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domingo, 15 de maio de 2016

Ao Domingo com... Firmino César Gonçalves

Olá,

Sou o Firmino César Gonçalves, nascido a 16-09-1977 no Concelho de Paços de Ferreira, onde vivi até aos 25 anos, vivo em Lisboa desde 2003 com 1 ano pelo meio fora de Portugal onde estive a viver no Brasil.
Trabalho na área de recursos humanos, onde já fiz quase de tudo, comecei por operador de registos de dados, passei a técnico de digitalização, técnico financeiro, coordenação de equipas e gestor de cliente. Digo por brincadeira que sou de letras mas condenado aos números, mas sou uma pessoa que me entrego 100% e o trabalho não foge à regra.
Hoje tenho a convicção que nasci torto para que tudo desse direito, isto porque nasci com uma limitação física, pequena atrofia muscular a tendões nos membros inferior e superior esquerdos. Hoje sou uma pessoa normal, apenas fez com que na minha vida tivesse que ser resiliente e sempre em constante superação, para mim e para os outros, mas acho que essa limitação e a luta que exigiu fez com que me tornasse uma pessoa melhor. Tive que ir buscar o melhor de mim constantemente para vencer, nunca perdendo o caracter e coração.
Considero-me um sonhador e apaixonado incurável onde a vida na sua essência já é motivo para Sonhar e Amar todos dias. Aprendi que Amar nada tem a ver com ter ou muito menos prender, o Amor já é bom, basta eu o sentir por uma Mulher, um simples sorriso ou uma coisa das mais simples da vida e da natureza, basta sentir. Sonhar é fazer com que cresçamos como pessoas, e ir à procura do ainda por descobrir em nós, para crescer e sonhar nada melhor que viajar, o que hoje sou apaixonado. Outra minha grande paixão são os Amigos.
Dizem muitas vozes que eu na escola primária já mostrava jeito para a rima e escrita, e sim, sempre lembro que tinha rima fácil, mas o que eu considero meu primeiro mini poema, foi aos 16 anos na cidade do Porto num retiro de jovens onde estava presente. Durante anos escrevi em caderno, em cartas enviadas, até que um dia o caderno sumiu, e talvez por isso durante anos não fiz arquivo do que me inspirava.
No ano de 2007 resolvi criar um blogue, para o que tinha e o que podia criar, mas sem grande entusiasmo. Escrevia mais como desabafo, mas em 2009 por incentivo de duas amigas voltei em força a escrever, onde até fiz parte de site literário no Brasil e desde aí criei e arquivei tudo que inspirava mas sem grandes perspetivas de publicação, e até sem muito interesse, durante 2 anos quase todos sábados sentava em frente ao computador e fazia 1 a 2 poemas de criação pura, inspiração, meu mundo, e 2 anos depois já não conseguia fazer esses poemas por falta de tempo ou cansaço do trabalho diário, mas quase todos dias fazia 1 poema no telemóvel e arquivava, com 12,10 ou poucas linhas, e tudo arquivava.
Em 2015 vi no facebook o desafio da Chiado Editora para 1 Poema para Antologia do dia Mundial da Poesia, e acho que aí fez algum click, escolhi um que achei adequado e enviei, fui selecionado e aí talvez acordasse um sonho esquecido, não sei explicar, mas passado uns tempos a Editora desafiou-me a enviar os meus trabalhos, dividi em 2 e enviei, sem muitas esperanças, mas acontece que foram aprovados e hoje publicados.
O primeiro livro “Por entre a Pele e a Alma” é muito como o título revela, e são aqueles 192 poemas de sábado a tarde, onde saía do Mundo e criava o meu “Mundo”, muito intenso e com paixão e Alma, o segundo livro “As cores de um Amor Oculto” são aqueles poemas, desabafos, pensamentos puros de inspiração criativa, aqueles que todas as noites fazia, mas sempre com a Alma e o coração, podem a partida parecerem iguais, mas são tão diferentes.
Assim sou eu, sonhador, resiliente, e talvez um pouco louco por ainda Sonhar e Amar, mas quem é normal?

Firmino César Gonçalves

sábado, 14 de maio de 2016

Na minha caixa de correio

  

  
  


 



Oferta da Vogais: Os Últimos Sete Meses de Anne Frank. Vou lê-lo de seguida. Super curiosa! Também da Vogais um livro para colorir, Imagimorphia. Desenhos espectaculares.
Acasos Felizes foi ofertado pela Topseller. A II Guerra também aqui presente.
Chico Tainha comprei na apresentação do livro. O Autor, Fernando Rui, é um amigo de longa data.
A Borra do Café foi oferta de um amigo. Obrigada Pedro!
Da Manuscrito recebi Perder a Barrida Sem Fazer Abdominais, com direito a uma conversa com a autora e uma demonstração de alguns exercícios. Falarei mais tarde disso.
Os restantes foram ganhos no Liga e Ganha, passatempos do JN.


sexta-feira, 13 de maio de 2016

A Escolha do Jorge: Gramática do Medo

"Gramática do Medo" é o projeto conjunto das escritoras Maria Manuel Viana e Patrícia Reis publicado recentemente pela Dom Quixote. A obra apresenta-se num registo (quase) policial atingindo a apoteose com a tomada de consciência por parte do leitor em relação à estrutura da narrativa.
"Gramática do Medo" revela-se uma obra que se traduz num duplo significado de viagem: a viagem no sentido geográfico cujo objeto se confunde com a questão ontológica fulcral apresentada, e a viagem pelos meandros da literatura brindando o leitor com horizontes intelectualmente estimulantes.
Viagem… Vida… Conhecimento… Conceitos que se cruzam e entrecruzam acabando por se confundirem em determinados pontos. Conceitos que se aplicam às personagens principais de "Gramática do Medo", Sara e Mariana, cujas vidas se cruzaram quando ainda muito jovens, acabando por se tornarem dependentes uma da outra, complementando-se uma à outra, confundindo-se uma com a outra, tornando-se, segundo Mariana, "o avesso uma da outra" (p. 90). Uma amizade que se confunde com um estádio de amor que só quem partilha amizades intensas e unas compreende porque sente essa ligação que lhes é própria e que se identifica com o próprio ser. O "eu" que se reflete no "outro" superando-se e confundindo-se num "nós" é o jogo fenomenológico da viagem do (re)conhecimento da identidade que acompanha toda a obra.
Mas esta viagem só se concretiza a partir do momento em que Mariana, de forma (in)esperada, desaparece sem deixar rasto deixando as preocupações e questões habituais nestes casos. Porquê? Para onde terá ido? E novamente, porquê? Se por um lado Mariana embarcou numa viagem, pelo que se sabe, rumo ao Mediterrâneo, por outro lado, Sara, a par da procura de Mariana, vai iniciar uma viagem interior numa busca de identidade ou de (re)encontro consigo própria. "(…) O reencontro com Mariana, o resgate de Mariana, a salvação de ambas." (p. 154)
Deste modo, o misterioso desaparecimento (ou fuga inusitada) de Mariana conferiu a Sara a possibilidade de realizar uma viagem em que a geografia se vai confundir com a questão ontológica numa viagem que constitui uma espécie de peregrinação individual na busca de si própria em que o momento mais intimista se mistura (ou confunde) com o religioso numa perspectiva de (re)descoberta da essência de si mesma.
Esta complexa viagem do desejo de reencontrar Mariana que se mistura com a busca da identidade de Sara coloca inúmeras questões sobre o conhecimento que temos acerca do outro. E a questão "o que conhecemos do outro?" que aparentemente se apresenta simples em si mesma, acaba por revelar-se com contornos bastante complexos. Partindo da premissa que Mariana e Sara eram "o avesso uma da outra", Sara é confrontada com a clarividência de tantos aspectos e acontecimentos da vida da amiga (ou a outra face do "eu") apresentando um lado ou uma face totalmente desconhecida, revelando-se, em certa medida, uma pessoa diferente, tendo em consideração as revelações no decurso da procura de Mariana.
Impõe-se novamente a mesma questão: o que conhecemos afinal acerca do outro? Ou simplesmente, conhecemos verdadeiramente o outro? Ao longo da narrativa o leitor vai tomando consciência de que o conhecimento que construímos do outro baseia-se muito para além daquilo que o outro conta, tendo também de considerar aquilo que o outro não conta através de actos, gestos e até silêncios, e ainda aquilo que aprendemos através de outras pessoas que conhecem diferentes perspectivas, facetas e dimensões desse mesmo outro.
De revelação em revelação, de pista em pista na demanda de Mariana, Sara é conduzida ao Mosteiro de Ostrog, no Montenegro, o mais importante local de culto daquele pequeno país dos Balcãs. O Mosteiro de Ostrog poderá em certa medida desempenhar um papel semelhante ao "conhece-te a ti mesmo", inscrição do Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga, quando pensamos nesta viagem como uma viagem interior, ontológica, (quase) de natureza religiosa. A viagem de Sara permite o encontro consigo própria, ganhando uma dimensão ou consciência de si mesma para voltar novamente a perder-se, embarcando assim num novo périplo, desta vez, rumo à sua vida.
Excertos:
"Muito mais tarde, anos depois, quando já eram, nas palavras de Mariana, o avesso uma da outra, acabariam sempre a concordar que esse fora o momento inicial, o começo de um amor que as ligaria para o resto das suas vidas. E, no entanto, Mariana quebrara o acordo, partira, esfumara-se, traíra Sara pela primeira vez. Ou não? E não o quê? Não traíra ou não fora a primeira vez?" (p. 90)

"Podia ter sido uma amizade passageira, um caso, um deslumbramento. Também acontece. Aquelas pessoas que se cruzam connosco, com quem temos uma cumplicidade imediata, trocamos segredos, rimos a desoras, ficamos perante a carne e as lágrimas com uma honestidade quase bizarra, parece que somos o tudo e o nada, um pacto de sangue sem o corte no dedo, não é preciso o simbolismo, basta a possibilidade de aguentar o silêncio em conjunto e, depois, sem se saber como, a mesma pessoa que foi nossa intensamente, que nos pertenceu e tirou tanto e deu outro tanto, essa pessoa desaparece, já não importa, o telefone deixa de tocar um dia, depois o outro, e depois para sempre. O lado platónico não aguenta a distância e o que era crucial, tão imediato, cheio de empatia, deixa de o ser." (p. 127)

"Durante vinte anos estivemos uma na outra com a tal vida dupla. Nem eu sei tudo de ti, nem tu suspeitas de metade da minha existência. Era um acordo silencioso, de não agressão, mesmo que, por vezes, escapasse um sentimento de posse. Uma noite, há quantos anos?, dei comigo a ver-te dançar com a Bela e senti que era uma traição, não podias ter todo aquele riso para outra pessoa. Houve momentos destes. Nunca falámos sobre isso, Sara, não serviria de nada. Trocámos roupa vezes sem conta. Atirei-te nomes de homens para escolheres. Levei-te às galas televisivas e outras festas. Tu já não eras uma desconhecida, eras a voz dos poemas que um programa de rádio popularizou. Eras uma estrela sozinha e eu, sempre orgulhosa de ti, a tentar que fosses feliz." (p. 129)

Texto da autoria de Jorge Navarro

Novidade Bertrand

O Assassínio de Cinderela
de Mary Higgins Clark e Alafair Burke
Laurie Moran, produtora televisiva, está delirante com o sucesso do seu programa Sob Suspeita. Além do mais, este programa, que recria casos por resolver, ajudou a solucionar um homicídio logo no primeiro episódio.
Agora, Laurie tem o caso ideal para o seu próximo programa: o Assassínio de Cinderela. Quando a bonita estudante universitária Susan Dempsey foi encontrada morta, o caso levantou muitas perguntas. Porque estava o seu carro estacionado a quilómetros do seu corpo? Teria chegado a aparecer para a audição combinada em casa de um realizador? Porque quererá o namorado de Susan esquivar-se a perguntas sobre a relação deles? E porque faltava um sapato a Susan quando o seu corpo foi encontrado?
Laurie sabe que este caso vai dar um excelente programa, especialmente porque os amigos suspeitos pertencem à elite de Hollywood e do mundo da tecnologia. O suspense e o drama são perfeitos para o pequeno ecrã, mas 
estará o assassino da Cinderela pronto para um grande plano?

Novidade Porto Editora

A Guitarra Azul
de John Banville
Abandonado pelas musas, Oliver Orme pode já não ser um pintor, mas será sempre um ladrão. Orme não rouba por dinheiro, mas pela necessidade de reter e corrigir o mundo em seu redor e pelo prazer, quase erótico, de furtar algo aos outros; bens irresistíveis como Polly, a mulher do seu melhor amigo Marcus. Quando o caso de ambos é descoberto, com consequências irreparáveis para Marcus, Polly, Orme e a sua mulher Gloria, o culpado refugia-se na sua casa de infância, enveredando por um caminho que irá forçá-lo a enfrentar-se a si próprio em busca de redenção.
Mordaz, espirituoso, emocional e devastador, A Guitarra Azul disseca a natureza do ciúme e dos relacionamentos e revela uma vida assombrada pelo desejo da posse, permanentemente consciente da fragilidade do coração dos homens.

Novidade Clube do Autor

Síndrome de Antuérpia

de João Felgar
No princípio tinha corpo e nome de homem. Depois partiu da aldeia, foi-se embora. Quando voltou era uma mulher, com um nome estranho e um passado de estrela dos palcos. Mas talvez fosse mentira. Por algum tempo foi atração de uma boîte de beira de estrada. Até à noite do incêndio, quando lhe deram o nome de Castiça, e se tornou a tola da aldeia.
No primeiro sábado da Quaresma Castiça aparece morta no fundo de uma pedreira abandonada. Traz vestida ainda a roupa que usara durante o corso e o baile de carnaval. Castiça era a doida da aldeia, cantava nas esquinas, bebia muito, e dizia asneiras alto. Mas não foi sempre assim, nem teve sempre esse nome.
Justiniano Alfarro é preso no próprio dia em que o corpo é descoberto, porque tudo indica, com uma clareza sem margem para dúvidas, que foi ele quem a matou. Seria tudo um logro, um embuste, porque Justiniano era o mais perfeito dos homens. Mas nenhuma voz se levantou quando o levaram, e todos aceitaram a notícia num silêncio cúmplice. Todos, menos as mulheres que o amaram.
Antuérpia, sua filha, é uma dessas mulheres. Convencida de que enfrenta um conluio, prepara-se para repor a verdade procurando-a no passado do pai. Mas engana-se, porque a origem de tudo está no futuro da aldeia.

Novidade TopSeller


quarta-feira, 11 de maio de 2016

"Escondi a Minha Voz" de Parinoush Saniee

Fico maravilhada quando um livro me devora, quando acerta com os meus sentimentos, quando ler se torna um prazer sem fim e tão real que mais parece que os personagens vivem comigo, ao meu lado!

Esta história conquistou-me mesmo antes de pegar no livro. A sinopse e a capa pareciam indicar que era a escolha certa. Mas o conteúdo, esse sim, tomou posse de mim, agarrou-me pela simplicidade mas ao mesmo tempo pela profundidade com que a autora nos contou a história de um menino que não fala. Porque não pode, porque não quer?

Levado a inúmeros médicos para que possam acertar no diagnóstico e para que o "maluquinho", como era apelidado, deixe de ser objecto de risota e troça, Shahab, no alto dos seus cinco anos, mais se fecha e mais rancor guarda para si e em si.

Numa sociedade em que os códigos de conduta são impostos por regras que muitas vezes não compreendemos, Shahab luta pelo amor da mãe e experiência pelo pai um rancor cada vez mais profundo. Só a meio do livro é-nos dada a certeza do local onde se passa o enredo, Teerão. As limitações que esses codigos de conduta impostos trazem aos jovens, sujeitam-nos a tomadas de decisão que muitas vezes vão influenciar negativamente o seu futuro. Da mesma forma, as pressões dos pais perante aquilo que esperam dos filhos, levam a que estes encaminhem as suas vidas para sentidos diferentes daquilo que ambicionam verdadeiramente, tornando-os infelizes.

Um livro que marca e deixa o leitor a pensar. O que faz o amor e o desamor numa criança.
Recomendo vivamente!

Terminado a 7 de Maio de 2016

Estrelas: 6*

Sinopse

Shahab tem quatro anos, mas ainda não começou a falar. O médico da família não considera que a situação seja grave, mas o menino é tratado por todos como «maluquinho». Shahab começa por julgar que se trata de um termo carinhoso, até ao dia em que o primo o tenta obrigar a beber água de um esgoto para provar que ele é de facto atrasado. Shahab começa a ter desejos de vingança e gradualmente, à medida que cresce, vai sendo marginalizado por todos. A mãe é a sua única aliada no mundo, o seu escudo e a sua fonte de amor. Uma história comovente e apaixonante, vivida no riquíssimo e colorido contexto social e cultural do Irão dos nossos dias.

terça-feira, 10 de maio de 2016

A convidada escolhe: "Uma Velha e o seu Gato e a História de Dois Cães

São dois contos escritos por uma mulher amante de animais e da liberdade, o tema subjacente aos dois contos escritos com cerca de dez anos de intervalo.
“Uma Velha e o seu Gato” é a história de Hetty e de Tibby. Hetty era uma mulher fora do padrão. Tinha sangue cigano e desde sempre tivera comprtamentos fora do habitual. Com o tempo esses comportamentos levaram-na a ser rejeitada pelos filhos bem instalados na vida, que se envergonhavam de uma mãe que se vestia com peças desconexas e de cores garridas, que mendigava roupa às pessoas ricas que já não as usavam. Comprava e vendia roupa em segunda mão e assim vivia. Aprendera a escapar-se à polícia, à segurança social, aos funcionários do Estado que lhe ofereciam um lar de idosos para ela morrer em paz. Mas não era isso que ela queria. 
A única companhia de Hetty era Tibby, o gato vadio que caçava pombos e os trazia para a sua dona comer. Hetty e Tibby eram almas gémeas: velhos vadios, selvagens, livres e que em liberdade queriam morrer. 
Este conto passa-se na grande Londres feita de contrastes, de indiferença face ao estranho, de ricos e pobres, de pessoas esquecidas pelos filhos, de pessoas que sobrevivem como os gatos, de gatos que são o único consolo dos sem-abrigo.  O Estado lá está inventariando quem deverá ser encaminhado para um lar ou, no terreno, a horas mortas, fora dos olhares dos cidadãos comuns, procurando no meio de prédios abandonados e em ruínas os cadáveres dos que morreram de doença, de inanição, de frio, de fome, de abandono. 
A segunda história também é uma história de liberdade. “A História de Dois Cães” passa-se nos grandes espaços das fazendas de África. A narradora é uma menina de 14 anos, irmã de um rapaz um pouco mais velho, mas que assume um papel de supremacia face à irmã e enquanto treinador dos dois cães que há que domesticar.
No princípio era um cão – Jock – que frequentemente se ausentava, encontrando companhia junto aos “cães nojentos do complexo dos africanos” nas palavras dos pais da narradora e do seu irmão. Era, pois, preciso encontrar um companheiro para Jock para evitar as más companhias! Bill foi o cachorro encontrado para esse papel, só que nunca conseguiu cumprir esse objectivo. Não se adaptava a nada: não era cão de guarda, não era cão de trabalho, não era treinável, nem domesticável. Os seus latidos e comportamentos intempestivos levavam mesmo a que considerassem que aquele cão era estúpido. Fugia, atacava os galinheiros dos fazendeiros da vizinhança, era má companhia para Jock, pois incitava-o a acompanhá-lo e a ausentar-se por longos períodos. Fora dos períodos de férias da narradora e do irmão em que se esforçavam por treinar Bill e Jock, a verdade é que as notícias que recebiam dos pais quando estavam internos no colégio, eram desanimadoras: não havia nada a fazer, os cães estavam cada vez mais selvagens. A liberdade dos grandes espaços africanos era mais forte que qualquer tentativa de domesticação. 

Almerinda Bento

segunda-feira, 9 de maio de 2016

"O Meu Avô Luís" de Sofia Pinto Coelho

Não sei porque é que este livro chamou por mim! Creio que foi escrito com base num documentário, que não tive oportunidade de ver, feito por Sofia Pinto Coelho, jornalista na SIC, sobre o seu avô Luís, embaixador na época de Salazar. Considero espectacular conseguir recriar uma vida de um antepassado nosso, vivê-la de novo por ele e ter coragem de enfrentar algumas pressões familiares por desvendar mistérios antigos.

À autora ajudou a imensidão de cartas guardadas, os filmes Que eram a paixão de seu avô e as conversas com os familiares mais idosos. Que bom deve ser sido possuir esta oportunidade de olhar para um passado e de vivê-lo segundo regras e normas sociais tão diferentes das actuais! Creio que foi isso que invejei e que despertou o meu interesse por esta leitura.

Gostei do que li. Gostei de ficar a conhecer o avô Luís, com o seu carácter recto, honesto e um pouco intransigente. Gostei ainda mais dele quando se viu a braços com um amor, já quando estava a casa dos cinquenta, por uma mulher mais nova que ele. Pensar no que terá sentido, nas contradições que sentiu ao amar alguém que não devia, porque era casado e porque sentia pelo estado salazarista um sentido do dever muito grande. Contra o que pensava, contra tudo o que acreditava, amou! E por amar, renunciou ao seu cargo, à sua posição no país.

Gostei de ficar a conhecer mais pormenores históricos de uma época à qual, felizmente, pouco vivenciei. A história do "avô Luís" foi um pontinho pequeno dessa época. Felizmente para ele, e por estar certamente na posse de mais valias que poucos então possuiam, a sua história teve um final feliz, embora recheada de muitas lutas pessoais. Essas mais valias de que falo, como a educação priviligiada que teve acesso e a pertença a famílias abastadas, deu-lhe armas para lutar pelo amor que encontrou tardiamente. Quantos outros se limitaram a lutar somente para subsistir?

Gostei de ficar a conhecer a sua vida e também mais um pouco do que foi Portugal numa época que nos parece tão longe mas que nem por isso se encontra tão afastada assim... Fiquei curiosa com p documentário feito pela autora. Gostava de o ver.

Terminado em 4 de Maio de 2016

Estrelas: 4*+

Sinopse

Sofia Pinto Coelho descobriu os filmes antigos e as cartas do seu avô numa arrecadação, a neta Sofia confrontou-se com a história de Luís Pinto Coelho, professor catedrático de Direito, figura respeitadíssima do Estado Novo. Já casado e com seis filhos, apaixona-se por uma top model norte-americana, livre de preconceitos. Mas o país tinha mão pesada e «o avô Luís» pagará o preço pela ousadia.

sábado, 7 de maio de 2016

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

   



Eta, semana boa! Bem, é certo que fui buscar 7 livros que ganhei no Clube dos Passatempos (alguns só precisei fazer 4 chamadas) e que comprei 2 mas esta semana foi um entrar de livros maravilhoso!
Então aqui fica a sua proveniência:
Oferta da Bertrand: Escondi a Minha Voz. Já vou a caminho do final pois peguei nele mal chegou...
Da Porto Editora chegou sem contar, Maria.
A Presença ofertou-me A Confissão do Navegador. Alerto-vos para o passatempo que está a decorrer neste momento. Já participaram?
Da Topseller chegaram dois: Confesso e A Mulher do Traidor.
Da Chiado Editora, A cuidadora.
Comprei nos saldos da Barata, A música da Fome e O Grito de Guerra da Mãe Tigre.
Os restantes foram ganhos onde já  referi.
O meu obrigada às editoras parceiras!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Novidade Vogais

Os Últimos Sete Meses de Anne Frank

de Willy Lindwer

O extraordinário diário de Anne Frank tem vindo a comover milhares de leitores em todo o mundo, sendo um testemunho pungente e humano da perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, sabe-se muito pouco da vida desta jovem após a sua captura, a 4 de agosto de 1944, e posterior envio para os campos de concentração. Como suportou ela a brutalidade do regime nazi? As respostas são-nos dadas, neste livro, pelas mulheres cujas vidas se cruzaram com Anne Frank em Westerbork, Auschwitz e Bergen-Belsen.
Ao realizar o documentário Os Últimos Sete Meses de Anne Frank, Willy Lindwer ficou impressionado com as entrevistas que realizou a seis mulheres que viveram e partilharam com Anne Frank os dias de horror nos campos de concentração nazis. Lindwer decidiu publicá-las integralmente, dando origem ao livro Os Últimos Sete Meses de Anne Frank.
Cada uma das seis entrevistadas tem uma história extraordinária para contar - exemplos de um terror inimaginável, mas, simultaneamente, histórias de coragem e compaixão. Ao relatarem as suas memórias, as mulheres sujeitaram‑se a um enorme stress emocional e psicológico. A vida de Anne Frank terminou pouco antes do seu décimo sexto aniversário. Estas mulheres tiveram mais sorte. Sobreviveram.
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Anne Frank tornou‑se um dos símbolos mais conhecidos dos judeus assassinados na Segunda Guerra Mundial. O seu diário, escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, enquanto estava escondida no «Anexo», foi publicado em mais de 50 países. Inspirou inúmeras adaptações para teatro, cinema e televisão. O Anexo, ele próprio, é agora um museu, atraindo centenas de milhares de visitantes de todo o mundo.
Era inevitável que a imagem que emergiu do diário fosse romantizada por um vasto público, especialmente pela geração nascida depois da guerra. Muitas dessas pessoas leram as histórias que Anne escreveu durante um dos períodos mais trágicos da nossa história. Anne tinha 13 anos nessa altura e 15 quando morreu.
A 1 de agosto de 1944, terca‑feira, Anne Frank escreveu a última carta no seu diário. A 4 de agosto, o SD (Sicherheitsdienst, Serviço de Inteligência Alemão] invadiu o Anexo, no n.º 263 da Prinsengracht. Todos os que lá estavam escondidos foram presos. Os escritos terminaram aqui. Ao longo dos anos, pouca atenção foi dada à vida de Anne depois de ser presa e deportada. Não se fez uma pesquisa detalhada e, nalguns casos, as escassas fontes existentes contradiziam‑se umas às outras. Assim, pouco se sabia sobre os sete últimos e fatais meses da sua vida, ou sobre como ela suportou o amargo sofrimento de Westerbork e Auschwitz‑Birkenau. Anne morreu de doença, fome e exaustão em Bergen‑Belsen, em março de 1945 — poucas semanas antes da libertação.
Estes relatos são necessários. O fascismo, o nazismo, a discriminação racial e o antissemitismo ainda existem — até a autenticidade do diário chegou a ser questionada. Por estas razões, muitas das testemunhas dispuseram‑ se a contar as suas histórias. Quiseram expor as feridas causadas pelos nazis e, talvez com isso, combater a injustiça onde quer que ela exista.

Novidade TopSeller

A Mulher do Traidor
de Allison Pataki
No ano de 1778, em plena Guerra da Independência Americana, o general Benedict Arnold ocupa o cargo de governador militar de Filadélfia. Os ferimentos sofridos durante a guerra e que o incapacitaram para sempre, a par da complicada situação financeira em que se encontra, fazem de Arnold um homem desiludido com o seu país.
Peggy Shippen, uma jovem e atraente rapariga obcecada por dinheiro e poder, é presença assídua na alta sociedade. Perdidamente apaixonado, o general Arnold conquista-a e casa com ela. Cego pela beleza da sua jovem esposa, Arnold anseia conceder todos os luxos que ela lhe exige.
Apoiado pelo espião John André – oficial do Exército Britânico e antigo amante de Peggy –, o casal põe em marcha um plano maquiavélico para destronar o comandante George Washington e entregar o forte de West Point aos ingleses, obtendo assim a fama e fortuna que ambos ambicionam.

Novidade Arte Plural


Sobremesas 555 – 5 Ingredientes, 5 Euros, 5 Minutos
de Rita Nascimento

Este é um livro à prova de preguiça para gulosos apressados, mas que gostam de apreciar os prazeres da doçaria.
Importa esclarecer que os 5 minutos referidos para fazer as receitas deste livro são 5 minutos de trabalho ativo e nem sempre total que a receita demora a ficar pronta. Mas o tempo restante pode ser aproveitado para outras coisas.
Sobremesas 555 – 5 Ingredientes, 5 Euros, 5 Minutos oferece ainda sugestões de doces para emergências gastronómicas, quer seja uma visita inesperada, uma festa improvisada ou até um ataque de gula! O conceito também passa por pegar em receitas clássicas e recriá-las em versões que podem não ser as mais autênticas, nem as mais tradicionais, mas são as mais rápidas e fáceis, além de
igualmente deliciosas!

Novidade Presença

A Confissão do Navegador
de Duarte Nuno Braga

Corre o ano de 1493. D. João II convida o navegador Duarte Pacheco Pereira a conhecer Cristóvão Colombo. Joga-se o destino de Portugal e do próprio Duarte Pacheco Pereira, incumbido de uma missão secreta que o leva aos confins do Atlântico. Neste empolgante romance histórico desvenda-se a figura pouco conhecida do navegador descrito por Camões como o «Aquiles lusitano». Do perigo dos mares ao calor da Índia e da batalha, somos levados para uma época envolta em segredos, conspirações e relações proibidas. A ambição de um reino muda a vida de um homem dividido numa busca espiritual entre a lealdade e o amor.
Para mais informações sobre este livro, visite o site da Editorial Presença aqui.

Novidade Planeta

O GUARDIÃO INVISÍVEL
de Dolores Redondo

Nas margens do rio Baztán, no vale de Navarra, é encontrado o cadáver nu de uma adolescente em circunstâncias que posteriormente é relacionado com um homicídio ocorrido na região meses antes.
Amaia Salazar, inspectora de homicídios da Policía Foral, é encarregue de dirigir uma investigação que a levará a Elizondo, uma pequena localidade de onde nasceu e de que tentou fugir toda a vida.
Forçada a enfrentar os desenvolvimentos cada vez mais complicados do caso e com fantasmas familiares que a perseguem, a investigação de Amaia é uma corrida contra o tempo para encontrar um assassino capaz de mostrar a face mais aterradora de uma realidade brutal, evocando ao mesmo tempo as criaturas mais inquietantes das lendas e do esotérico do Norte de Espanha.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A Escolha do Jorge: A Apologia do Ócio

Vivemos numa época em que as pessoas são cada vez mais absorvidas com o trabalho em detrimento da vida familiar e do tempo de lazer. Nos últimos anos a vida profissional impôs-se de tal forma na vida das pessoas ao ponto de o trabalho exercer o ponto fulcral das vidas. Desde chefes/dirigentes obtusos sem visão social a empregados/funcionários que gradualmente se tornam dependentes do trabalho, temos todo um universo laboral perfeito para o desenvolvimento de doenças do foro psicológico (e psiquiátrico em muitos casos) pelo facto de as pessoas serem esmagadas com trabalho assim como a pressão exercida superiormente e tudo em nome do trabalho que tem de ser levado por diante e sem que muitas vezes se verifique uma lógica e um sentido. A falta de visão, de conhecimentos e competências, assim como a ganância em ascender hierarquicamente ou simplesmente o medo de não cumprir e de perder o emprego conduz, aos poucos, ao desenvolvimento de uma sociedade neurótica que se tornou incapaz de olhar para lá da vida profissional anulando a sua relação com os outros deixando de conseguir conviver ou até mesmo não saber de todo o que isso significa.
Temas como estes foram já alvo de um ensaio no século XIX por Robert Louis Stevenson (1850-1894) subordinado ao tema "Apologia do ócio", obra recentemente publicada pela Antígona. Basta ler as primeiras páginas deste ensaio para concluirmos que o autor era um indivíduo à frente do seu tempo. As viagens que realizou ao longo da sua curta vida permitiram-lhe uma visão e compreensão do mundo ajuizando sobre a forma de vida da sociedade urbana no final do século XIX.
A leveza da linguagem e os sucessivos apelos ao ócio ao longo do texto remetem para uma ideia que tantas vezes, mesmo atualmente, esquecemos. E face a isto, nada melhor do que parafrasear o próprio Robert Louis Stevenson: "Não há dever tão subestimado como o dever de ser feliz." (p. 26)
A vida moderna tão assoberbada em trabalho leva a que muitas vezes nos esqueçamos de nós próprios como se não houvesse qualquer outra realidade ou dimensão que não a laboral. Robert Louis Stevenson reconhece a importância e a necessidade do trabalho, porém as pessoas devem saber dosear o trabalho com as demais dimensões e aspetos da vida quotidiana para viverem uma vida em pleno e com prazer graças aos momentos de ócio que podem usufruir.
Quem não sente alegria quando se reúne com amigos ou familiares num jantar ou quando partilham momentos de descontração ao ar livre, no campo ou na praia? Quem não se deixa contagiar com pessoas que sorriem e que refletem alegria e felicidade? É disso mesmo que Robert Louis Stevenson refere inúmeras vezes ao longo do ensaio "Apologia do ócio", a necessidade que cada ser humano tem em partilhar o seu tempo de lazer junto das outras pessoas, em atividades várias, para se sentir feliz contribuindo também para a alegria e felicidade das pessoas à sua volta.
"(…) Mas não sentimos também alguma gratidão para com outra espécie de benfeitores, aqueles que nos fazem sorrir quando nos cruzamos com eles, ou que temperam as nossas refeições com boa companhia?" (p. 24)
Robert Louis Stevenson alerta para os perigos da convivência com aqueles que não sabem divertir-se porque a sua única preocupação é o trabalho. O único tema que estas pessoas conseguem trazer em conversa é o trabalho ou o que lhe diga respeito, contaminando, deste modo, as relações de amizade e até uma simples refeição. Destes indivíduos, sejam dirigentes obtusos e cegos ou colegas viciados em trabalho, o ideal é mesmo a distância. Afastemo-nos de pessoas tóxicas!
"Observem por momentos um desses cavalheiros atarefados, rogo-vos. Ele semeia urgência e colhe indigestões; deposita uma vasta quantidade de trabalho a render juros, e recebe em troca uma medida considerável de desarranjos nervosos. Ou se ausenta de toda e qualquer companhia, vivendo como um recluso num torreão, com os seus chinelos e o seu pesado tinteiro; ou se mistura com as pessoas com modos bruscos e amargos, todo o seu sistema nervoso tolhido por contracções, para descarregar a sua dose de mau humor antes de regressar ao trabalho. Pouco importa que trabalhe tanto ou tão bem, um indivíduo assim é uma mancha perversa nas vidas dos outros. Que seriam mais felizes com a sua morte." (pp. 27-28).
E tanto trabalho, tantas horas dedicadas ao serviço, tanta obediência e subserviência e obstinação para, de um momento para o outro, quando menos se espera, nos darmos conta que, afinal, ninguém é insubstituível! "Podemos não gostar de o admitir, mas não existe uma única pessoa cujos serviços sejam indispensáveis. O próprio Atlas não passava de um cavalheiro no meio de um pesadelo prolongado." (p. 30)

Texto da autoria de Jorge Navarro

"Deus Ajude A Criança" de Toni Morrison

O primeiro livro desta autora que me veio parar às mãos foi em 2011, A Dádiva, mas, embora a capa me tivesse atraído muito, larguei-o ao fim de 40 páginas. Não estava à altura, achei-o complicado e larguei-o.

No ano passado seguiu-se A Tua Casa É Onde Está O Coração. Gostei bastante como podem ver no meu comentário aqui.

Por ter sentimentos tão díspares em relação a estes dois livros de Toni Morrison, quando peguei neste Deus Ajude A Criança não sabia o que esperar. Mas digo-vos muito sinceramente: achei brutal! Muito bom! Não foram precisas muitas páginas para ficar rendida à escrita desta senhora, Nobel em 1993.

Com vários narradores intercalados, uns na primeira pessoa outros na terceira, poderia parecer que a confusão estava instalada e que o leitor se sentiria desnorteado. Não, de todo! A história caminha linearmente, embora com saltos para dentro do passado, sendo toda ela um testemunho de como a infãncia pode marcar e condicionar a vida futura.


Lula Ann é negra, muito. Como a noite. Para a sua mãe constitui um estigma que deseja a todo o custo mitigar. É por isso, justifica-se, que não a acarinha, não toca nela, não participa na sua vida escolar, etc, etc... para que ela endureça, para que não dependa de ninguém. Para que sobreviva!


Lula Ann vence. Tem sucesso. É bonita. Negra e muito bonita. Vistosa. Sabe dar um toque à sua imagem que a faz ficar diferente. No entanto, as marcas da violência vivida estão lá. À sua volta giram outros personagens, narradores também, cuja brutalidade na infância chega a doer. O enredo está criado para um livro cuja leitura me apaixonou.

Façam o favor de ler também! Vale a pena, nota máxima!

Estrelas: 6*


Sinopse

No centro do primeiro romance da autora ambientado na atualidade, está Bride, uma jovem ousada, confiante e bem-sucedida, de uma beleza extraordinária, «negra como a noite, negra do Sudão». Mas a mãe, Sweetness, de tez mais clara, nega à filha a mais simples forma de amor, precisamente por causa do seu tom de pele. Às vezes é preciso uma vida inteira para perceber «que o que fazemos aos nossos filhos importa. E que eles podem nunca esquecer.»
Depois há também Booker, o homem que Bride ama e que vive atormentado pelo passado, e Rain, uma misteriosa criança branca que cruza o seu caminho.
Neste romance intenso e provocador, Toni Morrison mostra-nos como a infância afeta todos os aspetos da vida adulta, como uma música de fundo que nunca deixamos de ouvir.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Passatempo Presença: A Confissão do Navegador


Hoje tenho uma boa surpresa para vocês, seguidores do blogue. Com a prestável colaboração da Editorial Presença temos para sortear um exemplar de A Confissão do Navegador de Duarte Nuno Braga.
O passatempo decorre até 15 de Maio!
Só precisam de ter atenção às regras, responder acertadamente e de um pouquito de boa sorte!

Para mais informações sobre o livro vejam Editorial Presença aqui!

Regras do passatempo:
1. Só é válida uma participação por Email/Residência.
2. Só podem participar residentes em Portugal.
3. O blogue e a editora não se responsabilizam por qualquer extravio aquando do envio do livro via CTT.

Para participar enviar email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com, com as respostas às seguintes questões:

a. Em que ano se passa a acção deste livro?
b. Quem foi incumbido de uma missão secreta?
c. Com que idade recebeu o autor o primeiro prémio literário?
d. Nome do participante neste passatempo
e. Morada
f. Email
g. Nick de seguidor do blogue

terça-feira, 3 de maio de 2016

"Pura Coincidência" de Renée Knight

Depois de ouvir uma amiga elogiar este livro mais do que uma vez, peguei nele num impulso. Ela tinha-me dito que se lia num ápice e quis confirmar...

Com um enredo que no início pede atenção, ao ponto de escrever num post-it quem era quem, vamos saltitando entre duas vidas distintas e dois espaços de tempo separados entre si por um par de anos. Duas famílias unidas por acontecimentos que vamos descobrindo devagar e que vai sempre mantendo o leitor interessado.

Narrado a duas vozes, a de Catherine e a de Stephen, perfeitos desconhecidos entre si, vamos percebendo o quanto as suas vidas estão inter-ligadas por um acontecimento do passado que Catherine tentou esquecer a vida toda e que Stephen não pode deixar esquecido e quer revelar a todo custo para vingar a sua mulher e filho, ambos já falecidos. A sua sede de vingança cerca Catherine e ela vê a sua vida familiar e profissional desfeitas.

As consequências desse acontecimento, as reacções que as personagens têm, fazem com que a intensidade narrativa aumente a cada página virada, o que prende o leitor completamente. Quando pensamos estar na posse de todos os elementos, surge algo que dá uma reviravolta à história, levando a um volte face na nossa forma de encarar os personagens envolvidos.

Tudo começa quando Catherine recebe em sua casa, misteriosamente, um livro em cuja personagem principal se reconhece. O seu segredo, que ela quis desesperadamente esconder, até de si própria, está ali! O nome da protagonista é diferente mas as situações são idênticas. O "Perfeito Desconhecido", o livro, chegou para infernizar a sua vida, veio para ficar. Por este motivo não posso deixar de elogiar a capa que para além de estar bem conseguida, tem tudo a ver com o enredo desta obra.

Um thriller psicológico intenso, umas personagens bem construídas psicologicamente, várias tentativas (bem conseguidas, aliás!) de dirigir a atenção do leitor para desfechos da história plausíveis mas enganadores, fazem deste livro uma leitura muito excitante e viciante.
Recomento vivamente!

Terminado em 28 de Abril de 2016

Estrelas: 5*

Sinopse

E se de repente se apercebesse de que é o protagonista do aterrador romance que está a ler? Catherine tem uma boa vida: goza de grande sucesso na profissão, é casada e tem um filho. Certa noite, encontra na sua mesa-de-cabeceira um livro de título O perfeito desconhecido.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"Rio do Esquecimento" de Isabel Rio Novo

Já tinha lido algumas páginas quando, de repente, voltei a trás. Reli tudo de novo, como se não o tivesse feito antes. Às vezes não estou preparada para determinada escrita e chego ao fim da página com a sensação que perdi algo da leitura acabada de fazer. E então, ou largo o livro, irritada, ou volto ao princípio. Neste caso voltei e ainda bem.

E por falar de "princípio" uma das coisas que gostei neste livro foi a alternãncia que a autora usou para nos fazer saltar nos anos, nos acontecimentos, tornando a história (e seus pormenores) mais cativante. Assim, o princípio e o final entrecruzam-se, sempre com a autora a introduzir pequenas/grandes surpresas. O fio condutor mantém-se sempre o que fez com que isso não prejudicasse em nada a minha leitura.

O narrador omnisciente vai, de quando em vez, deitando uns pózinhos contendo a sua opinião e isso é feito com uma mestria que me encantou. A escrita não é escorreita nem ligeira mas apreciei muitíssimo esse facto. Palavras "novas", desconhecidas para mim, enriqueceram o meu vocabulário e, contudo, não me fizeram andar perdida na leitura, facto que me fez acreditar que Isabel Rio Novo tem uma escrita especial. Encantadora. Estranhei no início mas entranhei-a depressa após algumas páginas!

Mas, voltando à minha linha de pensamento, e como estava eu a dizer, a dada altura voltei à primeira página. Muitas personagens femininas, muitas "Marias", fizeram-me tomar nota mentalmente de quem era quem para que a confusão não se instalasse de novo. E aí sim, a história "pegou-me".

Porto, século XIX. Um português regressa do Brasil com uma fortuna considerável. Está doente, vem morrer onde nasceu. Cá tinha deixado uma filha bastarda que, de um momento para o outro, se vê a braços com novas condutas de vida, novos saberes que teimam em ensinar-lhe. Um marido, por qual ela se apaixona perdidamente, vem completar as suas novas incumbências de "menina rica". E a história estaria encaminhada para um final feliz, se a paixão por ela sentida fosse correspondida... Está lançado o mote para uma história onde aspectos macabros apimentam sabiamente este romance.

Digo-vos: ultrapassem as dificuldades que possam vir a ter com as frases e descrições longas e peguem neste livro. Uma leitura que deve ser atenta aos pormenores. Parabéns Isabel!

Terminado em 23 de Abril de 2016

Estrelas: 5*

Sinopse

Inverno de 1864. Sentindo a morte a aproximar-se, Miguel Augusto regressa do Brasil, onde enriqueceu, e instala-se no velho burgo nortenho, no palacete conhecido como Casa das Camélias, com a intenção de perfilhar Teresa Baldaia e torná-la sua herdeira. No mesmo ano, Nicolau Sommersen pensa em fazer um bom casamento, não só para recuperar o património familiar que o tempo foi esfarelando, mas sobretudo para fugir à paixão que sente por Maria Adelaide Clarange, senhora casada e mãe de três filhos. Maria Ema Antunes, prima de Nicolau e governanta da Casa das Camélias, hábil e amargurada com a sua vida, urdirá entre todos uma teia de crimes, segredos e vinganças.
Subvertendo as estratégias da narrativa histórica, com saltos cronológicos que deixam o leitor em suspenso mesmo até ao final, Rio do Esquecimento descreve com saboroso detalhe a sociedade portuense de Oitocentos e assinala o regresso à ficção portuguesa de uma escrita elegante que consegue tornar transparente a sua insuspeitada espessura.


domingo, 1 de maio de 2016

Ao Domingo com... Diogo Lopes

Foto de Tiago Figueiredo

Não consigo abrir um livro sem procurar algo que me arrebata. Almejo que me desfaçam em sentimento e suas sequelas sísmicas, num tremelicar e arrepiar da pele, no arrebitar do pelo que me cobre. Procuro um conjunto de emoção, experiência e reflexão, embutidas a toque certeiro por mãos de quem já maneja a arte conforme sua vontade. Procuro um todo: uma unidade que me trespasse e eleve a visões mais profundas sobre a vida.

Falo-vos agora de um tipo de literatura que muito acarinho dentro do tutano do osso, sítio onde guardo os meus mais profundos tesouros: poesia, pois então.

Encontra-se na poesia uma grande característica, que talvez seja menosprezada entre tantas outras, pela narrativa: a fonética; a preocupação pelo som, pela música da palavra, e não só pelo seu conteúdo. É verdade sim, e defendo-o de peito bravio, o conteúdo prevalece, claramente. Mas sendo que isto não é discutível, também não será a importância do som. Será enfim, uma diferenciação entre o claramente bom e o claramente estupendo. São mesquinhices, confesso. Mas ainda assim, insisto nelas. O som produz efeito no corpo humano. Existem palavras doces, palavras grotescas. Porque não usar também esse detalhe para enfeitiçar a nossa frase? Expandir os efeitos da escrita, torna-la polivalente, e extraviá-la para arte sonora.

O grafismo é algo que também me preocupa. Julgam-me tinhoso. Lá vou eu implicar com um pormenor outra vez. O que interessa é o que se diz Diogo. É sim, pois claramente que sim. E no entanto, não apenas. A obra deve ser todo um conjunto. Afinal, para quê o papel se não o fazemos bonito? É necessário o espaço, a clareza. O jogo do preto e do branco, conjugados num. Afinal não serão estas também as marcas de um escritor? O seu cuidado e brio que a nós nos deleitam de modo profuso. As maravilhas da literatura, este mundo interminável.

Procurei um pouco disto no meu livro. Motivar o ácido e o doce, aquando respectivas necessidades. Ao retratar algo de vil natureza, despojar-me de fatídicas junções fonéticas e exponenciar sua crueldade. Processo semelhante para o lado sorridente da plateia. Um insuflar e elevar da palavra, que temos nós para nossa glória, ser portuguesa.

Num contínuo de confissões e partilhas desdobro o meu “Baluartes”. Um livro que mistura o género de autobiografia com a ficção, mas nunca permitindo o desaparecimento da poesia. Uma história que ilustra o olhar de um jovem. Eu. Uma história de uma doença, de várias alegrias e tristezas. Uma história de amigos, família e amores. Um livro que pessoalmente me deu um enorme gozo em arquitectar e fazer sagrar. Uma leitura que vos entrego em mãos – por um preço, pois claro.