Gosta deste blog? Então siga-me...

Também estamos no Facebook e Twitter

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Experiências na cozinha: "Cozinha para quem não tem tempo"


Sigo no FB as dicas da Mafalda sobre cozinha saudável e gosto de anotar as suas receitas e
experimentá-las. Quando espreitei este seu livro o dificil foi escolher alguma coisa... A pressa e o corre-corre de um dia de trabalho bastante agitado resolveu o problema e saiu uma receita bastante simples e rápida que se encontra na página 245: Frango com manteiga e cuscuz.

Adorei o cuscuz! O grão e os coentros juntos com o cuscuz deram-lhe um sabor todo especial. A repetir sem sombra de dúvida!

Aqueça o forno a 200 graus. Coloque os bifes de frango num pirex. Tempere a gosto. Derreta 40 gr de manteiga, junte 2 colheres de sopa de mel, 1 colh. chá de paprika e metade do sumo de um limão. Tempere. Deite por cima do frango. Leve ao forno por 25m e vá regando.

Entretanto coloque 200gr de cuscuz numa taça e deite 250 ml de caldo de legumes quente (juntei água e um caldo knor de legumes). Tape a tigela com papel aderente e espere 5m. Depois passe um garfo pelo cuscuz para o soltar. Junte o sumo da outra metade do limão, uma colh sopa de azeite, uma lata de grão lavado e escorrido e coentros frescos ou salsa. Misture bem.

Ficou assim:

 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ao Domingo com... Anabela Natário

Escrevo quase todos os dias. Coisas diversas. E não sofro com isso, o que não significa que me não aflija. 
Na minha escrita jornalística, sigo a realidade, faço-o de modo a sacudir da prosa uma visão particular do sucedido, pretendo que sejam os leitores a tirar as suas conclusões. À noite e ao fim de semana, como que me vingo dessa escrita fabulando o passado, o presente e o futuro, com a ideia de conduzir o leitor para os meus domínios. Por vezes, vou ao passado para fazer de repórter e fico espartilhada pelos factos, como sucedeu quando contei em seis livros a vida de 177 portuguesas do século X ao XX, mas o espartilho não me retira o prazer da escrita. Por vezes, percorro livremente o futuro, como na ficção “A Cueca Bibelô”, apenas publicada em versão digital, passada num ano incerto, num tempo estranho em bibelôs :) ou em “A Tomada da Pastilha”, história guardada numa pasta do meu computador e posta na nuvem para evitar um desgosto. 
O advento do computador - as minhas primeiras peças nos jornais e ficções foram escritas à máquina… julgo estar a envelhecer :) - redobrou-me o prazer da escrita, deixando-me trocar palavras, manobrar frases, construir textos como puzzles, sem estragar papel. Gosto de
burilar a prosa, inquieta-me escrever à velocidade dos acontecimentos; gosto de rever e reler, reler e rever. Mas aflige-me, sobretudo, não escrever. E nesta última aflição se inclui um assunto mais prosaico: não escrever significa atrasar um livro, não é ter menos tempo para o fazer, uma obra tem um tempo para se fazer. O meu último livro, por exemplo, “O Assassino do Aqueduto”, demorou mais do que o previsto. Não possuo um tempómetro, erro sempre os cálculos, tenho dificuldade em dar por encerrada a pesquisa, penso escrever xix carateres por dia e nunca acerto; há noites em que me sinto demasiado cansada, há noites em que outros apelos me movem, e na reta final preciso de terminar uma primeira vez só para me afastar do escrito o tempo necessário a lê-lo com outros olhos, altura em que fico com vontade de o reter mais um tempinho. As editoras têm sido compreensivas. Acaba por ser um segundo prazo a obrigar-me à conclusão e o grau da minha aflição sobe à medida do incumprimento, mas, quando me sento à escrita, a pressão solta-se e o prazo esgota-se…
Deste último livro, tenho desculpa, tive de lidar com um assassino conhecido, líder de uma quadrilha identificada, envolto numa lenda que serviu de papão em algumas gerações. Merecia cuidado para não dar um mau acordar a seres desaparecidos há muito. Pesquisei o máximo que pude, usei o meu tempo o melhor que consegui, adorei andar atrás daquela gente do século XIX, de a ‘processar’ na minha imaginação. Mas - gosto da palavra mas, é algo que se opõe, que tanto pode ser um desafio como uma desculpa, algo muito humano -, mas, dizia eu, existem outras coisas na vida, não se pode (não consigo) dar sempre um não à família, aos amigos, mesmo até ao que vem do desconhecido. Constatando que, se há mais do que uma vida na terra, ninguém se lembra da vida anterior, estou consciente de que é esta a minha oportunidade de… escrever :).

Anabela Natário

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Queres ganhar o livro "Acredita e vencerás" de Laura Karvell?

Se te queres habilitar a ganhar um exemplar do livro "Acredita e vencerás", clica em:
https://www.facebook.com/acreditaevenceras/app_79458893817

Também podes receber 15 capítulos deste livro, clicando em:
https://www.facebook.com/acreditaevenceras/app_309178692457460

Na minha caixa de correio

  

 

Emprestados do Segredo dos Livros vieram Os Niveis da Vida e A persistência da Memória.
Da Planeta: Quando a tua ira passar e Pede-me o que quiseres. Obrigada!
Um livro que já foi aqui comentado pelo Jorge e que quero muito ler, A Invenção do Amor, da Alfaguara.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Novidade Esfera dos Livros

As Mulheres do Marquês de Pombal 
de María Pilar Queralt del Hierro

Por detrás de um grande homem de Estado como Sebastião José de Carvalho e Melo não está uma grande mulher, mas sim várias. Umas unidas por laços de sangue, como a sua mãe Maria Teresa Luiza de Mendonça e Melo, outras por laços afetivos como as suas duas esposas. A primeira, dez anos mais velha que o jovem Sebastião, foi a viúva Teresa de Mendonça e Almada. O namoro não foi bem aceite, mas Sebastião José não hesitou, raptou a noiva e casou em segredo, escandalizando tudo e todos. Amor ou ambição por um casamento com uma mulher de uma classe superior à sua? O casamento foi curto, a mulher morreu de doença enquanto o jovem ascendia na carreira diplomática. Primeiro Londres, depois Viena. Foi aqui que conheceu a sua segunda mulher, companheira de uma vida e mãe dos seus quatro filhos, Maria Leonor Ernestina Daun. Mas Sebastião José era um homem inteligente, frio, mais dado às suas ambições políticas que às artes do coração. Há uma mulher que fica na história como a grande protetora e responsável pela sua ascensão ao poder: a rainha Maria Ana de Áustria que o colocou ao lado de D. João V e depois do filho D. José I. Mas também foram as mulheres as responsáveis pela sua queda. O seu confronto com a Marquesa de Távora, D. Leonor, o processo sangrento daquela família e o desafeto de D. Maria I por este homem levaram-no à desgraça. A autora bestseller María Pilar Queralt del Hierro traz-nos a história destas mulheres que, de uma forma ou de outra, estiveram presentes na vida do Marquês de Pombal, o estadista ilustrado que soube fazer com que Lisboa renascesse das cinzas em 1755. Viajamos pela sua escrita através do século XVIII, pelos palácios reais, pelas intrigas da corte, pelos salões onde se reuniam escritores, artistas, políticos unidos pelos ventos do Iluminismo, é aqui neste ambiente que conhecemos Teresa Margarida da Silva ou Leonor de Almeida Lorena, Marquesa de Alorna

Novidades Bizâncio

A Vida é um Presente
de María de Villota
María de Villota, ex-piloto de Fórmula 1, relata neste livro a volta que deu a sua vida depois do acidente que sofreu em Inglaterra, a 3 de Julho de 2012, numa sessão de treinos. Nesse trágico dia quase perderia a vida, ficando com graves sequelas. Em lugar de se entregar ao desânimo, a sua tenacidade e coragem foram mais poderosas. A Vida É Um Presente é um testemunho comovente, apaixonante e inspirador de uma mulher decidida a pilotar com mão firme o rumo da sua vida. Apesar desta recuperação espantosa, María de Villota morreria trágica e inesperadamente a 11 de Outubro de 2013, 15 meses depois do seu acidente, na sequência dos muitos traumas sofridos na altura; a dias do lançamento em Espanha desta sua obra. O seu testemunho de coragem e determinação permanece como uma inspiração invulgar para todos os que se deparam com momentos mais duros nas suas vidas. 

A Minha Segunda Vida
de Christiane F. com Sonja Vukovic
A vida de Christiane F. deu a volta ao mundo. Milhões de jovens cresceram com as confissões trágicas desta adolescente alemã, de 13 anos, drogada, prostituta. E depois? Qual foi o seu destino?
Trinta e cinco anos mais tarde, Christiane F., hoje com 51 anos, fala-nos dos tempos que se seguiram à publicação do livro Os Filhos da Droga e das diferentes etapas da sua vida até aos dias de hoje: os anos felizes na Grécia, depois de ter estado presa, o combate constante contra a dependência, o convívio com os seus ídolos do rock&roll e os momentos de felicidade com o seu filho, Phillip. Sem subterfúgios, tendo como pano de fundo o mundo da droga e as relações que se estabelecem, aquela que o mundo conhece como Christiane F. conta tudo neste livro, com uma franqueza surpreendente.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A escolha do Jorge: "Paraíso e Inferno"

Paraíso e Inferno é a primeira obra de uma trilogia do islandês Jón Kalman Stefánsson sendo também a primeira obra do autor publicada em Portugal.

A história tem como cenário a Islândia no século XIX tendo como ponto de partida uma pequena embarcação de pescadores que é apanhada de surpresa por um violento temporal que vitimou Bárður, um dos tripulantes que por descuido se esqueceu do impermeável apropriado para realizar a viagem em alto mar e com temperaturas muito baixas. Após o regresso a terra, o rapaz (de quem nunca sabemos o nome), um dos tripulantes da embarcação inicia uma longa viagem ao longo da ilha no intuito de devolver o livro Paraíso Perdido de Milton a Kolbeinn, um capitão cego, que o tinha emprestado ao seu amigo Bárður.
É ao longo desta viagem do rapaz pela Islândia que somos confrontados com os conceitos de vida e de morte e quão ténue é a margem que divide estas duas dimensões. A certeza que temos perante aquilo que conhecemos da vida é sempre preferível à incerteza da morte sendo a esperança que nos faz mover e ir mais além na concretização do destino de cada um. “A vida humana é uma corrida constante contra a escuridão do mundo, a traição, a crueldade, a cobardia, uma corrida que tantas vezes parece desesperada, mas ainda assim, corremos e, ao fazê-lo, a esperança sobrevive.” (p. 13)

A viagem do rapaz pelo país-ilha é assim semelhante à vida que cada um leva tornando-a no Paraíso ou no Inferno consoante a atitude quedemonstra em articulação com o meio que o rodeia, assim como com a importância que as pessoas têm à sua volta.

É nesta ideia da relação com os outros que Jón Kalyan Stefánsson emParaíso e Inferno nos apresenta a ideia de que cada pessoa é importante na sociedade à qual pertence. Todos os habitantes da ilha são poucos face à imensidão agreste e impacto que a natureza exerce sobre os homens ao ponto de que cada ser humano ser apresentado como parte integrante de um pequeno cosmos social em que cada um exerce uma função e importância para os demais. São poucos os habitantes, daí a responsabilidade social de velar pelo bem-estar de todos e quando assim acontece também a sociedade se torna mais humana e consequentemente mais justa. “(…) Deveríamos cuidar daqueles que são para nós importantes e que têm em si bondade, e de preferência nunca os abandonar, a vida é demasiado curta para isso e, por vezes, termina de modo súbito, como descobriste desnecessariamente.” (p. 164)

Em Paraíso e Inferno, os livros assumem um papel extremamente importante na formação de cada um, assim como em cada núcleo familiar.“(…) O tempo livre era passado a ler. «Não tínhamos remédio. Pensávamos continuadamente em livros, em sermos educados, ficávamos fervorosos, frenéticos, se ouvíamos falar de algum livro novo e interessante, imaginávamos como poderia ser, falávamos sobre o seu eventual conteúdo à noite, depois de vocês terem ido para a cama. E depois líamo-lo à vez, ou juntos, quando e se conseguíamos deitar-lhe a mão ou a uma cópia do mesmo feita à mão.»” (p. 34)

Assim como os livros eram considerados um bem raro e de valor inestimável, também a vida em família e em sociedade devia ser estimada dando valor às memórias de cada pessoa valorizando a história da vida de cada um e de cada família e, consequentemente, de todo um país sendo necessário registar as memórias onde se cruzam as histórias das famílias com a História do país. “Tudo aquilo que se relaciona com essa pessoa torna-se uma recordação que lutámos para reter, e é traição esquecer isso. Esquecer como ele bebia café. Esquecer como se ria. Como olhava para cima. Mas, ainda assim,
 esquece-se. A vida exige que se o faça.” (p. 75) “Constitui algum alívio seguir em frente com a vida, 
um conforto que, no entanto, se torna amargo quando se trata mal a vida, se faz algo que nos atormentará eternamente, mas é de tudo às nossas próprias recordações que tentamos chegar, são elas o fio que nos une à vida.” (pp. 82-83).

Jón Kalman Stefánsson apresenta-nos, pois, uma obra que não deixará certamente os seus leitores indiferentes com a garantia de mergulharmos num livro apaixonante tal como se pretende que seja a vida de cada um, uma viagem inesquecível.

Paraíso e Inferno assume-se, deste modo, como um verdadeiro tratado sobre a amizade e o amor pelo próximo apresentando os livros como um antídoto contra a solidão e a redenção dos homens. “As palavras ainda parecem capazes de comover as pessoas, é inacreditável, e talvez a luz não esteja completamente extinta no seu interior, talvez permaneça alguma esperança, apesar de tudo.” (p. 32) As nossas palavras são equipas de salvamento confusas com mapas obsoletos e cantos de passarinhos em vez de bússolas. Confusas e verdadeiramente perdidas, a sua função é, contudo, a de salvar o mundo, salvar vidas terminadas, salvar-nos e então, esperemos, também nos salvar.” (p. 83)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

"O Filho Perdido de Philomena Lee" de Martin Sixsmith

Tendo sido convidada para a ante-estreia do filme Filomena (obrigada Planeta!) tinha intenção de ler o livro antes. Mas não consegui fazê-lo...

Adorei o filme! A interpretação de Judi Dench é espectacular e a história prende-nos de imediato, tanto mais sabendo que ela é baseada em factos reais.

E peguei no livro no dia seguinte...

A minha surpresa não podia ser maior! Foi como se estivesse a ver outro filme contado de uma perspectiva diferente. Uma história com contornos semelhantes mas tão mais completa e com tanta informação que o filme não possui (nem poderia, eu percebo!) que mais parecia que estava a ouvir uma outra história.

O filme centra-se na busca de uma mãe a quem foi tirado o filho há perto de cinquenta anos. O livro, fala-nos nessa busca e na pesquisa feita por um jornalista para encontrar esse mesmo filho mas foca essencialmente a vida dessa criança, os seus sonhos e medos, o seu crescimento, a sua necessidade de aceitação por parte dos pais adoptivos, as suas incertezas, a sua necessidade de auto-punição, a descoberta da sua homossexualidade, o seu eterno descontentamento por não saber aceitá-la e como isso se repercutiu no seu bem estar (ou mal-estar) durante toda a sua vida privada e pública, já que ele trabalhou para o partido Republicano. Se no filme a mãe busca incessantemente o filho perdido, no livro essa busca é reciproca e o filho, durante a sua vida, procurou sempre as suas raízes e a razão do "abandono" da mãe, indo por várias vezes ao lar irlandês onde nasceu.

Uma história iniciada em 1952, na Irlanda. Uma história real, que surgiu face um acontecimento verídico bastante lamentável e que veio à luz do dia devido também a esta história: o tráfego de bebés irlandeses por parte de instituições religiosas, vendidos maioritariamente para pais americanos, retirados à força às suas mães, coagidas a assinar uma declaração onde abdicavam de todos os seus direitos em relação aos bebés.


Um livro admirável. Uma história de arrepiar. História verdadeira, que, graças a algumas coincidências, veio à tona.


Terminado em 10 de Fevereiro de 2014

Estrelas: 5*



Sinopse

A comovente história verídica de uma mãe e do filho que foi obrigada a renunciar.


É uma história de vida impressionante de uma mulher irlandesa que escondeu um segredo durante cinquenta anos. Este segredo foi escondido devido à vergonha e ao grande trauma por que passou. Philomena Lee, uma jovem que procurou refúgio numa abadia por estar grávida e solteira, foi posteriormente obrigada pelas freiras e bispo a dar o filho para adopção (pois a igreja argumentava que uma mãe solteira era uma desgraçada moral a quem não se devia podia permitir ficar com o filho). Philomena tentou toda a vida encontrar o filho mas nunca soube para onde foi.


O filho tentou procurar a mãe mas a igreja negou- lhe informações, pois receava a descoberta do macabro negócio de venda de crianças. Este escândalo, quando descoberto, abanou os alicerces da igreja católica e embora tenham pedido publicamente perdão às mães a quem venderam os bebés, sofreram a vergonha também pública de não serem perdoados.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Experiências na Cozinha: "Cozinha para Dias Felizes"

Já há algum tempo que andava a namorar este livro. Gosto do blogue da Laranjinha (Cinco Quartos de Laranja) e andava a folheá-lo numa livraria onde costumo ir com frequência. A receita que vos deixo ficar aqui foi a que me convenceu a trazê-lo comigo. Gosto de misturar sabores tradicionais com algo inovador e esta açorda foi a escolhida!

Açorda de curgete

Cortar o pão em fatias e deitar 5 dl de água quente por cima e reservar. Fazer um refogado com uma cebola, 4 dentes de alho e um pouco de azeite até a cebola estar translúcida. Acrescentar 450 gr de curgete ralada com casca e temperar com sal. Juntar o pão demolhado e mexer com uma colher para que a consistência fique uniforme. Bater 4 ovos, temperar com pimenta preta e juntar à mistura anterior. Juntei coentros picados também.

Acompanhei com lascas de bacalhau cozido salteado na wook em azeite, alho e salsa.

Eis as fotos:



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Passatempo "O Silêncio dos teus Olhos"

Com a gentil colaboração do escritor Hugo Girão, o "Tempo entre os meus livros" tem para oferecer um exemplar de "O Silêncio dos teus olhos".
Este passatempo vai decorrer até ao próximo dia 20 de Fevereiro.

Para saber mais sobre este autor e este livro, veja aqui!

Boa sorte!


"O Estranho Caso de Sebastião Moncada" de João Pedro Marques

Foi com grata surpresa que me apercebi que ao fim de 20 páginas já estava completamente seduzida pela escrita deste autor e, também, pela história contada.

A escrita, muito apelativa, marca-nos rapidamente. Cheia de pormenores da época com algumas expressões que se subentendem perfeitamente, somo ajudados com um pequeno glossário, no fim das páginas, quando se torna mais difícil percepcionar correctamente o significado de algumas delas.

Romance histórico ou, como gosto de chamar, romance "de época", retrata com excepcional realismo uma época de tumultos e conflitos que marcaram a História do nosso país: liberais e miguelistas lutam pelo poder, acabando por ultrapassar os limites do que hoje consideramos razoável. Mortes, castigos, prisões, roubos e assassínios tudo se conjuga para que a acção não perca o seu ritmo. E romance, claro está! A paixão sentida por Mateus, capitão do exército e Luísa, esposa de um Juiz tirano e vingativo, torna-se um dos pontos chave desta obra que gera uma empatia imediata no leitor. O mistério também se encontra fortemente presente pois Mateus é encarregue de desvendar um caso de um casal assassinado e que vai percorrer todo o romance.

Saber mesclar o romance, o mistério, a ficção com os aspectos verídicos dessa época conturbada da História de Portugal foi um aspecto que se destacou nesta minha leitura e que atribuo à formação do autor. Mas fazê-lo com mestria deve-se a um talento que me cativou e que me levou a procurar nas minhas estantes os dois livros por ele já escritos e a trazê-los para a estante dos que pretendo ler em breve...

Aprecio muitíssimo quando, ao fechar um livro, tenho a certeza de ter aprendido algo novo. Já agora, sabiam que os liberais eram apelidados de "os malhados" pelos miguelistas e "os corcundas" era a forma como os liberais se referiam aos miguelistas?

Gostei muito desta leitura.

Terminado em 5 de Fevereiro de 2014.

Estrelas: 5*

Sinopse


Correm tranquilamente os primeiros dias de Junho de 1832 quando um casal desconhecido vem alojar-se numa estalagem da Foz do Douro. Ele é um homem de meia-idade e porte altivo, chamado Sebastião Moncada, e ela, uma mulher mais nova, de olhar assustado e gestos inquietos.


O casal chega rodeado de uma atmosfera de mistério, cuja persistência vai exigir a intervenção da Polícia. Mateus Vilaverde é o oficial da Guarda Real que fica encarregado do caso, mas a sua investigação complica-se extraordinariamente com a chegada do exército liberal de D. Pedro, que, desembarcado nas praias do Mindelo, ocupa a cidade do Porto. É, então, num cenário de guerra que Mateus vai descobrindo a história de Sebastião Moncada. Mas à medida que o vai fazendo vê-se impelido a investigar-se a si próprio e a confrontar-se com os seus afectos, desejos e fantasmas.


Tendo como pano de fundo o Portugal das Guerras Liberais e o estoicismo das gentes do Porto, cercadas durante mais de um ano pelo enorme e impiedoso exército miguelista, O Estranho Caso de Sebastião Moncada é um romance sobre a importância do acaso e das coincidências na vida humana e sobre a coragem necessária para enfrentar e viver as consequências de um grande amor.





domingo, 9 de fevereiro de 2014

Resultado do Passatempo "Hotelle - Quarto 2"

Terminado mais um passatempo do Tempo entre os meus livros, tendo-se registado 195 participações, anunciamos agora o vencedor:

- Susana Silva de Vialonga.

Muitos parabéns! 

O prémio ser-te-á enviado, muito em breve, pela editora Suma de Letras.

Ao Domingo com... Rui Cardoso Martins

O que faço é, provavelmente, o resultado de três acidentes: a pressão de pessoas de fora para eu escrever ficção; uma pressão interna (sentimento de culpa) se não faço nada; um acidente de carro em que eu ia a conduzir e não morreu ninguém. Quando me põe a questão volto sempre a ideias que me acompanharam nos últimos anos. 
Como escrevo é tão importante como não escrevo:
Não escrevo sem lavar os dentes, as palavras ganham sarro e devem sair frescas da boca para a ponta dos dedos. Não escrevo sem pensar que são quê, cinco da manhã, voltaste a acordar antes do sol e é bom que tenhas algo a dizer na confusão do mundo. Não escrevo de barriga cheia ou com vestígios de ressaca. Reduz o horário de escrita do ano, mas nada a fazer. Se começas a ficar tonto, come as palavras que estão a mais, há sempre muitas. Quando não aguentares o jejum, se a própria fome te engorda a frase, vai ao frigorífico e repõe o açúcar e o sal no sangue.
Não escrevo para escrever bem. Não escrevo sem pensar nas possibilidades do ridículo de escrever, que nunca acabam. Não escrevo sem pensar que posso ser mais uma pessoa que devia fazer outra coisa na vida. Não escrevo sem perceber que então ia fazer o quê?
Agora como escrevo, se conseguir. Escrevo contra a maldade e a ignorância que estão dentro de mim. Escrevo também a favor delas, são adversários magníficos a quem foram dados muitos anos de avanço.  
Escrevo a pensar nas formas impossíveis do amor, se for preciso inventa-se mais uma verdadeira. 
Escrevo contra a a escravatura das religiões, a obrigatoriedade da fé que tanto mal faz às crianças da Terra. Tenho respeito por Deus, mas se existe é má pessoa. Eu mudava de atitude, com tantos poderes.
Escrevo a combater as conspirações da realidade, a meio desta frase lá está ela a conspirar, algures. Apesar de tudo, acredito que a vida triunfa, não escrevam Fim antes de acabar a história. Sou um optimista mas não percebo porquê.  E se isto fosse fácil era para os outros, como dizem os marines e disse uma pessoa que amei. Escrevo porque me pediram para escrever e porque me pediram para não escrever e foram todos bons conselhos de gente formidável. Escrevo porque tenho muitos amigos e amigas e alguns deles são um pouco malucos. Tenho filhos e pais e irmãs. E outras pessoas de quem gosto cada vez mais, junto de mim.
Escrevo porque viajei e vi injustiça e sofrimento. Não serve de nada escrever sobre desgraças, ou quase nada, mas algum nada temos de fazer. Muito do sofrimento que vi é meu e português e mundial. Também faz rir, mas acredito que o humor é aprofundar, não aligeirar. 
Escrevo contra as pessoas parvas.
Escrevo porque as mulheres são bonitas e cheiram bem. E pelos vivos e pelos mortos, as pessoas vivem e de repente morrem-nos. E o mar tem peixes e os bosques pássaros e os esgotos ratos. Escrevo porque é uma profissão interessante, há de certeza melhores, mas não me calharam nem podia ser.

Rui Cardoso Martins

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Na minha caixa de correio

  
  

O Assassino do Aqueduto vai ser a minha próxima leitura! Estou mortinha para começar este livro...
A Rapariga que Roubava Livros já li há algum tempo mas como fui ver o filme (adorei!) e não o tinha, achei por bem ligar para o JN e ganhá-lo.
Também do JN veio o livro O mistério do quadro de Bellini...
A Filha do Barão é da Célia loureiro. Gostei dos dois livros anteriores dela e este não podia faltar.
Talvez um Anjo é um livro pequenino, para uma hora de descanso, mas pareceu-me muito rico. Vamos ver...
A Última Noite em Lisboa tem uma sinopse que é a minha cara! O livro anterior, O Exílio do Último Liberal, que me aconselharam, está na estante à espera. Este vai primeiro, logo depois de ter lido o do Assassino do Aqueduto..

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Novidade Oficina do Livro

O Ano em que não ia haver Verão
de Rute Silva Correia
Num diálogo de desencontros, as personagens deste romance urbano, decorrido na Lisboa dos dias de hoje, entram e saem das camas uns dos outros, do divã do psicólogo Raúl Veracruz e também de um obscuro clube secreto na Praça de Londres, onde máscaras e mentiras são os acessórios mais excitantes.
Gizela Espinosa é uma herdeira deslumbrante que acumula dinheiro e poder de sedução. Santiago é um artista interesseiro e dominador. Em Lisboa, toda a gente conhece os dois amantes.
Quando o guitarrista Jonas Vasconcelos morre misteriosamente, um terrível segredo de família ameaça revelar-se e só a indiscreta Rosalina poderá, ou não, evitar um desfecho escandaloso.

Novidades Clube do Autor

Última noite em Lisboa
de Sérgio Luís de Carvalho
A II Guerra Mundial vai no seu quarto ano. Numa Lisboa pobre, pacata e marialva, apenas os refugiados, as manobras militares da Legião Portuguesa e as filas que se começam a fazer à porta das lojas denunciam a existência de um distante e sangrento conflito.
Henrique é um jornalista que trabalha na revista A Esfera*, subsidiada pelos serviços secretos nazis, quando conhece a nova vizinha do lado, Charlotte, uma refugiada austríaca, cuja liberdade e antinazismo lhe vão abrir novas perspetivas. Cada vez mais, Henrique sente-se entre dois mundos antagónicos. De dia, trabalha entre convictos nazis; à noite, está com Charlotte e com Maria Carolina.
O que Henrique desconhecia é que os segredos e os mistérios da vida de Charlotte implicariam uma escolha dramática para os seus destinos.

Os dez de Tânger
de Eduardo Palaio
Os Dez de Tânger centra-se nos caminhos tortuosos de uma expedição feita por soldados desconhecidos, nos segredos do povo miúdo arrebanhado para a guerra. Trata-se de uma história épica de dez homens com vidas reais que partiram à aventura de novos horizontes numa expedição ao Norte de África. Um episódio que ficará para sempre guardado nos anais da nossa História e que é aqui relembrado de forma épica e rigorosa. 

Convite Esfera dos Livros


Novidade Matéria Prima Edições

Escolha ser Feliz
de Amy Spencer
As pessoas felizes não são as mais ricas ou as mais bonitas. Neste livro fica claro como água que a felicidade não nasce da sorte, qualquer que seja a sua natureza. É preciso querer ser feliz e conhecer aquilo que nos faz feliz. Neste campo, somos todos muito parecidos. 
Aceite o convite de Amy Spencer e entre numa viagem, com paragem em centenas de momentos felizes. Comece a somar, desde já, prazer e alegria, apesar das adversidades. Porque não interessa o que nos acontece, mas sim a forma como o encaramos.

Novidade Planeta

Quando a tua Ira Passar
de Asa Larsson
Wilma e Simon são dois jovens apaixonados que decidiram mergulhar no lago gelado de Vittangijärvi, no norte da Suécia, em busca dos destroços de um avião alemão desaparecido em 1943. 
Enquanto mergulham, alguém corta a corda de segurança de Wilma e tapa o orifício de saída no gelo. Não têm como escapar. 
Quando a Primavera se aproxima do norte da Suécia, o corpo de Wilma emerge das águas do rio Torneälven. Ao mesmo tempo, uma figura fantasmagórica aparece nos sonhos de Rebecka Martinsson, a reputada advogada de Kiruna. Será o fantasma do corpo que apareceu no rio? 
Com a inspectora da polícia Anna-Maria, Rebecka envolve-se num enigma que desperta antigos rumores de colaboradores nazis em Kiruna, um lugar onde a vergonha e o segredo controlam as recordações da guerra. 
Além disso, um assassino está disposto a continuar a matar de modo a manter o passado enterrado para sempre debaixo do gelo e da neve.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A Escolha do Jorge: "A Invenção do Amor" de José Ovejero

José Ovejero (n. 1958) foi o vencedor do Prémio Alfaguara Romance 2013 com o seu romance “A Invenção do Amor” que foi recentemente publicadoem língua portuguesa sendo igualmente a primeira obra deste escritor espanhol a ser publicada no nosso país.

Não se tratando propriamente de um livro policial ou um qualquer thriller, “A Invenção do Amor” apresenta-se como um romance em que o leitor entra na vida de Samuel, 43 anos, com uma vida desprovida de pessoas, sentimentos e, no fundo, sentido. Samuel é sócio-gerente de uma empresa de materiais de construção que está na eminência de ser comprada por um grupo de empresários kosovares suspeitos de lavagem de dinheiro entre outras atividades ilícitas.

A par da atividade profissional em que Samuel pouco ou nada se envolve não tendo consciência das consequências que a crise que afeta igualmente a Espanha sobretudo no que diz respeito ao mercado imobiliário, Samuel é confrontado com um estranho telefonema em que recebe a notícia de que Clara, a antiga amante, tinha falecido na sequência de um acidente automóvel.

Intrigado com o telefonema, Samuel decide deslocar-se ao local onde se realiza o velório de modo a tentar compreender quem afinal foi Clara, uma vez que todos os presentes o reconhecem como o amante da falecida.

A partir daqui, Samuel embarca numa verdadeira roda vida tentando compreender o que está a acontecer na sua vida ou o que terá acontecido sem que se tivesse apercebido. É nesta tentativa de busca da verdade que Samuel e o leitor trilham o caminho da introspeção face a questões de ordem muito pessoal e ao modo como encaramos a vida e o que deixamos de fazer gradualmente à medida que deixamos de olhar para a vida com um sentido ou um objetivo tornando-nos indivíduos cada vez mais afastados dos familiares, dos amigos, da sociedade em geral.

Ao longo do livro, Samuel quando questionado por terceiros sobre a sua relação com Clara, inventa um conjunto de histórias, mentindo assim, sobre algo que na verdade não aconteceu, mas que gostaria, de alguma forma que tivesse acontecido. O que é curioso é que Samuel vai embarcando nesta saga dado que nada tem a perder na tentativa de construir uma vida com sentido a partir de uma história alucinante que tanto pretende que efetivamente se torne a sua história, a sua vida.

A escrita de José Ovejero é pragmática e apelativa trazendo para a literatura vários temas que poderão ser encarados como verdadeiros lugares-comuns que não deixam de ser questões com que todos nós nos defrontamos uma ou outra vez ao longo das nossas vidas.

O binómio invenção-mentira atinge nesta obra o seu expoente máximo na medida em que chegamos ao fim do livro e acabamos por perceber que o mistério ficará por resolver à semelhança do mistério da própria vida que seguindo o seu curso natural, há momentos em que seremos nós a tomar pulso e inventar-mentir alguns cenários e circunstâncias como meio de alcançar ou vislumbrar um dado objetivo ou sentido das nossas vidas.

Excertos:

“Já passámos dos quarenta, os seis, já assomámos a esse precipício, à queda desde lá de cima, se é 
que algum de nós chegou lá acima, assomámos também às possibilidades, a uma promessa de 
mudança. Os quarenta, vendo bem, não são nada por aí além; às vezes, ainda levantamos a cabeça e perguntamo-nos: «Porque não?» Ainda estou a tempo», e, quais perdigueiros, farejamos um rasto entre as moitas que foram crescendo pelos caminhos abandonados, porque há anos que percorremos a mesma estrada, sem nos atrevermos a meter-nos por um desvio. E, depois de vislumbrarmos essa possibilidade, continuamos a ruminar placidamente as nossas vidas, nem muito felizes nem muito infelizes. Moderadamente satisfeitos, fazemos a digestão dos nossos sonhos.” (p. 11)

“Há uns meses, o meu televisor avariou-se. Será um sinal de saúde mental ou de preguiça não me ter dado ao trabalho de chamar alguém para o consertar? Há quase quatro anos que moro sozinho. Um homem que vive sozinho acaba por se transformar numa versão esbatida de si próprio: vão-se instalando pequenas manias na sua vida quotidiana, como jantar de roupão ou deixar os pratos sujos empilhados no lava-loiça, lavando-os apenas à medida que precisa deles, ver televisão até às tantas, passar o fim-de-semana de pijama, perder tempo com jogos de computador. Os homens que moram sozinhos, a partir de uma certa idade, quando deixam de acreditar que a vida de casal poderia ser agradável ou excitante, é frequenteterem pouca vida social; as mulheres, incluindo as resignadas ou decididas a ficar solteiras, como aquela amiga que me disse: «A minha metade inferior deixou de me interessar», mantêm contactos, saem, falam de si próprias e de outras amigas, necessitam de pele, de voz, de intensidade, do mesmo modo que os homens necessitam de distância, de silêncio, de indiferença. Talvez eu ainda não tenha atingido essa idade ou essa resignação e, por conseguinte, ainda me esforço por combater a tentação de não tomar duche se não for sair, de não fazer a barba ou não mudar de cuecas, de deixar a loiça suja em cima da mesa, de estar dias sem telefonar a ninguém. Embora não tenha muitos amigos e tão-pouco sinta a falta de uma vida social mais intensa, esforço-me por evitar a sensação de enclausuramento, de relação doentia com ecrãs e aparelhos, com espaços fechados, com o ruminar monótono da minha consciência, com a embaraçosa existência de quem não é capaz de sentir mais do que quando lhe impingem um drama televisivo.” (pp. 49-50)

“O maior inimigo da felicidade não é o sofrimento, mas o medo. Para estar realmente vivo, tem de se estar disposto a pagar um preço por aquilo que se obtém. E é aqui que eu falho. Estou a ficar preguiçoso; custa-me pagar para obter e tenho tendência a conformar-me com o que me sai de graça, ou seja, com pouco.” (p. 50)

Texto da autoria de Jorge Navarro


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"O Caderno Do Avô Heinrich" de Conceição Dinis Tomé

Disponham de uma horita e leiam este pequeno livro. Lembrei-me bastante de "O rapaz do pijama às riscas" porque também nos remete para uma amizade entre dois rapazinhos, um alemão e um judeu.

Muitas vezes, os "crescidos" esquecem-se que possuem coração, e se colocassem os olhos nos mais jovens talvez o mundo nao tivesse passado por tantas guerras e ódios... Como explicar a uma criança que uma amizade entre duas pessoas de paízes, credos ou cores da pele diferentes não pode existir? Com que fundamento?

Dois amigos vêm-se separados. Em Varsóvia, do lado de dentro do muro, os judeus. De fora, os outros. Naquilo que a sua idade permite perceber, Heinrich, sabe que deve procurar o seu amigo. Tal como o pai, não desiste e insiste. Uma história que termina com uma mensagem de esperança pois essa criança cresceu e conseguiu superar o que de mau lhe trouxe o Holocausto. 

Uma obra que aconselho a um público mais jovem, mas que todos podem (e devem) ler. 

Terminado em 1 de Fevereiro de 2014

Estrelas: 4*

Sinopse

Heinrich e Jósef conheceram-se na Polónia. Heinrich tinha chegado há pouco tempo da Alemanha, porque o pai não queria que o filho crescesse num país onde então dominavam o ódio, o preconceito, o abuso do poder e todas as formas de fanatismo. Naquele tempo, o homem que tinha subido ao poder resolveu dominar o mundo e perseguir todos aqueles que considerava serem de raças inferiores como os judeus ou os ciganos, e também todas as pessoas que lhe opusessem resistência. Esse homem chamava-se Adolf Hitler. Esta história, escrita com grande sensibilidade, conta-nos como Heinrich, e o seu amigo judeu, Jósef, apesar de tudo o que sofreram, conseguiram manter uma amizade que ficou para a vida. A autora mostra-nos ainda como o amor pelos livros e pela leitura, e a capacidade humana de criar beleza são importantes para promover a paz entre os povos.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Escritores na cozinha com... Cristina Drios

É tarde e não há nada pronto?
Não temos o menor jeito para cozinhar e o habilidoso lá de casa ainda não chegou?
Gostamos de comer bem mas não queremos perder a linha?

Eis a receita-maravilha: é fácil e rápida, é deliciosa, é amiga!

Desenvolvida e aprimorada por mim, para mim, com provas dadas.
Diz quem já provou que é uma obra-prima!

CREME DE CURGETES
Ingredientes:

  • 4 curgetes grandes
  • 1 cebola média
  • 2 dentes de alho
  • 1 fio de azeite
  • sal e pimenta preta
  • coentros

Preparação:
Sem as descascar cortar 4 curgetes às rodelas para dentro da panela.
Juntar uma cebola em quartos e os dentes de alho.
Juntar água sem cobrir completamente os legumes (deixar, menos menos, um dedo de legumes fora de água).
Juntar sal.
Quando estiverem cozidos, passar com a varinha mágica até obter um creme macio.
Rectificar o sal.
Juntar pimenta preta moída na altura, um fio de azeite e coentros picados.
Já está! Um maravilhoso creme pronto a servir!

Para um dia de festa: escalfar um ovo ou juntar farripas de parmesão.

Cristina Drios

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Um Comércio Respeitável" de Philippa Gregory

Embora tenha já lido outros livros desta autora, não foi a opinião favorável que tenho dela que me fez pegar nesta obra. Li, sim, vários comentários positivos acerca deste livro e gostei da sinopse. Apeteceu-me andar para trás no tempo. Esse desejo foi totalmente conseguido!

Rapidamente deixei Lisboa e fui para Bristol, Inglaterra, mas para o ano de 1787. Um tempo de viagens de comércio tanto de açúcar como de escravos, "mercadorias" muito procuradas nessa época. A par da vida de Frances Scott, a personagem principal (uma senhora pertencente a uma família de bem, mas que a súbita orfandade deixou sem recursos financeiros) e do seu casamento com um comerciante, ficamos com uma ideia de como foi feita a exploração de homens, o tratamento sub-humano a que eram sujeitos os escravos nessa época, as péssimas condições da viagem que os trazia de África, as mortes, as doenças, os suicídios dos que desistiam de ter esperança. Impressiona a brutalidade com que é aqui descrita a forma como os escravos são tratados mas apercebemo-nos, também, da formação de movimentos contra a abolição da escravatura.

Não é um romance triste e, embora o amor que Frances sente por Mehuru seja um amor condenado, impossível de se concretizar, tanto pela pouca saúde dela como pelas condições adversas que os separam, ele revela o início de uma reviravolta na História que, imagino, ter-se-á dado de uma forma muito idêntica: a tomada de consciência por parte de alguns Homens que os escravos eram seres humanos e não uma mercadoria!

Gostei muito desta história. Passam depressa as 500 páginas deste livro. Talvez depressa demais!

Terminado em 1 de Fevereiro de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse


1787. Bristol é uma cidade em franco crescimento, uma cidade onde o poder atrai os que estão dispostos a correr riscos. Josiah Cole, um homem de negócios que se dedica ao comércio de escravos, decide arriscar tudo para fazer parte da comunidade que detém o poder na cidade. No entanto, para isso, Cole vai precisar de capital e de uma esposa bem relacionada que lhe abra as portas necessárias.

Casar com Frances Scott é uma solução conveniente para ambas as partes. Ao trocar as suas relações sociais pela proteção de Cole, Frances descobre que a sua vida e riqueza dependem do comércio respeitável do açúcar, rum e escravos.
Entretanto, Mehuru, um conselheiro do rei de Ioruba, em África, é capturado, vendido e enviado para Bristol, onde será educado nos padrões ocidentais por Frances, por quem, inexoravelmente, se irá apaixonar.

Em Um Comércio Respeitável
, Philippa Gregory oferece-nos um retrato vívido e impressionante de uma época complexa onde impera a ganância e a crueldade que devastaram todo um continente.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Ao Domingo com... Paulo Lima

Origem e Ruína é a minha interpretação pessoal do mito de Adamastor, no seguimento da sua primeira adaptação ao universo literário português, através da obra épica de Camões. Em Os Lusíadas, Adamastor é um monstro que, numa trama passional, se viu ludibriado pela ninfa Tétis, acabando as forças divinas por o transformar num penedo ameaçador. Adamastor sofre de amor, portanto. Em Origem e Ruína, a minha versão de Adamastor surge metamorfoseada num personagem negro, angolano, que apanha o processo de descolonização aquando dumas “férias graciosas” na Metrópole. A partir daqui o angolano de nascença opta pela nacionalidade portuguesa, emigrando posteriormente para a América do Sul, levando toda a sua angústia amorosa, todas as suas ardilosas congeminações e decadências hedonistas para uma Venezuela recheada de lusofonia, espalhando a Diáspora num modo bastante inesperado e, digamos, sui generis.

Inspirei-me nas recordações do meu pai para criar este novo Adamastor. Enigmática tal como o personagem principal do romance, apenas travei conhecimento com a minha figura paterna durante quatro escassas oportunidades, sofrendo com isso os habituais estigmas de filho de “pai ausente”. Esta foi a força motriz que me levou a escrever o livro, bem como toda a saga levada a cabo pela minha mãe – a personagem Lena – para resgatar Adamastor de uma errância longínqua e desconexa, tentando salva-lo da falta de sentido espiritual e amoroso na sua vida.

Deste modo, decidi interligar uma cosmogonia muito particular através de toda a narrativa de Origem e Ruína, alargando a simetria do enredo da história dos meus pais para dimensões cósmicas e de pura ficção científica. Tomei por base a minha paixão por este género de literatura e a devoção quase religiosa que voto à série de Banda Desenhada O Vagabundo dos Limbos, da autoria de Christian Godard e Julio Ribera. E foi assim que brotaram as ideias do Senhor de Toda a Calma, e da eterna luta entre o Ser Racional e a Criatura do Instinto para se mesclarem numa simbiose inflamada entre o Caos e o Cosmos.

Nasci em Coimbra em 1976, e, simultaneamente aos livros, sou actor profissional, área artística onde trabalho com o Ricardo Vaz Trindade e a pianista Joana Gama, formando a companhia Esticalimógama. Fui também marinheiro da Armada durante 14 meses no Navio-Escola Sagres, e pretendo que os meus próximos romances sejam sobre essa experiência singular a bordo da “Embaixada Itinerante”. Tenho muito para vos contar acerca da tão badalada paixão marítima deste nosso aventureiro e tão barbaramente ganancioso “jardim da Europa à beira-mar plantado”...

Entrevista no programa Mar de Letras, emitido na RTP2, RTP África, RTP Internacional e RTP África  http://www.rtp.pt/play/p842/mar-de-letras


Paulo Lima

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Na minha caixa de correio

     


Os meus agradecimentos às meninas que me emprestaram O Eléctrico 16, O Caderno do Avô Heinrich e A Longa Caminhada!
Os meus agradecimentos também à Editora Planeta pelo O filho Perdido de Philomena Lee (sabiam que vai estrear o filme esta semana?) e à Guerra e Paz Editora pelo Inferno no Vaticano.
O Vento da Lua comprei numa promoção. Gostei da sinopse!