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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Para os Mais Pequeninos: "Leo e o Polvo"


Leo é um menino com Sindrome de Asperger, uma Perturbação do Espectro Autista. A maior parte das vezes, o mundo constitui um sítio muito barulhento e cheio de luzes que o confundem e o fazem querer estar num sítio calmo e sossegado.

Até que conhece Mara, um polvo fêmea que vive num aquário, e tenta conhecer várias dos suas características. Algumas delas fazem muito sentido para si. Quando alguém lhe toca, Mara muda a sua pele e sente-se calma e confiante. 

Leo e Mara ficam amigos e essa amizade traz-lhe outros amigos também. Leo aprende a vencer algumas das suas dificuldades e isso enche-o de alegria!

Um livro comovente sobre um menino com características especiais. Gostei muito.







Cris

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

"Num Instante Tudo Muda" de Suzanne Redfearn

Já todos nós pensámos de alguma forma no significado das palavras que este título sugere: nalgum instante da nossa vida, algo pode mudar alterando para sempre a vida como a vivemos até então. E se algum acontecimento limite nos colocar à prova, a nossa reacção perante ele pode fazer de nós um herói ou um covarde. Uma pessoa de bem ou uma má pessoa aos olhos dos outros e, também, aos nossos olhos. Quando disso temos consciência, quando percebemos que errámos e o reconhecemos, ainda nada está perdido. Mas se não tivermos agido da melhor forma e não tivermos qualquer escrúpulo sobre as nossas acções... 

A família de Finn e uns amigos de longa data têm um acidente de carro. Um veado que se atravessa, uma travagem e a queda de uma ravina. A neve e o tempo gélido complicam a situação. Como vão aguentar até que a equipa de salvamento os resgate?  

Este livro faz-nos reflectir sobre o facto de não sabermos como reagiríamos se estivéssemos a vivenciar uma situação limite semelhante. Quem colocaríamos em primeiro lugar: os outros ou nós? Colocaríamos alguém em perigo se nos pudessemos salvar? E é sobretudo isso o que este livro nos traz de novo. Faz-nos colocar no lugar dos personagens e pensar como agiríamos se estivéssemos lá. 

Leitura rápida com um narrador bastante sui generis e que não é previsível! Gostei muito!

Terminado em 31 de Agosto de 2021

Estrelas: 5*

Sinopse

Numa noite fria e escura, um grupo de amigos percorre uma estrada de montanha numa caravana. Rumam a umas férias muito desejadas.

E, num instante, tudo muda.

Um veado. Uma travagem. Uma queda a pique pela encosta.

A jovem Finn Miller não resiste ao acidente. Para os seus companheiros de viagem, começa então uma perigosa jornada. Pois segue-se uma implacável tempestade de neve que os deixa perdidos no meio do nada. Perante a ameaça da morte, são obrigados a tomar decisões irreversíveis. Para os sobreviventes, a vida nunca mais será a mesma.

Jack, o pai de Finn, procura apenas vingança. Mo, a sua melhor amiga, procura somente a verdade. Chloe, a irmã, procura juntar-se a Finn. E a mãe, Ann, vive atormentada com o que aconteceu naquela noite na montanha e com o que descobriu sobre as pessoas que pensava conhecer intimamente.

Num Instante, Tudo Muda coloca-nos perante nós próprios e faz perguntas incómodas: será que nos conhecemos verdadeiramente? Numa situação extrema, o que estaríamos dispostos a fazer?

Um livro sobre o poder do amor, a importância da família... sobre a essência do ser humano (com todas as suas fragilidades) e, acima de tudo, sobre seguir em frente, mesmo quando isso não parece possível.

Cris

terça-feira, 14 de setembro de 2021

"A Noiva Cigana" de Carmen Mola

Uma jovem cigana é assassinada barbaramente quando se dirige a casa depois da sua despedida de solteira. Não mais se irá casar. Este é o ponto de partida deste livro.

Já tinha ouvido falar bem e sendo thriller/policial era de esperar que tivesse bastante acção e que a trama prendesse o leitor à cadeira. Foi o que aconteceu comigo. Gostei muito e espero a continuação do que suponho ser uma série à volta da inspectora da polícia, Elena Blanco, cuja história de vida prende tanto ou mais do que a descoberta deste assassino que tortura com demorado horror as suas vítimas! 

Viciante, com reviravoltas suficientes para distrair o leitor da resolução deste caso de assassinato macabro, este livro deixa em aberto a resolução do maior horror que uma mãe pode sentir, o desaparecimento de um filho. Que venha rápido o próximo.

Duas histórias em paralelo que se mesclam numa perfeição genuína.

Gosto de ler este género literário misturando-o com outras leituras. Parece estranho mas descansa-me tentar descortinar quem é o culpado de crimes horrendos. Talvez porque essas situações criadas fujam, em muito, da vida do meu dia a dia. E ainda bem!

Terminado em 31 de Agosto de 2021

Estrelas: 5*

Sinopse

Susana Macaya, filha de pai cigano mas educada fora da comunidade, desaparece depois da sua despedida de solteira. O corpo é encontrado dois dias depois na Quinta de Vista Alegre no bairro madrileno de Carabanchel. Poderia ser mais um homicídio, não fosse o facto de a vítima ter sido torturada na sequência de um ritual inusitado e atroz e de a sua irmã, Lara, ter sofrido o mesmo destino sete anos antes, também na véspera do casamento. O assassino de Lara cumpre pena desde então, pelo que há apenas duas possibilidades: ou alguém imitou os seus métodos para matar a irmã ou há um inocente encarcerado.

Investigar uma pessoa implica conhecê-la, descobrir os seus segredos e contradições, a sua história. No caso de Lara e Susana, a detective Elena Blanco deve olhar para a vida de alguns ciganos que renunciaram aos seus costumes para se integrarem na sociedade, e de outros que não lhes perdoam, e levantar cada véu para descobrir quem poderia vingar-se com tanta crueldade de ambas as noivas ciganas.

Cris

sábado, 11 de setembro de 2021

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

A Convidada Escolhe: "Longa Pétala de Mar"

A narrativa começa no final dos anos 30 do século XX, com a sangrenta Guerra Civil espanhola que levaria à morte e à fuga em massa dos opositores de Franco, aquando da sua vitória sobre os esquerdistas.

O exílio de milhares de pessoas e a sua luta para refazer a vida noutras paragens, leva-nos à história recente do Chile e a conhecer outra faceta do poeta Pablo Neruda, que sendo à época, consul em Espanha se empenhou a que o seu país aceitasse receber algumas destas pessoas enaltecendo nelas qualidades profissionais e intelectuais que seriam proveitosas para o Chile. Assim e apesar de muita contestação fretou um navio, o Winnipeg, que levaria mais de dois mil refugiados ao Chile. 
É esse o destino dos protagonistas da história, que no decurso das suas vidas ainda terão que rumar à Venezuela como fugitivos depois do golpe de estado de Pinochet que derrubou o presidente Salvador Allende.

Com escrita irrepreensível, cheio de personagens históricas e factos veridicos, este livro é um exemplo supremo de um romance que é simultâneamente um testemunho histórico com o qual se aprende e um romance envolvente que nos encanta com o intrincado enredo da vida dos protaginistas.

Cada vez que leio Isabel Allende fico mais convicta da excelência desta escritora!

Marília Gonçalves

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

"A Última Casa em Needless Street" de Catriona Ward

Fe-no-me-nal!

Muito bem estruturado, com twists uns a seguir aos outros, imprevisível, este livro está para além do que possam imaginar. Sem fazer spoilers, posso dizer-vos que enquanto lia as primeiras cem páginas, desconfiada como sou, pensei que era impossível a história ser tão linear quanto parecia, embora a trama estivesse bem arquitectada. 

O que nunca pensei era que se alterasse tanto nem tão drasticamente e posso afirmar-vos que não vão conseguir sequer chegar perto daquilo em que ela se vai transformar!

Pouco mais posso avançar sob pena de não saber contar o que mais importa ou, então, contar-vos em demasia. O que posso dizer-vos é que é pouco provável que tenham lido algo semelhante! Eu, pelo menos, nunca li nada assim.

Viciante, perturbador, intenso, inquietante e muito complexo. São 300 pág. de puro prazer de ler!

ALERTA SPOILER. Mesmo não contando nada da história será melhor não lerem o parágrafo seguinte. 

A história é ficção mas aborda uma doença muito perturbadora e real: a Perturbação Dissociativa de Identidade, uma doença do foro psicológico que surge, muitas das vezes, para colmatar situações frequentes de abuso e maus tratos contínuos numa criança. Para poder suportar a dor, o cérebro cria uma outra identidade mais forte permitindo que a criança consiga distanciar-se desse elemento que a faz sofrer. E se isso a salva da loucura e da dor intensa quando criança, em adulto, a existência de um ou mais alter egos torna-se uma perturbação que precisa de tratamento intenso e prolongado.

Terminado em 27 de Agosto de 2021

Estrelas: 6*

Sinopse

Não vai acreditar no que se esconde na última casa em Needless Street… Esta é a história de Ted, que vive com a filha Lauren e a gata Olívia, numa casa perfeitamente banal, ao fundo de uma rua igualmente banal. Esta é a história de um assassino. De uma criança roubada. De vingança.

Tudo isto é verdade. E quase tudo isto é mentira.

Pode acreditar que sabe o que se esconde na última casa em Needless Street. Pode até achar que já ouviu esta história em algum lugar.

Mas, na última casa em Needless Street, nada é o que parece.

Cris

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Resultado do Passatempo Mensal "Toca a Comentar"

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Agosto.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionado um vencedor! Foi ele:

Ryk@rdo

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 20, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros:

 

Cris


terça-feira, 7 de setembro de 2021

Para os Mais Pequeninos: "Podia Ser Pior"


O que mais gosto nos livros infantis, para além das ilustrações tão cheias de cor e que nos fazem demorar o olhar, é a mensagem subentendida que passa para os mais pequeninos e que pretende moldar o carácter destas mini pessoas que nos são tão queridas. 

Exemplo disso é este livro aparentemente simples mas tão cheio de conteúdo. "Podia ser pior". O título é exemplificativo da mensagem que pretende passar! 

Na vida encontramos, certamente, pessoas para quem tudo está mal e à mais pequena contrariedade cospem um mundo de reclamações cá para fora, azedando com isso a vida dos que estão a seu lado. Outras há que conseguem interpretar e sentir as pequenas contrariedades da vida que lhes acontecem com uma boa dose de esperança e boa disposição. A diferença entre as duas é abissal e o clima gerado à volta de cada uma delas é consideravelmente diferente e revelador dessa forma de encarar a vida.

É disto que nos fala este livro. De ver o copo meio vazio ou, pelo contrário, meio cheio. O Alberto e o Jorge com as peripécias vividas numa viagem de barco (que são muitas!) vão dar a conhecer ao pequeno leitor estas duas formas diferentes de encarar a vida. 

"Podia Ser Pior" possui ilustrações coloridas e bem bonitas.






Cris

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A Convidada Escolhe: "Eliete"

 Eliete – A Vida Normal, Dulce Maria Cardoso, 2018

“Todas as famílias, as felizes e as infelizes, tinham segredos, todas as famílias sabiam que a verdade devia ser desprezada como qualquer outra minudência que amesquinhe a vida”. (pág. 226). 

Esta citação é, quanto a mim, a chave deste “Eliete - A Vida Normal” (I Parte). Um livro “circular” em que as pontas da última e da primeira páginas se ligam, nos abanam e nos deixam na ansiedade duma Eliete Parte II, que se gostaria de ter logo ali à mão.

O final deixou-me atarantada. Dulce Maria Cardoso, que só conhecia das crónicas da «Visão», tem uma capacidade prodigiosa de agarrar quem a lê e de surpreender pelo inesperado, pela escrita forte e desabrida. Eliete, a avó, a mamã, o Jorge, a Inês, a Márcia, a Milena, o Sr. Pereira, a Mónica, o Duarte … surgem-nos ao longo de cerca de trezentas páginas com a sua humanidade, sem artifícios nem maquilhagem. É a vida comezinha, é o dia-a-dia, com o sabor que cada idade tem, com o cansaço que os anos trazem, com a indiferença do estar mas não estar, com a sensação de que se perdeu o pé, com a constatação de que as recordações jazem nas tralhas da arrecadação. A vida passou a ser vivida através do facebook ou do Instagram, caçam-se pokémons ou homens no Tinder, em vez de sentimentos há emojis e likes, o virtual substituiu o real. Eliete, uma mulher na casa dos quarenta, com um curso de Relações Internacionais que nunca lhe serviu para nada, com uma formação de seis meses para guia e intérprete a preparar um futuro no desemprego e actualmente vendedora de imóveis é uma mulher profundamente insatisfeita com a sua vida, sente-se muito só e estranha, como se vivesse com estranhos que são afinal as pessoas que mais ama, mas que não conseguem expressar um afecto que existiu, mas que o tempo e a idade fizeram esmorecer. 

O país também vai mudando. Da euforia dos dinheiros da CEE, passa-se à depressão e de novo à esperança. Os pontos altos no orgulho lusitano – Expo 98, Euro 2004, campeões europeus de futebol – dão lugar à depressão com a intervenção da troika. Também no mundo, o inimaginável acontece: Trump é eleito. Tudo isto vai surgindo de forma natural na escrita torrencial de Dulce Maria Cardoso, como pano de fundo da sociedade em que Eliete respira. As pequenas e as grandes coisas ligam-se umas às outras sem interrupções, nem pausas, duma forma natural e muitas vezes divertida. Até a decadência da avó com doença de Alzheimer é apresentada sem sentimentalismos nem eufemismos. 

As pontas soltas que se unem e de que falei ao início começam no momento em que a avó tem o primeiro episódio que a leva ao hospital e o temporal que apanha Eliete na casa da avó. O que irá acontecer?

2 de Setembro de 2021 

Almerinda Bento

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

A Convidada Escolhe: "A Geração da Utopia"

A Geração da Utopia, Pepetela, 1992

Pepetela e este livro foram para mim uma revelação maravilhosa. Cada dia que passa percebemos que há tanto para descobrir e lamentamos ter conhecido alguns escritores num tempo já tão avançado da nossa idade. Mas, mesmo tarde, foi mais uma bela descoberta e mais vale tarde do que nunca.

O livro começa com “Portanto, …” e termina com “… portanto.” “Como é óbvio, não pode haver epílogo nem ponto final para uma estória que começa por portanto.” Esta frase que põe fim ao romance, aponta, em minha opinião, para o facto de que todas as desilusões pelo derrubar das nossas utopias são sempre superadas pelo devir, pela esperança da concretização dos nossos sonhos, nem que seja na geração ou nas gerações que nos seguirão e que terão como nós utopias, sonhos, tudo afinal que faz a humanidade evoluir e aspirar à felicidade. 

Esta geração da utopia que aqui nos é retratada é a geração dos jovens universitários angolanos que viviam em Lisboa na década de 60 do século passado e que conviviam, namoravam e se organizavam em torno de um ideal de independência e libertação do colonialismo. Estando longe de Angola na fase inicial da guerra, numa Lisboa insegura pela presença da polícia política que vigiava tudo e todos, os jovens angolanos e africanos vivenciaram a rejeição dos portugueses que os olhavam com suspeição, instrumentalizados pela propaganda salazarista do “Angola é nossa!”, que os encaravam como inimigos. “ Sara era branca, e portanto à partida, considerada uma boa portuguesa. Os negros e mulatos eram quase apontados a dedo, nos cafés, nos cinemas, na rua. Traziam na cara os estigmas que os denunciavam como potenciais terroristas.” Por outro lado, embora sedentos de viverem num país livre do poder colonial, viviam a contradição e o receio dos métodos da UPA que recusavam e começavam a contactar e organizar-se em movimentos novos com ideais de liberdade, justiça e igualdade. 

O romance decorre em quatro momentos diferentes. Em 1961, em Lisboa, no início da guerra colonial. Em 1972, na mata angolana, os jovens universitários angolanos que haviam fugido para Paris, são agora os guerrilheiros cansados da guerra, frustrados, divididos por querelas, tribalismo e regionalismos, pois, como diz Vítor “O tempo do romantismo morreu.”. Em 1982, terminada a guerra contra o regime colonial, os partidos digladiam-se em Angola e a grande maioria da população e os deslocados da guerra vivem miseravelmente – “… o passado de quimeras trouxe este presente absurdo”. Aníbal, cujo nome de guerra era Sábio, e que se pensava ter morrido, vive sozinho num morro junto a uma praia, vivendo do peixe que caça, regando a sua mangueira onde sente que está o espírito de Mussole e com a ideia fixa de enfrentar um polvo gigante escondido numa gruta. “Eu morri e desencantei-me” assim se confessa Aníbal, aquele que era o mais politizado do grupo da Casa dos Estudantes do Império e que se afastou da política oficial por rejeitar o oportunismo e a corrupção em que muitos dos seus antigos camaradas e amigos caíram. Finalmente, em 1991, passados 30 anos de guerra, é o tempo dos negócios, das negociatas, das ligações entre a política e os negócios. Muitos dos vícios do colonialismo surgem às mãos dos que antes lutaram contra ele e o descrédito dos políticos e da política impõem-se entre o povo. O terreno está fértil para todas as manigâncias e traficâncias, para os charlatães e profetas da felicidade, a triste saída quando o povo já não tem mais nada a que se possa agarrar.

É um livro desencantado, com uma denúncia feroz aos jogos de poder e à burocracia instalada que tudo mina, embora, como disse no início, o autor deixe em aberto a esperança na humanidade e num futuro melhor e mais justo para todos. Gostei imenso da escrita poética de Pepetela, utilizando uma linguagem sensitiva, rica nas descrições, coloquial e com regionalismos cujo significado nos remete para o glossário no fim do livro. Gostaria de assinalar cenas inesquecíveis e metafóricas como a caça do bambi fêmea grávida que resiste até ao fim e a luta contra os nossos medos mais profundos empreendida por Aníbal na cena da caça ao polvo. 

Se a primeira parte do livro, o período dos anos 60 me fazem lembrar os meus tempos de estudante universitária e da luta estudantil contra o regime opressor que existia em Portugal, o capítulo “O polvo – Abril de 1982” foi, sem dúvida, aquele que mais apreciei em todo o livro, pela força e pelas descrições de imensa beleza e realismo.

Mouriscas, 16 de Agosto de 2021

Almerinda Bento

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

"Os Cem Anos de Lenni e Margot" de Marianne Cronin


Este livro é especial. Senti isso logo no início e comentei com algumas amigas mas também lhes disse que tudo dependeria de como seria desenvolvida a história e como é que a autora conseguiria colocar um "ponto final" nela. 

O tema que está subjacente a esta trama é um pouco tabu para todos nós porque não é fácil aceitar algo permanente, imutável e desconhecido: a morte. E quando a morte visita alguém em plena juventude ainda pior. 

As palavras precisam de ser escolhidas com cuidado e delicadeza ao abordar esse monstro. E foram. Não é um livro lamechas e a personagem principal, também narradora na sua maior parte dos capítulos, Lenni, é uma jovem cheia de vida e de projectos, que revoluciona a vida de muita gente do hospital onde está internada. É, uma jovem cheia de vida, como referi. Só que possui uma doença terminal. 

E, ao referir isto, vocês vão pensar que este livro não é para vocês porque é muito pesado! Enganam-se redondamente. O que mais me encantou foi a delicadeza das palavras encontradas, a beleza de uma história que tinha tudo para ser um drama pesadíssimo e não é. Lenni é uma menina de 17 anos que procura respostas e conhece Margot, de 83 anos, que tem toda uma vida já vivida para recordar. Unidas por uma amizade que as vai marcar a ambas, estas duas meninas/mulheres têm muito que aprender e ensinar uma com a outra. O leitor, no meio, sentirá um misto de emoções, às vezes contraditórias, que o inquietam muito mas que, espantosamente, também o acalmam!

Um título que tem tudo a ver, um final estrondosamente bonito, real e triste. Adorei! 

Terminado em 23 de Agosto de 2021

Estrelas: 6*

Sinopse

LENNI TEM 17 ANOS E POUCO TEMPO DE VIDA. 

MAS O ENCONTRO COM MARGOT, UM ESPÍRITO REBELDE COM 83, ESTÁ PRESTES A MUDAR TUDO NOS SEUS DIAS. 

A vida é curta. Ninguém sabe isso melhor do que Lenni, de 17 anos, internada numa enfermaria para doentes terminais. Em breve, apren­derá que não é apenas o que se faz com a vida que importa - mas também como e com quem a partilhamos. 

Contrariando as ordens do médico, Lenni começa a frequentar aulas de arte. É lá que conhece Margot, uma doente de outra enfermaria, com 83 anos e um espírito rebelde. O laço que se cria entre elas é instantâneo, ao perceberem que, somando as suas idades, viveram cem anos incríveis. 

Para celebrar o seu século em comum, decidem pintar as histórias das suas vidas: de como é envelhecer e ser jovem, dar alegria, receber bon­dade, perder o amor ou encontrar a pessoa da nossa vida. 

À medida que esta maravilhosa amizade se aprofunda, os dias de Lenni e Margot ganham cada vez mais luz, esperança e… vida. 

Extraordinariamente espirituoso e cheio de ternura, Os Cem Anos de Lenni e Margot é um romance que nos relembra de que é feito, ver­dadeiramente, o admirável dom da vida. Uma história sobre a nossa capacidade infinita de criar amizade e amor, mesmo nos momentos mais difíceis - em que mais precisamos deles. 

Cris

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Experiências na Cozinha: "Livro Base da Cozinha Macrobiótica"


Hoje trazemo-vos um cereal que muitos não conhecem, o millet, muito usado na culinária maacrobiótica. Deve ser demolhado durante pelo menos meia hora, preferencialmente duas, e descartada a água da demolha.

Fizemos umas papas com pera mas também é usual usar maçã. Podem ser comidas quentes/mornas ou frias. Depois ainda se pode juntar granola, sementes e frutos vermelhos para compor ainda mais o pequeno almoço ou lanche. 

Fica bom! Esta receita rende umas três taças iguais às da foto. 




Cris