minha caixa de correio
Da editora Quinta Essência vieram Tornado e Reencontro em Barcelona. Obrigada!
Da Suma De Letras veio Vejo-te.
Dos passatempos do Liga e Ganha vieram os outros livrinhos...
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Novidade Oficina do Livro
Nunca te Distraias da Vida
de Manuel Forjaz
Nunca te distraias da vida é um livro biográfico, mas não é uma biografia.
É um livro que nos fala do cancro e do que é viver todos os dias com a doença, tentando manter a disciplina, a alegria e uma agenda profissional milimetricamente preenchida, como Manuel Forjaz sempre teve. Sem que pretenda ser um manual de comportamento ou, sequer, um livro de auto-ajuda, trata-se de um testemunho e de uma ferramenta muito útil para todas as pessoas que estão a viver um problema semelhante ou que têm um familiar ou um amigo doente.
É sobretudo um livro despretensioso, escrito por um homem que luta pela vida desde há vários anos, sem nunca baixar os braços e com uma enorme fé em Deus e na ciência; um homem que tem procurado todas as soluções possíveis para a situação difícil em que se encontra e que integra no seu plano de tratamentos a medicina tradicional e as medicinas alternativas com o mesmo rigor; um homem que vive com a certeza de que, mais tarde ou mais cedo, o cancro poderá matá-lo, mas não conseguirá nunca impedi-lo de viver a vida enquanto existir vida para viver.
de Manuel Forjaz
Nunca te distraias da vida é um livro biográfico, mas não é uma biografia.
É um livro que nos fala do cancro e do que é viver todos os dias com a doença, tentando manter a disciplina, a alegria e uma agenda profissional milimetricamente preenchida, como Manuel Forjaz sempre teve. Sem que pretenda ser um manual de comportamento ou, sequer, um livro de auto-ajuda, trata-se de um testemunho e de uma ferramenta muito útil para todas as pessoas que estão a viver um problema semelhante ou que têm um familiar ou um amigo doente.
É sobretudo um livro despretensioso, escrito por um homem que luta pela vida desde há vários anos, sem nunca baixar os braços e com uma enorme fé em Deus e na ciência; um homem que tem procurado todas as soluções possíveis para a situação difícil em que se encontra e que integra no seu plano de tratamentos a medicina tradicional e as medicinas alternativas com o mesmo rigor; um homem que vive com a certeza de que, mais tarde ou mais cedo, o cancro poderá matá-lo, mas não conseguirá nunca impedi-lo de viver a vida enquanto existir vida para viver.
Resultado do Passatempo O Jardim da Torres Invisíveis
É com prazer que anuncio a vencedora deste passatempo, que teve a gentil colaboração da Editorial Presença.

Das 244 participações foi seleccionado o número 87 pertencente a:
- Luís Gonçalves de Alenquer.
Muitos parabéns! Espero que gostes deste livro tão especial!

Das 244 participações foi seleccionado o número 87 pertencente a:
- Luís Gonçalves de Alenquer.
Muitos parabéns! Espero que gostes deste livro tão especial!
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
A Escolha do Jorge: "O Projeto Rosie"
Don Tillman é um cientista da área da Genética, um dos mais conceituados da Austrália. No entanto, apesar de ser possuidor de uma inteligência sem precedentes, é simultaneamente um indivíduo com todas as características de alguém portador da síndrome de aspergen, demonstrando, deste modo, dificuldades no relacionamento com as pessoas à sua volta mesmo em situações que para a maioria das pessoas considera como banais atividades do quotidiano.
Aos 39 anos, Don Tillman não mantém qualquer tipo de contacto emocional com nenhuma mulher em particular, além dos fugazes contactos de índole sexual que tem esporadicamente e é nesse contexto que, com a ajuda de Gene e Claudia, um casal amigo, embarca naquilo que determina como o Projeto Esposa.
É neste contexto que os seus amigos casamenteiros colocam Rosie no caminho de Don, embarcando os dois inicialmente num projeto ligado à genética na medida em que Rosie pretende descobrir quem é o seu verdadeiro pai através de uma lista imensa de possíveis candidatos, antigos colegas de Medicina da sua mãe, fruto de uma noite de devaneio.
Com muitas viagens e aventuras pelo meio, vemo-nos a torcer ao máximo para que os dois personagens encontrem um ponto em comum nas suas vidas de modo a quererem traçar rumo em conjunto transformando, deste modo, o Projeto Esposa em Projeto Rosie.
Não se trata de um livro excecional, nem daquilo que possa ser eventualmente considerado literatura a sério, porém não deixa de ser um livro que apesar de ser de leitura leve, agarra-nos e envolve-nos para o seu epicentro, tratando-se também de uma história bastante visual.
“O Projeto Rosie” de Graeme Simsion será adaptado brevemente ao cinema pela Sony Pictures sendo já um livro publicado em mais de trinta países.
Excertos:
“Durante algum tempo, o Gene e a Claudia tentaram ajudar-me no Problema Esposa. Infelizmente a abordagem deles baseava-se no paradigma tradicional de marcação de encontros, que eu já abandonara, pois a probabilidade de sucesso não justificava o esforço nem as experiências negativas. Tenho trinta e nove anos, sou alto, inteligente e estou em boa forma física, tenho um estatuto relativamente elevado e um rendimento acima da média como professor assistente. Em termos lógicos, eu devia ser atraente para muitos tipos de mulheres. No reino animal, seria um sucesso reprodutivo.” (p. 13)
“- Então, fazes a mesma comida todas as terças-feiras?
- Correto.
Enumerei as oito vantagens principais do Sistema Padronizado de Refeições:
1. Não há necessidade de acumular livros de culinária.
2. Lista de compras padronizada – tornando as compras muito eficientes.
3. Desperdício quase nulo – nada no frigorífico ou na despensa, além do necessário para uma das receitas.
4. Dieta planeada de antemão e equilibrada do ponto de vista nutritivo.
5. Não se perde tempo a pensar no que se vai cozinhar.
6. Não há erros nem surpresas desagradáveis.
7. Comida excelente, superior à da maioria dos restaurantes e a um preço muito inferior (ver ponto 3).
8. Carga cognitiva mínima exigida.” (p. 68)
“- Se estivesses a seguir o teu horário normal, que horas seriam agora?
- 18h38.
O relógio do forno marcava 21h09. A Rosie localizou os controlos e começou a acertar a hora. Percebi o que ela estava a fazer. Uma solução perfeita. Quando terminou, o relógio mostrava 18h38.
Já não era necessário fazer novos cálculos. Congratulei-a pela ideia.
- Criaste um novo fuso horário. O jantar estará pronto às 20h55, fuso horário da Rosie.
(…)
- Onde guardas o saca-rolhas? – perguntou ela.
- O vinho não faz parte da ementa das terças-feiras.
- Que se lixe – disse a Rosie.
Havia uma certa lógica na resposta dela. Só iria comer um prato do jantar. Era o último passo no abandono da agenda da noite.
Anunciei a mudança:
- O tempo foi redefinido. As regras anteriores já não se aplicam. O álcool é assim declarado obrigatório no Fuso Horário da Rosie.” (p. 70)
“- Convidei-te para jantar esta noite porque quando perceberes que queres passar o resto da vida com alguém, vais querer que o resto da vida comece o mais depressa possível.” (p. 305)
Texto da autoria de Jorge Navarro
Aos 39 anos, Don Tillman não mantém qualquer tipo de contacto emocional com nenhuma mulher em particular, além dos fugazes contactos de índole sexual que tem esporadicamente e é nesse contexto que, com a ajuda de Gene e Claudia, um casal amigo, embarca naquilo que determina como o Projeto Esposa.
É neste contexto que os seus amigos casamenteiros colocam Rosie no caminho de Don, embarcando os dois inicialmente num projeto ligado à genética na medida em que Rosie pretende descobrir quem é o seu verdadeiro pai através de uma lista imensa de possíveis candidatos, antigos colegas de Medicina da sua mãe, fruto de uma noite de devaneio.
Com muitas viagens e aventuras pelo meio, vemo-nos a torcer ao máximo para que os dois personagens encontrem um ponto em comum nas suas vidas de modo a quererem traçar rumo em conjunto transformando, deste modo, o Projeto Esposa em Projeto Rosie.
Não se trata de um livro excecional, nem daquilo que possa ser eventualmente considerado literatura a sério, porém não deixa de ser um livro que apesar de ser de leitura leve, agarra-nos e envolve-nos para o seu epicentro, tratando-se também de uma história bastante visual.
“O Projeto Rosie” de Graeme Simsion será adaptado brevemente ao cinema pela Sony Pictures sendo já um livro publicado em mais de trinta países.
Excertos:
“Durante algum tempo, o Gene e a Claudia tentaram ajudar-me no Problema Esposa. Infelizmente a abordagem deles baseava-se no paradigma tradicional de marcação de encontros, que eu já abandonara, pois a probabilidade de sucesso não justificava o esforço nem as experiências negativas. Tenho trinta e nove anos, sou alto, inteligente e estou em boa forma física, tenho um estatuto relativamente elevado e um rendimento acima da média como professor assistente. Em termos lógicos, eu devia ser atraente para muitos tipos de mulheres. No reino animal, seria um sucesso reprodutivo.” (p. 13)
“- Então, fazes a mesma comida todas as terças-feiras?
- Correto.
Enumerei as oito vantagens principais do Sistema Padronizado de Refeições:
1. Não há necessidade de acumular livros de culinária.
2. Lista de compras padronizada – tornando as compras muito eficientes.
3. Desperdício quase nulo – nada no frigorífico ou na despensa, além do necessário para uma das receitas.
4. Dieta planeada de antemão e equilibrada do ponto de vista nutritivo.
5. Não se perde tempo a pensar no que se vai cozinhar.
6. Não há erros nem surpresas desagradáveis.
7. Comida excelente, superior à da maioria dos restaurantes e a um preço muito inferior (ver ponto 3).
8. Carga cognitiva mínima exigida.” (p. 68)
“- Se estivesses a seguir o teu horário normal, que horas seriam agora?
- 18h38.
O relógio do forno marcava 21h09. A Rosie localizou os controlos e começou a acertar a hora. Percebi o que ela estava a fazer. Uma solução perfeita. Quando terminou, o relógio mostrava 18h38.
Já não era necessário fazer novos cálculos. Congratulei-a pela ideia.
- Criaste um novo fuso horário. O jantar estará pronto às 20h55, fuso horário da Rosie.
(…)
- Onde guardas o saca-rolhas? – perguntou ela.
- O vinho não faz parte da ementa das terças-feiras.
- Que se lixe – disse a Rosie.
Havia uma certa lógica na resposta dela. Só iria comer um prato do jantar. Era o último passo no abandono da agenda da noite.
Anunciei a mudança:
- O tempo foi redefinido. As regras anteriores já não se aplicam. O álcool é assim declarado obrigatório no Fuso Horário da Rosie.” (p. 70)
“- Convidei-te para jantar esta noite porque quando perceberes que queres passar o resto da vida com alguém, vais querer que o resto da vida comece o mais depressa possível.” (p. 305)
Texto da autoria de Jorge Navarro
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