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sexta-feira, 16 de maio de 2014
Novidades Planeta
Um Amor ao Luarde Emma Wildes
Quando Lady Elena Morrow, a beldade reinante do ton, de súbito desaparece, a família está desesperada para a encontrar e, para impedir que a história alastre pela sociedade londrina como um rastilho, antes que a sua reputação seja destruída.
Infelizmente, pode ser impossível evitar um escândalo. O visconde Andrews, mais conhecido como o Corvo, o libertino mais célebre de Londres, desapareceu no mesmo momento.
Benjamin Wallace, lorde Heathton, está mais habituado a resolver problemas políticos do que os do coração. Mas quando é pressionado para ajudar a encontrar Lady Elena, não pode recusar - o pai desvairado também é tio da sua esposa.
Agora tem de encontrar a bela debutante antes que a associação com o desaparecimento de Andrews lhe ponha fim à inocência – presumindo que a jovem e vulnerável senhora queira ser encontrada…
A Revelação
Destinos Interrompidos II
de Lissa Price
Com o fim da Destinos Primordiais, Callie já não tem de alugar o seu corpo a sinistros Terminantes. Mas o neurochip que lhe implantaram no cérebro torna-a vulnerável a todos os que quiserem entrar dentro da sua cabeça e obrigá-la a fazer coisas contra a sua vontade.
Os Iniciantes que contêm este chip tornam-se cobaias nas mãos dos mais poderosos Terminantes, e alguém anda a fazer explodir os dispositivos, transformando-os em bombas humanas.
Callie continua a ser perseguida pela voz do Velho, bem como pelas memórias da sua ex-locatária, Helena. Determinada a vencer o medo e dar uma vida normal ao irmão, Callie decide ripostar.
Um aliado improvável associa-se à sua busca. Encontrar o Velho e travá-lo talvez seja uma sentença de morte, mas ela está disposta a tudo para descobrir a verdade.
Novidade Clube do Autor
Contágio
de Jonah Berger
Contágio, de Jonah Berger, professor de Marketing na Wharton School, é um livro baseado em pesquisas inovadoras na área das ciências sociais e revela histórias poderosas sobre os nossos hábitos de vida e de consumo. Se alguma vez se interrogou porque são partilhadas certas histórias, porque são reencaminhados alguns e-mails, ou porque há vídeos que se tornam virais, este é o livro certo para si.
Das pulseiras Livestrong ao iogurte grego, passando pela música «Gangnam Style» à moda das dietas, este livro refere alguns dos mais conhecidos exemplos de fenómenos virais. Ou seja, são casos em que certos produtos, ideias ou modos de vida se difundiram pela sociedade em larga escala. Jonah Berger explica quais os passos a seguir para transformar um produto num fenómeno viral.
Jonah Berger é professor de Marketing na The Wharton School e é considerado um prodígio da disciplina. Além de lecionar, o autor dedica-se à investigação sobre a influência social e já publicou vários artigos sobre a temática nos meios académicos e também na imprensa generalista, com destaque para o The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, Wired ou BusinessWeek. Berger recebeu várias distinções, nomeadamente os prémios Iron Professor Teaching Award e MBA Curricular Innovation Award da Wharton School.
de Jonah Berger
Contágio, de Jonah Berger, professor de Marketing na Wharton School, é um livro baseado em pesquisas inovadoras na área das ciências sociais e revela histórias poderosas sobre os nossos hábitos de vida e de consumo. Se alguma vez se interrogou porque são partilhadas certas histórias, porque são reencaminhados alguns e-mails, ou porque há vídeos que se tornam virais, este é o livro certo para si.
Das pulseiras Livestrong ao iogurte grego, passando pela música «Gangnam Style» à moda das dietas, este livro refere alguns dos mais conhecidos exemplos de fenómenos virais. Ou seja, são casos em que certos produtos, ideias ou modos de vida se difundiram pela sociedade em larga escala. Jonah Berger explica quais os passos a seguir para transformar um produto num fenómeno viral.
Jonah Berger é professor de Marketing na The Wharton School e é considerado um prodígio da disciplina. Além de lecionar, o autor dedica-se à investigação sobre a influência social e já publicou vários artigos sobre a temática nos meios académicos e também na imprensa generalista, com destaque para o The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, Wired ou BusinessWeek. Berger recebeu várias distinções, nomeadamente os prémios Iron Professor Teaching Award e MBA Curricular Innovation Award da Wharton School.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
A Escolha do Jorge: Mal Nascer
“Mal Nascer” é o mais recente romance de Carlos Campaniço, o autor de “Os Demónios de Álvaro Cobra”, um dos livros bastante badalados e comentados no decorrer de 2013 aquando da sua edição. Na verdade, para quem se deliciou com o romance anterior, na medida em que foi transportado para uma realidade em que o autor misturou com grande mestria a realidade com a ficção, questiona-se certamente se o autor conseguirá superar-se a si próprio com “Mal Nascer”.
Ainda que o leitor levante estas questões à medida que avança na narrativa de “Mal Nascer”, a dada altura fica tão embrenhado na história que dificilmente consegue parar. Este novo livro apresenta uma dinâmica tal, que mesmo com um cenário de uma vila rural ficcionada, perdida no Alentejo profundo, nas vésperas da guerra civil (1832-1834) que opôs absolutistas e liberais, consegue captar a atenção do leitor como se de um filme se tratasse na medida em que toda a obra é deveras visual.
Carlos Campaniço em “Mal Nascer” deixa de lado aquilo que por muitos foi identificado como realismo mágico tão presente nos “Demónios”, aproximando-se do neorrealismo, a corrente literária que se afirma como uma forma de denunciar as duras condições de vida e de trabalho dos trabalhadores em oposição aos senhores ricos que, no caso concreto de “Mal Nascer”, são os senhores que possuem a terra como fonte de riqueza funcionando simultaneamente como uma forma de exercício de poder sobre os mais pobres, os mais desprotegidos da sociedade. Estas questões em “Mal Nascer” assumem uma importância esmagadora, secular até, na medida em que o tempo contribuiu para a cristalização destas ideias herdadas ainda de uma não tão longínqua Idade Média pelo menos no que respeita à organização da sociedade num pequeno cosmos cultural e mentalmente aceite por todos e hermético, portanto.
As assimetrias sociais que em tudo têm que ver com os dias de hoje no mesmo Portugal e daí, podermos concluir que em certos aspetos, o paíspouco evoluiu atendendo a uma mentalidade intrinsecamente conservadora e pouco estimulada do ponto de vista educacional e cultural.
Mas “Mal Nascer” não aborda somente as questões relacionadas com as contínuas desigualdades sociais e do atraso notório de uma região do interior do país em oposição à capital de onde vinham as novidades, assim como as ideias liberais que estavam a deixar o país em polvorosa à beira de uma guerra civil. Este novo livro de Carlos Campaniço conta-nos também uma história de vingança, a vingança de Santiago Barcelos que, agora homem já feito e formado em medicina, que regressa à sua vila de origem como forma de ajustar contas com o passado que vamos conhecendo em capítulos intercalados ao longo de toda a narrativa.
Este regresso se vai de alguma forma beber à “Odisseia” de Homero, por outro lado, este regresso do “herói” de “Mal Nascer” acaba por assumir contornos curiosos que vão de encontro a alguns dos pressupostos da religião grega, na medida em que, em poucos meses, Santiago Barcelos acaba por se envolver de tal modo numa trama novelística que dificilmente consegue sair dela deixando o leitor quase com a corda na garganta, dado que a narrativa tende gradualmente para o trágico. Neste sentido, mais do que o sentido de vingança do herói, toda a rede complexa em que está envolvido e à medida que a narrativa se aproxima do final leva-nos a crer que nada mais está a acontecer do que a gradual concretização do destino, da “moira funesta” à boa maneira grega, a qual nem os próprios deuses gregos poderiam alterar, lavando daí as suas mãos face ao desenrolar dos acontecimentos que comprometeriam a vida e o destino do herói.
Chegado ao fim de “Mal Nascer”, não creio que o leitor continue a questionar se esta obra é ou não melhor que o romance anterior atendendo ao facto de que essa questão desvaneceu-se por completo. Fica a certeza de estarmos perante um escritor com talento e que, como leitores, ficaremos certamente atentos às suas próximas publicações.
Excertos:
“Eu, contudo, começo a pensar que corro grandes perigos aqui. Esta não é a terra sossegada de que eu preciso para me esconder dos miguelistas e, por comprovação, que me tem saído do coiro, é avessa à minha felicidade. Há aqui riscos nativos tão violentos quanto o pensamento dos absolutistas. Julgava que podia levar uma vida simples, cuidando apenas dos desditosos, e encontro um sem-fim de aflições que, nalguns casos, são superiores às de Lisboa: o padre e o vereador Lemos que me detestam; a desconfiança de dona Odélia sobre o meu passado; o pavor de me descobrirem liberal; o medo de ser reconhecido como Santiago Bento; o namoro forçado com Maria Luísa, que o querem logo em noivado; e esta paixão por Sebastiana, que não pode ser consumada aqui. Não poderei ser livre sem ser liberal, nem ser eu próprio sem ser Santiago Bento, nem ser feliz sem Sebastiana.”(p. 162)
Texto da autoria de Jorge Navarro
quarta-feira, 14 de maio de 2014
"Holocausto Brasileiro" de Daniela Arbex
Este é um livro-reportagem. Pesado, duro. Inacreditável.
Gosto de descer à terra, de vez em quando. Sair da minha zona de conforto, dos romances que habitualmente leio. Mas nada me preparou para as fotos que pululam no interior desta obra. Nada!
Que mais acrescentar quando o título é tão sugestivo?
Gostaria de vos poder dizer que o livro nos fala de um hospício imaginário. Gostaria mas não posso porque o livro retrata o que foi a vida (ou a morte) de muitos brasileiros até há bem poucos anos atrás! Hospício numa região de Minas Gerais, Barbacena, portas abertas de 1903 até 1980. E não se destinava somente a quem sofria de perturbações mentais. Foi o "lar" de muitos indesejados tais como homossexuais, prostitutas, mães solteiras incómodas para os grandes senhores, políticos, alcoólicos, negros, pobres... Todos os que ameaçassem a ordem pública.
Mais de 70% dos seus moradores não sofriam de demência.
Muros dentro, deixavam de existir. Mal alimentados, mal vestidos, sem os cuidados primários de higiene, torturados por se revoltarem (eram sujeitos a choques eléctricos, duches gelados, etc), a maior parte deixava de lutar e sucumbia ao fim de alguns anos. A Morte era uma convidada usual: em média, faleciam 16 pessoas diariamente.
Num lugar concebido para albergar 200 doentes, estavam 5000. Homens, mulheres e crianças. Com fome, com frio, sujos, nus. Até a morte os convidar a partir. E mesmo assim, podia não ser o fim de tudo. Os seus corpos eram vendidos para as faculdades de medicina ou queimados para venda dos ossos.
Deixo-vos um documentário retirado do Youtube: "Em nome da razão". Não vejam se forem impressionáveis. É de uma dureza brutal e inimaginável. Tal como o livro. Mas não há como ficar indiferente e não "olhar"!
Terminado em 11 de Maio de 2014
Estrelas: 6*
Sinopse
Gosto de descer à terra, de vez em quando. Sair da minha zona de conforto, dos romances que habitualmente leio. Mas nada me preparou para as fotos que pululam no interior desta obra. Nada!
Que mais acrescentar quando o título é tão sugestivo?
Gostaria de vos poder dizer que o livro nos fala de um hospício imaginário. Gostaria mas não posso porque o livro retrata o que foi a vida (ou a morte) de muitos brasileiros até há bem poucos anos atrás! Hospício numa região de Minas Gerais, Barbacena, portas abertas de 1903 até 1980. E não se destinava somente a quem sofria de perturbações mentais. Foi o "lar" de muitos indesejados tais como homossexuais, prostitutas, mães solteiras incómodas para os grandes senhores, políticos, alcoólicos, negros, pobres... Todos os que ameaçassem a ordem pública.
Mais de 70% dos seus moradores não sofriam de demência.
Muros dentro, deixavam de existir. Mal alimentados, mal vestidos, sem os cuidados primários de higiene, torturados por se revoltarem (eram sujeitos a choques eléctricos, duches gelados, etc), a maior parte deixava de lutar e sucumbia ao fim de alguns anos. A Morte era uma convidada usual: em média, faleciam 16 pessoas diariamente.
Num lugar concebido para albergar 200 doentes, estavam 5000. Homens, mulheres e crianças. Com fome, com frio, sujos, nus. Até a morte os convidar a partir. E mesmo assim, podia não ser o fim de tudo. Os seus corpos eram vendidos para as faculdades de medicina ou queimados para venda dos ossos.
Deixo-vos um documentário retirado do Youtube: "Em nome da razão". Não vejam se forem impressionáveis. É de uma dureza brutal e inimaginável. Tal como o livro. Mas não há como ficar indiferente e não "olhar"!
Terminado em 11 de Maio de 2014
Estrelas: 6*
Sinopse
Um genocídio que roubou a dignidade e a vida a 60.000 pessoas.
Milhares de crianças, mulheres e homens foram violentamente torturados e mortos, no Brasil, no hospital de doenças mentais de Colônia, em Barbacena, fundado em 1903. A maioria foi internada sem diagnóstico de doença mental: eram meninas violadas que engravidaram dos patrões, homossexuais, epilépticos, mulheres que os maridos não queriam mais, alcoólicos, prostitutas. Ou simplesmente seres humanos em profunda tristeza. Sem documentos, sem roupa e sem destino, tornaram-se filhos de ninguém.
Em Holocausto Brasileiro, a premiada jornalista de investigação Daniela Arbex resgata do esquecimento esta chocante e macabra história do século XX brasileiro: um genocídio feito pelas mãos do Estado, com a conivência de médicos, funcionários e população, que roubou a dignidade e a vida a 60.000 pessoas.
terça-feira, 13 de maio de 2014
"O Mundo Invisível" de Shamim Sarif
Há capas que não nos atraem à primeira vista mas que querem dizem tanto! Esta foi uma delas. O livro foi-me recomendado por uma amiga. Nunca tinha ouvido falar dele e se o tivesse visto ter-me-ia passado completamente despercebido! E o que perderia, se assim tivesse acontecido!
Achei esta leitura fantástica! Arredores de Pretória, África do sul, 1952, em pleno apartheid. O que dizer? Tocou-me muitíssimo a forma como a autora apresentou esta história de amor impossível, a delicadeza com que o fez, conseguindo, no entanto, mostrar de uma forma dura como o preconceito pode ter condicionado tantas vidas!
Não se trata, somente, de nos colocar a par do amor de Amina e de Miriam, duas mulheres indianas que começaram a sentir um carinho mais profundo uma pela outra numa sociedade onde, quer pelas leis em vigor, quer pela mentalidade de sua religião isso era impensável.... Somos, também, confrontados com as histórias de outras personagens e pela mistura de temas tão controversos como o racismo, a homossexualidade, as tradições familiares e religiosas, a discriminação sexual.
A vontade e o desejo de algumas mulheres de impor e lutar pelos seus direitos num regime como o apartheid marcou certamente a História da África do Sul. A autora, com raízes na África do Sul e na Ásia, soube com mestria captar os sentimentos de quem se sentiu tantas vezes frustado, inseguro e dominado por leis e mentalidades tacanhas e demasiado pequenas.
O final fica em aberto. Compreendo, contudo, que muito provavelmente a autora o quis deixar em suspenso para que o leitor possa direcioná-lo para onde mais desejar. Para mim, soube-me a pouco.
Talvez mais 200 páginas?
Um livro para ter em casa. Recomendo!
Terminado em 10 de Maio de 2014
Estrelas: 5*+
Achei esta leitura fantástica! Arredores de Pretória, África do sul, 1952, em pleno apartheid. O que dizer? Tocou-me muitíssimo a forma como a autora apresentou esta história de amor impossível, a delicadeza com que o fez, conseguindo, no entanto, mostrar de uma forma dura como o preconceito pode ter condicionado tantas vidas!
Não se trata, somente, de nos colocar a par do amor de Amina e de Miriam, duas mulheres indianas que começaram a sentir um carinho mais profundo uma pela outra numa sociedade onde, quer pelas leis em vigor, quer pela mentalidade de sua religião isso era impensável.... Somos, também, confrontados com as histórias de outras personagens e pela mistura de temas tão controversos como o racismo, a homossexualidade, as tradições familiares e religiosas, a discriminação sexual.
A vontade e o desejo de algumas mulheres de impor e lutar pelos seus direitos num regime como o apartheid marcou certamente a História da África do Sul. A autora, com raízes na África do Sul e na Ásia, soube com mestria captar os sentimentos de quem se sentiu tantas vezes frustado, inseguro e dominado por leis e mentalidades tacanhas e demasiado pequenas.
O final fica em aberto. Compreendo, contudo, que muito provavelmente a autora o quis deixar em suspenso para que o leitor possa direcioná-lo para onde mais desejar. Para mim, soube-me a pouco.
Talvez mais 200 páginas?
Um livro para ter em casa. Recomendo!
Terminado em 10 de Maio de 2014
Estrelas: 5*+
segunda-feira, 12 de maio de 2014
"Tea Bag, o Sorriso da Esperança" de Henning Mankell
Não gosto de reconhecer mas foi a capa que primeiro me atraiu neste livro. Com a sinopse visualisei o conteúdo... Estava enganada, porém.
Esta obra começa por nos contar a história de um escritor/poeta que, numa crise de inspiração e, também, de vendas do seu último livro procura um novo tema para uma nova história. Confesso que a sua personalidade me surpreendeu pela negativa e o achei irritantemente inseguro, demonstrando ser algo amorfo. Com a introdução de três personagens femininas, todas elas refugiadas imigrantes ilegais, a história ganha um novo fôlego e o personagem principal cresce e desenvolve-se em redor das suas histórias. Talvez o autor quisesse precisamente dar o enfoque maior a essas histórias que no final descobrimos terem um fundo de verdade que nos desconcerta...
Muitas vezes é com um humor muito próprio que nos inteiramos de histórias pessoais de um horror surpreendente. Um grito e um desejo de liberdade face a uma sociedade que muitas vezes prefere não ouvir falar. Histórias de imigrantes de várias partes do mundo que ferem e magoam de tão tristes que são e do seu desejo profundo de liberdade. Liberdade que, mesmo depois de chegados ao país de sonho, é difícil de alcançar. Saber em que condições vivem alguns imigrantes ilegais foi, decerto, o intuito de Henning Mankell.
Foi amplamente conseguido.
Terminado em 5 de Maio de 2014
Estrelas: 4*+
Sinopse
Esta obra começa por nos contar a história de um escritor/poeta que, numa crise de inspiração e, também, de vendas do seu último livro procura um novo tema para uma nova história. Confesso que a sua personalidade me surpreendeu pela negativa e o achei irritantemente inseguro, demonstrando ser algo amorfo. Com a introdução de três personagens femininas, todas elas refugiadas imigrantes ilegais, a história ganha um novo fôlego e o personagem principal cresce e desenvolve-se em redor das suas histórias. Talvez o autor quisesse precisamente dar o enfoque maior a essas histórias que no final descobrimos terem um fundo de verdade que nos desconcerta...
Muitas vezes é com um humor muito próprio que nos inteiramos de histórias pessoais de um horror surpreendente. Um grito e um desejo de liberdade face a uma sociedade que muitas vezes prefere não ouvir falar. Histórias de imigrantes de várias partes do mundo que ferem e magoam de tão tristes que são e do seu desejo profundo de liberdade. Liberdade que, mesmo depois de chegados ao país de sonho, é difícil de alcançar. Saber em que condições vivem alguns imigrantes ilegais foi, decerto, o intuito de Henning Mankell.
Foi amplamente conseguido.
Terminado em 5 de Maio de 2014
Estrelas: 4*+
Sinopse
Jesper Humlin é um conceituado poeta sueco que está a passar por uma fase algo caótica da sua vida pessoal e, para cúmulo, o seu editor, intima-o a escrever um policial, género que o poeta despreza. Um dia, Jesper vai dar uma série de palestras na zona de Gotemburgo e entra em contacto com uma comunidade de imigrantes ilegais. Mas são três jovens, em particular, que o irão marcar profundamente e inspirá-lo para uma nova aventura literária - Tea-Bag, uma refugiada nigeriana, Leila, oriunda do Irão, e Tania, uma jovem da Europa de Leste. Cada uma delas traz consigo uma história de vida, a fuga à opressão e o anseio pela liberdade, uma voz que deseja ser ouvida e que faz nascer em Jesper a vontade de a dar a conhecer ao mundo. Um romance inspirador, iluminado pela esperança, a comédia e o humor e ensombrado pela realidade trágica das vidas que sofrem a marca indelével do preconceito e do racismo.
domingo, 11 de maio de 2014
Ao Domingo com... João Rebocho Pais
João Rebocho Pais, nasci em Lisboa em 1962, cresci no bairro dos Olivais Sul, terra fértil em personalidades de vulto, de filantropos a vigaristas, de homens de ciência e cultura a comerciantes de mercadorias ilícitas. Entrei para a aviação comercial em 1985, e trabalho há mais de vinte e cinco anos como comissário de bordo,o que me permitiu conhecer culturas distintas e inspiradoras. Tenho dois filhos, Miguel e Francisco, sem os quais nada entendo. Nunca imaginei escrever uma história para tanta gente. Até à publicação de "O intrínseco de Manolo" os livros foram uma doce e viciante dependência.Gosto de ler. Não sei se saberia viver sem ler. Leio sem regras. As regras atrapalham as letras e o virar das folhas.
Saramago é para parar e absorver. Absorvo-o. Aprendo-o.Gosto de me perder num suspense de mestria que vira as páginas ainda antes de mim.
Há frases que dormem comigo. De livros.
Gosto de bola. Do cheiro a molhado. Tenho um clube que é mais do que as palavras podem expressar.
Tenho dois filhos e se não os tivesse não existia. Não há vida sem a vida que um dia nos agarrou pelo coração.
Não sou lamechas. A não ser quando oiço Cat Stevens e as palavras quase me fazem chorar. E quando sei que pertenço a uma tribo e me sinto um índio que nunca morreu.
Acho que não sei nada de especial, a não ser onde fica lugar onde se pode ser feliz com pouco. Descobri-o por acaso, ou porque uma mulher muito pequena e franzina me ensinou.
Não foi num livro, mas podia ser, porque a vida pode ser feita de letras.
Adoro ler.
Saramago tem momentos em que se torna Maradona e é um sacrilégio dizer isto.
Mas eu digo. Porque os dois são uns monstros de bom.
Termino assim. Desiludindo quem me acharia com algo de interessante para dizer!
João Rebocho Pais
sábado, 10 de maio de 2014
Na minha caixa de correio
Prenda do Dia da Mãe: o livro de contos editado pela Fnac, O Prazer da Leitura.
Da Quinta Essência, o último romance da Jude Deveraux. Também da QE, uma surpresa na caixa do correio, Pecado da S. Day.
Da Guerra e Paz, um livro que quero tanto ler que vou passar à frente de todos. Será a minha leitura de amanhã, Domingo. Pesado, eu sei! Mas como ficar indiferente?
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Novidade Esfera dos Livros
Seres Mágicos em Portugal
de Vanessa Fidalgo
Dona Adelina conta-nos a história do lobisomem que na freguesia da Bemposta corria ruas pela noite fora estragando o pão que cozia de madrugada nos fornos e assustando os mais novos e indefesos. Na ilha do Pico, Açores, o dia 2 de fevereiro de cada ano era dia para ficar em casa. Homens, mulheres e crianças trancavam-se a sete chaves e protegiam-se comendo alhos. Lá fora os labregos, uma espécie de duendes, saíam das águas salgadas do mar para nos próximos meses viverem escondidos nos matos verdejantes da ilha. Nas serras de Arruda dos Vinhos é bem conhecida a história de um gigante terrível, que, de tão grande e violento, aterrorizava as povoações da região. Em Santa Maria, nos Açores, o povo garante que as jovens de cabelo vermelho que ainda hoje por lá moram são descendentes de uma jovem e bela sereia que caiu de amores nos braços do filho de um pescador. Fadas, duendes, gigantes, olharapos, lobisomens, trasgos, sereias entre outras, são algumas das criaturas mágicas que habitam o nosso país, o nosso imaginário e que vai conhecer ao longo das páginas deste livro. Depois dos seus anteriores livros Histórias de um Portugal Assombrado e 101 Lugares para Ter Medo em Portugal, a jornalista Vanessa Fidalgo percorreu o país, de lés-a-lés, visitou bibliotecas locais à descoberta de histórias, ouviu relatos e entrevistou dezenas de pessoas para resgatar a nossa rica tradição oral. O resultado é este original livro onde a imaginação e o fantástico ganham protagonismo, numa história que não consta nos manuais escolares, mas que faz parte do nosso país e das nossas tradições.
de Vanessa Fidalgo
Dona Adelina conta-nos a história do lobisomem que na freguesia da Bemposta corria ruas pela noite fora estragando o pão que cozia de madrugada nos fornos e assustando os mais novos e indefesos. Na ilha do Pico, Açores, o dia 2 de fevereiro de cada ano era dia para ficar em casa. Homens, mulheres e crianças trancavam-se a sete chaves e protegiam-se comendo alhos. Lá fora os labregos, uma espécie de duendes, saíam das águas salgadas do mar para nos próximos meses viverem escondidos nos matos verdejantes da ilha. Nas serras de Arruda dos Vinhos é bem conhecida a história de um gigante terrível, que, de tão grande e violento, aterrorizava as povoações da região. Em Santa Maria, nos Açores, o povo garante que as jovens de cabelo vermelho que ainda hoje por lá moram são descendentes de uma jovem e bela sereia que caiu de amores nos braços do filho de um pescador. Fadas, duendes, gigantes, olharapos, lobisomens, trasgos, sereias entre outras, são algumas das criaturas mágicas que habitam o nosso país, o nosso imaginário e que vai conhecer ao longo das páginas deste livro. Depois dos seus anteriores livros Histórias de um Portugal Assombrado e 101 Lugares para Ter Medo em Portugal, a jornalista Vanessa Fidalgo percorreu o país, de lés-a-lés, visitou bibliotecas locais à descoberta de histórias, ouviu relatos e entrevistou dezenas de pessoas para resgatar a nossa rica tradição oral. O resultado é este original livro onde a imaginação e o fantástico ganham protagonismo, numa história que não consta nos manuais escolares, mas que faz parte do nosso país e das nossas tradições.
Novidade ASA
Quando Aqui Estavas
Como morrer. Como amar. E como viver
de Daisy Whitney
A mãe de Danny perdeu a batalha de cinco anos contra o cancro, três semanas antes de ele acabar o secundário - o dia porque ela mais esperara.
Agora Danny fica sozinho, apenas com as suas memórias, o seu cão, e a ex-namorada que lhe destroçou o coração. Não sabe o que fazer com a casa, o que dizer no discurso da formatura, e muito menos como viver ou ser feliz.
Então uma carta de uma amiga da mãe em Tóquio fá-lo largar tudo e viajar até ao outro lado do mundo para descobrir os segredos da mãe – e perceber por que motivo os seus últimos meses foram tão cheios de alegria. Porém, não é capaz de encontrar as respostas ou de fugir às complexidades da sua relação com Holland apenas por atravessar o oceano. Porém, entre as flores de cerejeira, os templos e as multidões da cidade de néon, e com a ajuda de uma jovem japonesa amiga da mãe, começa a ver que talvez não tenha sido a magia antiga ou os tratamentos místicos que faziam a mãe regressar ao Japão. Talvez o segredo de como viver resida na forma como ela morreu. E como amou.
Como morrer. Como amar. E como viver
de Daisy Whitney
A mãe de Danny perdeu a batalha de cinco anos contra o cancro, três semanas antes de ele acabar o secundário - o dia porque ela mais esperara.
Agora Danny fica sozinho, apenas com as suas memórias, o seu cão, e a ex-namorada que lhe destroçou o coração. Não sabe o que fazer com a casa, o que dizer no discurso da formatura, e muito menos como viver ou ser feliz.
Então uma carta de uma amiga da mãe em Tóquio fá-lo largar tudo e viajar até ao outro lado do mundo para descobrir os segredos da mãe – e perceber por que motivo os seus últimos meses foram tão cheios de alegria. Porém, não é capaz de encontrar as respostas ou de fugir às complexidades da sua relação com Holland apenas por atravessar o oceano. Porém, entre as flores de cerejeira, os templos e as multidões da cidade de néon, e com a ajuda de uma jovem japonesa amiga da mãe, começa a ver que talvez não tenha sido a magia antiga ou os tratamentos místicos que faziam a mãe regressar ao Japão. Talvez o segredo de como viver resida na forma como ela morreu. E como amou.
Novidade Porto Editora
Contos Vagabundosde Mário de Carvalho
Estes contos são vagabundos porque não param de caminhar, percorrem as estradas do arco-da-velha, deambulam pelos recantos mais sombrios, mas também surgem à claridade do dia, marcham alegremente e intrometem-se, com ironia, nas tramas do nosso quotidiano. Pelo caminho, vão deixando o mundo às avessas, interpelando o leitor e desafiando-o para a aventura e para as perplexidades da vida e da literatura. O demónio também faz por aqui as suas andanças. Insiste em pôr-nos um espelho na frente.
Novidade Marcador
Oscar Wilde para Inquietosde Allan Percy
Neste livro encontra 99 máximas que tratam de assuntos variados como o amor, o dinheiro, a amizade, entre outros. O autor torna acessível a todos até mesmo a ideia mais refinada.
Oscar Wilde para inquietos é uma aula de filosofia extraída da vida e da obra do consagrado autor de O Retrato de Dorian Gray. Nas frases ditas por Wilde ou nas expressas pelas suas célebres personagens
encontramos uma ironia única e uma sabedoria imortal que refletem o brilhantismo de um homem que
aproveitou ao máximo os prazeres da vida, sem deixar de a observar criticamente.
Cada capítulo contém uma frase marcante do escritor que Allan Percy comenta e desenvolve. O leitor vai passar a ver a ver o quotidiano sob um novo prisma, irreverente, crítico, e ao mesmo tempo, sofisticado e cheio de esperança.
Novidade Planeta
Pede-me o que Quiseres Ou Deixa-me
de Megan Maxwell
Judith e Eric regressam da viagem de lua-de-mel depois de um casamento de sonho. Ele sente-se o homem mais feliz do universo e não imagina a vida sem ela: apesar disso, os ciúmes e o desejo de a
de Megan Maxwell
Judith e Eric regressam da viagem de lua-de-mel depois de um casamento de sonho. Ele sente-se o homem mais feliz do universo e não imagina a vida sem ela: apesar disso, os ciúmes e o desejo de a
proteger assolam-no repetidamente.
Por seu lado, Judith está maravilhada com o seu Iceman e tenta ver sempre tudo pelo lado positivo, embora em mais de uma ocasião fique com o pescoço cheio de chupões…
Desfruta de Eric e dos jogos sexuais, excepto quando ele lhe sussurra que um dos seus maiores desejos é ter um filho com ela.
Novidade Porto Editora
No Coração da Tempestade
de Jesmyn Ward
No Coração da Tempestade catapultou Jesmyn Ward para o reconhecimento mundial ao ser premiado com o mais importante galardão literário americano, o National Book Award, e depois com o Alex Award. Este romance será publicado pela Porto Editora no dia 16 de maio.
Intenso, poderoso, com uma linguagem simultaneamente simples e vibrante, No Coração da Tempestade é o segundo romance de Jesmyn Ward que, desta vez, nos coloca na pele dos desprotegidos contra a força implacável do Katrina. Mais do que a catástrofe natural, este romance explora ainda o preconceito que atormenta os seus protagonistas, alvos de um racismo feroz de que a própria autora foi vítima e que, através desta história, procurou denunciar.
De acordo com o The Washington Post, Jesmyn Ward «evoca o amor persistente e o desespero próprios da tragédia clássica sem uma ponta de pretensiosismo, e através das vidas simples destas pessoas pobres, vivendo entre galinhas e carros abandonados. (…)
No Coração da Tempestade tem a aura de um clássico».
Sinopse
Observando Esch, ninguém poderia adivinhar que um grande furacão, o Katrina, ameaçava seriamente a sua vida…
Ela tem apenas 14 anos e maravilha-se com tudo o que lhe acontece: descobrir o amor e ficar grávida, por exemplo, ao mesmo tempo que a cadela Pit Bull China tem uma ninhada de cães que traz uma grande alegria aos seus três irmãos: Júnior, o mais novo e curioso de todos, Skeetah, que admira aqueles cães como forças da natureza, e Randall, que espera obter com a venda da ninhada os meios para seguir uma carreira no basquetebol.
Os avisos de um furacão cada vez mais poderoso a formar-se ao largo do Golfo do México e em rota de colisão com a região pobre de Bois Sauvage, onde Esch vive, só lhe chegam como rumores vagos, principalmente do pai ausente e frequentemente bêbedo, em constante alvoroço entre alguns biscates e o recolher de materiais para fortificar a casa contra o cataclismo que se avizinha.
Pode esta família de crianças sem mãe, e de pai distante, continuar a viver os seus sonhos e fantasias no meio da pobreza e sob a ameaça de um desastre natural?
O amor que os une é praticamente o único recurso que possuem e a força da sua inocência terá de vencer a força do furacão.
A Autora
Jesmyn Ward nasceu em 1977 na cidade de DeLisle, Mississípi. Concluiu os seus estudos na University of Michigan, onde granjeou importante reconhecimento pela escrita de ensaios, peças de teatro e ficção.
A obra No Coração da Tempestade valeu-lhe os prémios National Book Award for Fiction, em 2011, e Alex Award, em 2012.
Trabalha atualmente como professora assistente de Escrita Criativa na University of South Alabama.
Imprensa
No Coração da Tempestade é um livro intenso, com uma prosa direta e poderosa. (…) A relação familiar cuidadosamente construída é vívida e estimulante, desenhada de forma complexa e detalhada.
Los Angeles Times
A voz do narrador brilha com beleza à medida que lança o leitor por esta história emocionante, construída na sombra do [furacão] Katrina.
Huffington Post
No Coração da Tempestade, o vencedor do National Book Award de 2011, é um livro tenso e engenhoso, com uma intriga inteligente e de escrita voluptuosa.
The New York Times
de Jesmyn Ward
No Coração da Tempestade catapultou Jesmyn Ward para o reconhecimento mundial ao ser premiado com o mais importante galardão literário americano, o National Book Award, e depois com o Alex Award. Este romance será publicado pela Porto Editora no dia 16 de maio. Intenso, poderoso, com uma linguagem simultaneamente simples e vibrante, No Coração da Tempestade é o segundo romance de Jesmyn Ward que, desta vez, nos coloca na pele dos desprotegidos contra a força implacável do Katrina. Mais do que a catástrofe natural, este romance explora ainda o preconceito que atormenta os seus protagonistas, alvos de um racismo feroz de que a própria autora foi vítima e que, através desta história, procurou denunciar.
De acordo com o The Washington Post, Jesmyn Ward «evoca o amor persistente e o desespero próprios da tragédia clássica sem uma ponta de pretensiosismo, e através das vidas simples destas pessoas pobres, vivendo entre galinhas e carros abandonados. (…)
No Coração da Tempestade tem a aura de um clássico».
Sinopse
Observando Esch, ninguém poderia adivinhar que um grande furacão, o Katrina, ameaçava seriamente a sua vida…
Ela tem apenas 14 anos e maravilha-se com tudo o que lhe acontece: descobrir o amor e ficar grávida, por exemplo, ao mesmo tempo que a cadela Pit Bull China tem uma ninhada de cães que traz uma grande alegria aos seus três irmãos: Júnior, o mais novo e curioso de todos, Skeetah, que admira aqueles cães como forças da natureza, e Randall, que espera obter com a venda da ninhada os meios para seguir uma carreira no basquetebol.
Os avisos de um furacão cada vez mais poderoso a formar-se ao largo do Golfo do México e em rota de colisão com a região pobre de Bois Sauvage, onde Esch vive, só lhe chegam como rumores vagos, principalmente do pai ausente e frequentemente bêbedo, em constante alvoroço entre alguns biscates e o recolher de materiais para fortificar a casa contra o cataclismo que se avizinha.
Pode esta família de crianças sem mãe, e de pai distante, continuar a viver os seus sonhos e fantasias no meio da pobreza e sob a ameaça de um desastre natural? O amor que os une é praticamente o único recurso que possuem e a força da sua inocência terá de vencer a força do furacão.
A Autora
Jesmyn Ward nasceu em 1977 na cidade de DeLisle, Mississípi. Concluiu os seus estudos na University of Michigan, onde granjeou importante reconhecimento pela escrita de ensaios, peças de teatro e ficção.
A obra No Coração da Tempestade valeu-lhe os prémios National Book Award for Fiction, em 2011, e Alex Award, em 2012.
Trabalha atualmente como professora assistente de Escrita Criativa na University of South Alabama.
Imprensa
No Coração da Tempestade é um livro intenso, com uma prosa direta e poderosa. (…) A relação familiar cuidadosamente construída é vívida e estimulante, desenhada de forma complexa e detalhada.
Los Angeles Times
A voz do narrador brilha com beleza à medida que lança o leitor por esta história emocionante, construída na sombra do [furacão] Katrina.
Huffington Post
No Coração da Tempestade, o vencedor do National Book Award de 2011, é um livro tenso e engenhoso, com uma intriga inteligente e de escrita voluptuosa.
The New York Times
quinta-feira, 8 de maio de 2014
A Escolha do Jorge: Intempérie
“Intempérie” é o romance de estreia do espanhol Jesús Carrasco que tem tido lugar de destaque no país vizinho ao longo de 2013 tendo sido escolhido como o melhor livro, tanto por parte dos media, como por parte dos leitores.
Ao iniciarmos a leitura de “Intempérie”, mergulhamos num mundo sem referências a um país em particular ainda que o universo descrito se aproxime de alguma forma da planície mexicana, deserta e pobre, tão característica também das obras de Juan Rulfo. Também não existem quaisquer indicações à época em que decorre a narrativa ainda que a mesma possa decorrer nos dias de hoje numa área geográfica tremendamente hostil à fixação humana promovendo relações complexas e não menos duras entre os habitantes.
Imaginemos um rapaz que já não sendo propriamente uma criança, também ainda não é um adolescente na verdadeira aceção da palavra. Este rapaz sem nome, à semelhança dos demais personagens da narrativa, é a figura central de “Intempérie”, decide fugir da sua aldeia abandonando a sua família sem que nunca se saiba quais são as razões de tal fuga, acabando por se esconder refugiar num buraco onde se mantém até que as vozes que o procuram deixem de soar.
Saído do esconderijo, o rapaz embarca numa viagem sem destino anunciado acabando por conhecer um pastor cuja vida se aproxima à dos pastores nómadas que deambulam por uma extensa região à procura de alimento e água para o seu rebanho de cabras.
A medo, o rapaz começa a conviver com o pastor com quem vai aprendendo algumas lições de vida que se traduzem no modo se sobrevivência naquele mundo duro e hostil, transitando consequentemente do estado de criança para a adolescência marcando-o garantidamente na sua vida de adulto.
O que o rapaz não esperava, nem nós leitores, é que a partir do momento em que passa a lidar de perto com o pastor que de alguma forma acaba por desenvolver uma ligação afectiva no que respeita ao cuidar do próximo, ao desenvencilhar-lhe com poucos recursos tentando tirar o melhor partido da natureza, é também a partir deste momento em que têm lugar as experiências menos expectáveis, as quais não são supostas acontecerem a rapazes daquela idade e perante as quais toda a vida dali para a frente nunca mais será a mesma.
É no contexto de acontecimentos marcantes, alguns trágicos, que o rapaz irá confrontar-se com a crueldade do mundo em que está inserido não deixando, no entanto, de procurar manter a sanidade através dos valores a que se agarra a todo o custo ainda que não os compreenda totalmente, vendo-se na iminência de também ele cometer as maiores atrocidades totalmente de modo inesperado face a situações de desespero, de vida ou de morte, agarrando-se a cadinhos de vida salutar no meio de tanta
insanidade.
"Intempérie” é um livro surpreendente tanto quanto marcante na medida em que dificilmente o esqueceremos estando para lá do espaço e do tempo, de nomes, de uma moral que em universos complexos como o desta narrativa está longe de se apresentar transparente como a água que também tantas vezes nos é descrita como imprópria para o consumo.
A recente edição de “Intempérie” de Jesús Carrasco em língua portuguesa permitiu-nos conhecer mais um jovem escritor espanhol, além de vir também alegrar o panorama editorial português nos últimos tempos.
Excertos:
“O menino ficou calado. Se o pastor não podia mover-se, tinha de ser ele quem iria à procura de água. Pensou nos dias prévios, na insolação, na sede e nas caminhadas nocturnas e sentiu medo, porque só graças à presença do pastor fora capaz de salvar a sua vida.
- Terás de ser tu a ir procurar água.
- Não sei onde há.
- Eu digo-te.
- Tenho medo.
- És um rapaz muito valente.
- Não sou.
- Chegaste até aqui.
- Porque você estava.
- Porque tinhas vontade.
O rapaz não soube o que responder.
- Já viste a coroa que Cristo tem em cima?
- Sim, tem três pontas.
- Chamam-se potências. Uma é a memória, outra o entendimento e a terceira, a vontade.
O menino ergueu o olhar. O crepúsculo recortava no alto do muro uma silhueta negra em que se adivinhavam a túnica, as mãos e a coroa de espinhos. Ao garoto pareceu-lhe bonito o que o velho lhe contava e, por um momento, deixou escapar as suas preocupações.
- Cristo também sofreu. Eu não quero sofrer mais.
- Então ficamos aqui e morreremos de sede. Rapidamente deixaremos de sofrer.”
(pp. 113-114)
Jorge Navarro
Ao iniciarmos a leitura de “Intempérie”, mergulhamos num mundo sem referências a um país em particular ainda que o universo descrito se aproxime de alguma forma da planície mexicana, deserta e pobre, tão característica também das obras de Juan Rulfo. Também não existem quaisquer indicações à época em que decorre a narrativa ainda que a mesma possa decorrer nos dias de hoje numa área geográfica tremendamente hostil à fixação humana promovendo relações complexas e não menos duras entre os habitantes.
Imaginemos um rapaz que já não sendo propriamente uma criança, também ainda não é um adolescente na verdadeira aceção da palavra. Este rapaz sem nome, à semelhança dos demais personagens da narrativa, é a figura central de “Intempérie”, decide fugir da sua aldeia abandonando a sua família sem que nunca se saiba quais são as razões de tal fuga, acabando por se esconder refugiar num buraco onde se mantém até que as vozes que o procuram deixem de soar.Saído do esconderijo, o rapaz embarca numa viagem sem destino anunciado acabando por conhecer um pastor cuja vida se aproxima à dos pastores nómadas que deambulam por uma extensa região à procura de alimento e água para o seu rebanho de cabras.
A medo, o rapaz começa a conviver com o pastor com quem vai aprendendo algumas lições de vida que se traduzem no modo se sobrevivência naquele mundo duro e hostil, transitando consequentemente do estado de criança para a adolescência marcando-o garantidamente na sua vida de adulto.
O que o rapaz não esperava, nem nós leitores, é que a partir do momento em que passa a lidar de perto com o pastor que de alguma forma acaba por desenvolver uma ligação afectiva no que respeita ao cuidar do próximo, ao desenvencilhar-lhe com poucos recursos tentando tirar o melhor partido da natureza, é também a partir deste momento em que têm lugar as experiências menos expectáveis, as quais não são supostas acontecerem a rapazes daquela idade e perante as quais toda a vida dali para a frente nunca mais será a mesma.
É no contexto de acontecimentos marcantes, alguns trágicos, que o rapaz irá confrontar-se com a crueldade do mundo em que está inserido não deixando, no entanto, de procurar manter a sanidade através dos valores a que se agarra a todo o custo ainda que não os compreenda totalmente, vendo-se na iminência de também ele cometer as maiores atrocidades totalmente de modo inesperado face a situações de desespero, de vida ou de morte, agarrando-se a cadinhos de vida salutar no meio de tanta
insanidade.
"Intempérie” é um livro surpreendente tanto quanto marcante na medida em que dificilmente o esqueceremos estando para lá do espaço e do tempo, de nomes, de uma moral que em universos complexos como o desta narrativa está longe de se apresentar transparente como a água que também tantas vezes nos é descrita como imprópria para o consumo.
A recente edição de “Intempérie” de Jesús Carrasco em língua portuguesa permitiu-nos conhecer mais um jovem escritor espanhol, além de vir também alegrar o panorama editorial português nos últimos tempos.
Excertos:
“O menino ficou calado. Se o pastor não podia mover-se, tinha de ser ele quem iria à procura de água. Pensou nos dias prévios, na insolação, na sede e nas caminhadas nocturnas e sentiu medo, porque só graças à presença do pastor fora capaz de salvar a sua vida.
- Terás de ser tu a ir procurar água.
- Não sei onde há.
- Eu digo-te.
- Tenho medo.
- És um rapaz muito valente.
- Não sou.
- Chegaste até aqui.
- Porque você estava.
- Porque tinhas vontade.
O rapaz não soube o que responder.
- Já viste a coroa que Cristo tem em cima?
- Sim, tem três pontas.
- Chamam-se potências. Uma é a memória, outra o entendimento e a terceira, a vontade.
O menino ergueu o olhar. O crepúsculo recortava no alto do muro uma silhueta negra em que se adivinhavam a túnica, as mãos e a coroa de espinhos. Ao garoto pareceu-lhe bonito o que o velho lhe contava e, por um momento, deixou escapar as suas preocupações.
- Cristo também sofreu. Eu não quero sofrer mais.
- Então ficamos aqui e morreremos de sede. Rapidamente deixaremos de sofrer.”
(pp. 113-114)
Jorge Navarro
quarta-feira, 7 de maio de 2014
"Os Demónios de Álvaro Cobra" de Carlos Campaniço
Falar de um livro sobre o qual todos dizem maravilhas não é tarefa fácil. O amigo que mo emprestou, adorou! O pessoal da Roda dos livros que o leu, também.
Pois é! A mim não me conquistou à primeira. Não que a escrita do Carlos seja inferior aos livros bons que tenho lido. Antes pelo contrário! Quem me dera escrever assim: as palavras parecem possuir uma naturalidade e simplicidade que nos cativam, embora aplique termos que não são tão correntes assim... Trabalhar as palavras mas fazer com que elas soem aos outros como "naturais", não é para todos.
A sua imaginação não tem limites e o irreal torna-se visivel aos nossos olhos como se pudesse na verdade existir. Hão-de convir que alguém "que sofre de febres altas que até incendeia os lençóis" não é uma personagem que podemos encontrar no dia-a-dia! E com personagens tão peculiares, as peripécias surgem em catadupa.
Mas... Algo me manteve alheada nas primeiras 150 páginas desta obra. Não consegui mergulhar no livro e esquecer o que me rodeava tão depressa quanto esperava. Às vezes as expectativas muito altas pregam-nos rasteiras e foi isso que aconteceu. Só os comentários positivos de amigos me fizeram continuar...
Mas... Ainda bem que se deu um segundo "mas"! Finalmente consegui ler algumas páginas sem me aperceber da passagem das folhas. O milagre da leitura tinha acontecido!
E cheguei ao fim com uma sensação estranha. Da leitura desta história toda não posso concluir que seja um livro alegre e que nos alente a esperança de dias melhores, embora a imaginação e a magia que nele está contido nos façam sorrir a espaços curtos. Soube-me a pouco, porque depois de me ter esquecido do que me rodeava, queria mais páginas de magia e já não as tive por muito mais tempo!
Quero ler o novo livro do autor que acaba de sair. Será que "Mal Nascer" me vai conquistar logo de início?
Terminado em 3 de Maio de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
A aldeia de Medinas seria um lugar bem mais aprazível não fosse contar-se entre os seus habitantes Álvaro Cobra, um lavrador que atrai fenómenos sobrenaturais e tão depressa é tido por bruxo como por santo: não chorou ao nascer, com um mês já tinha dois dentes, consegue ouvir a Terra girar sobre si própria, tem uma cadela que adivinha o tempo e, além disso, já morreu duas vezes - mas ressuscitou, e desde então um bando de grifos faz ninho no seu telhado. A sua estranheza impediu-o, porém, de arranjar mulher, mas o encontro com a filha de um nómada que vende torrão doce na Feira de Setembro promete mudar esse estado de coisas, ainda que a união traga surpresas (nem sempre agradáveis) quer ao próprio lavrador, quer às mulheres da sua família: a bisavó Lourença, que conta cento e cinquenta anos mas guarda invejável lucidez; a mãe, que consegue trabalhar a terra com uma mão e cozinhar com a outra; ou mesmo Branca Mariana, a irmã excessivamente febril que vive prostrada numa cama onde os lençóis chegam a pegar fogo. Do casamento atribulado, nascerá Vicente, o filho de quem se espera uma existência completamente distinta da do pai. Porém, tratando-se de um Cobra, nunca fiando…
Pois é! A mim não me conquistou à primeira. Não que a escrita do Carlos seja inferior aos livros bons que tenho lido. Antes pelo contrário! Quem me dera escrever assim: as palavras parecem possuir uma naturalidade e simplicidade que nos cativam, embora aplique termos que não são tão correntes assim... Trabalhar as palavras mas fazer com que elas soem aos outros como "naturais", não é para todos.
A sua imaginação não tem limites e o irreal torna-se visivel aos nossos olhos como se pudesse na verdade existir. Hão-de convir que alguém "que sofre de febres altas que até incendeia os lençóis" não é uma personagem que podemos encontrar no dia-a-dia! E com personagens tão peculiares, as peripécias surgem em catadupa.
Mas... Algo me manteve alheada nas primeiras 150 páginas desta obra. Não consegui mergulhar no livro e esquecer o que me rodeava tão depressa quanto esperava. Às vezes as expectativas muito altas pregam-nos rasteiras e foi isso que aconteceu. Só os comentários positivos de amigos me fizeram continuar...
Mas... Ainda bem que se deu um segundo "mas"! Finalmente consegui ler algumas páginas sem me aperceber da passagem das folhas. O milagre da leitura tinha acontecido!
E cheguei ao fim com uma sensação estranha. Da leitura desta história toda não posso concluir que seja um livro alegre e que nos alente a esperança de dias melhores, embora a imaginação e a magia que nele está contido nos façam sorrir a espaços curtos. Soube-me a pouco, porque depois de me ter esquecido do que me rodeava, queria mais páginas de magia e já não as tive por muito mais tempo!
Quero ler o novo livro do autor que acaba de sair. Será que "Mal Nascer" me vai conquistar logo de início?
Terminado em 3 de Maio de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
A aldeia de Medinas seria um lugar bem mais aprazível não fosse contar-se entre os seus habitantes Álvaro Cobra, um lavrador que atrai fenómenos sobrenaturais e tão depressa é tido por bruxo como por santo: não chorou ao nascer, com um mês já tinha dois dentes, consegue ouvir a Terra girar sobre si própria, tem uma cadela que adivinha o tempo e, além disso, já morreu duas vezes - mas ressuscitou, e desde então um bando de grifos faz ninho no seu telhado. A sua estranheza impediu-o, porém, de arranjar mulher, mas o encontro com a filha de um nómada que vende torrão doce na Feira de Setembro promete mudar esse estado de coisas, ainda que a união traga surpresas (nem sempre agradáveis) quer ao próprio lavrador, quer às mulheres da sua família: a bisavó Lourença, que conta cento e cinquenta anos mas guarda invejável lucidez; a mãe, que consegue trabalhar a terra com uma mão e cozinhar com a outra; ou mesmo Branca Mariana, a irmã excessivamente febril que vive prostrada numa cama onde os lençóis chegam a pegar fogo. Do casamento atribulado, nascerá Vicente, o filho de quem se espera uma existência completamente distinta da do pai. Porém, tratando-se de um Cobra, nunca fiando…
Ao ficcionar uma aldeia alentejana em finais do século XIX - na qual judeus, árabes e cristãos andam às turras e os mitos ganham terreno à realidade -, Carlos Campaniço oferece-nos uma galeria de personagens inesquecíveis, que vão de um anarquista à dona de um bordel ambulante, e recicla de forma original o realismo mágico para revisitar as virtudes e os defeitos das pequenas comunidades rurais do nosso Portugal.
terça-feira, 6 de maio de 2014
A Convidada Escolhe: Sonhos de Papel
Eu, à semelhança da Cristina, nunca ando desacompanhada. Ou seja, um livro está sempre presente. Como tal, quando se trata de fazer um comentário sobre um de que gostámos muito, a tarefa não se apresenta facilitada. São muitas as possibilidades.
Num ápice, ocorre-me um dos últimos romances que li, que com uma capa discreta e singela que passa despercebido, mas com um título que a mim me diz muito: "Sonhos de papel". Em poucas palavras, poderei descrevê-lo como um romance encantador e algo melancólico, mas com uma personagem principal fantástica, Josie, de tão inteligente, batalhadora e sonhadora. Apesar das dificuldades em fugir de um futuro de miséria, com a promiscuidade da mãe que é prostitua e amoral, tem que resistir aos pervertidos, o que a levou a residir sozinha aos 12 anos num pequeno quarto sobre uma livraria, com a ajuda de um pequeno grupo de benfeitores.
Willie, Cookie e Jesse são personagens secundárias marcantes, que nos relembram a importância de verdadeiros amigos e que apesar da má sorte é possível manter a esperança. Sólidos, íntegros e corajosos conquistaram todos, não pela sua aparência ou modo de vida mas pelos seus princípios e valores.
Romance de época ou histórico (não sei bem como o definir) passa-se nos anos cinquenta em Nova Orleães. Esta cidade, quase que desempenha um papel como outra personagem secundária, tal a participação na história.
A narrativa de Josie de uma fragilidade desarmante e verossímil, é susceptível de abalar os corações mais sensíveis. A expetativa é de um desfecho justo em que a Josie supere todos os obstáculos e crimes que a rodeiam ameaçando-a.
Gostei da fluidez e ritmo desta história que prosseguia com novas peripécias com estas ou outras personagens. Só me resta esperar um novo romance desta autora que me inebriou logo nas primeiras páginas e que me deixou a suspirar quando conclui.
Vera Sopa
Num ápice, ocorre-me um dos últimos romances que li, que com uma capa discreta e singela que passa despercebido, mas com um título que a mim me diz muito: "Sonhos de papel". Em poucas palavras, poderei descrevê-lo como um romance encantador e algo melancólico, mas com uma personagem principal fantástica, Josie, de tão inteligente, batalhadora e sonhadora. Apesar das dificuldades em fugir de um futuro de miséria, com a promiscuidade da mãe que é prostitua e amoral, tem que resistir aos pervertidos, o que a levou a residir sozinha aos 12 anos num pequeno quarto sobre uma livraria, com a ajuda de um pequeno grupo de benfeitores.
Willie, Cookie e Jesse são personagens secundárias marcantes, que nos relembram a importância de verdadeiros amigos e que apesar da má sorte é possível manter a esperança. Sólidos, íntegros e corajosos conquistaram todos, não pela sua aparência ou modo de vida mas pelos seus princípios e valores.
Romance de época ou histórico (não sei bem como o definir) passa-se nos anos cinquenta em Nova Orleães. Esta cidade, quase que desempenha um papel como outra personagem secundária, tal a participação na história.
A narrativa de Josie de uma fragilidade desarmante e verossímil, é susceptível de abalar os corações mais sensíveis. A expetativa é de um desfecho justo em que a Josie supere todos os obstáculos e crimes que a rodeiam ameaçando-a.
Gostei da fluidez e ritmo desta história que prosseguia com novas peripécias com estas ou outras personagens. Só me resta esperar um novo romance desta autora que me inebriou logo nas primeiras páginas e que me deixou a suspirar quando conclui.
Vera Sopa
segunda-feira, 5 de maio de 2014
"O Ladrão de Sombras" de Marc Levy
Já me tinham dito que esta leitura era deliciosa e foi por isso que pedi este livro emprestado. Estava na estante "dos emprestados" há algum tempo e foi essa razão que me levou a pegar nele. Tenho de diminuir a pilha dos livros que são de amigos porque os meus, senhores muito territoriais, reclamam o espaço ocupado pelos outros!
Achei esta leitura um doce e, uma história que à partida parece não ter cabimento, surge pela escrita de Marc Levy como algo que me pareceu verosímil e nada estapafúrdia. Não vos vou contar a história porque temo que fiquem com a ideia que me faltem alguns parafusos ao fazer a afirmação anterior, mas o que vos quero transmitir é que uma história pode parecer "real" se a escrita do autor nos induzir a isso.
O narrador, no início do livro, é ainda criança. A narrativa capta de imediato a nossa atenção. Sorrimos com os seus comentários, os seus medos e angústias enternecem-nos. Este livro fala-nos de "dons" e o pequeno narrador tem um dom especial que o intriga e apaixona mas que tem de aprender a usar sem interferir no que é a vontade dos outros. O contacto da sua sombra com a de alguém próximo permite conhecer os sentimentos mais profundos dessa pessoa, aqueles que são difíceis de transmitir aos outros.
Na segunda parte, o narrador cresceu, é um jovem estudante de medicina que, colocou de parte esse dom especial, tornando-se uma pessoa, mesmo sem se aperceber, mais egoista e sem grande vontade de "olhar" para os outros. Mas, por outro lado, seduz-nos com o seu carácter sempre pronto a reconhecer as suas faltas, cativa-nos e envolve-nos na sua busca da felicidade. E a sua aprendizagem dos outros, do mundo que o rodeia, faz-nos pensar em nós, nas nossas buscas...
Ē uma escrita mágica esta, em que adorei mergulhar. Uma história que parece, à primeira vista, simples e leve mas que nos impele a reflectir dada a complexidade inerente aos temas abordados. Dei-me conta, no final desta leitura, que não sabemos o nome do "ladrão de sombras". Só com uma escrita magnífica é que é possível ler um livro todo sem sentir necessidade de chamar pelo nome o personagem principal. Para que serve um nome afinal?
Uma história mágica como pode ser uma qualquer história da vida real.
Terminado em 30 de Abril de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
Achei esta leitura um doce e, uma história que à partida parece não ter cabimento, surge pela escrita de Marc Levy como algo que me pareceu verosímil e nada estapafúrdia. Não vos vou contar a história porque temo que fiquem com a ideia que me faltem alguns parafusos ao fazer a afirmação anterior, mas o que vos quero transmitir é que uma história pode parecer "real" se a escrita do autor nos induzir a isso.
O narrador, no início do livro, é ainda criança. A narrativa capta de imediato a nossa atenção. Sorrimos com os seus comentários, os seus medos e angústias enternecem-nos. Este livro fala-nos de "dons" e o pequeno narrador tem um dom especial que o intriga e apaixona mas que tem de aprender a usar sem interferir no que é a vontade dos outros. O contacto da sua sombra com a de alguém próximo permite conhecer os sentimentos mais profundos dessa pessoa, aqueles que são difíceis de transmitir aos outros.
Na segunda parte, o narrador cresceu, é um jovem estudante de medicina que, colocou de parte esse dom especial, tornando-se uma pessoa, mesmo sem se aperceber, mais egoista e sem grande vontade de "olhar" para os outros. Mas, por outro lado, seduz-nos com o seu carácter sempre pronto a reconhecer as suas faltas, cativa-nos e envolve-nos na sua busca da felicidade. E a sua aprendizagem dos outros, do mundo que o rodeia, faz-nos pensar em nós, nas nossas buscas...
Ē uma escrita mágica esta, em que adorei mergulhar. Uma história que parece, à primeira vista, simples e leve mas que nos impele a reflectir dada a complexidade inerente aos temas abordados. Dei-me conta, no final desta leitura, que não sabemos o nome do "ladrão de sombras". Só com uma escrita magnífica é que é possível ler um livro todo sem sentir necessidade de chamar pelo nome o personagem principal. Para que serve um nome afinal?
Uma história mágica como pode ser uma qualquer história da vida real.
Terminado em 30 de Abril de 2014
Estrelas: 5*
Sinopse
No seu novo romance, Marc Levy conta a história de um rapazinho com um dom invulgar: ele consegue «roubar» as sombras das pessoas com quem se cruza. Ao princípio, acontece-lhe involuntariamente e isso chega a assustá-lo. Sempre que se cruza com alguém - seja um amigo, um inimigo ou um perfeito desconhecido -, a sombra da outra pessoa passa a segui-lo. Por vezes contra a vontade do rapaz, as sombras contam-lhe os mais profundos desejos, temores e aspirações das pessoas a quem pertencem. E o rapaz vê-se em mãos com um dom que traz uma grande responsabilidade: ao saber estes segredos, terá de ajudar as pessoas - ajudá-las a recuperar «essa pequena luz que lhes iluminará a vida». Durante umas férias de verão à beira-mar, apaixona-se por uma rapariga muda, chamada Cléa, com quem comunica através da sua sombra. E a sombra deste primeiro amor acompanhá-lo-á durante anos… Mais tarde, o nosso «ladrão de sombras» torna-se estudante de Medicina, e debate-se com a questão de usar ou não o seu dom para ajudar a curar - tanto os seus pacientes como os seus amigos. Afinal, será ele verdadeiramente capaz de adivinhar o que poderá fazer felizes aqueles que o rodeiam? E ele próprio, saberá onde o espera a felicidade? Um romance terno e divertido sobre os silêncios que assombram todos os nossos amores.
domingo, 4 de maio de 2014
Ao Domingo com... Carlos Campaniço
Não há quem escolha pai ou mãe. Do mesmo modo, não escolhi escrever. Não há nada de messiânico, predestinação nenhuma, nenhuma inteligência selectiva. Nada!
Nem escrevo porque preciso, tão-somente porque gosto.
Não podendo mudar o mundo à força, forço as palavras para que mudem um bocadinho o mundo. Não acredito na Literatura meramente recreativa, pois não tem tempero no sangue. À força do meu Alentejo fico devedor, infundindo em mim uma métrica de paixão. Escrevo sobre o Alentejo, donde Safara, minha terra-mãe, é a medida para todas as coisas. Escrevo sobre a província e sobre a aldeia, porque julgo conhecê-las, porque pretendo que as conheçam nos seus diferentes mas sempre fatídicos tempos de opressão campesina. Paradoxalmente, escrevo sobre tempo idos, sobre homens imaginados e remotos, como se estivesse desconfiado que os actuais não são capazes de façanhas ou proezas, capazes de acolher sofrimento ou amores tão medonhos.
E assim chego aqui, nu perante o leitor. Não disse palavras que não sinta, sem mais maneiras de ver a Literatura: apenas uma força que lavra em mim e que de mim faz escritor.
Carlos Campaniço
sábado, 3 de maio de 2014
Cabine de Leitura na Praça de Londres
Já ouviram falar da Cabine de Leitura? É um projecto fantástico que pode ser visitado das 9 às 20 h, de segunda a sábado. Levam um livro que queiram doar e trazem outro que querem ler. Se quiserem deixar mais do que um, a Cabine agradece... Colocam no caixote em baixo para serem carimbados.
Uma amiga, a Isabel (da Roda dos Livros) falou-nos nela e pediu-nos livros. O pessoal da Roda disponibilizou alguns das suas estantes, as editoras participaram e muitos particulares também. Foi pintada uma cabine, colocadas umas estantes e ei-la! Brilhante e novinha no passeio da Mexicana...
Teve direito a inauguração, com fita cortada e tudo.
Deixo-vos algumas fotos. Fica a ideia. Participem. Cabe-nos a todos contribuir para este projecto. Que haja pessoas civilizadas e que a ideia perdure!
Uma amiga, a Isabel (da Roda dos Livros) falou-nos nela e pediu-nos livros. O pessoal da Roda disponibilizou alguns das suas estantes, as editoras participaram e muitos particulares também. Foi pintada uma cabine, colocadas umas estantes e ei-la! Brilhante e novinha no passeio da Mexicana...
Teve direito a inauguração, com fita cortada e tudo.
Deixo-vos algumas fotos. Fica a ideia. Participem. Cabe-nos a todos contribuir para este projecto. Que haja pessoas civilizadas e que a ideia perdure!
Na minha caixa de correio
Opá! Que semana boa!
Então vamos lá:
Tatiana comprei na Feira da Ladra a um preço óptimo! Estou ã espera do último desta trilogia para os ler de seguida.
Os dois livros seguintes, Plenilúnio e Dia de Cão foram oferta de um amigo. Obrigada Pedro! Fiquei curiosa...
O livro de João Tordo foi oferta da Editora Objectiva. Já há algum tempo que este livro tinha despertado a minha curiosidade!
Uma Caneca de Tinta Irlandesa trouxe emprestado da Cabine de Leitura, na Praça de Londres. Ainda hoje vos falarei desse projecto tão fantástico.
Menina de Cristal e Um Crime Real Contado às Crianças comprei na Livraria Barata por 2 euros.
À Margem da Lei e Relaxamento Anti-Stress foram oferta da Topseller e Nascente.
Tea-Bag veio da Editorial Presença.
A Mulher de Verde, da Porto Editora.
O Mar em Casablanca, da Cabine de Leitura.
Da Marcador recebi o No País da Nuvem Branca.
O meu obrigada às editoras. O meu sorriso quando recebo os livros é a prova do meu agradecimento por tornarem o meu fim do dia tão feliz!
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Novidades Marcador
No País da Nuvem Brancade Sarah Lark
Londres, 1895. Duas raparigas empreendem uma viagem de barco rumo à Nova Zelândia e tornam-se amigas. Trata-se, para ambas, do início de uma nova vida como futuras esposas de dois homens que não conhecem. Gwyneira, de origem nobre, está prometida ao filho de um magnata da criação de ovelhas, enquanto Helen, uma jovem preceptora, parte para se casar com um fazendeiro. Procuram encontrar a felicidade num país que promete ser o paraíso. No entanto, as ilusões de ambas depressa se esfumam, principalmente quando descobrem que a sua amizade está em perigo porque os maridos são inimigos.
Gwyneira e Helen são mais fortes do que acreditam ser e rompem com os preconceitos e as restrições da sociedade em que vivem, mas serão capazes de alcançar o amor e a felicidade do outro lado do mundo?
O Homem Que Perseguia O Tempo
de Diane Setterfield
Num momento de rivalidade infantil, William deixa-se levar pelo entusiasmo e não hesita em apontar a fisga a uma gralha-calva poisada num ramo, acabando por matá-la.
Um ato que, apesar de cruel, não teve qualquer significado e depressa foi esquecido. Mas as gralhas-calvas não esquecem…
Anos depois, na idade adulta, já com mulher e filhos, entra na sua vida um desconhecido
misterioso e a sua sorte começa a mudar. Surgem então as consequências terríveis e imprevistas daquele incidente do passado.
Numa tentativa desesperada de salvar o único bem precioso que lhe resta, William celebra um acordo deveras estranho, com um sócio ainda mais estranho. Juntos, fundam um negócio inquestionavelmente macabro.
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