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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Novidade Esfera dos Livros

A Força das Palavras
de Gustavo Santos
Quantas vezes querias ter dito «não» e acabaste por dizer «sim» porque tiveste medo de magoar alguém? Porque achaste que o outro ia gostar menos, ou se calhar pensar mal de ti? Pensa bem. E como é que te sentiste a seguir? Feliz e bem contigo próprio, ou desiludido, frustrado e triste? Quantas vezes já disseste com todo o coração «obrigado»? Quantas vezes te sentiste tocado por o perdão de alguém? Quantas vezes usaste a palavra «amor» com todo o teu coração? As palavras que dizemos no nosso dia a dia têm um poder capaz de transformar a nossa vida de um momento para o outro. Escolhi abordar a força das palavras neste meu novo livro, pois tenho vindo a constatar, infelizmente e com maior frequência nos meus workshops, conferências e sessões individuais de coaching, que as pessoas vivem com uma enorme dificuldade em dizer o que realmente pensam e sentem. É-lhes estranho afirmar as suas verdades e assumir aquilo em que acreditam, pois, e consecutivamente, escolhem não ser a sua prioridade! Isso, além de perigoso, afasta-as do comando das suas vidas, da confiança e, por conseguinte, da assertividade e da felicidade. Nos meus anteriores livros – Arrisca-te a Viver e Agarra o Agora – falei-te sobre essa maravilhosa possibilidade que temos de sair da nossa zona de conforto e arriscarmos a fazer diferente, isto é desligar a mente para ligar o coração naquele momento mágico e único que é o "Agora". Neste livro falo-te de um poder diferente. A força das palavras, daquilo que nós dizemos aos outros e também a nós próprios. E ser assertivo não é mais do que sermos coerentes com aquilo que pensamos e sentimos e afirmá-lo, sem apelo nem agravo, sem falsos moralismos, nem pena de ninguém, apenas e somente porque nos respeitamos.
Um livro poderoso que inclui 10 palavras potenciadoras capazes de transformar a tua vida.

Novidade Matéria-Prima Edições

O Cancro Foi a minha Cura
de Vânia Castanheira

“Ter recebido o diagnóstico de cancro nesta fase da minha vida tornou-me mais viva. Pode parecer estranho, mas sinto-o, não como um problema, mas como uma oportunidade de mudar. Só assim tive a 
capacidade e a coragem de fazer alterações na minha vida.” 

Em O Cancro foi a minha cura Vânia partilha um pouco da sua vida, do que era antes de ter ficado doente; da pessoa em que se transformou, das mudanças que ocorreram na sua vida e no modo de encarar o mundo. 
Esta é a história de alguém que decidiu agarrar-se à vida e dar o exemplo, ajudando. Para além da partilha do seu caso Vânia dedica-se a ajudar e informar outras mulheres com cancro. Lançou uma campanha solidária de recolha de lenços para mulheres carecas que, periodicamente vai entregar a hospitais onde também dá dicas de maquilhagem. Porque é importante que estas mulheres se sintam bem e com força! Esta iniciativa, que é um sucesso no Brasil, chega agora a Portugal em três momentos distintos: um evento na Escola da Cruz Vermelha e uma entrega de lenços no Hospital São Francisco de Xavier e no Instituto Português de Oncologia.
Mais informações sobre a autora em: Minhavidacomigo.com

Convite Matéria-Prima Edições


Novidade Quinta Essência

Uma Noite no Expresso do Oriente
de Veronica Henry

Para o grupo de passageiros que se instala nos seus lugares e bebe os primeiros goles de champanhe, a viagem de Londres até Veneza é mais do que a viagem de uma vida.
Uma missão misteriosa; uma promessa feita a um amigo moribundo; uma proposta inesperada; um segredo que remonta a vida inteira... Enquanto o comboio segue viagem, revelações, confissões e encontros amorosos têm lugar no cenário mais romântico e infame do mundo.

Novidades TopSeller


Quando Eden tinha dez anos, encontrou o pai, David, caído no chão da casa de banho. A tentativa de suicídio conduziu ao divórcio dos pais e David desapareceu quase por completo da sua vida. Vinte anos depois, Eden é uma chef bem-sucedida, mas após uma série de relacionamentos românticos falhados percebe que é tempo de procurar o pai, que se encontra a viver na rua, para poder perdoá-lo e seguir em frente.

A sua busca leva-a até um albergue para sem-abrigo e até Jack Baker, o diretor. Jack convence Eden a fazer trabalho de voluntariado no albergue e, em troca, ajuda-a na sua busca. À medida que Eden e Jack se apaixonam e a sua procura os aproxima de David, Eden vê-se obrigada a enfrentar as suas verdadeiras emoções e a dolorosa pergunta acerca do pai: será que depois de todos aqueles anos ele quer mesmo ser encontrado?



Vanessa «Michael» Munroe trabalha com informação. Depois de escapar a uma infância traumática numa África Central sem lei, a sua formação e o seu treino permitem-lhe obter todo o tipo de informações, independentemente do cenário de operações onde se encontre. Por isso, é agora requisitada por empresas, instituições, chefes de estado e clientes privados que podem pagar os seus serviços únicos no mundo.


Quando um bilionário texano do mundo do petróleo a contrata para encontrar a sua filha desaparecida em África, Munroe regressa a um mundo selvagem e profundo que tão bem conhece, enfrentando forças misteriosas que estão determinadas em manter em segredo o destino da rapariga desaparecida. Para ter alguma esperança de sair da selva com vida, Munroe vai ter de enfrentar, finalmente, os fantasmas do passado que durante tanto tempo fez por esquecer.


Novidade Presença

Faça Acontecer
Mulheres, o Trabalho e a Vontade de Liderar
de Sheryl Sandberg

Passaram já 30 anos desde que as mulheres se tornaram metade da população com formação universitária nos Estados Unidos. Contudo, são os homens que ainda estão à frente da maioria dos cargos mais elevados nas empresas e nos governos. Embora fatores como a discriminação constituam obstáculos reais à ascensão das mulheres a lugares de poder, elas são também condicionadas por crenças e atitudes enraizadas no subconsciente. Com Faça Acontecer Sheryl Sandberg pretende analisar e ajudar a derrubar estes obstáculos. Num tom bem-humorado, perspicaz e sobretudo realista, este livro encoraja as mulheres a não desistirem de desenvolver o seu potencial.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

"Laços de Vida" de Debbie Macomber

Gostei muito de ler este livro. A escrita da autora é muito simples, fluída o que leva a uma fácil entrada no mundo de Libby Morgan, a personagem central.

Os temas abordados são actuais, ligeiramente pesados mas a história tão bem contada leva-nos a pensar que eles se poderiam resolver muito rapidamente, nos dias de hoje, caso existisse bom senso e mais inter-ajuda entre os implicados. Não se passa assim na realidade! Infelizmente. A situação da gravidez em menores, ainda na pré-adolescência ou adolescência, é bastante recorrente nos nossos dias o que nos leva a reflectir sobre algo tão forte que altera a vida e a estrutura familiar de quem se vê envolvido e na falta de informação que ainda grassa num mundo onde a internet nos faz chegar muito facilmente a todo o lado.

Libby é uma mulher bastante activa que, por ter uma actividade profissional muito exigente, não tem tempo para si e para fazer funcionar e manter estável qualquer relação amorosa. Olhamos à nossa volta e reconhecemos tantas situações semelhantes... A vida acelerada do dia a dia que nos leva a estar cada vez mais dependentes do trabalho, com menos horas livres para nós, é algo que obsta, certamente, à nossa felicidade. Se acrecentarmos, também, uma situação de desemprego súbito quando nada o fazia prever, temos os ingredientes necessários para ficarmos presos às quase 400 páginas deste romance.

Não era bom que na vida real se conseguisse sempre dar a volta às situações? E porque não? Não as complicamos, muitas vezes, desnecessariamente?

Terminado em 3 de Abril de 2014

Estrelas: 5*-

Sinopse

Durante anos, o objetivo de Libby Morgan foi tornar-se sócia da conhecida e competitiva firma de advogados onde trabalha. Para tal sacrificou tudo - amizades, casamento e o sonho de criar uma família. Quando finalmente é chamada à administração, Libby mal contém a sua felicidade, mas não está preparada para a notícia que irá receber: face às dificuldades económicas, Libby é despedida.

Sem perspetivas de trabalho, Libby aproveita para cuidar das amizades que descurou. Assim, enquanto retoma velhos hábitos, passa a frequentar uma loja de malhas onde nutrirá amizades que lhe mudarão a vida. É ali que conhecerá a doce e sensível Lydia, a proprietária da loja e a sua espirituosa filha adolescente, Casey; bem como a melhor amiga desta, Ava, uma jovem muito tímida e ingénua, que carrega um segredo que não ousa contar a ninguém. Não tardará que Libby considere aquelas mulheres inspiradoras a sua nova família. Consegue mesmo encontrar o amor na figura de um médico enigmático conhecido por doutor Coração de Pedra.

Mas quando tudo finalmente se parece recompor, Libby é confrontada com uma fantástica oferta de trabalho que, caso aceite, poderá ameaçar a felicidade pessoal conquistada há tão pouco tempo. Que opção escolher quando os dois mundos parecem tão incompatíveis?




terça-feira, 8 de abril de 2014

Resultado do Passatempo "As Mulheres de Kadhafi"


O meu obrigada à Porto Editora que colaborou neste passatempo oferecendo um exemplar deste livro que achei fantástico! A minha opinião aqui!

Das 387 participações foi seleccionado o n* 237 que correspondeu a:

- Paula Nunes de Lisboa

Os meus parabéns à vencedora! Obrigado aos restantes participantes.

Resultado do Passatempo "Quando a tua ira passar"



Agradecendo à Editora Planeta este passatempo, aqui estamos nós a anunciar o vencedor do livro de Ása Larsson.

Das 375 participações foi seleccionado o n* 89 pertencente a:
- Ana Filipa Losada Rodrigues de Alcabideche.

Muitos parabéns! A editora vai enviar-te brevemente o livro. Espero que gostes!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

"Nunca te Distraias da Vida" de Manuel Forjaz

Todos certamente já ouvimos falar o Manuel, ou pelo menos muitos de nós. Ninguém fica indiferente às suas palavras. Uns porque o conheceram "antes", outros porque o conheceram "depois". Ao vivo, na TV ou nas redes sociais.

Sentimos (e ele próprio nos conta neste livro) a mudança que se operou na sua vida, nos seus hábitos e formas de pensar. Um relato de uma força impressionante, uma procura incessante de melhores e mais tratamentos contra a doença, de uma luta enorme que nos deixa sem palavras. De qualquer forma elas, as palavras, não são precisas quando estamos perante uma imensa vontade de aproveitar a vida e tudo o que ela tem de melhor.

Quanta dor e quantos sorrisos de bravura estão descritos nestas páginas! Apresenta-nos muitos caminhos e dicas para quem, de um momento para o outro, se vê em situações que nunca imaginou. Porque hoje é ele mas amanhã poderemos ser nós ou alguém muito próximo...

Vejam o video que apresento em baixo.




Este texto foi escrito sábado, dia 5, pela manhã. Domingo, Manuel Forjaz partiu.

Terminado em 31 de Março de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

Nunca te distraias da vida é um livro biográfico, mas não é uma biografia. É um livro que nos fala do cancro e do que é viver todos os dias com a doença, tentando manter a disciplina, a alegria e uma agenda profissional milimetricamente preenchida, como Manuel Forjaz sempre teve. Sem que pretenda ser um manual de comportamento ou, sequer, um livro de auto-ajuda, trata-se de um testemunho e de uma ferramenta muito útil para todas as pessoas que estão a viver um problema semelhante ou que têm um familiar ou um amigo doente. É sobretudo um livro despretensioso, escrito por um homem que luta pela vida desde há vários anos, sem nunca baixar os braços e com uma enorme fé em Deus e na ciência; um homem que tem procurado todas as soluções possíveis para a situação difícil em que se encontra e que integra no seu plano de tratamentos a medicina tradicional e as medicinas alternativas com o mesmo rigor; um homem que vive com a certeza de que, mais tarde ou mais cedo, o cancro poderá matá-lo, mas não conseguirá nunca impedi-lo de viver a vida enquanto existir vida para viver.





domingo, 6 de abril de 2014

Ao Domingo com... J.Pedro Baltasar

O que levamos daqui, quando partimos?
Há ... um destino?
Um sítio onde chegar?
E se sim, o que podemos levar connosco?
A saudade... dos entes queridos... e ... pouco mais.
Talvez imagens.
Do que vimos e mais nos marcou. 
São recordações que, na maior parte dos casos, nos traz à tona ... memórias. 
Recordações.
Emoções!
Eis a palavra chave onde eu queria chegar... 
... emoção.

Um livro pode ser técnico. Ou pode ser uma compilação de poesias. Um estudo. Uma crónica. Ou uma história. Ou muitas outras coisas, mas...
Se for uma história, quanto a mim, que possa ser vivida.
Não lida apenas... que por vezes ler exige esforço mas, principalmente, vivida!
Gosto de ler um livro em que eu vista a pele de um dos personagens e, como ele,
... eu passe por mil e uma peripécias. Eu ame, sofra, sangre, desespere e, sempre em ânsias por virar a página seguinte e saber onde estou agora. O que vou fazer para me safar, ou para apanhar o mau da fita.
Que seja como um filme.
Daqueles que nos prende à cadeira.
Daqueles dos quais compramos o DVD, porque queremos que seja nosso para sempre.
Porque nos disse e transmitiu qualquer coisa de muito forte.
Porque nos fez viver,
Porque nos deu emoção!
E é de emoções que somos feitos, é a elas que reagimos e são elas que tantas das vezes nos fazem sentir gratos pela vida.

Em JAGUAR - disse quem leu -  que se sentiu no livro, como num filme. Viu-se na selva pré-colombiana, enfrentado os Astecas ao lado de Cortés ou fugindo com os homens-jaguar por Londres ou pelo México, banido de uma vida normal e proscrito, na sua condição de "filho dos deuses".


Em "LINHAS INVISÍVEIS" - disse quem leu - que chorou e torceu pelo mau da fita. Que não teve a certeza até ao fim de quem o mau da fita seria. Que se vingou de coisas que vive no dia a dia. Que reviveu a sua própria juventude nos amores e desamores de David Hayes. Nas músicas "cantadas" no livro. Ou será um outro filme? Que matou por justiça. Que se surpreendeu ao deparar-se com a sua possível capacidade de atravessar uma linha que separa o seu lado bom, do seu lado mais negro.
Por vingança? Por justiça?
Por amor?

Se arrancar emoções assim a quem leu qualquer um dos meus dois livros - como muitos mo disseram -, então, vale a pena escrever histórias.
E sonhar.

É o que levamos daqui.

J.Pedro Baltasar

sábado, 5 de abril de 2014

Na minha caixa de correio

   
   

  
O Café Patita, os Memoráveis e A mulher da Ópera comprei na Feira da Ladra.
Oferta da Presença, um livro que despertou a minha curiosidade: Longbourn, Amor e coragem.
Da topseller vieram o Corrida Perversa e A Informacionista.
Da Vogais, A Dieta do Metabolismo Rápido.
Oferta da Planeta, Uma Família Feliz, A Aposta da Rainha e Dias de Esplendor, Dias de Sofrimento.
O meu obrigada!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Novidade Planeta

A Aposta da Rainha
de Barbara Kyle

Conseguirá Isabel Thornleigh manter o seu casamento com 
Carlos? Conseguirá a rainha Isabel manter-se no trono? 

O caminho para o trono da jovem rainha Isabel I foi muito arriscado, e acabada de ser coroada já enfrenta uma crise perigosa. 
Tropas francesas desembarcaram na Escócia para dizimar um exército protestante rebelde, e Isabel teme que por estarem entrincheirados na fronteira, possam invadir a Inglaterra. 
Isabel Thornleigh voltou para Londres após regressar do Novo Mundo com o marido espanhol, Carlos Valverde, e o filho. Sempre foi uma serva fiel da rainha e é recrutada para fazer chegar dinheiro aos rebeldes escoceses. 
No entanto, a confiança de Isabel I é limitada, e para que tudo corra como pretende, faz do filho desta refém, até que acabe a missão que lhe foi atribuída. 
Mas a situação agrava-se quando o marido de Isabel é contratado como conselheiro militar dos franceses, colocando assim o casal em lados opostos e numa guerra-fria mortal.

Convite Esfera dos Livros


quinta-feira, 3 de abril de 2014

A Escolha do Jorge: "Maneiras de voltar para casa"

“Maneiras de voltar para casa” é o primeiro livro do chileno Alejandro Zambra (n. 1975) a ser publicado em Portugal sob a chancela da Divina Comédia Editores.
Partindo de um episódio em que o personagem principal com seis ou sete anos se perde dos seus pais, mas que ainda assustado consegue regressar a casa antes destes pelo que lhe dizem “Agora sabemos que não tornarás a perder-te” (p. 16) é o mote de “Maneiras de
voltar para casa” que, mais tarde, como adulto e escritor, procura na literatura uma forma de terapia, quase psicanálise, na tentativa de compreender e saldar as dívidas com o passado, ligando-o às pontas soltas do presente. “Escrever faz-te bem (…) As palavras protegem-te. Procuras frases, procuras palavras, e isso é superbom (…).” (p. 63)
Este é um tema recorrente na literatura sul-americana na sequência das ditaduras militares que estiveram vigentes naqueles países durante várias décadas sendo que no caso específico do Chile, a ditadura militar instaurada por Augusto Pinochet com o golpe de estado em 1973 tendo permanecido no poder até 1990, é o pano de fundo deste livro que contribui de algum modo para a compreensão da História contemporânea daquele país.
O personagem principal enquanto criança não tem ainda maturidade para compreender o impacto da ditadura nas vidas dos seus familiares e amigos na medida em que os dias na vida de uma criança são sempre compridos com as brincadeiras que a ocupam e despreocupa de quaisquer situações mais complexas. Nem mesmo quando é abordado por Cláudia, uma adolescente, que lhe solicita à laia de brincadeira para vigiar um determinado vizinho de nome Raul sem nunca compreender (nem querer) as razões de tal pedido. “Raul era na «vila», no bairro, o único que vivia sozinho. A mim custava-me a entender que alguém vivesse sozinho. Pensava que estar só era uma espécie de castigo ou de doença. (…) Dizia-se no bairro que Raul era democrata-cristão, e isso parecia-me interessante. É difícil explicar agora porque é que então um rapaz de nove anos podia achar interessante que alguém fosse democrata-cristão. Talvez julgasse que havia alguma relação entre o facto de ser democrata-cristão e a situação triste de viver sozinho.” (p. 19)
A ideia de mistério associada a vigiar alguém exerce um fascínio tal nesta criança sem que se aperceba de que possa estar a ser alvo de mais um dos esquemas subversivos que surgem no contexto da ditadura vigente no seu país. 
Entretanto a criança cresce e torna-se adulto, sai de casa e articula os estudos universitários com vários trabalhos que lhe permitem a independência face aos pais. Tudo isto acontece no meio de muitos livros que com tempo desencadeiam no personagem principal o desejo de escrever acabando mesmo por se tornar escritor. “E quando acabei a universidade continuei a trabalhar em coisas variadas, porque estudei Literatura, que é o que estudam as pessoas que acabam a trabalhar em várias coisas.” (p. 83)
É precisamente neste ponto que este novo escritor passa a encarar a literatura e o próprio ato de escrita como uma forma de terapia e redenção com o passado tentando fazer as pontes necessárias com vista à compreensão não só da história recente do seu país, mas também compreender o papel que pessoas como ele próprio, os seus e tantos outros anónimos tiveram no período da ditadura e que papel têm atualmente após a implantação da democracia. “E por fim vem a frase temida e esperada, o limite que não posso, que não vou tolerar: Pinochet foi um ditador e tudo isso, matou algumas pessoas, mas ao menos naquele tempo havia ordem.” (p. 128)
Deste modo a reflexão exercida pelo personagem principal através das entranhas e meandros esconsos do passado levantam inúmeras questões ao nível da identidade de si mesmo e do seu país. “A escola mudou muito quando voltou a democracia. Eu acabava então de fazer treze anos e começava tardiamente a conhecer os meus companheiros: filhos de pessoas assassinadas, torturadas e desaparecidas. E também filhos de homicidas. Rapazes ricos, pobres, bons, maus. Ricos bons, ricos maus, pobres bons, pobres maus. É absurdo pôr as coisas assim, mas lembro-me de ter pensado, sem orgulho e sem autocompaixão, que eu não era rico nem pobre, que não era bom nem mau. Mas era difícil ser isso: nem bom nem mau. Achava que no fundo isso era ser mau.” (p. 67)
Numa escrita escorreita e muito atual, Alejandro Zambra embarca numa viagem dolorosa apanhando o leitor num dos portos da consciência levando-os aos tombos numa viagem que também poderá ser a sua (e nalguns aspetos até a do seu país, eventualmente), além de que funciona também como um thriller ao ponto de o leitor só se sentir satisfeito quando termina a leitura. Na verdade, o leitor embarca nesta leitura de tal forma que quando dá por isso está a chegar ao fim da viagem.
“Já vivi as emoções, todas as emoções. Quero uma vida tranquila, simples. Uma vida com passeios pelo parque. (…) Mas não é bom enganarmo-nos a nós mesmos.” (p. 138)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 2 de abril de 2014

"Reencontro em Barcelona" de Elizabeth Adler

Para quem passa por aqui, nO Tempo entre os meus Livros, vai sabendo que gosto de variar nas minhas leituras. Intercalar livros mais suaves com histórias um pouco mais pesadas (às vezes muito!), verídicas ou romances históricos ou, também, policiais onde brilham o sangue e o terror.

Depois de ter lido algumas obras carregadinhas de dor mas também de esperança, apeteceu-me um livro mais primaveril, já que de Primavera temos tido muito pouco. Uma história que se lê rapidamente, recheada de descrições de lugares que me encantaram. Um livro que é um misto de policial e de romance. Daqueles que sabemos que só poderia acabar bem, o que nos sossega e distrai.

A minha opinião de outro livro da autora aqui!

Terminado em 29 de Março de 2014

Estrelas: 4*

Sinopse

A dupla de detetives Sunny Alvarez e Mac Reilly está de volta com mais intriga, escândalo e suspense neste maravilhoso romance que a levará das colinas de Hollywood até às ruas de Barcelona.

Bibi Fortunata, cantora, atriz e celebridade é uma estrela do mundo do espetáculo. No auge da sua carreira é detida por suspeitas de ter assassinado o amante e a mais recente amante deste, que era também a sua melhor amiga.

Bibi tornou-se notícia de primeira página, pelos piores motivos, mas a polícia nunca conseguiu provar nada e Bibi foi libertada, ainda com o pálio da suspeita a pender sobre a sua cabeça, partindo para Barcelona, onde pura e simplesmente desapareceu.

Quando Paloma, a filha de Bibi, pede ajuda a Mac e Sunny, eles não conseguem resistir à tentação de resolver aquele mistério de uma vez por todas. Quem matou o amante de Bibi e a amante deste? Quem quereria incriminar Bibi?
Com as descrições exuberantes, reviravoltas no enredo e personagens cativantes que são a imagem de marca de Elisabeth Adler, vai ser impossível parar de ler Reencontro em Barcelona.

Passatempo "Longbourn - Amor e Coragem"


Com a gentil colaboração da Editorial Presença temos mais um livro para sortear aos seguidores do blogue.

Desta feita é um livro muito especial, sobretudo para os fãs de Jane Eyre: Longbourn, Amor e Coragem de Jo Baker.

O passatempo decorre até dia 11 de Abril.

Não se esqueçam de responder acertadamente às questões que se seguem, de seguir as regras e...

Boa sorte!

terça-feira, 1 de abril de 2014

A Convidada Escolhe: "O Alegre Canto da Perdiz"

O Alegre Canto da Perdiz, Paulina Chiziane, 2008

Vinda do Gilé, um dos distritos da Zambézia, província do centro de Moçambique, os meus dedos agarraram por acaso, na estante da casa em Maputo da minha amiga Zita, este livro de Paulina Chiziane. Autora que já conhecia de outros livros, ao começar a leitura de “O Alegre Canto da Perdiz” senti que afinal ainda estava na Zambézia, entre aquelas mulheres sofridas e lutadoras com quem tive a oportunidade de conviver nas terras distantes e esquecidas do Gilé.

É um livro marcante, com trechos que é preciso ler devagar, saborear, anotar, voltar atrás. Poesia pura. Complexo, aborda temas muito vastos: a colonização, o racismo, a assimilação, a traição, a ambição de ter uma vida melhor mesmo que isso seja a destruição dos outros e/ou a autodestruição, a guerra de libertação, os conflitos entre raças e entre sexos. As contradições da vida, o remorso, o arrependimento, o reencontro e a reconciliação.
É a exaltação da Natureza, a exaltação da Zambézia e dos Montes Namuli origem da humanidade, a terra dos palmares e do canto da perdiz logo pela manhã (gurué,gurué). A exaltação da(s) Mulher(es), da sua diversidade,dos corpos, da sexualidade, das suas lutas, das violências que sofrem e que infligem, da sobrevivência.

As histórias daquelas mulheres – Serafina, Delfina, Maria das Dores e Maria Jacinta – são pretexto para falar do estatuto das mulheres na sociedade, do seu papel e da permanência das violências qualquer que seja o regime em que tenham vivido. E para os homens também – José dos Montes, Simba, Moyo – o sonho da liberdade é uma miragem, porque a independência não é o fim do colonialismo. “Nessa independência que sonhamos o mundo não será o mesmo. Libertaremos a terra, sim, mas jamais seremos senhores… O colonialismo habitará a nossa mente e o nosso ventre e a liberdade será apenas um sonho.”

No entanto, e mesmo ao chegarmos ao fim deste romance que é também uma pincelada da história do povo moçambicano ao longo dos séculos, a autora quis-nos deixar um sinal de esperança no futuro, quando José dos Montes – o sipaio assimilado que matou sem remorso – diz à sua mulher Delfina – que por ambição se prostituiu e prostituiu a filha-criança: “No final desta guerra seremos um. Esses filhos metade pretos, metade brancos, metade asiáticos, serão os fósseis a partir dos quais se compreenderá a nossa História. Nas próximas gerações as raças se amarão, sem ódio nem raivas, inspiradas no nosso exemplo. A humanidade aventureira conquistará outras estações celestes com gente azul e verde. Terá chegado o momento de inventar novas raças e recriar novas humanidades. Os pretos, os brancos e seus mulatos deverão expurgar ódios, raivas e ressentimentos que ainda restem.”

Almerinda Bento

segunda-feira, 31 de março de 2014

"A rapariga de Auschwitz" de Eva Schloss

Uma longa caminhada vivida por quem sobreviveu ao holocausto! Uma lição de vida, tantas lições a retirar desta leitura!

Eva esteve dois anos em Birkenau/Auschwitz em condições inimagináveis. Sua mãe também. Sobreviveram ambas. Seu pai e irmão acabaram por falecer, nos últimos dias, quando os alemães os obrigaram a abandonar o campo e caminhar, aquando da sua retirada...

Áustria, Bélgica, Holanda até chegarem à Polónia...uma família que tentou desesperadamente fugir do ódio dos alemães sem sucesso, a todo o sentimento anti-semita que grassava pela Europa fora e que se cruzou com a família de Anne Frank, antes da anexação da Áustria pela Alemanha e depois da guerra. Otto, o pai de Anne viria ser, mais tarde, padrasto de Eva.

Eva e sua mãe sobreviveram devido a alguns golpes de sorte. A sua vida viria a ser marcada, inevitavelmente, pelos horrores vividos. Esta é a sua história: uma história de luta e de coragem mas também de sofrimento e inúmeras tentativas de ultrapassar o seu passado sem rancor e ódio.

Um livro que me marcou profundamente e que recomendo muitíssimo. Pesado, eu sei. Mas também um marco de esperança, uma mensagem profunda sobre o preconceito e a tolerância.

Terminado em 24 de Março de 2014

Estrelas: 6*

Sinopse

É um relato de uma sobrevivente ao Holocausto e da sua luta para viver consigo mesma depois da guerra, uma homenagem a todas as vítimas que não viveram para poder contar a sua própria história e um esforço para assegurar que o legado de Anne Frank jamais seja esquecido. Eva foi feita prisioneira pelos nazis no dia do seu décimo quinto aniversário, tendo sido enviada para Auschwitz. A sua sobrevivência dependeu de inúmeros pequenos golpes de sorte, da sua determinação e do amor e da protecção da mãe, Fritzi, que foi deportada juntamente com ela. Quando o campo de concentração de Auschwitz foi libertado, Eva e Fritzi iniciaram a longa viagem de regresso a casa. Procuraram desesperadamente o pai e o irmão de Eva, dos quais tinham sido separadas. Meses mais tarde receberam a trágica notícia de que os dois haviam sido mortos. Antes da guerra, em Amesterdão, Eva tornara-se amiga de uma jovem chamada Anne Frank. Embora os seus destinos tivessem sido muito diferentes, a vida de Eva iria ficar para sempre estreitamente ligada à da amiga, depois de a sua mãe, Fritzi, casar com o pai de Anne, Otto Frank, em 1953.

domingo, 30 de março de 2014

Ao Domingo com... Vera de Vilhena

Nasci em Lisboa, em 1969. Já em miúda, enquanto a minha irmã subia às árvores ou escarafunchava recantos à caça de bichos, eu preferia sentar-me na poltrona de xadrez do meu pai, de nariz enfiado num livro. Gosto da natureza, mas a minha própria natureza vencia-me. Na adolescência nasceram os diários e os primeiros poemas cheios de maiúsculas, de pontos de interrogação e de exclamação, a tentar compreender o mundo, confrontá-lo com a minha indignação. Ah, a arrogância dos jovens. Como se ao mundo importasse mais uma adolescente emotiva. Cresci. Entreguei-me a um primeiro manuscrito ingénuo, que rapidamente abandonei…mas o bichinho estava lá, era preciso pousar os livros por um instante e tentar ir à caça dos meus bichos, escarafunchando histórias, personagens, lugares. Tornei-me cantora profissional por acaso. Casei, fui mãe. Tive a sorte de ir conseguindo ganhar a vida a fazer o que gosto. O meu filho pedia-me histórias inventadas. Eu obedeci. Metiam sempre coisas e animais, nunca princesas, dragões, cavaleiros, fadas ou bruxas. Fui escrevendo e guardando papéis nas minhas gavetas. Um dia brinquei aos escritores e publiquei uma novela. O Pisa-papéis. Publiquei na revista Egoísta, primeiro um pequeno texto de ficção, depois alguns poemas. Fui escrevendo. Escrevi mais nos anos em que, abençoada por uma espécie de emprego, como cantora, que me dava um ordenado certo e me deixava muito tempo livre, pude libertar-me da angústia de não saber se iria conseguir pagar as contas no mês seguinte. Os tempos mudaram, todos sabemos. A nossa vida mudou. Fui cantando menos e escrevendo mais, como se a vida me passasse um
estandarte; me tirasse da mão para me dar com a outra. Hoje sinto-me mais cigarra do que formiga…escrevendo. 
Um dia troquei a cidade pelo campo. Decidi tentar a sorte, perseguindo o sonho da escrita. Sentimentos contraditórios: muitas vezes não sei o que persigo, se o ofício de escritor, se a mera ideia romântica de o ser: a escritora junto à enorme janela, na sua casa de campo, a chávena de café, os pássaros lá fora.  
Veio o Prémio Revelação APE/Babel com uns contos que escrevi para adolescentes. E em 2012 terminei, enfim, o primeiro volume de uma longa história que me obrigou a trabalhar muito; que ainda hoje me rouba múltiplas horas: a trilogia “A Ilha de Melquisedech”.

Tal como eu, esta história tem idade interior incerta. Não se percebe muito bem a que faixas etárias se destina, nem se sabe ao certo como classificá-la. Uns dizem que é literatura fantástica, outros que é uma alegoria, outros, como eu, chamam-lhe um romance de fantasia (pois também mete um feiticeiro, fadas, faunos, um ciclope, lestrigões e até uma mulher com oito braços). Parece que o livro só quer brincar mas não é bem assim: a brincar a brincar, nele vai surgindo o mundo a sério e, afinal, o que parecia fantasia não é bem. E porque, muitas vezes, o que separa a realidade mais dura da fantasia, a lucidez da loucura, a verdade da mentira, são fios de cristal quase invisíveis; porque precisamos de fugir para mundos de papel onde fingimos paraísos. Onde tudo é perfeito na imperfeição de vidas inventadas que, sendo imperfeitas, bem que podiam ser realmente nossas.
O meu blogue - http://veravilhena.blogspot.pt/ 
O meu site - http://veravilh.wix.com/gavetas-e-gavetinhas 

Vera de Vilhena

sábado, 29 de março de 2014

Passatempo "Acredita e Vencerás"

Para participar neste passatempo, basta aceder à página deste livro no Facebook - https://www.facebook.com/acreditaevenceras/app_175978879231314 e aí "fazer gosto" na página, preencher nome, email e indicar o blog "O tempo entre os meus livros". Os participantes habilitam-se a ganhar um dos 10 exemplares que serão sorteados.

Na minha caixa de correio

  
   



Oferta da Porto Editora, Laços da Vida de Debbie Macomber! Vai ser o próximo a ser lido.
Do Liga e Ganha, veio O Culpado, O Peso da Fama (que afinal ja tinha!) e As Mulheres do Marquês de Pombal.
Acredita e Vencerás foi oferta da escritora. Passatempo a decorrer. Vou postar ainda hoje o link.
Da Quinta Essência veio Uma Noite no Expresso Oriente. Obrigada.
Gentilmente oferecido pelo Clube do Autor, O Bibliotecário, livro que despertou a minha curiosidade porque li opiniões muito favoráveis.


sexta-feira, 28 de março de 2014

Novidade Porto Editora

Os Ficheiros Snowden 
de Luke Harding

Tudo começou com um e-mail: «Sou um alto funcionário dos serviços secretos…» 
O que se seguiu transformou-se na mais impressionante fuga de informação alguma vez testemunhada pelo mundo moderno. As consequências abalaram líderes de inúmeras nações: de Obama a Cameron, aos presidentes do Brasil, França e Indonésia, passando pela chanceler alemã. Edward Snowden, um jovem génio informático a trabalhar para a Agência de Segurança Nacional americana (NSA), ousou tornar público o programa secreto de espionagem mundial. 
Levado a cabo com o beneplácito do governo dos Estados Unidos da América, esse plano é defendido como sendo essencial à vigilância de eventuais atos terroristas.
No entanto, para o cidadão comum trata-se de um feroz atentado à privacidade.
Desde logo, urgia pensar nas motivações de Snowden e nas consequências que a sua revelação teria a nível mundial. Este trabalho, apresentado pelo premiado jornalista do The Guardian Luke Harding, dá a conhecer todos os pormenores do caso Snowden: o dia em que este abandona a namorada no Havai e parte para Hong Kong com quatro computadores carregados de informações secretas, as semanas posteriores à divulgação do programa da NSA e a procura incessante de asilo político. Agora, em Moscovo, Edward Snowden enfrenta as acusações de espionagem por parte dos Estados Unidos da América e um futuro incerto no exílio.

Convite Objectiva



Novidade Presença

Longbourn - Amor e Coragem
de Jo Baker
Para todos os que admiram a obra de Jane Austen, esta é uma oportunidade única de revisitar o seu universo, mais concretamente o de Orgulho e Preconceito, mas numa perspetiva completamente nova. Jo Baker conseguiu a proeza de pegar num clássico e reimaginá-lo, com brilhantismo, a partir do ponto de vista dos criados. Enquanto no andar de cima tudo gira em torno das perspetivas de casamento das meninas Bennet, no andar de baixo os criados vivem os seus próprios dramas pessoais, as suas paixões e angústias. À semelhança da obra que a inspirou, também Longbourn é uma história de amor apaixonante e uma comédia social inteligente, que nos dá a conhecer o quotidiano daqueles que serviam nas mansões rurais inglesas do século XIX. Uma obra admirável, que capta na perfeição a atmosfera da Inglaterra de Jane Austen.

PASSATEMPO em breve!

Novidade ASA

A Informadora
de Lindsey Davies

Roma, ano 89 DC. As regras ditam que uma mulher deve ser submissa e modesta. Não deve levantar a voz, vestir roupas extravagantes, sair à noite, beber ou desafiar a autoridade… e muito menos envolver-se em assuntos criminais.
Flávia Albia contraria todas estas normas (e mais algumas). Vive sozinha na zona boémia de Roma, cultiva amizades pouco recomendáveis e não se coíbe de lutar pelos seus direitos. Filha de um detetive, Flávia decidiu desde cedo seguir os passos do pai. Mas a investigação é uma profissão masculina. Para ser respeitada, ela sabe que terá de ser a mais rápida, a mais perspicaz, a melhor.
 Flávia é a única a reparar que o número de mortes inexplicáveis tem vindo a aumentar na cidade. Por não terem ligação entre si nem indícios de violência, não levantaram suspeitas. As denúncias de Flávia são ignoradas pelas autoridades, que estão demasiado ocupadas com a organização dos Jogos de Ceres, o momento alto do ano. E até mesmo a própria Flávia, distraída com a perspetiva de um novo romance, não vê que a morte está demasiado perto de casa…

quinta-feira, 27 de março de 2014

A Escolha do Jorge: "Portugal: A Flor e a Foice"

“Portugal, a Flor e a Foice” de José Rentes de Carvalho foi publicado inicialmente na Holanda em 1975 numa altura em que o escritor tinha 45 anos de idade. Partindo de algumas obras de referência da historiografia portuguesa de então, de jornais portugueses da segunda metade do século XX, e de outras publicações estrangeiras, José Rentes de Carvalho passa a História de Portugal a pente fino de forma lapidar não poupando críticas aos governantes que o país tem tido desde a sua fundação até sensivelmenteoutubro de 1975.
Trinta e nove anos depois da sua publicação, “Portugal, a Flor e a Foice” é editado no nosso país e será certamente um livro que com esta distância de tempo ainda irá incomodar muitas pessoas que se por um lado fizeram parte do regime ligado ao Estado Novo, também acabaram por desempenhar um papel importante no período após o restabelecimento da liberdade na sequência do 25 de Abril de 1974.
Com uma visão crítica reflexo de um olhar atento, José Rentes de Carvalho levanta sistematicamente duas questões ao longo de toda a obra, a primeira tem a ver com a incompetência e falta de preparação dos governantes portugueses desde o tempo da monarquia até 1975 que nunca souberam apostar e desenvolver verdadeiramente o país do ponto de vista económico criando uma sociedade mais justa e dinâmica e a segunda, como consequência dos aspetos anteriores, obrigou sucessivamente os portugueses a tentarem a sua sorte através da emigração, fenómeno que está associado à população portuguesa sobretudo desde os Descobrimentos a partir do século XV.
O que é verdadeiramente surpreendente em “Portugal, a Flor e a Foice” é a linguagem utilizada dando a sensação de que o livro foi escrito recentemente, no seguimento da atual conjuntura de depressão económica e social que o país vive que, de resto, tem sido uma constante desde o início da nacionalidade.
Ler hoje “Portugal, a Flor e a Foice” leva-nos a questionar o que terá mudado em Portugal para que ao longo de séculos sucessivos continuarmos a praticar os mesmos erros que têm sempre as mesmas consequências e as mesmas vítimas, os mais pobres de entre a população. Aqui, quando se refere a mudar é efetivamente ao nível do modo de pensar ao ponto de o leitor ao longo da obra compreender que as principais mudanças que têm ocorrido raramente têm os portugueses como principal foco, mas sim a satisfação dos interesses privados de uma minoria.
Esta questão é tanto mais visível à medida que “Portugal, a Flor e a Foice” transita da ditadura salazarenta para a democracia periclitante e nervosa em que muitas das altas individualidades que tanto apoiaram e defenderam o opressor acabaram por vir a desempenhar um lugar cativo no pós-25 de Abril ao ponto de à boa maneira provinciana (reflexo ainda medieval) cada um tenta obter o seu “cadinho” de poder sobre terceiros, uma maioria analfabeta e ignorante e facilmente manipulada.
Passados 40 anos do fim da ditadura é lícito questionar “a quem tem servido a restauração da democracia?” quando nos dias que correm assistimos a verdadeiras nódoas políticas que mancham e ferem a liberdade e os direitos dos cidadãos que com tanto custo foram adquiridos e, em consequência disso, deparamo-nos com uma fuga incessante da população ativa para fora do país não esquecendo que atualmente, e ao contrário de outros períodos da História que o país viveu, atualmente são precisamente as pessoas mais qualificadas e mais jovens que estão a abandonar Portugal em virtude de não vislumbrarem perspetivas futuras.
Se de acordo com José Rentes de Carvalho a revolução de 1974 não foi verdadeiramente a fundo por falta de coragem e seriedade necessárias por parte de quem tinha o poder em mãos, não é de estranhar que ainda vejamos murais alusivos ao 25 de Abril com slogans do tipo “Ainda há muito Abril por cumprir”.
Passados praticamente 40 anos da sua publicação, mudaria José Rentes de Carvalho alguma coisa em “Portugal, a Flor e a Foice”?

Excertos:

"De um ponto de vista social, a emigração portuguesa constitui a manifestação de uma forma de escravidão que subsiste ainda hoje. De um ponto de vista ético, a emigração portuguesa significa a negação constante do direito mais elementar da pessoa: o direito à vida no próprio país. De um ponto de vista político, a emigração supõe a renúncia à revolta."



Será que o destino de um povo, de um país, seja coisa que se compare a uma conta de merceeiro? Na realidade portuguesa de hoje – para nos limitarmos a ela – será válido o raciocínio de que, porque somos muitos, somos mais fortes e melhores?

Um país – e ao escrever isto não tenho a impressão de anunciar novidade ou descobrir coisa semelhante à pólvora – não pode ser propriedade de sóuns quantos mesmo muitos, uma reserva de eleitos, um negócio entre compinchas.
“O povo, com o seu secular bom senso, ri-se das teorias, das modas políticas, das análises grotescas com que pretendem estudá-lo, moldá-lo e explicá-lo. O que vê e sente di-lo na linguagem simples do humor.”
“Um momento, durante os primeiros meses que se seguiram ao 25 de Abril, houve a esperança de que realmente alguma coisa iria mudar. O Portugal revolucionário ia ser exemplo, um passo em frente para uma Europa nova, o país cuja sociedade garantiria a cada cidadão um lugar digno. Mas quê? Em fins de 1975 as elites de agora são as mesmas de ontem, acrescentadas de uns poucos que, hábeis, subindo a tempo, ocuparam um lugar; diminuídas temporariamente da meia dúzia que, no estrangeiro, confortavelmente, aguarda dias melhores que muito certamente voltarão. Tal como na velha República de 1910, em que os ministros foram quinhentos, interessa ser ministro, garantir as benesses do amanhã.”
“Mas pela primeira vez em meio século há liberdade, e a esperança pequenina, mas real, de dividir por todos aquele muito que era de poucos.
Porém, para resguardo, e porque a liberdade e a esperança de momento são recentes e frágeis, dá 
vontade de lhes pôr ao lado o letreiro que às vezes se encontra nos jardins: «É favor não pisar. Semeado de fresco».”


 Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 26 de março de 2014

Experiências na Cozinha: "10 por 10" de Chakall

Muitos de nós chegamos a casa e, cansados de mais um dia de trabalho, queremos despachar o jantar rapidamente. Cá em casa é um pouco assim e gosto de fazer pratos rápidos e, sempre que possível, deliciosos.

Chakall promete-nos isso neste livro: 10 mimutos por menos de 10 euros! Não sei se realmente demorei esse tempo, tanto mais que somos cinco e que a minha malta come imensooooo! Logo, tive de fazer a receita a dobrar!!!
Mas que foi fácil, foi. Escolhi para o almoço de Domingo, "Sandes de Filetes de Pescada".

E fiz assim:

Depois de temperar os filetes com sal (usei sal aromatizado feito na Bimby), pimenta e sumo de limão, fritei-os num pouco de azeite. Virei dos dois lados e quando tostados, coloquei por cima alho e coentros frescos picados. Depois, uma fatia de queijo e rodelas de tomate. Tapei o tacho e deixei o queijo derreter em lume brando. Coloquei cada filete em cima de uma fatia de pão escuro, temperei com pimenta e coentros picados e voilá!

A receita dizia para barrar o pão com maionese. Não o fiz e ninguém sentiu a falta! Todos gostaram. Nem todos conseguiram comer as duas fatias... Eu fui uma delas! Fica-se cheio só com uma, podem acreditar. Acompanhei com tomate cereja.



segunda-feira, 24 de março de 2014

A Convidada Escolhe: "A Minha Pequena Livraria"

Only in America, este é um subtítulo que me apetecia dar a este livro.


Cá em casa, esta expressão é aplicada a tudo o que nos parece surreal, tudo o que realmente jamais se poderia aplicar em qualquer outro país, no melhor e no pior… A história de “A minha pequena livraria” é, de facto, algo que só mesmo nos States poderia acontecer!

Este livro, baseado em factos reais (como mencionado em selo na capa), não é, para mim, uma história inspiradora (como a capa também refere), retrata, isso sim, as idiossincrasias da sociedade norte-americana e, como um sonho su/irreal se pode concretizar. Não é, ao contrário do que podemos ser levados a pensar, um livro de auto-ajuda nem um livro de gestão… também não é, para mim, um livro sobre “o poder transformador dos livros” (como é referido) pois a livraria bem poderia ser uma loja de doces, roupas ou outra coisa qualquer… como a autora faz questão de referir. Acontece, porém, que a paixão da escritora e do marido são os livros e o seu sonho sempre foi o de abrir uma livraria… uma livraria de livros usados (o que se verifica ser vantajoso por ser mais fácil reunir stock de livros usados que novos).

O retrato desta aventura, que nos é traçado com mestria, transporta-nos em plena crise do subprime para uma pequena cidade carbonífera da Virgínia com 4500 habitantes, cuja mina está em processo de encerramento e onde o casal decide viver e lançar o seu negócio a partir do nada (ou quase nada) – only in America! Desiludida com o Poço de Serpentes em que trabalhava (quem não conhece um…) Wendy beneficia do facto de não ter hipoteca para pagar e de ter uma excelente biblioteca em conjunto com o marido, como refere.

Um livro interessante, que nos apresenta uma certa forma de estar na vida ao jeito do sonho americano, mas que dificilmente se poderia transpor para a nossa cultura e país. Apresenta, no entanto, alguns pormenores práticos interessantes, tais como a menção a sites e as dicas de como avaliar livros usados e elementos básicos de gestão do negócio (que foram sendo aprendidos na net pelos autores…). A vida em sociedade numa pequena cidade sulista e o estabelecimento de relacionamentos são um dos pontos fortes do livro. A descrição de uma cidade com 4500 habitantes com 6 igrejas de diferentes cultos, à volta de uma rua, onde os autores vão sucessivamente assistir aos serviços religiosos para ver de qual gostam mais constitui, para mim, mais uma preciosa ilustração… only in America!

“A minha pequena livraria” é recheado de pequenas pérolas que fazem esse retrato e referências que merece a pena reter.

Eu sigo.

 Excertos:

“Quando se vende um livro a uma pessoa, não se vende apenas trezentos e cinquenta gramas de papel, tinta e cola – vende-se uma vida nova. Amor e amizade e humor e navios no mar à noite – um livro, um livro à séria, contém todo o céu e a terra.” (Christopher Morley, The Hounted Bookshop – p. 11)

“Estamos sempre a ser bombardeados com a mesma frase: «Vá atrás do seu sonho». Claro, mas não de olhos fechados. Jack e eu tivemos sorte, e quando percebemos que fora mesmo uma questão de sorte, arregaçámos ainda mais as mangas.” (p.72)

“Os bibliófilos sabem que os livros não são apenas ideias encurraladas entre capas, mas artefactos, marcos da nossa vida. «Encaro a minha biblioteca como um troféu pelos meus feitos», disse um académico meu amigo. «Olho para as lombadas dos meus livros e recordo-me de onde estava quando os li e do que aprendi com eles. E tenho um lado da divisão para os livros que vou ler e outro para os que já li. Assim, posso revisitar velhos amigos ou travar novas amizades». (p. 181)

Texto da autoria de Fernanda Palmeira