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sábado, 15 de abril de 2023
sexta-feira, 14 de abril de 2023
Para os Mais Pequeninos: "A Pepa Vai à Horta"
O que chama mais a atenção neste pequeno livrinho é o facto de ser muito colorido e, por isso, os olhos dos pequenitos vão ficar maravilhados com tanta cor!
As folhas grossas, como convém a estes pequenos, estão adaptadas às terríveis voltas e reviravoltas que os bebés lhes dão quando brincam à leitura! E como "é de pequenino que se torce o pepino", dar-lhes livros adaptados às suas idades só lhes fará bem!
A Pepa e o seu irmãozito, o Jorge, vão à horta do avô apanhar legumes mas para isso é necessário possuírem uma horta! E lá está o avô para os ensinar a fazerem uma horta desde o princípio!
Colorido, didático e com ilustrações divertidas, este livro vai ser um prazer para os pequenitos!
Cris
quinta-feira, 13 de abril de 2023
A Convidada escolhe: "A Hora do Lobo"
A leitura deste livro resultou de um novo desafio que lancei este ano lectivo na Universidade Sénior do Seixal, de se criar um Círculo de Leitura com a periodicidade mensal, que permita divulgar livros, autores e falar sobre livros e leituras. Um espaço de partilha para quem gosta de ler. Olinda Barreira, uma das frequentadoras do Círculo sugeriu “A Hora do Lobo”, de César Afonso, seu conterrâneo, com quem teremos a possibilidade de conversar na sessão de final deste mês de Março.
Logo na nota que abre este livro, o autor, num regresso a Montesinho, num Natal de 2015, dirige-se aos leitores dizendo que decidiu escrever sobre as suas memórias de infância, num tempo em que a sua terra Natal ainda estava povoada de gente valente, com vidas difíceis, agora praticamente despovoada e desolada. É pois um livro de memórias, para que não caiam no esquecimento pessoas que o marcaram, pessoas simples mas cheias de carácter, pessoas por quem sente imensa gratidão porque o ajudaram a ser a pessoa que é hoje.
“Naquele tempo a sabedoria não se encontrava nos livros. Ela passava de boca em boca, contada aos serões da lareira, atrás do arado que esventrava a terra puxado por uma junta de vacas, na verdasca* que dominava o rebanho de gado, enfim, no sacho ao ombro que se transformava na única companhia das longas caminhadas pelas encostas e vales.
Aprendia-se a olhar o céu azul, a interpretar a forma e a cor das nuvens, a intensidade do sol, a forma e posição da lua, a sentir os ventos do norte a rasgar os cabelos, a ouvir o canto dos pássaros da alvorada ao crepúsculo, a distinguir o zumbido das vespas e das abelhas, a seguir o canto das zirras*, a descobrir o canto do cuco e da boubela*, o perfume das ervas e dos animais, a respirar o sabor da terra nas trovoadas de Junho, a reconhecer o cheiro da esteva e da giesta. Esta era a sabedoria da terra, um imenso despertar dos sentidos, a verdadeira forma de nos fazer existir nas múltiplas dimensões do corpo. Aquilo que nos tornava eternos enquanto a vida permanece.
Foi por essa essência que os nossos avós amaram aquelas montanhas e os fizeram acreditar que ali haveriam de chegar ao futuro. Foi por esse futuro que viram os seus filhos partir e lhes educaram os netos. Foi por esse futuro que ficaram à espera de que um dia regressassem para lhe devolver a esperança. É por esse futuro que escrevemos para que a memória dos que lutaram não se esfume nas planícies do tempo.” (pág. 80)
O livro é constituído por contos breves. São episódios em diferentes momentos da meninice de Afonso que, por algum motivo, se tornaram significativos. A criança que cedo se vê afastada dos pais por estes terem sido obrigados a emigrar para França, e que fica à guarda da avó Ludovina, uma mulher especial. As dores do afastamento da aldeia e da avó, quando termina a primária e vai para o ciclo preparatório em Vinhais. As saudades da liberdade do campo, dos animais, das noites da aldeia à volta da lareira, das conversas, das histórias assustadoras e hilariantes, As visitas da avó em dias de feira e, como mesmo distante, ela continuava a educá-lo e a ser uma referência, pois, para ele, “a avó era a mulher mais sábia que ele conhecia” (pág. 43). O descobrir na escola as diferenças no tratamento se se tratasse de crianças oriundas da vila ou da aldeia, se eram filhos de pobres ou de gente mais abastada. As primeiras leituras, a biblioteca itinerante da Gulbenkian. As brincadeiras. As más recordações de uma professora que só conseguia infundir medos das suas aulas de Português. Contudo, para ele, “a vida do ciclo foi uma experiência inesquecível” (pág. 40).
Também a revolução de Abril não deixou de ser referida neste livro de contos. Numa zona tão esquecida pelos diferentes poderes ao longo do tempo, as campanhas de dinamização cultural e desportiva que então ocorreram também em Trás-os-Montes mexeram profundamente com as pessoas e também com o jovem Afonso que pela primeira vez viu as paredes da terra pintadas com as siglas e os símbolos dos partidos: “Foi como se tivessem pintado a Primavera dentro do peito das pessoas” (pág. 59). Lá fora, os pais emigrados na Suíça, apenas tinham as notícias filtradas pela comunicação social que apontavam para a iminência de uma guerra civil e receavam pela integridade física dos filhos.
Terras de Trás-os-Montes marcadas pela emigração sobretudo para França, pela devoção religiosa, pelo pagamento de promessas em agradecimento aos que conseguiram voltar sãos e salvos do “inferno da guerra”, pelos dias de romaria e da matança, pelas saídas à noite para jogar snooker e fumar uns cigarros, pela dureza do trabalho no campo, nos dias gelados ou nos dias de calor inclemente, pelo contrabando e pelo receio dos carabineiros junto à fronteira da Galiza. O autor dá grande destaque às figuras femininas, pela sua força – a avó Ludovina, a dona da casa para onde vai viver em Vinhais, a mãe – e também transmite uma imagem quase santificada da mulher que cuida e cria os filhos sozinha, porque o marido está emigrado, veiculando uma visão muito tradicional do papel da mulher em casa e na sociedade, que fica muito patente através da seguinte transcrição: “Mulher que se preze mal entre em qualquer cozinha sintoniza-se com os afazeres que ali estiverem em curso. É um código feminino bem presente entre as transmontanas. Sentar-se e cruzar os braços era sinal de que não prestava para gerir uma casa e nenhum homem lhe queria pegar. (pág. 93).
E depois há aquelas figuras singulares, como há em todas as terras, nem sempre acarinhadas, tantas vezes ostracizadas pela desumanidade dos seus conterrâneos, como o Careto, vendedor de sardinhas, que um dia entregou a Afonso uma sardinha esculpida numa pedra de xisto. Para além do avô Delfim, também importante na memória do autor, noutros capítulos/contos deste livro surgem outras personagens típicas da aldeia como o ti Alfredo, o gaiteiro, o poeta de Nuzedo que era cego e que o fez ver um outro mundo “o mundo da interioridade”(pág. 35), as brincadeiras e aventuras do Afonso e do primo, o fogueteiro, o pastor Celestino que, com a ajuda dos dois cães Nero e Pinto, conseguiu pôr a salvo a maior parte do enorme rebanho de ovelhas, ou o Tonho salvo pelos rapazes de se afogar no Carriço.
Além de ser um livro que nos dá o retrato de uma época e de uma região sempre votada ao abandono pelo poder, com que muitos transmontanos ou habitantes do interior certamente se identificarão, é rico em regionalismos e vocabulário que me obrigou com frequência a recorrer ao dicionário da língua portuguesa.
22 de Março de 2023
Almerinda Bento
*verdasca – vara pequena e flexível; chibata
*zirra – pássaro também conhecido por zirro, ou pedreiro ou zilro
*boubela – poupa
quarta-feira, 12 de abril de 2023
Resultado do Passatempo Mensal "Toca a Comentar"
Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.
Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionado um vencedor! Foi ele:
Alexandra Guimarães
Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 25, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros:
segunda-feira, 10 de abril de 2023
"A Viagem do Elefante" de José Saramago
Ando a ler Saramago aos poucos. Se vou conseguir ler todos, não sei, mas a vontade é ir lendo conforme sou atraída pelo tema tratado.
Aqui, pegando num facto histórico que teve lugar na época de D. Joao III, casado com D. Catarina da Áustria, Saramago retratou-o dando-lhe o seu toque pessoal, com a sua escrita sui generis (que não me faz confusão alguma!) e com pitadas de crítica social à época e aos costumes fechados e a governantes incomodados com as aparências do Portugal de então.
Algumas partes li-as em voz alta e esse é o truque caso a escrita corrida com diálogos incluídos e os nomes próprios em minúsculas vos atrapalhe a leitura!
O mote deste livro é então um presente que os reis de Portugal querem oferecer ao arquiduque da Áustria, porque o presente dado na altura do seu casamento não foi suficientemente imponente, e que mais não é do que um elefante que veio da Índia há dois anos com o seu cornaca (tratador) de nome Subhro (que significa branco) e que, passando a novidade, foi objecto de esquecimento. A bem da verdade era uma forma de se livrarem de um problema "grande e comilão"!
Salomão, assim se chamava inicialmente o elefante, teria de ser entregue em Valladolid, onde se encontrava o arquiduque, e posteriormente seguiria caminho para Viena aí já sob o comando das tropas austríacas. Seguiria caminho a PÉ, obra hercúlea para essa altura. O enredo está repleto de acontecimentos imprevistos que dão cor à trama.
A imaginação de Saramago é realmente impressionante e, embora a mancha gráfica deste livro seja compacta e a leitura tenha decorrido lentamente pois não considero que haja muita acção e reviravoltas, nunca pensei em colocá-lo de lado! O destino de Salimão (sim, mudaram-lhe o nome a meio da viagem!) e de Fritz, o cornaca a quem também mudaram o nome, manteve sempre o meu interesse!
Siga para outra obra de Saramago! Gostava de ler agora As Pequenas Memórias!
Terminado em 23 de Março de 2023
Estrelas: 5*
Sinopse
Em meados do século XVI o rei D. João III oferece a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que há dois anos se encontra em Belém, vindo da Índia.
Do facto histórico que foi essa oferta não abundam os testemunhos. Mas há alguns. Com base nesses escassos elementos, e sobretudo com uma poderosa imaginação de ficcionista que já nos deu obras-primas como Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago coloca agora nas mãos dos leitores esta obra excepcional que é A Viagem do Elefante.
Neste livro, escrito em condições de saúde muito precárias não sabemos o que mais admirar - o estilo pessoal do autor exercido ao nível das suas melhores obras; uma combinação de personagens reais e inventadas que nos faz viver simultaneamente na realidade e na ficção; um olhar sobre a humanidade em que a ironia e o sarcasmo, marcas da lucidez implacável do autor, se combinam com a compaixão solidária com que o autor observa as fraquezas humanas.
Escrita dez anos após a atribuição do Prémio Nobel, A Viagem do Elefante mostra-nos um Saramago em todo o seu esplendor literário.
Cris
sábado, 8 de abril de 2023
sexta-feira, 7 de abril de 2023
A Convidada escolhe: "As Coisas que faltam"
Fui ao lançamento de “As Coisas que faltam” porque tinha gosto em conhecer pessoalmente a Rita, que apenas conhecia pelo seu blogue. Quando cheguei naquela tarde à acolhedora e para mim nova Livraria Martins em Lisboa, fiquei espantada com a imensa quantidade de jovens numa apresentação de um livro, que ali aguardavam a sua vez para ouvir e conversar com a autora. Percebi então que aqueles jovens eram seguidores da Rita nas várias redes sociais em que ela se move. Percebi também que além da avó da Rita, eu era a pessoa mais velha, muito mais velha, naquela pequena multidão que se espalhava pela sala e subia pelas escadas que levam ao andar superior da livraria.
O assunto deste primeiro romance de Rita da Nova – uma rapariga que luta por conhecer o pai – fica claro logo na frase inicial do livro: “Aos oito anos perguntei pela primeira vez à minha mãe se podia conhecer o meu pai.” Para quem esteve naquela apresentação do livro, percebe-se a importância da avó na sua vida, cuja presença a autora nomeia mais de uma vez. Aliás, dedica-lhe o livro, assim como ao pai: “Para a minha avó, a minha pessoa. Para o meu pai, que voltou atrás por mim”. Em Agradecimentos, no final do romance, esclarece-se como aquelas duas pessoas foram determinantes na sua vida e motivadoras para a escrita de “As Coisas que faltam”: “Tinha nove anos quando conheci o meu pai. Morava com a minha avó materna nessa altura, como morei durante vários anos, e foi ela quem sentiu necessidade de chamar o meu pai até mim.” … “Talvez por ter tido a sorte de uma segunda oportunidade com o meu pai – e por «sorte» entenda-se «uma grande avó» -, sempre me fascinou imaginar uma realidade alternativa em que nada disto tivesse acontecido.”
Sendo um livro bastante directo, coloca-nos, no entanto, vários temas para reflexão: o peso da ausência da figura paterna numa sociedade que encara isso uma “falha”, desde logo quando na escola se espera que as crianças desenhem uma árvore genealógica onde a mãe e o pai têm de existir; a dor de uma relação entre mãe e filha em que não há comunicação, onde não há intimidade, onde até o toque e a emoção estão ausentes e os efeitos no futuro adulto; a pressão e o assédio sobre uma rapariga tão comuns numa empresa de homens; como uma relação possessiva e que não respeita o outro, passa pela despersonalização e termina numa relação abusiva e violenta. De forma subtil, a narradora Ana Luís conseguiu, através da caracterização das personagens (mãe, tia Ermelinda, Fernando, Raul) levar o/a leitor/a a prever o desfecho. Aliás, por vezes dialoga com quem a está a ler e levanta o véu, antecipando o que vai acontecer. Gostei do recurso às cartas enviadas pela mãe ao pai que sintetizam uma relação de abandono, de solidão, de falta de comunicação.
Desejo a Rita da Nova muitas leituras, a convicção de que um próximo ainda será uma história com uma relação muito umbilical “o resto será uma história para outra altura” (pág. 253), mas a certeza de que no futuro os voos a irão levar a outras geografias.
2 de Abril de 2023
Almerinda Bento
segunda-feira, 3 de abril de 2023
Para os Mais Pequeninos: "Salvámos a Primavera"
Já sabem que por aqui vão aparecendo livros infantis. Sempre tive muitos cá em casa e os livros foram acompanhando o crescimento dos meus filhos. Daí que a certa altura eles deixaram de entrar cá em casa... os livros infantis, claro, porque livros foi coisa que nunca parou de surgir sem bater à porta!
De há um tempo para cá comecei de novo a ler livros infantis. Gosto das imagens, gosto das histórias e do que se pretende transmitir. Saber passar uma mensagem com bom gosto, manter o livro atrativo para a idade a que se destina não é tarefa fácil e, por essa razão, gosto de apreciar os pormenores.
E este livro está cheio deles! Expressões que os adultos usam no dia a dia explicadas com um jeitinho muito especial, fizeram-me sorrir! Na mouche! É assim que um texto deve ser escrito: a pensar nos miúdos! Exemplo: já pensaram que para um miúdo a frase "está a chover copiosamente" não faz sentido nenhum? E que tal se fosse assim?
Para além destes pormenores que revelam um cuidado que muito apreciei, o tema de fundo - as alterações climáticas - está explicado com clareza, com um jeitinho perfeito de os fazer perceber o que está a acontecer na nossa Casa, a Terra! Com explicações ao nível do seu entendimento (5/6 anos) e ilustrações simpáticas e elucidativas, este livro deixa uma mensagem de esperança perante uma mensagem tão terrível: o clima está a mudar e o Homem é responsável pelo aquecimento global!
Só é pena que as manas desta história, a Noa e a Rosa e seus amigos encontrem soluções tão simples mas que os adultos não sintam vontade de as praticar... mas isso é uma história para outra altura! Esperemos que a Casa que lhes vamos deixar esteja, no futuro, mais saudável e não o contrário.
Querem oferecer um livro? É este!
Cris
sábado, 1 de abril de 2023
sábado, 25 de março de 2023
sexta-feira, 24 de março de 2023
"Filhas de Uma Nova Era" de Carmen Korn
O primeiro livro de uma trilogia de que já tinha ouvido falar muito bem. Já estava há muito na estante à espera de vez e o difícil foi não pegar logo no segundo... Será lido em Abril e tenho a certeza que se avizinham horas de leitura muito agradáveis.
Fiquei fã destas quatro mulheres que se vão aproximando e, com o decorrer dos anos, se vão unindo com fortes laços de amizade. Começamos a acompanhá-las a partir de 1919, no pós Primeira Guerra. Hamburgo, recomeça aos poucos a viver. O racionamento, a falta de alimentos, a fome, ainda é uma constante. Henny e Kathe são amigas de infância, vivem perto uma da outra e estudam enfermagem. Lina e Ida juntam-se a essa amizade, mais tarde.
São muitos os personagens que giram em seu redor. Apontei, claro, porque é mais fácil para mim conhecê-los melhor sabendo quem é quem. A caracterização individual de cada um está bem completa, detalhada, o que faz com que criemos empatia com uns e não com outros, consoante os seus aspectos comportamentais e até físicos.
As suas vidas decorrem envolvendo-se social e politicamente, conforme as condições de uma Alemanha em reconstrução, de um de país que, aos poucos, se adivinha cada vez mais susceptível de ser dominado pelos ideais nazis.
O leitor fica preso a estas personagens tão diferentes e está sempre à espera que algo aconteça. Hitler sobe ao poder, as leis de Protecção de Sangue e Honra alemã começam a condicionar as suas vidas. Ser judeu representa não viver em segurança, ser preso, não poder trabalhar. Mas não só os judeus sofrem represálias. Quem politicamente não é a favor das ideias nazis, é preso e torturado. A II Guerra está aí.
Não há forma de largar as páginas deste livro, estas mulheres fortes que lutam pelos seus ideais. E no entanto, o mistério adensa-se. Que motivo as fará separarem-se?
Só tenho um "defeito" a apontar: como é que um livro "acaba" onde não deve? 😀 Inteligentemente, a autora soube terminar este primeiro volume. De mestre! Agora é pegar no segundo que espero gostar ainda mais!
Terminado em 11 de Março de 2023
Estrelas: 6*
Sinopse
A história emocionante de quatro mulheres que enfrentam juntas as suas próprias batalhas Hamburgo, 1919. A Primeira Guerra Mundial acabou e a cidade começa agora, finalmente, a despertar.
Henny e Käthe, amigas desde a infância, sonham tornar-se parteiras e acabam de iniciar a sua formação. Henny deseja deixar de viver na sombra da mãe, e a rebelde Käthe, convicta comunista, está apaixonada por um jovem poeta.
Outras duas mulheres se cruzarão nos seus caminhos: Ida, rica e mimada, filha de um importante empresário falido que pretende casá-la com um herdeiro rico; e Lina, uma jovem e humilde professora, que guarda um segredo do passado.
As quatro amigas tornam-se inseparáveis e, apesar das suas diferenças, crescem e enfrentam juntas os golpes e as alegrias do destino, a transformação do mundo, o fim das liberdades e a chegada da terrível ameaça nazi.
Grandes e pequenos feitos que ficarão para sempre ligados pelo elo da amizade.
Filhas de Uma Nova Era é a primeira parte de uma emocionante saga − sobre liberdade, amor e coragem − que através de uma geração de mulheres que não se deixou arrastar pelas circunstâncias que lhes calharam em sorte, nos narra a fascinante história do século xx.
Cris
quarta-feira, 22 de março de 2023
"Coisas de Loucos" de Catarina Gomes
Um caixote com alguns pertences de utentes do antigo Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda é o pontapé de saída para uma investigação detalhada sobre essas vidas esquecidas. Loucos? Com alguns distúrbios de personalidade, algumas atitudes menos próprias para a altura e viram-se enclausurados anos e anos. Fácil foi entrar nesses portões do antigo hospital, sair mostrou-se mais complicado. Em quase todos os casos, impossível.
Com uma forma muito respeitosa de abordar o tema da loucura, Catarina Gomes faz uma investigação meticulosa e, para um mero leitor, quase inacreditável. Registos, correspondências trocadas, visitas a familiares e lugares, tudo é abordado com minúcia e detalhe. Quando a loucura representava um estigma para a família, quando os cruéis tratamentos mais pareciam torturas (lobotomias e eletrochoques como solução primeira), sem condições mínimas de higiene, e os doentes eram deixados quase ao abandono (vê-se pelos parcos registos médicos), trazer à vida estas pessoas é um acto de respeito e coragem. A quem interessa conhecer estas vidas? A todos nós, acredito. Gente esquecida, que poderia ser qualquer um se tivéssemos tido o azar de ter vivido nessa altura e de sofrer de qualquer um dos males que os afligiam.
Leopoldina de Almeida, modista (que por morte do marido e sem recursos veio acabar na mendicidade), Noé Galvão (relojoeiro, sofrendo de epilépcia), Simão Proença (lobotomizado), Manuel de Avelar Rodrigues (Capitão de Alto Mar), Valentim (homossexual e bailarino), Clemente (estudante), Ricardo Vinte e Um (proprietário de um armazém de loiças, internado pela PIDE), Jaime Fernandes (cujos desenhos tiveram direito a exposições). Todos, anos e anos, encarcerados. Quase todos até à sua morte (terá havido algum que teve direito a uma vida no exterior após o internamento? Já não me recordo bem mas creio que não!)
Esta leitura torna-se impressionante pelas vidas que desvenda, pela investigação espectacular, quase inacreditável, e pelo tom respeitoso como aborda a vida destas gentes. Também pelo tom fluido e com carácter verídico que faz mergulhar o leitor, de imediato, numa época diferente da actual.
Recomendadíssimo!
Terminado em 15 de Março de 2023
Estrelas: 6*
Sinopse
Uma caixa de objectos abandonados no Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda contém as pistas para resgatar do esquecimento a vida de doentes que ao longo de décadas ali permaneceram confinados. Coisas de Loucos teve origem na descoberta acidental de uma caixa de objectos de antigos doentes do primeiro hospital psiquiátrico português, o Miguel Bombarda.
Catarina Gomes inicia então uma série de investigações para encontrar os «loucos» a quem pertenciam esses objectos abandonados. Nascidos entre o final do século xix e o começo do século xx, muitos foram admitidos em «Rilhafoles», nome original do Bombarda. Os psicofármacos e a terapia ocupacional não tinham ainda sido inventados, e por isso o único «tratamento» que receberam foi o do isolamento.
Mas antes de serem forçadas ao confinamento estas pessoas tiveram família, amores, trabalho, tiveram planos de futuro. São essas suas vidas que Catarina aqui resgata do esquecimento.
Cris
terça-feira, 21 de março de 2023
"Afirma Pereira" de Antonio Tabucchi (GN de Pierre-Henry Gomont)
Li o livro em 13 de Fevereiro passado (opinião aqui) e gostei tanto que fiquei muito curiosa para ver como a história seria representada numa novela gráfica.
Achei que as imagens caracterizam muito bem os personagens e o enredo. Como a história ainda estava fresca na minha memória, dei-me conta que os aspectos mais importantes estão representados e esta GN sumariza bem toda a envolvência relatada.
Uma particularidade que, acredito, no livro está mais reforçada é a repetição e o uso constante de formas verbais do verbo "afirmar" que nos dá a ideia de que alguém estaria a relatar os factos ocorridos na trama e que lhe foram contados pelo Sr. Pereira, um jornalista que dirige a secção cultural de um jornal dito "patriótico".
A crescente consciência política durante a toda a trama, de um homem que, mesmo sendo jornalista, nada quer ver para além do politicamente correto, é algo que impele o leitor para uma leitura veloz. A surpresa final, como já referi na opinião que fiz sobre o livro, é a cereja no topo do bolo!
Se não leram o livro (que acho sempre melhor e mais completo, é claro!) peguem nesta GN. As bibliotecas estão aí para isso...
Estrelas: 4*
Sinopse
Nomeação Melhor Álbum de Autor Estrangeiro editado em Portugal no Amadora BD 2018
«"Afirma Pereira" é um romance existencial decididamente optimista.»
Antonio Tabucchi
Obra emblemática sobre a resistência contra o totalitarismo e a censura, "Afirma Pereira" conta a progressiva tomada de consciência de um homem contra a ditadura, aqui contada numa adaptação gráfica profunda, imbuída de uma notável expressividade e dinamismo no seu desenho.
Um verdadeiro retrato duplo: o de um homem cheio de sensibilidade humanista, e o de uma Lisboa ao mesmo tempo plena de cor e de melancolia.
Cris
segunda-feira, 20 de março de 2023
Para os Mais Pequeninos: "A Frederica Vai Ao Dentista"
Cada vez mais acho que esta rubrica se destina aos mais pequeninos (como é suposto!) e aos pais e educadores! Este livro é exemplo disso.
Creio que será ainda necessário, nos nossos dias, desmistificar o papão que pode ser para alguns a ida ao dentista! Começar pelos mais pequeninos é sempre a melhor forma de ensinar, dar a conhecer o que se vai encontrar, sem dor!
A Kika vai ao dentista. Não se lembra de ter lá estado antes e por isso pensa que é a sua primeira vez. Tem cinco anos e a sua curiosidade é muita e fá-la perguntar à médica tudo o que vai acontecer! Cuidadosa, a médica vai explicando num discurso dirigido a quem é pequenino! O seu mano acompanha-a, curioso. A consulta corre bem, a Kika não tem cáries, esses "bichinhos pretos" que se escondem nos dentes. É importante ensinar a escovar bem os dentes e a médica explica como fazê-lo. A Kika vem radiante do dentista!
Com uma linguagem direta e simples o ensinamento é transmitido aos mais pequeninos. Para os pais, uma nota final elaborada pela autora, Catarina Magalhães, médica dentista, esclarece mais alguns pormenores importantes. Saliento as ilustrações de Margarida Josué, bonitas e apelativas, que conseguem até transformar a "célebre" cadeira do dentista numa "nave espacial"!
Mostrando como é fácil e necessário tratar bem dos nossos dentes, este livro vai agradar, certamente, aos pequeninos e seus pais!
Nota: Livro integrado no PNL, Plano Nacional de Leitura.
Hoje é Dia Mundial da Saúde Oral
Cris
sábado, 18 de março de 2023
sexta-feira, 17 de março de 2023
"A Voz Adormecida" de Dulce Chacón
Foca um tema bastante recorrente nas leituras que escolho, que me deixa sempre surpreendida e com mais conhecimentos sobre o mesmo, a Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Desta feita a trama passa-se no pós-guerra à volta de um grupo de mulheres e, por arrasto, de seus familiares que se encontram aprisionados numa prisão nos arredores de Madrid. Não são apoiantes de Franco/dos Falangistas e, como tal, sofreram represálias e torturas várias nas prisões.
A guerra, depois de “acabada” não significa paz para toda a gente. Outras guerras se apresentam. A maior parte das vezes, guerras internas de superação dos traumas vividos, outras, se pertencem ao grupo dos vencidos, guerras físicas, represálias e torturas, como referi. Hortência, Elvira, Tomasa, Reme, Pepita vão encontrar tudo isso na prisão. Até a morte. Mas o sentimento de partilha, unidade e amizade fá-las não desistir da luta e é com verdadeiro interesse que as páginas passam por nós. A resistência ao regime franquista passa também pelo interior da prisão.
Com capítulos curtos, este livro é um verdadeiro “page turner”. Não apetece largar! Recomendo muitíssimo.
Terminado em 26 de Fevereiro de 2023
Estrelas: 6*
Sinopse
Um grupo de mulheres, encarceradas na prisão madrilena de Ventas, ergue a bandeira da dignidade e da coragem como única arma possível para se confrontarem com a humilhação, a tortura e a morte.
A Voz Adormecida ajuda-nos a mergulhar no papel que as mulheres tiveram durante anos decisivos para a história de Espanha. Relegadas ao meio doméstico, decidiram assumir o protagonismo que a tradição lhes negava para lutar por um mundo mais justo. Umas na retaguarda e as mais ousadas na vanguarda da luta armada da guerrilha, onde deixaram a evidência da sua valentia e sacrifício.
Cris
quinta-feira, 16 de março de 2023
O Farol e O Jogo Lúgubre de Paco Roca
Em "O Farol", Francisco, jovem que aos 16 anos se alistou nos Carabineiros, desertou e, fugido das tropas falangistas, chegou a um velho farol inoperacional. Encontrou um velho faroleiro “louco” que o convidou a ficar uns dias por lá. Jovem, desiludido com a vida e sem sonhos para o futuro, Francisco, vai aos poucos ganhando esperança. As histórias entre estes dois seres, tão diferentes na idade e, no entanto, tão próximos nos seus valores pessoais, cativam o leitor. Todas as imagens deste conto são em preto e azul.
Já "O Jogo Lúgubre" pareceu-me uma história bem macabra entre um pintor (baseada na história de Salvador Deseo) que vive isolado juntamente com a sua amante e dois estranhos amigos. Quando um secretário novo se apresenta para substituir o antigo, começam para ele uma miríade de problemas. Desde os maltratos dos habitantes da aldeia mais próxima, quando se apercebem onde é que ele vai trabalhar, até às situações sinistras que vivencia na casa do pintor…
Achei verdadeiramente interessante o Prefácio do autor, as explicações que fornece de como chegou a estas histórias e toda a base que as sustenta.
Terminado em 16 de Fevereiro de 2023
Estrelas: 4*
Sinopse
Este livro contém duas novelas gráficas do início da carreira de Paco Roca.
O Farol publicada em 2004, é uma ode à imaginação, aos sonhos e à liberdade. Um faroleiro e um jovem combatente republicano fugido das tropas falangistas discutem sobre as questões da vida, pelo meio de muitas referências literárias. a bicromia em preto e azul resulta perfeita para o ambiente desta obra optimista e de ritmo lento, em contraponto com a segunda história.
O Jogo Lúgubre (título de uma pintura de Dalí) escrita e desenhada inicialmente a preto e branco, em 2001, é uma bizarra história de horror, que parte de um misterioso livro escrito por Jonás Arquero, secretário pessoal do universal pintor catalão Salvador Dalí (Deseo no livro). Em 2012 esta obra, a mais querida de Paco Roca na altura da sua edição, foi publicada em bicromia, num preto e vermelho mais adequada ao tom de terror do relato. Descubra duas dimensões distintas de Paco Roca neste álbum.
Cris























































